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Como usar blocos de construção e jogos de lógica para desenvolver habilidades visuo-espaciais em crianças com dislexia

Descubra como usar blocos de construção e jogos de lógica para desenvolver habilidades visuo-espaciais em crianças com dislexia, com dicas práticas e produtos recomendados.

Como usar blocos de construção e jogos de lógica para desenvolver habilidades visuo-espaciais em crianças com dislexia

A dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta a leitura e a escrita, mas suas repercussões vão além dos processos linguísticos. Muitas crianças com dislexia apresentam dificuldades relacionadas às habilidades visuo-espaciais, importantes para tarefas como orientação, memorização de formas e organização do espaço. Para apoiar esse público de maneira lúdica e eficaz, psicopedagogos podem recorrer a jogos de construção para dislexia e blocos lógicos como ferramentas de intervenção. Ao incluir no atendimento recursos como estes, juntamente com jogos de construção e blocos de montar, os educadores promovem o desenvolvimento cognitivo e visuo-espacial de forma motivadora.

Além disso, materiais sensoriais específicos podem complementar a prática e auxiliar na autorregulação e no foco da criança. Por exemplo, ao combinar blocos com superfícies texturizadas, conforme orienta o guia de materiais sensoriais para dislexia, é possível criar atividades mais completas, que estimulam tanto o tato quanto a percepção visual.

Entendendo a dislexia e as habilidades visuo-espaciais

A dislexia é caracterizada por dificuldades persistentes na decodificação de palavras e na fluência de leitura, mas ela também pode envolver desafios em processar informações visuais e espaciais. As habilidades visuo-espaciais são fundamentais para que a criança organize ideias em mapas mentais, compreenda diagramas e participe de atividades cotidianas, como traçar trajetos ou montar quebra-cabeças. Quando essas competências não são bem trabalhadas, o estudante pode apresentar desmotivação e baixa autoestima.

Do ponto de vista neurocientífico, exercícios que exigem coordenação entre visão e movimentos das mãos promovem sinapses em áreas corticais responsáveis pelo mapeamento espacial. Jogos de construção, como blocos de montar e quebra-cabeças em 3D, são exemplos de ferramentas que unem percepção visual, raciocínio lógico e coordenação motora, beneficiando diretamente o perfil de crianças com dislexia.

Ao inserir esses jogos na rotina de atendimentos ou na sala de aula inclusiva, o psicopedagogo trabalha de maneira integrada funções cognitivas e emocionais, oferecendo um ambiente seguro e acolhedor. Além disso, a brincadeira favorece a autonomia e o protagonismo infantil, essenciais para o engajamento e a estabilidade emocional.

Por que jogos de construção auxiliam no desenvolvimento visuo-espacial

Os jogos de construção para dislexia, como kits de blocos de encaixe e lego educacional, exigem que a criança visualize mentalmente a forma final antes de iniciar a montagem. Esse processo ativa regiões cerebrais ligadas ao planejamento e à representação espacial, incrementando a habilidade de manipular objetos em diferentes eixos.

Em estudos recentes de neurociência aplicada à educação, observou-se que a manipulação de peças promove mudanças na matéria cinzenta do córtex parietal, área responsável pelo processamento espacial. Isso significa que atividades lúdicas se traduzem em ganhos estruturais e funcionais no cérebro infantil.

Além disso, ao experimentar configurações diversas de blocos, a criança desenvolve flexibilidade cognitiva e criatividade. Os blocos podem ser combinados de formas inesperadas, incentivando a resolução de problemas e o pensamento crítico. Essa abordagem é especialmente eficaz para alunos que precisam de reforço em habilidades visuo-espaciais sem recorrer exclusivamente a atividades expositivas ou leitura tradicional.

Como escolher blocos e jogos de construção adequados

Materiais e texturas

Para crianças com dislexia, a escolha dos materiais sensoriais faz toda a diferença. Blocos com superfícies diferenciadas e cores contrastantes facilitam a discriminação visual e o engajamento tátil. Evite conjuntos muito pequenos ou peças que exijam coordenação extremamente precisa, pois isso pode gerar frustração. Prefira peças com formas geométricas variadas, que estimulem a criança a explorar combinações e padrões.

Níveis de complexidade

Selecione jogos de construção que permitam ajustes graduais de desafio. Comece com blocos grandes e instruções passo a passo, evoluindo para modelos com microblocos e projetos mais livres. Essa progressão mantém a motivação e reduz a ansiedade, pois a criança sente que avança de acordo com sua própria velocidade.

Para entender melhor como combinar materiais sensoriais na intervenção psicopedagógica, confira nosso artigo sobre como escolher tapetes sensoriais e complementos para enriquecer as atividades.

Dicas de atividades práticas com blocos e jogos de lógica

Atividade 1: Construção guiada

Ofereça à criança um modelo simples para replicar com blocos. Ao seguir um passo a passo visual, ela exercita a correspondência entre a imagem e as peças, treinando a percepção espacial e a atenção aos detalhes.

Atividade 2: Desafio de lógica

Proponha um objetivo aberto, como “construa a ponte mais estável possível”. Essa tarefa instiga a criança a experimentar diferentes arranjos e a entender conceitos de simetria, equilíbrio e proporção.

Integração com outras abordagens sensoriais

Para potencializar o efeito das brincadeiras com blocos e jogos de construção, combine-as com estímulos de outras modalidades sensoriais. Por exemplo, montar torres sobre superfícies de diferentes texturas, estimular o olfato com essências relaxantes durante a atividade ou inserir trilhas sonoras suaves. Essas variações aumentam o engajamento e contribuem para a autorregulação emocional.

Veja também nossas recomendações de jogos de tabuleiro para consciência fonológica, que podem ser integrados às sessões de psicopedagogia para oferecer um repertório ainda mais rico e diversificado.

Recomendações de produtos pedagógicos

Confira abaixo algumas sugestões de jogos e materiais ideais para intervenção em dislexia. Todos estão disponíveis na Amazon para agilizar sua compra:

Estudo de caso: aplicação em sala de aula inclusiva

Em uma escola de ensino fundamental inclusiva em São Paulo, a equipe psicopedagógica implementou semanalmente atividades com blocos e jogos de construção para um grupo de seis crianças com dislexia. Cada sessão tinha 40 minutos e seguia um roteiro que alternava atividades guiadas e exploratórias. Ao longo de oito semanas, observou-se aumento de 30% na precisão de montagens e melhora na capacidade de seguir instruções visuais sem dependência de apoio constante.

Os relatos dos professores também indicaram redução de comportamentos de fuga e frustração, pois as crianças passaram a encarar os desafios lúdicos como oportunidades de descoberta, não como tarefas obrigatórias. Esse case demonstra o impacto positivo de combinar jogos de construção com uma abordagem psicopedagógica inclusiva.

Conclusão e próximos passos

Os jogos de construção para dislexia e blocos lógicos são aliados poderosos no desenvolvimento de habilidades visuo-espaciais em crianças com transtornos de aprendizagem. Além de promover a coordenação motora e o raciocínio, essas atividades fortalecem a autoestima e o engajamento em tarefas cognitivas.

Para potencializar ainda mais os resultados, integre materiais sensoriais e explore variações de texturas, sons e estímulos visuais. Acompanhe os progressos por meio de registros detalhados e ajuste o nível de desafio conforme a evolução de cada aluno. Com planejamento e criatividade, é possível transformar o atendimento psicopedagógico em uma experiência inclusiva, motivadora e cientificamente fundamentada.


Professora Fábia Monteiro
Professora Fábia Monteiro
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