A IMPORTÂNCIA DA LEITURA DOS LIVROS PARADIDÁTICOS NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

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A IMPORTÂNCIA DA LEITURA DOS LIVROS PARADIDÁTICOS NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL


1. INTRODUÇÃO

A reflexão sobre o ensino da Literatura Infantil nos dias de hoje. Neste trabalho Abordamos a importância da leitura dos livros paradidáticos nas séries iniciais do Ensino Fundamental e analisamos o contexto ideológico inserido nos livros didáticos, o contexto ideológico inserido nos livros didáticos, buscando compreende-los como sujeitos ativos da história e valorizando o prazer do conhecimento. O trabalho de leitura possibilita a formação de leitores, com base na introdução de textos diversificados, pois o mundo está em constante mudança. No âmbito escolar, a leitura se caracteriza como uma atividade que afasta o educando do seu mundo, tornando a pratica pedagógica voltada para o ensino e o incentivo da leitura distanciada e ineficaz.

Pois e devido a este contexto que este trabalho surge em decorrência da necessidade de se por em evidencia a prática da leitura dos livros paradidáticos na sala de aula como sugestões aos profissionais da educação para o trabalho com a leitura, com um processo de interação autor x leitor / professor x aluno rumo à construção de leitores competentes. Para isso a leitura deve funcionar como peça fundamental na formação do homem como um ser em constante transformação atuando no meio em que se insere.

Nesse sentido, a preocupação com a leitura não se restringe somente aos professores de português, mas a todos, de todas as áreas, devendo se voltar para a construção de futuros leitores competentes, trabalhando interdesciplinalmente as áreas do conhecimento, estimulando o aluno a ser sujeito do seu próprio aprendizado.

Para isso, é importante que o trabalho com texto literário esteja incorporado às práticas cotidianas das salas de aula, visto tratar-se se uma forma especificada de conhecimento. Nesse contexto, a leitura de histórias, como os contos de fadas, poderia ser uma prática na educação infantil, pois o professor, além de contar, leria as histórias e possibilitaria o seu recontar pelas crianças. Nesse sentido, contar histórias serviria para expressar um ato de linguagem, de representação simbólica do raciocínio para a aquisição de modelos lingüísticos. Daí a importância de os livros paradidáticos entrarem no mundo infantil, com historinhas envolvendo o fantástico, o maravilhoso, o misterioso, pois, á medida que a narrativa vai ganhando vida por meio da ilustração, a criança vai ficando cheia de alegria por saber que as imagens se casam perfeitamente, criando mundo fantástico de onde ela jamais vai querer sair e vai acabar adquirindo fontes de conhecimentos e formações através de leitura.


2. Justificativa

Este trabalho reflete sobre a importância da leitura dos livros paradidáticos nas series iniciais do Ensino Fundamental, sugerindo ações metodológicas que incentivem o gosto pela leitura, já que esta atividade não é um fato em si mesmo e as relações humanas e sociais estão a exigir novas competências no ato de verificar o comportamento do homem x mundos globalizado.

É nesse contexto que apresentamos um panorama do que e a leitura de paradidáticos, vista como uma possibilidade para a construção e exercício da cidadania. Depois abordaremos a formação do leitor, a importância dos livros paradidáticos na descoberta do prazer de ler e a reflexão sobre as questões sociais subjacentes nos livros paradidáticos para a promoção da leitura entre as crianças das series iniciadas. Se levarmos em consideração a pressuposição de que a aprendizagem de leitura, sob as expectativas da descoberta do prazer, e um processo que não se adquire em alguns minutos, mas depende de tempo e que apartir do aprofundamento da leitura que surgem as descobertas, possibilitando a construção do texto do leitor, é que se defende a idéia de que cada livro infantil é um material riquíssimo para aprimorar as qualidades do leitor em formação, pois ele tem a finalidade primária de promover, na criança, o gosto pela beleza da palavra escrita e o prazer perante a concepção de mundos de ficção.

Em seguida, falaremos da função da família e da escola na forma do leitor. O professor, assim como a família, deverá ser um amante da leitura, pois ele é um dos maiores colaboradores no processo de formação do leitor. Ele devera proporcionar aos alunos momentos agradáveis de leitura em salas de aula, procurando criar condições que despertem aos alunos o hábito de ler e a consciência de uma vida melhor como um ser leitor. Contudo, para que um educador seja um colaborador no processo de formação de leitores deverá conhecer o que é leitura e os múltiplos sentidos que ela possui. Todas essas etapas serão objetos desse trabalho.

Para o desenvolvimento deste trabalho, utilizamos como metodologia o levantamento bibliográfico dos teóricos que fundamentaram a prática da leitura dos paradidáticos. A seguir, foram selecionados alguns paradidáticos analisados durante a execução deste trabalho.

Como estender a todos os indivíduos de uma comunidade letrada, a possibilidade de desenvolver de forma satisfatória um domínio de leitura? Para que se lê? O que deve fazer, em classe, o professor de series iniciais? Qual a importância da leitura para aquisição do conhecimento? Quando lemos um texto impresso em um livro, o que é que lemos? As palavras? As palavras e as imagens que a acompanha? As palavras, as imagens e a forma como o texto esta distribuído pelas páginas? Podemos ler apenas as imagens? Apenas o texto? Como o professor vem trabalhando a leitura nas suas salas de aula? Questionamentos nos levaram a escolher este tema imprescindível a quem abarca a carreira do magistério, e que nos motivou a produzir este trabalho com a finalidade de trabalharmos a leitura dos paradidáticos na Educação Infantil para quebrar o tradicionalismo nas escolas do município de Buriticupu.


3. O que é Leitura

No estudo de texto, o primeiro passo a ser dado, após a definição do texto, é a leitura. Todo e qualquer texto para ser bem interpretado pede mais de uma leitura. Esse primeiro contato com o texto é de fundamental importância, pois dele depende a motivação para o estudo. A motivação para a leitura tem sido discutida por professores e lingüistas incansavelmente. Alguns consideram a leitura silenciosa como uma obrigação, no primeiro momento; outros passam para o professor essa responsabilidade, visto que uma leitura expressiva motivaria os alunos a uma leitura mais eficiente. Nem uma nem outra corrente parece ter razão suficiente, pois a leitura, que é realizada pelo professor em sala de aula, que é feita individualmente, está sujeita às circunstâncias e às motivações do momento.

No entanto, seja qual for a situação, a primeira leitura é um momento de descoberta e, conseqüentemente, o momento desencadeador das motivações subseqüentes para novas descobertas do texto. Por isso não se deve pedir ao leitor uma visão maior do texto ao final da primeira leitura, mas uma idéia geral que deverá ser aprofundada com outras recorrências ao texto.

A definição da espécie de leitura tem outro determinante: o seu objetivo. – Para que se lê?

Se a leitura visa ao prazer estético, ou ao prazer lúdico, provavelmente o leitor ficará satisfeito com uma única leitura; se, no entanto, o leitor busca conhecimento especifico, o texto terá que ser estudado outras e outras vezes, até que este leitor se aproprie das idéias contidas no texto.

A língua é um veículo de comunicação que nos possibilita estar em contato com o mundo, por isso se faz necessário conhecê-la de modo particular, através do ato de ler para que possamos alcançar os resultados dos aspectos concretos do texto que resultam da leitura.

O prazer que descobrimos com a leitura leva-nos a experimentar diversas sensações, ricas, inimagináveis e até mesmo essenciais à vida humana. Pelos diversos textos penetramos no inconsciente da nossa razão desvendando mistérios, medo angustia traumas que nos cercam. È na leitura que está à chave que abre as portas rumo à ampliação da visão do conhecimento de mundo e à formação de um pensamento critico. Como destaca SILVA (1990, p.32), “[…] A leitura, enquanto um elemento fundamental do processo de ensino é, também sem dúvida, um poderoso meio para a compreensão e transformação da realidade.”.

O ato de ler oferece a possibilidade de uma livre participação social do homem na sociedade, transcendendo de forma reflexiva, crescendo progressivamente e ampliando o seu entendimento das coisas que o cercam. Nesse aspecto, a leitura representa um instrumento de grande poder nas mãos daqueles que a detêm.

Numa sociedade letrada, cabe à escola o papel de ensinar a criança a ler e escrever com competência, formando cidadãos conscientes e críticos. Deve-se tornar tão somente um pólo cultural na qual o conhecimento sistematizado possa ser adquirido pela sociedade e deve estar vinculado à realidade, proporcionando ao individuo um leque de possibilidades de atuação no mundo em que vive.

“Ler, portanto, significa colher conhecimentos e o conhecimento é sempre um ato criador, pois me obriga a redimensionar o que já está estabelecido, introduzindo meu mundo em novas series de relações e em um novo modo de perceber a quem me cerca. Quando leio sou, pois, criadora, uma transformadora de ordem, Sempre. E não existe revolução maior de que se opera em todo ato de fala ou de leitura”.

