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EU, CIDADÃO E PEQUENO CONSUMIDOR

INTRODUÇÃO

Através de situações cotidianas no nosso trabalho com Educação e até mesmo no curso de Pedagogia e no mais simples andar na rua, percebemos um grande problema quanto à falta de cidadania e o descaso para com esse tema, a qual se constrói uma sociedade consciente através de um trabalho pertinente por parte principalmente de educadores, já que aí nos vemos a maior necessidade de trabalhar com “cidadania” dentro de uma área de formação: Os Pedagogos.

Esses profissionais da área da educação ganharão importante colaboração para trabalhar com os alunos a questão dos direitos e dos deveres da cidadania, através desse projeto.

Refletir em torno da necessidade de atuar com ética e solidariedade, o dever de agir ante a injustiça, a liberdade de escolha, a atualidade de manter e cobrar sempre o senso de responsabilidade diante do outro, caminham junto com a interpretação dos principais pontos de “cidadão e consumidor”.

A necessidade de preparação do consumidor se definiu da análise dos problemas apresentados pelos consumidores, já que a origem dos mesmos estava ligada à falta de conhecimento de seus direitos e deveres.

O desenvolvimento de atitudes e valores conscientes, éticos e cívicos no jovem cidadão, em favor de uma participação correta, solidária e cooperativa, na sociedade de consumo, devem ser objetivos de todos nós, educadores. Não queremos formar tão somente bons consumidores, mas também muito bons cidadãos.

Nos dias de hoje, a escola tem consciência de que deve preparar o aluno para a cidadania. No entanto, ela não te, explicita uma concepção de cidadania, não sabe como conduzir a educação nessa direção nem por que fazê-lo. Há uma grande distância entre o discurso e a prática.

O conceito de cidadão varia de acordo com as diversas posições ideológicas. Nossa proposta conceitua cidadão como aquela pessoa que se apropriou dos instrumentos necessários para participar consciente e criticamente da vida cultural, social, política e econômica e para competir e atuar no mercado de trabalho. De acordo com a visão utópica de Paulo Freire, esse cidadão deve ter consciência política que o habilite a transformar a si mesmo e a se engajar na luta por transformações sociais mais abrangentes ou restritas, na sua escola, no seu bairro e no sue local de trabalho.

Por fim, queremos valorizar a figura do professor reconhecendo sua grande importância na formação de uma nova cidadania e de uma sociedade mais livre, mais solidária, mais justa e até mesmo mais consciente com as crises econômicas.


OBJETIVOS

Uma das tarefas essenciais da Educação é eliminar a distância entre o texto da lei e o efetivo reconhecimento do direito nas relações cotidianas, pois este processo é extremamente importante pata formação de cidadãos e consumidores conscientes de seus direitos e deveres frente à comunidade.

Uma outra necessidade é a formação de uma cidadania mais democrática e participativa, e como um processo educativo permanente de desenvolvimento do indivíduo no conjunto de suas potencialidades, promovendo uma maior interação entre escola e sociedade.

Porque preparar educadores e educandos para a cidadania? Porque o mundo mudou e a escola precisa mudar. A rapidez com que se dá a produção de novos conhecimentos numa sociedade globalizada impõe novas demandas para a escola. O aluno precisa ser preparado para conviver com a provisoriedade do conhecimento, com as incertezas, com os imprevistos, para saber usar.

Só a organização popular, a mobilização e a ação política do povo podem impulsionar mudanças sociais, exigindo que sejam assegurados não só os direitos civis e políticos, mas, sobretudo, o direito social, econômico e humano, para essa ação organizada não se fará sem conscientização política e a ação da escola deve estar voltada para esse compromisso. A escola tem que estimular o aluno a se engajar na luta por transformações sociais.

