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A INFLUÊNCIA DA LEITURA NA VIDA DAS CRIANÇAS

Capítulo I

A literatura infantil

Segundo Zilberman (1995), a leitura passa a ser valorizada a partir da ascensão da burguesia, nesta época a escola e a educação se desenvolveram, devido à organização da sociedade burguesa. À escola cabia transmitir os ideais da burguesia e promover a união familiar.

A literatura infantil, por muito tempo, foi vista sob um segundo plano dentro da literatura. Como coloca Coelho (2000), “a valorização da literatura infantil, como fenômeno significativo de amplo alcance na formação das mentes infantis e juvenis, bem como dentro da vida cultural das sociedades, é conquista recente”.

A expressão “literatura infantil” vulgarmente, sugere de imediato a idéia de belos livros coloridos destinados à distração e ao prazer das crianças em lê-los, folheá-los ou ouvir suas histórias contadas por alguém. (destaques da autora)

Para compreender as razões desse ponto de vista, precisamos voltar no tempo e resgatar a história do surgimento da literatura infantil .

A primeira função da literatura infantil foi pedagógica.

A literatura infantil surgiu da necessidade de se criar um gênero capaz de educar as crianças através de histórias.

A literatura é, sem dúvida, uma das expressões mais significativas que garante a transmissão de valores e conhecimentos em qualquer época da história. As fábulas, parábolas, apólogos, contos, lendas, sagas, contos jocosos, romances, contos maravilhosos, contos de fadas…

As crianças, na Idade Média, principalmente as da classe social mais pobre, participavam dos problemas da família tanto quanto um adulto. No século XVII, começaram a ocorrer mudanças e, no século seguinte, as crianças já desfrutavam de maior liberdade no que diz respeito a participarem dos problemas sociais e familiares. O grande ensinamento, agora, era a religião. A literatura infantil voltou-se para a educação religiosa, com a intenção de mostrar à criança uma visão sobre o bem e o mal.

A partir do século XIX e das grandes mudanças históricas ocorridas ao longo do tempo, começou a haver um desenvolvimento de escolas para educar os filhos dos burgueses, classe social em ascensão na época. Como coloca Cashdan (2000:62), “os contos de fada são documentos históricos únicos, que nos mostram como era a vida em certos períodos da história – épocas em que cada dia era em si uma batalha pela sobrevivência”. Ocorreu, então, um grande aumento na produção de uma literatura voltada para as crianças, porque percebeu-se que a literatura infantil poderia desenvolver melhor a capacidade intelectual dos pequenos leitores. Começou-se produzir uma literatura para provocar pensamentos na criança e desenvolver a sua linguagem.

1.2. Os contos de fadas

Os contos de fadas nem sempre foram da maneira como nós os conhecemos hoje. Mais tarde, foram adaptados pela literatura infantil para ajudar na educação das crianças, pois os contos de fadas mostravam as dificuldades da vida para os seres humanos, principalmente os mais pobres.

O conto de fadas tradicional tem sua origem na adaptação de contos folclóricos, reunidos junto à classe social oprimida na Europa feudal, a exemplo do que se conhece da coleta dos Irmãos Grimm.

Já naquelas histórias, os heróis eram ajudados por forças sobrenaturais e, na transformação dos relatos folclóricos para os contos de fadas da literatura infantil que temos atualmente, manteve-se esse componente fantástico.

Os heróis dos contos de fadas vivem uma situação de desespero pela ausência de perspectivas de melhora, a menos que ocorra a interferência de algum elemento mágico.

Trata-se do conto maravilhoso, formas de narrativa maravilhosa surgidas de fontes bem distintas, dando expressão a problemáticas bem diferentes, mas que, pelo fato de pertencer ao mundo do maravilhoso, acabaram identificadas entre si como formas iguais (Coelho, 1991:11).

1.3 Fantasia e realidade na formação do leitor

A literatura infantil , sem dúvida, tem um papel importante no processo de formação da personalidade da criança.

É ao livro, à palavra escrita, que atribuímos a maior responsabilidade na formação da consciência de mundo das crianças e dos jovens. Apesar de todos os prognósticos pessimistas, e até apocalípticos, acerca do futuro do livro (ou melhor, da literatura), nesta nossa era da imagem e da comunicação instantânea, a verdade é que a palavra literária está mais viva do que nunca. (destaques das autoras)

De acordo com a autora acima citada, que coloca como uma das importantes funções atribuídas à literatura infantil, a de fazer a criança conseguir “ler o mundo”, nos deparamos com as controvérsias acerca da importância da literatura infantil.

Em vista disso, explicita-se a duplicidade congênita à natureza da literatura infantil: de um lado, percebida sob a ótica do adulto, desvela-se sua participação no processo de dominação do jovem, assumindo um caráter pedagógico, por transmitir normas e envolver-se com sua formação moral. De outro, quando se compromete com o interesse da criança, transforma-se num meio de acesso ao real, na medida em que lhe facilita a ordenação de experiências existenciais, através do conhecimento de histórias, e a expansão de seu domínio lingüístico.

Pudemos perceber pelo histórico da literatura infantil feito no início deste capítulo, o fato de ser vista exclusivamente como um meio de educação da criança é o principal motivo que leva a literatura infantil a um segundo plano dentro da arte literária.

Segundo a visão de Zilberman e Magalhães (1984), entretanto, a respeito da função da literatura infantil na vida da criança e do espaço que ela ocupa dentro da produção literária, apesar dessa dificuldade de aceitação, a literatura infantil ainda tem um atributo assegurado, o de auxiliar na formação da criança.

Se à literatura infantil não cabe disputar uma fatia do mercado cultural, ela ainda justifica sua existência dentro do quadro social por ocupar uma função determinada na vida infantil: orientar sua formação. Assim, o mais importante não é estimular a aquisição de textos e impulsionar a indústria do livro (apesar de que este fator esteja igualmente presente), e sim propiciar à criança um conjunto de normas de comportamento e meios de decodificação do mundo circundante, integrando e adequando o leitor a ele (Zilberman & Magalhães, 1984:62).

Mas além disso, há ainda o fato do leitor a que ela se destina. Reproduz, assim, de certo modo, a situação do seu leitor, não por incorporar as qualificações de menoridade ou inferioridade, mas porque, para ambos, urge o rompimento do círculo de giz da dominação burguesa que, por intermédio da ideologia da superioridade adulta, decreta sua submissão e manipula seu descrédito (Zilberman & Magalhães, 1984:24).

Zilberman e Magalhães, aliás, têm uma visão interessante com relação a outros pontos de vista, como o de Bettelheim, sobre o papel da literatura infantil. Segundo elas, a literatura infantil não tem apenas um único interesse; ela se preocupa tanto com a formação moral da criança quanto com o objetivo de ensinar conteúdos de história, geografia, etc., de uma forma divertida, e com o intuito de auxiliar no desenvolvimento lingüístico dos pequenos leitores.

A literatura infantil (…) O saber adquirido dá-se, assim, através do domínio da realidade empírica, isso é, aquela que lhe é negada em sua atividade escolar ou doméstica, desencadeando um “alargamento da dimensão de compreensão” e a aquisição de linguagem, produto da recepção da história enquanto audição ou leitura e da decodificação da mesma (Zilberman & Magalhães, 1984:14).

Ainda segundo as autoras, para entendermos a importância da literatura infantil na formação da criança, precisamos examiná-la enquanto obra literária, ou seja, devemos analisá-la quantos aos aspectos da sua construção.

Vinculado o descrédito ao compromisso com o ensino e com o processo de dominação da infância, a literatura infantil, ainda assim, tem o que oferecer à criança, desde que examinada em relação à sua construção propriamente literária. Como já discutimos, é sabido que o fato da literatura infantil possuir componentes mágicos, personagens encantados e tudo o mais de que essas histórias dispõem do elemento maravilhoso. E é esse fato que também impõe problemas aos contos com relação ao seu realismo e à sua verossimilhança.

É em decorrência dos aspectos examinados que podem ser averiguados os problemas relativos ao realismo e à verossimilhança. Outrossim, a exigência de um realismo pode ser contraposta à inevitável presença da fantasia, incorporada às histórias para a infância desde suas origens (Zilberman & Magalhães, 1984:15).

Uma mudança na literatura infantil, e principalmente nos contos de fadas, foi realizada, entretanto, quando da introdução de personagens infantis como protagonistas das histórias. Os primeiros contos de fadas só possuíam como personagens principais adultos que, na maioria das vezes, buscavam resolver algum conflito ocorrido na infância.

Através da personagem criança, os livros tematizam a condição infantil, que se desenha a partir de dois aspectos. De um lado, através da determinação do lugar que a fantasia desempenha na vida da criança. E, de outro, através da representação do relacionamento com os adultos, sejam pais, professores ou governantes (Zilberman & Magalhães, 1984:132).

A partir da segunda metade do século XIX, os contos de fadas passaram a centrar nas crianças como protagonistas e que procuravam soluções para os seus problemas ainda na infância.

A centralização da história na criança provocou outras mudanças: a ação tornou-se contemporânea, isto é, datada, e seu desdobramento apresenta confronto entre o mundo do herói e dos adultos. Os contos de fadas, ao contrário, apesar de lidarem com o fantástico, utilizam esse recurso justamente para transmitir a mensagem de que nem no mundo do faz-de-conta tudo é sempre perfeito. A deformação repercutirá na coerência interna da narrativa, mas não provirá da ocorrência de elementos de tipo maravilhoso, o que revela a índole pseudodicotômica da contraposição verismo X fantasia.


