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RESUMO DO LIVRO: O PRÍNCIPE

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INTRODUÇÃO

No ano de 1513, na cidade italiana de San Casciano,um exilado político ocupa-se todas as manhãs coma administração de uma pequena propriedade onde está confinado. À tarde, joga cartas numa hospedaria com pessoas simples do povoado. À noite, veste trajes de cerimônia e passa a conviver, através da leitura, com homens ilustres do passado.

Chama-se Maquiavel. Ao meditar sobre assuntos políticos, Alina o fecundo diálogo com autores antigos à longa experiência do mundo moderno, adquirida numa vida inteira dedicada aos negócios públicos florentinos. Um dos resultados dessa meditação é um pequeno livro, O Príncipe, que contém ensinamentos de como conquistar Estados e conserva-los sob domínio; em síntese, um manual para governantes.

Maquiavel faleceu sem ter visto realizados os ideais pelos quais se bateu durante toda a vida. A carreira pessoal nos negócios públicos tinha sido cortada pelo meio com o retorno dos Médicis e, quando estes foram destituídos do poder, os concidadãos esqueceram-se dele, um homem que a fortuna tinha feito capaz de discorrer apenas sobre assuntos de Estado. Também não foi concretizado, enquanto viveu, o ideal de uma Itália poderosa e unificada.

CAPÍTLO I – “DE QUANTAS ESPÉCIES SÃO OS PRINCIPADOS E DE QUANTOS MODOS SE ADQUIREM”

TESE:

“Todos os Estados, todos os domínios que tem havido e que há sobre os homens foram e são repúblicas ou principados. Os principados ou são hereditários, cujo senhor é o príncipe pelo sangue, ou são novos. Os novos são totalmente novos, ou são como membros acrescentados a um Estado que um príncipe adquire por herança. Estes domínios são adquiridos com tropas de outrem ou próprios, pela fortuna ou pelo mérito.”(Pág. 33)

ANÁLISE:

Os poderes de Estado são ou transmitidos através de herança , poder aquisitivo, ou por mérito.

CAPÍTULO II – “DOS PRINCIPADOS HEREDITÁRIOS”

TESE:

“Referir-me-ei somente aos principados, e procurarei discutir e mostrar como esses principados hereditários podem ser governados e mantidos. Nesta espécie de Estados afeiçoados a família de seu príncipe, são muito menores as dificuldades de mantê-los, pois basta somente que não seja abandonada a praxe dos antecessores, e depois se contemporize com as situações particulares, de modo que se tal príncipe é de engenho ordinário, sempre se manterá no seu Estado, se não houver uma força extraordinária e excessiva que o prive deste; e , mesmo que assim seja, o readquire, por pior que seja o ocupante.”(Pág. 35)

ANÁLISE:

Neste principado hereditário, o ocupante não está no cargo por mérito, e sim pelo seu sangue. Com isso não há dificuldade de manter-se no cargo.

CAPÍTULO III – “DOS PRINCIPADOS MISTOS”

TESE:

“Mas a dificuldade consiste nos principados novos. Primeiro, se não se trata de principado inteiramente novo, mas sim de membro ajuntado a um Estado hereditário (caso em que este pode chamar-se um principado misto), as suas variações nascem principalmente de uma dificuldade comum a todos os principados novos, a saber, que os homens mudam de boa vontade de senhor, supondo melhorar, e esta crença os faz tomar armas contra o senhor atual.

Assim, são teus inimigos todos aqueles que se sentem ofendidos pelo fato de ocupares o principado; e também não podes conservar como amigos aqueles que te puseram ali, pois estes não podem ser satisfeitos como pensam.

Estes Estados conquistados e anexados a um Estado antigo, se são da mesma província e da mesma língua, são facilmente sujeitos, máxime quando não estão acostumados a viver livres. Basta, para que se assegure a posse a posse desses Estados, fazer desaparecer a linha do príncipe q os dominava, pis se mantendo nas outras coisas a condição antiga, e não havendo disparidade de costumes os homens vivem calmamente. O conquistador, para mantê-los, deve ter duas regras: primeiro, fazer extinguir o sangue do antigo príncipe; segundo, não alterar as leis nem os impostos. De tal modo, num prazo muito breve, ter-se-á feito a união ao antigo Estado.