Com a leitura, o homem adquire conhecimentos e obtém vantagens pessoais. Ela e o veiculo de estudo e do saber, a verdadeira chave do êxito. Através da leitura, aprendemos a inculcar valores e incutir o bom gosto; aprende-se também a viver e a triunfar na luta pela sobrevivência. Conforme nos relata VARGAS (1993.p 12):

Hoje, com os Parâmetros Curriculares Nacionais, temos a proposta do currículo para a prática da leitura como o exercício de tudo o que se lê um rol de textos, recados, bulas de remédios, avisos, manuais de instruções, receitas culinárias, faixas, textos informativos científicos, religiosos, filosóficos etc. Nesse panorama, os parâmetros sugerem que é importante o leitor conhecer os diferentes gêneros e os diversos tipos de textos que circulam na sociedade.

Nela, a leitura tem sido instrumento de grande importância, pois durante nosso dia-a-dia interagimos freqüentemente com os textos escritos cujas leituras são condições para obtenção de informações relevantes.

Em um contexto ainda maior, a leitura possui um poder conscientizado, uma vez que deve ser entendida não como mera atitude passiva, mas como uma construção ativa, tornado-se um instrumento de transformação social. Assim sendo, têm-se motivos de sobra para acreditar que a escola não deve abrir mão da prática da leitura em sala de aula. Conforme observam BRANDÃO & MACHELETTI (1997, p.22):

“A leitura como atividade de linguagem é uma prática social de alcance político. Ao promover a interação entre indivíduos.

A leitura, compreendida não só como leitura da palavra. Mas também como leitura do mundo, deve ser atividade constituída de sujeitos capazes de interagir com o mundo, e nele atuar como cidadãos…A leitura como exercício de cidadania exige um leitor privilegiado, de aguçada criticidade… Cabe à escola o desafio da formação desse leitor.”

Deste modo, pode-se entender leitura também como algo bastante amplo que é o que chamamos de leitura de mundo.

Uma criança, por exemplo, que vê bons filmes, desenhos animados, lê livros, participa de atividades variadas, que canta, dramatiza, enfim que utiliza as várias linguagens, amplia seus horizontes, sua visão. Quanto mais experiências ela tem, mais ela amplia sua leitura de mundo. Portanto mais importante do que ensinar vogais, e alfabetos nas classes iniciais do Ensino Fundamental são expor os alunos ao contato com a língua escrita com a com diferente tipos de linguagens, pois é a partir daí que ele aumentará sua compreensão, poderá fazer múltiplas leituras do mundo que o cerca como diz FREIRE (1986, p.22): “[…] a leitura do mundo precede a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele’’. Na visão do ilustre educador, antes de ler a palavra, a criança já lia o mundo através de gestos, olhares, expressões faciais, do tato, do cheiro etc. Uma boa leitura de mundo abre um espaço enorme pra que a leitura da palavra seja um processo natural, isso se forem dados à criança oportunidades de diálogo num procedimento interativo onde ela poderá ampliar e transformar suas idéias, sendo também capaz de compreender a realidade.

Como toda leitura é uma construção de sentidos, as crianças procuram construir sentido para o mundo que as rodeiam, e assim passam a perceber relações de afeto, manifestar preferências e rejeições. Neste sentido, antes de se tornar leitor de palavras, a criança já vivenciou diversas leituras de mundo.

Deve-se ressaltar também que toda leitura deve ser feita de forma critica. Ao leitor e cidadão critico compete não apenas compreender, mas refletir e idealizar uma realidade diferente, no sentido de transformá-la. Pois um cidadão consciente não procura em um texto apenas a sua decodificação, mas procura através da leitura critica construir seu próprio texto. A perspectiva é que o educando seja capaz de construir a sua leitura e não apenas confirmar a leitura do professor, porque a leitura do aluno é a manifestação de sua leitura de mundo e de sua leitura de vida. Como se vê, a leitura critica e geradora de expressões.

Ler é realmente fascinante, é desvendar segredos, é estimular pensamentos, é transformar idéias, por isso, não se deve esquecer que a leitura não é uma pratica neutra, pois entre o leitor e texto estão envolvidos questões culturais, políticas, históricas e sociais, como afirma ORLANDI (1988, p.11):

“Isso mostra como a leitura pode ser um processo bastante complexo e envolve muito mais a habilidades que se resolvem no que imediatismo da ação de ler. “Saber ler é saber o que o texto diz e o que não diz.”

Portanto, cabe aos professores maiores interesse em formar leitores pensantes e não apenas decodificadores. No entanto, o aprendizado da leitura ainda e um grande desafio para muitos educadores que precisam de respostas para tantas indagações referentes à formação de leitores, assunto que trabalharemos a seguir.


4. A formação do leitor

Constantemente os educadores envolvidos no ensino de leitura são confrontados pelas seguintes indagações: Como formar leitores? Como estimular na criança o gosto e o hábito de ler?

Essas questões são importantíssimas e estão intimamente ligadas aos problemas enfrentados por todos os envolvidos na formação de leitores nas primeiras series do Ensino Fundamental. Quando temos respostas claras a elas, a tarefa de tornar possível o aprendizado da leitura fica muito mais fácil e adequada. No entanto, encontrar resposta tornar-se difícil se não uma reflexão prévia sobre outras duas perguntas: Como formar leitores? Para que os formamos? Conseqüentemente para se compreender como formar leitores é necessário saber que tipo de leitores pretende-se formar e com que finalidade.

Para se ter respostas a tantas questões acerca do ensino de leitura, e necessário saber que essas questões não são tão atuais. Deve-se, Portanto discutir o que outros educadores fizeram em outros momentos da história do ensino da leitura, para que não se cometa os mesmos erros do passado, levando ao fracasso a tentativa de formar cidadãos leitores.

Percebe-se então que em outros tempos as coisas se deram de modo diferente, que não se compreendiam a formação de leitores do mesmo modo que entendemos hoje. Que eram atribuídas finalidades diferentes daquelas que hoje atribuem a pratica da leitura. Quando um educador adota certo praticas e metodologias para ensinar leitura, poderá estar dando continuidade a antigas concepções e formação de leitores, com as quais muitas vezes ele mesmo não concorda.

Busca-se aqui colocar em foco essa pratica antiga de ensino da leitura para então chegar ao momento atual. Acredita-se que, refletindo sobre o nosso passado, é possível dar àqueles envolvidos no ensino da leitura, uma oportunidade para refletir sobre nosso presente e futuro, levando-os a se questionarem como formar leitores nos dias de hoje, e para que os formem.

O alvo das preocupações docentes é o produto da leitura e como estão sendo trabalhadas as suas estratégias. As pesquisas e os estudos têm-se voltado para a focalização desse processo.

As estratégias de leitura, em algumas escolas, estão sendo deixadas em segundo plano, por serem tratadas como uma espécie de enigma. O numero de alunos que lêem sem saber o que estão lendo é considerável dentro das instituições educativas. Isto porque a leitura torna-se extremamente essencial ao desenvolvimento social do homem, primando para sua liberdade de ir e vir. Ela é o alicerce da própria formação para a cidadania. É a base para aquisição de outros conhecimentos, de novas conquistas e saberes exigidos pelo mundo globalizado.

Tantas mudanças cientificam e tecnológicas conduzem para necessidade de poder desenvolver-se e a partir daí, desenvolver a competência de aprender a aprender, adequando os métodos de ensino a essa necessidade, garantindo assim, uma auto-aprendizagem, para uma educação permanente e contínua.

A escola, por outro lado, deve ajudar o desenvolvimento das atitudes relativas aos múltiplos saberes. Estimulando o estudante a aguçar o seu espírito critico, ensinando-lhe o respeito pelas diferenças das coisas, idéias, culturas, histórias e, principalmente o respeito às potencialidades originais de cada um.

O Grande objetivo da escola é a formação do homem. Contribuir seguramente com a tarefa da construção da personalidade humana devendo assumir o papel de revalorização do saber. Para isso, necessita dispor de meios que sejam eficazes para a eficácia dos objetivos: a aprendizagem. Garantindo os todos a democratização da verdadeira educação.

A Formação do professor é um dos passos seguidos como forma de transformar a escola em novo espaço, aberto para a construção do individuo com disposição, coragem, dedicação, preparo pedagógico e, sobretudo, amor. Sim amor pelos livros, alunos, escola, por aquilo que faz diariamente na sua profissão docente. E desta forma ele estará garantindo um resultado satisfatório nesse jogo de descobertas.

Formar leitores competentes não é mais um sonho impossível de se concretizar. Muito pelo contrario, ele esta cada dia, mas real; motivar o prazer pela leitura não é uma das tarefas mais fáceis, contudo, é uma das muitas gratificantes que podem existir, através dela compartilhamos de um clima de cumplicidade com aluno <-> texto<-> professor <-> aluno.

