Histórias Sociais Psicopedagógicas para Crianças com TEA e TDAH
Descubra como usar histórias sociais psicopedagógicas para crianças com TEA e TDAH e potencializar habilidades sociais e autorregulação.

Em atendimentos psicopedagógicos, as histórias sociais psicopedagógicas surgem como uma estratégia de baixo custo e alta eficácia para trabalhar comportamentos e habilidades sociais em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Ao criar narrativas claras, objetivas e personalizadas, o profissional oferece um roteiro que ajuda o estudante a compreender situações do cotidiano, promovendo autorregulação e interação social mais segura. Uma recomendação de leitura para aprofundar o tema é disponível em livros sobre histórias sociais para autismo, que fornecem exemplos práticos de roteiros e ilustrações.
Além dos materiais escritos, é possível combinar essas histórias com atividades lúdicas e materiais sensoriais para reforçar os conceitos apresentados. Para complementar o trabalho, conheça recursos de materiais sensoriais que auxiliam no desenvolvimento cognitivo e emocional durante a aplicação das narrativas.
O que são histórias sociais?
As histórias sociais foram desenvolvidas na década de 1990 pela educadora Carol Gray como uma intervenção voltada para crianças com TEA, mas ganharam espaço também no atendimento de outros perfis, como portadores de TDAH. Trata-se de narrativas curtas e objetivas, com linguagem simples, que descrevem situações sociais ou rotinas específicas. Elas apresentam fatos, perspectivas dos envolvidos e sugestões de comportamento, servindo como um guia para a criança entender o que esperar e como agir.
Em um contexto psicopedagógico, o uso de histórias sociais complementa outras abordagens terapêuticas, permitindo ao profissional personalizar o atendimento de acordo com as características individuais. Por exemplo, é possível inserir descrições de ambientes familiares do aluno, personagens similares a ele e objetivos comportamentais claros. Essa adaptação aumenta a relevância do material e facilita a generalização das habilidades ensinadas.
Origens e fundamentos teóricos
A base teórica das histórias sociais está alicerçada em princípios da análise do comportamento e da psicologia cognitiva. Ao estruturar a narrativa de forma sequencial e previsível, o profissional reduz a ansiedade da criança e facilita o processamento de informações sociais. Estudos apontam que, com prática regular, as histórias sociais melhoram a compreensão de emoções, intenção social e habilidades de autorregulação.
Tipos de histórias sociais
- Fatos Sociais: Descrevem comportamentos esperados em situações específicas (por exemplo, “Como brincar na hora do recreio”).
- Histórias em Primeira Pessoa: Relatam a experiência do próprio aluno, fortalecendo a identificação e a empatia.
- Histórias em Terceira Pessoa: Apresentam personagens similares ao aluno para demonstrar comportamentos desejáveis.
- Histórias de Rotina: Focam em procedimentos do dia a dia, como higiene ou organização escolar.
Benefícios das histórias sociais em contextos psicopedagógicos
Desenvolvimento de habilidades sociais
Ao ler ou ouvir a história, a criança visualiza passo a passo como se comportar em interações com colegas, professores e familiares. Essa exposição prévia diminui o elemento surpresa e contribui para respostas sociais mais adequadas. Por exemplo, num atendimento em que se deseja melhorar o cumprimento de regras em sala de aula, a história pode detalhar o caminho até a lousa, a postura esperada e a reação do professor. Com isso, o aluno se sente mais seguro e confiante para seguir o modelo apresentado.
Para intensificar o aprendizado social, os psicopedagogos podem combinar histórias com dinâmicas em grupo. Nesses casos, é possível usar jogos de tabuleiro colaborativos e adaptados. Se quiser orientação sobre seleção de jogos, confira o artigo Como escolher jogos pedagógicos para crianças com autismo, que traz dicas de atividades lúdicas focadas em inclusão.
Autorregulação emocional e comportamental
As histórias sociais ajudam a criança a antecipar situações que podem causar frustração ou ansiedade, fornecendo estratégias de enfrentamento. Ao incluir sugestões de autorregulação—como respirações profundas, contar até três ou solicitar ajuda ao educador—a narrativa passa a ser um roteiro de suporte emocional. Esse recurso é especialmente útil em casos de TDAH, nos quais a capacidade de manter a atenção e controlar impulsos é um desafio constante.