Deve-se notar que os homens devem ser mimados ou exterminados, pois se se vingam de ofensas leve, das graves já não podem fazê-lo. Assim, a injúria que se faz deve ser tal, que não se tema a vingança.

Também numa província diferente por sua língua, costumes e leis, faça-se o príncipe de chefe e defensor dos mais fracos, e trate de enfraquecer os poderosos da própria província, alem de guardar-se de que entre por acaso um estrangeiro tão poderoso quanto ele.

O desejo de conquistar é coisa verdadeiramente natural e ordinária e os homens que podem fazê-lo serão sempre louvados e não censurados. Mas se não podem e querem faze-lo, de qualquer modo, é que estão em erro, e são merecedores de censura.

Conclui-se daí uma regra geral, que nunca ou muita raramente falha: quando alguém é causa do poder de outrem, arruína-se, pois aquele poder vem de astúcia ou força, e qualquer destas é suspeita ao novo poderoso.”(Págs: 37,38,39,42,43)

ANÁLISE:

Aquele que está no poder por seu próprio mérito, acaba sempre tendo inimigos, pois os mesmos não concordam da forma como ele governa. Para manter-se no poder é necessário seguir a tradição do príncipe anterior, e não alterar as leis nem os impostos.

CAPÍTULO IV – “POR QUE RAZÃO O REINADO DE DARIO, OCUPADO POR ALEXANDRE, NÃO SE REBELOU CONTRA OS SUCESSORES DESTE”

TESE:

“Os sucessores de Alexandre, contudo, se mantiveram e não tiveram para isso outra dificuldade senão a que entre eles surgiu da própria ambição. Replicarei que os principados cuja memória se conserva foram governados de dois modos diversos: ou por um príncipe ajudado por ministros que no governo não são senão servos que o exercem somente por graça e concessão do senhor; ou por um príncipe e barões, os quais não com graça daquele, mas por antiguidade de sangue, têm essa qualidade.

Naqueles Estados que são governados por um príncipe com seus servidores, o senhor tem mais autoridade, porque em toda sua província na há quem seja reconhecido como superior a ele.

Consideradas, pois, estas coisas todas, não se espantará ninguém da facilidade que Alexandre teve em consolidar sua vitória na Ásia, e das dificuldades com que outros esbarraram para conservar os reinos conquistados, como aconteceu a Pirro.

São contingências originadas não do valor ou do desvalor do vencedor, mas da diversidade dos povos vencidos.”(Págs: 45, 47)

ANÁLISE:

Os sucessores de Alexandre, não tiveram dificuldade alguma para governar, pois não tinha ninguém nesses Estados, que fossem superior a eles.

CAPÍTULO V – “DA MANEIRA DE CONSERVAR CIDADES OU PRINCIPADOS QUE, ANTES DA OCUPAÇÃO, SE REGIAM POR LEIS PRÓPRIAS”

TESE:

“Quando se conquistam Estados habituados a reger-se por leis próprias e em liberdade, há três modos de manter-se a sua posse: primeiro- arruína-los;segundo- ir habita-los; terceiro- deixa-los viver com suas leis arrecadando um tributo e criando um governo de poucos, que se conservem amigos.

Por intermédio dos seus próprios cidadãos, muito mais facilmente se conservará o governo duma cidade acostumada à liberdade, do que qualquer outra forma.”(Pág 49)

ANÁLISE:

Quando se conquistam Estados que tem leis próprias e em liberdade, é necessário para manter-se no poder, deixar o povo viver em liberdade.

CAPÍTULO VI – “DOS PRINCIPADOS NOVOS QUE SE CONQUISTAM PELAS ARMAS E NOBREMENTE”

TESE:

“Os homens trilham quase sempre estradas já percorridas. Um homem prudente deve assim escolher os caminhos já percorridos pelos grandes homens e imitá-los, assim, mesmo que não seja possível seguir fielmente esse caminho, nem pela imitação alcançar totalmente as virtudes dos grandes, sempre se aproveita muita coisa.

Aqueles que por suas virtudes, semelhantemente a estes, se tornam príncipes, conquistam o principado com dificuldade, mas se mantêm facilmente.

