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NÃO TENHO CULPA DE ABUSAR SEXUALMENTE OS MEUS FILHOS

Abuso Sexual em Crianças.

NÃO TENHO CULPA DE ABUSAR SEXUALMENTE OS MEUS FILHOS!

RESUMO: Este artigo retrata sobre a violência doméstica que é muito comum na atualidade. Suas principais vítimas são as crianças e adolescentes. O texto está direcionado para o abuso sexual, explicando o seu processo de repetição compulsiva.

A violência doméstica é um fato que está preocupando muitos profissionais que estão interessados no bem-estar e na saúde mental daqueles que são vítimas dessa situação. São vários os tipos de violência doméstica, ou também chamada de Abuso Intrafamiliar: a negligência, o abuso físico, o abuso psicológico e o abuso sexual. E, as principais vítimas são crianças, adolescentes e mulheres. Os principais abusadores são aquelas pessoas que são mais próximas do que nós imaginamos. São seus próprios pais, maridos, mães, padrastos, irmãos, avós, entre outros.

Todos os tipos de violências são muito importantes, mas irei me dedicar para aquela que na minha percepção é a mais violenta, tanto física quanto psicológica. É o abuso sexual. Esta que preocupa a sociedade e o núcleo familiar.

Como pode um adulto abusar sexualmente uma pessoa tão próxima dele, seu próprio filho, membro da sua família? Para respondermos teremos que retroceder até a infância do pai ou da mãe, ou de qualquer outro que possua tendências abusadoras.

Esses homens ou mulheres tiveram uma infância muito sofrida, isto é, podem ter sido criados por seus pais ou responsáveis de uma maneira duramente disciplinadora, cruelmente punidos e ignorados (negligência), emocionalmente reprimidos, não tiveram limites, tiveram relacionamentos incestuosos ou seus próprios pais tiveram uma história semelhante a que ocorreu com eles.

O que ocorre com essas crianças quando chegam a fase adulta? Elas irão repetir tudo aquilo que ocorreu com elas com seus próprios filhos ou com outras crianças.

A psicanálise explica como sendo um processo de COMPULSÃO À REPETIÇÃO. Freud nos comunica que a repetição é conseqüência de um trauma e a função dela seria a de reduzir esses traumas, mas isso nunca irá se concretizar, porque essa tarefa sempre lhe seria negada, precisando sempre ser refeita. A repetição também seria uma maneira de suportar o ônus da culpa, porque a criança tem consciência que a culpada é ela por o pai (a mãe) abusar sexualmente dela e que tudo começou por causa que foi ela que o seduziu.

Para dar uma outra explicação para o processo de repetição, Caminha utiliza o termo MULTIGERACIONALIDADE.

Se entende por multigeracionalidade o fenômeno pelo qual as crianças expostas a violência doméstica, de modo repetitivo e intencional, tornam-se adultas que submeterão outras crianças às mesmas experiências pelas quais passaram. Essas crianças aprendem estes padrões como “verdades”, e essas verdades serão mediadoras de suas relações sociais.

Os meninos quando se tornarem adultos podem se tornar pessoas que abusam sexualmente, e as meninas se tornam promíscuas e prostitutas. E ainda terão tendências fortes na procura de parceiros portadores do mesmo perfil do agressor (características dos pais).

As esposas de pais que abusam de seus filhos, normalmente possuem dois tipos de personalidades. O primeiro perfil são mulheres que foram maltratadas tanto emocionalmente quanto fisicamente durante a infância. Possuem uma baixo auto-estima e tendem a ser passivas e dependentes de seus maridos, por isso permitem que seus maridos definam as regras familiares. Possuem problemas sexuais sérios, sendo muitas vezes tímida, fria ou hostil com relação aos seus maridos. Relações sexuais durante o casamento entre eles é mínimo ou inexistente. Muitas vezes é incapaz de ser esposa ou mãe, e com muito medo de ser abandonada, ela fica inconscientemente dividida por encontrar em sua filha uma substituta sua nas relações sexuais com seu marido. Então, esses pais sedutores vão se voltar para suas filhas em busca do amor que suas esposas não puderam dar.

Essas mães não são convincentes com o abuso sofrido pelo seus filhos, que na verdade elas não sabem de nada, pois são insensíveis para qualquer sinal que possa ter sido transparecido, onde normalmente qualquer outra pessoa que não conviva nesse meio familiar perceberia o problema ocorrido entre o abusador e a criança. Quando os menores tentam denunciar para as mães o que está ocorrendo, as mães ou desconsideram essas declarações ou não levam a sério suas filhas ou filhos, preferindo acreditar no marido.

No segundo perfil quando a mulher for dominadora em relação ao marido, este irá abusar dos filhos, principalmente as meninas, projetando todo o seu ódio que possui em relação às mulheres.

Será que esses adultos que foram expostos à violência doméstica, que passaram todo o seu processo de desenvolvimento até saírem de casa sofrendo violência, repetirá todo esse processo que passaram com suas prole sem que houvesse algum tipo de intervenção psicoterapeutica? E se houvesse será que não ocorreria a repetição? Isso eu deixo em espaço para um próximo trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • CAMINHA, Renato Maiato; FLORES, Renato Zamora. Violência sexual contra crianças e adolescentes: algumas sugestões para facilitar o diagnóstico correto. Revista de psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 16, p. 158-167 , maio – agosto. 1994.
  • CHEMAMA, Roland. Dicionário de psicanálise. 1 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 190-192p.
  • FURNISS, Tilman. Abuso sexual da criança: uma abordagem multidisciplinar: manejo, terapia e intervenção legal integrados.1 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993, 337p.
  • MOORE, Burness E.; FINE, Bernard D. Termos e conceitos psicanalíticos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992, 38p.

Autor: Simone Simon Iglin

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