Como aplicar o Método Montessori para desenvolver funções executivas em crianças com TDAH
Descubra como o método Montessori pode fortalecer funções executivas em crianças com TDAH por meio de atividades práticas e materiais sensoriais especializados.

O método Montessori para TDAH tem se destacado como uma abordagem sensorial e científica para apoiar o desenvolvimento cognitivo de crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Com foco no aprendizado ativo e no respeito ao ritmo individual, essa metodologia oferece estratégias práticas como o uso de kits Montessori sensoriais para estimular a concentração e a autorregulação desde cedo.
O que é o Método Montessori e seus princípios básicos
O Método Montessori, idealizado pela médica e educadora Maria Montessori no início do século XX, baseia-se em cinco princípios fundamentais: respeito ao ritmo da criança, liberdade com responsabilidade, ambiente preparado, materiais autoexplicativos e observação do desenvolvimento. Em psicopedagogia, essa abordagem valoriza o protagonismo do aluno e a autonomia para resolver problemas, aspectos essenciais no trabalho com crianças que apresentam TDAH.
Ambientes montessorianos são organizados de forma a promover a ordem, a estética e o fácil acesso aos materiais. Elementos como lanternas, mapas, puzzles e blocos de construção posicionado ao alcance das mãos incentivam a exploração livre e a concentração. Ao permitir que a criança escolha a atividade, o método fortalece o senso de responsabilidade e estimula funções como planejamento, memória de trabalho e autorregulação.
Para psicopedagogos e educadores, entender esses princípios é crucial para adaptar o método Montessori ao contexto inclusivo. Ao combinar autonomia e limites claros, a criança com TDAH aprende a estruturar seu próprio processo de aprendizagem, reduzindo a impulsividade e aumentando o foco. Essa estratégia pode ser complementada por recursos sensoriais, como os discutidos em aromaterapia para TDAH, enriquecendo o ambiente de intervenção.
Funções executivas: definição e importância no TDAH
As funções executivas englobam um conjunto de habilidades cognitivas responsáveis pelo planejamento, organização, inibição de respostas automáticas e memória de trabalho. Em crianças com TDAH, essas funções são frequentemente comprometidas, gerando desafios como dificuldade em seguir instruções, manter a atenção em tarefas prolongadas e controlar impulsos.
Compreender cada componente das funções executivas é essencial para planejar intervenções eficazes. A memória de trabalho, por exemplo, envolve a capacidade de reter informações temporárias para conclui-las em sequência, tarefa que pode ser treinada com jogos de associação e quebra-cabeças montessorianos. Já a inibição de respostas automáticas se refere à habilidade de pausar antes de agir: atividades que exigem movimentos precisos e bate-pontualidade são excelentes para exercitar essa habilidade.
Ao trabalhar com funções executivas, o psicopedagogo também monitora o avanço por meio de avaliações qualitativas e quantitativas. Relatórios detalhados e registros de progresso em cada sessão ajudam a ajustar as atividades e garantir que o método Montessori esteja realmente potencializando o desenvolvimento cognitivo. Além disso, a aplicação de atividades multissensoriais para memória de trabalho reforça caminhos neurais fundamentais para crianças com TDAH, criando bases sólidas para o aprendizado futuro.
Como aplicar o Método Montessori para desenvolver funções executivas em crianças com TDAH
Seleção de materiais sensoriais adequados
A escolha de materiais é o ponto de partida. Itens montessorianos tradicionais, como torres de cubos, barras numéricas e painéis de botões, auxiliam no desenvolvimento de habilidades motoras finas e no planejamento sequencial. Materiais sensoriais táteis, auditivos e visuais proporcionam estímulos múltiplos que favorecem a concentração.
Para enriquecer essas experiências, o uso de prancha de equilíbrio wobble board em momentos de transição da atividade ajuda a regular a estimulação vestibular, auxiliando crianças que apresentam impulsividade e hiperatividade. A combinação de elementos montessorianos clássicos com recursos dinâmicos e lúdicos cria um repertório diversificado para manter o engajamento.
Planejamento de atividades passo a passo
Depois de selecionar os materiais, o psicopedagogo desenvolve roteiros claros e objetivos para cada atividade. Em geral, a sequência envolve demonstração, prática guiada e prática independente. No método Montessori, a apresentação inicial deve ser breve e focada: o profissional mostra cada etapa e depois oferece à criança a liberdade de experimentar.
Por exemplo, em uma tarefa para reforçar planejamento e memória de trabalho, o educador pode pedir que a criança siga três passos sequenciais para montar um padrão de cores com contas em um alfineteiro. Essa atividade exige atenção, organização e inibição de respostas impulsivas, sendo ideal para estimular múltiplas funções executivas simultaneamente.
Adaptação do ambiente e rotina
A organização física do espaço é fundamental. Móveis baixos, prateleiras acessíveis e áreas delimitadas facilitam o deslocamento e a autonomia. Rotinas visuais, como quadros de atividades com imagens, auxiliam no entendimento das próximas etapas, reduzindo a ansiedade e a frustração. A previsibilidade de horários e transições claras contribui para a autorregulação emocional.
Além disso, estabelecer pequenos momentos de pausa sensorial entre tarefas mais intensas é uma técnica eficaz. Mesclando atividades montessorianas com exercícios de respiração ou breves alongamentos, o psicopedagogo mantém a criança engajada e minimiza comportamentos disruptivos.
Dicas para psicopedagogos e educadores na implementação do Método Montessori
Formação e recursos complementares
Investir em cursos específicos de formação Montessori e em livros técnicos de neurociência aplicada fortalece a prática e garante embasamento científico. Obras de referência, como “The Absorbent Mind” de Maria Montessori e títulos sobre psicopedagogia contemporânea, oferecem insights para relacionar teoria e prática.
Como avaliar o progresso
A avaliação contínua deve combinar observação qualitativa e instrumentos padronizados. Registros de desempenho, gráficos de evolução e feedbacks periódicos com a família ajudam a monitorar avanços nas funções executivas. Orientações claras para os pais reforçam a continuidade do trabalho em casa.
Integração com a família
Envolver a família na rotina montessoriana em casa é parte essencial do sucesso. Os pais podem reproduzir atividades simples, como montar espaços sensoriais com caixas de areia colorida ou jogos de enfiar contas. A cooperação entre psicopedagogo e responsável fortalece vínculos e garante a consistência das estratégias.
Materiais recomendados e sugestões de compra
Para facilitar a seleção de materiais, sugerimos alguns produtos disponíveis na Amazon:
- Torre Rosa Montessori – ideal para coordenação motora e percepção visual.
- Barras Numéricas Montessori – auxiliam no aprendizado de sequências e cálculos.
- Alfineteiro de Contas – estimula planejamento e memória de trabalho.
- Kit Sensorial Montessori – compila diferentes materiais para múltiplos estímulos.
Conclusão
O Método Montessori para TDAH é uma abordagem valiosa para psicopedagogos e educadores que buscam promover funções executivas de forma humana, inclusiva e científica. A combinação de materiais sensoriais, atividades estruturadas e ambiente preparado cria condições ideais para o desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças com TDAH. Ao integrar avaliações contínuas e envolver a família, os profissionais garantem resultados mais consistentes e duradouros.
Experimente as técnicas montessorianas e personalize cada intervenção de acordo com as necessidades individuais do aluno. Com dedicação e planejamento, é possível potencializar a atenção, memorização e autocontrole, abrindo portas para um aprendizado mais eficaz e prazeroso.