Destarte todos os profetas armados venceram e os desarmados fracassaram. Porque, além do que já se disse, a natureza dos povos é vária, sendo fácil persuadi-los de uma coisa, mas sendo difícil firma-los na persuasão.”(Págs: 51,52,53)

ANÁLISE:

Os homens sempre devem ter um exemplo de um grande homem, para seguir seus caminhos, aproveitando–se o máximo deles.

CAPÍTULO VII – “DOS PRINCIPADOS NOVOS QUE SE CONQUISTAM COM ARMAS E VIRTUDES DE OUTREM”

TESE:

“Aqueles que somente por fortuna se tornam príncipes pouco trabalho tem para isso, é claro, mas se mantêm penosamente. Não tem nenhuma dificuldade em alcançar o posto, porque para aí voam; surge, porém, toda sorte de dificuldade depois da chegada. É o que acontece quando o Estado foi concedido ao príncipe, ou por dinheiro ou por graça de quem o concede. É ainda como se faziam aqueles imperadores que, de simples cidadãos, subiam ao trono pela corrupção dos soldados. Tais príncipes estão na dependência exclusiva da vontade e da fortuna de quem lhes concedeu o Estado, isto é, de duas coisas extremamente volúveis e instáveis.”(Pág 55)

ANÁLISE:

Aquele que está no poder por pouco trabalho e muito dinheiro, estão na dependência de outros, por isso seu poder é volúvel e instável.

CAPÍTULO VIII – “DOS QUE ALCANÇARAM O PRINCIPADO PELO CRIME”

TESE:

“Há duas maneiras de tornar-se príncipe e que não se podem atribuir totalmente a fortuna ou ao mérito. Estas maneiras são: chegar ao principado pela maldade, por vias celeradas, contrárias a todas as leis humanas e divinas; e tornar-se príncipe por mercê do favor de seus conterrâneos.

Ainda que não se possa considerar ação meritória a matança de seus concidadãos, trair os amigos, não ter fé, não ter piedade nem religião, com isto pode se conquistar o mando, mas não a glória.

Quem age por outra forma, ou por timidez ou por força de maus conselhos, tem sempre necessidade de estar com a faca na mão e não poderá nunca confiar em seus súditos, porque estes por sua vez não podem fiar nele.”(Págs: 63,64,66)

ANÁLISE:

Há duas maneiras de tornar-se príncipe, ou por maldade ou pelo seu mérito. Pela maldade, ele pode até conquistar o mundo, mas nunca a glória.

CAPÍTYLO IX – “DO PRINCIPADO CIVIL”

TESE:

O cidadão não se torna soberano por meio do crime ou da violência intolerável e sim pelo favor dos cidadãos. É o que poderia se chamar de governo civil. Para chegar a essa posição é preciso que o cidadão dependa da astúcia a formatura. Chega-se a ela com o apoio da opinião popular ou da aristocracia. Pode-se encontrar essas duas facções em todas as cidades. Facções nascem do desejo do povo de se subtrair à opressão dos poderosos, e da tendência destes últimos para dirigir e opinar é o povo. Desses dois interesses que se opõem surge uma de três conseqüências: o governo absoluto, a liberdade ou a desordem.

ANALISE:

O cidadão não deve usar da violência para protestar e sim se informar e se unir em favor a um direito. E que, no final, isso gera ou a opressão do governo, a liberdade ou a desordem.

CAPÍTULO X – “COMO SE DEVEM MEDIR AS FORÇAS DE TODOS OS PRINCIPADOS”

TESE:

Ao analisar as qualidades dos principados, é preciso levar em conta um outro ponto, a saber: se for tal a situação do príncipe que tem caso de necessidade ele se pode manter por si, ou se precisa sempre do auxílio alheio.

Aqueles que tem abundância de dinheiro e de homem podem reunir um exército suficiente, e defender-se contra quem quer que ataque. Os que não podem combater seu inimigos, são forçados a se refugiar no interior de seus muros, permanecendo na defensiva.

ANALISE:

Os que têm mais dinheiro tem mais poder e mais vantagens, pois conseguem se defender de qualquer ataque.