Capítulo II

O Processo de formação da leitura infantil no Brasil

Segundo Zilberman ( 1995 ), a Literatura Infantil passa a ser valorizada a partir da acessão da burguesia. No Brasil, teve início por volta da metade do século XIX e sua formação ocorre simultaneamente com as transformações sociais porque passava o país daquele período. Entre essas mudanças: estão a implantação, no Rio de Janeiro, de um setor burocrático, provocando um inchaço do funcionalismo; a expansão administrativa do Império; a interrupção do tráfico negreiro, que permitiu a utilização do dinheiro nas indústrias; a presença do Barão de Mauá, fazendo a ligação ferroviária entre a capital e Petrópolis; o crescimento do Rio de Janeiro e São Paulo, graças à economia agrícola do café; a expansão do ensino universitário e a organização do exército.

Aponta Zilberman ( 1985 ) que a própria ascensão da escola e da educação ocorreu devido à organização da burguesia. À escola cabia transmitir os ideais da burguesia e promover a união familiar.

Assim, o Segundo Reinado presencia e estimula, de um lado a regimentação da sociedade burguesa, de outro, a emergência de seus instrumentos de ação: uma ideologia das famílias, patrocinada na sua privacidade e isolada das influências dos laços de parentesco, os quais constituíam, no período colonial, um sistema de relações bastante forte e autônoma; e a organização da escola, lugar de integração do ser humano aos padrões burgueses e urbanos da vida. ( Zilberman 1985.96 )

Nesse contexto, a criança passa a ter um valor maior no núcleo familiar, núcleo este super valorizado para a ascensão e manutenção da classe burguesa que se formava. Jurandir Freire Costa, citado por Zilberman ( 1985 ), resgata o surgimento naquele momento de uma nova valorização da infância, a exemplo do que aconteceu nos demais países da Europa.

Zilberman (1985 ) explica que a razão benevolente em relação a vida em família ainda está presente em autores mais recentes e explica com as obras “O Soldadinho dos Pardais e a Casa das Três Rolinhas”, que mostram o prestígio do modelo doméstico; e os relatos de Edy Lima, onde é nula a participação da criança.

Zilberman questiona a possibilidade de elaborar um modelo crítico da família nos textos infantis e explica que a vertente realista foi quem se preocupou com isso .Essa visão trouxe como personagem pessoas da classe média e os valores da burguesia. “Coisa de Menino”, de Elaine Ganem, similar ao primeiro, mostra uma criança ( Clarice ) se rebelando contra as imposições dos adultos, cujos os moldes não são para ela. É a revelação do conflito familiar e da incapacidade do adulto diante da conciliação criança X classe social.

Desse modo, ao denunciar os desequilíbrios dentro da estrutura familiar, o modelo crítico de leitura dá conta de seu objetivo inicial, embora suas personagens pareçam presenciar os problemas e não resolvê – los e a crítica não estar no interior das crianças, mas apenas no narrador, que é um adulto, sempre. Logo, o herói não se transforma, pois não há questionamentos, ele apenas vivência a situação problemática dentro da família.

O texto literário de caráter emancipatório

No início do século XX , os estudos da pedagogia e da psicologia começaram a chamar a atenção para a necessidade de livros especiais para cada fase da infância. Segundo Zilberman ( 1988 ), no plano da educação no Brasil, a literatura infantil não ficou prtesa apenas aos contos de fadas, onde o núcleo era uma criança com um problema e que era sempre ajudada por uma entidade mágica superior, mas também moldou-se a um projeto educativo e ideológico que via no texto infantil e aliados inseparáveis para a formação do cidadão.

Os momentos do cotidiano sugerem na obra de Monteiro Lobato, mas é apenas parte de um contexto maior, ou seja, da discussão de valores existentes. ) A necessidade de renovação dos velhos contos é imposta pelo surgimento de novas formas narrativas ( … ) .

Nas obras de caráter emancipatório, os ideais são criados e os obstáculos resolvidos, pelas próprias crianças, contribuindo positivamente para a formação da mesma. Assim, a criança que lê a obra pode inspirar-se num modelo pensante que age, independente das soluções mágicas do mundo, ou da intervenção e palavra final do adulto. O adulto aqui é um encaminhador do conhecimento, não a chave das respostas.

O primeiro refere-se ao plano lingüístico, à espontaneidade da criança ao discurso oral, aos neologismos e às onomatopéias. O segundo da ideologia refere-se à ampla acepção de idéias que constituem a base do texto.

Com uma visão crítica do Brasil, o autor coloca o leitor a par do que ocorria no Brasil.

A verdade e a liberdade são pontos na obra de Monteiro Lobato. O autor utiliza-se do sítio, lugar ideal, estabelecendo uma nova moral, diferente dos contos tradicionais, conseguindo conciliar ideologia com ludismo e fazendo como que o maravilhoso passe a ser a explicação do real.

Ao falar de Lygia, Zilberman (1985 ) reforça o caráter emancipador da literatura infantil presente nos textos da autora, enfatizando que suas obras “Angélica” e ” A Bolsa Amarela “, por exemplo, questionam o lugar da criança dentro do grupo familiar, fazendo com que ela busque sua emancipação diante dos preceitos estabelecidos pelos adultos. Segundo Zilberman, a criança é capaz de se encontrar como ser atuante na sociedade.

Zilberman ( 1985 ) aponta que o que atribui valor artístico à literatura infantil é o afastamento do caráter transmissor de normas e ensinamentos. Isso está se firmando, pois a literatura infantil tem aflorado com elementos de reformismo ou de questionamentos, visando a emancipação do ser humano.

Segundo a autora: “Se a produção nacional ainda se sujeita em muitos casos ao patrocínio de um modo de vida marcado pela dominação da criança e afirmação do poder do adulto, por outro lado, avulta igualmente e tendência contrária, seja por meio do reformismo ou do questionamento, visando antes a ênfase na emancipação do ser humano, condições para a mudança das circunstâncias que produzem tais aparelhos de dominação. ( p. 109 )

Para Cademartori ( 1984 ), muitos autores do século XIX deveriam ser excluídos da literatura infantil brasileira, devido ao fato de exporem, em suas obras, práticas muito distantes da criança, ou ainda, por reforçarem idéias doutrinadoras e que em nada contribuem para o crescimento do público mirim. Porém, considerando que a arte literária possui aspecto formador e capacita a emancipação do leitor, a avaliação da produção torna-se critério de seleção da obra, ou dos pais escolher o que poderia contribuir para a verdadeira formação dada criança que a nossa sociedade exige.

A evolução dos contos de fadas

Os contos de fadas tradicionais foram retirados do folclore europeu, como por exemplo, a coleção doa Irmãos Grimm. Nesses contos estão presentes a situação servil dos oprimidos e a emancipação do herói é efetivada através do elemento mágico. O desenvolvimento da narrativa se processa através da dinâmica: situação inicial, condição do oprimido – desenrolar da ação –interferência do elemento mágico – permissão da emancipação do herói.

Os contos tradicionais estavam ao alcance da criança burguesa, daí a indignação; ( … ) por que contos provindos de uma classe que não desfrutava nenhum privilégio social se prestam à educação da criança burguesa? ( Cademartori , 1984: 140 ). O conto clássico apresenta um mesmo desenvolvimento narrativo: a situação apresenta as dificuldades materiais do cotidiano do oprimido que, com o desenvolvimento da ação, é alterado pela interferência do elemento mágico, permitindo a emancipação do herói”. ( Ibid., p. 140 )

Merkel e Richter, citados por Cademartori ( 1984 ) consideram os contos de fadas instrumentos de emancipação, um esboço compreensível da sociedade.

Os contos de fadas possuem um caráter emancipador à medida em que representam à criança desejos, tensões e temores com os quais ela se identifica. Na primeira, é ressaltada a importância de se contestar o autoritarismo da fada rainha, enfatizando a independência e postura crítica como fator de modificação da sociedade. Na Segunda, a descoberta é das crianças e o elemento mágico não é o salvador, apenas mostra o caminho, partindo para o sentido existencial e não conceitual da realidade.

Ao contrário dos contos tradicionais, as personagens são tomadas de conhecimento. O maniqueísmo também é desfeito e o texto mostra o elemento mágico como interpretação do real, indispensável para o entendimento da criança.

O conto realista tira as crianças dos sítios, onde passam as férias, para lhes mostrar a aspereza do mundo urbano, enfocando os resultados dos descuidos com a natureza.

Conforme Cademartori (1984 ), o texto de Piroli não faz identificação entre leitor-autor com o leitor infantil, colocando a criança em segundo plano.

A adequação do texto infantil ao leitor mirim depende do interesse em lhe despertar uma identificação com as personagens, permitindo, através da leitura de mundo presente no texto, a compreensão de seu próprio pensamento.

Trabalhando simbolicamente a realidade, pode transformar sem tirar da criança o direito à fantasia, mesmo porque ensina, emancipa e transforma de maneira lúdica.

A autora crítica as organizações sociais, dando à mulher e à criança um espaço maior, propondo um questionamento do Status a partir da instituição familiar, onde se tem um a estrutura cuja base de sustentação é o homem e os demais membros da família são dominados pela asfixia. Utiliza – se, ainda , do bom humor e do nom sense .

Acredita – se que a angústia e o absurdo não são as formas eficazes de focalizar os problemas sociais e a espontaneidade da linguagem de Caparelli desperta a simpatia do leitor. Seus textos jamais descuidam do ludismo sequer nos subtítulos, pois chamam a atenção devido ao paralelismo sonoro e os recursos visuais, apresentados na voz modular de anúncio de jornais.

