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TEMPO DE LETRAMENTO

RESUMO: Este estudo pretende discutir o fenômeno do letramento, diferenciando-o do processo de alfabetização que muitos ainda insistem em realizar, bem como fazer com que os profissionais da área educacional reflitam sobre sua prática pedagógica, atualizando-se em termos de novas teorias.Verifica-se que não se pode pensar em alfabetização, distanciado das práticas de letramento, pois uma completa a outra. Porém, não é só no âmbito escolar que se dá os processos de letramento, porque é um processo que se estende por todos os anos de escolaridade e, mais que isso, por toda a vida. Vivemos em um momento educacional peculiar que, pedagogicamente, se caracteriza pela convivência entre o saber e o não saber, a busca e a resistência. Nessa fase de transição, somos obrigados a admitir que, de fato, a escola vem sofrendo um considerável impacto, mas que a assimilação do novo é ainda inconsciente.

Palavras-chaves: Letramento, alfabetização, linguagem, escrita.


Introdução

Atualmente passa-se por um momento de transformação de idéias e práticas pedagógicas, em função das pesquisas ocorridas nas duas últimas décadas. Essas pesquisas desencadearam uma revolução conceitual, uma mudança de paradigma. Nossa sociedade está cada vez mais globalizada, mais complexa, exigindo um aprimoramento constante, criando novas necessidades.

Há alguns anos, as pessoas eram classificadas em alfabetizadas ou analfabetas, pela condição de saber, ou não, escrever o próprio nome-condição para que se pudesse votar e escolher os governantes. Na década de oitenta, surgiu o termo analfabetismo funcional para designar as pessoas que, sabendo escrever o próprio nome e identificar letras, não sabiam fazer uso da leitura e da escrita, sendo, portanto, analfabeto funcional.

Mas, observou-se que, mesmo dentre os que permaneciam por mais tempo nas escolas, alguns não eram capazes de interagir e se apropriar da leitura e da escrita. Criou-se então, o termo letramento, para designar esta nova condição.

Surge então, a necessidade das escolas repensarem seu papel social. Não apenas alfabetizar. Não apenas fazer com que o indivíduo permaneça na escola por mais tempo. Mas dar qualidade a esse tempo de permanência nas escolas. Ou seja, letrar os seus alunos, pois o letramento possibilita que o indivíduo modifique as suas condições iniciais, sob os aspectos: social, cultural e econômico para este crescer tanto cognitiva quanto criticamente.

O tema letramento vem sendo objeto de pesquisas e publicações no Brasil a partir da segunda metade dos anos de 1980, basicamente. Os estudos do letramento preocupam-se com usos e funções sociais da leitura e da escrita. E é esse fenômeno que será estudado neste trabalho. E, partindo destes estudos iniciais é que se dividirá o artigo nos seguintes tópicos: o que é letramento, sua origem, mitos, diferença entre letramento e alfabetização e a sua prática no projeto político-pedagógico da escola.


1 Surgimento do termo letramento

Até pouco tempo foi consensual o sentido atribuído aos conceitos de analfabeto, analfabetismo, alfabetização: analfabeto – o que não sabe ler e escrever; analfabetismo – o estado ou condição de quem não sabe ler e escrever; alfabetização – o processo de ensinar a ler e a escrever. Progressivamente – e particularmente ao longo das duas últimas décadas – vem-se revelando uma tendência a qualificar e precisar esses conceitos, ampliando seu significado. Assim, tanto na mídia quanto na literatura educacional, intensificam-se as discussões sobre um analfabetismo funcional, sobre o analfabeto funcional, multiplicam-se as críticas a uma alfabetização que, embora ensine a ler e a escrever, não habilita os indivíduos a fazer uso da leitura e da escrita nem lhes facilita o acesso ao material escrito.