Outros objetivos da educação para o consumo no programa escola é:

  • Levar o educando a tomar consciência de seu papel como consumidor;
  • Levar o educando a agir de forma consciente e crítica nas relações de consumo, mostrando a sua responsabilidade social;
  • Estimular o educando a prender a utilizar os seus recursos econômicos de forma criteriosa;
  • Levar o educando a tomar conhecimento e consciência dos diferentes produtos e serviços ofertados no mercado de consumo e avaliá-los;
  • Levar o educando a avaliar seu próprio sistema de valores;
  • Capacitar o educando a conhecer os diferentes mecanismos utilizados pela sociedade de consumo para apresentar os diferentes produtos e serviços;
  • Tornar o educando apto a utilizar produtos e serviços de forma correta, em seu benefício e no da coletividade;
  • Levar o educando à tomada de consciência em relação aos seus próprios atos, a ampliar seu pensamento para compreender diferentes pontos de vista além do seu;
  • Valorizar a importância do meio natural e de sua qualidade para a vida, manifestando atitude de respeito e cuidado.


CAPÍTULO I 

“EU, CIDADÃO E…O QUE É CIDADANIA?”

Afinal, o que é Cidadania?

Nunca se falou tanto sobre cidadania, em nossa sociedade, com nos últimos anos. Mas afinal, o que é cidadania?

Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “cidadania é a qualidade ou estado do cidadão”, entende-se por cidadão “o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”.

No sentido etimológico da palavra, cidadão deriva da palavra civita, que em latim significa cidade, e que tem seu correlato grego na palavra politikos – aquele que habita na cidade.

No sentido ateniense do termo, cidadania é o direito da pessoa em participar das decisões nos destinos da Cidade através da Ekklesia (reunião dos chamados de dentro para fora) na Ágora (praça pública, onde se agonizava para deliberar sobre decisões de comum acordo). Dentro desta concepção surge a democracia grega, onde somente 10% da população determinava os destinos de toda a Cidade (eram excluídos os escravos, mulheres e artesãos). 

Mas para nós hoje, o que significa realmente ser cidadão, o que é cidadania?

Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade para melhorar suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca se esquecer das pessoas que mais necessitam. A cidadania deve ser divulgada através de instituições de ensino e meios de comunicação para o bem estar e desenvolvimento da nação.

É muito importante entender bem o que é cidadania. È uma palavra usada todos os dias e tem vários sentidos. Mas hoje significa, em essência, o direito de viver decentemente.

Cidadania é o direito de ter uma idéia e poder expressá-la. È poder votar em quem quiser sem constrangimento. È processar um médico que cometa um erro. È devolver um produto estragado e receber o dinheiro de volta. È o direito de ser negro sem ser discriminado, de praticar uma religião sem ser perseguido.

Há detalhes que parecem insignificantes, mas revelam estágios de cidadania: consiste desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os muros, respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim como todas às outras pessoas), não destruir telefones públicos (por trás desses comportamentos, está o respeito à coisa pública), saber dizer obrigado, desculpe, por favor, e bom dia quando necessário… até saber lidar com o abandono e a exclusão das pessoas necessitadas, o direito das crianças carentes e outros grandes problemas que enfrentamos em nosso país.

“A revolta é o último dos direitos a que deve um povo livre para garantir os interesses coletivos: mas é também o mais imperioso dos deveres impostos aos cidadãos.”
Juarez Távora – Militar e político brasileiro.

No Brasil a importância da formação para o desempenho da cidadania faz parte da nossa Carta Magna. A Constituição Brasileira (1988) define em seu artigo 205:

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

FORMAÇÃO DA CIDADANIA – COMPROMISSO DA ESCOLA

Muito de tem falado sobre cidadania, valores, ética, posturas…

Discussões de como desenvolver ou, até mesmo, “criar” tais conceitos, em nossos alunos, são temas constantes das pautas, nas reuniões de escola e também dentro da sala de aula.

Nos dias de hoje, a escola tem consciência de que deve preparar o aluno para a cidadania.

Para preparar o aluno para a cidadania, a escola deve favorecer o exercício da democracia. O aluno deve ter liberdade de: questionar, reivindicar os seus direitos, discordar, participar das decisões da escola, opinar na organização da sala de aula e no estabelecimento das normas escolares, eleger seus representantes, das sugestões para a melhoria da escola, votar na escolha do diretor, participar das atividades extra classe cívicas, sociais, esportivas, religiosas. Tudo isso contribui para a formação do cidadão.

Aprende-se democracia, vivendo-se o exercício democrático. Não podemos pensar em formar o cidadão numa escola onde a prática pedagógica diária caracteriza-se por uma direção centralizadora do poder e pelo autoritarismo. O aluno deve vivenciar o livre e crítico exercício de experiências democráticas que hoje tentamos construir na sociedade.


