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Resumo do Livro: O Príncipe (Maquiavel)

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CAPÍTULO I: DE QUANTAS ESPÉCIES SÃO OS PRINCIPADOS E DE QUE MODO SE ADQUIREM

Todos os governos e Estados que possuíram ou possuem autoridade sobre homens, foram repúblicas ou principados. Os domínios obtidos dessa maneira deveriam se acostumar a viver ou submetidos a um príncipe ou a ser livre.

CAPÍTULO II: DOS PRINCIPADOS HEREDITÁRIOS

Para a preservação dos Estados hereditários onde as dificuldades são menores, visto que já estão habituados a linguagem de um príncipe, é necessário que se possua um príncipe dotado de extraordinária capacidade, assim sempre estará no poder e mesmo que uma força o destitua este volta a conquistá-lo.

CAPÍTULO III: DOS PRINCIPADOS MISTOS

Nos principados novos residem as dificuldades. Estados conquistados ou anexos a um Estado antigo, ou pertencem a mesma província, ou a mesma língua, ou não pertencem a ele. Quando pertencem é fácil mantê-lo, quando não o pertencem surgem dificuldades e é preciso que haja boa sorte e habilidade para mantê-los. É necessário que se instale colônias em um ou em dois pontos.

Regra geral que nunca ou raramente falha: “quem é causa do poderio de alguém arruina-se, porque este poder resulta ou da astúcia ou da força e ambas são suspeitas para aquele que se torna poderoso”.

CAPÍTULO IV: POR QUE O REINO DE DARIO, OCUPADO POR ALEXANDRE, NÃO SE RESBELOU CONTRA SEUS SICESSOS APÓS A MORTE DESTE

Os principados que se conservam memória eram governados de duas formas, ou por um príncipe ou por um príncipe e por barões. Os barões possuíam Estados e súditos próprios que os reconheciam por senhores e dedicavam afeição. Os principados que eram governados por um príncipe e servos, o tinham como maior autoridade, pois em toda sua província apenas ele era reconhecido como chefe e seus súditos caso dedicassem obediência a outro, era feito devido sua posição e não por amor.

CAPÍTULO V: DE QUE MODO SE DEVAM GOVERNAR AS CIDADES OU PRINCIPADOS QUE, ANTES DE SEREM OCUPADOS, VIVIAM COM AS SUAS PRÓPRIAS LEIS

Os Estados conquistados já se encontram habituados a viver com suas próprias leis e em liberdade, então há três formas de conservá-los. Primeiramente pode-se arruina-los, segundo ir habitá-los, terceiro deixá-los viver com suas leis, arrecadando tributos e criando um governos de poucos para que se tornem amigos. Preservar uma cidade acostumada a viver livre só é possível conservá-la por intermédio de seus cidadãos.

Na verdade não existe meio seguro de conservar uma conquista que não seja com destruição. Caso quem conquiste uma cidade e não a destrua estará esperando para ser destruído por ela. Quando as cidades encontram-se acostumadas a viver sob a dinastia de um príncipe e esta é extinta, torna-se difícil um acordo para a escolha de um novo príncipe pois os cidadãos não sabem viver em liberdade, sendo assim, facilmente poderá um príncipe apoderar-se delas.

CAPITULO VI: DOS PRINCIPADOS NOVOS QUE SE CONQUISTAM COM AS ARMAS PRÓPRIAS E VIRTUOSAMENTE

Em um principado completamente novo encontra-se maior ou menor dificuldade para mantê-lo, polo fato de ser mais ou menos virtuoso quem o conquiste. Para tornar-se príncipe é preciso virtude ou boa sorte. Quanto menos apoiar-se na sorte mais seguramente se manterá no poder. Se o príncipe não possuir outros Estados, mais facilmente se manterá no poder indo habitá-lo.

Aqueles que tornam-se príncipes por suas virtudes conquistam com dificuldades o principado, porém facilmente o conservam. Os obstáculos que poderão se apresentar ao conquistar um principado decorrem das novas disposições e sistemas de governo que são introduzidos para formar o Estado e estabelecer sua segurança. Levando-se me consideração que não existe coisa mais difícil de cuidar, nem mais duvidosa de conseguir, nem mais perigosa de manejar que tornar-se chefe e introduzir ordens novas.

