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PRECONCEITO E INTOLERÂNCIA NA ESCOLA

Preconceito e Intolerância na Escola

Richard Sennett se refere às dificuldades de falar sobre o preconceito diante das condições desiguais que se observa na sociedade, sendo que estas mesmas condições ditam o nosso comportamento e atitudes, e isso também é observado em sala de aula.

O preconceito não se configura apenas quando nos referimos a cor da pele, nível social ou intelectual. Ele também está presente nos pequenos comentários e atitudes diárias em que julgamos pessoas ou fatos sem um prévio conhecimento, ocasionando, muitas vezes, em erros irreparáveis.

O autor André Comte-Sponville faz uma ponte entre a tolerância e o egoísmo, onde comenta que “… tolerar é aceitar o que poderia ser condenado, é deixar fazer o que poderia impedir ou combater.”, e a isso se une a renúncia de parte da própria autoridade e de atitudes e sentimentos.

Em sala de aula podemos exemplificar o exercício da tolerância através da observação do comportamento natural das crianças e adolescentes quando extravasam sua energia e expõem seu modo de pensar, muitas vezes, de forma exagerada. A tolerância encontra seu limite quando tais fatos ameaçam ultrapassar o respeito e a autoridade a que o professor tem direito.

Quando não nos abalamos com a dor e a injustiça que vitima outros, ou nos comportamos com indiferença diante de tantas atrocidades que ocorrem no mundo e nos julgamos não responsáveis para tentar minimizar tais situações, este modo de “tolerância” é o egoísmo.

Com as transformações ocorridas nas sociedades, desde o século XIX, foi necessário repensar as idéias e as diferenças existentes entre pessoas. Para que se tenha um estado-nação é importante que todos, sem exceção, sejam considerados cidadãos, com mesmos direitos e deveres.

É interessante observarmos aqui que, apesar de todos termos os mesmos direitos e deveres contidos na Constituição, na maioria das vezes, na tentativa de exercermos o que nos é assegurado, somos freados pelos limites de tolerância impostos pelo governo. Sendo a tolerância criada, constituída, o direito do outro só não sofre restrição, quando não representa risco iminente.

Tolerar é compreender que existem diferenças e aceitá-las. Tentar conviver de modo pacífico, interagindo e aprendendo nesse convívio. A intolerância é a recusa de aceitação do outro tal como é, e ela está intimamente ligada ao preconceito.

Em sala de aula, cabe ao professor estar devidamente preparado para lidar com situações de intolerância e preconceito, exercendo ele mesmo, a tolerância e ensinando-a a seus alunos.

O professor deve trabalhar no intuito de modificar opiniões e saberes baseados num conjunto de representações individuais e coletivas que são absorvidas pelos jovens no convívio social.

Todos somos preconceituosos, julgamos o outro pela cor da pele, o negro é relacionado a atitudes e comportamentos condenáveis; o deficiente físico, à incapacidade e retardo de ações; a criança sem lar, é mais um incômodo pedinte. Enfim, sempre estamos pondo em movimento nossas representações.

Outro ponto a abordar é a autoridade docente que sempre foi alvo da preocupação dos educadores.

Como preservar a liberdade da criança, sem sacrificar a autoridade do mestre?

Rousseau idealizou o Contrato Pedagógico que consista em fazer o aluno compreender e aceitar a autoridade do professor, havendo assim, comando e obediência. Não sendo imposta, e sim consentida, essa autoridade passa a ser um forte instrumento quando a liberdade dada aos alunos ultrapassa os limites do direito de cada um.

Portanto, o preconceito é a intolerância que pode ser combatida através do aprendizado. Aprender a tolerar transforma opiniões e saberes que são produzidos por representações. O mestre deve ser merecedor da confiança do aluno, e suas atitudes preconceituosas ou não, influenciam no aprendizado e no modo de perceber o mundo.

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