CAPÍTILO XI – “OS PRINCIPADOSECLESIÁTICOS”

TESE:

Nos Estados eclesiásticos todas as dificuldades estão no período que vem antes a sua conquista. Conquistados com mérito ou com a sorte, nem de um nem de outra é preciso para conserva-los, pois são sustentados por antigos costumes religiosos. Tão forte e de tal qualidade são estes que permitem aos príncipes se manterem no poder qualquer que seja sua condita e modo de vida. Só esse príncipes podem ter Estados sem defendê-los e súditos sem governá-los, sem lhe ser tomados. Não sendo governo, o povo não se ressente com sua autoridade, nem pensa poder subtrair-se a ela.

CAPÍTULO XII – “DE QUANTOS GÊNEROS HÁ DE MILÍCIAS E DE SOLDADOS MERCENARIOS”

TESE:

As tropas com que um príncipe defende seus domínios podem ser próprias, mercenárias ou mistas. As mercenárias e auxiliares são perigosas e prejudiciais; o príncipe que defendia seus domínios com o apoio de mercenários não terá uma oposição segura, pois são soldados que não são unidos, são ambiciosos, não tendo disciplina e não sendo fiéis, ousados entre amigos, covarde frentes aos inimigos; não temem a Deus e não são leais aos homens. Como seus serviços à ruína só esperava para o momento do ataque do inimigo. São despojados na guerra pelos inimigos e na paz por eles próprios, os que se entregam à guerra. O único motivo, é que os faz lutar é um sal’rio modesto, porém não é suficiente para fazê-los morres pelo soberano. Por isso que estão dispostos a servir o príncipe como soldados em tempos de paz; iniciando a guerra, o abandonam.

ANALISE:

As tropas de um príncipe podem ser próprias, mercenárias (perigosas e prejudiciais) ou mistas. A única coisa que leva um cidadão lutar é um salário, mas não é suficiente para que o mesmo morra pelo soberano. Cidadãos servem o príncipe como soldados em tempos de paz, mas quando começa a guerra eles o “largam”.

CAPÍTULO XIII – “DOS EXÉRCITOS AUXILIARES MISTOS E PRÓPRIOS”

TESE:

As forças pedidas a um vizinho poderoso como ajuda para a defesa do Estado, são tão prejudiciais como as mercenárias. As tropas auxiliares podem ser entre si eficazes, mas são perigosas para os que delas são vencidas, representando uma derrota, se vencem aprisionam quem as utiliza.

ANALISE:

Não devem confiar nas tropas. Elas podem se eficazes entre si, mas quando perdem um ataque são perigosas e se vencem prendem quem as utiliza.

CAPÍTULO XIV – “DO QUE COMPLETE A UM PRÍCIPE ACERCA DA MILÍCIA”

TESE:

Os príncipes, não deveriam ter outro objetivo ou pensamento além da guerra, a organização e disciplina das tropas. É tão importante que não ficam no poder só os que nasceram príncipe, e sim os homens comuns também. Se o príncipe se interessar mais pelas coisas amenas do que pelas armas, perderá seus domínios. A principal causa da perda dos Estados é o negligenciar a arte da guerra; e para conquistá-los é preciso ser nela bem-versado.

Os príncipes não podem fazer com que seus pensamentos se afastem dos exercícios bélicos; exercícios que devem praticar na paz mais do que na guerra, de dois jeitos: pela ação física e pelo estudo.

ANALISE:

Tudo (objetivo ou pensamentos) esta voltado para a guerra, se são desviados, o príncipe perde seus domínios. Não só os que nascem príncipe podem ficar no poder e sim um homem qualquer.

CAPÍTULO XV – “DAS COISAS PELAS QUAIS OS HOMENS E ESPECIALMENTE OS PRÍNCIPES, SÃO LOUVADOS OU VITUPERADOS”

TESE:

Todos os homens principalmente os soberanos, por sua posição mais elevada, têm a reputação de certas qualidades, que lhes valem elogios. Entretanto, alguns são tidos como liberais outros por miseráveis. Seria muito louvável que um príncipe tivesse boas qualidade.

É preciso ter prudência necessária para evitar o escândalo provocado pelos víncios que poderiam abalar seu reinado, evitando os outros se fosse possível, se não for, poderá praticá-los com menos escrúpulos.

Era fácil notar que algumas qualidades pareciam virtudes, levavam à ruína, e outras que pareciam vícios, traziam como resultado o aumento da segurança e do bem estar.

