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RESENHA: DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM

DROUET, Ruth Caribé da Rocha. Distúrbios da Aprendizagem. 4. ed. São Paulo: Ática, 2003.

DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM

AUTORA

Ruth Caribé da Rocha Drouet é licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara. Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos. Professora do Curso de Magistério da EEPSG Bento de Abreu de Araraquara. Professora de Princípios e Métodos de Administração Escolar da Faculdade de Educação e Estudos Sociais de Araraquara. Membro do grupo de pesquisa Núcleo Regional de Ensino da Unesp, de Araraquara.

OBRA

DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM é um livro que foi escrito com o intuito de alertar professores e alunos dos cursos de Magistério, Pedagogia e Psicologia para os múltiplos fatores que interferem no processo de ensino-aprendizagem, prejudicando-o gravemente. A autora possibilita o entendimento dos problemas de aprendizagem em um contexto geral enfocando todas as formas e problemáticas dos transtornos, ao mesmo tempo em que possibilita o diagnóstico dos sintomas e distúrbios de aprendizagem a fim de prevenir os problemas escolares, bem como a adaptação escolar e social.

RESUMO

A aprendizagem é gradual, contínua e cumulativa. Cada indivíduo tem seu ritmo próprio de aprendizagem, que aliado ao seu esquema próprio de ação, irá constituir sua individualidade. As diferenças individuais levam alguns indivíduos a serem mais lentos na aprendizagem, enquanto outros são mais rápidos. A aprendizagem é, portanto, um processo pessoal e individual com bases genéticas que dependem dos esquemas de ação inatos dos indivíduos, dos estágios de maturação do seu sistema nervoso, do seu tipo psicológico e do seu grau de envolvimento, esforço e interesse.

Existem pelo menos sete fatores fundamentais para que a aprendizagem se efetive, seja qual for a teoria da aprendizagem considerada: saúde física, motivação, prévio domínio, maturação, inteligência, concentração ou atenção e memória. Além desses fatores, há ainda a prontidão para a aprendizagem.

Do ponto de vista psicológico, a criança deverá estar suficientemente amadurecida em três aspectos fundamentais: intelectual, afetivo-social e sensório-psiconeurológico.

De acordo com Piaget, a inteligência é um exemplo de comportamento adaptativo que vai se desenvolvendo desde os primeiros anos de vida, em um processo contínuo. A inteligência é a capacidade que o indivíduo tem de interagir com o meio ambiente e é através das experiências afetivo-sociais que a personalidade da criança vai se formando e quando ela chega à escola, já possui características de personalidade bem definidas. A criança precisa ainda saber interagir com o meio exterior, o que implica em tempo e espaço, além do relacionamento com outras pessoas e com os objetos que a cercam. Esse relacionamento se faz através das percepções, do contato corporal e da evolução dos gestos e da motricidade.

A criança está pronta para aprender quando ela apresenta um conjunto de condições, capacidades, habilidades e aptidões consideradas como pré-requisitos para o início de qualquer aprendizagem. Prontidão para aprender, significa, portanto, o conjunto de habilidades que a criança deverá desenvolver de modo a tornar-se capaz de executar determinadas atividades. O início da escolarização no nível de primeiro grau deve ser precedido de uma avaliação das capacidades e habilidades da criança. Isso é importante, pois evita que ela inicie um curso para o qual talvez não apresente ainda os pré-requisitos exigidos.

A avaliação diagnóstica consiste em submeter as crianças a uma série de provas que reúnem todas as capacidades, habilidades e aptidões necessárias à aprendizagem. Essa avaliação deve ser realizada no primeiro mês de aula, conhecido com período preparatório. Através dessa avaliação poderá ser detectado se o aluno tem dificuldade de movimentos ao executar tarefas que as outras crianças executam com facilidade, se tem problemas de fala, se não consegue ler o que está no quadro, se não entende bem o ditado, se é superexcitado, ou quieto, desanimado, se não consegue aprender a ler ou escrever, entre outros problemas que poderão ser observados na avaliação. O professor deve avaliar esses problemas e anotar na ficha individual do aluno, se o problema persistir deve encaminhar ao especialista adequado, como fonoaudiólogo, médico, oftalmologista, otorrino e psicólogo.

