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SINTOMAS DEPRESSIVOS X RENDIMENTO ESCOLAR

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RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO: SINTOMAS DEPRESSIVOS X RENDIMENTO ESCOLAR



Ser professor

Ser professor é ser artista

Malabarista

Pintor, escultor, doutor, musicólogo, psicólogo…

É ser pai, mãe, irmão, avó, avô, só?

É ser palhaço, estilhaço, bagaço…

É ser ciência paciência…É ser informação, é ser ação.

Para alguns  é o Cristo e para outros o demônio…

Para estes malquisto, para aqueles, um sonho…

É ser bússola, é ser farol

É ser luz, é ser sol

Impele para o bem, repele o mal.

Incompreendido? … E muito!

Defendido?… Nunca!

– Seu filho passou? Claro! Ele é um gênio!

– Não passou? O professor não ensinou!

Para que ser professor? É vício ou vocação?

É uma coisa e outra,

É ter nas mãos o mundo de amanhã,

É ter nas mãos o mundo e não ter nada.


Amanhã seus alunos se vão…

E ele, o mestre de mão vazia

Tendo partido o coração.

Olhos voltados para a sua estrela guia,

Recebe novas turmas…

Novos olhinhos ávidos de cultura…

E ele, o professor, o mestre, com toda a ternura…

O saber, a ciência, a orientação…

As cabecinhas novas…

(que amanhã luzirão no firmamento da Pátria…)

Fica a saudade… A amizade…

O pagamento real?… Só na eternidade.

Prof. Gabriel Gonçalves


1.0- INTRODUÇÃO

Tendo-se em vista que a incidência de sintomas depressivos tem aumentado, e conhecendo os efeitos negativos desses sintomas na aprendizagem, a presente etapa do estágio tem como objetivo fazer uma revisão de literatura sobre o assunto, podendo então avaliar na prática a relação entre os sintomas de depressão e rendimento escolar de alunos.

Durante muito tempo, pensou-se que a depressão em crianças e adolescentes não existia, ou então seria muito rara, nessa população. No entanto, a partir da década de 1960 alguns estudos foram realizados e atualmente não há dúvida quanto à ocorrência de depressão na infância (Bandim, Sougey & Carvalho, 1995; Baptista & Golfeto, 2000; Andriola & Cavalcante, 1999; White, 1989; Soares, 2003).

A depressão é considerada um transtorno do humor, uma vez que, do ponto de vista psicopatológico, a alteração e perturbação do humor ou do afeto consiste em um dos mais importantes sintomas depressivos (DSM IV, 1994; White, 1989).

O termo depressão tem sido utilizado de forma genérica e muitas vezes distorcida.  Além de a depressão envolver fatores afetivos, apresenta também componentes cognitivos, comportamentais, motivacionais e fisiológicos.

No aluno em geral, a literatura sugere também a presença de tais alterações, e o que se percebe é que a depressão normalmente vem associada a outras dificuldades, principalmente problemas de comportamento e problemas escolares, ocasionando um prejuízo no funcionamento psicossocial.

A dificuldade da família e dos educadores em reconhecer os sintomas de depressão na criança agrava essa situação, pois, muitas vezes, o professor não identifica corretamente esses sintomas em seus alunos e estes acabam não recebendo orientação e tratamento adequados.

Assim sendo, a presente etapa do estágio tem como objetivo avaliar a relação entre sintomas de depressão e rendimento escolar, de acordo com a literatura disponível, promovendo posteriormente para o conhecimento de extrema importância para a prática educacional.


2.0- ASPECTOS PSICOLÓGICOS E DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM

Algumas vezes o educando apresenta desempenhos que sugerem um distúrbio de aprendizagem, ou seja, apresenta baixo rendimento nas atividades acadêmicas e, também, uma desordem emocional. Porém nem sempre essa dificuldade de aprendizagem está relacionada com a depressão, podendo ser causada então por outros fatores.

Sejam considerados como origem ou uma decorrência, os problemas emocionais se constituem em comportamentos incompatíveis com o ato de aprender e, por esta razão, precisam ser tratados.

Ambos os aspectos, desempenho acadêmico e problemas emocionais, determinam o comportamento da criança e, por isso, são de interesse tanto da psicologia como da educação.

