PROJETO: RECICLAGEM DO LIXO

TEMÁTICA: MEIO AMBIENTE, EDUCAÇÃO E CIDADANIA

Autora: Marlúcia Divina da Silva 

RESUMO:

Quando ouvimos falar sobre meio ambiente pensamos logo em florestas, campos, e lugares que tenham plantas ou animais a serem preservados. A expressão “meio ambiente”, entretanto pode indicar qualquer “espaço” em que um ser vive e se desenvolve. Na interação e nas trocas de energia que se estabelece entre ser vivo e meio ambiente há transformação quanto do ser vivo como do meio ambiente. No caso do ser humano, além do espaço físico e biológico existe também o espaço sociocultural. Desse modo, pode-se considerar o local onde se mora, onde se trabalha ou se estuda como parte do meio ambiente. Hoje em dia se fala muito em Ecologia, mas poucas pessoas agem ecologicamente. O termo Ecologia foi proposto em 1988 pelo biólogo Haeckel, e é composto por duas palavras gregas: oikos, que quer dizer “morada”, e logos, que significa “conhecimento”. Conhecer Ecologia significa estudar a morada, a casa, o ambiente onde vivem os seres vivos.

Todos os seres vivos se relacionam entre si e com o meio ambiente, mas apenas o homem atua conscientemente sobre ele. O homem tem sido responsável por grandes e rápidas transformações dessa “morada” principalmente a partir da crescente urbanização ocorrida após a Segunda Guerra Mundial. Essa urbanização foi mais intensa quando a população rural deixou o campo para tentar a vida na cidade e exigiu um aumento no abastecimento de alimentos e bens de consumo. Isso foi possível devido aos avanços tecnológicos proporcionados pela revolução industrial a partir do século XVIII.

As inovações tecnológicas permitiram a produção de bens de consumo em enorme quantidade e a fabricação de embalagens cada vez melhores que garantiram, o transporte seguro e a durabilidade desses bens.

 INTRODUÇÃO

Meio Ambiente e Lixo

Um dos grandes problemas ambientais é o lixo. O homem colocando o lixo para o lixeiro, ou jogando-o em terrenos baldios, resolve o seu problema individual não se dando conta que as áreas de depósito de lixo das cidades estão em cada vez mais escassas e que o lixo jogado nos terrenos baldios favorece o desenvolvimento de insetos e ratos transmissores de doenças.

Para a preservação do meio ambiente o tratamento do lixo deve ser considerado como uma questão de toda a sociedade e não um problema individual. O artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 estabelece que: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

É direito de todo cidadão ter um ambiente sadio, e um dever de todos preservá-lo. Em março de 1988 foi promulgada a Lei de Crimes Ambientais que assegura alguns princípios para manter o meio ambiente equilibrado. São ações como esta que garantem o direito do cidadão a um ambiente saudável. O grande desafio da atualidade é promover o desenvolvimento sustentável, tema central da Conferencia das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio 92. Por desenvolvimento sustentável podemos entender o desenvolvimento capaz de satisfazer as necessidades presentes, mas sem comprometer as necessidades das gerações futuras.

Educação Ambiental e Cidadania

A Coleta Seletiva para reciclagem é uma ação importante para se preservar o ambiente, mas para que dê resultados é preciso que toda a sociedade colabore e participe da construção de uma mudança de mentalidade e conseqüentemente de hábitos em relação à problemática do lixo. Tal conscientização não se dará de um dia para outro, mas através de um trabalho constante de Educação Ambiental que garanta o envolvimento e a participação de todos: a escola, a família, a comunidade e o Estado.

A Educação Ambiental está garantida pela Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. O artigo 225 diz que cabe ao Poder Publico “promover educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”.

A Educação Ambiental sozinha não é suficiente para resolver os problemas ambientais, mas é condição indispensável para tanto. A grande importância da Educação Ambiental é contribuir para a formação de cidadãos: conscientes do seu papel na preservação do meio ambiente e aptos para tomar decisões sobre para tomar decisões sobre questões ambientais necessárias para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável. O papel do poder público é fundamental para que tais ações se concretizem. No caso do tratamento de lixo, as leis, regulamentos e procedimentos são definidos pela União e define as normas gerais.