O Professor e um dos principais agentes de mudanças nesse processo de leitura. Ele deve assumir o desafio trazendo à tona sempre novas propostas de ação pedagógica, amparando-se, por exemplo, nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de acordo com as necessidades dos estudantes de sua escola.

Nos tempos recentes, observa-se a escolarização da literatura infantil e o incentivo a uma dinamização do ato de ler, através da diversidade dos modos de leitura e dos gêneros dos textos infantis.

Hoje a formação de leitores é vista como ato de desenvolver um sujeito apto a ler, compreender, criticar e participar da construção de um mundo melhor. Formar um leitor é formar um co-participante do texto. No tocante à cumplicidade entre professor e aluno, no processo educativo, afirma FOUCAMBERT (1994):

“O ato educativo fundamental é aquele que estabelece, entre o professor e seus alunos, a busca conjunta de uma situação que favoreça o avanço da produção de conhecimento para todos’’.

Vê-se, portanto, que a formação de leitores é resultado da união de todos os interessados na educação. FOUCAMBERT (1994) afirma também que toda a atuação para a formação do leitor inicia-se e é constantemente acompanhada por um conjunto de informações sobre a natureza da leitura e o que a ela esta relacionada. Ninguém se torna leitor sem querer, mas somente através de um processo voluntário, amparado por diversas tomadas de consciência sobre as condutas de leitura e a importância dessa leitura para a vida de cada um.

A formação do leitor tem viabilidade a partir de um processo de caráter libertador onde o educando é conscientizado sobre o material escrito sendo que este material deve ser do seu agrado e fácil à sua compreensão. Levando-se em consideração para se formar um leitor, deve-se motivar neste o gosto pelo material escrito, para que o ato de ler seja uma pratica prazerosa, como afirma CLEIMAN (1993 p 116):

“Nenhum individuo gosta de fazer aquilo que é difícil demais nem aquilo do qual não se consegue extrair o sentido (…)

Assim, é a leitura para a maioria dos alunos. Uma atividade “Maçante, cansativa, travando o caminho ate o prazer”.

Ensinar a ler implica também ensinar o alfabetizando a fazer uso de suas hipóteses com relação ao texto e formula o seu próprio texto. Não deve jamais ser um ato obrigatório que de certa forma aprisiona, pois o próprio ato de aprender a ler deve ser visto como um caminho aberto para a liberdade, caminho este será trilhado mais facilmente pela criança quando ela possui um estimulo familiar que lhe mostre os benefícios do ato de ler.

A escola atual não deve esquecer de sua função principal que e a de formar cidadãos conscientes, por isso, o correto seria que ela fosse o ambiente onde se aprende a ler e a escrever, formando o leitor critico capaz de buscar em um texto os múltiplos sentidos que ele possui. O ideal seria que a escola fosse o espaço privilegiado da construção de leitores críticos e abertos às varias possibilidades de sentido existentes em um discurso.

A Formação de um leitor competente é também a formação de um ser sensível, inteligente e aberto para aprendizado constante que tem como forte ponto de sustentação o espaço escolar.

No momento em que a escola passa a ser um ambiente favorável ao ato de ler, a tarefa de formar aluno / leitor se torna mais fácil. Portanto, é de suma importância que as instituições de ensino tenham uma infra-estrutura adequada no sentido de promover a leitura entre as crianças.

Grande parte dos estudantes, das classes sociais mais baixas, só consegue entrar em contato com materiais de leitura, quando freqüentam a escola. Mais infelizmente muitas instituições de ensino não têm funcionado como ponte de ligação entre o aluno e o livro, pois algumas não possuem livros e nem um espaço para que os estudantes possam ler entusiasmar-se, alegrar-se no contato com um livro que seja.

4.1 A leitura na família

Não é tarefa fácil despertar na criança o interesse pela leitura, pelo fato de ser um processo lento e que exige dedicação e participação não apenas da escola e do professor, mas também da família.

Para que o ato de ler seja uma pratica agradável e costumeira na vida de cada individuo, ela precisa ser incentivada, e os primeiros responsáveis no processo de iniciação do leitor devem ser os pais, pois é com eles que a criança começa a ter contato com o mundo da palavra, através das cantigas de ninar e das historias infantis que a ela são contadas, como afirma SANDRONE & MACHADO (1983, p. 12).

“Ao Conversar com os filhos, os pais estarão preparando para explorar verbalmente o mundo ao seu redor. O som das palavras é muito importante: as cantigas de ninar, as rimas antigas, as brincadeiras de ‘dedo mindinho, seu vizinho,’ o ritmo e a melodia das frases ajudam o bebê a identificar ou perceber significados, e a expressar-se usando o mesmo código.”

Não se pode pensar em formar leitores desvinculando a pratica da leitura da vida cotidiana da criança. Disso extrai-se a importância da família na vida de todo leitor. É em casa, com a família, que a criança aprende a gostar de ler acompanhando exemplos dados pelos pais. Deste modo, se no seio familiar existem livros e um ambiente de leitura, a criança terá maiores condições de se tornar um leitor, pois é no contato com o livro que descobrirá um mundo novo que é impulsionado a desvendar. Segundo afirma SANDRONE & MACHADO (1993 p 11):

“[…] A criança percebe, desde cedo, que o livro é uma coisa boa, que dar prazer”.

A família jamais deverá se descuidar da educação de seus filhos, nem repassar exclusivamente para a escola a tarefa do estimulo à leitura, pois a criança aprende com o exemplo dos pais.

O interesse pela leitura e algo que se adquire, sendo assim, é importante que os pais leiam livros de literatura infantil a seus filhos quando estes ainda não são alfabetizados, dessa forma ajudarão a criança a descobrir a imensa riqueza que os livros têm a oferecer. É conveniente então que o livro entre para a vida da criança antes da idade escolar e passe a fazer parte de seus brinquedos e atividades cotidianas.

A criança que cresce em um ambiente cercado por historias, contos de fadas e canções de ninar esta, de certa forma, sendo estimulada a manter contatos com os livros no decorrer de sua vida.

Na medida em que a família toma consciência de sua importância na formação do leitor os problemas na pratica da leitura serão em parte solucionados. Pois quando a criança, na presença, da família, começar a ter seus primeiros contatos com o livro, ela passará a amá-lo, coisa essencial para que se adquira o habito de ler.

Mas infelizmente a maioria das famílias não aprecia o habito da leitura, isto ocorre devido a vários motivos tais como: problemas sócio-econômicos, disponibilidade de tempo e até mesmo uma má conscientização sobre a importância da leitura na vida de todo ser humano.

O ideal seria que os pais buscassem juntamente com os filhos oportunidades de contato com os textos literários e outros materiais de leitura, deste modo estariam contribuindo e fazendo o seu papel na boa formação do leitor critico e consciente de sua realidade.

O fato dos pais contar historias infantis aos seus filhos tem despertado neste o interesse e a sensibilidade, contribuindo para a formação do seu pensamento e da aptidão literária. Pois, escutar historia é uma das primeiras experiências literárias que certamente levará a competência lingüística, condição previa para desenvolvimento posterior.

Os livros, nesse momento, passam a fazer parte de um mundo muito especial, onde a fantasia se apresenta de maneiras diversas e fascinantes, por meio de palavras e desenhos. Olhando as figuras de uma revista, jornal ou livros, as crianças começam a reconhecer coisas familiares e a tentar se expressar verbalmente. É preciso, então, que ela tenha acesso a figuras simples e coloridas, de objetos conhecidos que ela identifique mesmo sem saber o nome, apresentada em paginas brilhantes, cores fortes e desenhos bem feitos. Por muito tempo ela desejará olhar aquelas figuras que falam dela e do seu mundo. Ela começa a curtir os livros. Estes, freqüentemente, são amassados ou rasgados. A criança deve ser ensinada a ter cuidado com os livros, sem que eles sejam tirados do seu alcance. É importante que ela possa manusear e ter um contato íntimo com o objetivo do seu interesse.

Muitas vezes os pais deixam de aproveitar momentos de alegria e prazer de ver os filhos crescerem por dentro, simplesmente porque acham que eles ainda não entendem… Surpreendem-se com as palavras novas que aparecem em seus vocabulários, a cada novo dia. Esta também e a hora de aparecerem os livros, impressos ou feitos em casa, pela própria criança, ou pelas crianças mais velhas da família. Livros para colorir, os quais ela possa retomar sempre, conversando, ouvindo e repetindo, estabelecendo relações, álbuns de figurinhas e assim por diante.

