SAÚDE MENTAL: INTEGRAÇÃO NA WEB

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Calcula-se que até mais de 79% dos usuários da Internet procuram por informações relativas à saúde, a maioria delas fazendo pesquisas com palavras-chave para doenças específicas. Isso, como quase tudo na vida, tem um lado positivo e um lado negativo, ou seja, a par dos benefícios devemos considerar os custos.

Sobre os benefícios da Internet para o profissional médico em geral e, em particular, para o psiquiatra, tem sido inegável a enorme facilidade ao acesso e aquisição do conhecimento, para a possibilidade de continuada atualização e a infinita ampliação da integração com outros profissionais do mundo todo e, se quiser, em tempo real (Geraldo José Ballone, Trabalho que deveria ser apresentado no XIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria).

Para o público geral os benefícios podem ser praticamente os mesmos, acrescidos das facilidades em ampliar o conhecimento de problemáticas pessoais, esclarecimento de dúvidas e acesso à orientações mais especializadas.

Mas isso tudo não é isento de riscos e custos (nem sempre financeiros). E os mesmos argumentos listados para os benefícios da Internet para a medicina e para o público podem ser usados para alertar sobre os problemas dela decorrentes. Essa questão nos faz lembrar da frase, cômica, sobre o computador ter vindo resolver problemas que não tínhamos.

Boa parte dos problemas decorrentes da integração universal através da Internet diz respeito, exatamente, ao excesso da informação e de sua disponibilidade indiscriminada.

O gigantesco volume de informações não seria problema se não causasse ansiedade e angústia ao ser humano que se depara com possibilidades ilimitadas de “saber mais e indefinidamente”. Mas isso não se trata de um agravo da Internet em si. A impossibilidade e angústia do ser humano diante da Internet decorrem sim, da limitação natural à nossa biologia e da aspiração egoística em saber cada vez mais, próprio de nossa natureza.

Não seria problema também, o gigantesco volume de informações, não fosse sua origem e confiabilidade duvidosas, bem como o fato de haver, em média 19 reproduções de cada arquivo colocado na rede.

Para termos uma idéia do crescente geométrico desse volume de informações, lembramos que foi gerada maior quantidade de informação nos últimos 50 anos que nos 50 mil anos anteriores. E mais assustador ainda é saber que esse número duplicará nos próximos 26 meses (Cenadem®). Em 2010, a informação duplicará a cada 11 horas e a cada ano são produzidos 1,5 bilhão de gigabytes em informação. Atualmente existem mais de 2 bilhões de páginas disponíveis na Internet.

Em relação à ciência em geral, particularmente à medicina, assusta saber que há 100 anos existiam cerca de 200 revistas científicas no mundo, agora são mais de 100.000, sendo 10 mil só de medicina. Uma boa biblioteca médica eletrônica (como a MEDLINE, por exemplo) arquiva 4.800 principais revistas médicas, e contém mais de 12 milhões de arquivos. A cada ano, outros 700.000 arquivos entram para o catálogo.

Outro problema gira em torno da disponibilidade indiscriminada de toda essa informação. Em psiquiatria tem sido comum a hipertrofia de sintomas estimulados pelo conhecimento sobre doenças através da web, o desenvolvimento de situações depressivas decorrentes da convicção, fantasiosa, de estados mórbidos “esclarecidos” detalhadamente pela Internet.

Tudo isso acaba apelando para que o ser humano atual se re-adapte; seja na pretensão e capacidade de adquirir conhecimentos, seja na capacidade de triagem daquilo que precisa, pode e deve saber, seja na resolução de seus conflitos hipocondríacos e assim por diante.

Com a integração médica proporcionada pelos recursos de telecomunicação e de informática, os médicos brasileiros puderam atualizar seus conhecimentos com colegas do mundo todo. Assim sendo, as últimas informações dos principais centros e universidades do mundo podem ser adquiridas simultaneamente por médicos de todos os países (1).

A – Internet como Fonte de Consulta Um dos usos mais comuns que o profissional de saúde mental faz da Internet é a consulta de informação médica e psiquiátrica publicada através de páginas da Internet. Este uso apresenta vários problemas ainda não resolvidos:

Como diferenciar a informação verdadeira e válida da perniciosa? Uma das características que tem permitido o desenvolvimento da Internet é a possibilidade de qualquer pessoa publicar informação, qualquer informação.