Para um enfoque ainda mais sensorial, combine as narrativas com exercícios de gamificação sensorial para TDAH. Esse método integra texturas, cores e estímulos auditivos ou visuais que reforçam o aprendizado das técnicas de regulação citadas na história social.
Como implementar histórias sociais no atendimento psicopedagógico
Passo a passo para criar histórias sociais eficazes
1. Identificar o objetivo comportamental: defina a habilidade ou situação que será trabalhada, como iniciar uma conversa, compartilhar brinquedos ou respeitar a vez de fala.
2. Coletar informações: observe a criança em diferentes contextos para entender desafios e preferências.
3. Estruturar a narrativa: inclua descrições do ambiente, ações de personagens e pensamentos ou sentimentos do aluno.
4. Adicionar sugestões de comportamento: apresente, de forma positiva, o que se espera da criança e como ela pode agir.
5. Ilustrar e adaptar o layout: utilize imagens simples ou fotos reais da criança e do ambiente escolar para aumentar a identificação.
6. Revisar com o aluno: compartilhe o material, esclareça dúvidas e incentive a leitura ou escuta repetida.
Ferramentas e materiais recomendados
Para enriquecer a aplicação, é importante ter à disposição materiais sensoriais e livros técnicos que detalhem boas práticas. Produtos como jogos de tabuleiro colaborativos, fantoches e cartões visuais podem ser incorporados às sessões para ancorar conceitos.
- Cartões de sequência (sequenciamento de ações).
- Livros técnicos de referência em neurociência e psicopedagogia, disponíveis em Amazon.
- Figuras e ilustrações personalizadas.
- Materiais sensoriais como massinhas, texturas e objetos táteis.
Exemplos práticos e estudos de caso
Intervenção com criança com TEA
Em um caso de TEA, a psicopedagoga desenvolveu uma história social para ajudar a criança a lidar com transições entre atividades. A narrativa descrevia a sala de aula, o momento de despedida da atividade anterior e os passos para se acomodar em um novo brinquedo. Após três semanas de leitura diária e exercícios de simulação, observou-se redução significativa na resistência e no estresse durante as trocas de tarefa.
Exemplo para aluno com TDAH
Para um estudante com TDAH que apresentava impaciência ao aguardar a vez, foi criada uma história em primeira pessoa, incluindo o pensamento interno da criança enquanto ela esperava em fila. Ao final, havia instruções para usar uma bolinha antistress ou contar de forma lúdica até cinco. Combinado a essa narrativa, o aluno relatou maior controle e diminuição de interromper colegas.
Jogos e recursos complementares para potencializar o uso de histórias sociais
Jogos pedagógicos sugeridos
Além das narrativas, os jogos pedagógicos colaborativos reforçam a prática social de forma lúdica. Recomenda-se utilizar tabuleiros que envolvam turnos, cooperação e objetivos comuns. Esses jogos podem ser adaptados para incluir cartões de histórias sociais como etapas de cada rodada.
Atividades de acompanhamento e avaliação de progresso
Para mensurar os resultados, utilize planilhas de registro comportamental e questionários de percepção entre familiares e professores. Registre ocorrências antes e depois da introdução das histórias, avaliando frequência de comportamentos-alvo e níveis de ansiedade. Esse monitoramento sistemático permite ajustes finos nas narrativas e nos materiais sensoriais utilizados.
Conclusão
As histórias sociais psicopedagógicas representam uma poderosa ferramenta para promover habilidades sociais, autorregulação e autonomia em crianças com TEA e TDAH. Com uma estrutura clara, conteúdo personalizado e complementos lúdicos, o psicopedagogo potencializa o aprendizado e cria um ambiente mais inclusivo e acolhedor.
Invista em materiais de qualidade, como jogos pedagógicos colaborativos e livros de neurociência aplicada, para potencializar cada etapa do processo. Experimente as estratégias apresentadas neste artigo e observe a transformação no desenvolvimento cognitivo e emocional dos seus alunos.