CAPÍTULO XVI – “DA LIBERDADE E DA PARCIMONIA”

TESE:

“Quem quiser ganhar reputação de liberdade não descuidará de praticar atos suntosos” (página 95)

ANALISE:

Para que um cidadão se eleve socialmente ou principalmente politicamente é preciso que faça atos “bons”.

CAPÍTULO XVII – DA CRELDADE E DA PEIDADE- SE É MELHOR SER AMADO DO QUE TEMIDO OU É MELHOR SER TEMIDO DO QUE AMADO”

TESE:

“O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal” (página 98).

ANALISE:

Não devemos nos preocupar com os que os outros acham do nosso objetivo. Devemos segui-lo em frente de acordo com o nosso pensamento.

Capítulo XVIII -COMO DEVEM OS PRÍNCIPES HONRAR A SUA PALAVRA”

TESE:

Os príncipes deveriam ser íntegros, mais na verdade eles ludibriaram a opinião pública e ganharam vantagem sobre quem era leal.

Existem dois modos de combate, o dos homens é a lei, e o dos animais é a força. Os príncipes nem sempre usam o modo dos homens, lançando mão do segundo modo (animais). Os príncipes como Aquiles, eram confiados pelos escritores a serem metade homem e metade animal, já que usavam os dois modos de combate.

De acordo com o modelo da raposa e do leão, o príncipe deve mostrar duas faces da sua natureza sendo assim indefeso e dominador. Deve tomar cuidado com o que fala e mostrar-se integro, sincero e acima de tudo religioso.

Cada um vê o que quer, poucos podem sentir, e esse poucos não ousam se colocar contra o Estado. De resto pouco conta às minorias se a maioria tem onde se apoiar.Um príncipe jamais exalta suas idéias senão a paz e a boa fé, pois assim ele colocaria em risco a sua reputação e o seu poder.

ANALISE:

Um príncipe deveria cumprir com sua palavra mais muitas vezes não faz isso e ainda leva vantagem encima dos outros. Um príncipe usa o modo de combate dos homens e dos animais, usa a força e as leis, por isso tem que se fazer de indefesos e dominadores ao mesmo tempo.

CAPÍTULO XIX – BUBITRAINDO-SE AO DESESPERO E AO ÓDIO”

TESE:

Um príncipe se torna odioso se usufrui das coisas e das mulheres dos súditos, pois os homens em geral vivem contentes enquanto deles não se toma o patrimônio nem a honra, restando ao príncipe apenas ter que combater a ambição de uns poucos, a qual pode acabar com facilidade. Torna-o desprezível ser tido como inconstante, afeminado, indeciso, as coisas que um príncipe deve evitar devendo empenhar-se para que, em suas ações, reconheça grandeza, animo, sensatez e energia. Em sua atuação junto às intrigas privadas dos súditos, deve firmar suas decisões como anuladas e manter sua posição de modo que ninguém pense em enganá-lo nem faze -lo mudar de opinião.

O príncipe que coloca esta idéia de si mesmo é altamente reputado e dificilmente se conspira contra as pessoas bem reputadas, como também dificilmente é atacado. Um príncipe deve ter dois receios: um interno, por conta de seus súditos; e outro externo por conta das potências estrangeiras. O meio de se defender destas são as boas armas e os bons amigos, e sempre que tiver boas armas terá também bons amigos. Um dos mais poderosos instrumentos de que dispõe um príncipe contra as conspirações é não ser odiado.

Portanto, um príncipe deve ter em pouca conta as conspirações enquanto o povo lhe for favorável, mas, quando este se tornar seu inimigo ou tiver ódio dele deverá temer todas as coisas e todo mundo.

Daí se poder tirar outra observação: a de que os príncipes devem fazer os outros aplicarem as punições e eles próprios concederem as graças. Um príncipe deve valorizar os grandes, mas não se fazer odiar pelo povo.

ANALISE:

Um príncipe deve fazer de tudo para agradar a todos e deve fazer o máximo para não ter inimigos, por isso ele tem que conquistar a máxima confiança de seus súditos e assim ele se protege dos inimigos externos, e com a confiança de seus homens esta protegido também das ameaças internas.