É função dos pais auxiliarem os filhos, ainda não leitores, a escolher um objeto portador de texto que pode ser um livro, uma revista em quadrinhos etc. Este será um momento de ajudá-lo a relacionar textos. De conhecer personagens e de comparar a fantasia com a realidade. Os livros, além de auxiliarem na aprendizagem do mundo, são capazes de aperfeiçoar o gosto do leitor. Formar o gosto do leitor e possibilitar escolhas são coisas fundamentais na vida adulta. A maioria dos leitores adultos tem na lembrança historinhas que aprenderam com os pais na infância, isto prova a importância da leitura infantil para a formação de todo leitor.

Quando a criança escuta um conto a sua mente está a produzir outro isto vem fortalecer a idéia de que, por um lado a narrativa oral atua como veiculo de emoções e, por outro lado inicia a criança na palavra, no ritmo, nos símbolos e na memória, despertando a sensibilidade e o gosto pelo material escrito.

Desta forma a família estará participando da educação de seus filhos e contribuindo para sua formação como leitora.

4.2 A leitura na escola

As questões relativas à leitura e aos gestos de ler vêm sendo muito discutidas, já há mais de duas décadas.

O ato de ler antes restrito à ambientes fechados, hoje acontece em todos os lugares. Lê-se em casa, mas lêem-se também nos bancos das praças, nas ruas, no ônibus, no metro, nos aviões etc. E alem de textos nas mãos, o individuo recebe outras mensagens escritas: placas, avisos luminosos, outdoors.

Nos últimos dois séculos, a leitura passou a estar indissociavelmente ligada à escrita. E a história de vida do homem, na era moderna e contemporânea, é toda ela pontuada por documentos escritos.

São muitos os gestos de leitura e diferentes os textos que circulam nas instruções e grupos sociais. Obras teóricas, menos e mais complexas, juntam-se em estantes de residências e até em bibliotecas escolares, a manuais didáticos. Textos literários refinados acabam convivendo com escritos voltados ao puro entretenimento. Versões simplificadas de obras clássicas dividem o mesmo espaço com os originais que lhe deram vida. Além de revistas, quadrinhos e jornais, os textos que aparecem na mídia eletrônica estreitam mais seus laços com os produtos “tradicionais”.

Diante de tal visão caleidoscópica, é preciso administrar diferenças e proceder as escolhas cuidadosas para orientar as múltiplas leituras possíveis.

É função primordial de a escola ensinar a ler. É função essencial de a escola ampliar o domínio dos níveis de leitura e escrita e orientar a escolha das matérias de leitura. Cabe formalmente à escolha desenvolver as relações entre leitura e individuo, em todas as suas interfases.

A escola pode e deve trabalhar, desde as séries iniciais, com textos de diversas naturezas, com textos que surjam do cruzamento de linguagens variadas e, evidentemente com os textos dos livros paradidáticos que criam à possibilidade de o individuo explorar dimensões não usuais do imaginário coletivo e pessoal. Crianças de series iniciais, podem ir desenvolvendo, desde cedo, seus gestos de leitura, gestos que não se separam nessa fase. E tal trabalho só irá ocorrer se houver participação e presença continua do professor, que deverá atuar também como um mediador, para que a leitura se desenvolva com todo o vigor entre os pequenos?

O professor tem que ser, antes de tudo, um leitor. Um professor que não leia, jamais trabalhará com a leitura. Ele precisa ler muito, gostar de ler e fazer com que os pequenos leiam, precisa ler para eles, ler com eles e saber ouvir a leitura, ainda tímida e descompassada, que seus alunos fazem do texto lido. É tarefa de o professor selecionar os textos nas séries iniciais, textos de boa qualidade, não importando a diversidade de suas naturezas. Textos ficcionais e poemas devem ser de teor narrativo, quando se trabalha com crianças de séries iniciais. Até mais ou menos a idade de quatro anos, a criança ainda não é capaz de ler os textos, mas faz uma leitura de imagem muito bem. As crianças gostam de contar fatos, acontecimentos, histórias, mas que estejam centrados na sua própria vida, nas suas experiências pessoais do dia a dia. A partir de 5-7 anos, os pequenos já podem trabalhar em interação com os colegas da classe. O trabalho de construção coletiva de um texto ajuda os alunos de séries iniciais a interagir, realizando ações de pensamento cada vez mais complexas. O papel do grupo, na formação de uma história, é justamente o de ampliar os níveis e os limites da competência narrativa, já que para narrar é preciso que os grupos organizem os dados em uma determinada ordem, que recuperem ações passadas e antecipem algumas outras futuras. E nesse caso, as noções de espaço e tempo precisam ir se desenvolvendo e se compondo pouca há pouco.

Em séries iniciais, o professor deve trabalhar com textos predominantemente narrativos e analise das ilustrações que acompanham uma história é fundamental para o estudo do texto. O professor deve ir descobrindo, juntamente com as crianças, aquelas áreas onde se dão os cruzamentos entre texto e ilustração, bem como deve levá-los a reconhecer os distanciamentos e oposições que existem entre essas duas dimensões.

Quando as crianças passam a conviver no espaço escolar, aprendem muitas coisas. De algumas, já ouviram falar muito antes de entrarem na escola, outras, vão conhecerem ao freqüentar as aulas, através das tarefas escolares planejadas e organizadas pelo professor. São muitos e variados os conteúdos com os quais a criança de defronta no dia a dia da escola e são muitas as formas que encontram para se relacionar com eles. A mais usual na didática das disciplinas escolares é o uso de livros para apoiar as atividades planejadas pelo professor. Os livros didáticos e paradidáticos funcionam como suporte para a estruturação das atividades de classe.

No entanto, quando abrimos os livros que chegam às salas de aula, quando olhamos os paradidáticos, vemos que eles são portadores de muito mais do que apenas textos escritos. Vemos desenhos, fotografias páginas impressas com tipos e tamanhos diversos de letras, cores variadas, o que nos indica que as crianças precisam aprender a ler esses outros portadores e significados.

Embora hoje em dia pesquisadores e professores reconheçam na leitura seu papel do instrumento fundamental de aprendizagem, sabe-se que é raro que desse aprendizado os alunos venham a descobrir o prazer de ler. No entanto num enfoque amplo do ensino da leitura, o ensinar a ler para aprender deve ir acompanhado do ensinar a ler para ler. É importante que os alunos aprendam que a leitura dos paradidáticos também é um instrumento para o ócio e diversão, uma ferramenta lúdica que nos permite explorar mundos diferentes dos nossos, reais ou imaginários, que nos aproxima de outras pessoas e de suas idéias, que nos converte em exploradores de um universo que construímos com nossa imaginação.

Em todos os níveis de escolaridade deve haver tempo e espaço programado para ler por ler, ler para si mesmo, sem outra finalidade que a de sentir o prazer de ler. Fomentar o prazer da leitura não e algo independente de ensinar a ler. Ser capaz de ler e também saber caminhar pela trilhas imaginarias dos paradidáticos, das bibliotecas do mundo inteiro, é conhecer as afinidades entre estilos e escritores, e principalmente ter informações acerca das obras e, dos contos e seus autores. E para garantir a qualidade da aprendizagem de leitura, os professores devem garantir que os alunos se sintam motivados para aprender, já que aprender requer esforço pessoal. Para aprender a ler as crianças precisam ver a leitura como algo interessante, que os desafia, porém que poderão alcançar com ajuda do professor. Os alunos devem dar-se conta que a leitura dos paradidáticos é interessante e divertida, e que esse aprendizado lhes permitirá serem mais autônomos, também se deve perceber como pessoas competentes que, com ajuda e recursos necessários, poderão ter êxito. E, nesse sentido, o trabalho deve contemplar o conjunto bastante amplo de estratégias complementares que os alunos utilizam em sua aproximação à leitura.

4.3 O papel do professor na formação do leitor

A aprendizagem, salvo algumas, é vista como ação que reúne a necessidade de paciência e em alguns casos de submissão. Entretanto, o professor na estar persuadido da precisão e da importância do seu papel como mediador neste processo de aprendizagem.

Logo o que temos em mente é que todo professor comprometido com a função pedagógica deve ter meta principal o exercício competente dessa função que lhe cabe. Torna-se extremamente necessário que o educador faça um grande esforço para alcançá-la.

Atualmente, a formação dos professores ganhou um novo perfil. O professor-informador e aluno-ouvinte foram substituídos pelo professor-animador e aluno-pesquisador e esta mudança exige do professor um novo posicionamento frente ao exercício de sua profissão, com uso de novos instrumentos sem, no entanto esquecer-se de que:

“A principal ferramenta de trabalho do professor é a sua pessoa, sua cultura, a relação que instaura com os alunos, individual ou coletivamente. Mesmo que a formação esteja centrada nos saberes, na didática, na gestão de classe e nas tecnologias; não Se deve esquecer da pessoa do professor “(PERRENOUD, 2002, p.49).

O que diferencia a prática docente são a criatividade e motivação por parte desses profissionais. É fundamental que isto ocorra, pois se poderia minorar a evasão, a inadaptação infantil na escola, entre outras mazelas que contribuem para a ineficácia da educação no Brasil.

