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TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO: CONCEITOS BÁSICOS

Tecnologia na Educação: Conceitos Básicos


1. Tecnologia na Educação e Conceitos Afins
Optei neste site por usar a expressão “Tecnologia na Educação” por ser mais abrangente, a mais precisa e a mais correta de todas as têm sido sugeridas.
“Tecnologia na Educação” é expressão mais abrangente do que “Informática na Educação”, que tradicionalmente privilegia o uso de computadores em sala de aula, ou, mais recentemente, o uso de computadores em rede para conectar a sala de aula com o mundo externo a ela, através da Internet.
A expressão “Tecnologia na Educação” abrange a Informática na Educação mas não se restringe a ela. Inclui, também, o uso da televisão, do vídeo, e do rádio (e, por que não, do cinema) na promoção da educação.
Mas neste site a expressão “Tecnologia na Educação” é ainda mais abrangente. O termo “tecnologia”, aqui, se refere a tudo aquilo que o ser humano inventou, tanto em termos de artefatos como de métodos e técnicas, para estender a sua capacidade física, sensorial, motora ou mental, assim facilitando e simplificando o seu trabalho, enriquecendo suas relações interpessoais, ou simplesmente lhe dando prazer.
Entre as tecnologias que o ser humano inventou estão algumas que afetaram profundamente a educação: a fala baseada em conceitos (e não apenas grunhidos ou a fala meramente denotativa), a escrita alfabética, a imprensa (primeiramente de tipo móvel), e, sem dúvida alguma, o conjunto de tecnologias eletro-eletrônicas que a partir do século passado começaram a afetar nossa vida de forma quase revolucionária: telégrafo, telefone, fotografia, cinema, rádio, televisão, vídeo, computador — hoje todas elas digitalizadas e integradas no computador.
É compreensível, diante do impacto que essas novas tecnologias têm exercido sobre nossas vidas, que pensemos quase que exclusivamente nelas quando falamos em “tecnologia na educação”. No entanto, não podemos nos esquecer de que a educação continua a ser feita predominantemente pela fala e pela escrita (especialmente, neste caso, pelo texto impresso), e que a fala, a escrita e o texto impresso são, e vão sempre continuar a ser, tecnologias fundamentais para a educação (tanto em suas modalidades presenciais como nas remotas).
Este site não quer perder isto de vista. Na realidade, um de seus objetivos principais é que os educadores percebam que já usam diversas tecnologias no seu trabalho educacional. É apenas por terem se tornado tão familiares que essas tecnologias passaram a ser quase transparentes, invisíveis, certamente inconspícuas.
2. Tecnologia Educacional e expressões afins
Acho a expressão “Tecnologia Educacional” profundamente inadequada (a ABT que me desculpe). A tecnologia, em si, não é educacional — nem anti-educacional. Ela pode ser usada na educação, e de diversas maneiras. Mas isso não a torna educacional ou educativa. Por isso, prefiro a expressão “Tecnologia na Educação”.
Igual observação se aplica às expressões “Informática Educacional”, “Informática Educativa”, “Informática Pedagógica”, etc. Prefiro a expressão “Informática Aplicada à Educação”, que usei quando criei o Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) da UNICAMP em 1983.
3. Educação a Distância, Aprendizagem a Distância, Ensino a Distância, etc.
Hoje em dia essas expressões estão sendo usadas o tempo todo e, algumas vezes, abusadas — às vezes em suas versões em inglês: “Distance Education”, “Distance Learning”, etc.
Já argumentei, em vários artigos, que considero as duas primeiras expressões — “Educação a Distância” e “Aprendizagem a Distância” — totalmente inadequadas. A educação e a aprendizagem são processos que acontecem dentro da pessoa — não há como possam ser realizados a distância. Tanto a educação como a aprendizagem (com a qual a educação está conceitualmente vinculada) acontecem onde quer que esteja o indivíduo que está se educando ou aprendendo — não há como fazer, nem sequer entender, “teleeducação” e “teleaprendizagem”.  (Vide adiante).
Ensinar a distância, porém, é perfeitamente possível e, hoje em dia, ocorre o tempo todo — como, por exemplo, quando aprendemos através de um livro que foi escrito para nos ensinar alguma coisa, ou assistimos a um filme, um programa de televisão, ou um vídeo que foram feitos para nos ensinar alguma coisa, etc. A expressão “ensino a distância” faz perfeito sentido aqui porque quem está ensinando — o “
(O termo “distância” foi originalmente cunhado para se referir ao espaço, mas pode igualmente bem ser aproveitado para se referir ao tempo).
Tradicionalmente, fazia-se ensino a distância através de cartas (as Epístolas de São Paulo no Novo Testamento são didáticas, e, portanto, exemplos de ensino a distância) e de livros (especialmente depois que começaram a ser impressos) — ou seja, com baixa tecnologia.
Com as novas tecnologias eletro-eletrônicas, especialmente em sua versão digital, unidas às tecnologias de telecomunicação, agora também digitais, abre-se para o ensino a distância uma nova era, e o ensino passa a poder ser feito a distância em escala antes inimaginável e pode contar ainda com benefícios antes considerados impossíveis nessa modalidade de ensino: interatividade e até mesmo sincronicidade.
Por isso, ensino a distância certamente é (como sempre foi) uma forma de usar a tecnologia na promoção da educação.
A educação e a aprendizagem, porém, embora aconteçam dentro do indivíduo, e, portanto, não possam, literalmente, ser feitas a distância, podem, e devem, ser mediadas através dos contatos do indivíduo com o mundo que o cerca, em especial, através de seu contato com outras pessoas, seja esse contato “cara a cara” ou “remoto” (“virtual”, no sentido de que não envolve a “contigüidade espaço-temporal” das duas pessoas). Se for só isso que se quer dizer com as expressões “educação a distância” e “aprendizagem a distância”, então não há porque não utilizá-las.
