CULTURA POPULAR E FOLCLORE

Leia livros sobre este assunto

PUBLICIDADE

Cultura Popular e Folclore

CULTURA POPULAR E FOLCLORE


O QUE É FOLCLORE?

Existem correntes de pensamento que acham que folclore é tudo aquilo que o homem do povo faz e reproduz como tradição. Para outras, é só uma pequena parte das tradições populares. Para uns, o domínio do que é folclore é tão grande quanto o do que é cultura. Para outros, folclore é a mesma coisa que cultura popular. De fato para algumas pessoas as duas palavras são sinônimas.

O famoso folclorista Luís da Câmara Cascudo define folclore como “a cultura do popular tomada normativa pela tradição”. Para outros pesquisadores do assunto há importantes diferenças entre folclore e cultura popular. A maioria das pessoas acredita que os dois nomes são a mesma coisa, sendo o folclore o nome mais conservador daquilo de que cultura popular é o mais progressista. As pessoas do povo, ou seja, os criadores do popular e o do seu folclore não utilizam a primeira palavra e não conhecem a segunda.

PUBLICIDADE

Antes da proposição do nome “folklore”, havia muitos especialistas estudando os costumes e tradições populares. Mais tarde, a esse estudo se deu o nome de folclore, que é a fusão de dois outros termos: folk e lore. Eles têm origem anglo-saxônica e juntos significam o saber tradicional do povo. A palavra “Folklore” não foi aceita logo de saída, e quase que vira folclore. Três décadas depois desta preposição, foi fundada a Sociedade do Folclore, em Londres. Posteriormente, alguns estudiosos do assunto sugeriram que folclore, com letra minúscula, significasse modos de saber do povo, enquanto Folclore, com letra maiúscula, o saber erudito que estudava aquele saber popular. Esse grupo considerava como seu objeto de estudos:

  • As narrativas tradicionais: como os contos populares, os mitos, lendas e estórias.
  • Costumes tradicionais: preservados e transmitidos oralmente de uma geração à outra, os códigos sociais de conduta, a celebrações cerimoniais populares.
  • Os sistemas populares de crenças e superstições: ligados à vida e ao trabalho.
  • Os sistemas e formas de linguagem: seus dialetos, ditos e frases feitas.

Entre o final do século XIX e o começo do passado, muitas formas de definir o folclore como “equipamento mental” de um povo tornaram-se habituais. Paul Sebillot o via como “uma espécie de enciclopédia das tradições crenças e costumes das classes populares ou das nações pouco avançadas”. Já o antropólogo alemão Franz Boas, diz que folclore é “um aspecto da etnologia que estuda a literatura tradicional dos povos de qualquer cultura”.

Essa compreensão do termo em questão também estabelece dois pontos: um que estende o folclore à cultura primitiva, e o outro que considera o folclore como uma disciplina diferenciada de uma ciência, a Antropologia, e não como uma ciência autônoma. Já Arthur Ramos determina esse conceito como “uma divisão da Antropologia cultural que estuda os aspectos da cultura de qualquer povo que dizem respeito à literatura tradicional”.Aos poucos, a idéia de folclore como apenas a tradição popular estendeu-se a outras dimensões mais atuais.

O folclore vive a coletivação anônima do que se cria, conhece e reproduz, ainda que, durante algum tempo, os autores possam ser conhecidos. Isto se dá com o herói, o mito, e com o rito até com a própria vida cotidiana.

De um ponto de vista rigoroso, são propriamente folclóricas toadas, cantos, lendas, mitos, sabores, tecnologias que, durante a sua reprodução através de cada indivíduo, de geração a geração foram incorporadas ao modo de vida e ao repertório coletivo da cultura de uma fração específica do povo.

CULTURA POPULAR E FOLCLORE

Luís Câmara Cascudo


O QUE É CULTURA POPULAR?

Cultura popular é um conceito originado da junção do termo francês civilization, que remete ao material, e do termo alemão kultur, que remete ao imaterial, ao subjetivo. Por sua vez, popular é algo do povo. Desta forma, cultura popular diz respeito ao material e ao subjetivo do povo.