Sabe-se somente em meados dos anos 80 que os sistemas de ensino começam a reconhecer que a alfabetização não se reduz ao reconhecimento e uso das relações entre cadeia sonora da fala e a cadeia gráfica da escrita, limitando-se ao primeiro ano de escolaridade, à chamada classe de alfabetização. Além disso, a ampliação do tempo para a alfabetização significando que a esta cabe não apenas ensinar a ler e a escrever, mas também desenvolver habilidades de uso social da leitura e da escrita e gosto pelo convívio com material escrito. Ao mesmo tempo, e como conseqüência vai se modificando a metodologia da alfabetização, passando a defender-se que essa ocorra não por meio de tradicionais cartilhas, voltadas exclusivamente para a mecânica da leitura e da escrita, mas pelo convívio do analfabetizando com o material escrito que circula na sociedade, em diferentes gêneros. Como conseqüência, enfatiza-se cada vez mais a importância das bibliotecas públicas e escolares, do acesso ao livro, aos jornais, às revistas, da multiplicação de eventos que levem a criança à participação em práticas reais e não apenas escolares de leitura.

Essa nova visão da aprendizagem da leitura e da escrita é que faz surgir no vocabulário educacional o termo letramento, criado para designar o estado ou condição de um indivíduo que não só sabe ler e escrever – não só é alfabetizado – mas também sabe (e tem prazer em) exercer as práticas sociais de leitura e de escrita que circulam na sociedade em que vive.

Está versão para o português da palavra “literacy”, vem do latim “littera” (letra), com o sufixo –cy, que denota qualidade, condição, estado, fato de ser. Literacy é o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e escrever. O sufixo –mento é o resultado de uma ação.

A palavra letramento apareceu pela primeira vez no livro de Mary Kato: No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística, de 1986. A palavra letramento não é, como se vê definida pela autora e, depois dessa referência apareceu em 1988, no livro que pode-se dizer, lançou a palavra no mundo da educação, dedica páginas à definição de letramento: é o livro Adultos não Alfabetizados – o avesso do avesso, de Leda Verdiani Tfouni(São Paulo, Pontes, 1988, Coleção Linguagem/Perspectivas) um estudo sobre o modo de falar e de pensar de adultos analfabetos.

O que significa aprender a ler e escrever? É alfabetizar-se, deixar de ser analfabeto, tornar-se alfabetizado, adquirir a “tecnologia” do ler e escrever e envolver-se nas práticas sociais de leitura e de escrita – tem conseqüências sobre o indivíduo e altera seu estado ou condição em aspectos sociais, psíquicos, culturais, políticos, cognitivos, lingüísticos e até mesmo econômicos. Então, Letramento é o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um individuo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita. E sobre isso Paulo Freire afirma que:

“… Aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade”(2001).


2 Mitos sobre o letramento

Tornar-se letrado é um processo no qual o indivíduo se engaja mais, ou menos, de acordo com seu papel, seus interesses e suas necessidades na comunidade em que vive. Contudo, o fato de um indivíduo não necessitar do código escrito para interagir socialmente não significa de maneira alguma que ele seja menos inteligente do que aquele que faz uso da escrita, ou que ele seja incapaz de funcionar satisfatoriamente em seu meio social. Este é um dos mitos (Descardeci, 2001) sobre letramento predominantes no senso comum: o de se pensar que aquele que não faz uso do código escrito para se comunicar seja incapaz de raciocinar logicamente, de inferir informações ou de se expressar oralmente.

Outro mito muito comum, que de certa forma decorre do descrito acima, é o de se pensar que o adulto iletrado deva ser tratado como criança, porque ele pensa como criança. O exemplo mais marcante desse mito encontra-se nos livros didáticos para ensino de adultos. Estes, em sua maioria, reproduzem o modelo e a linguagem daqueles usados em cursos regulares de alfabetização e pós-alfabetização. Há que se considerar, contudo, que adultos que retornam à escola, ou que a procuram pela primeira vez, vêm de uma experiência de vida completamente diferente daquela das crianças, bem como com objetivos completamente distintos. O uso que eles fazem da linguagem em suas vidas também difere daquele das crianças. O modo como eles representam o mundo também é diferente.

Um terceiro mito sobre o letramento refere-se à crença de que a modalidade escrita de representação da mensagem seja superior a outras modalidades. É tendência comum em sociedades letradas se atribuir maior relevância à escrita do que a outros modos de representação. Contudo, o código escrito não pode ser entendido senão em relação com outros modos de representação da mensagem, tais como imagens, “layout” e recursos tipográficos (formato das letras). A escrita é um modo de representação que se combina com outros na composição da mensagem.