Segundo o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) uma sociedade sustentável deve estar em harmonia com os princípios:

  • Respeitar e cuidar da comunidade dos seres vivos;
  • Melhorar a qualidade da vida humana;
  • Conservar a vitalidade e a diversidade do Planeta Terra;
  • Minimizar o esgotamento de recursos não-renováveis;
  • Permanecer os limites da capacidade de suporte do Planeta Terra;
  • Modificar atitudes e práticas pessoais;
  • Permitir que as comunidades cuidem de seu próprio ambiente;
  • Gerar uma estrutura nacional para a integração de desenvolvimento e conservação;
  • Construir uma aliança global.

DESENVOLVIMENTO

Restos de alimentos compõem 60% do lixo produzido atualmente no Brasil, enquanto o lixo inorgânico é composto basicamente por embalagens, muitas vezes recicláveis.

A perda de alimento é provocada por manuseio inadequado e falta de embalagens para protegê-lo, aliados a um desenvolvimento desigual e a uma implantação incipiente de Gerenciamento Integrado do Lixo Urbano. Esses resíduos passam a ser uma fonte de sobrevivência para algumas camadas da  população.

O Brasil também perde uma quantidade imensa de alimentos é muito poluente; logo, o desperdício do alimento gera um grande impacto ambiental.Uma das formas mais promissoras de pensar a função educativa da escola é introduzir ações concretas que possibilitem ao jovem, a aquisição de conhecimentos e valores e a formação de atitudes sociais que sustentem sua progressiva inserção nas práticas sociais, lugar de exercício da cidadania. É oportuno, portanto, criar na escola espaços culturais para a realização de ações, de diferentes tipos, voltadas para a educação ambiental, uma vez que a ação humana tem de particular o fato de ser o processo em que um ser prévio – projeto – se materialize num resultado – produto – cujo saber pode ser reapropriado pelo(s) seu(s) autor (es) permitindo-lhe a reformulação daquele saber prévio. É essa a particularidade da ação humana que faz dela a fonte primeira de conhecimento e o lugar privilegiado de formação de atitudes sociais

Projeto: Vivo do Lixo.

Lixo é assunto sério…

 I – CARACTERIZAÇÃO

OBJETIVOS: – Sensibilizar alunos de cidades brasileiras de mais de 100.000 habitantes a respeito da situação de inúmeros trabalhadores que vivem coletando, ou mesmo consumindo lixo. Por meio dessa sensibilização, pretende-se propor uma reflexão sobre questões cruciais ligadas à melhoria das condições de vida de toda população: esta situação já melhoraria se separássemos nossos resíduos, se evitássemos o desperdício de alimentos através de manipulação e embalagens adequadas e se, noutra esfera de ação cobrássemos, junto ao poder público, a implementação de uma política de Gerenciamento Integrado do Lixo Urbano.

ÁREAS ENVOLVIDAS: História, Matemática, Língua Portuguesa, Arte, Teatro.

ESTRATÉGIA: Para uma possível visita ao lixão ou aterro sanitário e catadores de rua, a classe toda; para a realização de entrevistas, a classe dividida em grupos.

PAPEL DOS PROFESSORES: Introduzir o tema com materiais a que tenham acesso (jornais, telejornais, revistas, peças de teatro, fotos, obras de arte, filmes…); preparar a visita ao lixão ou aterro sanitário e catadores de rua; discutir e orientar a elaboração dos roteiros para as entrevistas; coordenar as discussões, as atividades e sua apresentação.

PAPEL DOS ALUNOS: Buscar informações sobre o tema e elaborar seus próprios materiais (entrevistas, relatos de vida, desenhos, fotografias, pinturas…).

MATERIAL NECESSÁRIO: Depoimentos secundários ou coletados pelos próprios alunos.