Provavelmente a maioria dos profissionais envolvidos com educação já se deparou com alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem. Em alguns casos o problema destes alunos foi resolvido na própria escola. Em outros um professor particular se mostrou eficaz.

Há, entretanto, alunos cujos problemas persistem depois destas interferências. Nestes casos, a intervenção de especialistas é necessária. São os encaminhamentos feitos a fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos ou médicos, e é o professor que vai ser o principal identificador deste problemas, encaminhando ou não o educando para o especialista necessário.

Será fácil perceber a necessidade do envolvimento de todos estes especialistas se nos lembrarmos da grande diversidade de fatores que podem ser responsáveis por estas dificuldades.

Dentre estes fatores, podemos citar:

  • os problemas emocionais;
  • os problemas orgânicos (audição, fala e visão);
  • os hábitos de estudo inadequados;
  • a falta de motivação;
  • os problemas de relacionamento com o professor e/ou com os colegas;
  • a falta de atenção às explicações dos professores;
  • as deficiências intelectuais;
  • as carências ambientais etc.

Assim sendo, dependendo do fator predominante na dificuldade que o aluno apresenta, um ou outro profissional pode ser o mais indicado.

No entanto, nem sempre é fácil decidir-se pelo melhor encaminhamento. Por um lado, a identificação exata da dificuldade apresentada é bastante complexa. Apesar desta dificuldade, uma avaliação cuidadosa de cada caso é imprescindível e dela dependerá a escolha do profissional adequado. Um encaminhamento precoce maximiza a chance de sucesso do atendimento e poupa a criança do desgaste de passar de consultório em consultório. É preciso saber se os educandos sentem-se inferiorizadas por precisar de ajuda extra-escolar, e a passagem por vários especialistas acentua a auto-imagem negativa que essas crianças acabam por desenvolver.

Considera-se que uma criança tenha distúrbio de aprendizagem quando:

1. Não apresenta um desempenho compatível com sua idade quando lhe são fornecidas experiências de aprendizagem apropriadas.

2. Apresenta discrepância entre seu desempenho e sua habilidade intelectual em uma ou mais das seguintes áreas:

a) expressão oral e escrita;

b) compreensão de ordens orais;

c) habilidade de leitura e compreensão;

d) cálculo e raciocínio matemático.

Além disso, costuma-se considerar quatro critérios adicionais no diagnóstico de distúrbios de aprendizagem. Para que a criança possa ser incluída neste grupo, ela deverá:

1. Apresentar problemas de aprendizagem em uma ou mais áreas acadêmicas.

2. Apresentar uma discrepância significativa entre seu potencial e seu desempenho real.

3. Apresentar um desempenho irregular, isto é, a criança tem um desempenho satisfatório e insatisfatório alternadamente, no mesmo tipo de tarefa, ou consegue realizar tarefas mais complexas sem conseguir solucionar outras mais fáceis e relacionadas com aquelas.

4. O problema de aprendizagem não é devido a deficiências visuais, auditivas, nem a carências ambientais ou culturais, nem a problemas emocionais.

É necessário, contudo, que os professores saibam, pelo menos, identificar a existência de determinado problema e que saibam, sobretudo, encaminhá-los para a recuperação adequada. É preciso que os professores se conscientizem de que nenhum aluno apresenta baixo rendimento porque quer. Há sempre uma razão para isso acontecer.


3.0- OS SINTOMAS DA DEPRESSÃO

Tais sintomas da depressão no aluno podem ser percebidos pelo educador:

3.1.- Inibição Psíquica

A Inibição Psíquica é uma espécie de freio ou lentificação dos processos psíquicos em sua globalidade, uma dormência generalizada de toda a atividade mental. Em graus variáveis, esta inibição geral torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e com grande perda na capacidade em tomar iniciativas. O campo da consciência e da motivação estão seriamente comprometidos, daí a dificuldade em manter um bom nível de memória, de rendimento intelectual, da atividade sexual e até da agressividade necessária para tocar adiante o dia-a-dia.

Percebe-se os reflexos desta inibição global inclusive na atividade motora, bastante diminuída, e até na própria expressão da mímica, através da aparência de abatimento e de desinteresse. Esta Inibição Psíquica tem sido a responsável pelo longo itinerário que tais pacientes percorrem antes de se acertarem com um tratamento psíquico. Começam pensando tratar-se de anemia, fraqueza, problema circulatório, depois passam a tratamentos alternativos de macrobiótica, yoga, tai-chi-chuam, submetem-se a passeios de gosto duvidoso levados por amigos bem intencionados e, muitas vezes, consultam até um neurologista. É o mais próximo que chegam da mente, provavelmente por considerarem que “nervoso” é uma doença ruim que só dá nos outros.