3 Alfabetização e letramento

Nas pesquisas em Educação, História, Sociologia e Antropologia, as que se voltam para o estudo do número de alfabetizados e analfabetos e sua distribuição, ou que se voltam para o número de crianças que a escola consegue levar à aprendizagem da leitura e da escrita, na série inicial, são pesquisas sobre alfabetização. As pesquisas que buscam identificar os usos e as práticas sociais da leitura e escrita, em determinado grupo social ou buscam recuperar com base em documentos e outras fontes, as práticas de leitura e escrita no passado são pesquisas sobre Letramento.

Um indivíduo pode não saber ler e escrever, isto é, ser analfabeto, mas ser, de certa forma, letrado, pois pode de certa forma, envolver-se em práticas sociais de leitura e de escrita. Da mesma forma, a criança que ainda não se alfabetizou, mas já folheia livros, finge lê-los, brinca de escrever, ouve histórias que lhe são lidas, está rodeada de material escrito e percebe seu uso e função, essa criança ainda é “analfabeta” porque não aprendeu a ler e escrever, mas já penetrou no mundo do Letramento, já é, de certa forma, letrada. Sobre isso comenta Magda Soares Se uma criança sabe ler, mas não é capaz de ler um livro, uma revista, um jornal, se sabe escrever palavras, mas não é capaz de escrever uma carta, é alfabetizada, mas não é letrada.

Depois de muitos séculos usando o termo analfabetismo, que se caracteriza pela negação, fomos levados a considerar o uso de outro termo para fazer referência a uma nova realidade: aquele indivíduo que, mesmo tendo garantido o seu ingresso na escola, não aprendeu.

Preocupada com a compreensão desse fracasso e com suas as implicações pedagógicas na prática escolar, Kleiman (1995) procura distinguir duas concepções de letramento. O Modelo Autônomo, calcado na idéia de que a escrita teria uma lógica em si independentemente do contexto de produção, pressupõe um caminho único de desenvolvimento das habilidades e aprendizagem do sistema. Identificado com  o progresso, a cultura, a civilização e a mobilidade social , tal concepção é predominante, prestando-se à legitimação do ensino em massa, projetado pela própria estrutura da língua a ser aprendiada. No caso de fracasso, a culpa obviamente recai sobre o aluno (sua origem, sua família, sua estrutura mental, deficits lingüísticos ou carência cultural). De modo inverso, o Modelo Ideológico, associa as práticas de letramento à cultura e a estrutura de poder da sociedade, considerando seus resultados pela assimilação sempre diferenciada de significados e de práticas culturalmente compartilhadas. A consideração disso remete a revisão de práticas pedagógicas, a reconsideração do fracasso escolar e, finalmente, a crítica de posturas preconceituosas tão difundidas no âmbito social.

Se por um lado é verdade que a compreensão dos processos de letramento, ampliou o referencial sobre a conquista da escrita antes estritamente vinculada ao domínio das letras e do funcionamento do sistema de escrita; por outro, o destaque para a pouca familiaridade com as práticas da língua favoreceu um tipo de discurso discriminatório a serviço do processo de exclusão social. Nesse contexto, a referência que se faz aos iletrados acaba, por disseminar a idéia, pela sua identificação com pessoas de vida difícil, que não sabem ler etiquetas, que não sabem usar máquinas de lavar roupa, confundem destinatário e remetente, que não sabem o que é direita e esquerda, não sabem dividir trinta e cinco pessoas em seis mesas, não sabem preencher formulários etc. Pela associação de idéias, iletrismo na França vincula-se à imigração, pobreza, precariedade, dificuldade social e facasso escolar. De modo semelhante, no Brasil, a questão do anlafabetismo parece estreitamente articulada ao quadro de desigualdades regionais que, de modo tão característico, marca as diferenças sócio-econômicas no país. Não raro o analfabeto identifica-se com o nordestino, o negro, o marginal, o carente e o infra-dotado, aquele que dificilmente poderia ser bem sucedido na escola ou no trabalho. Em ambos os casos, na França ou no Brasil, o significado não poderia ser outro: a perpetuação do estigma a serviço do processo de exclusão social.