Caparelli consegue fazer com que suas personagens atinjam impressões da verdade existencial, sempre através da ótica infantil. Em ” Os Meninos da Rua da Praia”, por exemplo, o autor concilia problemas ditos antagônicos por alguns autores . Nesta narrativa, ora o centro é a tartaruguinha, ora são os meninos, estabelecendo a união do elemento mágico com o enfoque social, pois, embora o bichinho não tome parte no discurso, pode entender os humanos .

Segundo Cademartori , ao unir realidade e fantasia, Sérgio Caparelli faz com que seja possível a presença do maravilhoso, ao contrário de outros autores, os quais consideram que o maravilhoso aliena a criança.

A leitura nacional surgiu há pouco mais de cinqüenta anos e , por isso, não há, no Brasil , uma história do gênero infantil, mas sim autores que se dedicaram a sua formação .

Conforme vimos anteriormente, as transformações na sociedade demonstram a necessidade da construção de obras que privilegiem a emancipação do leitor. É preciso aproveitar as sugestões dos autores, a realidade, o mundo das crianças, a representação da natureza, a sociedade, o bem e mal, a fantasia, a ficção, a anedota, mas sempre partindo do interesse do aluno e do que a obra tem a oferecer no que diz respeito à formação de um indivíduo apto para atuar na sociedade em que vive. Ao ler esse tipo de obra, a criança tem a sensação do poder fazer, adquirindo mais confiança em si mesmo .

Em seguida, abordaremos a história de Chapeuzinho Vermelho, segundo a visão de Bettelheim.

3.1. Branca de Neve

Cashdan trabalha os contos de fadas a partir dos sete pecados capitais. Em Branca de Neve, conto central da coletânea dos Irmãos Grimm, ele faz uma análise enfocando a questão da vaidade como ponto chave da história. Segundo o autor, Branca de Neve “é um dos mais memoráveis contos de todos os tempos” (Cashdan, 2000:60). Além disso, é uma história que engloba todos os ingredientes mágicos dos contos de fadas.

“contém todos os ingredientes que formam o ciclo do conto de fada: uma travessia, um encontro com a bruxa (a diabólica madrasta), a derrota da bruxa e um final feliz” (Cashdan, 2000:60).

Na história tudo começa com o nascimento da menina e a morte da mãe. A morte da mãe, logo no início da história, serve para dar o tom da profunda ligação entre mãe e filho e, mais tarde, para ser utilizada como uma ajuda ao filho que fica vivo e passa por problemas. É, em muitos contos, como em Branca de Neve, o espírito da mãe morta que ajuda a filha, muitas vezes, a superar as dificuldades. Segundo Cashdan, essa característica mostra também um pouco da realidade da vida das pessoas em tempos remotos.

Antes do século XIX, o parto era uma das principais causas de morte, e as repetidas gestações constantemente colocavam em risco a vida das mulheres.

Paradoxalmente, a saída de cena da mãe é fortalecedora, na medida em que obriga as crianças da história a enfrentar, sozinhas, um mundo cruel e perigoso. Na falta da mãe ou de um protetor, o herói ou heroína precisa recorrer a recursos interiores – que poderiam não ser postos à prova, caso a mãe estivesse por perto.

Cashdan coloca que os principais temas trabalhados em Branca de Neve, além da perda da mãe que são a compaixão, a segurança, a redenção e, o principal deles, a vaidade. Lá estão a compaixão (o arrependimento do caçador, no último minuto), a segurança (o santuário oferecido pelos anões) e finalmente a redenção (a morte da bruxa). o desejo da madrasta de comer partes do corpo da menina depois que o caçador a matasse mostra bem esse traço que faz com que o personagem “mau” seja ainda mais odiado. como na história, as crianças tem medo do abandono e precisam “saber, que seu mundo, há pessoas em que podem confiar”, como diz Cashdan.

Entretanto como o autor cita em seu livro, há críticas sobre esse ponto da histórias que mostram uma menina obrigada a fazer serviços domésticos em troca da ajuda dos anões que, na realidade, nem acontece.

Embora a hospitalidade dos homenzinhos indique que Branca de Neve realmente encontrou uma base segura, as críticas feministas tendem a enxergar a proposta dos anões sob uma ótica diferente.

Concordando em parte com essa crítica, Cashdan afirma que, ainda sob esse ponto de vista, o papel dos anões é de ajudar a menina oferecendo-lhe abrigo contra as maldades da madrasta.

Uma das formas de ampliar o impacto psicológico de um conto de fada é localizar o pecado da história no protagonista e na bruxa. Do contrário, o pecado da história pode ser interpretado como algo estranho à criança – como uma coisa que só a bruxa sofre (Cashdan, 2000:75).

3.2. Chapeuzinho Vermelho

Esta é a história de uma menina que desobedecendo as ordens da mãe, atravessa uma floresta para levar doces para a avó e, no caminho, encontra um lobo mau, é conhecida por crianças do mundo todo.

Em seu livro Bettelheim, “A psicanálise dos contos de fadas”, faz uma interpretação da história de Chapeuzinho Vermelho dentro da linha psicanalítica. A versão mais conhecida é a dos Irmãos Grimm, que tem um final feliz, terminando com a punição do lobo e a libertação da vovó e da menina. Na história contada por Perrault, que tem o nome alterado para Capinha Vermelha, o lobo devora as duas personagens e no final ainda aparece uma espécie de poema que tem a intenção de transmitir uma moral da história.

Essas mudanças segundo Bettelheim na versão original acabam transformando o conto numa história sem grandes atrativos.

O valor do conto de fadas para a criança é destruído se alguém detalha os significados.

Enquanto está em casa Chapeuzinho Vermelho, assim como a criança, está protegida dos perigos pelos pais. Mas ao sair da segurança do lar e deparar-se com o lobo no caminho ela se torna totalmente vulnerável por não saber, ainda, se defender sozinha. Na visão de Bettelheim é justamente esse o maior ensinamento desse conto: mostrar que a criança precisa aprender a enfrentar as situações difíceis, mesmo sem a ajuda dos pais.

A Influência da Leitura na Vida das Crianças


Capítulo I

A literatura infantil

Segundo Zilberman (1995), a leitura passa a ser valorizada a partir da ascensão da burguesia, nesta época a escola e a educação se desenvolveram, devido à organização da sociedade burguesa. À escola cabia transmitir os ideais da burguesia e promover a união familiar.

A literatura infantil, por muito tempo, foi vista sob um segundo plano dentro da literatura. Como coloca Coelho (2000), “a valorização da literatura infantil, como fenômeno significativo de amplo alcance na formação das mentes infantis e juvenis, bem como dentro da vida cultural das sociedades, é conquista recente”.

A expressão “literatura infantil” vulgarmente, sugere de imediato a idéia de belos livros coloridos destinados à distração e ao prazer das crianças em lê-los, folheá-los ou ouvir suas histórias contadas por alguém. (destaques da autora)

Para compreender as razões desse ponto de vista, precisamos voltar no tempo e resgatar a história do surgimento da literatura infantil .

A primeira função da literatura infantil foi pedagógica.

A literatura infantil surgiu da necessidade de se criar um gênero capaz de educar as crianças através de histórias.

A literatura é, sem dúvida, uma das expressões mais significativas que garante a transmissão de valores e conhecimentos em qualquer época da história. As fábulas, parábolas, apólogos, contos, lendas, sagas, contos jocosos, romances, contos maravilhosos, contos de fadas…

As crianças, na Idade Média, principalmente as da classe social mais pobre, participavam dos problemas da família tanto quanto um adulto. No século XVII, começaram a ocorrer mudanças e, no século seguinte, as crianças já desfrutavam de maior liberdade no que diz respeito a participarem dos problemas sociais e familiares. O grande ensinamento, agora, era a religião. A literatura infantil voltou-se para a educação religiosa, com a intenção de mostrar à criança uma visão sobre o bem e o mal.

A partir do século XIX e das grandes mudanças históricas ocorridas ao longo do tempo, começou a haver um desenvolvimento de escolas para educar os filhos dos burgueses, classe social em ascensão na época. Como coloca Cashdan (2000:62), “os contos de fada são documentos históricos únicos, que nos mostram como era a vida em certos períodos da história – épocas em que cada dia era em si uma batalha pela sobrevivência”. Ocorreu, então, um grande aumento na produção de uma literatura voltada para as crianças, porque percebeu-se que a literatura infantil poderia desenvolver melhor a capacidade intelectual dos pequenos leitores. Começou-se produzir uma literatura para provocar pensamentos na criança e desenvolver a sua linguagem.

1.2. Os contos de fadas

Os contos de fadas nem sempre foram da maneira como nós os conhecemos hoje. Mais tarde, foram adaptados pela literatura infantil para ajudar na educação das crianças, pois os contos de fadas mostravam as dificuldades da vida para os seres humanos, principalmente os mais pobres.

O conto de fadas tradicional tem sua origem na adaptação de contos folclóricos, reunidos junto à classe social oprimida na Europa feudal, a exemplo do que se conhece da coleta dos Irmãos Grimm.

Já naquelas histórias, os heróis eram ajudados por forças sobrenaturais e, na transformação dos relatos folclóricos para os contos de fadas da literatura infantil que temos atualmente, manteve-se esse componente fantástico.

