DISLEXIA DISTURBIO DE APRENDIZAGEM

Pesquise na caixa abaixo.

Custom Search


AGUARDE O CARREGAMENTO COMPLETO

E

SALVE ESTA MATÉRIA

carregando

Dislexia Disturbio de Aprendizagem

Dislexia é a incapacidade de a criança ler e compreender o que lê. Apesar da inteligência, visão e audição serem normais, oriundas de lares adequados, isto é, que não passem privações de ordem doméstica ou cultural.

Definida como um transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia é um distúrbio de maior incidência nas salas de aula no mundo todo, muitas vezes confundida como resultado de uma má alfabetização, desatenção ou falta de motivação. Se não for tratada adequadamente, pode comprometer a fase adulta da criança. É diagnosticada geralmente no ingresso da criança na escola, aos seis ou sete anos de idade, quando os sintomas são facilmente notados.

Procura-se neste trabalho demonstrar os procedimentos a serem adotados para crianças com dificuldades na leitura e a didática aconselhada para esse distúrbio.

Os objetivos desta pesquisa foram são os seguintes: Identificar os principais fatores que afetam no bom desempenho do processo de ensino-aprendizagem e/ou conhecer novas metodologias, visando uma melhoria no desempenho de suas atividades; aprofundar conhecimentos sobre o que é dislexia; investigar e analisar causas da dislexia nas dificuldades de aprendizagem; compreender o processo ensino/aprendizagem do disléxico; conhecer diferentes técnicas para trabalhar a leitura no aluno disléxico.

A pesquisa partiu da seguinte problemática: toda a criança que possui atraso na leitura pode ser considerada uma criança disléxica?

Assim, ser disléxico é condição humana. O disléxico pode ser portador de alta habilidade. Em geral, podem ter talento em alguma área, como na arte, música, teatro, esporte, mecânica, vendas, comércio, desenho, construção, engenharia e não se descarta ainda que ele possa ser superdotado, com capacidade intelectual singular, são criativos, produtivos e lideres.

O disléxico pode ser portador de conduta típica, com síndrome e quadro de ordem psicológica, neurológica e lingüística, de modo que sua síndrome compromete a aprendizagem eficaz e eficiente da leitura e escrita, mas não chega à competência seus ideais, talentos e sonhos.

A metodologia utilizada nesta monografia foi a pesquisa bibliográfica, onde procurou-se explicar e estudar o problema a partir de referências teóricas publicadas em documentos específicos como livros, revistas, periódicos, entre outros.

2 CONCEITOS DE DISLEXIA

Definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área de leitura, escrita e soletração. É o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. A dislexia é uma alteração nos neurotransmissores cerebrais que impede uma criança de ler e compreender com a mesma facilidade com que faz as outras crianças da mesma faixa etária, independente de qualquer causa intelectual, cultural ou emocional. Todo o desenvolvimento da criança é normal, até entrar na escola. É um problema de base cognitiva que afeta as habilidades lingüísticas associadas à leitura e à escrita.

Segundo algumas estatísticas, a dislexia afeta, em maior ou menor grau, de 10% a 15% da população em geral. Afetando mais os meninos do que as meninas. Sua leitura oral distingue-se por erros e lentidão da pronúncia.

Denomina-se dislexia de evolução, um defeito de aprendizagem da leitura caracterizado pela dificuldade de conscientização fonética e por uma incapacidade de associar corretamente os símbolos gráficos, por vezes mal reconhecidos, a fonemas muitas vezes mal identificados.

Dislexia é um distúrbio da palavra em pessoas normais de inteligência que apresentam labilidade afetiva, leve incoordenação motoras, deficiente capacidade de análise e síntese, transtorno na memória visual, no sentido direcional (orientação espacial e temporal). Problemas de dominância lateral, deficientes discriminações auditiva e visual, distúrbios no conhecimento de seu corpo (ritmo, espaço e tempo), cuja expressão encefalográfica é de disfunção cerebral mínima, sendo indicado método fônico (fonemas surdos e sonoros, simultaneamente, com apoio sinestésicos, tátil, visual e auditivo) para sua alfabetização. (Caracikii, 1994, p. 45)

A importância, nesses casos, de certos erros, como inversão da leitura de letras no interior da palavra, confusão das letras de grafismo vizinho e de orientação diferente, leitura e escrita em espelho, tem sido interpretada em favor de uma perturbação da dominância cerebral, como nos casos dos canhotos, ou por defeito de homogeneidade da lateralização, isto é, a discordância entre as lateralizações da mão. É comum relacionar as dificuldades na aquisição da leitura como um determinismo, que comporta fatores fisiológicos, psicológicos e socioculturais. Alguns autores insistem no caráter hereditário das dificuldades de leitura.

Dislexia é uma falha na aprendizagem da leitura levada por dificuldades na correspondência entre símbolos gráficos, às vezes mal reconhecidos, e fonemas, muitas vezes mal identificados.

Segundo Dubois (1993, p.197), “dislexia é um defeito de aprendizagem da leitura caracterizado por dificuldades na correspondência entre símbolos gráficos, às vezes mal recolhidos e fonemas, muitas vezes mal identificados.”

É a incapacidade parcial que uma pessoa tem de decodificar (reconhecer letras e fonemas das palavras) e entender o que lê (compreensão textual).

Na enciclopédia britânica é especificado que: os problemas relacionados à aquisição da leitura levam a disortografias, isto é, a perturbações na aquisição da linguagem escrita, decorrentes das dificuldades de transposição de palavras percebida a sua forma gráfica. O tratamento da dislexia pode ser realizado por meio de exercícios que visam melhorar as possibilidades de recuperação das crianças que sofrem desse distúrbio.

Ao contrário do que muitos pensam a dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio – econômica ou baixa inteligência. Ela é uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico.

Por esses múltiplos fatores, é que a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar. Esse tipo de avaliação dá condições de um acompanhamento pós-diagnóstico mais efetivo, direcionado às particularidades de cada indivíduo, ou resultados concretos.

