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Terapia Assistida por Animais na Psicopedagogia: Protocolos para TDAH, Dislexia e TEA

Descubra como implementar a terapia assistida por animais na psicopedagogia para apoiar crianças com TDAH, dislexia e TEA de forma humanizada e eficaz.

Terapia Assistida por Animais na Psicopedagogia: Protocolos para TDAH, Dislexia e TEA

A terapia assistida por animais tem se consolidado como estratégia inovadora na psicopedagogia para apoiar o desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental de crianças com TDAH, dislexia e TEA. Ao integrar o vínculo afetivo com o cuidado especializado, os profissionais podem oferecer intervenções mais humanizadas e motivadoras, potencializando a atenção, autorregulação e habilidades sociais dos alunos.

Além de promover engajamento e prazer na aprendizagem, essa abordagem pode ser aliada a recursos sensoriais e metodologias inclusivas, garantindo resultados consistentes. Para aprofundar o conhecimento, você pode explorar livros sobre terapia assistida por animais e caninoterapia, ampliando seu repertório técnico e teórico.

O que é a Terapia Assistida por Animais na Psicopedagogia?

A terapia assistida por animais na psicopedagogia consiste em utilizar a interação mediada por animais treinados como recurso complementar em intervenções educacionais e terapêuticas. Diferente de atividades recreativas com pets, essa modalidade exige protocolos formais, seleção criteriosa dos animais e formação especializada dos profissionais envolvidos.

Na prática, psicopedagogos colaboram com equipes multidisciplinares (médicos, psicólogos, veterinários e terapeutas ocupacionais) para estruturar sessões que atendam aos objetivos pedagógicos e terapêuticos. Cada intervenção é planejada a partir de avaliações iniciais, considerando as necessidades individuais da criança — como déficit de atenção, dificuldades na leitura e escrita ou desafios de comunicação social.

Os principais animais utilizados são cães (caninoterapia), cavalos (equinoterapia), gatos e pequenos pets de suporte, todos com treinamento específico para interações seguras. A presença do animal favorece a motivação e a confiança do aluno, criando um ambiente acolhedor que potencializa a aprendizagem. Além disso, a simples aproximação pode reduzir níveis de ansiedade e estresse, fatores frequentemente associados a quadros de TDAH e TEA.

Benefícios da Terapia Assistida por Animais para Crianças com TDAH, Dislexia e TEA

Entre os ganhos relatados em pesquisas recentes, destacam-se:

  • Melhora da atenção sustentada: A necessidade de seguir comandos e cuidar do animal focaliza o olhar e reduz dispersões, facilitando exercícios de concentração.
  • Regulação emocional: A liberação de ocitocina e a sensação de conforto diminuem níveis de cortisol, contribuindo no controle de impulsividade e crises de ansiedade.
  • Estímulo sensorial: O toque no pelo, o calor corporal e o ritmo dos movimentos promovem integração sensorial mais eficaz.
  • Desenvolvimento da linguagem: Situações simuladas de comunicação com o animal favorecem a expansão de vocabulário e a estruturação de frases.
  • Habilidades sociais: Interações grupais envolvendo o animal reforçam empatia, cooperação e respeito às regras.
  • Melhora da coordenação motora: Atividades de escovação, toques e trilha com cavalos colaboram no ganho de destreza e equilíbrio.

Em estudos de caso, crianças com dislexia apresentaram avanços na fluência de leitura ao participarem de leituras dialogadas para cães, enquanto indivíduos com TEA mostraram maior interesse em atividades lúdicas integradas à rotina do pet. Esses resultados indicam que a terapia assistida por animais psicopedagogia pode ser uma aliada poderosa para intervenções personalizadas.

Como planejar e implementar um Programa de Terapia Assistida por Animais

O sucesso do programa depende de um planejamento detalhado e do cumprimento de normas de segurança. A seguir, apresentamos um passo a passo para estruturar sua intervenção:

1. Avaliação Inicial e Definição de Objetivos

Realize um levantamento completo do histórico da criança e seus desafios acadêmicos e comportamentais. Defina metas claras, como melhora da atenção em atividades de leitura, redução de episódios de hiperatividade ou aumento da iniciativa social. Utilizar escalas validadas e relatórios de outros profissionais garante precisão.

2. Seleção e treinamento dos animais

A escolha do animal deve considerar temperamento, aptidão para lidar com crianças e requisitos de saúde. Animais de terapia recebem instrução em obediência, familiarização com ambientes escolares e técnicas de relaxamento. Verifique certificados de entidades reconhecidas e mantenha registros de vacinas, vermifugação e check-ups regulares.