Robert Valett criou o inventário psicoeducacional de capacidades básicas de aprendizagem que é composto por uma lista de 53 capacidades básicas consideradas como pré-requisitos para a aprendizagem geral e para a alfabetização, e deve ser aplicado individualmente em crianças com suspeita de deficiências de aprendizagem. Consiste em avaliar seis grandes áreas do conhecimento: o desenvolvimento da motricidade geral da criança, a integração sensoriomotora ou sensoriomotriz, as habilidades perceptivo-motoras ou perceptomotoras, o desenvolvimento da linguagem, as habilidades conceituais e sociais. O desenvolvimento da motricidade geral consiste no desenvolvimento e na conscientização do indivíduo da atividade dos grandes músculos (são avaliados os movimentos que a criança faz como rolar, sentar, engatinhar, andar, correr, arremessar, pular, saltitar, dançar, sua auto-identificação, sua localização do corpo e esquema corporal, sua abstração do corpo e força muscular). A integração sensoriomotora consiste no desenvolvimento integrado dos sentidos, do equilíbrio e dos movimentos (são avaliados o equilíbrio e ritmo, a organização do corpo no espaço, a habilidade para reações rápidas, destreza e agilidade, a discriminação tátil, o sentido de direção, a lateralidade e orientação no tempo). As habilidades perceptivo-motoras envolvem o desenvolvimento de capacidades de percepção e movimentos (acuidade auditiva, decodificação auditiva, associação audioverbal, memória auditiva, seqüência auditiva, acuidade visual, coordenação e acompanhamentos visuais, discriminação visual de formas, diferenciação visual de figura-fundo, memória visual, memória visomotora, coordenação muscular visomotora fina, manipulação visomotora de forma e espaço, velocidade de aprendizagem visomotora, percepções gustativas e olfativas. A área de desenvolvimento da linguagem é o início da comunicação e expressão oral infantil (avalia-se o vocabulário, a fluência na comunicação e a articulação das palavras). As habilidades conceituais visam testar e estabelecer conceitos de quantidade, classe, número, medida, conjuntos, forma, tamanho, espessura, posição no espaço e ordem (são avaliados os conceitos de número, classificação e seriação, informação geral e compreensão). As habilidades sociais testam a capacidade de interação social dos alunos ( aceitação social, respostas antecipatórias, julgamentos de valor, maturidade social, criatividade e invenção).

Existem vários testes norte-americanos que avaliam a prontidão para a aprendizagem, mas que são inadequados para a nossa cultura. O teste que está sendo empregado com bastante êxito é o Teste ABC de autoria do educador e psicólogo brasileiro Lourenço Filho. O teste ABC foi elaborado para diagnosticar a maturidade necessária à alfabetização. É aplicado individualmente em oito minutos e permite conhecer o desempenho individual de cada aluno abordando os seguintes itens: coordenação visomotora, memória visual, coordenação audiomotora, tendência à inversão, capacidade de pronunciar bem as palavras, memória auditiva, índice de atenção, índice de fadiga, vocabulário e compreensão geral de um texto.

Atualmente o teste mais utilizado no Brasil é o Teste Metropolitano de Prontidão, uma adaptação à nossa cultura feita por Ana Maria Poppovic do Teste de Prontidão para a Alfabetização de Gertrude H. Hildreth e D. Nellie L. Griffiths. Esse teste destina-se a levantar as características e a medir as capacidades das crianças que iniciam o primeiro graus. O teste avalia o vocabulário, a capacidade de atenção concentrada, a percepção visual e auditiva, a correlação visomotora, a coordenação dos movimentos, a tendência à inversão e os elementos necessários à aprendizagem aritmética.

Após falarmos sobre a prontidão para aprender e sobre os testes que medem essa prontidão, faremos algumas considerações sobre distúrbios no contexto da aprendizagem e na adaptação escolar. Distúrbio significa perturbação ou alteração no comportamento habitual de uma pessoa, ou ainda problemas ou dificuldades no processo de ensino-aprendizagem.

Entre as principais causas das dificuldades de aprendizagem e de ajustamento escolar estão as causas físicas, sensoriais, neurológicas, emocionais, intelectuais ou cognitivas, educacionais e sócio-econômicas.

As causas físicas englobam as perturbações transitórias como dores, doenças parasitárias, febres, doenças alérgicas e doenças infantis. Englobam também as perturbações ou distúrbios permanentes como problemas físicos.

As causas sensoriais são aquelas que envolvem os distúrbios dos órgãos dos sentidos.