3 A CRIANÇA DISLÉXICA

O termo dislexia está ligado a dificuldade de compreensão e interpretação dos símbolos gráficos, dificultando, dessa forma a aprendizagem da leitura.

Muitas vezes, nós educadores acabamos rotulando alunos com dificuldade de leitura como uma criança disléxica, porém nem sempre a criança com essa dificuldade pode ser assim considerada. O que acontece muitas vezes, é que a criança possui dificuldade de alfabetização devido a métodos deficientes e a pouca motivação para a leitura. A dislexia pode ser específica e é restrita a dificuldade de leitura em crianças normalmente desenvolvida nos demais setores os quais não estão ligados a linguagem e onde os distúrbios não são explicados por condições físicas ou ambientais negativas, dificuldades sensoriais, intelectuais ou emocionais.

As verdadeiras dislexias são distúrbios circunscritos que resultam de limitações sensoriais discretas ou de anomalias na organização dinâmica dos circuitos cerebrais, responsáveis pela coordenação viso-auditiva-verbal, que asseguram o complexo ato da compreensão da linguagem escrita. A criança, portanto, não é capaz de realizar um comportamento léxico eficaz partindo das formas do esquema de exercícios que, habitualmente, levam o aluno a adquirir o mecanismo da leitura. (REY, apud NOVAES, 1984. p. 229)

A dislexia pode ser classificada em dislexia da evolução e dislexia específica, que apesar de possuir a designação dos mesmos distúrbios, é muito importante identificar a dislexia da evolução o mais cedo possível, pois ela tende a desaparecer total ou parcialmente, ao longo da evolução do indivíduo. Constatando-se esse distúrbio, é possível compreender melhor a variedade das manifestações da dislexia diretamente ligada ao grau de gravidade do distúrbio e a idade do indivíduo. Quanto antes for identificado o problema antes pode ser entendido e dessa forma alunos, pais e professores terão mais facilidade para trabalhar com o problema.

Quando trata-se de dislexia de evolução ou específica, pode ser considerada como síndrome, quando ela ocorre em outro caso patológico é um sintoma, como nos casos de oligofrenias, perturbações mentais ou neurológicas.

De um modo geral, as crianças disléxicas apresentam dificuldade de percepção devendo ser estimulado nelas a percepção tátil, auditiva, visual que podem levar a habilidade de reconhecer e usar estímulos interpretando-os e associando-os as experiências prévias.

Geralmente, os disléxicos apresentam vários déficits: Na percepção, motricidade, organização temporal e espacial, capacidade de globalização, domínio de esquema corporal, lateralidade, além dos distúrbios de atenção, memória e registro de símbolo.

A criança disléxica, mesmo possuindo boa audição, possui dificuldade em distinguir sons parecidos como p/b; d/t; f/v; m/n.

A dificuldade em identificar as variantes mais complexas  da audição pode ser percebida quando se pede ao disléxico para reproduzir uma seqüência rítmica. Os distúrbios da percepção auditiva podem levar a criança a um atraso no desenvolvimento da linguagem em conseqüência disso a dificuldade de análise dos elementos e nesse caso, a percepção das palavras e frases é prejudicada, pois a linguagem escrita e a linguagem falada possuem relação entre si, o disléxico também passa a ter dificuldade ortográfica.

Quando se fala em percepção deve-se levar em conta o fator motricidade, uma vez que essas duas atividades são mutuamente condicionadas: a atividade da percepção é efetivamente função da atividade do indivíduo e vice-versa. (NOVAES, 1984, p. 235)

A percepção visual, depende do movimento dos olhos condicionados pelas experiências sensórios motoras anteriores  dos indivíduos. Muitos distúrbios dos disléxicos estão relacionados a dificuldades de análise e de síntese auditivas visuais.

Para dominar a leitura, é sobre a palavra que deve-se olhar e se fixar. A criança sente também necessidade de introduzir palavras novas em seu vocabulário e a língua falada é desenvolvida a partir de uma percepção auditiva. Para aprender a ler, a criança deve estabelecer relações entre a letra impressa e o som por ela representado.

Podemos perceber que o termo dislexia refere-se a um distúrbio de aprendizagem que atinge o ser humano com dificuldades específicas na área da leitura e escrita. Essas pessoas não possuem a mesma capacidade de ler como as outras pessoas na mesma faixa etária, principalmente as crianças, mesmo possuindo inteligência normal, saúde e órgãos sensoriais perfeito estado emocional considerado normal e instrução adequada.

4 DIAGNÓSTICO DA DISLEXIA

A avaliação é muito importante. Ela é fundamental para entender o que está acontecendo com o indivíduo que está apresentando distúrbios na aprendizagem. É através da avaliação multidisciplinar que se tem condições de um encaminhamento adequado a cada caso considerando as várias possibilidades, inclusive de manifestação de dislexia.

O diagnóstico diferencial é a chave do assunto. Há alterações que possuem alguns sintomas de outra e podem ser confundidas. Pessoas com simples atraso de desenvolvimento de linguagem, dispraxia da fala, desordem programático-semântico, agnosia auditiva, falhas auditivas falta de estimulação no lar e/ou retardo mental ou hiperatividade, muitas vezes são confundidos com dislexicas.

As grandes dificuldades aparecem quando a criança começa a enfrentar temas acadêmicos mais complexos, por volta dos oito ou nove anos, quando as notas baixas e o fraco desempenho escolar são companheiros do aluno disléxico.

Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, não confirmam a dislexia. Os mesmos sintomas podem indicar outras situações, como lesões, síndromes, entre outras.

Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.

Uma equipe multidisciplinar, formada por psicóloga, fonoaudióloga psicopedagoga clinica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como neurologista, oftalmologista e outros, conforme o caso.

A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia.