Os heróis dos contos de fadas vivem uma situação de desespero pela ausência de perspectivas de melhora, a menos que ocorra a interferência de algum elemento mágico.

Trata-se do conto maravilhoso, formas de narrativa maravilhosa surgidas de fontes bem distintas, dando expressão a problemáticas bem diferentes, mas que, pelo fato de pertencer ao mundo do maravilhoso, acabaram identificadas entre si como formas iguais (Coelho, 1991:11).

1.3 Fantasia e realidade na formação do leitor

A literatura infantil , sem dúvida, tem um papel importante no processo de formação da personalidade da criança.

É ao livro, à palavra escrita, que atribuímos a maior responsabilidade na formação da consciência de mundo das crianças e dos jovens. Apesar de todos os prognósticos pessimistas, e até apocalípticos, acerca do futuro do livro (ou melhor, da literatura), nesta nossa era da imagem e da comunicação instantânea, a verdade é que a palavra literária está mais viva do que nunca. (destaques das autoras)

De acordo com a autora acima citada, que coloca como uma das importantes funções atribuídas à literatura infantil, a de fazer a criança conseguir “ler o mundo”, nos deparamos com as controvérsias acerca da importância da literatura infantil.

Em vista disso, explicita-se a duplicidade congênita à natureza da literatura infantil: de um lado, percebida sob a ótica do adulto, desvela-se sua participação no processo de dominação do jovem, assumindo um caráter pedagógico, por transmitir normas e envolver-se com sua formação moral. De outro, quando se compromete com o interesse da criança, transforma-se num meio de acesso ao real, na medida em que lhe facilita a ordenação de experiências existenciais, através do conhecimento de histórias, e a expansão de seu domínio lingüístico.

Pudemos perceber pelo histórico da literatura infantil feito no início deste capítulo, o fato de ser vista exclusivamente como um meio de educação da criança é o principal motivo que leva a literatura infantil a um segundo plano dentro da arte literária.

Segundo a visão de Zilberman e Magalhães (1984), entretanto, a respeito da função da literatura infantil na vida da criança e do espaço que ela ocupa dentro da produção literária, apesar dessa dificuldade de aceitação, a literatura infantil ainda tem um atributo assegurado, o de auxiliar na formação da criança.

Se à literatura infantil não cabe disputar uma fatia do mercado cultural, ela ainda justifica sua existência dentro do quadro social por ocupar uma função determinada na vida infantil: orientar sua formação. Assim, o mais importante não é estimular a aquisição de textos e impulsionar a indústria do livro (apesar de que este fator esteja igualmente presente), e sim propiciar à criança um conjunto de normas de comportamento e meios de decodificação do mundo circundante, integrando e adequando o leitor a ele (Zilberman & Magalhães, 1984:62).

Mas além disso, há ainda o fato do leitor a que ela se destina. Reproduz, assim, de certo modo, a situação do seu leitor, não por incorporar as qualificações de menoridade ou inferioridade, mas porque, para ambos, urge o rompimento do círculo de giz da dominação burguesa que, por intermédio da ideologia da superioridade adulta, decreta sua submissão e manipula seu descrédito (Zilberman & Magalhães, 1984:24).

Zilberman e Magalhães, aliás, têm uma visão interessante com relação a outros pontos de vista, como o de Bettelheim, sobre o papel da literatura infantil. Segundo elas, a literatura infantil não tem apenas um único interesse; ela se preocupa tanto com a formação moral da criança quanto com o objetivo de ensinar conteúdos de história, geografia, etc., de uma forma divertida, e com o intuito de auxiliar no desenvolvimento lingüístico dos pequenos leitores.

A literatura infantil (…) O saber adquirido dá-se, assim, através do domínio da realidade empírica, isso é, aquela que lhe é negada em sua atividade escolar ou doméstica, desencadeando um “alargamento da dimensão de compreensão” e a aquisição de linguagem, produto da recepção da história enquanto audição ou leitura e da decodificação da mesma (Zilberman & Magalhães, 1984:14).

Ainda segundo as autoras, para entendermos a importância da literatura infantil na formação da criança, precisamos examiná-la enquanto obra literária, ou seja, devemos analisá-la quantos aos aspectos da sua construção.

Vinculado o descrédito ao compromisso com o ensino e com o processo de dominação da infância, a literatura infantil, ainda assim, tem o que oferecer à criança, desde que examinada em relação à sua construção propriamente literária. Como já discutimos, é sabido que o fato da literatura infantil possuir componentes mágicos, personagens encantados e tudo o mais de que essas histórias dispõem do elemento maravilhoso. E é esse fato que também impõe problemas aos contos com relação ao seu realismo e à sua verossimilhança.

É em decorrência dos aspectos examinados que podem ser averiguados os problemas relativos ao realismo e à verossimilhança. Outrossim, a exigência de um realismo pode ser contraposta à inevitável presença da fantasia, incorporada às histórias para a infância desde suas origens (Zilberman & Magalhães, 1984:15).

Uma mudança na literatura infantil, e principalmente nos contos de fadas, foi realizada, entretanto, quando da introdução de personagens infantis como protagonistas das histórias. Os primeiros contos de fadas só possuíam como personagens principais adultos que, na maioria das vezes, buscavam resolver algum conflito ocorrido na infância.

Através da personagem criança, os livros tematizam a condição infantil, que se desenha a partir de dois aspectos. De um lado, através da determinação do lugar que a fantasia desempenha na vida da criança. E, de outro, através da representação do relacionamento com os adultos, sejam pais, professores ou governantes (Zilberman & Magalhães, 1984:132).

A partir da segunda metade do século XIX, os contos de fadas passaram a centrar nas crianças como protagonistas e que procuravam soluções para os seus problemas ainda na infância.

A centralização da história na criança provocou outras mudanças: a ação tornou-se contemporânea, isto é, datada, e seu desdobramento apresenta confronto entre o mundo do herói e dos adultos. Os contos de fadas, ao contrário, apesar de lidarem com o fantástico, utilizam esse recurso justamente para transmitir a mensagem de que nem no mundo do faz-de-conta tudo é sempre perfeito. A deformação repercutirá na coerência interna da narrativa, mas não provirá da ocorrência de elementos de tipo maravilhoso, o que revela a índole pseudodicotômica da contraposição verismo X fantasia.


Capítulo II

O Processo de formação da leitura infantil no Brasil

Segundo Zilberman ( 1995 ), a Literatura Infantil passa a ser valorizada a partir da acessão da burguesia. No Brasil, teve início por volta da metade do século XIX e sua formação ocorre simultaneamente com as transformações sociais porque passava o país daquele período. Entre essas mudanças: estão a implantação, no Rio de Janeiro, de um setor burocrático, provocando um inchaço do funcionalismo; a expansão administrativa do Império; a interrupção do tráfico negreiro, que permitiu a utilização do dinheiro nas indústrias; a presença do Barão de Mauá, fazendo a ligação ferroviária entre a capital e Petrópolis; o crescimento do Rio de Janeiro e São Paulo, graças à economia agrícola do café; a expansão do ensino universitário e a organização do exército.

Aponta Zilberman ( 1985 ) que a própria ascensão da escola e da educação ocorreu devido à organização da burguesia. À escola cabia transmitir os ideais da burguesia e promover a união familiar.

Assim, o Segundo Reinado presencia e estimula, de um lado a regimentação da sociedade burguesa, de outro, a emergência de seus instrumentos de ação: uma ideologia das famílias, patrocinada na sua privacidade e isolada das influências dos laços de parentesco, os quais constituíam, no período colonial, um sistema de relações bastante forte e autônoma; e a organização da escola, lugar de integração do ser humano aos padrões burgueses e urbanos da vida. ( Zilberman 1985.96 )

Nesse contexto, a criança passa a ter um valor maior no núcleo familiar, núcleo este super valorizado para a ascensão e manutenção da classe burguesa que se formava. Jurandir Freire Costa, citado por Zilberman ( 1985 ), resgata o surgimento naquele momento de uma nova valorização da infância, a exemplo do que aconteceu nos demais países da Europa.

Zilberman (1985 ) explica que a razão benevolente em relação a vida em família ainda está presente em autores mais recentes e explica com as obras “O Soldadinho dos Pardais e a Casa das Três Rolinhas”, que mostram o prestígio do modelo doméstico; e os relatos de Edy Lima, onde é nula a participação da criança.

Zilberman questiona a possibilidade de elaborar um modelo crítico da família nos textos infantis e explica que a vertente realista foi quem se preocupou com isso .Essa visão trouxe como personagem pessoas da classe média e os valores da burguesia. “Coisa de Menino”, de Elaine Ganem, similar ao primeiro, mostra uma criança ( Clarice ) se rebelando contra as imposições dos adultos, cujos os moldes não são para ela. É a revelação do conflito familiar e da incapacidade do adulto diante da conciliação criança X classe social.

Desse modo, ao denunciar os desequilíbrios dentro da estrutura familiar, o modelo crítico de leitura dá conta de seu objetivo inicial, embora suas personagens pareçam presenciar os problemas e não resolvê – los e a crítica não estar no interior das crianças, mas apenas no narrador, que é um adulto, sempre. Logo, o herói não se transforma, pois não há questionamentos, ele apenas vivência a situação problemática dentro da família.

O texto literário de caráter emancipatório

No início do século XX , os estudos da pedagogia e da psicologia começaram a chamar a atenção para a necessidade de livros especiais para cada fase da infância. Segundo Zilberman ( 1988 ), no plano da educação no Brasil, a literatura infantil não ficou prtesa apenas aos contos de fadas, onde o núcleo era uma criança com um problema e que era sempre ajudada por uma entidade mágica superior, mas também moldou-se a um projeto educativo e ideológico que via no texto infantil e aliados inseparáveis para a formação do cidadão.