Quando se lê uma informação obtida através da Internet, não sabemos, com certeza, se este dado é de confiança ou não. Diferente dos meios tradicionais de publicação do conhecimento cientifico, como é o caso das revistas especializadas que dispõem de comitês de revisores, a Internet carece de uma estrutura desse tipo.

Diante desse cenário, como poderíamos obter informação precisa e confiável sobre um tema de interesse?

O crescimento da Internet é de por si caótico e desmesurado. Calcula-se que até 58% das páginas da Internet não podem ser consultadas através dos mecanismos de busca atuais. Muitas vezes, obter informação desejável, precisa e específica através da Internet se torna uma tarefa árdua e cansativa, a qual consome tempo e paciência.

Apesar de muitas vezes não ser encontrada a informação exata que procuramos, podemos obter uma série de outras informações de interesse durante a busca, mas mesmo assim, são informações de um tema para o qual não havia interesse a princípio. Entre as soluções que se tem proposto para resolver este problema estão:

1. O desenvolvimento de motores de busca específicos para psiquiatria (ex. o Google, Medical Matrix, MedHunte Yahoo). A tendência atual é a especialização e estratificação pela qual se desenvolvem cada vez mais buscadores dedicados a tipos específicos de informações.

2. O surgimento de um novo profissional que se encarregaria de “buscar a informação”. Os “buscadores humanos” seriam pessoas com formação suficiente e específica sobre o tema a buscar, domínio de idiomas e de ferramentas e técnicas de busca de informação através de internet(2).

Catálogos e Índices em Saúde A tarefa de se procurar informações específicas de medicina em geral ou de psiquiatria, em particular, pode ser facilitada através dos catálogos e índices mais específicos.

Praticamente todos os catálogos de pesquisas oferecem as áreas específicas de classificação, variando de um catálogo para outro apenas o grau de abrangência, profundidade e nível de informação. Um dos melhores sub-catálogos de saúde mental em nível internacional é o Lycos Hotbolt, com mais de 7 mil páginas.

Os índices, por sua vez, oferecem um serviço abrangente de busca de informação, geralmente indexando palavra por palavra, cada um dos documentos existentes na Internet. Funcionam de forma semelhante ao mecanismo de busca dos catálogos, ou seja, utilizam combinações de palavras-chave fornecidas pelo usuário.

Os índices conseguem dar um bom tempo de resposta, pois são baseados nos chamados spiders ou mecanismos de busca, e que realizam o trabalho de indexação de forma automática.

Esses softwares escaneiam continuamente a Internet, adicionando automaticamente todas as palavras de texto encontradas. Eles não precisam ser comunicados da existência de uma página ou site na Internet, pois ela será achada automaticamente num prazo que varia de uma a quatro semanas.

Devido a essa automação de pesquisa continuada de novas palavras e páginas realizada pelos índices, eles acabam acumulando um número gigantesco de páginas e de palavras indexadas. Um índice completo, como Altavista, por exemplo, pode contar atualmente com cerca de 54 milhões de páginas, com um total de 10 bilhões de palavras, que podem ser encontrados em mais de 600 mil servidores em todo o mundo. Ao ler essa matéria talvez esses números sejam muito maiores (3).

CATÁLOGOS DE PESQUISA MÉDICA NA INTERNET
Inglês Português Espanhol
MedWeb Plus DoctorBBS BuscaSalud
MedWeb Scielo IndexMedico
YahooHealth SiteMedico Compumedicina
MentalHealthCenter Infodoctor
MedicalMatrix PlanetaMédico
HealthWeb
NeuroGuide
B – Internet como Meio de Comunicação Outra das muitas utilidades que Internet oferece ao profissional de saúde mental é a capacidade de comunicar-se com outras pessoas de uma forma eficiente. Neste sentido cabe destacar o desenvolvimento das teleconferências, as listas e fóruns de discussão, o correio eletrônico e as tentativas de implantar a tele-terapia.

1 – Teleconferência Podemos estar diante de um dos muitos casos da solução que antecede ao problema, ou seja, vamos procurar um problema para essa solução. A pouca implantação de este modelo de comunicação se deve, entre outros fatores, ao fato dos usuários da Internet já se comunicarem satisfatoriamente através de outros mecanismos, como por exemplo, o correio eletrônico ou chat, sem necessidade de uma tecnologia mais cara e complicada (câmeras, etc).