São inúmeros os profissionais de educação que convivem da relação absoluta ensino/ aprendizagem, tornaram-se elementos do passado, porque acreditam que a nova geração. Repete o anterior. Mas, enganam-se, as novas gerações superam cada vez mais a outra.

A escola, por sua vez, não está isolada do mundo, devendo estar aberto ao universo que o cerca para a sociedade exigente. Proporcionando a clientela a promoção da interação das funções sociais e fornecendo subsidio aos profissionais com motivação material moral. Exigindo dos nossos educadores, competência e determinação para que possa estabelecer com méritos o processo ensino / aprendizagem.

Dessa forma, a leitura exerce funções primordiais, oferecendo aumento das capacidades criativas na formação de futuros leitores competentes.

Com isso, faz-se iminente o surgimento de um leitor critico e, de certa forma, novas posturas pedagógicas de transformação de professor que vive na busca incansável da construção do seu próprio conhecimento.

A idéia de ensino será substituída por uma alto-aprendizagem, com o professor criando situações animadoras de modo a despertar interesse do aluno. Fazer com que, por exemplo, uma “simples” aula de leitura, se torne uma inesquecível viagem a novas e fantásticas descobertas.

“Interesse discente passa a ser vital para existência do professor.

É o aluno, pois, quem oferece continuidade e vitalidade ao lugar do docente. Sim, parece não restar prazer no lugar docente, tornando um deserto sem a materialidade da presença do aluno.

E inúmeros são as referencias a este abandono operado pelo aluno em quaisquer etapa contexto escolar” ( PERRENOUD, 2002, p.135).

Professor e aluno estão intimamente ligados. Um não consegue realizar-se sem o outro. Estabelecem uma interação muitas vezes, compartilhada de muito afeto, amizade e companheirismo. Estar família é tão precípuo para o desenvolvimento de uma aula, dos textos escolhidos para leitura, para formação das habilidades que o educador poderá apartir de então, desenvolver.

No caso da leitura, o professor é responsável pela sua função e formação de leitores ativos. O primeiro passo deve ser de trabalho com textos significativos, assim os alunos poderão relacioná-los às suas realidades, futuras e com o seu próprio cotidiano. São dados assim, condições para que esses aprendizes possam lidar com o texto, interpretando-o trocando sugestões, assumindo e debatendo frente aos fatos narrados. Criando um universo de situações diferentes daquelas que estão escondidas nas entrelinhas do texto original.

“As mais elementares tarefas da vida cotidiana exigem o recurso ao escritor, tomar o ônibus. Fazer compras em um supermercado, procurar uma rua na cidade, cozer alimentos, telefonar, utilizar em casa um micro computador, tudo isso requer atividades de leitura”.

O educador ao manejar esses textos, deve ter consciência de que a leitura esta viva no dia-a-dia do aluno: em casa com os pais, na escola, na rua, nas brincadeiras, na televisão, no entretenimento, nos gestos, nos acontecimentos, nas paisagens, no sorriso, enfim na maneira em que é concedido a cada um, dentro do seu próprio mundo, como observa CHARMEUX (2000, p.34):

O corpo docente necessita entender que a leitura não é um ato passivo, mecânico, ela estar sempre interagindo com o mundo e com o homem. Caso contrário, o texto seria apenas um produto acabado e não um ato de interação que assim dispomos: AUTOR <->LEITOR <-> TEXTO<-> LEITOR<-> MUNDO.

A palavra chave é motivação. Dar vitalidade as aulas de leitura, estimula sempre o gosto por esta atividade tão beneficente na vida do homem, “por ordem em casa”, ter participação ativa e dinâmica na sala de aula, contribuir para o desenvolvimento integral do educador, valorizando e respeitando as potencialidades de cada aluno. Ser um incentivador, ser artista, ser poeta, ser psicólogo ou terapeuta, ser um pouco de pai ou mãe, ser amigo, ser um mestre, este é o perfil do professor formador leitor.


5. A Importância dos livros paradidáticos na descoberta do prazer do ler

A importância dos livros paradidáticos na vida de uma criança que inicia sua formação como leitora é inegável, pois é durante a infância que se têm os primeiros contatos com os materiais escritos, e quando esses materiais estão ao alcance da compreensão da criança, eles terá motivos a mais para gostar de leitura.

Portanto a opção pelo livro infantil como material didático a ser usado no processo de formação do leitor deu-se pelo fato de termos verificado, durante poucos anos com docente na rede de ensino municipal, que o material usado pelo professor no ensino e pratica da leitura nas primeiras series do Ensino Fundamental é basicamente o livro didático.

Tal observação nos permitiu concluir que o trabalho realizado na escola, numa perspectiva tradicional, em nada tem despertado o gosto pela leitura, pelo o fato de ser uma atividade obrigatória, contribuindo muito pouco para o desenvolvimento do aluno como cidadão-leitor. Além de despertar o prazer da leitura enquanto prazer de descoberta, o trabalho se reveste de um caráter nefasto de cobranças, impedindo que o aluno veja a leitura como uma atividade prazerosa.

Deste modo, não se pode afastar a criança do livro infantil, pois ele é de fato importante para a formação do pequeno leitor, não apenas devido à fácil leitura que nele pode ser feita pela criança, mas também pelas histórias que dele podem ser contadas às crianças ainda não alfabetizadas, pelos debates e opiniões que eles proporcionam e mesmo pelos jogos rítmicos que estimulam o gosto e o habito de ler.

É com a ajuda dos livros paradidáticos que se pode influir sobre a vida afetiva e estética da criança, iniciando-a no mundo literário e servindo como instrumento para sensibilização da consciência, para a ampliação da disposição e o interesse de analisar o mundo, pois ela procura mostra à criança, o homem, as aventuras, as culturas das sociedades, o ambiente, os comportamentos e atitudes. Para isso, ela se serve da fantasia que estimula a imaginação da criança, levando-a a se sentir participante da historia do momento da leitura. A leitura que se baseia no desejo de ler e identifica-se com o apaixonado ou místico. É ser um pouco clandestino, é abolir o mundo exterior, deportar-se para uma ficção, abrir o parêntese do imaginário.

O livro infantil ocupa um lugar privilegiado, pois nele podem-se encontrar duas estratégias, a da palavra (texto) e da forma (ilustração), de forma a facilitar o entendimento e o interesse pelo livro. Pois toda criança da mais atenção às coisas que lhes agradem, e o livro infantil é um material atraente e agradável. Como diz MEIRELES (1984, p.61):

“O livro é de moral pratica, e o infante acredita na aprendizagem do exemplo. Vai mais longe sua visão pedagógica: as pessoas seguem, na aprendizagem, o caminho que lhes parece mais agradável …”.

O leitor em inicio de formação deve ser estimulado à leitura dos textos literários em sala de aulas e fora dela para que esta habilidade incentivada pelo professor transforme-se em habito durante toda sua vida.

A leitura de bons livros criativos, estimulantes, instigantes gera no aluno uma predisposição natural ao habito de ler. Isto se dar pelo fato de ser conseqüência de um processo de incentivo, provocado pelo próprio material de leitura. Quando o elemento de “incentivarão” se coloca fora do nível de interesse do aluno, a conseqüência e o desinteresse pela leitura.

Além da adequação que a leitura deve realizar no gosto da criança, o que, de modo obvio, não é nem pode ser seu objetivo exclusivo, é necessário que cada educador se proponha a oferecer através dela um alimento saudável à imaginação infantil. Pois segundo afirma JESUALDO (1993, p.25):

“Religar uma literatura poética que traz em seus relatos maravilhosos, o encanto do novelesco e não compreender a intimidade espiritual da criança, pois para ela as coisas existem, ou não na medida que sua imaginação, aberta à claridade Poética do conhecimento as aceita como reais ou imaginária”.

Os livros paradidáticos têm diversas finalidades na vida da criança que se inicia no mundo da leitura, a finalidade de instruí-la, educá-la, diverti-la, ou as três coisas ao mesmo tempo. Mas não de deve esquecer que para o alcance dessas finalidades, deve-se estar atento a algumas questões importantes, como: a qualidade dos textos, o caráter lúdico que deve revestir as atividades de leituras, sem com isso perder finalidades básicas, como o desenvolvimento da linguagem e a formação do leitor.

A adequação à faixa etária da criança é outro ponto a ser observado, pois como já foi dito anteriormente, o gosto costuma mudar com a idade. A criança de um a três anos prende-se ao movimento, ao tom de voz, e não ao conteúdo do que é contada, por isso a importância de se contar histórias curtas e com muito ritmo e entonação. Os livros devem ter somente, uma gravura em cada pagina, mostrando coisas simples e atrativas visualmente. O predomínio das gravuras e ilustrações deve continuar nos livros para as crianças de quatro a seis anos, mas com textos brevíssimos, para que ela passe a ter contato com o mundo da palavra escrita.