Porém, até na atualidade, ela ainda não foi muito bem definida, nem mesmo pela antropologia social que dedica grande atenção ao estudo da cultura. Seu significado e aquilo sobre o qual ele diz respeito ainda são fontes de discordância, não caracterizam um consenso. Os pontos de vista sobre esse tema variam desde aquele em que fica claro, implícita ou explicitamente, que cultura popular não é absolutamente uma forma de saber, baseada na máxima “o povo não tem cultura” como base de idealização romântica das tradições. Essa primeira concepção se relaciona com o contexto das sociedades capitalistas onde o trabalho intelectual diretamente relacionada com as elites assume o papel de destaque e superioridade em relação ao trabalho manual que diz respeito a uma maioria, chamada povo.

É a paradoxal oposição saber x fazer que além de possuir demonstrações práticas, como a diferença de salários e desprestígio entre, por exemplo, um arquiteto e um mestre-de-obras, se estende a questões ideológicas mais profundas; o fazer popular como sendo desprovido de saber, o povo não tendo cultura. As teorias a respeito de cultura popular têm a tendência de suprimir toda sua heterogeneidade, colocando-as num mesmo bloco de “coisas” consideradas simplórias, rudimentares, deselegantes e anacrônicas.

Um outro ponto de vista muito comum entre pesquisadores, sobretudo folcloristas, é a questão da cultura popular constituindo apenas o lugar social onde as tradições são preservadas. Afirmar cultura popular como sinônimo de tradições é encará-lo como uma outra cultura, cujo apogeu se deu no passado, e hoje em dia tentamos reproduzir. Nesse processo, no entanto, acabamos por agregar novos significados e conotações a essa cultura tirando-lhe a originalidade e desenvolvendo apenas a visão dela temos.

Faz-se necessário diante dessas insustentações nos questionarmos sobre o sentido mais profundo dessa expressão e se sua aplicação se tornará convincente. Em sociedades complexas e diferenciadas alguns valores e concepções do interesse das classes, são oficiais e até por mecanismos sociais bastante sólidos, como por exemplo, a família, como se fossem se tornar o modo de agir e de pensar de todos. É uma tentativa de homogeneizar aquilo que é diferenciado, uma ilusão de unidade. No entanto essa sociedade de classes possui por si só uma heterogeneidade que já faz resistir a esse processo.

É possível a demonstração da existência de interpretações diferentes daqueles que tentam se impor. Seria como se a sociedade transformasse essa unidade ilusória e recuperasse o múltiplo, o diverso. As peculiaridades das culturas populares podem ser inseridas nesse contexto como um conjunto de criações que emanam de uma comunidade cultural, expressas por um grupo ou por indivíduos que respondem reconhecidamente às expectativas da comunidade enquanto expressão de sua identidade cultural e social. Incluem-se nesse processo as normas e os valores, como a língua, a literatura, a música, a dança, os jogos e brincadeiras, os ritos, os costumes, o artesanato a arquitetura e outras artes.

A Cultura popular e a Cultura de Massa

Atualmente, a cultura  de massa é utilizada de forma generalizada, englobando toda e qualquer manifestação de atividades ditas populares. Acaba que tudo pode ser inserido no cômodo e amplo conceito de cultura de massa. Porém, quando é questionada a real abrangência do termo em questão, os que o usam indiscriminadamente se vêem em situação difícil.

Pensar o povo como massa é subestimar o primeiro, uma vez que massa é uma soma de indivíduos, é inerte e instável. Ela é sempre passiva, sendo manipulada por influências instáveis da maioria, das modas e dos caprichos passageiros. Já o povo é movido por princípios individuais.

Temendo ser diferente do conjunto, os indivíduos que compõem a massa jamais discordam da maioria. Se alguém perguntar a uma pessoa se ela já viu determinado programa da moda, provavelmente ela irá assisti-lo, mesmo que não seja do seu gosto, para sentir-se parte do todo, será “como todo mundo”. Assim sendo, a inserção nesse aglomerado de indivíduos impõe um padrão, todos se vestem da mesma forma, gostam da mesma coisa, agradando sempre ao outro. Então, há uma renuncia da individualidade.

Desta forma, cultura popular jamais pode ser confundida com cultura de massa, tendo em vista que essa, na verdade não existe. Isto se dá pelo fato de que a massa, por ser apática, jamais opina, não é consciente. E a cultura, para realmente existir, precisa da intervenção individual.

A cultura popular é algo totalmente diverso. Ela tem movimento próprio, movendo-se de acordo com os seus princípios. Cabe ao povo formar a sua cultura peculiar, responsável por o diferenciar dos demais.

