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LITERATURA DE CORDEL

O Que é Literatura de Cordel?

Literatura de Cordel

Texto de:

Francisco Ferreira Filho Diniz

Literatura de Cordel
É poesia popular,
É história contada em versos
Em estrofes a rimar,
Escrita em papel comum
Feita pra ler ou cantar.

A capa é em xilogravura
Trabalho de artesão
Que esculpe em madeira
Um desenho com ponção
Preparando a matriz
Pra fazer reprodução.

Os folhetos de cordel
Nas feiras eram vendidos
Pendurados num cordão
Falando do acontecido,
De amor, luta e mistério,
De fé e do desassistido.

A minha literatura
De cordel é reflexão
Sobre a questão social
E orienta o cidadão
A valorizar a cultura
E também a educação.

Mas trata de outros temas:
Da luta do bem contra o mal,
Da crença do nosso povo,
Do hilário, coisa e tal
E você acha nas bancas
Por apenas um real.

O cordel é uma expressão
Da autêntica poesia
Do povo da minha terra,
Que luta pra que um dia
Acabem a fome e miséria,
Haja paz e harmonia.

Os folhetos de cordel brasileiros, com seus múltiplos temas e expressiva forma de composição poética, têm sido objetos de estudos para pesquisadores do nosso país e também estrangeiros. Os textos de cordel poeticamente estruturados, tendo a sextilha como estrofe básica, são ilustrados com xilogravuras, chichês de cartões postais, fotografias, desenho e outras formas de composição gráfica e oferecem farto material para pesquisas, ensejando variadas interpretações que remetem para o contexto sócio-cultural em que se insere cada texto. Assim, os folhetos sobre os mais diversos temas, tradicionais ou contemporâneos, são versejados por inúmeros poetas populares, estabelecendo-se relações icônico-textuais significativas, ou outras intratextuais.

Como se sabe, esta riquíssima e sugestiva expressão literária popular, que encontrou fértil campo no Nordeste brasileiro, só pode ser bem compreendida dentro de um contexto cultural mais amplo, envolvendo suas origens européias ou orientais, até a produção atual, de modo a se ter uma visão mais ampla dos seus temas e formas de expressão e das transformações por que vêm passando, no nível da estruturação da narrativa, do discurso e das significativas relações icônico-textuais. Em estágios de pesquisas sobre literatura de cordel que realizamos em Portugal, na Espanha e França (1981, 1984, 1986, 1987 e 1991 e 1997), verificamos que este tipo de literatura, já em extinção na Europa, interessa, apenas, a colecionadores e especialistas.

Os “folhetos de feira” brasileiros têm, indiscutivelmente, suas origens na chamada “literatura de cordel” portuguesa, sendo, evidentemente, mais uma das tradições culturais herdadas da península ibérica, pois em Portugal e na Espanha já era conhecida com esse mesmo nome. Desse tipo de literatura chegam muitas histórias ao Brasil, que aqui se transformaram e ainda continuam alimentando a imaginação do nosso povo.

Numa tentativa de sistematização para estudos, dividimos os folhetos de cordel brasileiros em dois grandes grupos: a) os que versam sobre temas antiqüíssimos herdados da tradição ocidental ou oriental; b) aqueles cujos relatos estão mais diretamente relacionados com o contexto brasileiro e com características basicamente nordestinas.

): Afinal, a chamada literatura de cordel, no Brasil, não morreu; está completando cerca de cem anos bem vividos. Esse gênero de poesia popular impressa, que ocorre especialmente no nordeste, passou a ser valorizado por brasileiros depois de um artigo de Orígenes Lessa na revista Anhembi, publicado em dezembro de 1955, e talvez principalmente depois de outro artigo, do estudioso francês Raymond Cantel, publicado no Le Monde de 21 de junho de 1969. A partir de inícios da década de 70, o assunto virou coqueluche para estudiosos brasileiros, formando-se considerável bibliografia em que se incluem teses e mais teses. Também muitos artigos foram publicados, inclusive de interessados de última hora que se precipitaram em afirmar, de pés juntos, o fim do cordel. Vinte anos depois, podemos observar que — a despeito de estar implícito no dinamismo sócio-cultural o possível desaparecimento de traços folclóricos — o cordel continua vivinho da silva. Até virou souvenir para paulistas, cariocas, mineiros, gaúchos em passeio por feiras nordestinas ou em centros de turismo como o Pátio de São Pedro (Recife), a Emcetur (Fortaleza), o Mercado Modelo (Salvador) e outros locais. O estudioso Joseph M. Luyten calcula em 100 mil títulos editados, o que é apenas uma estimativa.