Diante da Inibição Psíquica da Depressão, uma das primeiras atitudes é submeter-se a algum exame de sangue, depois inúmeras radiografias. Normalmente a causa psíquica é a última a ser questionada, embora seja a primeira que se faz sentir. Os que rodeiam o paciente portador de Inibição Psíquica são solícitos em lembrá-lo de que a vida é boa, ressaltam que nada lhes falta, que gozam de saúde, não são ricos mas tem gente em pior situação, pertencem a uma família decente e compreensiva… O paciente, por outro lado, não sendo um retardado mental, sabe de tudo isso e as palavras estimulantes apenas aumentam sua perplexidade e seu aborrecimento consigo próprio. A Inibição Psíquica é secundária à Depressão, um sintoma decorrente da Depressão e não uma doença que corrompe o juízo crítico, tornando os pacientes completamente desorientados em relação às condições de vida ou familiar. Para tratá-la, de fato, deveremos abordar o problema de base, ou seja, abordar a Depressão.

3.2.- Estreitamento Do Campo Vivencial

O estreitamento do Campo Vivencial não pode ser diferenciado totalmente da Inibição Psíquica. A palavra mais adequada para designar este fenômeno é ANEDONIA, ou seja, a incapacidade em sentir prazer. Acontece que o deprimido destina a maior parte de sua energia psíquica para a manutenção da Depressão. Vale aqui o ditado de que a alegria consome-se em si própria e a depressão alimenta-se a si mesma. Esta destinação da energia psíquica para a manutenção da Depressão faz com que faltem forças para a manutenção do ânimo para todo panorama existencial.

O universo vivencial do deprimido vai sendo cada vez menor e mais restrito e a preocupação com seu próprio estado sofrível toma conta de todo seu interesse vivencial. Não há ânimo suficiente para admirar um dia bonito, para interessar-se na realização ocupacional, para degustar uma boa bebida, para deleitar-se com um filme interessante, para sorver uma boa companhia, para incrementar sua discoteca, enfim, em seu rol de ocupações só existe a preocupação consigo próprio. Nada mais lhe dá prazer, nada mais pode motivá-lo.

Neste caso o campo vivencial fica tão estreitado que só cabe o próprio paciente com sua Depressão, o restante de tudo que a vida pode lhe oferecer não mais interessa. Enquanto a Inibição Psíquica pode ser entendida como aspectos mais exteriores do relacionamento do indivíduo com o mundo, como uma espécie de prejuízo em seu rendimento de relacionamento, o Estreitamento do Campo Vivencial, por sua vez, denota uma alteração mais interiorizada, um prejuízo nas impressões que os objetos causam no sujeito. Um é centrífugo o outro centrípeto.

3.3.- Sofrimento Moral

O Sofrimento Moral, ou sentimento de menos-valia, é o fenômeno mais marcante e mais desagradável na trajetória do depressivo. É um sentimento de autodepreciação, autoacusação, inferioridade, incompetência, pecaminosidade, culpa, rejeição, feiúra, fraqueza, fragilidade e mais um sem-número de adjetivos autopejorativos. Evidentemente, tais sentimentos aparecem em grau variado; desde uma sutil sensação de inferioridade até profundos sentimentos depreciativos.

Quando a Depressão adquire características psicóticas o Sofrimento Moral pode ser traduzido sob a forma de delírios humor-congruentes. Um judeu, psicótico depressivo, durante uma de suas crises de depressão profunda apresentava um pensamento francamente delirante, o qual dava-lhe a certeza de ter parte de seu cérebro apodrecido. Outrossim, julgava-se culpado por ter ingerido, contra os preceitos de sua religião, carne suína há mais de 15 anos atrás. Uma espécie de punição divina aplicada ao pecador incauto.