CAPÍTULO II

“NOÇÕES DE VALORES”

Será que esta educação de valores deve ser só da responsabilidade da escola, ou os pais também são responsáveis por estas noções?

Ao encher a criança de presentes, os pais podem estar iniciando um hábito prejudicial não só para o filho como para o relacionamento familiar e social. O pequeno cria uma dependência pelo presente e dá cada vez menos valor à imagem dos pais. A ausência deles incomoda, desde que tragam presentes.

Resultado: a criança passa a ter dificuldade em se apegar às coisas, perde a noção dos valores e, principalmente, não cria limites para os seus desejos. Tudo fica descartável nas suas mãos, pois a todo o momento é presenteada com algo novo ( e sabe também que o novo rapidamente irá se tornar velho). Mal acostumada, poderá se tornar um adolescente agressivo e rebelde, sempre insatisfeito com o que tem.

O PEQUENO ECONOMISTA…Muitas crianças desde cedo gostam de mexer com o dinheiro e de comprar pessoalmente aquilo de desejam. E se sentem felizes quando estão economizando, algumas chegam a nunca adquirir nada sem antes pesquisar o melhor preço e, de vez em quando, tentam até uma pechinchada. Outras não ligam muito para isso e gostam de satisfazer imediatamente suas vontades. Ambos são comportamentos normais. Não se pode esperar um raciocínio financeiro perfeito de uma criança, mas sempre que possível é importante estimulá-lo, sempre pensando neste indivíduo como um cidadão no futuro.

A partir dos três anos de idade, os pequenos já podem ter as primeiras noções de valores. Aprender a valorizar e a dividir. Conscientizar a crianças de que se ela não quiser algo, pode ter alguém que possa aproveitar e que nada é conseguido de graça e com facilidade, faz com que esta criança guarde para toda sua vida a importância e a valorização de ser um cidadão consciente de seus deveres e direito.

A partir dos cinco anos de idade, a criança já pode fazer pequenas operações com o dinheiro, então é hora de explicar-lhe por que existe o dinheiro e que, para consegui-lo, é necessário trabalhar. Hora também de mostrar que existem prioridades de consumo, como comida e roupa, e qual a hora certa de comprar o brinquedo. Nesta fase a criança começa a ter noção de troco e de quanto vale cada nota. O entendimento de cara e barato vai se tornando cada vez mais claro na sua cabeça.

Outra etapa muito importante para os pais realizarem com seus filhos para que eles possam ter valores e se tornar um cidadão consciente de seus afazeres e um bom consumidor, é com uma mesada. Nesta etapa, os pais devem colaborar com explicações e, principalmente, fixar um valor para a mesada ou para a semanada. Caso o dinheiro acabe rapidamente, antes do tempo previsto, nada de remuneração extra. Só assim a criança vai descobrir como economizar para ter o que deseja.

Se em algum momento os pais sentirem apertados financeiramente e tiveram de parar de dar a mesada, a situação deve der bem explicada. È importante que a criança saiba que a mesada não é uma obrigação, mas que também voltará quando for possível.

Uma outra figura importante neste processo de formar cidadãos conscientes de seus deveres, e o cofrinho, uma pequena poupança construída pela criança. Com ele, a criança aprende a valorizar ainda mais o dinheiro e descobre o prazer de economizar para mais tarde comprar algo que deseja muito, pois isto é o resultado do cofrinho que ele construiu, e por isso sabe como foi difícil.

É também de grande importância os pais encorajar seus filhos a buscar as próprias oportunidades de ganhar dinheiro. Podem oferecer-se para passear com o cachorro do vizinho ou montar um espetáculo de mágica para festas infantis. Com isso desenvolverão espírito empreendedor, tão valorizado nos tempos atuais.

Os pais ao passarem estas noções de valores para seus filhos, estão na verdade passando informações sobre seus direitos reconhecidos pelo Código de Defesa do Consumidor, que é poder comparar preços e escolher entre aqueles que mais atendam às necessidades deste pequeno consumidor. A educação para o consumo desempenha um papel importante para que o exercício destes direitos possa ser efetivo a um número cada vez maior de consumidores mirins.