“Nessa idade a criança já passa a se interessar pelos contos de fadas, tais como: “O pequeno Polegar”, João e Maria”, “Rapunzel”, “Chapeuzinho Vermelho”, “O Soldadinho de Chumbo”, “Cinderela”, e outros. Os livros modernos com dobraduras costumam chamar bastante à atenção. Dos seis aos onze anos a criança passa a ter grande entusiasmo pelos contos de fada que continuam exercendo fascínio nessa fase: “Cinderela”, “A Bela e Fera”, “Branca de Neve e os sete Anões”, “A Bela Adormecida”, “João e pé de Feijão”, “Pinóquio e “Gato de Botas” são algumas das obras preferidas.

5.1 A Leitura de contos de fadas, Fábulas e Lendas.

As crianças são mergulhadas no maravilhoso mundo dos contos de fadas desde muito pequenas, antes de entrarem para a escola. Através deles, antes de se iniciarem no universo da palavra escrita, as crianças desfrutam da liberdade típica da língua oral, onde uma mesma historia pode ser recontada de diversas formas, ao sabor do momento.

O conto de fadas se mantém: acontecem num lugar distante, sem nome, obviamente imaginário, são contados por um narrador anônimo que jamais se apresenta ao leitor, seus protagonistas são heróis e vilãos claramente caracterizados (uma linda princesa, uma terrível bruxa, um valente camponês) e terminam a maior parte das vezes com finais felizes.

Descrevendo-as desta forma, estas histórias parecem simples e até previsíveis. Mas não são e não há quem não se emocione com um conto de fadas bem contado e ilustrado isso porque, embora os contornos dos outros de fadas sejam claramente delineados, tudo acontece num espaço onde tudo pode acontecer. Isto é, natureza e as pessoas formam um único corpo, os personagens facilmente se transformam em animais e plantas, assim como qualquer ser do universo pode conter um jovem encantando preso a um feitiço. Trata-se de um universo de metamorfose constante onde o jogo das aparências, do tempo linear. Da verdade abertamente declarada formam texto cheio de surpresas e sutilezas.

Nos contos de fadas, tudo estar e é muito, vivo. Daí a grande fascinação é o não cansar-se com a repetição desejada das sempre mesmas historias, O universo, a um só tempo, grave e lúdico desse conto envolve definitivamente o leitor. Os contos de fadas, os contos maravilhosos encantam, comovem e educam indiretamente. Devem, pois, ter presença constante nos trabalhos escolares, principalmente nas series inicias. Mas sim pensar em um resultado pedagógico automático. A importância maior estar no prazer que os contos despertam. Nessas historias, a situações que sempre se repetem: há obstáculos a serem vencidos, rivalidades, perseguições, disfarces, dilemas diante de opções a serem feitas entre prazer e dever, por exemplo: os heróis precisam cumprir uma tarefa, vencer um desafio. Há então pessoas coadjuvantes que impedem, ajudam à ação do herói. E o final é sempre feliz e glorioso.

O professor pode, pois, preparar seu trabalho a partir do conhecimento que tiver sobre a organização dos contos de fadas, que são histórias lindas, capazes de povoar o imaginário infantil de ricas fantasias, permitindo ainda que os pequenos liberem seus sonhos. E como tudo nos contos maravilhosos tem muitos sentidos, ou tem, no mínimo, duplo sentido, o professor deve ir mediando o trabalho das crianças, criando possibilidades para que elas levantem hipóteses sobre as histórias e apontem as relações entre os acontecimentos.

Quando a criança é alfabetizada, muitas vezes o professor se pergunta: E agora? O que será que posso oferecer a eles? Afinal, já passaram da idade do conto de fadas!

Na verdade o professor comete um equivoco porque não existe verdadeiramente uma idade certa para se ler um conto de fadas ou outro tipo de narrativa. O bom livro não é como um sapato velho, que quando o pé cresce, é posto de lado. Uma história bem contada pode e deve ser relida ao longo de toda a vida. Vejamos a magistral obra de Monteiro Lobato “O Sitio do Pica-Pau Amarelo”. Nela a historia se passa dentro de um sitio, os personagens tem nomes e idades claramente enunciadas. Que tipo de narrativa será esta?

Ora, o Sitio do Pica-Pau Amarelo, dentro do universo criado por Lobato, é um espaço tão atemporal quanto qualquer floresta encantada. Tudo pode acontecer naquele espaço, o imaginário do mundo todo cabe nos recônditos daquelas terras mágicas. Uma boneca pode falar, uma espiga de milho se transforma em gente, todas as viagens místicas são possíveis e o tempo, em diversos momentos, pára de exibir.

Quando as histórias rompem com o final feliz, deixando claro ao seu leitor que tudo pode realmente acontecer, inclusive um final desastroso para os protagonistas das aventuras, estamos diante de uma obra de literatura fantástica. Intimamente ligada ao gênero Conto de Fadas, ela descreve histórias nas qual o mundo familiar é invadido por um mundo incompreensível e misterioso, movido por regras e os heróis terão que decifrar e cujo código parece sempre lhes escapar.

O homem é adotado de uma curiosidade constante. Vem daí continuo progresso do ser humano, sempre evidenciado pelas grandes descobertas, invenções que tem marcado o tempo e a história do mundo.

As grandes perguntas sobre questões ligadas à origem do universo, ao aparecimento do homem, aos fenômenos da natureza, à existência de outros planos espirituais, são indagações que continuam a ser feitas e refeitas pelo ser humano na busca continua de conhecimento do espaço em que vive e de se próprio.

Se o progresso nos der respostas cientificas para interrogações diversas mesmo assim, explicações outras, mas ligadas ao domínio do imaginário e do sonho, continuam convivendo com as invenções e as descobertas de grandes pensadores, sábios e pesquisadores.

As explicações baseadas no devaneio, na imaginação e na magia, constituem-se como gêneros narrativos muito particulares; ai se encaixa o mito e lenda. Trataremos especialmente da lenda. A lenda, também como os contos maravilhosos, lança mão do sobrenatural, do mágico para criar representações simbólicas. E como ocorrem com o mito, a lenda, ao dar respostas, explicações lúdicas para o ainda inexplicável, e libera capacidades imaginativas dos indivíduos, permitindo-lhes que a diminuição do sonho dialogue com o da razão.

Lendas ajudam a povoar a imaginação de inesquecíveis figuras e sensações. “A imaginação não é um estado. É toda a existência humana”. Dessa forma é importante que a lenda, assim como a poesia e o conto maravilhoso permeie o dia-a-dia da escola, mas sem julgar que tais textos possam exercer um imediato e implícito papel pedagógico É claro que eles educam, mas não por força de uma relação imediatista e direta. E, sim através de uma convivência continua e duradoura.

A lenda é uma narrativa breve e diferente do mito, ainda que um mito possa ser construído por um conjunto de lendas. Os temas das lendas são transmitidos anonimamente pela tradução oral. Se os mitos não se fixam necessariamente no tempo e no espaço, a lenda quase sempre tem o espaço bem delineado, já que sua finalidade e relatar, um determinado acontecimento ou um fato, em que “o imaginário e o maravilhoso superam o histórico e o real”.

E é nesse cruzamento lúdico, nesse jogo entre real e surreal, histórico e imaginário, que o professor deve trabalhar com seus alunos principalmente em series iniciais, as narrativas lendárias.

Há lendas explicam as circunstancias plurais em que se dão os fatos da história do homem. São lendas universais. Há outras que interpretam e recontam acontecimentos originários do folclórico de diferentes paises ou regiões. São lendas que chamaríamos de nacionais e locais.

O professor deve trabalhar com todos os tipos, já que o “Era uma vez…” das lendas e de outras histórias imprime às narrativas um tempo sempre o mesmo, um tempo mítico, um tempo, se podemos dizer, atemporal, no qual se desenrolam relatos diferentes, mas igualmente atraentes.

As lendas do folclore brasileiro, por exemplo; são belíssimos. “Mãe d’Água “, “Boto”, “Sasi-Pererê”, trazem riquezas em suas dimensões locais. A “Mãe d’Água”, no caso tem sua origem numa releitura da “Sereia” que é européia .

As fabulas são narrativas que simbolizam situações vividas por animais, que remetem a uma situação humana e tem por objetivo transmitir um ensinamento moral. A proposta principal da fábula é a fusão de dois elementos: o lúdico e o pedagógico. As histórias, ao mesmo tempo em que distraem o leitor, apresentam as virtudes os defeitos humanos através de animais. Como por exemplos, podemos citar algumas fabulas do escritor Francês Jean La Fontaine : “O Lobo e o Cordeiro”, ” O Pastor e o Rei”, “O Lobo e a Raposa”, ” A Leiteira e o Pote de Leite”, “A Raposa e o Espelho”,”A Corte do Leão”,”O Leão e o Rato” etc.

