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PROGRAMA BIO CONSCIÊNCIA

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Autor: Marcelo Lelis 

I-INTRODUÇÃO

Este tem por objetivo esclarecer dúvidas básicas e propor soluções práticas viáveis para a implantação e gerenciamento de programas de coleta seletiva por prefeituras em todo o território brasileiro. No entanto, as informações aqui disponíveis podem ser transportadas para sistema de coleta seletiva de menor escala, gerenciados por ONG’s, condomínios, escolas, associações de moradores, entre outros, desde que executadas as devidas adaptações relativas à dimensão e aos objetivos do projeto.

Cabe ressaltar que a coleta seletiva, que faz parte de um sistema de gerenciamento integrado de lixo, também é uma atividade inteiramente dependente de peculiaridades regionais. Através do extenso território brasileiro, há uma grande diversidade sócio-cultural e econômica, influindo diretamente nos aspetos qualitativos e quantitativos do lixo gerado. Sendo assim, cada município deve buscar o(s) sistema(s) de coleta seletiva que melhor se adapte(m) à realidade local.

Em muitos casos a reunião de dois ou mais municípios, através da formação de consórcios, poderá gerar resultados significativamente melhores, considerando a relação custo/benefício.

1.1.O que é Coleta Seletiva de Lixo?

Coleta Seletiva e Lixo é um sistema de recolhimento de materiais recicláveis, tais como papéis, plásticos, vidros, metais e orgânicos, previamente separados na fonte geradora. Estes materiais, após um pré-beneficiamento, são então vendidos às indústrias recicladoras ou aos sucateiros. Este manual irá tratar da coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos. No entanto, extrapolações poderão ser feitas para o caso de resíduos industriais ou agrícolas, com algumas adaptações peculiares.

O sistema pode ser implantado em bairros residenciais, escolas, escritório, centros comerciais ou outros locais que facilitem a coleta de materiais recicláveis. Contudo, é importante que o produto de limpeza pública do município esteja integrado a este projeto, pois dessa forma os resultados serão mais expressivos.

Um programa de coleta seletiva deve ser parte de um sistema amplo de gestão integrada do lixo sólido que contempla também a coleta regular, uma eventual segunda etapa de triagem e finalmente a disposição final adequada. Mais adiante, alguns destes aspectos serão abordados.

A Coleta Seletiva não é uma atividade lucrativa de um ponto de vista de retorno imediato, pois a receita obtida com a venda dos recicláveis não cobrirá as despesas do programa. No entanto é fundamental considerar os custos ambientais e os custos sociais, que podem ser bastante reduzidos. Posteriormente, estes e outros aspectos serão abordados com mais profundidade.

A Coleta Seletiva é parte integrante de um projeto e reciclagem, e quando bem gerenciada contribuirá decisivamente para aumentar sua eficiência.

1.2.Como elaborar um projeto de reciclagem completo?

Quando se concebe um projeto de reciclagem, é preciso estar atento a todas as fases que sustentam e determinam o seu sucesso. A dinâmica da reciclagem de lixo pode estar como uma corrente em que todos os elos devem se interligar e funcionar em perfeito equilíbrio.

Esquema simplificado de um projeto integrado de reciclagem

 

 

1.3. Vantagens proporcionadas pelos programas de coleta seletiva

É importante ressaltar que esta corrente está sendo apresentada de forma simplificada. Sem uma estrutura eficiente de coleta seletiva, as outras etapas ficam comprometidas. Aqui, a etapa de marketing se refere ao produto reciclado a se colocado no mercado. Com o aumento progressivo do consumo e produtos reciclados, haverá possibilidade de maiores investimentos em tecnologias (segundo elo) e aumento da capacidade instalada das indústrias recicladoras. Esses fatores irão refletir no primeiro elo da corrente, promovendo um aumento da procura por materiais com conseqüente aumento do valor agregado do material coletado. Assim estará garantindo o fluxo contínuo necessário para recicláveis e reciclados, com melhores resultados para o Projeto.