II – ORGANIZAÇÃO E DESCRIÇÃO DAS AÇÕES

ÍNICIO: Desencadear a discussão do tema apresentando um material que mostre uma face dessa realidade, anotando e discutindo as principais idéias levantadas pelos alunos a respeito do tema. Algumas sugestões: “Ilha das Flores”, curta-metragem de Jorge Furtado sobre lixo em Porto Alegre, ou reportagens de jornais, revistas e telejornais.

OUTRAS ETAPAS:

1ª ETAPA: Sondando o lixo das casas dos alunos:

       a– O professor elabora um questionário com questões fechadas e espaço para outras

observações, para que os alunos respondam sobre: quantas vezes por semana coloca-se o lixo para fora em sua casa; como embalam restos de alimento, cacos de vidros…; se os separam; qual a quantidade colocada (pode ser medida de sacos, sacolas…)e outras questões que o professos julgar relevantes.

b– As informações obtidas serão tratadas para, a partir delas, fazer-se uma análise

sobre como as famílias se desfazem de seu lixo. A partir da leitura do Caderno “A Embalagem e o Ambiente”, os próprios alunos farão esse tratamento, com o auxílio dos professores, produzindo tabelas, gráficos e pequenos textos.

2ª ETAPA: Investigando o destino do lixo de quem trabalha com ele:

a)    – Preparar e realizar uma visita ao lixão ou aterro sanitário (ver Projetos Específicos

Matemática) para entrevistar as pessoas que ali trabalham, catadores de lixão, cooperativas de catadores ou funcionários do aterro, sobre: condições de vida e de trabalho(forma de remuneração, horário de trabalho, riscos e doenças mais comuns, se o trabalho está ou não terceirizado, se o catador consome ou vende o que ali obtém…); (ver artigo “Produção de Texto”

– entrevista). Além das respostas obtidas, todos os momentos devem ser registrados como desenhos, fotografias ou filmagens. 

b)    Para trabalhar junto à população, além de um trabalho de multiplicadores de informações e novas condutas em sua própria casa, os alunos podem realizar folhetos de informação sobre o tema, destinados à comunidade.

III – CULMINÂNCIA

Todas as atividades poderão ser apresentadas no Dia da Reciclagem ou em um evento em que se exponha os trabalhos da escola, junto com a realização de uma Feira de Troca de Objetos Usados – o que desincentiva o desperdício, já que o é lixo para uns, pode ser útil para outros 

IV – AVALIAÇÃO

O professor estará acompanhado e avaliando todas as atividades realizadas pelos alunos, dando a retomada da reflexão sobre questão do lixo em casa: sugere-se que uns dois meses após o término do projeto, conversem novamente sobre o tema ou se faça uma reaplicação dos questionários do início da atividade. Todos juntos reavaliam suas mais recentes ações e podem, inclusive, avaliar também a resposta enviada (espera-se!) .

V – INTEGRAÇÃO DE ÁREAS DE CONHECIMENTO:

HISTÓRIA

MATEMÁTICA

TEATRO

LÍNGUA PORTUGUESA ARTE
O professor deverá auxiliar os alunos na elaboração dos roteiros para as entrevistas e na análise das respostas. O professor auxiliará os alunos no  tratamento das  informações (tabelas, gráficos, respostas dos questionários). O professor coordenará  a elaboração da peça e os auxiliará com as músicas, caso seja uma opção da turma. O professor auxiliará os alunos na elaboração do roteiro de entrevistas, na elaboração da carta, das poesias, se for a opção da turma) e nos textos para o painel. O professor será responsável por auxiliar os alunos no tratamento das imagens, na montagem do painel e na organização da feira de objetos usados.

 

VI – projetos integrados

Matemática, Arte, Teatro.

VII – TEXTOS DE REFERÊNCIA NESTE CADERNO 

Parte i – a Embalagem e o Ambiente

PARTE II – Produção de Texto na Escola

     – Criação da Imagem

BIBLIOGRAFIA DE APOIO

COELHO, Paulo. O Teatro na educação. Rio de Janeiro, Forense, 1973.

MACHADO, Maria Clara. A Aventura do Teatro. Rio de Janeiro. José Olympio, 1988;

REVERBEL, Olga. Um Caminho de Teatro na Escola. São Paulo. Scipione, 1989.