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EMPIRISMO E SOCIOLOGIA CLÁSSICA

Ainda durante o século XVII, o inglês Francis Bacon defendeu o método indutivo na ciência experimental, segundo o qual as leis gerais que regem os fenômenos particulares podem ser estabelecidas a partir da observação e repetição das regularidades dos fenômenos particulares. As proposições aparentemente opostas de Bacon e Galileu se sustentavam em princípios análogos, ao aceitar a experiência como fonte primitiva do saber, o raciocínio como mecanismo de estudo e os fenômenos naturais como fatos determinados e reconhecíveis a partir da observação. Descartes, na obra Discours de Ia méthode (1637; Discurso sobre o método), questiona a certeza sobre a existência da realidade apreendida pelos sentidos. Introduziu a dúvida metódica, que consiste em duvidar de tudo o que é dado pelos sentidos, e mesmo da matemática, o que leva à única certeza: a consciência de duvidar, que leva à consciência de existir. Essa evidência, expressa na frase “penso, logo existo”, seria a única verdade inquestionável. As ciências seriam fundadas em evidências racionais e a matemática, em evidências intelectuais.

A abordagem empírica pura leva em conta apenas os dados iniciais e os resultados de um estudo, razão pela qual começa por descartar as teorias sem plena comprovação experimental. O enfoque racionalista, ao contrário, confronta os postulados teóricos, produzidos pelo pensamento lógico, com qualquer resultado prático, e subordina a investigação à hipótese. Em geral, as metodologias científicas utilizam modelos híbridos, que incluem as questões empíricas –nunca isentas de certo racionalismo, uma vez que aceitam os sentidos e os instrumentos de medida como únicas fontes de informação –e as questões teóricas, que trazem, não obstante, um lastre prático.

A maior parte das ciências aceita a experimentação como primeiro e último elo da cadeia do saber. Assim, o processo do conhecimento se inicia com a observação de um fato e finaliza com a comprovação empírica de suas conclusões teóricas. Segundo essa interpretação, toda disciplina científica será tanto mais eficaz quanto maior for a quantidade de fenômenos que interpreta, com uma boa aproximação dos casos reais, ou seja, desde que possam ser verificados na prática. Isso não significa que os princípios dogmáticos, característicos do século XVIII, e os predominantemente estatísticos, adotados por alguns pesquisadores contemporâneos, não interpretem corretamente a realidade, mesmo quando desprezam grande número de variáveis importantes. Dentro do pensamento científico, cabem ainda atitudes filosóficas ou interpretativas que indicam várias tendências de pensamento: a abordagem histórica, na qual o estudioso valoriza as variáveis determinadas pelo momento social e político, ao mesmo tempo que procura inferir conclusões teórico-práticas de validade geral; a abordagem heurística, ou aplicada, baseada na busca de leis gerais que, do modo mais preciso possível, governem o comportamento dos fatos naturais; e a abordagem axiomática, que busca enumerar os princípios básicos que descrevem as condições do trabalho previamente ao estudo aprofundado do problema.

As metodologias contemporâneas se caracterizam por uma visão mais aberta, e evitam estabelecer axiomas excessivamente numerosos ou específicos. Além disso, compartilham um conjunto de princípios fundamentais: a aceitação da experiência, e não da idéia, como fonte de conhecimento primordial; a valorização da utilidade como fim último; e a construção de modelos, que, mais que explicar a realidade, procuram sistematizar o acervo das experiências humanas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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FERRARI, A. T., Metodologia da Ciência. 2ª ed. Rio de Janeiro: Kenenedy,1974. Cap. 1, p. 52-61.

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GALIANO, A.G. O Método Científico: Teoria e Prática. São Paulo: Herbra, 1986.

REVISTA UNOPAR MODULO II 2004

REVISTANOVA ESCOLA MAIO 2003

Autor: Angela Meira

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