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MAQUIAVEL

Maquiavel


Relacione Maquiavel com o seu tempo, observando os seguintes aspectos: os novos valores do renascimento e a situação política da Itália e da Europa.

O renascimento Cultural é considerado como um importante período de transição do feudalismo para o capitalismo. Manifesta-se através de uma explosão de criações artísticas, literárias e científicas que resgatam a Antiguidade clássica greco-romana e o humanismo. Chocam-se com os dogmas religiosos e as proibições da Igreja Católica, enfrentam a Inquisição e criticam o mundo medieval.

Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizava-se dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Assim como os gregos, os homens “modernos” valorizaram o antropocentrismo: “O homem é a medida de todas as coisas”; o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação, compreendidos como produto da ação do homem.

Uma outra característica marcante foi o racionalismo, isto é, a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada; dessa maneira o experimentalismo, a ciência, conheceram grande desenvolvimento. O individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos acentuaram gradualmente o individualismo. Porém, essa característica não implica o isolamento do homem, que continua a viver em sociedade, em relação direta com outros homens, mas na possibilidade que cada um tem de tomar suas próprias decisões.

Não foi por acaso que o Renascimento teve início na Itália, pois ela possuía uma economia dinâmica, geradora de excedentes que pudessem ser investidos na produção cultural. As cidades italianas monopolizavam o comércio de especiarias com o Oriente, estimulando um efervescente intercâmbio cultural através dos contatos com as civilizações bizantina e muçulmana. Veneza, Pisa, Gênova, Florença e Roma dominavam o Mediterrâneo. Além disso, a cultura clássica foi mais bem conservada que no restante da Europa ocidental, tendo em vista ser a Itália o berço da civilização romana.

A burguesia, oriunda das camadas marginalizadas da sociedade medieval, firmou-se como classe social através do prestígio que a riqueza lhes trouxe. Procurando moldar a imagem da sociedade em que ela ocuparia posição central, tornou-se mecenas, financiando artistas para seu enobrecimento. Transmitiam uma visão racional, progressista e otimista do mundo, correspondente a sua ideologia.

Porém, a concorrência pelo comércio internacional desencadeava lutas entre as cidades. Estas, para manter seus domínios, contratavam um chefe militar que denominava-se Podestá, que era encarregado de arregimentar mercenários justo aos Condottieri, estes eram uma mistura de chefe de tropa e “empresários militares” que vendiam seus serviços a quem melhor pagasse, e que posteriormente viriam a dominar os nobres a quem haviam alugado sua espada. Estabeleceram-se então nas cidades Italianas ditaduras que eram exercidas pelos Podestá ou pelos Condottieri, fragmentando assim seus territórios. A ilegitimidade do poder gerava situações de crise e instabilidade permanentes, ele se fundava exclusivamente em atos de força, e pela força era deslocado de um a outro senhor.

A Itália do renascimento encontrava-se “…mais escravizada do que os hebreus, mais oprimida do que os persas, mais desunida que os atenienses, sem chefe, sem ordem, sem batida, espoliada, lacerada, invadida…” ( O Príncipe, cap. XXVI). Não havia um estado central, pequenos principados eram governados por casas reinantes sem tradição dinástica ou de direitos contestáveis. A essa situação de desordem e instabilidade incontroláveis, somaram-se as constantes invasões dos países próximos , assim como a França e a Espanha, que visavam o monopólio das rotas comerciais do mediterrâneo. “O povo Italiano gastava seu tempo discutindo e desejando reformas; só Maquiavel compreendeu que era preciso reconstruir desde a base.”(SFORZA, p.11).

Maquiavel, historiador, político e filósofo é o iniciador do pensamento político moderno. “O primeiro italiano moderno a rejeitar toda e qualquer fórmula arcaica, ele viu que já nem a igreja nem o império eram mais forças políticas vivas.” (SFORZA, p.11). Alimentava a convicção de que uma monarquia absoluta era a única solução possível para unificar a Itália e libertá-la do domínio estrangeiro naquele momento de corrupção e anarquia da vida italiana. Apesar disso, considerava a república como o regime mais propício à realização do bem-comum.

As repúblicas apresentariam três formas: a aristocrática, na qual uma maioria de governados se encontra diante de uma minoria de governantes; a democrática, em que uma minoria de governados se acha diante de uma maioria de governantes; e a democracia ampla, quando a coletividade se auto-governa, isto é, o Estado se confunde com o governo. Maquiavel acreditava que a forma perfeita de governo republicano é aquele que apresenta características monárquicas, aristocráticas e populares de forma harmoniosa e simultânea, ou seja, uma república mista. Observa que uma monarquia facilmente se torna uma tirania; que a aristocracia degenera em oligarquia e que o governo popular converte-se em demagogia, formas corrompidas da república segundo o ideal aristotélico.

Em oposição ao pensamento medieval, Maquiavel desvincula totalmente o Estado da Igreja. Sendo este uma entidade política secular, dotada de fins próprios, moralmente isolada e soberana, não podendo estar subordinada a Deus, ao direito natural ou à Igreja, encontrando sua razão de ser na convicção dos homens de que a autoridade estatal é indispensável para garantir a segurança individual, e não na “graça” divina.

Não é idealista, é realista. Propõe estudar a sociedade pela análise da verdade efetiva dos fatos humanos, sem perder-se em vãs especulações. O objeto de suas reflexões é a realidade política, pensada em termos de prática humana concreta. Seu maior interesse é o fenômeno do poder formalizado na instituição do Estado, procurando compreender como as organizações políticas se fundam, se desenvolvem, persistem e decaem. Desvinculada de qualquer convicção moral,religiosa ou ética, a máxima “os fins justificam os meios” , jamais foi escrita por Maquiavel. Encarando a política como uma técnica, ele apenas julgava os meios em função de sua eficiência política, independente de serem bons ou maus. Não importa os meios que serão empregados, o Estado nacional soberano está autorizado a promover a qualquer preço a prosperidade e a grandeza do grupo humano – a nação, a pátria – por ele representado, sem que isso acarrete em qualquer condenação ou culpa.

Conclui, através do estudo dos antigos e da intimidade com os poderosos da época, que os homens são todos egoístas e ambiciosos, o homem quer conservar o que tem e buscar mais ainda. Por esse motivo, os homens vivem em conflito e competição, o que pode acarretar uma anarquia declarada a menos que seja controlada pela força que se esconde atrás da lei. Assim, o governo para ser bem sucedido, quer uma monarquia ou república, deve objetivar a segurança das propriedades e da vida, sendo esses os desejos mais universais da natureza humana. Os desejos e as paixões seriam os mesmos em todas as cidades e em todos os povos. Quem observa os fatos do passado pode prever o futuro em qualquer república e usar os métodos aplicados desde a Antigüidade ou, na ausência deles, imaginar novos, de acordo com a semelhança entre as circunstâncias entre o passado e o presente.


BIBLIOGRAFIA

MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Porto Alegre, L & PM Pocket, 1999.

SFORZA, Conde Carlo. O Pensamento Vivo de Maquiavel. São Paulo, Livraria Martins editora, 1951.

PERRY, Marvin. Civilização Ocidental. São Paulo, Martins fontes.

Nicolau Maquiavel e “O Príncipe”.:http://www.culturabrasil.pro.br/nicolaumaquiavel.htm.

DUCLÓS, Miguel. Thomas More e Maquiavel – Teoria social e política no Renascimento.

GOMES, Alexandre. Maquiavel e a política contemporânea.

MULLER, June. Niccolò Machiavelli.

Renascimento: História de um Significado.

  • Autor: Patrícia W. Andri

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