Portanto é preciso estar preparado para que quando não mais acreditem se possa fazer com que creiam pela força, do contrário encontrarão grandes dificuldades em conduzir os perigos que surgirão em seu caminho, sendo que aqueles que os superam com valor pessoal, quando começam a ser venerados ficam poderosos, seguros, honrados e felizes.

CAPÍTULO VII: DOS PRINCIPADOS NOVOS QUE SE CONQUISTAM COM AS ARMAS E FORTUNA DOS OUTROS

Aqueles que se tornam príncipes somente por fortuna, apenas com muito esforço se mantêm. “…não encontram nenhuma dificuldade pelo caminho porque atingem o posto a vôo; mas toda sorte de dificuldades nasce depois que aí estão”. Eles estão submetidos à vontade e à fortuna dos que lhe concederam o Estado. Não sabem pois não são homens de grande engenho e virtude e, portanto visto que não possuem forças que lhe possam ser amigas e fiéis e portanto não podem manter a sua posição.

Os príncipes que possuírem virtude e que saibam desde logo preparar-se para conservar seu principado, formarão posteriormente as bases que os outros estabeleceram antes de se tornarem príncipes. Há quem julgue necessário, em um novo principado, assegurar-se contra os inimigos, adquirir novos amigos, eliminar aqueles que podem ou tem razões para ofender (os homens ofendem por medo ou por ódio), vencer ou pela fraude ou pela força, fazer-se amar e temer pelo povo, ordenar por novos modos as antigas instituições, manter a amizade dos reis e dos príncipes de modo a beneficiar de boa vontade ou ofender com temor.

CAPÍTULO VIII: DOS QUE CHEGARAM AO PRINCIPADO POR MEIO DE CRIMES

Há outros dois modos para se tornar príncipe: quando por qualquer meio criminoso e nefário se ascende ao principado, ou quando um cidadão privado se torna príncipe pelo favor de seus cidadãos.

Ações que resultam não do favor de alguém mas de sua ascensão na milícia que foi obtida com aborrecimentos e perigos. Não se pode classificar como virtuoso aquele mata seus cidadãos, trai os amigos, não possui fé, nem piedade, nem religião e mesmo assim, poderá conquistar o poder, porém não a glória.

O conquistador de um Estado deve exercer todas aquelas ofensas que forem necessárias, visando ofender menos, fazendo-as todas de um só vez para que não seja necessário renová-las e assim dar segurança os homens e conquistá-los com benefícios, estes devem ser feitos aos poucos para que sejam melhor apreciados. Um príncipe deve viver com seus súditos de forma que nenhum acidente, bom ou mal, aconteça, pois surgindo a necessidade, não terás tempo de fazer o mal, e o bem que fizeres não será útil.

CAPÍTULO IX: DO PRINCIPADO CIVIL

Quando um cidadão privado torna-se príncipe com o favor de seus cidadãos, podemos chamar de principado civil, ou seja, se ascende com o favor do povo ou com aquele dos grandes. Para assim se tornar príncipe não é preciso muita virtude ou muita fortuna.

O povo não quer ser mandado nem oprimido e isto é o que desejam os poderosos. É destes anseios que nascem três efeitos: ou o principado, ou liberdade, ou desordem.

O principado é constituído pelo povo ou pelos grandes, quando os grandes não podem resistir ao povo começam a passar prestígio a um deles e o tornam príncipe para que possam a sua sombra governar. O povo quando não pode resistir aos poderosos volta a estima a um cidadão e o torna príncipe para estar sendo defendido pela autoridade dele.