Tornar-se letrado traz, também, conseqüências lingüísticas: alguns estudos têm mostrado que o letrado fala de forma diferente do iletrado e do analfabeto; por exemplo: pesquisas que caracterizaram a língua oral de adultos antes de serem alfabetizados, e a compararam com a língua oral que usavam depois de alfabetizados, concluíram que, após aprender a ler e a escrever, esses adultos passaram a falar de forma diferente, evidenciando que o convívio com a língua escrita teve como conseqüências mudanças no uso da língua oral, nas estruturas lingüísticas e no vocabulário. E mais uma vez comprova-se isso com as próprias palavras de Magda Soares:

“Alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o indivíduo letrado, o indivíduo que vive em estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e de escrita” (Soares, 1998).


4 A prática do letramento

No início dos anos 90, começaram a surgir os ciclos básicos de alfabetização, em vários estados; mais recentemente, a própria lei “Lei de Diretrizes e Bases”, de 1996 criou os ciclos na organização do ensino. Isso significa que, pelo menos no que se refere ao ciclo inicial, o sistema de ensino e as escolas passam a reconhecer que alfabetização, entendida apenas como a aprendizagem da mecânica do ler e do escrever e que se pretendia que fosse feito em um ano de escolaridade, nas chamadas classes de alfabetização, é insuficiente. Além de aprender a ler e a escrever, a criança deve ser levada ao domínio das práticas sociais de leitura e de escrita. Também os procedimentos didáticos de alfabetização acompanham essa nova concepção: os antigos métodos e as antigas cartilhas, baseados no ensino de uma mecânica transposição da forma sonora da fala à forma gráfica da escrita, são substituídos por procedimentos que levam as crianças a conviver, experimentar e dominar as práticas de leitura e de escrita que circulam na nossa sociedade tão centrada na escrita.

A alfabetização, no sentido que atribui a essa palavra, é que se concentra nos primeiros anos de escolaridade. Concentra-se aí, mas não ocorre só aí: por toda a vida escolar os alunos estão avançando em seu domínio do sistema ortográfico. Aliás, um adulto escolarizado, quando vai ao dicionário, resolver dúvida sobre a escrita de uma palavra está retomando seu processo de alfabetização. Mas esses procedimentos de alfabetização tardia são esporádicos e eventuais, ao contrário do letramento, que é um processo que se estende por todos os anos de escolaridade e, mais que isso, por toda a vida. Eu diria mesmo que o processo de escolarização é, fundamentalmente, um processo de letramento.

Em todas as áreas de conhecimento, em todas as disciplinas, os alunos aprendem através de práticas de leitura e de escrita: em História, em Geografia, em Ciências, mesmo na Matemática, enfim, em todas as disciplinas, os alunos aprendem lendo e escrevendo. É um engano pensar que o processo de letramento é um problema apenas do professor de Português: letrar é função e obrigação de todos os professores. Mesmo porque em cada área de conhecimento a escrita tem peculiaridades, que os professores que nela atuam é que conhecem e dominam. E isso é letramento, atribuição, portanto, de todos os professores, de toda a escola.

Indiscutivelmente, a constatação de práticas viciadas no âmbito escolar atesta a dificuldade na assimilação de uma nova postura educacional em face do ensino e, particularmente, da alfabetização. Uma dificuldade que se explica pela força das práticas tradicionais que permanecem às custas das configurações estruturais e políticas (a inércia), da formação ainda precária dos educadores e, finalmente, de complexos mecanismos de resistência intra-escolar ainda pouco estudados e compreendidos.

A despeito disso, não se pode dizer que a escola permanece imune às contribuições teóricas, aos apelos das novas propostas pedagógicas ou às exigências democráticas. Muito pelo contrário, os esforços de renovação são evidentes (em maior ou menor grau, com mais ou menos eficiência) tanto na proposta formalmente assumida como nas práticas em sala de aula. Curiosamente, os mesmos professores que, de modo involuntário, patinam nos vícios das tarefas inadequadas são aqueles que, em outras oportunidades, chegam a sugerir atividades bastante ajustadas, comprometidas com o processo de aprendizagem, o respeito e a formação do aprendiz.