Outros fatores deverão ser descartados, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas ou adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar, pois, com os constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes são conseqüências, não causa da dislexia, e outros distúrbios de aprendizagem, como: o déficit de atenção, a hiperatividade (ambas podem ocorrer juntas com Hiperatividade, lembrando que a hiperatividade também pode ocorrer em conjunto com a dislexia).

Nesse processo ainda, é muito importante: tomar o parecer da escola, dos pais e levantar o histórico familiar e de evolução do paciente.

Essa avaliação não só identifica as causas das dificuldades apresentadas, assim como permite um encaminhamento adequado do caso, através de um relatório por escrito.

No caso da dislexia, o encaminhamento orienta o acompanhamento consoante às particularidades de cada caso, o que permite que este seja mais eficaz e mais proveitoso, pois o profissional que assumir o caso não precisará de muito tempo, para identificação do problema, e ainda terá ainda acesso a pareceres importantes do caso.

Conhecendo as causas das dificuldades e os potenciais do indivíduo, o profissional pode utilizar a linha que achar mais conveniente. Os resultados irão aparecer de forma consistente e progressiva. O acompanhamento profissional dura de dois a cinco anos, dependendo do caso.

Ao contrário do que muitos pensam o disléxico sempre contorna suas dificuldades. Ele responde muito bem a tudo que passa para o concreto. Tudo o que envolve os sentidos é mais facilmente absorvido. O disléxico também tem sua própria lógica, sendo muito importante o bom entrosamento entre o profissional e o paciente.

Outro passo importante a ser dado é definir um programa de etapas, somente passando para a seguinte, após confirmar se a anterior foi devidamente absorvida, retornando sempre as anteriores.

Geralmente, estudantes que apresentavam alguma dificuldade para falar, ler ou escrever, eram rotulados imediatamente como “disléxicos”, pelos educadores, sem que fosse realizada uma avaliação sobre seus antecedentes individuais.

O diagnóstico diferencial é a chave do assunto. Há alterações que compartilham alguns sintomas de outra, ou se confundem com esta.

As grandes dificuldades aparecem por volta dos oito ou nove anos de idade, quando a criança começa a enfrentar temas acadêmicos mais complexos, as notas baixas e fraco desempenho escolar são características básicas na vida escolar de crianças disléxicas.

Leitura lenta sem modulação, sem ritmo, sem domínio da compreensão/interpretação do texto lido; confundir algumas letras; sérios erros ortográficos; dificuldades de memória; dificuldade no manuseio de dicionários e mapas; dificuldades em copiar do quadro ou dos livros; dificuldade em entender o tempo passado, presente e futuro; tendência a uma escrita descuidada, desordenada e às vezes incompreensível; não utilização dos sinais de pontuação/acentuação gramaticais; inversões; omissões; reiterações e substituições de letras, palavras ou sílabas na leitura e na escrita; problemas com sequenciações. Essas são apenas algumas das características disléxicas que podem ser observadas em crianças com dificuldades escolares.

Se pudermos dissociar as dificuldades de ler/compreender e escrever corretamente à ausência de problemas intelectuais ou de outro tipo de problemas que possam dar uma explicação alternativa ao problema apresentado, então podemos suspeitar de uma possível dislexia. Numa primeira etapa da aprendizagem, algumas crianças podem apresentar estas características, e estes podem ser considerados erros normais dentro do processo de aprendizagem, é preciso saber distinguir essas dificuldades das dificuldades disléxicas que são mais profundas, constantes e contínuas. Crianças com expressivas dificuldades de leitura não são necessariamente disléxicas, mas todas as crianças disléxicas têm um sério distúrbio de leitura.

O diagnóstico precoce é imprescindível para o desenvolvimento contínuo das crianças disléxicas. Reconhecer as características é o primeiro passo para que possam evitar anos de dificuldades e sofrimentos. Induzindo esta criança, fatalmente ao desinteresse pela escola e a tudo o que está em torno dela, gerando ás vezes quadros de fobia, desta criança em relação á tarefas que exijam a leitura e a escrita. Crianças com dificuldades escolares sejam qual for à raiz do problema, necessitam da educação, atenção e ensino diferenciados para que possam desenvolver suas habilidades, e quanto mais cedo for detectado o problema, melhor serão os resultados.

A criança com essa dificuldade, além do já citado, ainda enfrenta os colegas de sala que o rotulam de “bobo” ou “descuidado”, aumentando ainda mais a dificuldade, tornando-o anti-social, conduzindo-o à agressividade e a uma situação de perda de sua auto – estima, conduzindo-o a marginalização progressiva.

Necessita-se instaurar dentro das escolas, medidas preventivas essenciais para a reestruturação do aluno em forma mais abrangente, evitando assim, as situações traumatizantes que os problemas de aprendizagem escolar causam em algumas crianças, que neste atual momento não são, ao menos, respeitadas. Toda e qualquer dificuldade escolar tem uma causa e uma solução. Ninguém nascem com dificuldades escolar, elas aparecem ao longo do caminho e precisam ser observadas, respeitadas e solucionadas.

A avaliação é muito importante. É através dela que podemos entender o que está acontecendo com o indivíduo que apresenta distúrbios de aprendizagem, numa avaliação multidisciplinar que se tem condições de descobrir o que acontece considerando as várias possibilidades e fazendo um encaminhamento eficaz para cada caso. Embora a dislexia seja um dos maiores índices de dificuldade na leitura, outros fatores também podem interferir na aprendizagem, tais como, neurológicos, oftalmológicos, psicológicos, entre outros.