Os momentos do cotidiano sugerem na obra de Monteiro Lobato, mas é apenas parte de um contexto maior, ou seja, da discussão de valores existentes. ) A necessidade de renovação dos velhos contos é imposta pelo surgimento de novas formas narrativas ( … ) .

Nas obras de caráter emancipatório, os ideais são criados e os obstáculos resolvidos, pelas próprias crianças, contribuindo positivamente para a formação da mesma. Assim, a criança que lê a obra pode inspirar-se num modelo pensante que age, independente das soluções mágicas do mundo, ou da intervenção e palavra final do adulto. O adulto aqui é um encaminhador do conhecimento, não a chave das respostas.

O primeiro refere-se ao plano lingüístico, à espontaneidade da criança ao discurso oral, aos neologismos e às onomatopéias. O segundo da ideologia refere-se à ampla acepção de idéias que constituem a base do texto.

Com uma visão crítica do Brasil, o autor coloca o leitor a par do que ocorria no Brasil.

A verdade e a liberdade são pontos na obra de Monteiro Lobato. O autor utiliza-se do sítio, lugar ideal, estabelecendo uma nova moral, diferente dos contos tradicionais, conseguindo conciliar ideologia com ludismo e fazendo como que o maravilhoso passe a ser a explicação do real.

Ao falar de Lygia, Zilberman (1985 ) reforça o caráter emancipador da literatura infantil presente nos textos da autora, enfatizando que suas obras “Angélica” e ” A Bolsa Amarela “, por exemplo, questionam o lugar da criança dentro do grupo familiar, fazendo com que ela busque sua emancipação diante dos preceitos estabelecidos pelos adultos. Segundo Zilberman, a criança é capaz de se encontrar como ser atuante na sociedade.

Zilberman ( 1985 ) aponta que o que atribui valor artístico à literatura infantil é o afastamento do caráter transmissor de normas e ensinamentos. Isso está se firmando, pois a literatura infantil tem aflorado com elementos de reformismo ou de questionamentos, visando a emancipação do ser humano.

Segundo a autora: “Se a produção nacional ainda se sujeita em muitos casos ao patrocínio de um modo de vida marcado pela dominação da criança e afirmação do poder do adulto, por outro lado, avulta igualmente e tendência contrária, seja por meio do reformismo ou do questionamento, visando antes a ênfase na emancipação do ser humano, condições para a mudança das circunstâncias que produzem tais aparelhos de dominação. ( p. 109 )

Para Cademartori ( 1984 ), muitos autores do século XIX deveriam ser excluídos da literatura infantil brasileira, devido ao fato de exporem, em suas obras, práticas muito distantes da criança, ou ainda, por reforçarem idéias doutrinadoras e que em nada contribuem para o crescimento do público mirim. Porém, considerando que a arte literária possui aspecto formador e capacita a emancipação do leitor, a avaliação da produção torna-se critério de seleção da obra, ou dos pais escolher o que poderia contribuir para a verdadeira formação dada criança que a nossa sociedade exige.

A evolução dos contos de fadas

Os contos de fadas tradicionais foram retirados do folclore europeu, como por exemplo, a coleção doa Irmãos Grimm. Nesses contos estão presentes a situação servil dos oprimidos e a emancipação do herói é efetivada através do elemento mágico. O desenvolvimento da narrativa se processa através da dinâmica: situação inicial, condição do oprimido – desenrolar da ação –interferência do elemento mágico – permissão da emancipação do herói.

Os contos tradicionais estavam ao alcance da criança burguesa, daí a indignação; ( … ) por que contos provindos de uma classe que não desfrutava nenhum privilégio social se prestam à educação da criança burguesa? ( Cademartori , 1984: 140 ). O conto clássico apresenta um mesmo desenvolvimento narrativo: a situação apresenta as dificuldades materiais do cotidiano do oprimido que, com o desenvolvimento da ação, é alterado pela interferência do elemento mágico, permitindo a emancipação do herói”. ( Ibid., p. 140 )

Merkel e Richter, citados por Cademartori ( 1984 ) consideram os contos de fadas instrumentos de emancipação, um esboço compreensível da sociedade.

Os contos de fadas possuem um caráter emancipador à medida em que representam à criança desejos, tensões e temores com os quais ela se identifica. Na primeira, é ressaltada a importância de se contestar o autoritarismo da fada rainha, enfatizando a independência e postura crítica como fator de modificação da sociedade. Na Segunda, a descoberta é das crianças e o elemento mágico não é o salvador, apenas mostra o caminho, partindo para o sentido existencial e não conceitual da realidade.

Ao contrário dos contos tradicionais, as personagens são tomadas de conhecimento. O maniqueísmo também é desfeito e o texto mostra o elemento mágico como interpretação do real, indispensável para o entendimento da criança.

O conto realista tira as crianças dos sítios, onde passam as férias, para lhes mostrar a aspereza do mundo urbano, enfocando os resultados dos descuidos com a natureza.

Conforme Cademartori (1984 ), o texto de Piroli não faz identificação entre leitor-autor com o leitor infantil, colocando a criança em segundo plano.

A adequação do texto infantil ao leitor mirim depende do interesse em lhe despertar uma identificação com as personagens, permitindo, através da leitura de mundo presente no texto, a compreensão de seu próprio pensamento.

Trabalhando simbolicamente a realidade, pode transformar sem tirar da criança o direito à fantasia, mesmo porque ensina, emancipa e transforma de maneira lúdica.

A autora crítica as organizações sociais, dando à mulher e à criança um espaço maior, propondo um questionamento do Status a partir da instituição familiar, onde se tem um a estrutura cuja base de sustentação é o homem e os demais membros da família são dominados pela asfixia. Utiliza – se, ainda , do bom humor e do nom sense .

Acredita – se que a angústia e o absurdo não são as formas eficazes de focalizar os problemas sociais e a espontaneidade da linguagem de Caparelli desperta a simpatia do leitor. Seus textos jamais descuidam do ludismo sequer nos subtítulos, pois chamam a atenção devido ao paralelismo sonoro e os recursos visuais, apresentados na voz modular de anúncio de jornais.

Caparelli consegue fazer com que suas personagens atinjam impressões da verdade existencial, sempre através da ótica infantil. Em ” Os Meninos da Rua da Praia”, por exemplo, o autor concilia problemas ditos antagônicos por alguns autores . Nesta narrativa, ora o centro é a tartaruguinha, ora são os meninos, estabelecendo a união do elemento mágico com o enfoque social, pois, embora o bichinho não tome parte no discurso, pode entender os humanos .

Segundo Cademartori , ao unir realidade e fantasia, Sérgio Caparelli faz com que seja possível a presença do maravilhoso, ao contrário de outros autores, os quais consideram que o maravilhoso aliena a criança.

A leitura nacional surgiu há pouco mais de cinqüenta anos e , por isso, não há, no Brasil , uma história do gênero infantil, mas sim autores que se dedicaram a sua formação .

Conforme vimos anteriormente, as transformações na sociedade demonstram a necessidade da construção de obras que privilegiem a emancipação do leitor. É preciso aproveitar as sugestões dos autores, a realidade, o mundo das crianças, a representação da natureza, a sociedade, o bem e mal, a fantasia, a ficção, a anedota, mas sempre partindo do interesse do aluno e do que a obra tem a oferecer no que diz respeito à formação de um indivíduo apto para atuar na sociedade em que vive. Ao ler esse tipo de obra, a criança tem a sensação do poder fazer, adquirindo mais confiança em si mesmo .

Em seguida, abordaremos a história de Chapeuzinho Vermelho, segundo a visão de Bettelheim.

3.1. Branca de Neve

Cashdan trabalha os contos de fadas a partir dos sete pecados capitais. Em Branca de Neve, conto central da coletânea dos Irmãos Grimm, ele faz uma análise enfocando a questão da vaidade como ponto chave da história. Segundo o autor, Branca de Neve “é um dos mais memoráveis contos de todos os tempos” (Cashdan, 2000:60). Além disso, é uma história que engloba todos os ingredientes mágicos dos contos de fadas.

“contém todos os ingredientes que formam o ciclo do conto de fada: uma travessia, um encontro com a bruxa (a diabólica madrasta), a derrota da bruxa e um final feliz” (Cashdan, 2000:60).

Na história tudo começa com o nascimento da menina e a morte da mãe. A morte da mãe, logo no início da história, serve para dar o tom da profunda ligação entre mãe e filho e, mais tarde, para ser utilizada como uma ajuda ao filho que fica vivo e passa por problemas. É, em muitos contos, como em Branca de Neve, o espírito da mãe morta que ajuda a filha, muitas vezes, a superar as dificuldades. Segundo Cashdan, essa característica mostra também um pouco da realidade da vida das pessoas em tempos remotos.

Antes do século XIX, o parto era uma das principais causas de morte, e as repetidas gestações constantemente colocavam em risco a vida das mulheres.

Paradoxalmente, a saída de cena da mãe é fortalecedora, na medida em que obriga as crianças da história a enfrentar, sozinhas, um mundo cruel e perigoso. Na falta da mãe ou de um protetor, o herói ou heroína precisa recorrer a recursos interiores – que poderiam não ser postos à prova, caso a mãe estivesse por perto.