O prejuízo da auto-estima proporcionado pela Depressão pode ainda, dependendo da intensidade, determinar uma ideação claramente paranóide, onde a culpa adquire uma posição destacada. Para fins de diagnóstico, deve-se ter em mente que nas psicoses esquizofrênicas, onde freqüentemente aparece a ideação paranóide, a auto-estima não se encontra perturbada como nos estados depressivos psicóticos. Esta observação pode auxiliar o diagnóstico diferencial entre uma depressão com sintomatologia psicótica (ideação deliróide) e uma psicose esquizofrênica (com delírios)

O Sofrimento Moral deve, ainda, ser considerado como o sintoma mais responsável pelo desfecho suicida das depressões severas. Aparece como uma prova doentia da incompetência do ser, de seu fracasso diante da vida e de sua falência existencial. Enquanto nos estados eufóricos a auto-estima encontra-se patologicamente elevada e as idéias de grandeza proporcionam uma aprazível sensação de bem-estar ao paciente, na Depressão, através do Sofrimento Moral, coloca-se numa das posições mais inferiores entre seus semelhantes.

3.4.- Apatia (Indiferença Afetiva)

A Apatia Afetiva no sentido de que a afetividade esteja completamente abolida, não se observa nunca em nenhuma psicose, entretanto, a diminuição do afeto é um sintoma constante em várias enfermidades mentais. Na esquizofrenia, por exemplo, os autores antigos admitiam a existência de um “embotamento afetivo”, no sentido de uma derrocada completa da afetividade. Observações posteriores revelaram que o que se verifica, na realidade, é uma alteração qualitativa dos processos afetivos, tornando os sentimentos dos esquizofrênicos inadequados e inteiramente incompreensíveis para as pessoas afetivamente normais.

Os pacientes se conservam apáticos e indiferentes diante de situações emocionais ou se manifestam alegres ante acontecimentos que, normalmente, provocam tristeza.

Indiferença afetiva e uma completa ausência de “sensibilidade moral” são observadas em certas personalidades anti-sociais (psicopáticas), especialmente naqueles indivíduos os quais Kurt Schneider chamava de “psicopatas insensíveis”. Diz Schneider que esses pacientes “são indivíduos destituídos absolutamente de compaixão, de vergonha, de sentimento de honra, de remorso e de consciência”. A indiferença afetiva revelada por certos criminosos habituais pode até conduzir ao erro de considerá-los como esquizofrênicos.

Bonhoeffer deixou uma descrição muito viva da apatia afetiva reveladas por alguns delinqüentes, os quais suportam estoicamente uma completa inatividade diante de situações que se tornariam desagradáveis ou insuportáveis para um indivíduo são. Em primeiro lugar, o simples não fazer nada, que se torna tão desagradável às pessoas normais, persiste e pode durar meses seguidos nessas pessoas, sem que nem por um instante sequer revelem alguma iniciativa ou manifestem verdadeiro desejo de trabalhar. Esse estado de apatia, de indiferença emocional, se assemelha a certos casos de falta de afetividade dos hebefrênicos.

Assim sendo, Isaías Paim acha que, acompanhando Schneider, a indiferença afetiva real, como uma incapacidade para sentir emoções delicadas, só é observada nessas personalidades) psicopáticas insensíveis, e ainda chama a atenção para a particularidade de que nem todos esses psicopatas insensíveis seriam, obrigatoriamente, personalidades anti-sociais. Na realidade, o termo mais adequado para definir tais pessoas é, exatamente, a insensibilidade afetiva, pessoas chamadas de “nervos de aço”, ou “indivíduos capazes de marchar sobre cadáveres “.

Admitia-se também antigamente, que nos estados demenciais e na deficiência mental existiria uma deficiência obrigatória da afetividade. Também quanto a essa crença Bleuler mostrou que o transtorno se concentra na alteração de raciocínio e não no campo da afetividade. Os pacientes demenciados acabam perdendo o conceito do que é bom, do que é possível, do que é belo (moralmente falando) e, por conseguinte, não costumam revelar sentimentos adequados.

Manifestações de indiferença afetiva podem ser também observadas nos Transtornos Neuróticos. Na depressão o desinteresse pelas coisas do mundo exterior pode conduzir ao erro de considerar esses pacientes semelhantes aos casos de apatia afetiva esquizofrênica.