Já a falsa cultura de massa é simplesmente a manipulação dada pelos meios de comunicação. Não é por outro motivo que Britney Spears e o Mc Donald´s são apreciados e consumidos por pessoas de diversos países. Também não é por outra razão que a cultura popular e o folclore de cada povo vem sendo engolidos pelo desejo da maioria, pela massificação mundial. Sem se preocuparem com as diversidades culturais, todos recebem a mesma falsa e estereotipada “cultura”.

Diferenças entre Cultura Popular e Folclore

As diferenças visíveis entre folclore e cultura popular não são no âmbito lingüístico ou conceitual, mas sim social. O primeiro é visto como algo maior, um elo entre as pessoas de uma mesma nação, uma interseção entre ricos e pobres. Porém ele é duplo, ao mesmo tempo em que ele é nacional é também particular de cada região. Por isso, às vezes, pessoas do Rio de Janeiro não conhecem uma música folclórica de Minas Gerais, apesar de serem estados vizinhos. Isto se dá uma vez que na há apenas um folclore brasileiro, mas sim uma soma de conjuntos folclóricos regionais. Os americanos se reconhecem como tais e não como tailandeses (e vice-versa) através desta soma. Contudo nova-iorquinos e texanos, apesar de ambos serem do mesmo país, também se diferenciam entre si devido ao folclore de cada estado/cidade. Desta forma ele é comum às pessoas de um determinado local, embora também faça parte de um conjunto maior, o patrimônio nacional.

Em contrapartida, a cultura popular é encarada com preconceito, como sendo apenas pertencente ao plebeu. Todavia, ela é mais abrangente do que o folclore, uma vez que é compartilhada por pessoas de todo país, e em alguns casos até em todo mundo. O material cultural do povo típico de um país é internacionalizado com o seu uso, tornando-se patrimônio mundial. Desta forma, ele não afirma uma identidade nacional. Não é porque um italiano usa catuaba para impotência que ele vai se tornar um índio brasileiro. Mas italiano sabe que essa receita é característica do Brasil.

Esta diferença entre os dois conceitos em questão fica muito claro quando se pensa em governos populistas. Para controlarem um país, estas figuras autoritárias usam a cultura popular e não o folclore, já que não é conhecido por todos.

Uma outra diferença é a propriedade intelectual. O folclore possuí elementos com autores conhecidos e reconhecidos, porém a maioria destes são incorporados pelas pessoas sem haver qualquer preocupação de se saber de quem é a autoria. A cultura popular, por sua vez, quando pensamos no termo popular por atingir a todos através de produtos de massa, fica-se muito bem definido de quem é determinado produto. Todo mundo sabe quem é Tom Jobim, mas são poucos os que sabem quem compôs a letra de “Cai, cai balão”.

A ampliação do domínio do folclore e da cultura popular se dá de formas distintas. Aquela história de “quem conta um conto aumenta um ponto” é análoga e pertinente ao caso do primeiro. Uma festa que nasceu no interior de Minas fica diferente a cada nova cidade e estado onde ela passa também a ser festejada. Há uma adaptação de acordo com cada região. É tanto que para fazer um simples bolo de fubá há várias receitas diferentes.

Já a cultura popular não. Dá azar passar por debaixo da escada e ponto final, as únicas duas opções são acreditar nisso ou não. Não há pessoas no Sul do Brasil que acreditem que só dá azar se a escada for verde ou no Norte que é sinal de má sorte apenas se passar rolando por debaixo dela.

Uma última questão a ser levantada é que ambos os termos em estudo são produtos da História, porém a influência dela em cada um é diferente. O folclore, assim como na ampliação de seu domínio, sofre mudanças estruturais de acordo com o contexto histórico. A Folia de Santos Reis foi alterada devido ao processo de urbanização que acarretou no êxodo rural. Desta forma, como a festa era inicialmente uma peculariedade de cidades interioranas, ela foi juntamente com os trabalhadores para as grandes cidades. Como os centros urbanos são diferentes das condições rurais, muitas alterações foram introduzidas neste rito.

Por sua vez, a cultura popular é encaixada a um contexto histórico, uma vez que há um certo tipo de produção em cada época, sendo assim, datável. O que foi produzido nos anos 60, 70, em meio a Ditadura Militar, só é o que foi devido ao momento. Não há nada antecessor o sucessor que se pareça com a Tropicália. Desta forma não há transformação da cultura popular, mas um surgimento de novos elementos a serem somados.

Tendo em vista tudo o que foi discutido anteriormente, não há como se pensar em folclore e cultura popular como sinônimos. Embora não tenham o mesmo significado, no fim, estes representam uma única coisa: a criatividade humana.

