Fundamentos pedagógicos da Educação Infantil

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As creches e pré-escolas são estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de zero a cinco anos de idade. Nesses estabelecimentos são desenvolvidas ações de educar e cuidar. O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil nos diz que:  Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal e de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural (1998 p.24).

Educar significa proporcionar à criança momentos de aprendizagem para que ela possa se desenvolver através das brincadeiras suas potencialidades e capacidades. O educar é para a vida e para o exercício da cidadania. Cuidar significa auxiliar a criança em seus primeiros momentos de vida, valorizando e ajudando a desenvolver capacidades, como limpar, alimentar.

O cuidado precisa considerar, principalmente, as necessidades das crianças, que quando observadas, ouvidas e respeitadas, podem dar pistas importantes sobre a qualidade do que estão recebendo. Os procedimentos de cuidado também precisam seguir os princípios de promoção da saúde. Para se atingir os objetivos dos cuidados com a preservação da vida e com o desenvolvimento das capacidades humanas, é necessário que as atitudes e procedimentos estejam baseados em conhecimentos específicos sobre desenvolvimento biológico, emocional, e intelectual das crianças, levando em conta diferentes realidades sócio-culturais (BRASIL, 1998, p. 25).  Desta forma, o cuidar e educar caminham juntos, não se excluem, mas se complementam .

Atualmente a Proposta Pedagógica que orienta o trabalho na Educação Infantil tem como princípio a criança como ser histórico e sujeito de direitos. Nesta perspectiva, na observância das Diretrizes Curriculares Nacionais Para a Educação Infantil (2010, p.17), a proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve garantir que elas cumpram plenamente sua função sociopolítica e pedagógica:  

  • Oferecendo condições e recursos para que as crianças usufruam seus direitos civis, humanos e sociais;
  • Assumindo a responsabilidade de compartilhar e complementar a educação e cuidado das crianças com as famílias;
  • Possibilitando tanto a convivência entre crianças e entre adultos e crianças quanto à ampliação de saberes e conhecimentos de diferentes naturezas;
  • Promovendo a igualdade de oportunidades educacionais entre as crianças de diferentes classes sociais no que se refere ao acesso a bens culturais e às possibilidades de vivência da infância;
  • Construindo novas formas de sociabilidade e de subjetividade comprometidas com a ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do planeta e com o rompimento de relações de dominação etária, socioeconômica, étnicoracial, de gênero, regional, linguística e religiosa.

 Deste modo, construir uma proposta pedagógica para a Educação Infantil, precisa ser levado em conta, o desenvolvimento, o contexto e a cultura no qual a criança está inserida.

O Referencial Curricular para a Educação Infantil (1999, p. 63) menciona a definição dos objetivos gerais, os quais são:

  1. a) Desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas capacidades e percepção de suas limitações;
  2. b) Descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar;
  3. c) Estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças, fortalecendo sua auto-estima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social;
  4. d) Estabelecer e ampliar cada vez mais as relações sociais, aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos de vista com os demais, respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração;
  5. e) Observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como integrante, dependente e agente transformador do meio ambiente e valorizando atitudes que contribuam para sua conservação;
  6. f) Brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades;
  7. g) Utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas idéias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva;
  8. h) Conhecer algumas manifestações culturais, demonstrando atitudes de interesse, respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade.

 Desde que nasce a criança precisa de espaços que ofereçam liberdade de movimentos e segurança para socialização com o mundo que a rodeia, os professores devem criar propostas pedagógicas levando em consideração os espaços para a organização de suas ações. Portanto, construir uma proposta pedagógica implica a opção por uma organização curricular que seja um elemento mediador fundamental da relação entre a realidade cotidiana da criança, as concepções, os valores e os desejos, as necessidades e os conflitos vividos em seu meio próximo, a realidade, social mais ampla, com outros conceitos, valores e visões de mundo. (OLIVEIRA, 2000, p. 169).

 È de extrema importância que o professor, valorize a brincadeira na Educação Infantil, pois a brincadeira é muito importante e de grande relevância para as crianças, uma vez que é através dela que a criança cria, recria, inventar, reinventa, explorar, revive situações do dia – dia, se descobri e descobri o mundo em que está inserida.  A criança aprende a brincar, desde cedo, através das relações que estabelecem com os outros sujeitos. A brincadeira permite que a criança crie situações imaginárias.