A educação para o consumo, que deve ser começada dentro do lar, promove o conhecimento necessário à formação de consumidores conscientes, com capacidade de escolha e aptos a defender seus direitos, o que resultará em melhor qualidade de vida para todos.

Por outro lado, se os pais realmente não tomarem consciência de que seus filhos devem ter realmente responsabilidade sócia econômica, teremos Descartes neoliberais proclamando: “Consumo, logo existo”.


CAPÍTULO III

“…PEQUENO CONSUMIDOR, A EDUCAÇÃO PARA O CONSUMO”

O consumo faz parte da vida do adulto, do jovem e da criança e se apresenta desde o despertar até a hora de dormir.

A sociedade de consumo nos coloca à disposição uma infinidade de produtos e serviço. Por um lado, aqueles que satisfazem nossas necessidades básicas, como habitação, roupas, educação, etc., por outro, uma enorme gama de produtos que nos incitam a consumir, por melhor qualidade de vida, por comodidade ou pelo simples fato de consumir.

Á medida que a sociedade se torna mais técnica e desenvolvida, as necessidades vitais ou básicas variam e se ampliam, inclusive aquelas que dizem respeito aos recursos naturais.

O uso incorreto e indiscriminado de recursos naturais tem provocado prejuízos que comprometem a qualidade de vida. A desinformação e a vulnerabilidade frente à sociedade de consumo e suas pressões implica em que tal distância não seja nivelada apenas pela legislação, mas através de um processo educativo permanente que prepare os consumidores para essa nova necessidade social.

As Organizações das Nações Unidas têm enfatizado a importância da proteção e educação do consumidor, mostrando que o país que tem educação para o consumo tem a oportunidade de estar à frente de outros, de permitir mudanças, de criar, de inovar.

Aprender a utilizar os bens e serviços que as novas tecnologias tornaram disponíveis, melhorar a qualidade de vida, ampliar a base do mercado de consumo e os padrões de exigências, associados a uma qualificação para o exercício consciente de seu papel social de consumidor, é o grande desafio de um programa educativo sobre consumo.

EDUCAÇÃO PARA O CONSUMO: NA ESCOLA

A escola é a instituição que mais permite formar indivíduos autônomos, capazes de acompanhar um mundo em constante mudança e com competência para buscar e usar as informações disponíveis, preocupando-se com a formação do sujeito global cognitivo, afetivo e social.

A inserção dos objetivos da Educação para o Consumo na escola vem reforçar o aspecto de permanente abertura da mesma às necessidades sociais, numa correta perspectiva da educação como processo contínuo ao longo da vida do indivíduo, permitindo-lhe as diversas aprendizagens inerentes às funções sociais que desempenha.

A Educação para o Consumo, na sociedade atual, se impõe como elemento sócio-cultural imprescindível do cidadão consciente. Esta realidade exige que o indivíduo tenha conhecimento de seus direitos e deveres como consumidor.

A Educação para o Consumo é o processo através do qual os consumidores:

  • Desenvolvem técnicas para tomar decisões sobre a compra de bens e serviços à luz dos valores pessoais, sobre a utilização máxima dos seus recursos, sobre as alternativas disponíveis, as considerações ecológicas e as condições de mudança na economia;
  • Adquirem conhecimentos sobres as leis, direitos e métodos para participar efetivamente e com segurança no mercado e empreender a necessária ação de seus desagravos;
  • Desenvolvem a percepção do novo papel do cidadão/consumidor na economia, no sistema social e no governo e tentam influenciar esses sistemas a se tornarem sensíveis às suas necessidades.

Espera-se dos consumidores, neste processo, o desempenho de suas responsabilidades que são:

  • Ter consciência crítica, distinguir necessidade e desejo, exigir qualidade, comparar preços;
  • Saber agir de forma consciente e segura;
  • Ter responsabilidade social, agir de forma consciente e equilibrada, lembrando as conseqüências das ações junto a outros grupos sociais, particularmente os menos favorecidos;
  • Ter responsabilidade ecológica, consciência do efeito que suas ações podem causar no meio ambiente e no desgaste dos recursos naturais;
  • Ter solidariedade, promover ações conjuntas de grupos de cidadãos. È da força, credibilidade e influência do consumidor que vêm à consideração dos seus interesses nas políticas que o afetam.

