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ORIENTAÇÃO A DOCÊNCIA: EDUCAÇÃO FÍSICA

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Orientação a Docência: Educação Física

CAPÍTULO 1

A Educação Física é uma disciplina que trata, pedagogicamente, na escola, do conhecimento de uma área denominada, aqui, de cultura corporal. Ela será configurada com temas ou formas de atividades, particularmente corporais, tais como: o jogo, esporte, ginástica, dança ou outras, que constituirão seu conteúdo. O estudo desse conhecimento visa aprender a expressão corporal como linguagem.

O homem se apropria da cultura corporal dispondo sua intencionalidade para o lúdico, o artístico, o estético ou outros, que são representações, idéias, conceitos produzidos pela consciência social e que chamaremos de significações objetivas . Em face delas, ele desenvolve um sentido pessoal que exprime sua subjetividade e relaciona as significações objetivas com a realidade da sua própria vida, do seu mundo, das suas motivações.

Segundo Leontiev(1981), as significações não são eleitas pelo homem, elas penetram as relações com as pessoas que formam sua esfera de comunicações reais.Isso quer dizer que o aluno atribui um sentido próprio às atividades que o professor lhe propõe. Mas essas atividades têm uma significação dada socialmente, e nem sempre coincide com a expectativa do aluno.

Por exemplo, o professor vê no basquete um evento mais do que lúdico, de luta entre duas equipes, das quais uma será naturalmente a ganhadora.A equipe que ganha o faz porque é mais forte mais hábil, tem mais garra, mais técnica etc. Por esse motivo, para o professor, driblar, correr, passar, fintar etc, devem ser executados sem erros.Isso justifica sua ênfase no treinamento dessas técnicas.Ele dá ao jogo um sentido quase de um trabalho a ser executado com perfeição em todas as suas partes para obter o sucesso ou prêmio, que até pode ser um salário.

Entretanto, para o aluno, o que ele deve fazer para jogar – como driblar, correr, passar e fintar – é apenas um meio para atingir algo para si mesmo, como por exemplo: prazer, auto-estima etc. O seu sentido pessoal do jogo tem relação com a realidade da sua própria vida, com as suas motivações.

Por essas considerações podemos dizer que os temas da cultura corporal, tratados na escola, expressam um sentido/ significado onde se interpenetram, dialeticamente, a intencionalidade/objetivos do homem e as intenções/ objetivos da sociedade.

Tratar desse sentido/significado abrange a compreensão das relações de interdependência que jogo, esporte, ginástica e dança, ou outros temas que venham compor um programa de Educação Física, têm com os grandes problemas sócio-políticos atuais como ecologia,papéis sexuais, saúde pública, relações sociais do trabalho, preconceitos sociais, raciais, da deficiência, da velhice, distribuição do solo urbano,distribuição de renda, dívida externa e outros.A reflexão sobre esses problemas é necessária se existe a pretensão de possibilitar ao aluno da escola pública entender a realidade social interpretando-a e explicando-a a partir dos seus interesses de classe social.Isso quer dizer que cabe à escola promover a apreensão da prática social. Portanto, os conteúdos devem ser buscados dentro dela.

Tratar dos grandes problemas sócios-políticos atuais não significa um ato de doutrinamento.Não é isso que estamos propondo.Defendemos para a escola uma proposta clara de conteúdos do ponto de vista da classe trabalhadora, conteúdo este que viabilize a leitura da realidade estabelecendo laços concretos com projetos políticos de mudanças sociais.

A percepção do aluno deve ser orientada para um determinado conteúdo que lhe apresente a necessidade de solução de um problema nele implícito.Vejamos um exemplo: Organizar atividades de lazer em áreas verdes .

A atividade escolhida é o excursionismo/acampamento, que oferece aos alunos a possibilidades de praticar: caminhadas recreativas, natação em rios, lagos ou mar, montanhismo e outros.Todas essas atividades fazem o aluno confrontar-se com a devastação ou preservação do meio ambiente e a contradição de ser homem- ao mesmo tempo- construtor e predador.Ao mesmo tempo que ele produz um bem social, por exemplo, energia pelo álcool, provoca a morte dos rios, exclui da população a possibilidade de beber suas águas ou nadar nelas.

O aprofundamento sobre a realidade através da problematização de conteúdos desperta no aluno curiosidade e motivação, o que pode incentivar uma atitude científica.

A escola, na perspectiva de uma pedagogia crítica superadora aqui defendida, deve fazer uma seleção dos conteúdos da Educação Física. Essa seleção e organização de conteúdos exigem coerência com o objetivo de promover a leitura da realidade.Para que isso ocorra, devemos analisar a origem do conteúdo e conhecer o que determinou a necessidade de seu ensino.Outro aspecto a considerar na seleção de conteúdos é a realidade material de sua escola, uma vez que a apropriação do conhecimento da Educação Física supõe a adequação de instrumentos teóricos e práticos, sendo que algumas habilidades corporais exigem, ainda, materiais específicos.

Os conteúdos são conhecimentos necessários à apreensão do desenvolvimento sócio-histórico das próprias atividades corporais e à explicitação das suas significações objetivas.

2. O TEMPO PEDAGOGICAMENTE NECESSÁRIO PARA O PROCESSO DE ASSIMILAÇÃO DO CONHECIMENTO.

Uma nova compreensão da Educação Física implica considerar certos critérios pelos quais os conteúdos serão organizados, sistematizados e distribuídos dentro de tempo pedagogicamente necessário para a sua assimilação.A título de exemplo, vejamos como um mesmo conteúdo pode ser tratado em todos os níveis escolares numa evolução espiralada.

Saltar, representa a atividade historicamente formada e culturalmente desenvolvida de ultrapassar obstáculos, seja em altura ou extensão/distância.