Repente, embolada e literatura de cordel

Repente=>No Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – ou seja, poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas, para cantar os seus versos. Eles apareceram nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, este último se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos “de repente”, em um desafio com outro cantador. Não importa a beleza da voz ou a afinação – o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o oponente apenas com a força do discurso.

A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: temos a sextilha (estrofes de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e o sexto), a septilha (sete versos, em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rima com o sexto) e variações mais complexas como o martelo, o martelo alagoano, o galope beira-mar e tantas outras. O instrumental desses improvisos cantados também varia: daí que o gênero pode ser subdividido em embolada (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.

Cordel:A literatura de cordel é assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos, dependurados em barbantes (cordão), nas feiras, mercados, praças e bancas de jornal, principalmente das cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades. Essa denominação foi dada pelos intelectuais e é como aparece em alguns dicionários. O povo se refere à literatura de cordel apenas como folheto.

Embolada: Canto, geralmente improvisado, com refrão fixo para o desafio dos dois emboladores que se “enfrentam” de maneira semelhante aos repentistas da viola -a diferença é que, na embolada, o instrumento é o pandeiro. Muito comum no litoral nordestino. A “briga” se dá em forma de sextilha. Também é comum um único embolador se apresentar para uma roda de curiosos -neste caso, o poeta usa seus versos para satirizar a platéia, mas sem agredi-la, e pedir dinheiro.

“A história de Joana”

Preste atenção, amigo

Na história que eu vou contar

Não aconteceu comigo

Mas você pode se identificar

Trata-se de um amor não correspondido

Uma paixão de matar…

Era uma vez uma menina

Seu nome era Joana

Por todos era querida

Menos pelo menino que ama

Ela muito sofria

Porém ele não a correspondia

Ela fazia de tudo

Mas ele não a notava

Suas amigas diziam para esquecer

O menino que tanto amava

Mas ela não conseguia

Tira-lo do coração

Toda vez que o via

Suspirava de emoção

Ele a ignorava

E ela morria de paixão

Um dia então

Ela resolveu se declarar

Falar para ele o quanto o amava

Já não agüentava mais se calar

Foi cheia de esperança

Que ele quisesse namorar. Ficar

Pelo menos tentar

Pra ver no que dá

Chegou acanhada

A vergonha teve que engolir

Quando ela terminou

Ele prostou-se a rir

E para todos falou

“Olhem só essa garota

O que veio me dizer

Que me ama imensamente

Ora, tenho mais o que fazer

Saia logo daqui

Posso ter melhores que você”

Todos riram dela

E Joana começou a chorar

Foi saindo de fininho

Andando bem devagar

Ela queria para sempre

Aquela cena apagar

Mas não conseguiu esquecer

A humilhação que passou

Um ódio começou a nascer

E então ela se vingou

Uma raiva enorme tomou conta

No lugar daquele amor

No outro dia, no intervalo

Todo mundo se calou

Quando ela apareceu

Uma arma sacou

E apontou para Mateus

O menino que tanto amou

Aos prantos

Começou a gritar

Estavam todos espantados

Não sabiam o que falar

Ela, então, começou a se pronunciar

Falou alto e em claro tom

Para que todos pudessem escutar

Todos guardaram suas palavras

As quais irei lhes relatar

“Posso não ser o que você espera

Mas sou muito mais do que merece

Me arrependo por tê-lo amado tanto

Um garoto que não vale uma lágrima do meu pranto

Você me fez de idiota

Eu, a menina que mais lhe amou

Agora, olhe sua condição

Sua vida está em minha mão”

Mateus não sabia o que fazer

Mas não teve tempo para pensar

Joana não o perdoou

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tayane moura
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tayane moura

Otimo gostei muito da historia

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