3. Formação dos profissionais e protocolos de segurança

Psicopedagogos e assistentes devem passar por treinamento específico em manejo e primeiros socorros veterinários. Estabeleça normas contra mordidas, arranhões e alergias, garantindo área de higiene para o animal e espaço adequado para deslocamentos. Documente procedimentos de emergência e tenha sempre água e material de higiene à disposição.

Atividades práticas e estratégias psicopedagógicas com animais

A seguir, exemplos de atividades que podem ser adaptadas ao perfil de cada criança e ao tipo de animal:

  • Leitura em voz alta para o animal: Enquanto lê, a criança sente-se menos pressionada, contribuindo para a fluência e a compreensão de textos. Experimente organizar círculos de leitura com múltiplos alunos e um cão de terapia sentado ao centro.
  • Jogos de sequência e ordens: Planeje comandos simples como “sentar”, “deitar” e “buscar objeto” para trabalhar funções executivas como memória de trabalho e flexibilidade cognitiva.
  • Atividades sensoriais com pelo e escova: Escovar o animal enquanto identifica texturas e cores integra a exploração tátil ao aprendizado de conceitos visuais.
  • Oficinas de escrita dirigida: A criança escreve uma carta ou um diário imaginário do ponto de vista do animal, estimulando criatividade e estruturação de ideias.
  • Dinâmicas de grupo: Em terapia de grupo, cada participante assume papel de cuidador, promovendo colaboração e autoconfiança.

Para potencializar as intervenções, integre recursos de estações sensoriais de autorregulação em corredores ou salas anexas, permitindo pausas terapêuticas antes ou depois das sessões com o animal.

Integração com outras estratégias sensoriais e tecnológicas

A terapia assistida por animais pode atuar em sinergia com outras abordagens psicopedagógicas, aumentando o alcance dos resultados:

  • Mindfulness sensorial: Combine exercícios de atenção plena com o animal, seguindo orientações de mindfulness sensorial para elevar a consciência corporal e emocional da criança.
  • Design Universal para Aprendizagem (DUA): Adapte as atividades contemplando variações no ambiente, garantindo que alunos com dislexia e TEA encontrem diferentes vias de acesso ao conteúdo conforme as diretrizes do Design Universal para Aprendizagem.
  • Recursos digitais: Utilize aplicativos para registro de progresso, plataformas de vídeo para observar interações e softwares de biofeedback para monitorar reações fisiológicas durante as sessões.

Essa integração enriquece o repertório de estratégias e possibilita ajustes mais precisos em tempo real, reforçando a eficácia da terapia assistida por animais.

Indicadores e Avaliação de Resultados na Terapia Assistida por Animais

Para garantir que o programa atinja as metas propostas, monitore indicadores quantitativos e qualitativos:

  • Escalas de avaliação comportamental: Aplique antes e depois instrumentos como Conners ou Escala de Atenção Sustentada para TDAH.
  • Diários de progresso: Registre observações sobre interações, níveis de engajamento e evolução em tarefas acadêmicas.
  • Feedback de familiares e professores: Colete relatos sobre mudanças no ambiente escolar e em casa.
  • Análise de performance cognitiva: Realize testes padronizados de leitura, escrita e funções executivas em momentos-chave do tratamento.
  • Bem-estar emocional: Utilize escalas de ansiedade e humor para verificar a redução de sintomas em crianças com TEA e dislexia.

Com esses dados, ajuste protocolos e direcione novas demandas, garantindo uma abordagem centrada no desenvolvimento contínuo do aluno.

Conclusão

A terapia assistida por animais psicopedagogia representa uma frente inovadora para atender crianças com TDAH, dislexia e TEA por meio de um vínculo afetivo e de protocolos especializados. Ao combinar recursos sensoriais, tecnologias e metodologias inclusivas, profissionais ampliam suas ferramentas de intervenção, promovendo ganhos significativos em atenção, regulação emocional e habilidades sociais.

Para se aprofundar nessa prática, considere explorar os materiais técnicos e manuais de referência sobre terapia assistida por animais. Com planejamento rigoroso e formação adequada, é possível estruturar programas que transformem a experiência de aprendizagem e apoiem o pleno potencial das crianças.


Professora Fábia Monteiro
Professora Fábia Monteiro
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