No primeiro ciclo do ensino fundamental (organização da identificação dos dados da realidade ), o aluno já a conhece e a executa a partir de uma imagem da ação tomada no seu cotidiano.Ele a executa com movimentos espontâneos que lhe são particulares.A ênfase pedagógica deve incidir na solução do problema: como desprender-se da ação da gravidade e cair sem machucar-se? Das respostas encontradas pelos alunos, surgirão as primeiras referências comuns à atividade saltar .No decorrer dos seguintes ciclos, o aluno ampliará seu domínio sobre a forma de saltar.É interessante destacar que uma habilidade corporal envolve,simultaneamente, domínio de conhecimento, de hábitos mentais e habilidades técnicas.

No quarto ciclo, o aluno sistematiza o conhecimento sobre os saltos e os conceitos que explicam o conteúdo e a estrutura de totalidade do objeto salto , desde as leis físicas e características da ação no nível cinésio/fisiológico, até às explicações político-filosóficas da existência de modelos de salto.Pode ainda explicar o significado deles para si próprio, como sujeito do processo de aprendizagem e para a população em geral.

Na organização do conhecimento, deve-se levar em considerção que as formas de expressão corporal dos alunos refletem os condicionantes impostos pelas relações de poder com as classes dominantes no âmbito de sua vida particular, de seu trabalho e de seu lazer.

3.OS PROCEDIMENTOS DIDÁTICO-METODOLÓGICOS.

Talvez seja este o momento mais difícil, uma vez que uma nova abordagem da Educação Física exige uma nova concepção de método.O problema é fugir de uma teorização abstrata, de um praticismo que termine nas velhas e conhecidas receitas.Este é o momento de apontar pistas para o como fazer .Pode-se perceber que os conteúdos da cultura corporal a serem aprendidos na escola devem emergir da realidade dinâmica e concreta do mundo do aluno.Tendo em vista uma nova compreensão dessa realidade social, um novo entendimento que supere o senso comum,o professor orientará, através dos ciclos, uma nova leitura da realidade pelo aluno, com referências cada vez mais amplas.

Os passos que intermediam a primeira leitura da realidade, como se apresenta aos olhos do aluno, com a segunda leitura, em que ele próprio reformula seu entendimento sobre ela, sãos de: constatar,interpretar,compreender e explicar, momentos estes que conduzem à apropriação de um conteúdo pelos alunos.Eles devem expressar com clareza a relação dialética entre o desenvolvimento de um conhecimento, de uma lógica e de uma pedagogia.

Os conteúdos selecionados, organizados e sistematizados devem promover uma concepção científica de mundo, a formação de interesses e a manifestação de possibilidades e aptidões para conhecer a natureza e a sociedade.Para isso, o método deve apontar o incremento da atividade criadora e de um sistema de relações sociais entre os homens.

3.1. A ESTRUTURAÇÃO DAS AULAS

A metodologia na perspectiva crítico-superadora implica um processo que acentue, na dinâmica da sala de aula, a intenção prática do aluno para aprender a realidade.Por isso, entedemos a aula como um espaço intencionalmente organizado para possibilitar a direção da apreensão, pelo aluno, do conhecimento específico da Educação Física e dos diversos das suas práticas na realidade social.

A aula, nesse sentido, aproxima o aluno da percepção da totalidade das suas atividades, uma vez que lhe permite articular uma ação(o que faz),com o pensamento sobre ela(o que pensa) e com o sentido que dela tem (o que sente ).

CAPíTULO 2

O QUE QUER DIZER ?

A metodologia do ensino é fundamental no processo da aprendizagem e deve estar o mais próximo possível da maneira de aprender dos educandos.Deve propiciar atividade dos educandos, pois mostra a psicologia da aprendizagem, a superioridade dos métodos e técnicas ativos sobre os passivos.Claro que o ensino de cada disciplina ou área de estudo requer métodos e técnicas específicos, mas devem estar, todos eles, orientados no sentido de levar o educando a participar ativamente nos trabalhos de aula, retirando-o daquela posição clássica de só ouvir, anotar e repetir.Pelo contrário, sejam quais forem os métodos ou técnicas aplicadas, o professor deve fazer com que o educando viva o que está sendo estudado.

Os métodos e técnicas de ensino devem propiciar oportunidades para que o educando perceba,compare, selecione, classifique, defina, critique, isto é, que elabore por si os frutos da sua aprendizagem. Os métodos e técnicas de ensino são os instrumentos com que efetivar o ensino, realizar a aprendizagem.São os instrumentos de ação da didática, a fim de levar o educando a alcançar os objetivos do ensino.

Os métodos e técnicas de ensino representam as estratégias instrucionais aplicadas no ensino, para serem alcançados os objetivos previstos.

Como foi visto, os métodos e técnicas de ensino podem assumir, para o educando, caráter passivo ou ativo.

Os métodos e técnicas de ensino passivos são aqueles que levam o educando apreender, fixar e, se possível compreender conhecimentos apresentados, em que a memorização é solicitada constantemente.

Os métodos e técnicas de ensino ativos são aqueles que colocam o educando em posição de elaborar por si os conhecimentos ou as formas de conhecimentos desejadas, em que a busca, a realização e a reflexão, são solicitadas constantes.

A concepção de métodos e técnica de ensino evoluiu daquela que fornece a todos os dados, para aquelas que fornecem alguns dados, até chegar à que fornece dado algum, para estimular, em crescente, a ação de pesquisa do educando.

A disposição e a maneira de utilização dos métodos e técnicas de ensino podem receber a dominação de plano de ação didática ou estratégia institucional.

Plano de ação didática ou estratégia educacional representa a maneira de desenvolver o ensino quanto aos momentos mais oportunos de utilização da adequada metodologia didática, a fim de tornar o ensino e a conseqüente aprendizagem mais eficientes.

O plano de ação didática representa, realmente, a estratégia, a maneira de agir e de aplicar certos recursos didáticos, tendo em vista tornar mais conseqüente a marcha para obtenção dos objetos visados pelo ensino.