2 – Listas e Fóruns de Discussão. Uma Lista de Discussão (ou distribuição) é um conjunto de endereços eletrônicos usados para enviar mensagens com um conteúdo de interesse para todos os membros da lista.

A lista é coordenada por um ou vários coordenadores cuja missão principal é fazer que se respeitem algumas normas. Através da Lista ou Fórum um grupo de pessoas troca mensagens sobre uma temática particular, compartilhando conhecimentos e debatendo temas de interesse comum. Isso compõe o que se chama de Comunidade Virtual.

A Comunidade Virtual serve para canalizar informação de interesse, articular grupos de interesse e coordenar trabalhos em grupo. As mensagens são recebidas diretamente por todos integrantes inscritos na lista simultaneamente.

Existem atualmente milhares de listas em português relacionadas a tópicos de saúde, sobre os mais variados temas que se pode imaginar. O primeiro problema, portanto, é como localizar os endereços das listas e seus tópicos. No Brasil são raros os índices de Fóruns e Listas de Discussão (em inglês, Catalist e Liszt).

3 – Grupos de Notícias Outro recurso da Internet com propósito de melhorar a comunicação entre grupos e pessoas com interesses comuns são os Grupos de Notícias (específicas). Os Grupos de Notícias (Newsgroups, em inglês) são específicos da Internet e só podem existir através da rede. São muito parecidos com as Listas e Fóruns de Discussão, ficando a diferença principal por conta do método; Listas se fazem predominantemente por e-mail e Grupos de Notícias por páginas normais html.

Para funcionar um Grupo de Notícia, envia-se uma mensagem a uma espécie de “quadro de avisos” dedicado a um tópico particular, como esquizofrenia, por exemplo. Este painel de notícias enviadas pode ser lido por qualquer pessoa ao redor do mundo que tenha uma conexão com a Internet. O usuário poderá, então, responder diretamente a quem enviou a notícia usando e-mail (correio eletrônico), ou enviando a resposta de volta ao grupo de notícias, para que todo o mundo possa ler.

Este sistema de quadros de aviso é chamado de Usenet, e atualmente existem literalmente dezenas de milhares de tópicos diferentes que são discutidos. Para acessar a Usenet, utiliza-se o programa visualizador próprio da WWW, como por exemplo o Netscape, ou um programa especial leitor de notícias.

Para ter acesso fácil aos Grupos de Notícias o internauta deve ter em mão a tabela de códigos para especificar o tema das notícias que deseja receber. Vejamos o exemplo abaixo.

sci.med.physics – remete diretamente para Psiquiatria e Psicologia e os temas podem ser especificados da seguinte forma:

· soc.support.depression.crisis · soc.support.depression.family · soc.support.depression.manic · soc.support.depression.misc · soc.support.depression.seasonal · soc.support.depression.treatment · soc.support.pregnancy.loss

Atualmente os Grupos de Notícias não têm sido tão utilizados, tendo em vista as facilidades maiores das Listas de Discussões.

A internet tem permitido que médicos e pacientes tenham fácil acesso a informações médicas. As informações disponíveis podem, do lado dos médicos, colocá-los em pé de igualdade cultural com os colegas de países mais desenvolvidos, colocá-los em contacto uns com os outros e com seus pacientes. Pelo lado dos pacientes, a disponibilidade das informações médicas de forma didática e especialmente dirigida ao leigo, favorece aquisição do conhecimento e eventuais tomadas de decisões.

Há, não obstante, riscos decorrentes dessa quantidade gigantesca de informações vir a ser indevidamente utilizadas, compreendida e explorada, seja por pacientes sem estrutura emocional e/ou mental suficientes, seja por divulgação de informações não confiáveis.

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Talvez, no futuro haja a necessidade de pessoal médico altamente especializado e treinado para revisar artigos e conferir algum selo de qualidade às informações assim merecedoras.

Referência: Ballone GJ – Integração na Web – Trabalho apresentado no XIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, Seminário do departamento de Informática Médica da Associação Brasileira de Psiquiatria, Recife-Olinda, 2001,

Fonte: virtualpsy.locaweb.com.br

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