CAPÍTULO XX – “SE AS FORTALEZAS E MUITAS OUTRAS COISAS QUE DIA A DIA SÃO DEITAS PELO PRÍNCIPE SÃO ÚTEIS OU NÃO”

TESE:

“Jamais existiu um príncipe novo que desarmasse os seus súditos; pelo contrário, encontrado-os desarmados, sempre os arma, porque, ao Ihes dar armas, estas armar tornam-se tuas; tornam-se fiéis os que te eram suspeitos, conservam-se leais os que já o eram e transformam-se os súditos em teus partidários. mas. quando os desarma começas a ofendê-los, mostrando desconfiar deles por vileza ou má-fé, e uma ou outra dessas opiniões faz com que se acenda o ódio contra ti. Como não podes ficar desarmado, precisas valer-te dos exércitos mercenários e, mesmo que fossem bons, não seriam suficientemente para defender-te dos inimigos poderosos e dos súditos suspeitos. Por isso, como afirmei, um príncipe novo, em um principado novo, sempre cria exércitos.” (página 99 e 100)

“Quando um príncipe, porém, conquista um estado novo, que é anexado ao seu estado antigo, faz-se necessário desarmar aquele estado, exceto os que te apoiaram na conquista; mesmo estes, com o tempo e ocasião, será preciso torná-los fracos e efeminados, de modo que todos os exércitos naquele estado inteiro sejam compostos dos teus próprios soldados, que vivam próximos de ti no teu estado antigo”. (página 100)

As fortalezas são portanto úteis ou não segundo os tempos: se, por um lado, te são proveitosas, por outro te fazem mal. Pode-se expor este ponto da seguinte maneira: o príncipe que tiver mais medo do povo do que dos estrangeiros deverá construir fortalezas; mas o que tiver mais medo do estrangeiro do que do povo deverá deixá-las de lado (…) Portanto, em qualquer tempo, teria sido mais seguro (…) não ser odiado pelo povo do que possuir fortalezas. Considerados portanto todos esses aspectos, louvarei que fizer fortalezas e quem não as fizer também; e reprovarei quem que, confiando nas fortalezas, pouco se preocupar por ser odiado pelo povo”. (página 103 e 104)

ANALISE:

O príncipe deve estar sempre a favor de seus súditos e fazendo de tudo para que eles estejam bem, sempre os armando, pois assim ele estará armado.

O príncipe que tiver mais medo do povo do que dos estrangeiros deverá construir fortalezas, mais o que tiver mais medo dos estrangeiros deverá deixa-las de lado.

CAPÍTULO XXI – “COMO DEVE PORTAR-SE UM PRÍNCIPE PARA FAZER-SE BENQUISTO”

TESE:

Nada torna um príncipe tão estimado quanto realizar grandes empreendimentos e dar de si raros exemplos. Acima de tudo, deve procurar dar de si, em cada uma das suas ações, uma imagem de sua grandiosidade. Um príncipe também é estimado quando é um verdadeiro amigo ou um verdadeiro inimigo, isto é, quando se tem algum, declara-se a favor de um e contra outro.

Um príncipe deve ainda mostrar-se a favor da virtude, abrigando os homens valorosos e honrados os excelentes em uma arte qualquer. Além disso, deve estimular seus concidadãos a desenvolverem suas atividades, tanto no comércio como na agricultura ou em qualquer outro ramo. Deve deixar fazer com que não temam ornar suas propriedades por receio de que estas sejam tomadas, nem que deixem de abrir negócios com medo dos impostos; mas, ao contrário, deve proporcionar prêmios a quem quiser realizar essas coisas e a qualquer um que tente melhorar sua cidade ou seu estado. Deve manter o povo entretido com festas e espetáculos nas épocas convenientes do ano. Como toda cidade é dividida em corporações e tribos, deve dar atenção a essas coletividades, reunir-se com eles as vezes, dar de si mesmo um exemplo de humanidade, se mantendo sempre firme.

ANALISE:

Para um príncipe ser querido ele tem que ser um homem de atitudes e fazer de tudo para manter todos à vontade e fazer que tudo esteja sempre bem, ajudando seus súditos e sendo sempre amigo.

CAPÍTULO XXII – “DOS MITOS MINISTROS DOS PRÍNCIPES”

TESE:

É de grande importância para um príncipe, a escolha de seus ministros, que serão bons ou maus de acordo com sua prudência. A primeira imagem que se faz a respeito da inteligência de um senhor baseia-se na observação dos homens que tem em torno dele. Se estes forem competentes e fiéis, o príncipe sempre poderá ser reputado sábio, porque soube reconhecê-los como competentes e mantê-los fiéis. Mas quando não são assim, sempre se pode fazer mau juízo dele, pois cometeu seu primeiro erro nesta escolha.