O mesmo tema a ser estudado, em classes ou séries diferentes, poderá admitir planos de ação didática diferentes, tendo em vista as diferenças e as condições específicas de cada uma delas.

2. O PROCESSO DE ENSINO – APRENDIZAGEM EM EDUCAÇÃO FÍSICA

A Educação Física, apresenta como característica própria da área a possibilidade da construção de conhecimentos sobre a cultura corporal, envolvendo movimentos, gestos e expressões, extrapolando qualquer recurso calcado apenas na palavra do professor, levando o aluno à prática, o que é certamente, o meio que no nosso entender mais se aproxima do ideal. MATTOS (p.17.2000)

No entanto, há determinadas considerações que evidenciam que o ensino não pode estar limitado a um padrão de intervenção homogêneo e idêntico para todos os alunos. A prática educativa é bastante complexa, pois o contexto de aula traz questões de ordem afetiva, emocional,cognitiva, física e de relação pessoal. A dinâmica dos acontecimentos de uma aula é tal que, mesmo planejada, detalhada e consistente, dificilmente ocorre conforme o imaginado.Olhar, tom de voz, manifestação de afeto ou desafeto e diversas variáveis interferem diretamente na dinâmica anteriormente prevista.

A ênfase na autonomia condiciona a opção por uma proposta de trabalho que considere a atividade do aluno na construção de seus próprios conhecimentos, valorize as suas experiências, seus conhecimentos prévios e a interação professor-aluno e aluno-aluno, buscando essencialmente a passagem progressiva de situações dirigidas por outrem a situações dirigidas pelo próprio Aluno.

A aprendizagem de determinados procedimentos e atitudes é essencial na construção da autonomia intelectual e moral. Planejar a realização de uma tarefa, identificar formas de resolver um problema, saber formular boas perguntas e respostas, levantar hipóteses e buscar meios de verificá-las, validar raciocínios, saber resolver conflitos e cuidar da própria saúde, dentre outras situações,são procedimentos e atitudes que compõem a aprendizagem escolar, ou seja,o professor pode criar situações que auxiliem os alunos a se tornarem protagonistas da própria aprendizagem.

Podemos instigar a curiosidade e o espírito de pesquisador de nossos alunos, em momentos do cotidiano da sala de aula, não respondendo de pronto as suas indagações e sim os incentivando a buscar as respostas com outros professores, livros,arquivos,retornando o debate e esclarecimentos no encontro seguinte. Dessa forma o aluno constrói seu conhecimento partindo de várias referências e não de uma referência única e inquestionável: O professor.

A resposta pronta, embora mais fácil naquele momento, impede o processo de aprendizagem individual do aluno, encontrando, exclusivamente no professor, as soluções para as suas dúvidas.Neste caso, o aluno não aprende a aprender, é um elemento passivo da aprendizagem. O professor por outro lado, responderá a mesma questão diversas vezes, fato que se repetirá infinitamente ao longo do período letivo. O posicionamento de estímulo à pesquisa individual proporcionará a adoção de uma postura de sujeito da aprendizagem, contribuindo, sobremaneira,na formação de educandos.

O desenvolvimento de um comportamento autônomo depende de suportes materiais,intelectuais e emocionais. Para a conquista da autonomia é preciso considerar tanto o trabalho individual quanto o coletivo- cooperativo. O individual é potencializado pelas exigências feitas aos alunos no sentido de se responsabilizarem por suas tarefas, pela organização e pelo envolvimento com o tema de estudo.

A importância do trabalho em grupo está em valorizar a interação aluno-aluno e professor aluno como fonte de desenvolvimento social,pessoal e intelectual.Situações de grupo,exigem dos alunos a consideração das diferenças individuais,respeito a si e aos outros e trazem contribuições e cumprimento das regras estabelecidas.Essas são atitudes que propiciam a realização de tarefas conjuntas.Para tanto,é necessário que as decisões assumidas pelo professor auxiliem os alunos a desenvolver atitudes e procedimentos adequados a uma postura de educandos, que só será efetivamente alcançada através de investimentos sistemáticos ao longo de toda a escolaridade.

Tem-se experimentado essa atuação coletivo-cooperativa na conquista da autonomia nas aulas de Educação Física da seguinte forma:em um bloco de aulas cujo tema seja a elaboração de jogos utilizando um ou mais fundamentos esportivos, (arremesso, drible, bandeja,passe) os alunos, distribuídos em pequenos grupos, elaboram um jogo,registrando-o.Em um segundo momento, passa-se à apresentação dos jogos elaborados. O grupo-classe, agora conhecedor de todas as propostas, decide democraticamente a ordem de colocá-las em prática. Assim, proporciona-se aos alunos a vivência de conceitos como co-responsabilidade na elaboração e planejamento das atividades, decisões coletivas e o respeito às regras e normas para vivência em sociedade, garantindo o movimento na aula de Educação Física.

A proposição pelo professor de atividades de complexidade progressiva leva a uma necessidade de organização mental por parte do aluno. Constantes desafios aos alunos provocam desequilíbrios que precisam ser resolvidos e é nessa necessidade de voltar ao equilíbrio que ocorre a construção do pensamento.

Na discussão de uma proposta de atividades físicas entre os alunos, o professor adotará a postura de coordenador dos debates, questionando o grupo de forma a favorecer o aproveitamento de respostas que sejam oriundas de reflexões individuais e coletivas.Os alunos serão estimulados a explicar as suas posições e ações e essa explicação far-se-á no sentido de atribuir-lhes um significado.Isto permite ao aluno o questionamento de condutas e valores do grupo e de si próprio.

Dependendo da estrutura organizacional, social, filosófica e econômica da instituição na qual o professor está engajado, esta poderá a vir influenciá-lo não só nas suas atitudes pedagógicas, mas também nas suas reflexões e idéias sobre a educação em geral. Estas interferências tornam-no, muitas vezes, descompromissado com o ato educativo, afastando-o de discussões e implantações de abordagens inovadoras para uma melhoria significativa da educação.