4.1 ALGUNS SINTOMAS DE UMA CRIANÇA COM DISLEXIA NA PRÉ-ESCOLA

v  Imaturidade no trato com outras crianças

A criança age com os colegas da mesma idade, como se tivesse uma idade cronológica bem inferior que as outras. Mantém o “pensar egocêntrico”, conforme Piaget, não seguem regras e num jogo não participam competitivamente.

v  Fraco desenvolvimento da atenção

Não consegue ficar por muito tempo ligada num mesmo assunto (brincadeira, filme, jogo,…) .Tem dificuldade em perceber mudanças no ambiente escolar ou em sua volta. Freqüentemente distrai-se.

v  Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem

A leitura faz parte de um complexo processo lingüístico de desenvolvimento na linguagem. Este processo tem etapas bem definidas, que vão avançando gradativamente. A leitura e a escrita representam as etapas superiores. De acordo com a teoria de Piaget. “A aquisição da linguagem primária inicia-se na idade de um a dois anos”. (Kesselring, p. 66). A criança disléxica desenvolve a fala e a linguagem muito depois desta idade. Há disléxicos que só adquirem uma linguagem compreensível depois dos dez anos de idade.

v  Atraso no desenvolvimento visual

Quanto mais tempo demorar para o bebê visualizar e identificar um objeto, mais dificuldades encontrará em ambientar-se. Como a dislexia é uma dificuldade na leitura e a leitura é a decodificação de símbolos, o atraso no desenvolvimento visual também está relacionado a dislexia.

v  Dificuldade em aprender rimas e canções

É um fator muito importante e está ligado a aquisição da linguagem. A criança confunde sílabas e palavras, com isso pode-se perceber dificuldade em rimar palavras e entoa-las. O som é o mesmo e a criança sente dificuldade em perceber que a palavra é outra.

v  Fraco desenvolvimento da coordenação motora

Piaget descreve que o desenvolvimento humano passa por estágios. Do nascimento a um ano de idade o bebê desliga-se fisicamente da mãe e inicia um processo de adaptação construindo relações afetivas com os pais e outras pessoas próximas. Aprende a locomover-se, engatinhando, erguendo-se, andando e assim vai aprimorando seu desenvolvimento. “A representação move-se num plano superposto à ação motora e percepção”. (Kesslring, p 128). A criança que tem um desenvolvimento motor mais lento, pode ser uma criança disléxica.

v  Dificuldades com quebra-cabeças

Está relacionada a falta de concentração. a criança não consegue perceber as figuras, cores, traços, dificultando a ordem do quebra-cabeças.  Força em colocar peças em local onde a mesma não se encaixa sem se preocupar se realmente esse é o local adequado. Na concepção de Vygotsky, sobre o funcionamento do cérebro humano, o cérebro é a base biológica, e suas peculiaridades definem limites das possibilidades para o desenvolvimento humano. A criança com o distúrbio da dislexia, desde cedo apresenta sintomas que devem ser observados e trabalhados pelo professor.

v  Falta de interesse por livros impressos

Ela tem dificuldade na leitura, sabe que dificilmente entenderá o que está lendo.

Desde cedo à criança tem noção de sua dificuldade com as letras e já existe certa rejeição pelos materiais impressos. Cabe ao professor cativar a criança, para que esta desperte interesse por esse tipo de material. Como diz Emília Ferreiro “… a minha contribuição foi encontrar uma explicação segundo a qual, por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa”. (Ferreiro/2001) O professor que lê, conduz o aluno para o mundo maravilhoso da leitura. Neste pensamento, continuamos refletindo o que a mesma Emília Ferreiro nos diz: em sua entrevista à revista Nova Escola em junho de 2001, “O aluno que tiver a chance de ouvir o professor lendo em voz alta presenciará um ato quase mágico”.

O fato de apresentar alguns desses sintomas, não indica necessariamente que ela seja disléxica. Há outros fatores a serem observados. Porém estamos diante de um quadro que pede maior atenção e/ou estimulação

4.2  ALGUNS SINTOMAS DE CRIANÇA COM DISLEXIA NA IDADE ESCOLAR

Nesta fase, a criança continua apresentando alguns ou vários sintomas à seguir. É necessário diagnóstico e acompanhamento adequado, para que possa prosseguir seus estudos junto com os demais colegas e não tenha prejuízos emocionais:

v  Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita

As causas das deficiências lingüísticas são muitas, e a tese de que a escola é uma fábrica de maus leitores não pode ser descartada porque não se deu conta que ensinar bem é favorecer a memória, já dizia Vygotsky que “O aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer.” (VYGOTSKY, 1987 p. 101).

A criança que não entende o que lê com certeza não irá gostar de livros. Precisamos fazer com que a criança sinta-se bem frente aos livros.

A criança disléxica tem o seu desenvolvimento é mais lento do que as demais crianças da mesma idade. Consegue até reconhecer letras ou sílabas isoladas, mas tem dificuldades em fazer a junção das letras e formar a palavra.

v  Pobre conhecimento de rimas (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras)

A criança disléxica, mesmo possuindo boa discriminação auditiva, tem dificuldades em fazer a diferenciação entre sons parecidos no início ou no final das palavras.

A escrita não é espelho da fala. Não é verdade quando dizemos que escreve-se da mesma forma como se lê. Não há uma correspondência biunívoca entre fonema e grafema ou som da fala com a escrita. Quando a criança apresenta a troca de letras pode estar acontecendo uma desmotivação fonológica. A confusão com sons acusticamente próximos é característica marcante nos disléxicos.

v  Desatenção e dispersão

A criança disléxica possui pouca concentração e por isso há maior facilidade de dispersão. Como ela percebe que não acompanha os demais colegas no desenvolvimento da leitura, tende a anular-se, tendo sua auto-estima diminuída. Nesse caso, a desatenção e a dispersão é uma forma de demonstrar aos outros ,  que não sabe porque não está interessada em aprender . Isola-se para não precisar enfrentar o erro.

O professor deve estar atento ao comportamento da criança para que ela sinta-se parte integrante e ativa da sala de aula.

v  Dificuldade em copiar do livro ou do quadro

Não localiza-se, freqüentemente está perdida, porque copia letra por letra, as vezes dá-se a impressão de que a criança possui dificuldades na visão.

A percepção visual permite a extração de informações sobre coisas, lugares e eventos do mundo visível. A percepção é um processo para aquisição de informações e conhecimentos, guardando relação com a memória a longo prazo.