 O investimento em coleta seletiva proporciona uma série de vantagens relacionadas aos chamados custos ambientais. Os municípios que tiverem estes programas promoverão:

  • Redução de custos com a disposição final do lixo (aterros sanitários ou incineradores);
  • Aumento da vida útil de aterros sanitários;
  • Diminuição de gastos com a remediação de áreas degradadas pelo mal

acondicionamento do lixo (ex. Lixões clandestinos); Educação / conscientização ambiental da população; Diminuição de gastos gerais com limpeza pública, considerando-se que o comportamento de comunidades educadas/conscientizadas ambientalmente traduz-se em necessidades menor de intervenção do Estado; Melhoria das condições ambientais e de saúde pública do município.

Em relação aos benefícios sociais pode-se listar:

  • Resgate social de indivíduos, através da criação de associações/cooperativas de catadores, ou mesmo através do trabalho autônomo de catação.

2. COLETA SELETIVA

IMPORTANTE: Caracterização do lixo

Antes de iniciar qualquer projeto que envolva coleta, reciclagem e/ou tratamento do lixo, a exemplo da coleta seletiva, é importante obter um “Raio X” do lixo, ou seja, avaliar qualitativamente e quantitativamente o perfil dos resíduos sólidos gerados em diferentes pontos do município em questão. Esta caracterização permitirá estruturar melhor todas as etapas do Projeto

Existem diversas formas de se operar um sistema de coleta seletiva de lixo sólido domiciliar urbano. Cada município deve avaliar e adotar aquele sistema que melhor lhe convier. Sabe-se, contudo que em alguns casos uma combinação de diferentes metodologias poderá gerar os melhores resultados. A seguir serão apresentadas algumas alternativas práticas de fácil implementação e operação.

Esta análise permitirá atentar para as alterações do perfil do lixo num mesmo município, decorrentes de variações em atividades econômicas, níveis sociais, questões culturais, entre outras. No Brasil, muitos municípios apresentam características bem distintas ao longo de seus domínios. Para maiores detalhes sobre técnicas de caracterização do lixo, consultar o “manual de gerenciamento integrado do lixo” – CEMPRE/IPT.

2.1. METODOLOGIA DE COLETA SELETIVA

2.1.1. Segregação total na fonte

A separação na fonte geradora dos diferentes tipos de materiais recicláveis presentes no lixo promove inúmeros ganhos que se traduzem em redução de custos nas etapas posteriores. Estas etapas posteriores. Estes custos estão associados a triagem, lavagem, secagem, transporte, entre outros.

A segregação do lixo é feita pelo próprio morador que adiciona os recicláveis separadamente. Deve-se prever, portanto, local disponível para o armazenamento. Esta separação deverá ser feita baseada no “modelo de seleção” que for adotado pelo município.

Exemplo clássico de “modelo de seleção”: separação entre lixo seco (plásticos, papel, vidro, metais, longa-vida, pneus, etc.), lixo úmido (resíduos orgânicos tais como restos de alimentos, cascas de frutas e legumes, etc.) e eventualmente, outros (rejeito).

  Sistema de coleta seletiva secos / úmido 

2.1.2. Separação em centrais de triagem

 Dependendo da quantidade e do tipo de lixo coletado, pode ser mais interessante do ponto de vista técnico e econômico fazer a coleta regular do lixo e destiná-la à uma central de triagem, onde haverá separação de todos os materiais recicláveis, inclusive a fração de orgânicos que será destinada à compostagem. Apesar das centrais de triagem não estarem incluídos na definição teórica de coleta seletiva, consideramos importante mencionar este sistema de separação de materiais recicláveis.

Um galpão de triagem é útil mesmo da segregação na fonte pelo sistema secos / úmido, já que haverá necessidade de separação dos secos (papel, plásticos, vidro, etc.), úmidos (fração de orgânicos) e outros (considerados rejeito). É claro que dependendo da dimensão do programa, o galpão poderá ser transformado em uma estrutura mais simples e de menor custo.

3.1.Papel/Papelão

3. PARA ONDE VAI DEPOIS DE RECICLADO (produtos reciclados)?

As aplicações para o papel reciclado são as mais variadas:

  • Caixa de papelão;
  • Sacolas;
  • Embalagem para ovos;
  • Bandejas para frutas;
  • Papel higiênico;
  • Cadernos e livros;
  • Material de escritório;
  • Envelopes;
  • Papel para impressão, entre outros.