As causas neurológicas são as que interferem no campo da aprendizagem como o retardamento mental, lesão cerebral, ausências ou disritmias, disfunção cerebral mínima, genética ou congênita, distúrbios da inteligência, problemas de comportamento. As dificuldades associadas à disfunção cerebral mínima podem apresentar distúrbios como disgrafia, disortografia, discalculia, dislexia, atrasos de maturação, hiperatividade entre outros problemas que são caracterizados como distúrbios da aprendizagem.

A personalidade da criança vai se formando à medida em que ela interage com o meio físico e social em que vive, desenvolve-se com o seu crescimento físico, vai se modificando com as sucessivas interações e se expressa através dos diferentes comportamentos, nos relacionamentos sociais e nas ligações afetivas. Dessa forma as causas emocionais se tornam componente importante no processo de aprendizagem uma vez que agem diretamente no querer aprender. A criança que pode estar passando por um problema emocional não tem condições de aprender, porque esse problema pode estar a afetando de tal forma que ela volte a ter comportamentos primitivos como enurese, encoprese, recusa em ir à escola, tiques, masturbação em público, gagueira, ansiedade, comportamentos retraídos e conturbados, medo, fobia e comportamentos psicóticos.

Dentre as causa intelectuais podemos destacar os superdotados, os subdotados ou infradotados, os totalmente dependentes, os educáveis, os limítrofes. Essas características também podem influir no processo de ensino-aprendizagem.

Os distúrbios provenientes de uma educação familiar mal orientada podem resultar em problemas de aprendizagem, pois há uma estreita relação entre lar e escola. A influência do lar, assim como a influência do meio social mais amplo, é muito grande, principalmente na primeira infância e na adolescência. Essas são as fases mais críticas do desenvolvimento do ser humano, que sempre requerem um maior cuidado e atenção.

A família nuclear, constituída de pai, mãe e filhos é considerada como a melhor unidade social. A influência da família é um elemento fundamental no desenvolvimento do caráter do indivíduo. A principal importância dessa influência reside no fato de o lar e a vida familiar proporcionarem, através de seu ambiente físico e social, as condições necessárias ao desenvolvimento da personalidade da criança.

O ambiente físico e social do lar deve proporcionar ao aluno a disciplina com horários, com as tarefas, um local de estudo apropriado, silêncio e harmonia. O clima emocional do lar, o nível cultural e educacional da família, bem como o seu nível sócio-econômico influenciarão no desenvolvimento da personalidade da criança e também no seu desenvolvimento escolar, criando o chamado capital cultural ou currículo oculto, uma vez que uma família bem estruturada, além de garantir uma boa escola, garantirá também bons níveis de desenvolvimento cultural. Como por exemplo, uma família que tem o hábito da leitura, de assistir a bons filmes, tem o gosto pelas artes, pela cultura e a viajar, esta certamente estará estimulando os filhos a aprenderem e adquirirem os bons hábitos da cultura desde cedo.

No meio escolar o ambiente físico e social da escola, o professor e os alunos são fatores que podem prejudicar o desenvolvimento de uma criança se não forem trabalhados adequadamente.

O homem é um ser social, portanto, desde que nasce é um membro de uma determinada sociedade. As pessoas querem sempre o melhor para si e para suas família, como o desejo de ver um filho entrando para uma universidade e sendo um profissional liberal. A educação, dentro desse contexto sócio-econômico e cultural, tem como papel, preparar o indivíduo para a realização de suas necessidades e objetivos, para ter uma profissão e sentir-se sujeito e transformador da sociedade. Como em todos os sistemas é a classe dominante que orienta e manipula toda a vida dos habitantes de um país e, portanto, determina que tipo de educação pretende para a nação. Essa educação será baseada nos seus parâmetros e é a sua cultura que será aceita e servirá de padrão para essa educação. Aí é que ocorrem os problemas sociais, pois as pessoas de menor poder aquisitivo não poderão alcançar o nível da classe dominante.

Dessa forma é dever de todos superar a carência cultural, buscando o direito que todo cidadão tem à educação e saúde. Direito a educação implica em ver a criança na escola e direito à saúde, além de todos os outros aspectos, implica em atender o mais cedo possível a criança que apresentar problemas de aprendizagem para que possa ter uma verdadeira igualdade de oportunidade educacional e atingir o a sua realização pessoal e profissional.

REFLEXÃO

O livro mostra que a divisão dos distúrbios de aprendizagem é arbitrária, levando em conta apenas a facilidade de compreensão dos alunos, pois é impossível separar completamente inteligência de emoções, problemas sócio-econômicos de problemas educacionais, e assim por diante. Isso porque o ser humano é uma unidade indivisível, onde todos os sistemas estão inter-relacionados e interdependentes.