A percepção é uma das primeiras atividades que tomam parte do processo leitor e a forma mais específica visual. Aprendemos ler com o poder de olhar. Ao entrarmos no mundo dos leitores, fixamos, primeiramente nossa olhada nos símbolos impressos.

A criança disléxica não possui essa visão, e o professor atento pode perceber a dificuldade que a mesma enfrenta ao realizar uma atividade de cópia.

v  Dificuldade na coordenação motora fina (desenhos, pintura, etc.) e/ou grossa (ginástica, dança, etc.)

O desenvolvimento sensório motor e projetivo vai até três anos. A aquisição da marcha e da prensão, dão à criança autonomia na manipulação de objetos e na exploração nos espaços. O termo projetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar de gestos para se exteriorizar. O ato mental “projeta-se” em atos motores. (Com Dantas, 1992), para Wallon, o ato mental desenvolve-se à partir do ato motor. Nesse sentido, é por meio da aprendizagem motora que adquire-se habilidades, que é a adaptação do movimento aos estímulos, resultando em velocidade e precisão de comportamento. A habilidade pode variar de simples reações musculares e complexos processos motores.

O aluno disléxico tem seu desenvolvimento motor mais lento, e por esse motivo sua habilidade motora fina e grossa parece ser comprometida, tendo dificuldade em desenvolver atividades que envolvem movimentos com as mãos, como fazer bolinhas, seguir o tracejado com o lápis, colar diferentes objetos, participar de jogos, pular corda, andar sobre a linha, entre outras.

Professor deve estimular o aluno para que desenvolva essas habilidades através de atividades lúdicas, favorecendo assim o pleno desenvolvimento da coordenação.

v  Desorganização geral, podemos citar os constantes atrasos na entrega dos trabalhos escolares

A criança não se localiza no tempo e parece estar sempre fora da realidade, também há uma desorganização em seu material escolar, perde caderno, brinquedos, roupas. Falta-lhe o sentido da responsabilidade.

v  Dificuldades visuais, como por exemplo, podemos perceber com certo impacto, a desordem dos trabalhos no papel e a própria postura da cabeça ao escrever

O trabalho apresentado é desordenado, o aluno inicia a escrita e segue sem uma seqüência no espaço da folha. Ora tende a seguir uma direção, na outra segue para outra. Sua postura com a cabeça perpendicular ou quase encostando no papel, dando a nítida impressão que está forçando a visão para fazer a leitura.

v  Confusão entre direita e esquerda

Possui muita dificuldade com a lateralidade, tanto a própria, quanto ao referir-se a alguém e ao papel onde lê ou escreve.

v  Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc.

Não segue a ordem estabelecida, tem dificuldade em perceber a posição do mapa, encontrar o próprio nome em uma lista de nomes é dificultoso, muito mais encontrar palavras em dicionário ou nomes em uma lista grande como a telefônica, pois a inicial confunde sua observação e não consegue seguir a palavra.

v  Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas

Para Wallon, desenvolvimento da função simbólica e da linguagem vai até os três anos. A partir dessa idade a criança aprimora –o. O disléxico possui dificuldades nesse aprimoramento e pode-se perceber uma dificuldade na oralidade, na qual a criança possui poucas palavras em seu vocabulário. Suas frases dizem apenas o essencial e resumem-se em uma ou duas palavras apenas. Se decide falar uma frase mais longa, acaba perdendo o sentido ou ficando evasiva.

É citado um estudo de Buheler com relação a apreensão manual de objetos por crianças pequenas, sua capacidade de usar vias alternativas quando da consecução de um objetivo e o uso que elas fazem dos instrumentos primitivos, inferindo que o inicio da inteligência prática na criança – raciocínio técnico – assim como nos chimpanzés, é independente da fala, constituindo –se no princípio do conhecimento cognitivo. Esse pressuposto de Buhler, opõe-se à revelação de que há uma integração entre a fala e o raciocínio prático ao longo do desenvolvimento.

A observação de crianças numa situação similar ao macaco, mostra que elas não só agem na tentativa de atingir seu objetivo como também falam. Assim parece natural e necessário que a criança fale enquanto age. A fala é tão importante quanto a ação; as crianças com a ajuda da fala, criam maiores possibilidades do que aquelas que os macacos podem realizar com a ação.

Estabelecendo a relação entre a fala e o uso de instrumentos, conseqüentemente a interação social e a transformação da atividade prática, demonstrada nos experimentos, conclui-se que quanto mais complexa a ação exigida pela situação e menos direta a solução, maior a importância que a fala adquire na operação como um todo. É através da fala que a criança planeja como solucionar um problema e executa a solução a partir de uma atividade visível.

v  Dificuldades de memória de curto prazo, como instruções e recados, etc.

Um estudo comparativo da memória humana revela que, mesmo nos estágios mais primitivos do desenvolvimento social, existem dois tipos fundamentalmente diferentes de memória. Uma delas dominante no comportamento de povos iletrados, caracteriza-se pela impressão não mediada de materiais, pela retenção das experiências reais como base dos traços de mnemônicos ( de memória), conhecida como memória natural, é o desenvolvimento cultural de seu comportamento. São determinadas pela estimulação ambiental. No caso das funções superiores, a característica essencial é a estimulação autogerada, isto é, a criação e o uso de estímulos artificiais que se tornam a causa do comportamento.

v  Dificuldade em decorar seqüências, como meses do ano, alfabeto, etc.