Sendo o corpo, ao mesmo tempo, modo e meio de integração do indivíduo na realidade do mundo, ele é necessariamente carregado de significado. Sempre soubemos que as posturas,as atitudes, os gestos e, sobretudo,o olhar exprimem as tendências e pulsões melhor do que as palavras, bem como as emoções e os sentimentos da pessoa que vive em uma determinada situação,em um determinado contexto .MATTOS E NEIRA (p.28.2000)

O professor deve cumprir o seu papel de mediador, adotando a postura de interlocutor de mensagens e informações, sendo flexível no tocante às mudanças do planejamento e do programa de curso, mostrando aos alunos que aquele é o espaço de aprendizagem e procurando entender e aceitar as relações corporais existentes no mundo humano para o bom desempenho do seu papel de educador.

CAPíTULO 3

A ABORDAGEM DO ENSINO TRADICIONAL

A ABORDAGEM DO ENSINO COMPORTAMENTALISTA

A ABORDAGEM DO ENSINO HUMANISTA

A ABORDAGEM DO ENSINO COGNITIVISTA

CAPíTULO 4

O processo de ensino se caracteriza pela combinação de atividades do professor e dos alunos. A direção eficaz deste processo depende do trabalho sistematizado do professor que tanto no planejamento como no desenvolvimento das aulas, conjuga objetivos, conteúdos,métodos e formas organizativas de ensino.

MÉTODOS

CONCEITO: Os métodos são determinados pela relação objetivo-conteúdo, e referem-se aos meios para alcançar objetivos gerais e específicos de ensino.

Um cientista busca a obtenção de novos conhecimentos através da intervenção científica, um estudante busca a aquisição de conhecimentos através de métodos de assimilação, por isso entendemos que métodos de ensino compõem um conjunto de ações, passos,condições externas e procedimentos vinculados ao método de reflexão, compreensão e transformação da realidade, que, sob condições concretas de cada situação didática, asseguram o encontro formativo entre o aluno e as matérias de ensino.

A escolha e organização dos métodos de ensino devem corresponder à necessária unidade objetivos-conteúdos-métodos e dependem dos objetivos imediatos da aula tais como: introdução de matéria nova, explicação de conceitos, desenvolvimento de habilidades, consolidação de conhecimentos etc.A escolha e organização dos métodos também dependem dos conteúdos específicos e dos métodos peculiares de cada disciplina e dos métodos de sua assimilação e implica o conhecimento das características dos quanto à capacidade de assimilação conforme idade e nível de desenvolvimento mental e físico e quanto às suas características sócio-culturais e individuais.

2. OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DE ENSINO

TER CARÁTER CIENTÍFICO E SISTEMÁTICO

SER COMPREENSÍVEL E POSSÍVEL DE SER ASSIMILADO

ASSEGURAR A RELAÇÃO CONHECIMENTO-PRÁTICA

ASSENTAR-SE NA UNIDADE ENSINO-APRENDIZAGEM

GARANTIR A SOLIDEZ DOS CONHECIMENTOS

LEVAR À VINCULAÇÃO TRABALHO COLETIVO PARTICULARIDADES INDIVIDUAIS

3. CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS DE ENSINO

Os métodos de ensino são considerados em estreita relação com os métodos de aprendizagem, ou seja, fazem parte do papel de direção do processo de ensino por parte do professor tendo em vista a aprendizagem dos alunos

3.1MÉTODO DE EXPOSIÇÃO PELO PROFESSOR

Neste método, os conhecimentos, habilidades e tarefas são apresentadas, explicadas ou demonstradas pelo professor.A atividade dos alunos é receptiva embora não necessariamente passiva.

3.2 MÉTODO DE TRABALHO INDEPENDENTE

Consiste de tarefas, dirigidas e orientadas pelo professor para que os alunos as resolvam de modo relativamente independente e criador

3.3MÉTODO DE ELABORAÇÃO CONJUNTA

3.4É uma forma de interação ativa entre o professor e os alunos visando a obtenção de novos conhecimentos, habilidades,atitudes e convicções, bem como a fixação e consolidação de conhecimentos e convicções já adquiridos.

3.4 MÉTODO DE TRABALHO EM GRUPO

Consiste basicamente em distribuir temas, de estudos iguais ou diferentes a grupos fixos ou variáveis.

4.ATIVIDADES ESPECIAIS

4.1.São aquelas que complementam os métodos de ensino e que concorrem para a assimilação ativa dos conteúdos.

5. MEIOS DE ENSINO

Por meios de ensino designamos todos os meios e recursos materiais utilizados pelo professor e pelos alunos para a organização e condução metódica do processo de ensino e aprendizagem.

6. AVALIAÇÃO

A avaliação é elemento básico e indispensável para o bom andamento dos trabalhos didáticos, pois é a mesma que fornece indícios quanto à realidade do educando e do funcionamento do processo didático.Assim, oferece subsídios para reajustes e modificações que se fizerem necessárias para o adequado funcionamento do processo de ensino.

A avaliação é um trabalho de reflexão que se efetua sobre os dados fornecidos pela verificação de aprendizagem.Esta fornece amostras a respeito do trabalho didático e a avaliação, o juízo que se faz dessas amostras.É este juízo ou avaliação que vai sugerir modificações, quando justificáveis, por todo o mecanismo do processo de ensino, a fim de torná-lo mais ajustado à realidade do educando e à realidade ambiental do ensino.

A avaliação se faz necessária para melhor conhecimento do educando e do funcionamento do processo de ensino. Repetindo, a avaliação vai proporcionar indícios que podem levar a reajustes em todo o arcabouço do ensino, como objetivos, conteúdo, planos de ação didática e ela própria, avaliação.

