REVISTA AUTISMO: EU E MEUS DIREITOS

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REVISTA AUTISMO: Em muitas entrevistas você menciona a importância de “bons mentores” e “desenvolver os pontos fortes das crianças”. Você pode esclarecer essas duas ideias? Temple Grandin: Na escola era motivo constante de chacota e vivia  triste. O único refúgio longe das provocações eram atividades práticas como passeios a cavalo e o laboratório de eletrônica. As crianças que gostavam dessas atividades não me importunavam. Essas atividades eram os refúgios das provocações. Mamãe foi capaz de me ensinar a cumprir horários e ter boas maneiras, mas ela não foi capaz de me obrigar a estudar. Não me senti motivada a estudar até ter uma razão para isso. Quando estava na escola eu não via sentido em estudar. Existiam certos tópicos em que ganhava nota máxima, como em biologia e outros assuntos como inglês e história nos quais eu não tinha interesse. Meu professor de ciências, sr. Carlock, foi peça-chave em me motivar a estudar. Depois de retornar da fazenda dos meus tios, fiquei fascinada pelo tronco de gado. O tronco é um mecanismo para conter e imobilizar os animais para vacinação. Consiste num compartimento de metal com painéis que comprimem o animal de ambos os lados do corpo. Ao observar o gado passando pelo tronco, notei que, algumas vezes, os animais relaxavam quando a pressão dos painéis laterais era aplicada sobre seus corpos. Sofrendo constantes ataques de pânico, resolvi experimentar o aparelho de pressão. Descobri que a compressão aplicada pelo tronco aliviava minha ansiedade e o meu nervosismo. Infelizmente, muitos dos meus terapeutas e médicos consideraram estranho usar um tronco de gado. Depois que construí um aparelho de pressão semelhante ao tronco para me acalmar todos quiseram tirá-lo de mim. Imediatamente me fixei nisso  e fiquei motivada a provar que o efeito relaxante era real. O  sr. Carlock viu nisso uma oportunidade para me motivar ao estudo. Ele me falou  que era para descobrir por que a pressão tinha um efeito relaxante, então eu tinha que estudar ciências. No meu último ano de escola eu rapidamente melhorei minhas notas baixas em inglês e história, pois vi que devia passar nessas matérias se quisesse ir para a faculdade e tornar-me uma cientista. O sr. Carlock direcionou a tremenda aptidão autista da fixação e usou isto para motivar um estudo acadêmico. Nunca esquecerei a ida à biblioteca acadêmica com o sr. Carlock. Nessa ocasião eu aprendi que os verdadeiros cientistas leem artigos periódicos publicados em revistas científicas. Eu não sabia o que era uma revista científica. No começo dos anos 60, acom- panhar revistas científicas era difícil. As revistas de psicologia eram indexadas em grandes livros contendo o resumo dos artigos. Como as copiadoras não estavam disponíveis, cada resumo que você quisesse arquivar tinha que ser copiado à mão num cartão index, e eu tinha todos os cartões guardados numa caixa de arquivo. Para o final dos anos 60, quando as copiadoras se tornaram prontamente disponíveis, fiquei em êxtase quando pude copiar artigos inteiros, que eu ordenava cuidadosamente em pastas de arquivo de folha soltas. A carreira científica acadêmica é difícil, mas a minha tendência autista em fixação [num assunto] me mantinha firme. Meu exemplo mostra claramente como um professor criativo pode realmente transformar a vida de um aluno. Adquirir habilidades úteis que possam reverter numa carreira requer o direcionamento de um professor. Hoje tenho observado que os indivíduos que seguem carreiras de sucesso, como programação de computador, tiveram um mentor para ensiná-los. Requer disciplina adquirir uma habilidade. Em áreas técnicas, eu observei que são raras as crianças que vão aprender por conta própria a fazer programações complexas de computador. Quando entregues aos seus próprios equipamentos, elas tendem a se viciar em vídeo games e subutilizam os computadores. Elas precisam de atribuições e orientação de um bom professor para apren- der habilidades profissionais relevantes. Em algumas famílias, os pais fazem dos filhos aprendizes em suas próprias profissões. Isso tem funcionado para muitas crianças no espectro [do autismo].

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REVISTA AUTISMO 03

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