Aquele que chega ao principado com a ajuda dos grandes se mantém no poder com maiores dificuldades pois tem muitos ao seu redor e por isso não poderá governar como quiser. Já aquele que conquistar o principado com o favor do povo não terá ninguém ao seu redor e a maioria dos cidadãos encontram-se prontos a obedecer. Outro fator é que sem injúria não se pode satisfazer aos grandes, ao contrário pode-se fazer bem ao povo, levando em consideração que o objetivo deste é mais honesto daquele dos poderosos, que querem oprimir enquanto aqueles apenas não querem ser oprimidos.

O pior que pode acontecer a um príncipe é ser abandonado pelo povo ou que este se volte contra ele. Alguém que se torne príncipe com o favor do povo, conservá-lo amigo torna-se fácil, visto que esse só não deseja ser oprimido. Por outro lado alguém que se torne príncipe em favor dos grandes e consequentemente contra o povo, deverá antes de tudo procurar ganhá-lo, o que se torna fácil se este lhes der proteção.

“… quem se apoia no povo firma-se na lama, …” esta frase se faz verdadeira quando um cidadão privado estabelece suas bases sobre o povo e imagina que o mesmo vá libertá-lo quando oprimido. Um príncipe deve encontrar uma maneira que faça com que os cidadãos sempre tenham necessidade do Estado e dele mesmo, sendo assim o povo sempre lhe será fiel.

CAPÍTULO X: COMO SE DEVEM MEDIR AS FORÇAS DE TODOS OS PRINCIPADOS

Ou um príncipe possui um Estado tão forte e grande que possa manter-se por si mesmo, por possuírem uma abundância de homens, de dinheiro e por possuírem um exército a altura do perigo, ou sempre haverá a necessidade da defesa de outros. Aqueles que necessitam da ajuda de outros são os que não podem defrontar com o inimigo em campo aberto, mas são obrigados a refugiar-se atrás dos muros da cidade. Quem tiver sua cidade sempre bem fortificada, será sempre assaltado com temor, pois os homens são sempre inimigos dos empreendimentos onde vejam dificuldades, e não se encontra facilidade para atacar quem possui uma cidade forte e não seja odiado pelo povo. Um príncipe que possui uma cidade forte e não se faz odiado pelo povo, não pode ser atacado, e se alguém o fizer, se retirará com vergonha.

CAPÍTULO XI: DOS PRINCIPADOS ECLESIÁSTICOS

Principados eclesiásticos são aqueles onde todas as dificuldades existem antes que os possuam, visto que são adquiridos ou pela virtude ou pela fortuna. Sem uma e outra se conservam, pois são sustentados por ordens estabelecida pela religião, que tornam-se tão fortes que mantêm os seus príncipes no poder. Apenas estes possuem Estados e não os defendem, súditos e não os governam, os Estados, por serem indefesos, não são tomados. Os súditos por não serem governados não se preocupam, não pensam e nem podem separar-se deles. Somente estes principados são seguros e felizes.

CAPÍTULO XII: DE QUANTAS ESPÉCIES SÃO AS MILÍCIAS, E DOS SOLDADOSMERCENÁRIOS

Os principais fundamentos que os Estados, tanto os novos quanto os velhos e os mistos, possuem são as boas leis e as boas armas, e como não pode haver boas leis onde não existam boas armas e onde existam boas armas é preciso que existam boas leis, deixa-se de falar em leis para falar apenas em armas.

As armas com que um príncipe defende seu Estado podem ser próprias ou mercenárias, auxiliares ou mistas. As mercenárias e as auxiliares são inúteis e perigosas, e se alguém apoia seu Estados nelas, jamais estará firme e seguro, pois elas são desunidas, ambiciosas, infiéis, indisciplinadas, galhardas entre amigos, vis entre inimigos, não temem a Deus e não possuem fé nos homens, tanto adia a ruína quanto se transfere o assalto. Na paz se é esfoliado por elas, na guerra pelos inimigos. Isso se deve ao fato de que elas não possuem outro amor nem outra razão que as mantenha em campo, a não ser um pouco de soldo, desejam muito ser teus soldados enquanto não há guerra, mas quando esta surge, querem fugir ou ir embora.

