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O QUE É CULTURA POPULAR?

O QUE É CULTURA POPULAR?


ARANTES, Antônio Augusto. O que é Cultura Popular. 14 ª Edição. São Paulo. Editora Brasiliense, 1998.

Cultura Popular recobre um complexo de padrões de comportamento e crenças de um povo. No entanto, para Antônio Augusto Arantes cultura popular é um aglomerado de fragmentos que apresenta significados bastante heterogêneos e variáveis.

Muito se tem falado e escrito sobre cultura popular mas ainda não é suficiente porque a pesar de todo estudo ainda se deturpa muito o sentido dessa palavra, já é hora de pararmos e refletirmos sobre a profundidade que essa expressão abrange.

Sabemos perfeitamente que Aurélio Buarque de Holanda, define com autoridade, em seu bem conceituado dicionário de língua portuguesa, cultura em seu uso corrente como significando “saber, estudo, elegância, esmero, conhecimento, informação”, ela evoca os domínios da filosofia, das ciências e das belas artes.

Porém quando acrescentamos o termo “popular” entramos num paradoxo entre “cultura” e ” povo”, como se tudo que vem do “povo” fosse desprovido de saber. Basta olharmos em nossa volta para percebermos que são bastantes diversificados os valores e conceitos vigentes na nossa complexa sociedade.

A massa homogênea, que é o povo brasileiro, é formada de várias raças e origens diferentes e cada um com sua cultura, costumes e religião. Embora nos eduquem o tempo todo a termos um modo de vida civilizado – culto, não podemos prescindir dos objetos e práticas que qualificamos como “populares”, pois o nosso cotidiano é mesclado com esses costumes: samba, seresta, bumba-meu-boi, reisado, carnaval.

A escola, a igreja e a família são instituições formadoras do ser e juntamente com os meios de comunicação de massa têm a função de produzir e divulgar idéias como se fossem ou devessem ser ou se tornar os modos ideais de agir e de pensar de todos.

Repudiamos tudo aquilo que está relacionado com o “povo” qualificando como ingênuo, de mau gosto, indigesto, errado, pitoresco, ineficaz, mas quando traçamos nossas teorias temos a tendência de inserir essas coisas contraditórias em relação à cultura popular em nossos planos individuais. Por que essa ambivalência em relação ao que é “diferente”, e especialmente, ao que é identificado como “povo”?

Pela mesma razão por que reagimos no aspecto cultural do etnocentrismo, o qual tende a julgar o “outro” em relação às normas e comportamentos do grupo social a que se pertence. Corresponde a uma percepção da vida e da sociedade do observador onde o seu próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através de valores, modelos e definições do que é a existência.

Esse termo “popular” representa um obstáculo pelo qual as outras sociedades são observadas em função da nossa, em geral, portador de preconceitos que são manifestações de uma visão unilateral e deturpada da realidade social.

Assim, pressupomos que a “cultura popular” surge como uma outra cultura contrária ao saber culto dominante. Podemos observar dois modelos de relação a partir da identidade entre grupos de “membros” com culturas diferentes: em uma a identidade é vista exclusivamente pelo sistema de normas de sua própria cultura, onde o “diferente” é desvalorizado como incivilizado, incultos ou errado e a outra onde a cultura “diferente” atua como grupo de comparação crítica com relação às deficiências práticas do grupo central.

Atentamos especialmente para confronto das diferenças entre a “elite/culta” e “povo/popular” sobre a perspectiva antropológica. O grupo da “elite” julgando-se detentor do saber sempre se exclui do grupo destacado como “povo”. Mas quem é a “elite” e quem é o “povo” do qual se refere o autor, deste livro? A forma sutil como agimos frente a outros grupos, tentando rotulá-los, discriminá-los, demonstramos diariamente exemplos etnocêntricos.

Etnograficamente o grupo do “eu”, em contraposição ao grupo do “outro” – diferente – é aquele que é visto como o primitivo, o não civilizado e que se opõe ao desenvolvimento da civilização; por sua vez, o “povo”, em contraposição à elite – saber – é a massa homogeneizada composta por várias camadas, o não saber. È necessário que haja um ponto de equilíbrio para unir esses dois extremos. Precisamos aprender com as diferenças do “outro”, assim, a antropologia tem como objetivo pensar sobre a diferenças culturais entre os povos, não radicalizando-a e sim, relativizando-a.

Sobre essa diferença gira a problemática desta obra: Como unir os opostos, “elite’ e o “povo”? Acredito que este problema só poderá ser solucionado se pensarmos a cultura no plural e no presente e que se parta de uma concepção não normativa e dinâmica. Devemos transformar a diferença em uma relação capaz enriquecer a cultura do “eu” com aquilo que o “outro” tem de diferente, melhor dizendo, é conhecer a diferença, experimentando a própria “cultura popular” como diferente, em vez de ignorá-la devemos absorvê-la ou aprender com ela. Pois assim podemos manter uma relação harmoniosa de contribuição mútua com começo, meio e fim.

Concluímos, então, que no diz respeita à cultura popular a antrolopologia surge para intermediar a questão da “diferença” através do processo harmonioso de reciprocidade como forma de entendimento, de diálogo entre os povos, assim como a cultura popular busca dialogar com a cultura erudita. O ponto de partida usual do trabalho do antropólogo é a observação direta de indivíduos se comportando face a outros indivíduos e em relação à natureza.

Acredito na união dos opostos, porque aprendemos com as diferenças, pois se somos todos iguais e se temos o mesmo pensamento, que conhecimento o “outro” pode nos acrescentar?.

O fato de sermos diferentes é que o ponto de partida para a civilização e o progresso do indivíduo, só podemos deixar de ser um povo heterogêneo para sermos homogêneos.

  • Instituição: Faculdades Planalto
  • Autor: Izaurina Rodrigues

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