 Para a criança a brincadeira é uma das formas de está no mundo, um processo permanente de descoberta e uma maneira de afirma que elas são sujeito social e que constrói culturas. Sabemos que ao ingressar na escola, as crianças carregam consigo todas essas manifestações culturais e passam também a ter um contato maior com a diversidade de culturas que são vivenciadas na escola (cantos, cantigas, acalantos, filmes, danças, jogos, brincadeiras, teatro, contos, costumes e outras linguagens lúdicas e expressivas). Desta forma entendemos que as crianças não somente se apropriam das culturas vivenciadas na escola, mas são produtoras de culturas, pois são também criadoras, ativas, engajadas, competentes, sujeito de sua própria vida, podendo exercer o direito de ser criança e ter infância.

É nesta troca entre produção e apropriação que a escola deve promover momentos para a criança conhecer, produzir e transformar. Desta forma é necessário também que os educadores devem mediar às brincadeiras, para que a criança brinque com qualidade, para que a brincadeira seja mais interessante e para que possa aprender mais. Segundo Oliveira (1993): A intervenção pedagógica provoca avanços que não ocorreriam espontaneamente, a importância da intervenção deliberada de um indivíduo sobre outros como forma de promover desenvolvimento articula-se com um postulado básico de Vigotski: a aprendizagem é fundamental para o desenvolvimento desde o nascimento da criança. A aprendizagem desperta processos internos de desenvolvimento que só podem ocorrer quando o individuo interage com outras pessoas (p. 33).

A intervenção pedagógica faz toda diferença no desenvolvimento da criança.  Brincar é eixo de trabalho na educação infantil. A escola é um dos locais onde a criança passa maior parte do seu dia para tanto é importante que ela tenha espaços para as atividades lúdicas. O brincar deve ser uma ferramenta no processo ensino-aprendizagem e no desenvolvimento integral do ser humano. Para Oliveira (2000, p. 55):

As crianças constroem suas brincadeiras recortando pequenas ações das outras, ajustando-se a elas, quer seja repetindo-as integralmente ou parcialmente, quer seja acrescentando-lhes algo e, até, substituindo parte delas. Cada uma das crianças parece fazer uma ‘previsão’ do que é brincadeira e age nessa direção, mas a cada instante é confrontada com as ações, das outras crianças e o efeito de suas próprias ações.

A brincadeira e o faz de conta são maneiras também de desenvolver a linguagem. Imaginando, a criança se comunica, constrói histórias e expressa vontades. Ao conviver com os colegas, coloca-se no lugar do outro, reforçando sua identidade. Borba (2007) deixa evidente a importância do brincar na vida e na constituição das subjetividades e identidades das crianças. A brincadeira auxilia na constituição dos processos de desenvolvimento e de aprendizagem, não devendo ser vista como atividades de perda de tempo, como menos importantes e menos qualificadas. As brincadeiras são importantes para constituir experiências com o mundo e modo de estar nele. Borba (2007) também fala da experiência do brincar:  A experiência do brincar cruza diferentes tempos e lugares, passados, presentes e futuros, sendo marcada ao mesmo tempo pela continuidade e pela mudança. A criança, pelo fato de se situar em um contexto histórico e social, ou seja, em um ambiente estruturado a partir de valores, significados, atividades e artefatos construídos e partilhados pelos sujeitos que ali vivem, incorpora a experiência social e cultural do brincar por meio das relações que estabelecem com os outros – adultos e crianças. Mas essa experiência não é simplesmente reproduzida, e sim recriada a partir do que a criança traz de novo, com o seu poder de imaginar, criar, reinventar e produzir cultura. (p.33-34).

Dessa forma, percebe-se como o brincar é algo essencial para o desenvolvimento infantil. Embora a brincadeira seja uma atividade livre e espontânea, ela não é natural, mas uma criação da cultura. O aprendizado dela se dá por meio das interações e do convívio com os outros. Por isso, a importância de prever muito tempo e espaço para ela.

 

 



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