O príncipe deve ir pessoalmente com as tropas e exercer as atribuições ao capitão, a República deve manter seus cidadãos e, quando enviar um que não se mostre valente, deve substituí-lo quando animoso deve detê-lo com as leis para que não ultrapasse o limite. Uma República armada de tropas próprias se submete ao domínio de um cidadão com dificuldade maiores do que aquela que se encontra protegida por tropas mercenárias ou auxiliares.

CAPÍTULO XIII: DOS SOLDADOS AUXILIARES, MISTOS E PRÓPRIOS

As tropas auxiliares, as forças inúteis, se apresentam quando chamas um poderoso para que venha a ajudar e defender com seus exércitos. Essas tropas podem boas e úteis para si mesmas, mas para quem as chame sempre serão danosas, pois se perderes fica liquidado e se ganhares fica prisioneiro delas. São muito mais perigosas que as mercenárias, porque com estas a ruína é certa, pois são todas unidas, todas voltadas a obediência de outros. Enquanto nas tropas mercenárias o mais perigoso é a covardia, nas auxiliares é o valor.

Um príncipe prudente sempre foge a essas duas tropas para voltar-se às suas próprias forças, preferindo perder com as suas a vencer com aquelas, pois na verdade aquela conquistada com as armas alheias não representam vitória. “… as armas de outrem, ou te caem de cima, ou te pesam ou te constrangem”.

Sem ter armas próprias, nenhum principado está seguro, ao contrário, fica totalmente sujeito à sorte. As forças próprias são aquelas que constituídas por súditos, de cidadãos ou de criaturas tuas.

CAPÍTULO XIV: O QUE COMPETE A UM PRÍNCIPE ACERCA DA MILÍCIA (TROPA)

Um príncipe não deve ter outro objetivo que não seja a guerra e sua organização e disciplina, sendo esta a única arte que compete a quem comanda. Os príncipes perdem seus Estados quando pensam mais nas delicadezas do que nas armas. A primeira causa que o leva a perder o Estado é a negligência dessa arte. Entre um príncipe armado e um desarmado, não existe proporção alguma, uma vez que não há como quem esteja armado obedecer a alguém desprovido de armas.

Um príncipe deve não desviar seu pensamento do exército de guerra, o que pode fazer de dois modos, um com a ação e outro com a mente. Conhecimentos como aprender a conhecer o próprio país e aprender a melhor identificar as defesas que o inimigo oferece, são úteis pois em decorrência do conhecimento, com facilidade poderá entender qualquer outra região que venha a te observar. Ele ensina a encontrar o inimigo, estabelecer os acampamentos, conduzir os exércitos, ordenar as jornadas, fazer incursões pelas terras com vantagens sobre o inimigo.

CAPÍTULO XV: DAQUELAS COISAS PELAS QUAIS OS HOMENS, E ESPECIALMENTE OS PRÍNCIPES, SÃO LOUVADOS OU VITUPERADOS

É essencial a um príncipe que queira se manter, aprender a poder não ser bom e usar ou não da bondade, segundo suas necessidades. O príncipe precisa ser prudente para saber fugir da infâmia daqueles vícios que o fariam perder o poder, cuidando evitar até aqueles que não chegariam a pôr em risco seu posto. Não podendo evitar é preciso que os tolere, sem que mantenha o devido respeito. Não deve evitar de incorrer daqueles vícios, pois sem eles, é difícil que volte a salvar o Estado, porque sempre se encontrará alguma coisa, que parecendo virtude, praticada poderá levar a ruína, e alguma outra que com aparência de vício poderá dar segurança e bem-estar.

CAPÍTULO XVI: DA LIBEDADE E DA PARCOMÔNIA

A liberdade usada de forma que todos conhecem prejudica a um príncipe, porque se usada virtuosamente e como se deve usá-la, ela não se torna conhecida e não conseguirá tirar de cima dele a má fama do seu contrário, mas querendo manter entre os homens o nome de liberdade é necessário que não se esqueça nenhuma forma de suntuosidade. Se assim proceder um príncipe consumirá em ostentação todas as suas finanças e terá a necessidade de gravar extraordinariamente o povo de impostos, ser duro e fazer tudo o que lhe trouxer dinheiro se quiser manter o conceito de liberal. Isso fará com que se torne odioso, tendo ofendido a muitos e premiado a poucos com essa liberdade.