3.5.- Incontinência Emocional

A Incontinência Emocional é uma forma de alteração da afetividade que se manifesta pela facilidade com que se produzem as reações afetivas, acompanhadas de certo grau de incapacidade para inibi-las. Diz Bleuler que a maioria dos pacientes com incontinência emocional domina-se pior que os demais. Tem de ceder diante dos acontecimentos mais insignificantes, tanto no que se refere a sua expressão como à ação que deles se deriva. Bleuler cita o exemplo de um paciente que não podia jogar cartas porque denunciava seu jogo com a fisionomia.

A Incontinência Emocional é um dos sintomas freqüentes nas perturbações psíquicas provocadas por lesões orgânicas do cérebro, manifestando-se também em várias psicoses e neuroses. Na arteriosclerose cerebral a Incontinência Emocional constitui um dos sintomas mais característicos. Nesses casos, os próprios pacientes se queixam de extrema facilidade para emocionar-se, com tendência ao choro fácil, o que não ocorria antes de adoecer. Segundo Nágera, a Instabilidade Afetiva nem sempre se apresenta junto com a Incontinência Emocional, pois existem pessoas que não podem conter as emoções, embora revelem tenacidade afetiva.

3.6.- Sugestibilidade

Sugestibilidade é uma alteração de ordem tanto afetiva quanto volitiva. Trata-se de uma predisposição psíquica especial que determina uma grande receptividade e submissão às influências estranhas exercidas sobre a pessoa. No terreno puramente psíquico, encontra-se a sugestibilidade nos histéricos, razão pela qual se tornam esses pacientes muito favoráveis à produção de estados hipnóticos, de sintomas somáticos e até mesmo s de sintomas psicóticos. Em alguns histéricos a sugestibilidade é exercida tanto no domínio da vida interior (auto-sugestibilidade) quanto em relação ao meio exterior (hétero-sugestibilidade).

A sugestibilidade é também muito comum nos estados demenciais, nos quais é uma conseqüência de insuficiência intelectual. Na demência senil, a sugestibilidade adquire grande significação do ponto de vista médico-legal, em virtude de estarem esses pacientes sujeitos a explorações prejudiciais a seus interesses pessoais, extorsão de dinheiro, captação de herança etc.

A sugestibilidade pode ser também observada nos estados de excitação maníaca e nos alcoolistas. No delirium tremens, por exemplo, podem-se sugerir facilmente várias coisas ao paciente, inclusive as alucinações. Na catatonia, a sugestibilidade é predominantemente motora, razão pela qual será estudada nas alterações da atividade voluntária.

3.7.- Ambivalência Afetiva

Apesar de não usar a palavra Ambivalência, Bleuler descreve as acentuações afetivas opostas e basicamente simultâneas nos indivíduos normais. Fala do amor e temor ou ódio que uma pessoa pode ter em relação a outra, dos acontecimentos que se temem e são desejados (uma operação, a tomada de posse de um cargo). O paciente ambivalente, apesar de não pode unir ambos sentimentos e tendências opostas, percebe-os ao mesmo tempo (ama e odeia), sem que ambos os sentimentos ajam entre si ou se debilitem. Deseja a morte da mulher e se as alucinações a apresentam morta, pode ao mesmo tempo ficar desesperado e chorar por isso.

Honório Delgado define a Ambivalência como a anormalidade das tendências, e que se caracteriza pela coexistência de juízos contraditórios sobre o mesmo objeto simultaneamente. Portanto, no plano afetivo a Ambivalência consiste em experimentar sentimentos opostos, simultaneamente e em relação ao mesmo objeto.

A Ambivalência Afetiva surge em todas as situações de conflito, especialmente nos Transtornos Neuróticos mas, será na esquizofrenia que a Ambivalência se apresentará com aspectos mais característicos e mais extremos.

3.8.- Fobias

O termo Fobia é definido como um temor insensato, obsessivo e angustiante, que certos doentes sentem em situações específicas. A característica essencial da Fobia consiste no temor patológico, absurdo que escapa à razão e resiste a qualquer espécie de objeção da lógica e da razão. Refere-se a certos objetos, atos ou situações e pode apresentar-se sob os aspectos mais variados. O temor obsessivo aos espaços abertos (agorafobia) ou fechados (claustrofobia), aos contatos humanos ou com animais (cães, ratos), temor de atravessar ruas, de subir ou descer elevadores, de lugares altos etc.