EDUCAÇÃO PARA O CONSUMO: NO CURRÍCULO

A Educação para o Consumo já aparece de forma implícita no currículo, pois a ação educativa quando voltada para a realidade, com seus objetivos direcionados para o âmbito social, já está colocando o aluno em contato com o cotidiano, com o seu meio, consequentemente com as relações de consumo. Muitas vezes não nos damos conta de que já trabalhamos de alguma forma os tema de consumo, no entanto, para que seus objetivos sejam amplamente atingidos é preciso caracterizá-los de forma explícita no currículo.

A proposta de trabalho de Educação para o Consumo deve ser vista, no currículo, não como uma nova disciplina, mas como um tema transversal, que atravessa a atividade educativa em seu conjunto, atingindo os conteúdos das diversas áreas, ao longo de todas as etapas educativas.

Seus objetivos podem estar presentes em todos os seus conteúdos, tanto no conceito como nos procedimentos selecionados, em busca de atitudes acertadas.

A Educação para o Consumo é um tema muito amplo cuja abordagem, na escola, é mais fácil quando trabalhada em seus diversos aspectos ou com os diversos temas que a compõem. Tem um forte caráter atitudinal, pois visa a resultados no comportamento do consumidor.

O professor tem, portanto, um papel importante na escolha dos procedimentos adotados, como dinamizador e motivador do processo que culminará com a atitude do aluno.

A EDUCAÇÃO INFANTIL E A EDUCAÇÃO PARA O CONSUMO

O objetivo da Educação Infantil é garantir aos educandos a construção da realidade, de acordo com seu desenvolvimento físico, emocional, intelectual e social.

È fundamental para a programação das atividades educativas conhecer a bagagem cultural e as características específicas de cada faixa etária, pois a criança é o objetivo final do trabalho do educador.

Os temas sobre o consumo, na programação escolar, devem ser enfocados através da observação, da identificação, da vivência e de situações do dia-a-dia, a fim de que seus resultados sejam atingidos.

Conhecer na vida cotidiana as suas necessidades proporcionará à criança novas experiências, as quais estimularão seu desenvolvimento pessoal e social de forma ampla.

Aprender a tomar informações, a refletir, entender o consumo de forma adequada e consciente devem ser objetivos da educação infantil para o consumo.

A criança, por ser um investigador nato que não conhece precisamente tudo que a cerca, necessita experimentar e exercitar para que possa amadurecer e melhor conhecer o meio e a realidade.

As mesmas estratégias didáticas utilizadas para outros conteúdos trabalhados pela escola poderão ser aplicadas aos temas sobre consumo. Estes temas serão inseridos de forma interdisciplinar nas unidades didáticas mais amplas (português, matemática, ciências, artes, etc.) e ainda interrelacionados com outros temas transversais.

A atividade lúdica na Educação Infantil pode ser uma enriquecedora fonte para o desenvolvimento de atitudes adequadas sobre o consumo, pois pressupõe uma aprendizagem social que permite reproduzir a realidade. A Comunicação em todos os seus tipos de linguagem, não verbal, verbal, escrita, etc., entre o educador e o aluno devem ser desenvolvida na busca de sua socialização.


CONCLUSÃO

A cidadania é o direito a ter direitos, pois a igualdade em dignidade e direitos dos seres humanos não é um dado. É um construído da convivência coletiva, que requer o acesso ao espaço público. É este acesso ao espaço público que permite a construção de um mundo comum através do processo de asserção dos direitos humanos.

A cidadania enquanto inserção no espaço público necessariamente deverá privilegiar a efetividade de todos os direitos ao sujeito, grupo ou comunidade. Pode-se pressupor ainda que, sem a participação efetiva dos sujeitos, dificilmente estes direitos estarão presentes para o indivíduo. É necessária a participação. E a participação só poderá ser efetivamente alcançada com a inserção do indivíduo em uma comunidade, para formar um todo, onde as individualidades ficam em segundo plano.