Querendo o príncipe recuar, este incorre desde logo na má fama de miserável, não podendo usar esta fama de liberal sem sofrer dano, tornando-a conhecida, deve ser prudente e não se preocupar com a fama de miserável, pois com o passar do tempo será considerado sempre mais liberal. Um príncipe deve gastar pouco para não precisar roubar seus súditos, para poder defender-se, para não ficar pobre e desprezado, para não ser forçado a tornar-se rapace, não se importando de levar a fama de miserável. Não existe coisa que tanto destrua a si mesmo quanto a liberdade, pois enquanto a usa, perdes a faculdade de utilizá-la, se tornando pobre e desprezado e para fugir a pobreza passa a ser odioso. É mais sábio ter fama de miserável do que originar infâmia sem ódio e do que querer o conceito de liberal.

CAPÍTULO XVII: DA CRUELDADE E DA PIEDADE; SE É MELHOR SER AMADO QUE TEMIDO, OU ANTES TEMIDO QUE AMADO

Um príncipe deve desejar ser tido como piedoso e não como cruel. Temer a má fama de cruel, desde que por ela mantenha seus súditos unidos e leais, ele será mais piedoso do que aqueles que por excessiva piedade deixam acontecer as desordens das quais resultam assassínios ou rapinagens. Pois estes costumam prejudicar a comunidade inteira, enquanto aquelas execuções que emanam do príncipe atingem apenas um indivíduo.

Se é melhor ser amado que temido ou o contrário, é necessário ser uma coisa e outra, mas como é difícil reuni-las é mais seguro ser temido do que amado. Os homens tem menos escrúpulos em ofender a alguém que se faça amar do que a quem se faz temer, pois uma amizade é mantida por um vínculo de obrigação, o qual é quebrado a cada oportunidade que lhes convenha e isso se deve ao fato de os homens serem maus. Um príncipe sábio amando os homens como a ele mesmo a eles agrada e sendo por eles temido como deseja, deve apoiar-se no que é seu e não do que pertence aos outros, devendo apenas fugir do ódio.

O príncipe deve se fazer temer de forma que caso não conquiste o amor, fuja do ódio, pois podem o ser temido e o não ser odiado podem coexistir. Quando ele está a frente de seus exércitos é imprescindível não se importar com a fama de cruel, sem ela jamais conservará o exército unido e disposto a alguma empresa.

CAPÍTULO XVIII: DE QUE MODO OS PRÍNCIPES DEVEM MANTER A FÉ DA PALAVRA DADA

Pode-se combater de duas formas, uma com as leis (próprio do homem) e outra com a força (próprio dos animais). Pelo fato do primeiro caso as vezes não ser suficiente, convém recorrer ao segundo, pois uma sem a outra não é durável.. Para um príncipe é necessário saber empregar os dois modos, isso foi ensinado aos príncipes pelos antigos escritores, os quais descrevem como Aquiles e muitos outros príncipes antigos foram confiados à educação do centauro.

Jamais faltará a um príncipe razões para justificar a quebra da palavra. “…aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar”. Para manter o Estado, um príncipe é obrigado a agir contra a fé, a caridade, a humanidade, contra a religião, mas é preciso não apartar-se do bem porém sabendo entrar no mal quando necessário. “Todos vêem o que tu aparentas, poucos sentem aquilo que tu és”.

CAPÍTULO XIX: DE COMO SE DEVA EVITAR O SER DESPREZADO E ODIADO

O príncipe deve manter-se forte para que ninguém possa pensar em enganá-lo ou traí-lo. O príncipe que é assaz, reputado e, contra quem é reputado, só com muita dificuldade se conspira, dificilmente é atacado, desde que se considere excelente seja reverenciado pelos seus. Um príncipe deve ter dois temores, um de ordem interna, de parte de seus súditos, e outro de parte externa, de parte dos estrangeiros. Para dispor destas conspirações é não ser odiado pela maioria, muitas foram as conspirações mais poucas obtiveram um bom fim. Do lado do conspirador só existe medo, ciúme, suspeita de castigo e do lado do príncipe existe a majestade do principado, as leis, as barreiras dos amigos e do Estado que o defendem. Por isso ele não deve dar muita atenção às conspirações quando o povo lhe é benévolo, mas quando este lhe é adverso deve temer a tudo e a todos.