A percepção sensorial real, direta e material da coisa ou do ser sobre o qual a fobia se sistematiza não é obrigatória ou necessária ao desencadeamento da reação ansiosa. Esta pode resultar de representações fotográficas. Apresentam-se as fobias em vários tipos de Transtornos Neuróticos, particularmente no Transtorno Fóbico-Ansioso e em alguns estados psicóticos.

3.9.- Irritabilidade

A irritabilidade é considerada como uma predisposição especial ao desgosto, à ira e ao furor. Os pacientes irritáveis manifestam impaciência e aumento da capacidade de reação para determinados estímulos e intolerância à frustração, aos ruídos, às aglomerações. Nesses casos, a perturbação consiste no aumento da tonalidade afetiva própria das percepções, tanto que se pode verificar certa contradição na conduta dos doentes, os quais sofrem mais com a falta de consideração do ambiente do que propriamente com os ruídos produzidos no meio exterior, ou seja, interpretam o ruído mais como uma provocação do que um incômodo acústico.

No Transtorno Explosivo da Personalidade o sintoma principal é a irritabilidade. Nesses pacientes existe um grau elevado de reatividade emotiva, unido a uma extraordinária tensão afetiva, que se descarrega sob a forma de reações de tipo “curto-circuito”. Estes surtos são paroxismos coléricos ou furiosos que põem em perigo a vida de pessoas do ambiente e a integridade da propriedade. Esses indivíduos, por exemplo, ouvem uma palavra qualquer e, antes que tenham compreendido o seu verdadeiro sentido, reagem de maneira explosiva, respondendo com insultos ou com atos de violência.

Nos estados de exaltação eufórica, quando os conflitos se tornam inevitáveis em virtude de o paciente manifestar superestimação da própria personalidade e elevação das aspirações, observam-se freqüentemente explosões de cólera e irritabilidade. Onde as manifestações de irritabilidade mórbida se tornam mais características é na epilepsia. Bleuler dizia que nos epilépticos existe, freqüentemente, uma irritabilidade crônica.

Desde o século passado autores de compêndios apontavam para a concordância clínica entre irritabilidade e epilepsia. Legrande du Saulle escreveu que “fora da crise convulsiva, os epilépticos são egoístas, desconfiados, sombrios, irritáveis e coléricos. Um gesto, um simples olhar bastam para causar-lhes muitas vezes, a mais penosa das impressões, inflamar-lhes a cólera. Já para Schüle, “o caráter dos epilépticos consiste numa extraordinária irritabilidade mórbida, que rapidamente se transforma em atos impulsivos. São indivíduos caprichosos, desconfiados, excitados contra si mesmos e contra os outros, turbulentos, ora de uma alegria cuja causa muitas vezes ignoram, ora de uma depressão exagerada, agora humildes e com tendências religiosas. logo orgulhosos, duros maus”.

Foi de Falret o mérito de ter sido o primeiro a destacar as características psicológicas dos epilépticos, fora das crises convulsivas. Em 1861, Falret escreveu que a “irritabilidade constitui o traço dominante dos epilépticos. Esses doentes são geralmente desconfiados, questionadores, predispostos à cólera… ” “…irritam-se com grande facilidade pelos motivos mais simples, entregando-se, freqüentemente, a atos de violência, instantâneos as mais das vezes, sem provocação nenhuma de parte daqueles que são suas vítimas. Júlio de Matos refere-se a esses pacientes como apresentando “uma excessiva irritabilidade, sempre pronta a explodir em cólera, não raro impulsionados à prática das ações mais violentas e cruéis.

Na década de 80, Maria Lúcia Coelho fazia seu doutorado em psiquiatria relacionando traços dos epilépticos, tanto dos convulsivos quanto dos não-convulsivos, e apontando também a irritabilidade e baixa tolerância à frustrações, entre outros traços, num minucioso e completo trabalho científico.