CAPíTULO 5

1.1 Quanto às características pessoais do professor

CAPíTULO 6

Apenas 1,2% da população brasileira pratica exercícios físicos e 300 mil pessoas morrem por ano no País por doenças decorrentes do sedentarismo.

Alguns fatores como o histórico pessoal, grau de apreciação, conhecimento dos benefícios, auto-motivação, auto-eficácia, entre outros, levam as pessoas a se manter mais, menos ou não praticantes de atividades físicas. E a escola tem uma grande responsabilidade neste processo. O professor de Educação Física deve transformar o momento da aula em um momento prazeroso, que tenha um alto grau de apreciação pelo aluno, para que ele reflita sobre a Educação Física de maneira positiva em sua adolescência e fase adulta.

As aulas de Educação Física desenvolvidas dentro da metodologia de ensino tradicional, que têm como objetivo o ensino dos esportes, não contemplam a totalidade do desenvolvimento de competências para a atuação cidadã. A vida escolar é organizada pelo Projeto Pedagógico. Assim, a Educação Física deve deixar de estar de fora e passar a fazer parte desse trabalho que é comum, coletivo, participativo, aberto, democrático, fruto de pesquisas e fundamental para a formação.

A disciplina Educação Física é o componente curricular responsável pela socialização de conhecimentos sobre o movimento humano para que o aluno possa adaptar, interagir e transformar o meio em que vive sempre na busca de uma melhor qualidade de vida. É importante no currículo escolar, pois colabora com o despertar e a ampliação de habilidades de leitura e interpretação do mundo em diferentes linguagens. Daí a necessidade de se implantar a Educação Física desde as séries iniciais do ensino fundamental, pois a formação das noções e conceitos tem início desde a entrada do aluno na escola.

Para a Educação Física se consolidar nas séries iniciais, o professor da disciplina deve trabalhar em conjunto com os professores de sala de aula. É primordial a participação do professor como agente da ação. Para isso, busca-se um profissional competente e principalmente consciente de suas responsabilidades, que procure constantemente o aperfeiçoamento pessoal e técnico-profissional.

A preocupação central na prática das atividades físicas e desportivas, sejam quais forem os objetivos perseguidos, situa-se no aperfeiçoamento das capacidades motoras do homem. Saber como o individuo aprende, quais as formas mais adequadas de estimulação ambiental, como são mobilizados os processos e mecanismos internos, de que forma e com que ritmo se desenvolvem essas estruturas ao longo da idade e as formas mais adequadas de conhecer o ensino, são entre outras, as grandes preocupações que desde sempre se colocaram aos especialistas que trabalham no âmbito da Motricidade Humana.

A atividade física e desportiva caracteriza-se pela especificidade e grande apuramento de técnicas corporais formais e informais, sujeitas a uma evolução continua e, equacionada no sentido da rentabilidade das ações motoras. Muitas destas habilidades motoras específicas, são variações, adaptações ou combinações de diferentes habilidades motoras fundamentais, segundo uma seqüência evolutiva, cujos rendimentos podem ser constatados no decorrer da 1º 2º e 3º infância. O desenvolvimento humano é um processo complexo, que só pode ser percebido através do valor integrado das diferentes áreas que o compõem. Só a compreensão dos fatores específicos na relação entre eles, poderá permitir o entendimento do fenômeno como uma totalidade.

Na Educação Física tem-se observado que o maior problema é estabelecer prioridades educacionais para cada faixa etária ou série, de acordo com as características e necessidades de cada nível escolar. Desta forma é importante construir currículos que atendam às necessidades dos indivíduos. Os conteúdos e as experiências devem ter uma seqüência lógica, para que possam manter o entusiasmo e o interesse dos alunos.

Se o objetivo é fazer com que os alunos venham a incluir hábitos de atividades físicas em suas vidas, é fundamental que compreendam os conceitos básicos relacionados com a saúde e a aptidão física, que sinta prazer na prática de atividades físicas e que desenvolvam um certo grau de habilidade motora, o que lhe dará a percepção de competência e motivação para essa prática.

2. Desenvolvimento Lúdico Motor da Criança

As alterações ocorridas na estrutura social e econômica das sociedades, devidas ao processo de modernização e inovação tecnológica, têm vindo a criar diversas transformações nos hábitos cotidianos da vida dos homens e sua relação com os fatores ambientais. Estas alterações têm influenciado significativamente a instituição familiar e exigido, do meio escolar, uma responsabilidade crescente quanto ao trabalho educacional ao nível das primeiras idades. De fato, pode-se hoje afirmar que o papel assumido pela escola no processo de socialização, conquista de autonomia e equilíbrio emocional da criança e do jovem, é uma das principais ações sociais contemporâneas. Estas mudanças das condições de vida da população infantil implicam, como conseqüência, uma revisão do papel da escola e das políticas educativas e estas, por sua vez, um enquadramento diferente nas orientações gerais da vida em Sociedade.

A sedentarização e privação progressiva de experiências de movimento e aventura lúdica por parte das crianças, devidas à economia do espaço físico e padronização de estilo conceptual exigidos pelo stress e pragmatismo das condições de vida social, determinam a necessidade de uma atenção especial sobre o estado das condições biológicas do corpo e uma reposição do valor da educação através da motricidade como prática enquadrada na formação geral da população escolar. A importância da motricidade nos primeiros níveis de escolaridade não deverá oferecer contestação, enquanto disciplina, através da fundamentação e argumentação de natureza cientifica. Acontece, porém, que nem sempre as justificações desse tipo são suficientes para que tal área de intervenção seja considerada com a importância e prioridade com que se desejam ao nível da sociedade e do sistema educativo.

Devem ser criadas condições que tornem possíveis a implementação mais eficaz do ensino das atividades motoras na escola infantil e fundamental, através de um enquadramento regular nas atividades regulares, de modo a permitir o desenvolvimento motor das crianças. Deste modo, era possível conceber um plano de desenvolvimento das Atividades Físicas e Desportivas no meio escolar que assente em bases sólidas e coerentes.