Quando analisamos cidadania e direitos humanos, devemos levar em conta que a sociedade brasileira viveu constantes alterações no poder: ora autoritarismo, ora governos ditos democráticos. Neste sentido, nossas práticas coletivas são resultado das transformações por que passou a sociedade brasileira principalmente neste século. Podemos perceber que os sujeitos perderam a autonomia necessária para a conquista de espaço público, devido ora à negação dos direitos, ora à própria desmobilização.

Porém, a educação pode vir a contribuir na transformação da sociedade, onde a cidadania se reflita em cidadãos participantes, caso “nossos educadores” tiverem claro seu papel social e, mais que isso, forem acima de tudo cidadãs em pleno exercício de direitos. O que não mais se pode aceitar é o discurso segundo o qual se educa para a cidadania sem mesmo saber o que é a cidadania e direitos humanos. Isso implica dizer que é necessário, inicialmente, assumir o papel de cidadão e não ser um mero reprodutor de um discurso que exclui o sujeito da cidadania.

Um requisito essencial para se alcançar a cidadania plena é que o sujeito seja um sujeito autônomo. Pela educação pode-se mostrar o caminho para a busca de uma verdadeira autonomia. E isto é possível ao se criar um discurso próprio, autônomo, no qual se desenvolva uma pedagogia realmente transformadora, que considere a relação entre o sujeito de direitos e o poder do Estado, numa dimensão que privilegie as próprias experiências vividas.

Desta forma a educação pode auxiliar a construção de uma verdadeira cidadania. Essa educação tem que ser construída pelos sujeitos envolvidos onde participe toda a sociedade, sendo que os (as) professores (as) tenham claro seu papel enquanto educadoras.

A educação para a cidadania e numa perspectiva que privilegie os direitos humanos pode auxiliar o sujeito a ter uma visão crítica da realidade, de modo que possa lutar pelos seus direitos no seio da sociedade.

A cidadania enquanto acesso ao espaço público e, portanto espaço de conhecimento e exercício dos direitos humanos pode, então, passar pelo espaço formal da escola, desde que as professoras realmente tenham conhecimento da cidadania como forma de alcançar a autonomia do sujeito e, consequentemente, formar o cidadão.

Podemos perceber que mais que discursar sobre cidadania é necessário assumir práticas cidadãs de modo a criar situações de aprendizagem onde a experimentação se dê mediante a construção de oportunidades a todos, pois educar não é apenas ensinar, mas criar situações de aprendizagem nas quais todos os aprendentes possam despertar, mediante sua própria experiência do conhecimento, para sua dignidade de sujeitos do seu futuro.

E, neste sentido, criar situações de aprendizagem é vivenciar com as outras práticas onde se privilegie o exercício da prática política na construção do espaço público que é o local onde ocorre o exercício dos direitos. Isto significa que sem uma participação efetiva torna-se difícil, senão impossível, demonstrar não só ao aluno, mas a toda comunidade, que a participação reflete a cidadania. É necessário demonstrar com práticas, pois cidadania enquanto conhecimento e exercício de direitos, antes de tudo, se exerce.


REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

1 – DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel: a infância, a adolescência, e os Direitos humanos no Brasil. São Paulo: Ática, 2000.

2 – THOMAZELLI, Maria Cecília. Educação para o consumo: guia para o professor. 1.ed., São Paulo: Fundação Procon, 1998.

3 – CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Guia prático para o professor. 1.ed., São Paulo: Fundação Procon, 1997.

4 – VALE, Maria Irene Pereira. Pensando a Escola: formação da cidadania compromisso da escola. Revista Educando, nº 295, p.12-15, 2000.

5 – CROCE, Maria Lúcia. Cidadania Consciente. Jornal Bolando Aula, nº 19, p. 10, Março/1999.

6 – RAMIRO, Denise; BAPTISTA, Cristiana. O rico mora ao lado. Revista Veja, ed.1694, nº 13, p.96-106, 2001.

7 – BETTO, Frei. Religião do Consumo. Jornal O Estado de São Paulo, p.A2, 21/03/2001.

8 – EBOLI, Carlos Eduardo. Economia para principiantes. Revista Pais e Filhos,nº 348, p.128-139, 1997.

Outros Autores: Idiva de Oliveira Corrja, Adriana Freitas dos Santos, Andréia Jandira Campos Silva,Célia Silva Santos, Édiva de Oliveira Correa,, Monica Apª Donizete de Almeida

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