Entretanto, modernamente, para evitar alguma confrontação com o critério de epilepsia adotado pela neurologia, fala-se em Transtorno Explosivo Intermitente ou Transtorno Explosivo da Personalidade como uma ocorrência co-mórbida com a epilepsia. Mas, de qualquer forma, vale a dica e observação de tantos autores virtuosos…


4.0- DEPRESSÃO E OS PROBLEMAS EMOCIONAIS NA ESCOLA

Como exemplo de condição emocional intrínseca estão os problemas psíquicos inerentes à própria pessoa, próprias do desenvolvimento da personalidade, dos traços herdados e das características pessoais de cada um. Incluem-se aqui os quadros associados aos traços ansiosos da personalidade, como por exemplo a Ansiedade de Separação na Infância, os Transtornos Obsessivo-Compulsivos, o Autismo Infantil, a Deficiência Mental, Déficit de Atenção. Incluem-se também os quadros associados aos traços depressivos da personalidade, como é o caso da Depressão na Adolescência, Depressão Infantil, e outros mais sérios, associados à propensão aos quadros psicóticos, como a Psicose Infantil, Psicose na Adolescência e associados aos transtornos de personalidade, a exemplo dos Transtorno de Conduta, entre outros.

Entre as questões externas à personalidade capazes de se traduzirem em problemas emocionais, encontram-se as dificuldades adaptativas da Adolescência e Puberdade, do Abuso Sexual Infantil, os problemas relativos à Criança Adotada, à Gravidez na Adolescência, à Violência Doméstica, aos problemas das separações conjugais dos pais, morte na família, doenças graves, etc.

O preparo e bom senso do professor é o elemento chave para que essas questões possam ser melhor abordadas. A problemática varia de acordo com cada etapa da escolarização e, principalmente, de acordo com os traços pessoais de personalidade de cada aluno. De um modo geral, há momentos mais estressantes na vida de qualquer criança, como por exemplo, as mudanças, as novidades, as exigências adaptativas, uma nova escola ou, simplesmente, a adaptação à adolescência.

As crianças e adolescentes, como ocorre em qualquer outra faixa etária, reagem diferentemente diante das adversidades e necessidades adaptativas, são diferentes na maneira de lidar com as tensões da vida. É exatamente nessas fases de provação afetiva e emocional que vêem à tona as características da personalidade de cada um, as fragilidades e dificuldades adaptativas.

Erram, alguns professores menos avisados, ao considerar que todas as crianças devessem sentir e reagir da mesma maneira aos estímulos e às situações ou, o que é pior, acreditar que submetendo indistintamente todos alunos às mais diversas situações, quaisquer dificuldades adaptativas, sensibilidades afetivas, traços de retraimento e introversão se corrigiriam diante desses “desafios” ou diante da possibilidade do ridículo. Na realidade podem piorar muito o sentimento de inferioridade, a ponto da criança não mais querer freqüentar aquela classe ou, em casos mais graves, não querer mais ir à escola.

Para as crianças menores, por exemplo, existem as ameaças ou a ridicularização pelas mais velhas, e esse sentimento de ridicularização é tão mais contundente quanto mais retraída e introvertida é a criança. Já, para os adolescentes, as ameaças de ansiedade geradas em ambiente intraclasse são o desempenho aquém da média nos times esportivos, nos trabalhos em grupo, as diferenças sócio-econômicas entre os colegas, as diferenças no estilo e nas possibilidades de vida, no vestuário, etc.

Como se sabe, a escola é um universo de circunstâncias pessoais e existenciais que requerem do educador (professor, dirigente ou staff escolar), ao menos uma boa dose de bom senso, quando não, uma abordagem direta com alunos que acabam demandando uma atuação muito além do posicionamento pedagógico e metodológico da prática escolar.

O tão mal afamado “aluno-problema”, pode ser reflexo de algum transtorno emocional, muitas vezes advindo de relações familiares conturbadas, de situações trágicas ou transtornos do desenvolvimento, e esse tipo de estigmatização docente passa a ser um fardo a mais, mais um dilema e aflição emocional agravante. Para esses casos, o conhecimento e sensibilidade dos professores podem se constituir em um bálsamo para corações e mentes conturbados.

Veja a seguir alguns eventos que podem ter ocasionado uma suposta depressão do aluno:

1. Perda de um dos pais (morte ou divórcio)

2. Urinar na sala de aula

3. Perder-se; ser deixado sozinho

4. Ser ameaçado por crianças mais velhas

5. Ser o último do time

6. Ser ridicularizado na classe

7. Brigas dos pais

8. Mudar de classe ou de escola

9. Ir ao dentista/hospital

10. Testes e exames

11. Levar um boletim ruim para casa

12. Quebrar ou perder coisas

13. Ser diferente (sotaque ou roupas)

14. Novo bebê na família

15. Apresentar-se em público

16. Chegar atrasado na escola

A partir dessa lista, podemos ver alguns fatores aflitivos do dia-a-dia dos alunos. Por exemplo, observe-se que urinar na sala de aula é a segunda maior preocupação e, por comparação, um novo bebê na família aparece em 14o. lugar. Isso sugere que, para uma criança ou adolescente em idade escolar, as coisas que a depreciam diante de seus colegas podem provocar níveis mais elevados de frustração, estresse, ansiedade ou depressão.