Semelhanças entre folclore e cultura popular

A semelhança entre folclore e cultura popular é tamanha que muitos acreditam que é melhor chamar o folclore de cultura popular. Tanto que no meio dos festejos somente um ato de cirurgia teórica poderia separar de um todo significativo para os seus praticantes e consumidores populares o que é erudito, popular ou folclórico, a festa é o conjunto de tudo.

Porém, como já vimos anteriormente há algumas diferenças notáveis, mas as congruências realmente são muitas já que ambos procuram ler a memória de um povo nos pequenos sinais da vida cotidiana, como costumes, objetos símbolos populares, enfim, os ritos ocultos presentes no cotidiano que ninguém sabe ao certo da autoria, mas que são repetidos de pessoa para pessoa, transmitidos de geração em geração, de forma codificada, mas não escrita, oralmente, por imitação direta e sem a organização de situações formais e eruditas de ensino e aprendizagem.Ambos fluem através das relações interpessoais.

Outro importante ponto em comum é a valorização da tradição, tanto que esta palavra é mencionada incontáveis vezes nas definições tanto de um quanto de outro. Luis de Câmara Cascudo mistura as duas noções e define o folclore como a cultura popular tornada normativa através da tradição, tradição esta que é estendida por alguns teóricos até a cultura primitiva.Pode se afirmar que a cultura popular também é formada por resíduos da cultura culta de épocas, às vezes até de lugares, como é o caso de países que sofreram a influência da imigração, filtrada através do tempo pela estratificação social.

Contudo cultura popular e folclore não devem ficar somente na valorização do passado, a cultura popular mesmo composta por esses elementos residuais e fragmentários resiste a um processo de deterioração contrastando assim ao saber culto dominante, sendo assim um tipo de ação sobre a realidade social já que eventos culturais articulam-se no espaço das relações entre grupos e segmentos sociais, são produtos significantes da atividade social de homens determinados, cujas condições históricas de produção, reprodução e transformação devem ser desvendadas.

Já é justamente na tradicionalidade que o folclore oferece forte resistência política às inovações impostas pelo colonizador ou pelas classes dominantes sendo ele dessa forma politicamente ativo apesar de considerado antiquado e conservador para as classes eruditas, mas é vivo e atual para as casses produtoras de sua própria cultura. As grandes festas religiosas reproduzem simbolicamente a desigualdade social da vida cotidiana, assim, consagram e legitimam com os símbolos coletivos do sagrado a diferença desigual, os rituais que misturam sujeitos e grupos de diferentes classes sociais acabam sendo situações de simbolização da própria ordem desigual, expressam relações solidárias e traduzem formas populares de resistência a um domínio político simbólico de outras classes, é o poder dos fracos.

O fato folclórico deve ser compreendido dentro do espaço de cultura de que é parte, na vivencia pessoal, no interior das matrizes sociais da vida coletiva assim como eventos culturais devem ser definidos a partir de critérios internos as situações observadas. É possível descrever fatos isolados do folclore sem enxergar o homem social que cria o folclore que se descreve, mas é muito difícil compreende o sentido humano do folclore sem explicá-lo através do homem que o produz e de sua condição de vida, pois por si só o folclore não existe, ele é parte popular em um mundo onde povo é sujeito subalterno.

Cultura é um processo dinâmico, pois ocorrem transformações positivas, muitas vezes de forma não intencionada e não se consegue evitar a mudança de significados que ocorre no momento em que se altera o contexto em que os eventos culturais são produzidos. O mesmo acontece com o folclore já que para muitos teóricos o que vemos como folclórico não existe em estado puro e sim é uma situação de cultura, um instante fugaz na vida de sociedades através da cultura.Fatos folclóricos são falas, linguagem, não são objetos que são congelados nos museus e sentem-se condenados a morte, são coisas vivas, modos de sentir, pensar, viver e festejar, por este motivo sofrem influências e por sua vez também influenciam, podendo até tornarem se erudito. Para serem compreendidos devem ser procurados através de sua vida na cultura e sua articulação com outras formas vivas dessas culturas, que são o produto coletivo de pessoas que criam, dançam e cantam.