Há um modo infalível pelo qual um príncipe pode conhecer um ministro. Quando vê que um ministro pensa mais em si mesmo do que nele, todas as ações, busca primeiro o seu próprio benefício, jamais será um bom ministro, e nunca poderá confiar nele, pois quem tem em suas mãos o estado de outro nunca deve pensar em si mesmo, mas no príncipe, nem ocupá-lo com coisas que não lhe digam respeito. Por outro lado, o príncipe, para conservar sua lealdade, deve pensar no ministro, concedendo-lhe honrarias e riquezas. Enquanto os ministros agirem assim em relação aos príncipes e este em relação aos ministros, poderão ambos confiar um no outro; caso contrário, sempre haverá um fim mau para um deles.

ANALISE:

Um príncipe deve saber escolher seus ministros, e a primeira imagem que se faz é da inteligência dele. Se esses homens forem inteligentes e competentes o príncipe sempre vai ser considerado sábio.

CAPÍTULO XXIII – “COMO ESCAPAR AO ACULADORES”

TESE:

Não há outro modo de proteger-se dos bajuladores senão fazendo os homens entenderem que não te ofendem ao dizerem a verdade. Se, porém, todos a puderem dizer, te faltarão ao respeito. Deve, portanto, um príncipe prudente conduzir-se de um terceiro modo, escolhendo em seu estado homens sábios e somente a estes concedendo livre arbítrio para lhe dizer a verdade, e apenas sobre as coisas que o príncipe perguntar, mais nada.

ANALISE:

Um príncipe deve se mostrar indestrutível, e mostrar que as criticas sobre ele não o ofendem, por isso deve sempre ter súditos inteligentes ao seu redor.

CAPÍTULO XXIV – POR QUE RAZÕES OS PRÍNCIPES DA ITÁLIA [ERDERAM SEUS ESTADOS”

TESE:

Considerando aqueles senhores que, na Itália perderam seus Estados, encontra-se neles, primeiro, um erro comum quanto aos exércitos pelas razões longamente discutidas atrás. E que alguns dentre eles ou tiveram o povo como inimigo ou, mesmo contando com a amizade do povo não souberam conter os grandes. Sem esses defeitos, não se perdem os estados, quando se tem força a ponto de poder manter um exército em campanha.

ANALISE:

O erro dos homens que perderam seus estados é comum em relação aos seus exércitos.

CAPÍTULO XXV – “DE QUANTO PODE A FORTUNA COISA HUMANAS E DE QUE MODO SE PODE RESISTIR-LHE”

TESE:

A fortuna demonstra a sua força onde não encontra uma virtude ordenada, pronta para lhe resistir e volta o seu ímpeto para onde sabe que não foram erguidas barreiras para contê-la. Se considerar a Itália, que é sede e origem dessas alterações, se vê que ela é um campo sem qualquer defesa; caso ela fosse convenientemente ordenada pela virtude, como a Alemanha, a Espanha e a França, ou esta cheia não teria causado grandes variações que ocorreram, ou estas sequer teriam.

ANALISE:

A fortuna representa a força, e pronta para resistir, voltando sua vontade para onde sabe que não tem defesa. A Itália, por exemplo, é um campo sem qualquer defesa.

CAPÍTULO XXVI – “EXORTAÇÃO AO PRÍNCIPE PARA LIVRAR A ITÁLIA DAS MÃOS DOS BARBAROS”

TESE:

Se o momento atual da Itália é propício a um príncipe novo, isto é, se existe matéria que justifique que um príncipe prudente e valoroso lhe dê forma, trazendo-lhe glória pessoal e benefícios para todos os homens do país, parece que ora acontecem tantas coisas em favor de um príncipe novo, que eu não há ocasião mais propícia para isso. Vê-se que a Itália roga a Deus que lhe envie alguém para redimi-la da crueldade e insolência dos bárbaros; vê-se que esta inteiramente pronta e disposta a seguir uma bandeira, contanto que alguém a carregue. Não há, atualmente, ninguém que a Itália possa esperar mais, do que de vossa ilustre casa que, com sua fortuna e virtude foi eleita por Deus e pela Igreja – a cuja frente agora para se tornar o chefe desta redenção