E o que deve fazer, em classe, o professor de séries iniciais?

  • O professor deve contar expressivamente uma lenda ou uma fabula, utilizando apoio visual diversos;
  • Em seguida, o professor e alunos conversam sobre fatos, personagens, situações mais significativas da historia;
  • O professor vai explorando melhor a narrativa, por meio de perguntas sobre tópicos que ficaram esquecidos. As crianças conversam entre si, antes de responder, justificando suas opiniões;
  • O professor divide a classe em grupos para que, em conjunto, as crianças reescrevam a lenda. Enquanto escrevem, o professor deve circular entre os grupos, atendendo às dúvidas e mediando as dificuldades dos alunos;
  • Elegem-se dois textos para serem lidos à classe em voz alta;
  • Sendo possíveis, crianças comentam os textos dos colegas.

Trabalhando dessa forma, o professor proporcionará ao aluno exercitar, além da leitura várias competências, como a expressão oral, a produção textual e, conseqüentemente o conhecimento lingüístico, deixando um pouco de lado o tradicionalismo do trabalho com o livro didático e enveredando pela riqueza de possibilidades de livros paradidáticos.

5.2 As Relações entre texto e imagem

Os textos com os quais as crianças se defrontam em seu percurso escolar são variados (contos, noticias, relatos descrições, etc…) e podem estar impressos nos mais diversos suportes (jornais, panfletos, cartazes, papeis de cartas, blocos de bilhetes, livros de histórias, enciclopédia, etc.) Entre eles estão os livros didáticos, que chegam às salas de aulas com o objetivo de contribuir para organização do trabalho do professor nas diferentes disciplinas.

Os textos, que um livro contém, estão distribuídos de uma determinada forma nas diferentes paginas que o compõem, vem acompanhado por ilustrações (desenhos ou fotografias) foram impressos em diferentes tipos de letras. Esses diferentes elementos que compõe a imagem do livro procuram contribuir para a leitura que o aluno realizará e, conseqüentemente, para aprendizagem que dela resultará.

A criança ainda entra em contato com a linguagem das gravuras antes da linguagem das letras. Uma vez que ela já aprendeu a entender o significado das figuras, é necessário que o material de leitura inicial as contenha em grande número.

As ilustrações exercem uma atração redobrada sobre os principiantes e os maus leitores: elas ornamentam o texto, estimulando o interesse e dividem o livro de modo que a criança possa virar as paginas com freqüência e ter impressão de estar lendo depressa.

As gravuras ajudam a tornar o texto compreensível. Como afirma BAMBERGER (1991, p.50):

“Os princípios gerais de orientação aplicáveis ao problema de relação entre as ilustrações e os textos são os seguintes :

  • No principio predominam os livros de gravuras, com textos, sendo 50% a 70% do volume dedicado às ilustrações.
  • A fase seguinte compreende textos ilustrados em que a proporção de ilustrações atinge 50%, dando se referência às estampas graúdas.
  • No terceiro e no quarto ano da escola, as ilustrações só representam 25% do livro”.

Geralmente são melhor que poucas gravuras grandes do que muitas pequenas. Para a crianças que lêem bem e gostam de ler, o tipo as figuras desempenham um papel menos importante. Elas também lêem livros impressos em corpo pequeno e, muitas vezes preferem livros não-ilustrados. Em se tratando de leitores muito interessados, isso às vezes acontece por volta do segundo ano de escola. A indiferença pelo tamanho do tipo e pela ilustração é um modelo de prontidão, capacidade e interesse pela leitura.

Quando lemos um texto impresso em um livro, o que é que lemos? As palavras? E as imagens que acompanham? As palavras e as imagens que acompanham? As palavras, as imagens e a forma como o texto estar distribuído pelas paginas? Podemos ler apenas as imagens? Apenas o texto?

As crianças que aprendem a ler texto precisam também aprender a ler o universo icônico e que os textos estão envolvidos nos diferentes suportes em que podem acontecer. O professor precisa ajudar as crianças a se desenvolverem como leitores desse universo que apóia e amplia os significados traduzidos em línguas escritas.

Quantas informações podem extrair de uma fotografia? Quantos podemos saber a mais de um personagem quando vemos em seu retrato o tipo de roupa que veste o lugar onde mora, etc.?

As crianças podem aprender a ler as imagens e aprender com elas sobre muitas das coisas que as cercam.

No inicio era a imagem, pois antes que os homens fossem capazes de utilizar a palavra escrita, já desenhavam senas de casadas e animais nas cavernas pré-históricas. O gesto artístico, a arte figurativa acompanha o homem desde a aurora da humanidade.

A escrita nasce profundamente aliada à imagem. Em seus primórdios, as escritas eram compostas de desenhos: os pictogramas, como na escrita egípcia, e os ideogramas, como na escrita chinesa. Muitos séculos se passaram até que o homem se desvinculasse a narrativa do desenho e a armazenasse em forma de livro. As crianças parecem seguir os mesmos passos.

Paulo Zuinthar, estudioso da evolução da escrita através dos tempos, nos conta que à medida que a escrita foi sendo socializado como instrumento do conhecimento humano, lentamente foi invadindo os desenhos dos brasões medievais, das imagens sacras e murais.

Os professores podem observar que no inicio do processo de alfabetização, os alunos naturalmente apresentam uma tendência a manter o desenho como complemento da escrita. Podemos pensar que a criança apenas traça o mesmo percurso da humanidade ao tentar aliar sua produção gráfica (sobre a qual ela já exerce em certo domínio e com a qual já tem relativa familiaridade) com a produção escrita, cuja natureza ela começa a desvendar.

Mas então porque as crianças muitas vezes extremamente talentosas deixam de desenhar? Muitas vezes o bloqueio surge durante o processo de alfabetização, no momento em que a criança percebe que a língua escrita tem regras e uma maneira “certa” de ser registrada. Este conceito às vezes contamina o desenho e a criança passa a querer desenhar “certo”. Mas há realmente um desenho certo? Sim, há desenhos certos assim como há o texto certo. Isto é, certo para o objetivo que seu autor lhe impõe, ou seja, se a função de um texto ou de um desenho for a de dar a instrução de como utilizar um objeto é preciso que o desenho seja preciso e o texto muito claro.

Mas se o autor estiver interessado em descrever uma emoção, uma aventura fantástica, uma viagem onírica, o texto e a imagem podem caminhar por novas sendas produzindo sensações únicas, e fugindo da obrigação de retratar “uma realidade”.

O professor pode alimentar o desenvolvimento das relações de seus alunos, com esses temas, através de vários trabalhos de língua português, tendo imagem como base de apoio. Pode, por exemplo, usar fotos e pedir que os alunos inventem biografias para imagem de pessoas desconhecidas: usar ilustrações ou quadros figurativos com personagens e pedir para que os alunos descrevam aquele momento ou imaginem o que essas figuras sentiam: podem também propor que os alunos iniciem uma historia através de um desenho para depois passarem a escrevê-la.

Há alunos naturalmente visuais e outros que preferem à escrita como meio de expressão. Seria interessante montar projeto em que os alunos possam formar duplas nas quais uns escreve e o outro desenha, como acontece profissionalmente no mundo dos livros. Os livros didáticos que os professores usam em classe podem também ser utilizados com material para propostas de trabalhos.

O professor pode propor, por exemplo, que os alunos leiam as imagens de um determinado trecho ou capitulo de um livro e digam tudo que podem aprender com elas mesmas antes ler o texto escrito. Os alunos devem anotar em seus cadernos tudo que “as imagens estão contando”.

Depois eles podem ler o texto e dizer p que há de informação no texto que as imagens não revelam e o que há de informação nas imagens que complementam o texto. Esse tipo de atividade pode ser feito com diferentes livros, envolvendo diferentes conteúdos escolares: Historiam Geografia, Ciências.

O professor pode propiciar o feliz casamento entre texto e imagem, trabalhando com ambos em sala de aula. São quanto mais oportunidades as crianças tiveram de extrair significado de imagens variadas, internas ou não aos livros que utilizam para as atividades escolares, mas autonomias ganharão em suas relações com as diferentes fontes de informação que a cultura imprensa lhe oferece. Assim, poderão aproveitar o espaço de aprendizado que lhes é oferecido pelos livros.


6. Reflexão sobre questões Sociais Subjacentes nos Livros Didáticos: a literatura infantil dos anos 70.

Dos anos 70 para cá a literatura infantil tem sido um aspecto social de lazer e ao mesmo tempo educativa ao contrário das clássicas historias infantis de Anderson ou dos irmãos Grimm, ideologia maniqueísta, de luta entre o bem e o mal: ao contrario ainda de autores nacionais como Monteiro Lobato, cuja obra possuía fins didáticos moralistas, a literatura infantil dos anos 70 mostrou-se uma literatura de vanguarda, cujos objetivos iam muito além do mero moralismo ou do intuito didático. Ela sugeria uma revisão de valores comportamentais, propondo temas éticos, filosóficos, políticos e, principalmente dando grande relevo aos aspectos sociais subjacentes nas histórias infantis que surgiram nessa época e que estão em vigor ate aos dias de hoje. Estas produções alem do seu caráter lúdico contribuem para a formação do cidadão-leitor. Nesta modalidade, ressaltam-se autores de peso como Ruth Rocha, Ziraldo, Maria Clara Machado, Elias José, Cecília Meireles, dentre outros.