Mais do que tudo, tanto o folclore quanto a cultura popular procuram expressar e reafirmar a identidade da nação. Quer seja como um todo, quer seja identificada por regionalismos ambos colaboram para a manutenção da unidade do país, do sentimento de identidade que poderia ter sido destruído. Eles imaginam uma sociedade onde, destruídas as diferenças entre os homens, a oposição entre a cultura erudita e a cultura popular dê lugar a uma cultura humana, alguma coisa que como modo de sentir, pensar e agir de todos, expresse finalmente a descoberta de um mundo solidário. Como sita Antonio Augusto Arantes: “Fazer arte é construir com cacos e fragmentos de um espelho onde transparece o que há de mais abstrato num grupo humano: sua organização”.

Exemplos de cultura popular e folclore

A cultura popular e o folclore são questões que já foram discutidas, mas para melhor exemplifica-las é preciso voltar às suas definições. Além de serem interdependentes, elas são dotadas de continuidade, ou seja, o que surge como cultura popular do seio de um segmento da sociedade, pode ser transformado em folclore através da tradição, migrar para outro segmento social, receber deste novas características e se transformar novamente em um manifestação de cultura popular. Para exemplificar estes termos e principalmente essa transição, iremos citar alguns grupos de expressão popular de cultura existentes no Brasil.


Folguedos:

Manifestações folclóricas que reúne as seguintes características:

  • Letra: quadras, sextilhas ou outros tipos de versos;
  • Música: melodia e ritmo sustentados por instrumentos musicais;
  • Coreografia: movimentação dos participantes;
  • Temática: enredo da representação teatral.

1 – Folguedos Natalinos  (Reisado, Folia de Reis, Boi de reis ou Reis):

Surgidos na Europa, é a denominação dada aos grupos que dançam e cantam na véspera e dia de Reis para homenagear os três reis magos em sua visita ao menino Deus. Os “reis” seguem espontaneamente ou em grupos, vestidos em indumentárias, que se caracterizam em calça ou saiote, com guarda-peito (uma espécie de colete com vidrilhos, lantejoulas, espelhinhos e fitas coloridas). Eles visitam pessoas conhecidas, podendo ser apenas cantoria e dança, ou pode possuir um enredo ou série de pequenos atos encadeados versos alusivos à data e solicitando alimentos e dinheiro. Essa tradição chegou ao Brasil através dos colonizadores portugueses e até hoje se mantém preservada em algumas regiões do país.

2 – Bumba-meu-boi:

No Brasil, este folguedo teve origem no ciclo econômico do gado, sendo produto da tríplice miscigenação, com influências do escravo (negro), do índio e do português (branco). O enredo deste folguedo apresenta uma série de variantes. Uma delas é narrada como fato acontecido: Caterina ou Catirina, mulher do escravo Pai Francisco, solicita que lhe tragam uma língua de boi, para satisfazer seu desejo de grávida. Pai Francisco, para atender os anseios de sua mulher, rouba um boi de seu patrão, e assim que inicia a matança, é descoberto. Sendo aquele o boi predileto do patrão, toda a fazenda se mobiliza para ressuscitar o animal.

Entram em cena, Pai Francisco, Pajés e Caboclos de pena, que coreograficamente se movimentam no ritmo dos instrumentos musicais, encerram a primeira parte da representação. Entre os vários grupos de bois do Maranhão três se destacam pelo estilo que apresentam:

  • Boi-de-matraca: Distingue-se pela matracas (instrumentos de madeira, com uma ou mais tábuas, que se deslocam, percutindo a própria prancha onde estão presas). Apresenta também como instrumentos pandeiros, maracás e os de percussão.
  • Boi-de-orquestra: É composta por uma “orquestra” em que se destacam os instrumentos de corda, sopro (clarinetas e flautas), bombo, tambor – onça e maracás.
  • Boi-de-zabumba: com tambores de zabumba, maracás e pandeirinhos.

Os três grupos citados acima são reconhecidos como estilos, e também são reconhecidos a distância por seu ritmo e melodia. Há muitos grupos de estilo reconhecidos em São Luís do Maranhão com suas características particulares.

Esse fenômeno folclórico típico do Maranhão tem diferentes denominações espalhando-se por várias partes do Brasil, sendo conhecido em cada lugar de uma maneira:

  • Amazonas: Boi-bumbá
  • Maranhão, Piauí, Ceará: Boi-de-Reis;
  • Rio Grande do Norte: Boi-calemba, Rei-de-boi;
  • Rio de Janeiro e São Paulo: Boizinho;
  • Paraíba e Pernambuco: Bumba, Cavalo-Marinho;
  • Espírito Santo: Bumba-de-Reis;
  • Rio de Janeiro: Folguedo-do-boi, Reis-de-Bois;
  • Alagoas: Três Pedaços;
  • Ceará: Reisado Cearense, Surubi.