O ódio é adquirido tanto pelas boas quanto pelas más ações, querendo um príncipe conservar o Estado, é corrompido, as boas ações tornam-se suas inimigas.

CAPÍTULO XX: SE AS FORTALEZAS E MUITAS OUTRAS COISAS QUE A CADA DIA SÃO FEITAS PELOS PRÍNCIPES SÃO ÚTEIS OU NÃO

Nunca existiu um príncipe novo que desarmasse seus súditos, pelo contrário, sempre que os encontrou desarmados, armou-os, com isso essas armas passam a pertencer a ele, tornam-se fiéis aqueles que são suspeitos e os que eram fiéis assim se conservam e de súditos tornam-se partidários. Quando um príncipe conquista um novo Estado que se agrega ao antigo, é necessário que desarme o conquistado, menos aqueles que foram partidários durante a conquista. Não acredita-se que as divisões possam acarretar algum benefício, ao contrário, quando o inimigo se avizinha, as cidades divididas perdem-se logo, pois sempre a parte mais fraca aderirá às forças externas e a outra não resistirá.

Os príncipes se tornam grandes quando superam as dificuldades e as oposições, muitos pensam que um príncipe hábil deve incentivar com astúcia alguma inimizade, para que quando a elimine continue a ascensão de sua grandeza. Tem sido de costume que para manter os Estados os príncipes construam fortalezas, que são úteis ou não, segundo os tempos, se fazem bem por um lado, prejudicam por outro. Quando um príncipe tiver mais temor de seu povo do que dos estrangeiros, deverá construir as fortalezas, mas aquele que sentir mais medo dos estrangeiros do que do seu povo, deve abandoná-las. A melhor fortaleza que pode existir é a de não ser odiado pelo povo, elas não valem nada se o povo o odeia.

CAPÍTULO XXI: O QUE CONVÉM A UM PR´NCIPE PARA SR ESTIMADO

Um príncipe deve empenhar-se em dar de si, conceito de grande homem e de inteligência extraordinária. É estimado mesmo quando verdadeiro amigo e vero inimigo, quando sem qualquer consideração se revela em favor e um, contra outro, atitude mais útil do que ficar neutro. Aquele q eu não é amigo procurará tua neutralidade e aquele que é amigo pedirá que definição com as armas. As vitórias não são tão brilhantes que o vencedor deva ter qualquer consideração principalmente com o que é justo. Um príncipe deve ter cautela para jamais fazer aliança com um mais poderoso que ele para atacar os outros.

Um Estado não pode sempre adotar partidos seguros, deve antes pensar ser obrigado a tomar, freqüentemente, partidos duvidosos, onde nunca procure fugir de inconvenientes sem incorrer em outro e a prudência está em saber conhecer a natureza desses inconvenientes e tomar como bom o menos prejudicial. Visto que todas cidades são divididas em corporações, devendo cuidá-las, reunindo-se com eles algumas vezes dando priva de humanidade e mantendo sempre firme a majestade de sua dignidade.

CAPÍTULO XXII: DOS SECRETÁRIOS QUE OS PRÍNCIPES TÊM JUNTO DE SI

A primeira conjetura que se faz da inteligência de um senhor é resultado da observação dos homens que o cercam. Se pode reputá-lo sábio porque soube reconhecê-los e conservá-los. As inteligências são de três espécies, uma que entende as coisas por si, outra que discerne o que os outros entendem e a terceira que não entende por si nem por intermédio dos outros, sendo a primeira excelente, a Segunda muito boa e a terceira inútil.