Da mesma forma que a criança possui dificuldade em memorizar instrução e recados, também não consegue memorizar uma seqüência, tendo dificuldades em repetir os meses do ano, dias da semana ou até uma brincadeira em que exige-se seguir uma seqüência.

v  Dificuldade na matemática e desenhos geométricos

Segundo Landau (1986) “O pensamento criativo existe em toda a situação na qual o homem se confronta com a necessidade de solucionar problemas”. Em relação ao ensino da matemática, a criança disléxica sente dificuldade em solucionar os problemas que lhe são apresentados, não identifica figuras geométricas, dando a impressão de que não consegue desenvolver o pensamento criativo na qual todas as habilidades envolvidas nesse processo, que exigem pensar, tentar, observar, analisar, conjeturar, verificar, para resolver as atividades propostas, o que compõe o que chamamos de raciocínio lógico, uma das metas prioritárias no ensino da matemática.

v  Problemas de conduta como retração e timidez excessiva, depressão, e menos comum, mas também possível. Tornar-se o palhaço da turma

A criança disléxica, percebe sua dificuldade perante os colegas e possui a auto- estima baixa. Dessa forma sente-se tímida, tem medo de realizar exercícios que exigem memória na frente dos colegas, e os colegas não respeitando essa dificuldade, aproveitam para fazer “chacota” da mesma o que a faz passar a ser considerada o “palhaço” da turma.

v  Grande desempenho em provas orais

Pelo motivo de a criança possuir dificuldades na leitura, ela possui um bom desempenho na prova oral, o que demonstra que do conteúdo ela se apropriou, porém possui dificuldade em registrar por escrito.

Se nesta fase a criança não for acompanhada adequadamente, os sintomas persistirão e irão permear a fase adulta, com possíveis prejuízos emocionais, além de sociais e laborais.

4.3 ALGUNS SINTOMAS ADULTO

Se não teve um acompanhamento adequado na fase escolar, ou se possível pré-escolar, o adulto disléxico ainda apresentará dificuldades:

v  Continuada dificuldade na leitura e escrita

Mesmo depois de adulto, o disléxico continua com grandes dificuldades na leitura se não foi bem trabalhado quando criança. “Formar leitores é algo que requer, portanto, condições favoráveis para a prática da leitura”. (PCN p. 58)

v  Dificuldade para soletrar

O leitor inverte a ordem das letras apresentando dificuldades até numa simples soletração.

v  Memória imediata prejudicada

Num jogo onde necessite a memória imediata, demonstra dificuldade.

v  Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia)

O disléxico esquece nomes e confunde até mesmo amigos ou familiares de seu convívio diário invertendo nomes.

v  Dificuldade com lateralidade

Nunca sabe ao certo sua direita ou sua esquerda, não localiza-se no espaço.

v  Dificuldade em aprender uma Segunda língua

Como possui dificuldade com a língua materna, ao tratar-se de uma Segunda língua, é quase impossível dominá-la.

v  Dificuldade em organização geral

A sua vida é uma constante desorganização. Material escolar, roupas, calçados estão sempre desorganizados.

v  Comprometimento emocional

O adulto disléxico geralmente é irritado, desconfiado e possui muita insegurança.

4.4 OUTROS SINTOMAS GERAIS DA DISLEXIA

v  Coeficiente de inteligência normal

Aparentemente o aluno não possui distúrbio nenhum, pois relaciona-se bem com os colegas e consegue se comunicar de maneira satisfatória.

v  Deficiência na associação visual e auditiva e na retenção dessas imagens

Tornando difícil o reconhecimento dos símbolos gráficos que a criança procura representar e sua reprodução. Isto é constatado pela dificuldade de leitura e escrita.

v  Desenhos apresentando inversões, repassamentos e má reprodução

O desenho é efetuado de forma inversa com muitos repasses sobre o mesmo, se for reproduzir um desenho o trabalho fica a desejar.

v  Deficiência no conceito de localização e orientação espacial e temporal

Como possui dificuldades na lateralidade, também tem dificuldade na orientação espacial. Por não conseguir seguir uma seqüência como os meses do ano ou mesmo os dias da semana, possui dificuldade em localizar-se no tempo.

v  Transtornos da percepção visual

Que se torna deficiente pela dificuldade espacial, reveladas através das distorções de letras.

v  Dificuldades de memória cienestésica

Não consegue memorizar cenas.

v  Desorientação temporal do ritmo

Que faz com que haja perda da ordem de sucessão dos sons que formam uma palavra.

v  Boa capacidade de adaptação ao meio e boas condições físicas, em geral

Na oralidade consegue convencer e fazer amizade, possui saúde normal. Lateralidade cruzada e dificuldade em relação à figura-fundo, antes da correção dos distúrbios visuais encontrados e outros.

5  INTERVENÇÃO PARA O PROBLEMA DE APRENDIZADO

5.1 LEITURA

Ler é decodificar a língua escrita, acessar o código escrito, mas em função de uma exposição oral. Quando este acesso falhar, falamos, pois, em dificuldade de aprendizagem na leitura ou especificamente, dislexia.

A decodificação é base para a compreensão e esta atende às finalidades leitoras. É a capacidade que temos como escritores ou leitores ou aprendentes de uma língua, para identificarmos um signo gráfico por um nome ou por um som da fala, denominado, fonemas. As letras são grafemas. Fonemas e grafemas, juntos, dão-nos a metalinguagem necessária para a leitura.

Se a decodificação falha, a compreensão falha. Se ambos são deficientes, o julgamento de um texto também se torna precário.

Por isso, uma criança pode reconhecer as letras do alfabeto de sua língua materna, mas se não souber os fonemas da fala, representados pelos signos gráficos, não vai conseguir ler um texto. Quanto muito incorrerá numa leitura deformada em que não leva em conta o timbre, ou o contraste da sonorização dos fonemas vocálicos ou consonantais.

O professor que perceber em seus alunos, dificuldades como trocas visuais e auditivas de letras deve desenvolver atividades de discriminação visual, como figura-fundo e trabalho corporal de lateralização com exercícios e brincadeiras que envolvam direita/esquerda e de discriminação auditiva, com diferentes tipos de sons, músicas, danças, cantigas de rodas.

São doze os fonemas vocálicos da fala, imprescindíveis para a leitura inicial, a saber: / a /, / é /, / ê /, / i /,/ ó / ,/ u /, / na/, /en/, /in/, /on/ e /un/. Sete orais e cinco nasais.

A aprendizagem da decodificação se consegue através do conhecimento do alfabeto e da leitura oral ou ainda da transcrição de um texto oral para a língua escrita.