Só ações de grande envergadura podem viabilizar as formas de esclarecimento, motivação e conscientização sobre este problema ao nível dos responsáveis políticos, educadores, investigadores, pais e comunidade em geral.

3. O Desenvolvimento da Criança e a Necessidade de Atividade Motora

Todos nós sabemos como as crianças são: elas se arrastam, engatinham, correm, pulam, jogam, fantasiam, fazem e falam coisas que nós, adultos, nem sempre entendemos. De qualquer maneira, suas características mais marcantes são a intensidade da atividade motora e a fantasia.

É sabido como as relações entre o processo de crescimento, desenvolvimento e maturação são complexas e demoradas. No entanto, as experiências e os resultados de inúmeras investigações têm demonstrado que, em certos períodos da vida, certas espécies animais, entre as quais se inclui o homem, não podem atingir o aperfeiçoamento das suas capacidades se não forem sujeitas a estímulos específicos através de variadas formas de atividades.

Se é certo que nas primeiras idades o desenvolvimento se processa a partir de uma estimulação casual, explicado como parte de um processo maturacional que resulta da intimação, tentativa e erro e liberdade de desenvolvimento, é também verdade que as crianças, quando expostas a uma estimulação organizada, em que as circunstâncias sejam apropriadamente encorajadoras, as suas capacidades e habilidades motoras tendem a desenvolver-se para além do que é normalmente esperado.

É no decorrer dos primeiros anos de vida que se procede às verdadeiras aquisições nos diversos domínios do comportamento (afetivo, psicomotor e cognitivo), visto ser a fase em que ocorrem as mudanças mais significativas, que determinam em grande escala as futuras habilidades específicas de comportamento.

A educação infantil e mais concretamente as instituições a ela ligadas oferecem uma condição excelente face à amplitude dos efeitos que pode ter e à direção que pode imprimir no processo educativo. Os anos da educação infantil e fundamental tem sido caracterizados como o período em que se adquirem e afinam novas habilidades. No âmbito especifico da motricidade infantil sabe-se bem que os anos críticos para a aprendizagem das habilidades motoras se situam entra os 3 e os 9 anos de idade. É durante os primeiros seis anos que os padrões motores e fundamentais emergem na criança e se aperfeiçoam de acordo com o desenvolvimento, ao nível dos movimentos de estabilidade, locomoção e manipulação de objetos. Depois dos primeiros seis ou oito anos, talvez nada do que nós aprendemos seja completamente novo. Os anos seguintes são a continuação do processo de evolução dos standars da maturação.

A experiência direta com crianças dos 3 aos 10 anos, permite constatar que muitas dificuldades podem ser ultrapassadas desde que exista uma organização do processo de ensino-aprendizagem de acordo com as características das idades em causa. Por isso, é importante destacar algumas das preocupações básicas no ensino da motricidade com crianças:

Estruturar um ambiente de aprendizagem adequado: apresentação do material a partir do qual o aluno possa reorganizar as suas estruturas mentais através do movimento e do jogo;

Levar a criança à observação e análise das relações estabelecidas entre os diferentes elementos fornecidos pela situação criada e a qualidade das suas repostas;

Proporcionar a interação entre os participantes (crianças e professor), através de um diálogo pelo qual as crianças possam discutir e aferir as suas idéias, para poderem construir novos esquemas através da diferenciação e integração de esquemas anteriores.

O desenvolvimento motor pode ser assim encarado como um processo extenso, mais ou menos contínuo, desde o nascimento até a idade adulta. Segundo alguns autores, este processo segue uma determinada seqüência de modificações nos movimentos. Esta seqüência irá diferir de individuo para individuo, quanto ao momento da evolução em que se dão essas modificações, mas não quanto á seqüência pela qual essas modificações acontecem.

A atividade motora evolui dos movimentos mais simples para movimentos mais complexos devido a um processo de desenvolvimento do tônus muscular e de criação de novas ligações neurológicas. No entanto, é necessário não esquecer que esta evolução não é rigorosa em termos de tempo de ocorrência das modificações, mas em termos de seqüência dessa ocorrência.

Para além de evoluir do simples para o complexo (com base na mielinizaçao progressiva do cerebelo), o desenvolvimento motor segue também uma direção céfalo-caudal e próximo-distal. Só com a maturação do mecanismo neuromuscular a atividade motora pode evoluir do grosseiro (movimentos que implicam uma grande área muscular) para fino e específico (movimentos que envolvem unicamente os músculos necessários).

Os músculos estriados, responsáveis pelos movimentos voluntários, desenvolvem-se a uma velocidade muito baixa durante a infância, pelo que ação coordenada e voluntária será impossível enquanto estes músculos não estiverem maturacionalmente prontos (em termos de conexões neuro-musculares).

O desenvolvimento motor varia com a idade, mas também com o sexo. As diferenças sexuais são essencialmente devidas a pressões sócio-culturais que limitam e condicionam as oportunidades de aprendizagem; as diferenças sexuais são, nos primeiros tempos de vida, muito reduzidas, aumentando depois, gradualmente com a idade.

4. Aulas de Educação Física para crianças nas séries iniciais

Para aproveitar toda a energia que as crianças das séries iniciais têm, a aula de Educação Física deve conter jogos e exercícios bastante diversificados e elaborados com variados recursos materiais, como cordas, bolas, arcos, o próprio corpo, etc. Assim, além de estimular cada vez mais a participação dos alunos, pode-se aprimorar e desenvolver todas as suas capacidades, para que eles tenham uma base sólida e preparem-se para as situações que exigirão práticas mais elaboradas.

Um dos objetivos da Educação Física é o desenvolvimento motor da criança. Para que a criança se desenvolva sem perder o estímulo, não se deve enfatizar o erro, e sim considerar como válidas todas as suas tentativas. Outro ponto importante que não se pode esquecer é a fase em que as crianças estão. Dos 7 aos 10 anos, o crescimento físico é uniforme e lento, se comparado ao do adolescente, que cresce de forma acelerada.