Aquele que possui o Estado de outrem nas mãos não deve pensar nunca em si, mas sempre no príncipe, e este para conservar um bom ministro, deve pensar nele, honrando-o, tornando-o rico a fim de que veja que não pode ficar sem sua proteção.

CAPÍTULO XXIII: COMO SE AFASTAM OS ADULADORES

Não existe outro meio de guardar a adulação que não seja fazendo com que os homens entendam que não te ofendem dizendo a verdade, mas quando todos podem di-la, passam a falar com a reverência. Um príncipe prudente deve proceder escolhendo em seu Estado sábios e somente a eles deve dar a liberdade de falar-lhe a verdade do que ele questione e depois de liberar por si a seu modo, e com estes conselhos e com cada um deles, portar-se de forma que todos compreendam que quanto livres falarem, mais facilmente suas opiniões serão aceitas. Um príncipe deve aconselhar-se sempre que quiser e não quando os outros quiserem.

“… os homens serão sempre maus se por uma necessidade não forem tornados bons”.

CAPÍTULO XXIV: POR QUE OS PRÍNCIPES DA ITÁLIA PERDERAM SEUS ESTADOS

Um príncipe novo é muito mais observado nas suas ações do que um hereditário, e quando são reconhecidas como virtuosas, atraem mais facilmente os homens e os ligam a si muito mais do que a tradição de sangue. Príncipes que haviam permanecido muito tempo no poder, para depois perdê-los não podem acusar a sorte, pois quando chegam os tempos adversos preocupam-se em fugir e não em defender-se. As defesas só são boas e duradouras quando dependem da virtude e do próprio príncipe.

CAPÍTULO XXV: DE QUANTO PODE A FORTUNA NAS COISAS HUMANAS E DE MODO DE LHE DEVA RESISTIR

A sorte pode ser o árbitro de metade de nossas ações, mas ainda deixa governar com a outra metade, ou quase. A sorte demostra o poderio onde não existe virtude para resistir. Os homens tem como objetivo glórias e riquezas e para isso agem de diversas formas, uns agem com cautela, outros com ímpeto, outros com violência, outros com astúcia, outros com paciência. Quando dois indivíduos agem de formas diversas para obter um mesmo objetivo, ao passo que de dois que operem igualmente um pode conseguir e o outro não. Variando a sorte e permanecendo os homens obstinados em seus modos de agir, serão felizes enquanto aquela e estes sejam concordes e infelizes quando a discórdia surgir entre eles.

CAPÍTULO XXVI: EXPORTAÇÃO PARA PROCURAR TOMAR A ITÁLIA E LIBERTÁ-LA DAS MÃOS DOS BÁRBAROS

Surgiu certo vislumbre de esperança em relação a algum príncipe, parecendo poder ser julgado como dirigido por Deus para redenção da Itália, contudo foi visto que no apogeu de suas ações foi abandonado pela sorte. Ela implora por alguém que a redima dessas crueldades, e encontra-se disposta a seguir uma bandeira, desde que haja alguém para empunhá-la.

Não existe ninguém em que possa confiar a não ser sua ilustre casa, favorecida por Deus e pela Igreja, da qual agora é príncipe, podendo tornar-se chefe desta redenção. Há uma grande disposição coma qual não pode haver grande dificuldade, visto que todas as coisas ocorreram para a sua grandeza. Isso é resultados das antigas instituições que não eram muito boas e não houve quem soubesse encontrar outras, e nada faz tanta honra a um príncipe novo que novas leis e novos regulamentos elaborados por ele. Existe um grande valor no povo, o que falta nos chefes. Não tendo existido ainda quem soubesse se sobressair pela virtude ou pela fortuna de forma que os outros cedam.

Antes de mais nada, como fundamento de qualquer empreendimento, prover-se de tropas próprias, pois não existem outras mais fiéis e mais seguras e nem melhores soldados. Pode-se organizar uma diferente, que resista a cavalaria e não tenha medo dos infantes, o que dará qualidade superior aos exércitos e irá impor mudanças, dando reputação e grandeza ao novo príncipe.

Autor: Francis Eduardo Cerutti Venturin

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