O mesmo fenômeno pode acontecer com as minorias étnicas ou dos alunos culturalmente diferentes, como por exemplo, portadoras de sotaque. Evidentemente não devemos nunca esquecer que algumas crianças são mais vulneráveis a transtornos emocionais do que outras.

As variáveis ambientais, particularmente aquelas que dizem respeito ao funcionamento familiar, também podem influenciar muito a resposta das crianças e adolescentes aos estressores escolares e, conseqüentemente, ao surgimento de algum transtorno emocional. Há uma espécie de efeito de proteção exercido pelos bons relacionamentos familiares que se estende até a adolescência.

Algumas crianças consideram a escola como um refúgio dos problemas familiares pois, tanto o ambiente escolar quanto os professores, continuam constantes em sua vida durante esse período de grande reviravolta existencial. Mesmo assim, nem sempre esses alunos aceitarão conversar a respeito das dificuldades que enfrentam em casa (neste caso, a separação). Novamente, serão as alterações em seu desempenho e comportamento que denunciarão a existência de problemas emocionais.

A sensação de solidão, tristeza e a dificuldade de concentração na escola, tudo isso contribui para uma depressão infantil ou da adolescência, complicando muito o inter-relacionamento pessoal e o rendimento escolar. Pode haver dificuldade de concentração, motivação insuficiente para completar tarefas, comportamento agressivos com os colegas e faltas em excesso. Não se afasta, nesses casos, a necessidade dos professores orientarem algum ou ambos os pais para a procura de ajuda especializada para o aluno.


5.0- CONCLUSÃO

Conclui-se que a escola oferece um ambiente propício para a avaliação emocional das crianças e adolescentes por ser um espaço social relativamente fechado, intermediário entre a família e a sociedade. É na escola onde a performance dos alunos pode ser avaliada e onde eles podem ser comparados estatisticamente com seus pares, com seu grupo etário e social.

Com algum preparo e sensibilidade o professor estaria mais apetrechado do que os próprios pediatras, dispondo de maior oportunidade para detectar problemas cruciais na vida e no desenvolvimento das crianças.

Dentro da sala de aula há situações psíquicas significativas, nas quais os professores podem atuar tanto beneficamente quanto, consciente ou inconscientemente, agravando condições emocionais problemáticas dos alunos. Os alunos podem trazer consigo um conjunto de situações emocionais intrínsecas ou extrínsecas, ou seja, podem trazer para escola alguns problemas de sua própria constituição emocional (ou personalidade) e, extrinsecamente, podem apresentar as conseqüências emocionais de suas vivências sociais e familiares.

Educar é ajudar o educando a descobrir a si mesmo.

Cabe ao educador incitar o educando a um caminho de busca contínua, condição para que as descobertas durem tanto quanto a própria vida. Este caminho precisa ter um começo, mas jamais deveria findar. É descobrindo-se e ao mundo, outra vez e sempre, que se pode experimentar uma vida autêntica. Por isso, a primeira tarefa do educador não é suprir de informações. É instigar o educando à busca de seu verdadeiro ser.

O educando, quando chega ao educador, desconhece quem ele e o mundo de fato são, e os valores que lhe servirão de bússola ainda não estão claros.

A tarefa magna do educador é ajudar o educando a conhecer a si mesmo e a capacitar-se para participar na construção de um mundo melhor.


6.0- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

http://www.scielo.br

Ballone GJ – Problemas Emocionais na Escola, Parte 1, in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://www.psiqweb.med.br/infantil/aprendiza2.html>2004

http://www.psicopedagogia.com.br

FREIRE, Paulo. Política e Educação. 6 ed. São Paulo, Cortez, 2001.

LIBÂNEO, José Carlos. Adeus Professor, Adeus Professora? São Paulo: Cortez, 1998.

http://www.psicopedagogia.construtivismo.com.br/psi00010.php

http://www.abpp.com.br/

Autor: Anônima

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