Todavia, a alfabetização, enquanto momento de aquisição do processo lecto-escritor, uma etapa difícil, para a criança, no complexo processo de aquisição da linguagem formal e sistemática, requer de seus alfabetizadores conhecimentos lingüísticos e psicolingüísticos.

O professor que desejar fazer um bom trabalho de leitura com seus alunos, deve ficar atento às dificuldades por eles apresentadas. Quando a criança apresenta um quadro de repetição de palavras, omissão ou inversão e acréscimo de letras ou sílabas, troca de palavras com o mesmo perfil gráfico ou pula a linha, deve trabalhar com um processo de análise e síntese. A percepção espacial e temporal pode ser trabalhada, através de atividades lúdicas como quebra-cabeça, dominó, dama, memória, entre outras que desenvolvem a atenção. Atividades que desenvolvem a simbolização podem ser trabalhadas também. Citamos como exemplo: dramatizações, histórinhas, faz de conta, rimas.

Um alfabetizador que não sabe fazer distinção entre letra “o” (aqui entre aspas) e o fonema /o/, representado entre barras, não é capaz de mostrar às crianças a variação fonológica que dependendo do ambiente fonológico, implica em mudança de timbre e de pronuncia.

A letra “o”, conforme seu ambiente fonológico, pode representar fonema com timbre aberto (como em/avó/), fechado (como em “bolos” que se lê / bôluz/) ou simplesmente reduzido (som de/u/, como em / pêdru/).

São três as funções essenciais da leitura: a) transformar (decodificar), b) compreender, c) julgar.

  • Transformar em leitura, decodificar, dá-se quando o leitor converte a linguagem escrita em linguagem oral.
  • Compreender se efetiva, quando o leitor consegue captar ou dar sentido ao conteúdo da mensagem. Uma mensagem pode ser traduzida por muitas interpretações, sentidos plurais. Todo texto, especialmente no campo da literatura, das artes e das linguagens apelativas (mídia, por exemplo), isto é, quando não é documento, traz sua imanência a polassêmia, a interpretação plural.

A compreensão, outra etapa do processo lecto-escritor e, decerto, a mais importante na aquisição” da linguagem, é a captação do sentido ou conteúdo das mensagens escritas. Sua aprendizagem se dá através do domínio progressivo de textos escritos cada vez mais complexos. (ALLIENDE, 1987, p.27)

  • Julgar é a capacidade que o leitor tem de analisar o valor da mensagem no contexto social. O juízo de valor faz parte da formação de valores do leitor. A leitura é uma linguagem a ser adquirida. Não nascemos, pois, leitores. Entretanto, quando o leitor desenvolve uma leitura sem ritmo, sem pontuação, torna-se difícil o entendimento do texto lido. O professor pode trabalhar ritmo interno e externo com a criança, através de exercícios respiratórios e atividades que envolvam locomoção cadenciada como andar, correr, pular, engatinhar.

Ler uma obra é encontrar sentido mesmo que a mesma não traga sentido nenhum para o mundo de referências do leitor. Abandonar uma leitura de uma obra nas primeiras páginas pode sinalizar fadiga ou exaustão do leitor inexperiente, mas, se hábil, pode ser explicado por um procedimento de abandono intencional, por um julgamento critico do leitor. Ler é um mergulho no mundo mágico das palavras, no chamado mundo encantado da leitura, assim como decantou Monteiro Lobato no seu maravilhoso Sítio do Pica-Pau Amarelo. Sem esse mergulho no fantástico, sem essa viagem ao mundo das letras, estamos diante de uma limitação lingüística ou psicolingüística que impedirá o reconhecimento, também, das palavras de uma linha ou de um texto de forma contínua.

Muitas vezes também, nosso aluno lê mas não compreende o que está lendo. Nesse caso, pode-se trabalhar conceituação, fazendo leitura de objetos e situações do cotidiano. Ler, a rigor, não é apenas ler as palavras nas linhas, na sua dimensão linear, mas ler as entrelinhas. A descoberta do subjacente, do paradigmático, do ausente, encontrar o dito, mas não explicito, no texto.

As teorias desenvolvidas por Emilia Ferreiro e seus colaboradores deixam fundamentar-se em concepções mecanicistas sobre o processo da alfabetização, para seguir os pressupostos construtivistas/interacionistas de Vygotsky e Piaget.

Do ato de ensinar, o processo desloca-se para o ato de aprender por meio da construção do conhecimento que é realizado pelo educando, que passa a ser visto como um agente e não como um ser passivo que recebe e absorve o que lhe é “ensinado”.

Vygotsky, em seu livro “A formação social da mente”, chama a atenção para o fato de que cada área do conhecimento possui um código intrínsceco especial, uma lógica interna. Por isso, cada uma delas atua de uma maneira específica para a construção e o desenvolvimento do pensamento humano.

Os problemas de leitura e escrita devem ter uma resposta eficaz na escola, num trabalho interdisciplinar, com a ajuda de profissionais da psicologia, da fonoaudiologia e também da medicina, mas com condições satisfatórias e ligadas ao ambiente escolar.

O professor deve ser o mais qualificado nas questões lectoescritas. De nada adianta uma grande equipe de apoio se o professor não está preparado suficientemente.

É necessário o trabalho da reeducação lingüística, formando consciência fonológica dos sons da fala. Ensinar bem as vogais e as consoantes da língua materna. É esta consciência fonológica ou lingüística que fará com que a criança ao escrever palavras com letras simétricas (p, b, p, q) , pense e repense sobre o processo da escrita alfabética.

Para que a criança consiga assimilar o processo da leitura, o professor deve trabalhar os pré – requisitos anteriores para dessa forma desenvolver as habilidades necessárias para conseguir a leitura a criança deve primeiro desenvolver a linguagem, o motor e o psicomotor.

Veremos a seguir alguns quadros nos quais apresentaremos sugestões de intervenção para os obstáculos mais comuns encontrados no trabalho com crianças disléxicas, nas áreas de leitura, escrita e cálculo.