Cashdan coloca que os principais temas trabalhados em Branca de Neve, além da perda da mãe que são a compaixão, a segurança, a redenção e, o principal deles, a vaidade. Lá estão a compaixão (o arrependimento do caçador, no último minuto), a segurança (o santuário oferecido pelos anões) e finalmente a redenção (a morte da bruxa). o desejo da madrasta de comer partes do corpo da menina depois que o caçador a matasse mostra bem esse traço que faz com que o personagem “mau” seja ainda mais odiado. como na história, as crianças tem medo do abandono e precisam “saber, que seu mundo, há pessoas em que podem confiar”, como diz Cashdan.

Entretanto como o autor cita em seu livro, há críticas sobre esse ponto da histórias que mostram uma menina obrigada a fazer serviços domésticos em troca da ajuda dos anões que, na realidade, nem acontece.

Embora a hospitalidade dos homenzinhos indique que Branca de Neve realmente encontrou uma base segura, as críticas feministas tendem a enxergar a proposta dos anões sob uma ótica diferente.

Concordando em parte com essa crítica, Cashdan afirma que, ainda sob esse ponto de vista, o papel dos anões é de ajudar a menina oferecendo-lhe abrigo contra as maldades da madrasta.

Uma das formas de ampliar o impacto psicológico de um conto de fada é localizar o pecado da história no protagonista e na bruxa. Do contrário, o pecado da história pode ser interpretado como algo estranho à criança – como uma coisa que só a bruxa sofre (Cashdan, 2000:75).

3.2. Chapeuzinho Vermelho

Esta é a história de uma menina que desobedecendo as ordens da mãe, atravessa uma floresta para levar doces para a avó e, no caminho, encontra um lobo mau, é conhecida por crianças do mundo todo.

Em seu livro Bettelheim, “A psicanálise dos contos de fadas”, faz uma interpretação da história de Chapeuzinho Vermelho dentro da linha psicanalítica. A versão mais conhecida é a dos Irmãos Grimm, que tem um final feliz, terminando com a punição do lobo e a libertação da vovó e da menina. Na história contada por Perrault, que tem o nome alterado para Capinha Vermelha, o lobo devora as duas personagens e no final ainda aparece uma espécie de poema que tem a intenção de transmitir uma moral da história.

Essas mudanças segundo Bettelheim na versão original acabam transformando o conto numa história sem grandes atrativos.

O valor do conto de fadas para a criança é destruído se alguém detalha os significados.

Enquanto está em casa Chapeuzinho Vermelho, assim como a criança, está protegida dos perigos pelos pais. Mas ao sair da segurança do lar e deparar-se com o lobo no caminho ela se torna totalmente vulnerável por não saber, ainda, se defender sozinha. Na visão de Bettelheim é justamente esse o maior ensinamento desse conto: mostrar que a criança precisa aprender a enfrentar as situações difíceis, mesmo sem a ajuda dos pais.

A casa da floresta e o lar paterno são o mesmo lugar, vivenciados de modo diverso devido a mudança na situação psicológica. Na casa da avó, que também é segura, a mesma menina se torna totalmente incapaz em conseqüência do encontro com o lobo (Bettelheim, 1980:206).

Essa conotação entretanto não aparece na versão dos Irmãos Grimm. Na história contada por eles, a mensagem que prevalece é a de que a criança pode encontrar muitos perigos ao tentar satisfazer os próprios desejos desobedecendo as ordens dos pais.

Chapeuzinho Vermelho externaliza os processos internos da criança púbere: o lobo é a externalização da maldade que a criança sente quando vai contra os conselhos dos pais e permite-se tentar, ou ser tentada, sexualmente. Quando se desvia do caminho que os pais lhe traçaram encontra “maldade”, e teme que esta a engula e ao pai cuja confiança traiu. Mas pode ocorrer uma ressurreição a partir da “maldade”(Bettelheim, 1980:213).

No caso desse conto, essa “ressurreição” se dá quando o caçador entra na casa, rasga a barriga do lobo e liberta a menina e a avó.

Quando sai do estômago do lobo, ela renasce num plano superior de existência, relacionado-se de modo positivo com os pais, não mais como criança; ela volta à vida como uma jovem donzela (Bettelheim, 1980:219).

Capítulo IV

Realização do projeto em sala de aula no ensino fundamental

O caráter emancipador da literatura infantil que precisa ser preservado. A literatura possibilita uma atualização a cada leitura e , da mesma forma, visões diferentes.

Partindo desse pressuposto, aplicamos em uma sala de quarta série do ensino fundamental um projeto de leitura .

O projeto de literatura será desenvolvido através de atividades abrangentes como: leituras, discussões sobre as histórias e o cotidiano das crianças, dramatizações, atividades lúdicas e recreativas, assim como sínteses de idéias principais, exploração do vocabulário, interpretações de textos. As crianças participarão de atividades tanto individuais como em grupo, em sala de aula, na biblioteca e outras dependências do colégio.

DESENVOLVIMENTO DAS AULAS

1ª AULA:

Título: “O burrinho insatisfeito”

Autor: Darly Nicolanna Scornaienchi

Técnica: Confecção de máscara

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula e salão nobre
  • Materiais: Máscaras, outros objetos para encenação, cópia do texto.

Desenvolvimento provável:

  • Narração da história, mostrando as gravuras do livro;
  • Promoção de uma conversa sobre a história;
  • Encenação, com as crianças representando os personagens;
  • Apresentação do teatro para outras séries.

Depois, zapt!, da nuvem saiu um bom mágico Ligeirinho.

Na cabeça, levava uma coroa de ouro; nas costas, o manto de arminho e, na grande pata, o cetro real.

Pobre rei da floresta! Entregue às mãos energéticas de um célebre domador de feras, precisou, ao som de chicotadas, aprender a divertir o público, no picadeiro de um circo aquestre.

RELATÓRIO

1ª Aula: Iniciamos a aula narrando a história mostrando as gravuras do livro. O resultado desta aula foi muito satisfatório, pois a peça de teatro foi apresentada também em outras ocasiões, até mesmo na semana da criança, onde o colégio estava com atividades em comemoração ao dia da criança, e cada turma deveria preparar alguma coisa expor. Fomos, então, solicitadas a preparar a turma para apresentação da peças de teatro.

Desenvolvimento provável:

  • Narração da história, aplicando a técnica da televisão;
  • Discussão do texto com a participação das crianças;
  • Leitura do texto: ‘O coelhinho que não queria estudar”;
  • Exploração do vocabulário;
  • Interpretação dos textos;
  • Ilustração da história.

Objetivos: Aplicar a técnica da televisão apresentando aos alunos mais uma forma de contar histórias; Comparar a história com o texto “O Coelhinho que não queria estudar”, dando base para discussão do tema entre os alunos.

RELATÓRIO

2ª Aula: Apresentamos a história através da técnica da televisão, Lemos o texto “O Coelhinho que não queria estudar”, e orientamos uma discussão sobre os dois textos, em seguida desenvolvemos atividades como: exploração do vocabulário; interpretação dos textos e ilustrações.

3ª AULA:

Título: Aula livre

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Biblioteca e sala de aula
  • Materiais: Livros de literatura infantil

Desenvolvimento provável:

  • Formação de grupos;
  • Distribuição dos livros para as equipes;
  • Debate sobre a história em grupo;
  • Exposição da história para a classe.

Objetivo: O objetivo desta aula é proporcionar aos alunos a experiência de desenvolver atividades elaboradas por eles mesmo, com base nos livros de literatura infantil; Incentivá-los a freqüentar a biblioteca do colégio.

RELATÓRIO

3ª Aula: Visitamos a biblioteca do colégio, onde cada aluno escolheu um livro. Em sala formaram grupos, cada grupo leu e discutiu sobre a história do livro que leram. Um aluno de cada grupo fez a exposição da história do seu grupo para os demais.

4ª AULA:

Título: “Uma joaninha diferente

Autor: Regina Célia de Melo

Técnica: Varal

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula
  • Materiais: Barbante, gravuras, cópias do texto, sulfite, lápis de cor.

Desenvolvimento provável:

  • Narração da história, aplicando a técnica do varal;
  • Promoção de uma conversa sobre a história;
  • Produção de texto, fazendo o desfecho da história;
  • Ilustração da história;
  • Montagem de quebra-cabeça com ilustrações da história.

Objetivo: Apresentação da história através da técnica do varal, já que a mesma proporciona aos alunos um maior entendimento, uma vez que a história é contada e suas ilustrações vão sendo distribuídas em um varal simultaneamente; outro objetivo é trabalhar a questão da discriminação por aspectos físicos.

A joaninha ficava triste, pensando nas bolinhas e no que poderia fazer…

Contou tudo ao besouro preto, que é parente distante das joaninhas.

Decidiram ir à casa do pássaro pintor e contaram tudo a ele o que esta acontecendo.

No jardim, ninguém percebeu a diferença.

Auxiliamos na produção e ilustração de um texto com um desfecho diferente para a história. Para descontrair distribuímos quebra-cabeças com personagens da história.

5ª AULA

Título: “O patinho feio”

Clássicos infantis

Técnica: História participada

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula a sala de vídeo
  • Materiais: Televisão, vídeo kasset, fita de vídeo, gravuras, livro, cópias do texto

Desenvolvimento provável:

  • Apresentação da história, através da técnica: história participada;
  • Projeção de filme;
  • Produção de texto tendo como tema: ‘a discriminação”.

Objetivo: Essa aula tem como objetivo avaliar o grau de interesse da turma pela história, já que a mesma é apresentada com a participação de alguns deles; E também falar um pouco mais a questão da discriminação.