Muitas são as crianças e os adolescentes que hoje, no contexto sócio-cultural brasileiro, apresentam dificuldades no processo de aprendizagem. Tais dificuldades, que sistematicamente levam a problemas de aprendizagem e ao fracasso escolar, têm sido analisadas sob a ótica da estrutura individual que estaria prejudicada, provocando uma ruptura no processo de compreensão da realidade. De modo geral, a criança ou o adolescente que não aprende é responsabilizado integralmente pela sua incapacidade. Nas classes sociais menos favorecidas a questão se agrava ainda mais, porque o menor já carrega, desde muito cedo, o estigma de menos capaz e de inabilitado ao contexto e às exigências escolares; desde logo, ele recebe a marca de deficiente, que seria determinada unilateralmente pelas suas condições precárias de vida. A partir dos anos setenta, no Brasil, iniciou-se uma mudança que veio privilegiar a educação. Sob esse ponto de vista, a causa principal do fracasso escolar encontrava-se ainda no aluno, embora, à escola, fosse atribuída uma certa parcela de responsabilidade. A precária a capacitação dos professores bem como a sua origem, já que, na a maioria, pertenciam à classe média, tornava difícil para a escola, adequar-se às condições de vida e às expectativas do aluno mais crente. Os professores eram portadores de uma cultura radicalmente distinta, constituída por sistema de valores, regras e padrões que muito pouco colaboravam para a construção de uma escola que respeitasse o aluno como sujeito, e promovesse condições para que ele tivesse acesso ao conhecimento e à apreensão da sua realidade. Assim, apesar dos esforços que têm sido feitos nas últimas décadas na tentativa de reduzir sensivelmente o número de crianças e adolescentes que apresentam perturbações na aprendizagem, os resultados são ainda insatisfatórios. Há, portanto, que se busquem novas alternativas para abordar o problema.

A partir de tais premissas, localizar a responsabilidade do fenômeno do não aprender em apenas um dos segmentos parece ser, no mínimo, parcial e incorreto. A leitura desse sintoma precisa se reforçada e ampliada, de modo a levar em conta o significado e o valor que o mesmo tem para cada um dos parceiros comunicacionais e para os diferentes segmentos da realidade, e não apenas para o sujeito que o veicula, ou seja, “portador” do problema de aprendizagem. Vê-se, portanto, que já os primórdios da Psicologia, surgira a tentativa de compreender todo o complexo internacional que marca as relações de aprendizagem; o conteúdo escolar, como já assinalava Freud, não parecia ser o aspecto mais importante. Hoje, a Psicologia reúne maiores condições para ampliar um pouco mais o modo de enfocar questão tão complexa como a das relações de aprendizagem. Sem reduzir a importância dos conteúdos escolares formais, os que dizem respeito aos conceitos científicos, poderíamos, isto sim, concebê-los sempre perpassados e mediados pelas interações entre o professor e aluno. Desse modo, qualquer aprendizagem parece ser definida, em princípio, pela relação. E é aí que assume papel relevante o referente do professor; suas vivências familiares, suas crenças e valores, sua concepção de mundo e de homem, sua postura frente ao saber científico, e tudo isso vai perpassar suas interações com a criança e, de certa forma, interferir no processo de aprendizagem do aluno. Assim, por exemplo, o valor que o professor vai atribuir a cada conteúdo, as suas expectativas em relação ao papel do aluno e que certo, estarão fundadas nas suas próprias vivências escolares remotas e naquilo que esperavam dele enquanto aluno, suas concepções quanto às responsabilidades do professor no que se refere ao aprender ou não aprender do aluno, tudo isso e outros aspectos da personalidade do professor vão pontuar as interações como os seus discípulos. Todo o seu comportamento vai comunicar incessantemente a gama de crenças e valores que o caracterizam enquanto pessoas e profissionais e, portanto, contribuir para a direção a ser traçada nas relações escolares.

Contudo, há que se ter presente também que os referenciais do professor constituem um dos segmentos de um subsistema do sistema educacional. Outro deles é sem dúvida, o subsistema do referente do aluno, que implica, em si mesmo, todo um sistema de crenças, mitos, conhecimentos peculiares ao sistema sócio-familiar. E é nessa dinâmica que vai se dar o processo ensino-aprendizagem, e onde o comportamento do não-aprender vai se revelar com maior intensidade.