Vivemos, portanto, em um momento educacional peculiar que, pedagogicamente, se caracteriza pela convivência entre o saber e o não saber, a busca e a resistência. Nessa fase de transição, somos obrigados a admitir que, de fato, a escola vem sofrendo um considerável impacto, mas que a assimilação do novo é ainda inconsistente.


Considerações Finais

Com esse estudo foi possível perceber que durante muito tempo, pensava-se que ser alfabetizado era conhecer o código lingüístico, ou seja, conhecer as letras do alfabeto. Atualmente, sabe-se que, embora seja necessário, o conhecimento das letras não é suficiente para ser competente no uso da língua escrita. A língua não é um mero código para comunicação. A linguagem é. um fenômeno social, estruturado de forma dinâmica e coletiva e, portanto, a escrita também deve ser vista do ponto de vista cultural e social. Para dar conta desse processo de inserção numa cultura letrada, tal como a atual, utiliza-se atualmente a palavra letramento.

A alfabetização (ou o conhecimento das letras) é apenas um meio para o letramento (uso social da leitura e da escrita). Para formar cidadãos participativos, é preciso levar em consideração a noção de letramento e não de alfabetização. Letrar significa inserir a criança no mundo letrado, trabalhando com os diferentes usos de escrita na sociedade. Essa inserção começa muito antes da alfabetização propriamente dita, quando a criança começa a interagir socialmente com as práticas de letramento no seu mundo social: os pais lêem para ela, a mãe faz anotações, os rótulos indicam os produtos, as marcas ressaltam nas prateleiras dos supermercados e na despensa em casa.

O letramento é cultural, por isso muitas crianças já vão para a escola com o conhecimento adquirido incidentalmente no dia-a-dia. A escola deve continuar o desenvolvimento das crianças nesse processo, evitando as práticas que tornam a criança alfabetizada, com conhecimento do código, mas incapaz de compreender o sentido dos textos.

O professor deve tomar alguns cuidados para envolver o aluno no processo de construção da escrita, tais como, por exemplo, criar um ambiente letrado, em que a leitura e a escrita estejam presentes mesmo antes que a criança saiba ler e escrever convencionalmente, considerar o conhecimento prévio das crianças, pois, embora pequenas, elas levam para a escola o conhecimento que advém da vida, participar com as crianças de práticas de letramento, ou seja, ler e escrever com função social, utilizar textos significativos, pois é mais interessante interagir com a escrita que possui um sentido, constitui um desafio e dá prazer, utilizar textos reais, que circulam na sociedade, utilizar a leitura e a escrita como forma de interação, por exemplo, para informar, convencer, solicitar ou emocionar.

Quando se considera a importância do letramento, ficam de lado os exercícios mecânicos e repetitivos, baseados em palavras e frases descontextualizadas. O enfoque está no aluno que constrói seu conhecimento sobre a língua escrita e não no professor que ensina. Na escola, a criança deve prosseguir a construção do conhecimento iniciada em casa e interagir constantemente com os usos sociais da escrita. O importante não é simplesmente codificar e decodificar, mas ler e escrever textos significativos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COOK-GUMPERS, Jenny. A construção social da alfabetização.Traduzido por Dayse Batista.Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.

DESCARDECI, M.A.A.S. O incentivo municipal à alfabetização: um evento de letramento na comunidade. In: Kleiman, A.B. e Signorini, I. (orgs.). O ensino e a formação do professor. Alfabetização de jovens e adultos. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2001.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo. 41ª ed.Cortez. 2001.

KATO, M. No mundo da escrita:uma perspectiva psicolingüística São Paulo: Ática, 1986.

KLEIMAN, Ângela B. Os significados do letramento – Uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita São Paulo: Mercado de Letras, 1995.

SOARES, Magda B. Letramento, um tema em três gêneros, Belo Horizonte, Edit. Autêntica, 1998.

TFOUNI, L. V. Adultos não-alfabetizados: o avesso do avesso. Campinas: UNICAMP, tese de doutorado, 1986.

—-. Letramento e Alfabetização. Questões da nossa época. São Paulo, Cortez, 1995.

Autor: Lisiani Pereira

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