Depois de certo tempo, mamãe pata resolveu verificar se todos já estavam fora dos ovos. A própria mãe achou-o esquisito e ficou intrigada com o aspecto do filhote.

No final da manhã, resolveu apresentar os filhotes aos outros animais. À noite, o patinho feio refugio-se na casa de uma velhinha, que o acolheu com muito carinho. Os filhos do camponês, querendo brincar com o patinho, acabaram por assustá-lo. Desnorteado, o pobrezinho caiu do latão de leite, do tacho de manteiga e, finalmente, numa vasilha de farinha, para desespero da dona da casa. Apavorado com tanta confusão, resolveu escapar e enfrentar os terríveis rigores do inverno.

Resolveu ir na direção deles. Era um lindíssimo cisne.

RELATÓRIO

5ª Aula: Apresentamos a história, através da técnica “história participada” com a ajuda dos alunos. Pudemos notar que as duas últimas aulas trouxeram benefícios a turma, pois diminuíram, entre os alunos, os conflitos provocados por alguma

6ª AULA:

Título: “A bela e a fera”

Clássicos infantis

Técnicas: Álbum seriado

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula e sala de vídeo
  • Materiais: Livro, álbum seriado, cópias da história

Desenvolvimento provável:

A casa da floresta e o lar paterno são o mesmo lugar, vivenciados de modo diverso devido a mudança na situação psicológica. Na casa da avó, que também é segura, a mesma menina se torna totalmente incapaz em conseqüência do encontro com o lobo (Bettelheim, 1980:206).

Essa conotação entretanto não aparece na versão dos Irmãos Grimm. Na história contada por eles, a mensagem que prevalece é a de que a criança pode encontrar muitos perigos ao tentar satisfazer os próprios desejos desobedecendo as ordens dos pais.

Chapeuzinho Vermelho externaliza os processos internos da criança púbere: o lobo é a externalização da maldade que a criança sente quando vai contra os conselhos dos pais e permite-se tentar, ou ser tentada, sexualmente. Quando se desvia do caminho que os pais lhe traçaram encontra “maldade”, e teme que esta a engula e ao pai cuja confiança traiu. Mas pode ocorrer uma ressurreição a partir da “maldade”(Bettelheim, 1980:213).

No caso desse conto, essa “ressurreição” se dá quando o caçador entra na casa, rasga a barriga do lobo e liberta a menina e a avó.

Quando sai do estômago do lobo, ela renasce num plano superior de existência, relacionado-se de modo positivo com os pais, não mais como criança; ela volta à vida como uma jovem donzela (Bettelheim, 1980:219).

Capítulo IV

Realização do projeto em sala de aula no ensino fundamental

O caráter emancipador da literatura infantil que precisa ser preservado. A literatura possibilita uma atualização a cada leitura e , da mesma forma, visões diferentes.

Partindo desse pressuposto, aplicamos em uma sala de quarta série do ensino fundamental um projeto de leitura .

O projeto de literatura será desenvolvido através de atividades abrangentes como: leituras, discussões sobre as histórias e o cotidiano das crianças, dramatizações, atividades lúdicas e recreativas, assim como sínteses de idéias principais, exploração do vocabulário, interpretações de textos. As crianças participarão de atividades tanto individuais como em grupo, em sala de aula, na biblioteca e outras dependências do colégio.

DESENVOLVIMENTO DAS AULAS

1ª AULA:

Título: “O burrinho insatisfeito”

Autor: Darly Nicolanna Scornaienchi

Técnica: Confecção de máscara

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula e salão nobre
  • Materiais: Máscaras, outros objetos para encenação, cópia do texto.

Desenvolvimento provável:

  • Narração da história, mostrando as gravuras do livro;
  • Promoção de uma conversa sobre a história;
  • Encenação, com as crianças representando os personagens;
  • Apresentação do teatro para outras séries.

Depois, zapt!, da nuvem saiu um bom mágico Ligeirinho.

Na cabeça, levava uma coroa de ouro; nas costas, o manto de arminho e, na grande pata, o cetro real.

Pobre rei da floresta! Entregue às mãos energéticas de um célebre domador de feras, precisou, ao som de chicotadas, aprender a divertir o público, no picadeiro de um circo aquestre.

RELATÓRIO

1ª Aula: Iniciamos a aula narrando a história mostrando as gravuras do livro. O resultado desta aula foi muito satisfatório, pois a peça de teatro foi apresentada também em outras ocasiões, até mesmo na semana da criança, onde o colégio estava com atividades em comemoração ao dia da criança, e cada turma deveria preparar alguma coisa expor. Fomos, então, solicitadas a preparar a turma para apresentação da peças de teatro.

Desenvolvimento provável:

  • Narração da história, aplicando a técnica da televisão;
  • Discussão do texto com a participação das crianças;
  • Leitura do texto: ‘O coelhinho que não queria estudar”;
  • Exploração do vocabulário;
  • Interpretação dos textos;
  • Ilustração da história.

Objetivos: Aplicar a técnica da televisão apresentando aos alunos mais uma forma de contar histórias; Comparar a história com o texto “O Coelhinho que não queria estudar”, dando base para discussão do tema entre os alunos.

RELATÓRIO

2ª Aula: Apresentamos a história através da técnica da televisão, Lemos o texto “O Coelhinho que não queria estudar”, e orientamos uma discussão sobre os dois textos, em seguida desenvolvemos atividades como: exploração do vocabulário; interpretação dos textos e ilustrações.

3ª AULA:

Título: Aula livre

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Biblioteca e sala de aula
  • Materiais: Livros de literatura infantil

Desenvolvimento provável:

  • Formação de grupos;
  • Distribuição dos livros para as equipes;
  • Debate sobre a história em grupo;
  • Exposição da história para a classe.

Objetivo: O objetivo desta aula é proporcionar aos alunos a experiência de desenvolver atividades elaboradas por eles mesmo, com base nos livros de literatura infantil; Incentivá-los a freqüentar a biblioteca do colégio.

RELATÓRIO

3ª Aula: Visitamos a biblioteca do colégio, onde cada aluno escolheu um livro. Em sala formaram grupos, cada grupo leu e discutiu sobre a história do livro que leram. Um aluno de cada grupo fez a exposição da história do seu grupo para os demais.

4ª AULA:

Título: “Uma joaninha diferente

Autor: Regina Célia de Melo

Técnica: Varal

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula
  • Materiais: Barbante, gravuras, cópias do texto, sulfite, lápis de cor.

Desenvolvimento provável:

  • Narração da história, aplicando a técnica do varal;
  • Promoção de uma conversa sobre a história;
  • Produção de texto, fazendo o desfecho da história;
  • Ilustração da história;
  • Montagem de quebra-cabeça com ilustrações da história.

Objetivo: Apresentação da história através da técnica do varal, já que a mesma proporciona aos alunos um maior entendimento, uma vez que a história é contada e suas ilustrações vão sendo distribuídas em um varal simultaneamente; outro objetivo é trabalhar a questão da discriminação por aspectos físicos.

A joaninha ficava triste, pensando nas bolinhas e no que poderia fazer…

Contou tudo ao besouro preto, que é parente distante das joaninhas.

Decidiram ir à casa do pássaro pintor e contaram tudo a ele o que esta acontecendo.

No jardim, ninguém percebeu a diferença.

Auxiliamos na produção e ilustração de um texto com um desfecho diferente para a história. Para descontrair distribuímos quebra-cabeças com personagens da história.

5ª AULA

Título: “O patinho feio”

Clássicos infantis

Técnica: História participada

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula a sala de vídeo
  • Materiais: Televisão, vídeo kasset, fita de vídeo, gravuras, livro, cópias do texto

Desenvolvimento provável:

  • Apresentação da história, através da técnica: história participada;
  • Projeção de filme;
  • Produção de texto tendo como tema: ‘a discriminação”.

Objetivo: Essa aula tem como objetivo avaliar o grau de interesse da turma pela história, já que a mesma é apresentada com a participação de alguns deles; E também falar um pouco mais a questão da discriminação.

Depois de certo tempo, mamãe pata resolveu verificar se todos já estavam fora dos ovos. A própria mãe achou-o esquisito e ficou intrigada com o aspecto do filhote.

No final da manhã, resolveu apresentar os filhotes aos outros animais. À noite, o patinho feio refugio-se na casa de uma velhinha, que o acolheu com muito carinho. Os filhos do camponês, querendo brincar com o patinho, acabaram por assustá-lo. Desnorteado, o pobrezinho caiu do latão de leite, do tacho de manteiga e, finalmente, numa vasilha de farinha, para desespero da dona da casa. Apavorado com tanta confusão, resolveu escapar e enfrentar os terríveis rigores do inverno.

Resolveu ir na direção deles. Era um lindíssimo cisne.

RELATÓRIO

5ª Aula: Apresentamos a história, através da técnica “história participada” com a ajuda dos alunos. Pudemos notar que as duas últimas aulas trouxeram benefícios a turma, pois diminuíram, entre os alunos, os conflitos provocados por alguma

6ª AULA:

Título: “A bela e a fera”

Clássicos infantis

Técnicas: Álbum seriado

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula e sala de vídeo
  • Materiais: Livro, álbum seriado, cópias da história

Desenvolvimento provável:

  • Narração da história, através da técnica: álbum seriado;
  • Projeção do filme: “O natal encantado da bela e a fera”;
  • Produção do texto dissertativo sobre as histórias do filme e do álbum.