PROCEDIMENTOS DE INTERVENÇÃO – DIFICULDADES NO APRENDIZADO DA LEITURA.

Quadro 1- LEITURA

OBSTÁCULO

PROCEDIMENTO DE INTERVENÇÃO

Repetição de palavras, omissão, inversão e acréscimo de letras, sílabas, troca de palavras com o mesmo perfil gráfico, pular linha.

  • Trabalhar com processo de análise e síntese, percepção espacial e temporal, através de: quebra cabeça, dominó, dama, memória,…
  • Atividades que favoreçam a simbolização, através de: dramatizações, historinhas, faz de conta, adivinhações, rimas,…

Trocas visuais – t/f, n/u, b/d

Trocas auditivas – v/f, t/d, ch/j, p/b

  • Desenvolver atividades de:

Discriminação visual, figura-fundo e trabalho corporal de lateralização, através de: exercícios que envolvam direita/esquerda

Discriminação auditiva, através de: diferentes tipos de sons, músicas, cantigas de roda,…

Sem ritmo, sem pontuação

  • Trabalhar ritmo interno e externo, exercícios respiratórios, através de: atividades que envolvam locomoção cadenciada como: andar, correr, pular, rolar, engatinhar,…

Não compreensão do que lê.

  • Trabalhar conceituação fazendo leitura de objetos e situações do cotidiano.

FONTE: SEED(1998)

5.2 ESCRITA

Para Emilia Ferreiro e Ana Teberosky (1986) as crianças são facilmente alfabetizáveis desde que descubram, através de contextos sociais funcionais, que a escrita é um objeto interessante e que merece ser conhecido (como tantos outros objetos da realidade aos quais dedicam seus melhores esforços intelectuais).

Quando se trabalha com a criança a coordenação motora ampla e fina, relaxamento e ritmo respiratório, através da música, dança, teatro e esportes, controle postural, equilíbrio, dança, educação física, orientação espacial e temporal, também esta sendo trabalhada a escrita. Muito diferente do que se pensa, dessa forma a criança está sendo conduzida a ter uma postura adequada, libertando-se do cansaço e da lentidão na escrita e superando a dificuldade da famosa “escrita em espelho”.

A dificuldade nem sempre existe, o que existe é o fato de nossos professores, tendo sempre um planejamento a ser cumprido, atropela a ordem dos acontecimentos e parte direto para a escrita, deixando de lado atividades que no seu ponto de vista seriam perda de tempo, mas que na verdade deveriam ser o ponto de partida.

São os adultos que têm dificultado o processo imaginando seqüências idealizadas de progressão cumulativa, estimulando modos idealizados de fala que estariam ligados à escrita e construindo definições de “fácil” e de “difícil”, que nunca levaram em conta de que maneira se define o fácil e difícil para o ator principal da aprendizagem: a criança.

Na visão de Vygotsky, a língua escrita e a cultura livresca mudam profundamente os modos de funcionamento da percepção, da memória e do pensamento. Ao apropriar-se da língua escrita o indivíduo se apropria das técnicas oferecidas por sua cultura, e que, a partir desse momento, se tornam “técnicas interiores”.

Dessa forma, um instrumento cultural se instala no indivíduo e se converte em instrumento individual e privado.

A criança disléxica que apresenta escrita irregular, angulosa ( feia), que possui pressão muito forte/fraca , ou ambas na mesma escrita precisa ser trabalhada a motricidade fina com atividades que envolvam exercícios de tônus muscular, dissociação de ombro, braço, punho, mão e dedos,  a dominância manual e relaxamento, através da tensão e relaxação dos seguimentos do braço e mào.

A língua escrita é um sistema particular de símbolos e signos cuja dominação prenuncia um ponto crítico em todo o desenvolvimento cultural da criança.

Para isso é necessário que as letras se tornem elementos da vida da criança da mesma forma como a fala o é. Em suma, Vygotsky afirma que se deve fazer é ensinar às crianças a linguagem escrita, seu conteúdo e seu significado e não apenas escrever letras.

O professor deve diminuir a exigência pedagógica  ( macrografia/micrografia) dessa forma a criança terá maior segurança no ato de escrever e escrevendo com segurança, poderá desenvolver a escrita.

Na tabela a seguir mostraremos obstáculos encontrados por crianças disléxicas e procedimentos de intervenção que o professor poderá fazer uso para que o aluno possa fazer uso da língua escrita.

PROCEDIMENTOS DE INTERVENÇÃO – DIFICULDADES NO APRENDIZADO DA

ESCRITA

Quadro 2 – ESCRITA

OBSTÁCULO

PROCEDIMENTOS DE INTERVENÇÃO

Escrita irregular, angulosa (garranchos), pressão muito forte e/ou muito fraca, ou ambas na mesma escrita, aglutinação e dissociação da palavra

  • Trabalhar a motricidade fina com atividades que envolvam: exercícios de tônus muscular, dissociação de ombro, braço, punho, mão d dedos, a dominância manual e relaxamento, através da tensão e relaxação dos segmentos do braço e da mão.

Macrografia e micrografia.

  • Diminuir o nível de exigência pedagógica.

Postura inadequada.

  • Trabalhar o controle postural, através de exercícios de equilíbrio em atividades de dança, educação física,…

Lentidão e cansaço.

  • Trabalhar a coordenação motora ampla e fina, relaxamento e ritmo respiratório, através da música, da dança, do teatro e de esportes.

Escrita em espelho.

  • Trabalhar o eixo corporal, através de atividades corporais, explorando os lados do corpo (direito/esquerdo) e orientação espacial, através de jogos recreativos e atividades físicas.

FONTE: SEED (1998).

Autores: NELCI CARMEM CAVALLI DA SILVA

SANDRA MARA DALLE CORT DENARDI

SALVE ESTA MATÉRIA!

Comments

  1. By T3

Deixe uma resposta