No amazonas destacam-se os grupos: Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho) que disputam no Bumbódromo quem faz a melhor representação do folclore.

3 – Guerreiro:

Auto popular do estado de Alagoas. Tem como personagens: Rei, Rainha dos Guerreiros, Rainha da Nação . Mestre e Contra-mestre, Primeiro e Segundo Embaixadores, o Índio Peri, a Lira, General, Sereia, dois palhaços, dois Mateus, damas, guerreiros: no total de 45 participantes. Consistia em dois grupos de guerreiros, que se exibiam sucessivamente com chapéus imitando catedrais, coroas, tiaras, mitras, enfeitados com espelhos, alfajôres, miçangas, fitas prateadas, num conjunto policolor e sugestivo. A coreografia era pobre, e os instrumentos consistiam em apenas sanfonas (uma para cada grupo) e pandeiros. Uma seqüência de cantigas dançadas, denominadas peças, intercaladas por marchas (danças não cantadas) e representações (entremeios e partes) constitui o auto, que se inicia e termina com cantigas e danças características dos grupos de Reisado.

4 – Folguedos Carnavalescos:

  • Samba de Matuto: a letra das melodias faz referência a santos católicos, a espíritos das religiões afro-brasileiras e a cenas do cotidiano, com nítida identificação com os terreiros de xangô. No início de cada apresentação o Mestre acende “três pontos” (velas) aos orixás, para o bom andamento do folguedo. É bastante freqüente no período carnavalesco, em cidades litorâneas de Alagoas, ou no bairro do Poço, em Maceió.
  • Negras de Costas: grupos formados por homens vestidos com trajes convencionais de baianas, que dançam ao som de ganzás e reco-recos. Adaptação alagoana dos Maracatus pernambucanos, sem ligação com religiões afro-brasileiras.
  • Cabinda ou Cambinda: grupos de dançadores negros que se divertiam no Recife em préstito, até a porta da Matriz, modificando a seguir seu ritmo e participando dos desfiles de Maracatu. Realizavam, como expressão do desenvolvimento coreográfico e impulsão lúdica, uma embaixada que saudava os santos da Igreja, os grandes da cidade e conquistavam o povo pela melodia, movimentação, depois pela sugestão variada e vistosa de trajes. Seriam estes grupos a velocidade inicial e básica que constitui o maracatu.
  • Afoxé: cortejo carnavalesco integrado por negros que cantam melodias do candomblé em nagô ou iorubá. Em Salvador (BA), existe um grande grupo representante, os Filhos de Gandhi, que apresentam-se sempre de branco e azul por causa das festividades. Afoxé pode ser, também, um dança ritual de origem iorubana, presente nas cerimônias em que são encomendadas as almas dos mortos.
  • Ursos de Carnaval: uma tradicional diversão carnavalesca da qual participam dois foliões: um deles é o urso e o outro é o domador. Às vezes participa também o caçador. O domador se encarrega de recolher o dinheiro entre os assistentes, enquanto o urso devidamente caracterizado, faz as estripulias. Animando o carnaval do Recife, costumam cantar os seguintes versos:

“Viemos da Itália

Não trouxemos roupa

Trouxemos este urso

enrolado na estopa.”

5- Folguedos de festas religiosas:

  • Mané do Rosário: apresenta-se por ocasião da festa de São José, em 19 de março, em Poxim, Alagoas. Surgiu em 1762, durante a construção da Igreja de São José, padroeiro de Poxim; naquele ano apareceu, pela primeira vez, uma dupla de mascarados que brincavam na porta da igreja. Daí em diante, eles apareceram até 1766, quando sumiram. Então, a população resolveu copiar os trejeitos e as danças, e como não conhecia o nome do autor, atribuiu o folguedo a Manoel do Rosário, dançador de Reisados e Maracatus. O grupo constitui-se de homens e mulheres mascarados que dançam e pulam ao som de uma banda de pífanos. São personagens as Moças e os Bobos de Chocalho, estes vestindo terno completo e chapéu de palha de ouricuri e chocalhos presos ã cintura, tendo o rosto pintado com carvão. Dançam ao som de zabumba, que toca o baiano, ritmo que é uma dança lasciva, movimentada, que permite improvisações por ser uma coreografia individual, ao som de canto próprio, com letras, além do acompanhamento de viola e pandeiro. Nos intervalos, tocam as marchas, e ao fim da apresentação, dançam um tango. Os dançadores se apresentam com roupas femininas, cobrem os rosto com fronhas e os braços com meias.
  • Bandos: são grupos mascarados, uns a cavalo, outros a pé, que fazem corridas pelo povoado anunciando com antecedência a festa de Santa Luzia, em Alagoas. O grupo corre e dança ao som do Esquenta-Mulher, conjunto orquestral, de forte origem africana, constituído, até hoje, por negros, que consta de dois ou três pifes (flautas) de taquara, um caixa, e dois zabumbas, e um par de pratos de metal, além das composições típicas, tocam também as músicas em voga; o samba, a marcha, e o frevo, convocando o povo a comparecer à festa.
  • Festa de Nossa Senhora do Rosário: padroeira dos escravos, juntamente com São Benedito, sua festa se realiza no final do mês de novembro, sendo que, em Parati (RJ), é chamada de a festa do Divino dos Pretos. Os festejos têm a presença do rei e da rainha, vestidos a caráter. O início dos festejos é marcado pela missa solene na igreja enfeitada de branco e azul. O mastro ostenta as figuras dos santos padroeiros, que também aparecem na procissão. Crianças vestidas de anjos e de São Benedito, e o povo devoto são acompanhados por uma banda. À noite, é realizada uma quermesse.
  • Dia da Nossa Senhora Aparecida: o dia dedicado à padroeira do Brasil: 12 de outubro é feriado nacional. Centenas de milhares de fiéis chegam de todo o Brasil a Aparecida (SP), nesse dia, para missas, procissão e visita à basílica. É a maior concentração religiosa do país.
  • Nossa Senhora dos Navegantes: é a festa principal dos salineiros e dos marítimos, que prestam sua homenagem em 15 de agosto. Em Manaus, esse dia é precedido por novena, missa e procissão. Com a maré cheia, o rio Açu sobe e os barcos podem atracar em frente a matriz. Nesse momento a imagem da santa deixa a igreja, sendo levada para o barco de honra, enfeitado para a ocasião. Acompanha a procissão canoas, barcaças, barcos à vela ou a motor, ao som da filarm6onica Monsenhor Honório, tradição respeitada com todo o fervor.
  • Santa Rita: padroeira dos pardos libertos de Parati, sua festa é marcada pela presença de devotos que assistem à missa solene em louvor à Santa dos Impossíveis. Fazem parte das comemorações ladainhas, novenas e uma quermesse em torno da igreja.
  • Festa de Santa Cruz: em São Paulo, teve início na aldeia de Carapicuíba, durante a catequese dos índios da região, no século XVIII. Também encontrada em Itapecerica, Embu e Cercado Grande. Durante o período em que a festa se realiza, há missa, novena, procissão, leilão, danças, jogos, barraquinhas. Em frente da igreja e também diante de cada cruz fincada na porta das casas, os participantes cantam a saudação:

“Deus te salve cruz bendita

oda coberta de flor,

Onde Cristo verdadeiro

Padeceu por nosso amor”

Durante a semana toda há festividades variadas, comidas e bebidas. À chegada os cantadores e tocadores são recebidos com gemada e vinho, pois a região é muito fria. No final da festa dança-se a zagaia, e canta-se a despedida.

  • Bom Jesus dos Navegantes: realizada em Salvador, no primeiro dia do ano. A imagem de Cristo, em embarcação ornamentada e acompanhada por centenas de outras, cruza a baía de Todos os Santos.
  • Corpus Christi: dia santo, de celebração do corpo de Cristo, e feriado nacional. Em muitas cidades, ornamentam-se as faixas centrais das ruas com figuras da liturgia católica coloridas, feitas de flores, plantas, folhagens, serragem, pó de café, areia. Diamantina (MG), Florianópolis (SC), Cabo Frio e Petrópolis (RJ), Matão, Ibitinga e São Manoel (SP) destacam-se por ornamentações esmeradas.
  • Festa do Divino: misto de manifestação religiosa e profana, estabelecido em Portugal pela rainha Isabel, no século XIV. Chega dois séculos depois a Parati (RJ), onde se comemora o Boi Divino, com distribuição de comida aos pobres. Conserva as ladainhas, procissões e danças folclóricas portuguesas, como nos festejos originais. Em Alcântara (MA), os participantes representam personagens do Brasil colonial e, pela tradição, o imperador prende alguém antes da festa, acusando-o de provocar desordem. Em vários municípios da Bahia, as comemorações se estendem por dez dias, em fins de maio, com desfecho no domingo de Pentecostes.
  • Festa do Senhor do Bonfim: em Salvador, a lavagem das escadarias da igreja do Senhor do Bonfim, que no sincretismo afro-cristão corresponde a Oxalá, o maior dos orixás, filho de Olorum, ente supremo da mitologia iorubá. A festa se realiza a partir da segunda quinta-feira após o dia de Reis (6 de janeiro) e se prolonga até o domingo.