As perspectivas pelas quais tem sido analisado o comportamento não-aprender, tradicionalmente têm-no caracterizado como um comportamento específico do sujeito portador de perturbações e, portanto, isolado do seu contexto. A professora que registra a queixa de que o seu aluno não aprende, assim como o psicólogo que investiga uma situação de não-aprendizagem focalizando essencialmente a estrutura psíquica da criança ou até mesmo a organização e o funcionamento familiar, constituem exemplos típicos de abordagens parciais ao problema.

Em geral, tais posturas isentam a escola e as relações que ali se desenvolvem, de toda a problemática. Habitualmente, tomam o determinismo psíquico como pressuposto: a causa e o significado do não-aprender são externos e antecedem a relação pedagógica; e se externos e antecedentes, implica que devam ser tratados de modo periférico à escola e aos parceiros escolares.

Tomando como fundamentos teóricos as vertentes da Psicanálise e da Psicologia Genética, avança sobremaneira na tentativa de compreensão do fenômeno não-aprender, quando propõe a análise multifatorial da questão, abrangendo fatores orgânicos, específicos, psicógenos e ambientais do sujeito. Segundo tal abordagem, por exemplo, a presença de certos prejuízos de caráter orgânico ou mesmo um transtorno específico na área perceptivo-motora não justificaria, por si só, todo um transtorno de aprendizagem, não fossem os fatores psicógenos e/ou ambientais também favoráveis ao desenvolvimento de tal perturbação.

Portanto, já aqui, começa-se a vislumbrar a possibilidade de entender o sintoma como um estado particular de um sistema que, para equilibrar-se, precisou adotar este tipo de comportamento que merecia um nome positivo, mas que caracterizamos como não-aprendizagem. Desde essa perspectiva, ficaria compreensível a perturbação na aprendizagem da criança ou do adolescente em cujo desenvolvimento não foi assegurada a transformação da sua posição em relação aos pais, gerando desequilíbrios difíceis de serem compensados. Surgiria então o sintoma, a serviço de evitar as mobilizações que o grupo familiar não pudera suportar.

Não obstante os avanços significativos que essa abordagem teórico-prática evidencia, a compreensão da problemática parecem continuar ainda relativamente periférica: o sintoma não-aprender é enfocado essencialmente a partir da perspectiva familiar. Ainda que amplie significativamente o campo de análise, os parceiros escolares e toda a rede de comunicações desenvolvidas no contexto da escola e de suas relações com a família, continuam sensivelmente relegados; não teriam, portanto, participação importante na articulação do sintoma.

Uma Dificuldade de Aprendizagem não significa necessariamente uma deficiência mental ou orgânica. Pode indicar, uma condição específica, onde existem aspectos que precisam ser trabalhados para se obter melhores rendimento intelectual. A inibição intelectual, por exemplo, pode ser um dos fatores da vida psíquica da criança, que podem atrapalhar o bom desenvolvimento dos processos cognitivos, e sua relação com a aquisição de conhecimentos e com a família, na medida em que as atitudes parentais influenciam sobremaneira a relação da criança com o conhecimento.

Em muitos casos fica difícil para os profissionais envolvidos, distinguir a origem da desordem emocional, pois muitos sintomas se sobrepõem, dificultando um diagnostico mais preciso.

É preciso também considerar os efeitos emocionais que essas dificuldades acarretam, agravando o problema. Se seu rendimento escolar for sofrível, a criança talvez seja vista como um fracasso pelos professores ou colegas, e até pela família. Infelizmente, muitas dessas crianças desenvolvem uma auto-estima negativa, que agrava em muito a situação, e, que poderia ser evitada, com o auxílio da família e de uma escola adequada. É essencial que as crianças recebam apoio dos pais, pois quando sabem que têm pais que dão suporte emocional, a criança desenvolve uma base sólida e um senso de competência que a leva a uma auto-estima satisfatória.

Falar sobre dificuldades de aprendizagem é uma condição bastante abrangente, que se manifesta, sobretudo, pelo fracasso escolar. Esta condição tem um leque muito amplo de causas, mas sua forma evolutiva, está intimamente relacionada com o sistema familiar, educacional e social no qual o sujeito está inserido.

Ao psicólogo cabe, portanto, identificar as causas dos distúrbios de aprendizagem e fazer com que a criança e a família possam superar suas dificuldades de aprendizagem e tenham uma perfeita adaptação escolar, gerando assim uma auto-estima e a satisfação e realização pessoal e profissional de forma a garantir e o sucesso da relação ensino e aprendizagem.

Kátia Regina Beal Rodrigues

 

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