Querendo, pois, vossa ilustre casa seguir o exemplo daqueles homens excelentes que redimiram seus estados, será necessário, antes de tudo, como verdadeiro fundamento de qualquer empresa, formar exército próprios, porque nao pode haver soldados mais fiéis, nem mais verdadeiros, nem melhores

Se cada um deles individualmente for bom, todos juntos ainda serao melhores quando se virem comandados por seu príncipe, prestigiados e cuidados por ele. É preciso, portanto, preparar esses exércitos para poder, com a virtude italiana, defender-se dos estrangeiros.

CONCLUSÃO

Maquiavel nunca chegou a escrever a sua frase mais famosa: “os fins justificam os meios”. Mas com certeza ela é o melhor resumo para sua maneira de pensar. Seria praticamente impossível analisar num só trabalho , todo o pensamento de Nicolau Maquiavel.

Ao escrever O Príncipe, Maquiavel expressa nitidamente os seus sentimentos de desejo de ver uma Itália poderosa e unificada. Expressa também a necessidade ( não só dele mas de todo o povo Italiano ) de um monarca com pulso firme, determinado que fosse um legítimo rei e que defendesse seu povo sem escrúpulos e nem medir esforços.

Para Maquiavel , um príncipe não deve medir esforços nem hesitar, mesmo que diante da crueldade ou da trapaça, se o que estiver em jogo for a integridade nacional e o bem do seu povo.

“Os fins justificam os meios” .Maquiavel , ao dizer essa frase, provavelmente não fazia idéia de quanta polêmica ela causaria. Ao dizer isso, Maquiavel não quis dizer que qualquer atitude é justificada dependendo do seu objetivo. Seria totalmente absurdo. O que Maquiavel quis dizer foi que os fins determinam os meios. É de acordo com o seu objetivo que você vai traçar os seus planos de como atingi-los.

BIOBIBLIOGRAFIA

Maquiavel nasceu em Florença em 3 de maio de 1469. Sua família não era aristocrática nem rica. Seu pai, advogado como um típico renascentista, era um estudioso das humanidades, tendo se empenhado em transmitir uma aprimorada educação clássica para seu filho. Maquiavel com 12 anos, já escrevia no melhor estilo e, em latim.

Mas apesar do brilhantismo precoce, só em 1498, com 29 anos Maquiavel exerce seu primeiro cargo na vida pública. Foi nesse ano que Nicolau passou a ocupar a segunda chancelaria. Isso se deu após a deposição de Savonarola, acompanhado de todos os detentores de cargos importantes da república florentina. Nessa atividade, cumpriu uma série de missões, tanto fora da Itália como internamente, destacando-se sua diligência em instituir uma milícia nacional.

Com a queda de soverine, em 1512, a dinastia Médici volta ao poder, desesperando Maquiavel, que é envolvido em uma conspiração, torturado e deportado. É permitido que se mude para São Cassiano, cidade pequena próxima de Florença, onde escreve sobre a Primeira década de Tito Lívio , mas interrompe esse trabalho para escrever sua obra prima: O Príncipe, destinado a que se reabilitasse com os aristocratas, já que a obra era nada mais que um manual da política.

Maquiavel viveu uma vida tranqüila em S. Cassiano. Pela manhã, ocupava-se com a administração da pequena propriedade onde está confinado. À tarde, jogava cartas numa hospedaria com pessoas simples do povoado. E à noite vestia roupas de cerimônia para conviver, através da leitura com pessoas ilustres do passado, fato que levou algumas pessoas a considerá-lo louco.

Enfim, em 1527, com a queda dos Médici e a restauração da república, Maquiavel que achava estarem findos os seus problemas, viu-se identificado por jovens republicanos como alguém que tinha ligações com os tiranos depostos. Então viu-se vencido.

Esgotaram-se suas forças. Foi a gota d’água que estava faltando. A república considerou-o seu inimigo. Desgostoso, adoece e morre em junho.

Mas nem depois de morto, Maquiavel terá descanso. Foi posto no Index pelo concílio de Trento, o que levou-o, desde então a ser objeto de excreção dos moralistas.

Autor: Trabalho por Carolina

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