Essa literatura contemporânea atrai as crianças para um mundo já não mágico quanto “O Patinho Feio” ou “Branca de Neve”, mas não menos atraente pela emoção e prazer da descoberta de um mundo parecido com o próprio leitor, um mundo quase real recheado de diferenças, preconceitos e sonhos não satisfeitos.

Em “A abelha Abelhuda”, por exemplo, a autora Eliane Barriga fala de uma abelhinha deferente das outras que só vivia para tirar o mel das flores. Ela, abelhinha, além da sua polinização natural da uma condição de abelha, adorava se enfeitar, fazia amizade com flores, suas amigas. E por ser diferente despertava a inveja das outras abelhas.

Texto como esses despertam na criança uns olhares diferentes para o outro, levando-a a refletir que nem todos é iguais e que as diferenças devem ser respeitadas. O professor das séries iniciais pode levar o aluno a descobrir no seu mundo real quem se aproximaria da abelha metaforizada do texto: O travestir, a prostituta, a menina que optou por ‘ ficar’ com vários meninos ao invés de namorar ‘serio’, o coleginha de turma que na segue um comportamento padrão.

Ruth Rocha, em “O reizinho mandão”, questiona, através do lúdico, do engraçado, o autoritarismo, presente nos nossas casas, na escola, no ambiente de trabalho. Em “O piquenique do Catapimba”, a autora Ruth Rocha fala dos preparativos em casa para um piquenique e os desacertos e encontros de duas turmas de garotos alegres. Este ponto aborda a desigualdade social, a rivalidade entre grupos de jovens ou entre famílias que não se entendem.

Ana Maria Machado, em “Beijos Mágicos”, aborda questões referentes às questões familiares. A separação amigável dos pais, os ciúmes da nova namorada – bruxa do pai e o casamento dos pais.

Cristina Porto, em “Marco e Apolo”, mostram a percepção de que ninguém faz nada sozinho e precisa das providencias carinhosas da família.

Flavio Sousa, em “A mãe da menina e a menina da mãe”, da ênfase a inversão dos papeis entre mãe e filha, a descoberta de que mãe também foi criança e que guarda dentro de si a menina que foi a ponto de ganhar um presente no dia das crianças.

Já Sylvia Orthof, em “O bisavô e a dentadura”, aborda comilança mineira e grande brincadeira de uma família com bisavô e dele com os seus bisnetos. Esses cinco contos da literatura infantil contemporânea questionam o bem escrever de Ana Maria Machado, a critica aguçada de Ruth Rocha, a irreverência e o humor de Sylvia Orthof, as personagem bem desenhadas, a sensibilidade envolvente Flavia de Souza, a linguagem terna, carinhosa e aguçada de Cristina Porto. Abordam as questões familiares, a presença ativa de irmãos maiores e menores ainda nascimento de um irmão mais novo de avós e bisavós atuantes e afetuosos.

O importante em leituras como essa é o aspecto formação. Mas do que forma o leitor, forma-se ai o cidadão, entendendo e refletindo o mundo que o cerca.


7. Considerações Finais

O tema estudado e apresentado neste trabalho remete conjuntura de concepções mais variadas quanto à pertinência da literatura no contexto do processo da alfabetização, provocando, inclusive, uma série de questionamentos relacionados à significação do ato de ler para criança logo no inicio da sua vida escolar.

Assim é que, através de investigações bibliográficas sobre o assunto, fez se notar o quanto à literatura infantil, quando bem orientada, poderá servir de norte a pratica educativa em geral, e, mas precisamente, à alfabetização, oferecendo, contribuições significativas à articulação pedagógica na construção de saberes imprescindíveis às aprendizagens subseqüentes.

Nesse sentido, o conhecimento prévio no anglo da aprendizagem serve como subsidio a dureza de aspectos relacionados à formação continuada de leitores. Compreender-se, portanto que a leitura não se dá de maneira taxativa num só período: ao contrario, é um processo que se desenvolve por toda a vida.

Contudo, no que se refere aos primeiros anos escolares em que indiciam as atividades relacionadas à alfabetização, o fazer pedagógico precisa de um encaminhamento favorável, observando-se a metodologia que melhor atenda as características do pequeno leitor, considerando suas peculiaridades, a fim de que melhor sejam conduzidas as ações educacionais.

Formar leitores competentes não é mais um sonho impossível de se concretizar. Muito pelo contrario, ele esta cada dia mais real; motivar o prazer pela leitura não é uma das tarefas mais fáceis, contudo, é uma das muitas gratificantes que podem existir, através dela amos de um clima de cumplicidade com o aluno <-> texto <-> professor <-> aluno.

O professor é dos principais agentes de mudança nesse processo de leitura. Ele deve assumir o desafio trazendo à tona sempre novas propostas de ação pedagógicas, amparando-se, por exemplo, nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de acordo com as necessidades dos estudantes de sua escola.

O profissional da educação não pode ser apenas um orientador da aprendizagem. Torna-se fundamental que ele reaja, busque possibilidades nunca apresentadas, ouse e não se permita ser influenciado pelos entraves que possam lhe aparecer na escola. Precisa mostrar com muita personalidade, a possibilidade de praticas alternativas e concretas. Necessita também, fazer parte dos problemas tanto dentro como fora da escola, dando sua parcela de contribuição para ajustar, adaptar, modificar, enriquecer o ensino.

No caso da leitura, o professor deve escolher os textos mediante curiosidade dos alunos. Pois os interesses variam de acordo com os critérios sociais, econômicos, culturais e escolares. Partindo deste principio apareceram leitores ativos e passivos, sendo considerado leitor ativo aquele que interage com o texto, buscando informações, fazendo do uso de estratégias adequadas à via da leitura em questão. Ele processa o texto por indução ou dedução. Já o leitor passivo apenas fica a espera de informações, ao invés de se dispor a extraí-la do texto como acontece com o leitor ativo.

Todas as estratégias utilizadas devem privilegiar o aluno, de modo que se possa detectar seu gosto, como sugere Isabel Solé (1999, p.58).

“Com a leitura, é necessário articular diferentes situações oral, coletiva, individual e silenciosa, compartilhada – e encontrar os texto mais adequados ara alcançar os objetivos propostos em cada momento. A única condição é conseguir que a atividade de leitura seja simplificada para as crianças, correspondam a uma finalidade que elas possam compreender e compartilhar”.

A área do Maravilhoso, da poesia, da fabula, dos mitos e das lendas tem uma linguagem metafórica que se comunica facilmente o pensamento mágico e natural das crianças, fazendo com que estas, se tornem leitores apaixonados, a partir da aceitação do texto, o que somente ocorre quando a criança tem liberdade de escolher o seu material.

Neste contexto, apresentamos algumas maneiras que os pais podem seguir para despertar o interesse da criança pela a leitura:

  • Contar histórias para ela;
  • Ler freqüentemente (livros, revista, jornais):
  • Assistir a filmes de literatura infantil;
  • Comprar os livros infantis, com gravuras coloridas;
  • Ler com elas os livros, discutindo-os;
  • Olhar álbum de fotografia;
  • Freqüentar sempre a escola do filho, conversando com o professor dele,
  • Estimular a contar história.

Todas estas atitudes ajudam a criança a crescer valorizado o livro. Até aquelas crianças que “não gostam de ler”, se sentem motivadas, já que nem todo mundo gosta de ler. Preferem televisão, computadores, videogames aos livros. Dessa forma, os pais têm que tentar atrair, estimular seus filhos, pois estarão contribuindo com professor para a construção de leitores competentes.

Nesse raciocínio é que se elaborou este trabalho monográfico que, para o pesquisador, representa o inicio de uma caminhada com perspectivas de aprofundamento sobre a temática em questão. Portanto, é bem convincente, em termos individuais, a opção feita por este estudo, pois, embora a pretensão não tenha sido de esgotar o assunto, muito contribuiu na clareza de aspecto que antes foram nebulosas pela falta de considerações teóricas par desvendá-los.

Daí a importância da leitura dos livros paradidáticos nas series iniciais do Ensino Fundamental, é na medida em que se pretende formar não apenas o gosto, mas também o hábito de ler.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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VARGAS, Suzana. Leitura: uma aprendizagem de prazer. Rio de Janeiro: José Olimpio, 1993.

Autor: Davi Brandão de Jesus


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