Carnaval:

Festa popular três dias antes da Quarta-feira de cinzas, dedicados a folias, diversões, folguedos, bailes, fantasias, com características regionais próprias. D Difundido-se por todos os cantos do Brasil, o Carnaval vem sofrendo modificações acentuadas em relação às festas tradicionais.

No século XIX, essas manifestações não passavam de um tímido esboço do que viriam a ser no século seguinte. Na cidade de São Paulo, um Carnaval acanhado começava a percorrer as avenidas, com seus foliões no interior de carros, que faziam o corso, guerras de confete e serpentina. Anos depois começaram a surgir os clubes, com seus bailes de máscaras. No início do século XX, as cantigas com letras maliciosas já insinuavam as críticas sociais que passariam a ser uma constante nas melodias carnavalescas.

CULTURA POPULAR E FOLCLORE

Cantigas e danças se multiplicaram ano a ano, em blocos, ranchos, cordões, marcando o Carnaval do Rio de Janeiro, que tinha como característica principal a presença do Rei Momo que dava caráter oficial ao carnaval carioca. O de São Paulo, que tinham carros com capotas arriadas, enfeitados com pessoas fantasiadas e pintadas de pierrôs, arlequins e melindrosas, fazendo guerras de lança-perfumes e serpentinas, enquanto pessoas sentadas nas calçadas assistiam ao espetáculo. Em Recife surgiram as folias comandadas por marchas-frevos.

O da Bahia, que era constituído por clubes que aderiram a guerra de confetes com participação popular. Um fato marcante do carnaval baiano foi a criação do bloco afro Ilê Ayê, que posteriormente deu origem ao afoxé Filhos de Gandhi. Com a participação de universitários, hoje em dia existe um projeto de preservação da cultura carnavalesca e da história dos carnavais, resgatando traços da influência portuguesa, africana e indígena, tendo como símbolo a índia Catarina Paraguaçu.

Os carnavais atuais perderam totalmente as conotações religiosas-festivas de outrora e se tornaram apenas manifestações populares de alegria, ritmo, música e dança, com características regionais próprias.

CULTURA POPULAR E FOLCLORE


Natal:

Originariamente, é uma festa consagrada ao sol, depois festa pagã; substituída mais tarde pelas comemorações cristãs relacionadas ao nascimento de Jesus. A data foi fixada em 25 de dezembro, no século IV.

No Brasil, o Natal é festa religiosa com manifestações populares que se incluem no ciclo Natalino. A tradição litúrgica de suas representações da Natividade, com seus presépios, árvores de Natal, a reunião festiva em torno da mesa, em que se apresenta uma culinária específica. A herança lusa ainda permanece, com a Missa do Galo, à meia-noite do dia 24 de dezembro.

Além dessas existem outras representações e celebrações em comemoração ao nascimento de Jesus, que variam de acordo a região, e seus adicionais culturais específicos, como no Norte e Nordeste do país, incluem os tradicionais Pastoris, Reisados, Folias de Reis. No sudeste, a tradição que se dá mais importância são os corais e principalmente a ceia das famílias, o Natal atualmente é mais voltado para a doação de presentes e para a confraternização familiar do qu

KLUCKHOHN, Clyde. Antropologia: Um espelho para o homem – Ed. Itatiaia

GUERRA, Peixe. Maracatus de Recife.

Internet:

www.montfort.org.br/veritas/cultura.html

www.pinguela.com.br

www.geocities.com/victorcsf/csnzabril.html

Revista

Revista Bizz

Autor: Thienne Mayrink




Gostou do conteúdo? Receba nossos artigos e materiais, semanalmente, direto no seu email.


Você tem interesse em atividades de língua portuguesa, tudo pronto para você baixar e adaptar?


EU QUERO!

Talvez você se interesse:

Atividades Língua Portuguesa Planos de Aula e Projetos Tabuada Fácil

Comentários

Carregando comentários...