3.2. Plástico

O Plástico tem infinitas aplicações, tanto nos mercados tradicionais das resinas virgens, quanto em novos mercados. O plástico reciclado pode ser utilizado para fabricação de:

  • Garrafas e frascos, exceto para contato direto com alimentos e fármacos;
  • Baldes, cabides, pentes e outros artefatos produzidos pelo processo de injeção;
  • Cerdas, vassouras, escovas e outros produtos que sejam produzidos com fibras;
  • “Madeira plástica”;
  • Sacolas e outros tipos de filmes;
  • Painéis para construção civil; 

3.3. Metais

 Geralmente os metais ferrosos são direcionados para as usinas d fundição, onde a sucata é colocada em fornos elétricos, ou a oxigênio, aquecidos a 1.550 graus centígrados. Após atingir o ponto de fusão e chegar ao estão líquido, o material é moldado em tarugos e placas metálicas, que serão cortados na forma de chapas de aço. A sucata demora somente um dia para se reprocessada e transformada novamente em laminas de aço usado por vários setores industriais – das montadoras de automóveis às fábricas de latinhas em conserva.

O alumínio também é encaminhado para a fundição, obedecendo a parâmetros específicos de processamento. O alumínio reciclado está presente na indústria de autopeças, na fabricação de novas embalagens, entre outras.

3.4. Vidros

Os cacos de vidros são conduzidos para a indústria de vidro que ira utiliza-los como matéria-prima na fabricação de novas embalagens de vidros. O material é fundido em formas de altas temperaturas junto à matéria-prima, (calcário, barrilha, feldspato, entre outras). O vidro reutilizado (ex., embalagens) é enviado para nova envase de produtos na indústria.

3.5.Longa-vida

 As opções são cada vez maiores e dependem diretamente do processo de reciclagem. Exemplos:

  • pelo processo de degradação das fibras e separação das frações papel e plástico+metal, as opções de aplicações sã •  papel: envelopes, papel ondulado/papelão, papel higiênico, entre outros;

 •    plástico+metal: cabides, réguas, entre outras peças injetadas e extrusadas;

  • pelo processo de prensagem e fabricação de chapas, as opções de utilização são:

•    substituição de painéis utilizados na construção civil, fabricação de bancos, cadeiras, entre outros.

3.6. Orgânicos

Os resíduos orgânicos são conduzidos para a compostagem. O composto é o resultado da degradação biológica da matéria-orgânica em presença de oxigênio do ar e pode ser utilizado como adubo ou fertilizante para enriquecimento de solos.

IMPACTOS AMBIENTAIS 

Cuidados devem ser tomados para que os processos descritos anteriormente não venham a gerar impactos ambientais negativos.

SAÚDE

 É importante estar atento às condições de limpeza e higienização dos locais de triagem e estocagem. A preocupação com os aspectos sanitários deve ser máxima, face à natureza do empreendimento. Caso não haja rigor neste quesito, tornam-se significativas as chances de proliferação de insetos, vetores, etc, tornando o ambiente propício à propagação de doenças.

Outros cuidados não menos importantes: evitar a emissão de ruídos exagerados durante as etapas de coleta e operação dos galpões; estar atento à emissão excessiva de poeira e partículas finas dos galpões. Recomenda-se “molhar” o solo caso o ambiente se torne excessivamente seco; para a construção dos galpões escolher locais arejados, com boa incidência de ventos, que evitam possíveis focos de geração de odores desagradáveis.

  • Evitar o acúmulo de água “parada” que pode se tornar foco de transmissão de doenças, tais como a dengue.

DESTINO

Os rejeitos gerados pela atividade de triagem devem ser separados, acondicionados de forma adequada e destinados a locais próprios: aterros sanitários e/ou incineradores com recuperação de energia e controle de emissões.

É importante ressaltar que alguns materiais podem ser considerados “rejeito” apenas por não possuírem mercado numa determinada localidade/região onde o programa de coleta seletiva é operado; ou mesmo dependendo de fatores sazonais.

Um Sistema Integrado de Coleta, reciclagem, Tratamento e Destinação Final de Resíduos Sólidos Urbanos (Processo de Baixo Custo).

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