Também é preciso considerar que, nessa fase, a criança demonstra concentração quando trabalha sozinha e colaboração afetiva quando trabalha em grupo, pois, após diversos anos aprendendo a se movimentar, a pensar, a sentir e a se relacionar, a criança se vê em condições de estabelecer com o mundo uma relação de igualdade. Ou seja, passará de um estado em que se coloca como o centro de todas as atenções (egocentrismo) para um estado onde não é mais o centro, e sim um ser relacionando-se com outros.

Nas aulas de Educação Física, deve haver uma grande variação nas atividades para desenvolver os aspectos individuais com os exercícios e os aspectos coletivos através dos jogos. Os jogos, além de desenvolver os aspectos coletivos, possuem várias outras funções. Uma que se destaca é a adaptação. A criança, diante de uma nova situação, utiliza-se de recursos já aprendidos para poder resolver situações novas. Para aproveitar o potencial desse recurso, é importante que o jogo, independentemente de sua denominação simbólico, de exercícios, de regras, de criação, entre outros , seja atraente e estimule a participação de todos.

5. Características essenciais da criança

Como os pais podem ajudar seu filho:

Participando intensamente de atividades juntos com os

filhos (brincar);

Resgatando jogos, brincadeiras do tempo dos nossos pais e avós;

Participando de eventos esportivos em quadras, campo de futebol, pela televisão, procurando discutir os aspectos positivos e negativos da atuação da torcida, jogadores e que postura seria a ideal;

Mostrando que o sucesso é relacionado ao esforço e não ao perder ou vencer (individual e no grupo);

Reconhecendo que seus filhos são crianças, com desempenhos próprios da fase em que estão vivendo.

6. O Jogo

Outras perspectivas de orientação fenomenológica, cognitivista e psicanalista procuraram focalizar o estudo sobre a influência e importância da atividade lúdica sobre o desenvolvimento harmonioso do individuo. Assim, reconhecendo que através do jogo a criança encontraria um espaço de expressão e aperfeiçoamento das suas capacidades, impôs-se a necessidade do estudo de todos os fenômenos de causa e efeito desencadeadores e promotores desse desenvolvimento.

Ao pretender-se analisar o jogo, deve-se refletir sobre o ato de jogar e o comportamento de jogo nele implícito. O comportamento de jogo também denominado de comportamento lúdico pode ser entendido segundo duas vertentes: uma objetiva ou externa e outra subjetiva ou interna. Pode-se dizer que no jogo tem-se algo que vem antes da estrutura o significado. Não é, portanto, a estrutura que define o significado, mas este que faz existir a estrutura.

Desde a década de sessenta e particularmente a partir dos anos oitenta, pais, educadores e investigadores têm dedicado especial atenção aos fatores do envolvimento, que influenciam o desenvolvimento da criança. Particularmente no domínio do jogo e dos espaços de jogo, só muito recentemente têm sido orientados estudos com o intuito de aprofundar o conhecimento sobre as potencialidades pedagógicas dos materiais de jogo e a influência de novos contextos educativos sobre o comportamento lúdico das crianças de diferentes idades.

7. Obstáculos relativos ao jogo e desenvolvimento da criança

Estruturas de Decisão Política

De forma geral, existe uma certa insensibilidade para com as questões relacionadas com o jogo e a criança. O jogo não é uma referência fundamental no quadro das suas decisões, habitualmente tomadas numa visão produtiva e segundo uma perspectiva economicista do mundo. Tem-se normalmente uma concepção adulta de jogo, que se traduz em propostas relacionadas com a indústria do comércio de lazer e tempos livres. Isto significa que a forma mais comum de as crianças terem acesso a experiências lúdicas na maior parte dos países desenvolvidos, se traduz nos parques de entretenimento e lazer, formados de um ponto de vista temáticos, fazendo das crianças consumidores passivos e humildemente disciplinados a normas e valores institucionalizados.

O sistema Educativo e a Aprendizagem

As orientações das apresentações são centradas principalmente em aprendizagens formais e segundo dimensões voltadas para uma excelência acadêmica em espaços restritos. Este sistema de orientação baseado em rendimentos intelectuais está de acordo com objetivos sociais, mas pouco respeitadores de outros não menos importantes. As crianças passam uma grande parte do seu tempo semanal, mensal e anual na escola. Quais a experiências vividas em atividades livres? Quais as relações entre jogo e educação? Que filosofia educacional está presente nos modelos de ensino e de convivência escolar, valorizando os processos lúdicos segundo o que eles representam de sabedoria sócio-cultural?

Muitas escolas, conscientes deste problema, têm vindo a criar um maior equilíbrio entre as aprendizagens consideradas socialmente úteis (ler, escrever e contar) e as artes criativas, incluindo as práticas lúdicas. Em conseqüência, a criança ao ser privada de experiências de jogo livre pelos constrangimentos familiares e sociais que se conhecem, poderia ter na escola as oportunidades essenciais de desenvolvimento através de um currículo estruturado adequadamente a estes princípios. Considera-se fundamental que os professores e administradores escolares, tenham uma melhor formação sobre o valor do jogo no processo de ensino-aprendizagem e possam deste modo, fornecer mais tempo de jogo livre a seus alunos.

Televisão e jogos eletrônicos

A substituição das tradicionais atividades familiares, pela imagem televisiva e os atraentes jogos eletrônicos, tem vindo a modificar radicalmente os hábitos de ludismo das crianças. Atualmente, estas, gastam mais tempo a ver televisão do que qualquer outra atividade, exceto dormir. Multinacionais ligadas ao divertimento infantil têm vindo a inventar os mais diversos processos de marketing neste negócio do século. Os super-heróis abundam em todos os lugares: na publicidade, no vestuário, na alimentação, nos materiais escolares, nas ruas, nos transportes, etc. A criança adota estes super-heróis nos jogos de imitação, substituindo-os em relação a uma diversidade de temas tradicionais sobre o jogo. Estas personagens são na maior parte dos casos, figuras obsoletas da imaginação adulta dos homens.