4. “Teleducação”
Tenho lido alguns absurdos sobre o tema recentemente. Em livro publicado no ano passado (1998) pela Editora Vozes, sob o título Questões para a Teleducação, Pedro Demo afirma que os partidários do uso da tecnologia no ensino a distância parecem acreditar que a distância, em si, se reveste de valor educacional.
Duvido que ele tenha uma referência bibliográfica sequer (nas centenas que espalha por seu livro) que comprove que algum defensor do uso da tecnologia na educação, ainda que afoito, tenha reivindicado valor educacional ou mérito pedagógico para a distância em si. Até me surpreende que alguém do gabarito de Pedro Demo possa chegar ao extremo de fazer uma alegação desse tipo, tão absurda. (E o livro tem outras, igualmente absurdas, que serão eventualmente discutidas neste site).
O que os defensores do uso da tecnologia na educação têm dito, em defesa do ensino a distância, é que a tecnologia permite que a distância deixe de ser fator limitante no ensino, pois viabiliza o ensino sem necessidade de contigüidade espaço-temporal, algo de resto totalmente óbvio. O máximo a que os defensores do ensino a distância podem ter chegado em seu entusiasmo é a afirmação de que algumas formas de ensino a distância oferecem vantagens em relação ao ensino presencial, realizado em salas de aula convencionais — algo que também não é difícil de crer verdadeiro, dada a pobreza da interação que ocorre na maioria das salas de aula, seja em escolas, seja em departamentos de treinamento das empresas e outras instituições.
Já que o livro de Pedro Demo tem o título de “Teleducação”, é bom que se critique essa expressão. A expressão “teleducação” é, etimologicamente, sinônima de “educação a distância” — e, portanto, padece dos mesmos vícios desta, já apontados. Mas é uma expressão ainda mais inadequada do que “educação a distância”, por sugerir aos desavisados que “teleducação” tem que ver com “educação pela televisão”.
Na verdade, o próprio Petro Demo não raro cai vítima da expressão que usa para dar título ao seu livro, pressupondo que teleducação tem que ver, necessariamente, com educação via imagens e não com educação via palavras ou via textos. Teleducação, no sentido original e etimológico da expressão, pode ser perfeitamente bem realizada através de palavras (pelo rádio, por exemplo) ou por textos impressos (pelo computador), nada havendo na expressão que forçosamente inclua a referência a imagens — a não ser para os desavisados, que associam o “tele” da expressão a “televisão” e não a “distância”.
Quem lê o livro de Demo fica com a nítida impressão de que, para ele, o modelo de “teleducação” é o “telecurso” popularizado pela Fundação Roberto Marinho e pela FIESP. Os partidários do ensino a distância hoje, entretanto, estão muito longe do modelo “telecurso”, privilegiando muito mais os recursos didáticos que a Internet tornou possível (em especial a Web, o chat, o correio eletrônico e a lista de discussão)..
5. Aprendizagem Mediada pela Tecnologia (AMT)
Gostaria de sugerir, por fim, que a expressão acima representa bem melhor a tendência atual da Tecnologia na Educação do que o Ensino a Distância (EAD).
Não resta dúvida de que a educação pode acontecer através do ensino, e que este pode ser feito a distância. Também não resta dúvida, porém, que a educação pode acontecer através da autoaprendizagem, da aprendizagem que não é provocada por nenhum processo de ensino, mas que acontece através das interações de uma pessoa com a natureza, com outras pessoas e com o meio cultural em que vive. Grande parte de nossa aprendizagem acontece dessa forma, e, segundo alguns estudiosos da aprendizagem, a aprendizagem que assim ocorre é mais significativa (acontece com mais facilidade, é retida por mais tempo, é mais facilmente transferida para outros domínios e contextos, etc.) do que a aprendizagem que decorre de processos formais e deliberados de ensino (i.e., através da instrução).
O que fascina nas novas tecnologias à nossa disposição, em especial na Internet, e dentro da Internet na Web, não é o fato de que podemos ensinar a distância com o auxílio delas: é que elas nos permitem criar ambientes ricos em possibilidades de aprendizagem em que pessoas interessadas e motivadas podem aprender quase qualquer coisa sem precisar se tornar vítimas de um processo de ensino formal e deliberado — uso o termo “vítimas” aqui num sentindo intencionalmente provocador. A aprendizagem, neste caso, é mediada pela tecnologia apenas.
Não resta dúvida de que por trás da tecnologia há outros indivíduos, que prepararam materiais e os tornaram disponíveis na rede. Mas quando alguém usa os recursos hoje disponíveis na Internet para aprender de forma explorativa, automotivada, ele usa materiais de natureza a mais diversa, preparados e disponibilizados em momentos e contextos os mais variados, não raro sem nenhuma intenção didática, numa ordem totalmente imprevisível e, portanto, não planejada, e num ritmo próprio, regulado apenas pelo desejo de aprender e pela capacidade de assimilar e digerir o que se encontra pela frente.
Por isso, não acho viável chamar essa experiência de ensino a distância, como se fosse a Internet que ensinasse, ou como se fossem as pessoas que estão por trás dos materiais que ensinassem. Trata-se, a meu ver, de aprendizagem mediada pela tecnologia, aprendizagem não decorrente do ensino, autoaprendizagem.
Proponho, portanto, que as principais categorias em que se pode classificar o uso da tecnologia na educação hoje sejam:
• Em apoio ao ensino presencial
• Em apoio ao ensino a distância
• Em apoio à autoaprendizagem
Eduardo Chaves

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