A indústria dos jogos de vídeo e desenho animado domina uma grande parte de tempo da vida das crianças de hoje. Do nosso ponto de vista, não está em causa todas as virtudes que possam ser atribuídas a estas fontes de estimulação, ligadas ao processo tecnológico. O problema reside no fato de as idéias em que a criança mais tempo passa nestas atividades estruturadas e pouco interativas, necessitaria de expandir a sua imaginação e corporalidade de forma ativa em situação de jogo livre: de aventura, com o meio natural, e em experiências com os amigos.

A atividade física e lúdica é uma necessidade urgente para as crianças do nosso tempo. A alternativa é o sedentarismo, a fragilidade e inadaptaçao motora e a falta de sociabilidade. Recentes estudos sobres os efeitos da televisão e jogos eletrônicos no comportamento infantil, têm vindo a demonstrar a necessidade de dar mais atenção às praticas lúdicas não estruturadas e maior interação entre a criança e a família.

Não existe estratégia possível para lutar contra a indústria do jogo. As vantagens e os inconvenientes de tais hábitos lúdicos nas crianças necessitam de ser esclarecidos pelos técnicos de educação e saúde e investigadores. Os pais devem ser informados sobre as melhores estratégias a seguir. A televisão e os jogos eletrônicos apresentam-se como fatores altamente influenciadores do jogo simbólico da criança e ao mesmo tempo como uma barreira dominante do jogo livre.

Populações pobres e carenciadas

Varias assimetrias podem ser constatadas na organização do tecido social. A família pobre ou carenciada é uma delas. Famílias com reduzido suporte econômico, ou vivendo em condições degradadas não têm condições de oferecer às crianças, a qualidade de estimulação lúdica necessária ao seu pleno desenvolvimento. Para além da inexistência de materiais de jogo adequado, são limitadas as condições de suporte e supervisão do adulto no processo de interação lúdica. Recentes estudos demonstram diferenças significativas no comportamento lúdico entre crianças socialmente carenciadas e outras provenientes da classe média. No entanto, nem todas as crianças pobres, têm oportunidades restritas das suas experiências lúdicas. Particularmente, nas áreas rurais, a atividade lúdica é extremamente imaginativa, adaptada aos materiais naturais e segundo temáticas mais ajustadas a tradições culturais e reprodução de hábitos sociais e familiares.

O valor do jogo e as concepções e representações dos adultos

A investigação sobre o papel do jogo no desenvolvimento humano tem-se expandido rapidamente. Um largo corpo de suportes científico evidencia certas conclusões:

a)O jogo promove o desenvolvimento cognitivo em muitos aspectos: descoberta, capacidade verbal, produção divergente, habilidades manipulativas, resolução de problemas, processos mentais, capacidades de processar informações;

b)Em seqüência, o empenhamento no jogo e os níveis de complexidade envolvidos, alteram e provocam mudanças na complexidade das alterações mentais;

c)A criança aprende a linguagem através do jogo, isto é, brinca com verbalizações e ao fazê-lo, generaliza e adquire novas formas lingüísticas;

d)A cultura é passada através do jogo. Esquemas lúdicos e formas de jogo passam de geração em geração, adulto para criança, e de criança para criança;

e)Habilidades motoras são formadas e desenvolvidas através do jogo;

f)A evidencia demonstra que as experiências lúdicas na infância são consideradas como um passo fundamental para tarefas acadêmicas na escola.

Os pais, os técnicos e os profissionais de educação podem ser eles próprios obstáculos, quando decidem o que é melhor para a criança, em escolhas e decisões sobre a atividade lúdica. Os profissionais estão preparados para intervenções diretas e organizadas ou ignorar os interesses das crianças em jogo. Muitas vezes é confundido Rebeldia Lúdica com problema de sistema educacional ou social, não se reconhecendo a criança como uma unidade independente. Temos de reconhecer que os profissionais necessitam de aprender como podem ser facilitadores dos interesses e motivações da criança, em vez de dirigirem (segundo esquemas pré-determinados) o processo lúdico.

Quantos de nós estão de acordo em ver o jogo como auto-expressão, na descoberta, experimentação e pratica que criança apresenta como uma habilidade própria?

Quantos de nós somos pais? Que imagens fazemos de nossa infância, e como conseguimos perceber tais necessidade das crianças? Por que é que no papel de pai, de trabalhador, de profissional, nos esquecemos da finalidade, do objetivo e do ideal do que é o jogo na sua essência?

Em situações não formais, por jogo nós entendemos dar liberdade à criança de exprimir sua motivação intrínseca, a necessidade de explorar sem constrangimentos (investigar, testar e afirmar experiência e possibilidades de decisão). Jogar é uma excelente maneira de perceber a relação entre a ordem e a desordem, entra organização e caos, entre equilíbrio e o desequilíbrio dos sistemas biológicos e sociais. O comportamento do adulto em função do contexto tende a ordenar o comportamento, os valores e as atitudes, como se a criança fosse sinônimo apenas de um ser que necessita a ser moldada ao sistema , porque é incapaz de tomar decisões justas e ajustadas.

Necessita-se, como movimento coletivo interessado no jogo da criança, investigar certos fundamentos para demonstrar que ela aprende através do jogo. Os limites entre liberdade anárquica e controle no processo lúdico, necessita de ser mais bem esclarecido. Seja qual for a manipulação ou o controle exercido sobre o jogo na criança, esta brincará sempre que for possível independentemente dos obstáculos espaciais e temporais.

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2 respostas para “ORIENTAÇÃO A DOCÊNCIA: EDUCAÇÃO FÍSICA”

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