Objetivo: Apresentar a história com a técnica Álbum Seriado; Apresentação do filme e avaliar a capacidade dos alunos quanto a produção de textos.

Comparamos as histórias através de uma conversa informal e orientamos na produção do texto.

7ª AULA:

Título: “Se essa rua fosse minha”

Autor: Eduardo Amos

Técnica: Varal

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula
  • Materiais: Gravuras, livro, sulfite, gravador, CD, cópias do texto e da música

Desenvolvimento provável:

  • Leitura da história;
  • Debate sobre a história;
  • Apresentação da música: “Se essa rua fosse minha”;
  • Cantar a música com os alunos;
  • Interpretação da música, através de uma discussão;
  • Dobradura de elementos contados na história.

8ª AULA:

Título: “Se essa rua fosse minha”

Autor: Eduardo Amos

Técnica: Varal

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula e pátio da escola
  • Materiais: Papel manilha, lápis de cor, giz de cera, tintas, pincéis.

Desenvolvimento provável:

  • Apanhado geral da aula anterior;
  • Trabalho em grupo;
  • Confecção de cartazes, tendo como o tema a discrição da rua dos alunos;
  • Construção de um mural.

Objetivo: Dar continuidade aos trabalhos da aula anterior; Dar oportunidade aos alunos de trabalharem em grupo confeccionando cartazes e montar um mural.


SE ESSA RUA FOSSE MINHA

“Texto de Eduardo Amos”

Se essa rua fosse minha,

não mandava ladrilhar.

Se essa rua fosse minha,

seria toda colorida.

Teria casa amarela,

casa vermelha, lilás, azul e laranja.

Só não teria casa cinza,

porque cinza é a cor da sombra.

Mas teria casa verde,

porque o verde é a cor da esperança.

Assim seria essa rua,

se essa rua fosse minha.

São todas pessoas queridas,

que eu gosto muito,

e amo do fundo do meu coração.

O André moraria na casa ao lado.

A Mariana, na casa da frente.

O Renato iria morar na esquina.

O Marcelo no meio do quarteirão.

Cabra-cega,

mãe-da-rua e pegador.

Ah! Quanta coisa a gente poderia fazer!

Em dia quente, contar histórias

embaixo da árvore.

Em noite fria, fazer fogueirinha

ao relento.

Numa ponta da feira

teria uma banca de flores

e, na outra ponta, bem perto da minha

casa, uma de biscoitos, bolachas e pão.

Todo mundo compraria na feira

da minha rua.

Tudo seria bem baratinho,

na feira da minha rua,

se essa rua fosse minha.

Todo mundo ajudaria

do jeito que pudesse.

Dona Geni, a mãe do André, faria pipoca.

Seria uma festa daquelas,

se essa rua fosse minha.

Seria uma rua limpinha,

se essa rua fosse minha.

Se essa rua fosse minha,

seria do jeito que você acabou de ver.

Bem bonita,

com muitas flores.

RELATÓRIO

7ª Aula: Lemos o livro “Se essa rua fosse minha” onde debatemos sobre a história; Cantamos a música “Se essa rua fosse minha” com os alunos; Fizemos a interpretação da música e da história. Em seguida ensinamos algumas dobraduras com elementos do tema.

MÚSICA: “SE ESSA RUA FOSSE MINHA”

Se essa rua, se essa rua fosse minha,

Eu mandava, eu mandava ladrilhar.

Se essa rua, se essa rua fosse minha…

RELATÓRIO

8ª Aula: Fizemos um apanhado da aula anterior, orientamos a formação de grupos e a confecção de cartazes, tendo como tema a descrição da rua dos alunos, onde cada um iria colaborar com uma característica de sua rua.

Na confecção dos cartazes os alunos usaram as dobraduras da aula anterior. Em seguida fomos ao pátio do colégio onde montamos um mural para a exposição dos trabalhos.

A aula foi muito descontraída e produtiva, pois todos os alunos participaram das atividades com entusiasmo.

Desenvolvimento provável:

  • Narração da história, utilizando o álbum;
  • Comentários sobre a história;
  • Ensaio dos alunos para a dramatização.

Objetivos: Tendo em vista a boa aceitação, por parte da professora e dos alunos, quanto a realização do teatro na primeira aula, esta aula tem como objetivo prepará-los para outra encenação. E também reforçarmos o papel da escola e a sua importância.

  • Narração da história, através da técnica: álbum seriado;
  • Projeção do filme: “O natal encantado da bela e a fera”;
  • Produção do texto dissertativo sobre as histórias do filme e do álbum.

Objetivo: Apresentar a história com a técnica Álbum Seriado; Apresentação do filme e avaliar a capacidade dos alunos quanto a produção de textos.

Comparamos as histórias através de uma conversa informal e orientamos na produção do texto.

7ª AULA:

Título: “Se essa rua fosse minha”

Autor: Eduardo Amos

Técnica: Varal

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula
  • Materiais: Gravuras, livro, sulfite, gravador, CD, cópias do texto e da música

Desenvolvimento provável:

  • Leitura da história;
  • Debate sobre a história;
  • Apresentação da música: “Se essa rua fosse minha”;
  • Cantar a música com os alunos;
  • Interpretação da música, através de uma discussão;
  • Dobradura de elementos contados na história.

8ª AULA:

Título: “Se essa rua fosse minha”

Autor: Eduardo Amos

Técnica: Varal

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula e pátio da escola
  • Materiais: Papel manilha, lápis de cor, giz de cera, tintas, pincéis.

Desenvolvimento provável:

  • Apanhado geral da aula anterior;
  • Trabalho em grupo;
  • Confecção de cartazes, tendo como o tema a discrição da rua dos alunos;
  • Construção de um mural.

Objetivo: Dar continuidade aos trabalhos da aula anterior; Dar oportunidade aos alunos de trabalharem em grupo confeccionando cartazes e montar um mural.


SE ESSA RUA FOSSE MINHA

“Texto de Eduardo Amos”

Se essa rua fosse minha,

não mandava ladrilhar.

Se essa rua fosse minha,

seria toda colorida.

Teria casa amarela,

casa vermelha, lilás, azul e laranja.

Só não teria casa cinza,

porque cinza é a cor da sombra.

Mas teria casa verde,

porque o verde é a cor da esperança.

Assim seria essa rua,

se essa rua fosse minha.

São todas pessoas queridas,

que eu gosto muito,

e amo do fundo do meu coração.

O André moraria na casa ao lado.

A Mariana, na casa da frente.

O Renato iria morar na esquina.

O Marcelo no meio do quarteirão.

Cabra-cega,

mãe-da-rua e pegador.

Ah! Quanta coisa a gente poderia fazer!

Em dia quente, contar histórias

embaixo da árvore.

Em noite fria, fazer fogueirinha

ao relento.

Numa ponta da feira

teria uma banca de flores

e, na outra ponta, bem perto da minha

casa, uma de biscoitos, bolachas e pão.

Todo mundo compraria na feira

da minha rua.

Tudo seria bem baratinho,

na feira da minha rua,

se essa rua fosse minha.

Todo mundo ajudaria

do jeito que pudesse.

Dona Geni, a mãe do André, faria pipoca.

Seria uma festa daquelas,

se essa rua fosse minha.

Seria uma rua limpinha,

se essa rua fosse minha.

Se essa rua fosse minha,

seria do jeito que você acabou de ver.

Bem bonita,

com muitas flores.

RELATÓRIO

7ª Aula: Lemos o livro “Se essa rua fosse minha” onde debatemos sobre a história; Cantamos a música “Se essa rua fosse minha” com os alunos; Fizemos a interpretação da música e da história. Em seguida ensinamos algumas dobraduras com elementos do tema.

MÚSICA: “SE ESSA RUA FOSSE MINHA”

Se essa rua, se essa rua fosse minha,

Eu mandava, eu mandava ladrilhar.

Se essa rua, se essa rua fosse minha…

RELATÓRIO

8ª Aula: Fizemos um apanhado da aula anterior, orientamos a formação de grupos e a confecção de cartazes, tendo como tema a descrição da rua dos alunos, onde cada um iria colaborar com uma característica de sua rua.

Na confecção dos cartazes os alunos usaram as dobraduras da aula anterior. Em seguida fomos ao pátio do colégio onde montamos um mural para a exposição dos trabalhos.

A aula foi muito descontraída e produtiva, pois todos os alunos participaram das atividades com entusiasmo.

Desenvolvimento provável:

  • Narração da história, utilizando o álbum;
  • Comentários sobre a história;
  • Ensaio dos alunos para a dramatização.

Objetivos: Tendo em vista a boa aceitação, por parte da professora e dos alunos, quanto a realização do teatro na primeira aula, esta aula tem como objetivo prepará-los para outra encenação. E também reforçarmos o papel da escola e a sua importância.

“O COELHINHO QUE NÃO QUERIA ESTUDAR”

Narrador: Na floresta, todos os filhotes de animais iam à escola. Narrador: Todos os animaizinhos tinham ido à escola, Juquinha resolveu distrair-se e pensou:

Coelhinho: Vou a casa do tio Coelho ouvir histórias.

Narrador: Juquinha chegou a casa do tio Coelho, bateu… Tio Coelho tinha deixado um aviso na porta, mas Juquinha não sabia ler e pensou:

Coelhinho: Com certeza tio Coelho foi fazer alguma visita. Coelhinho: Estou vindo de sua casa, tio Coelho. Pois já sei, agora aprendi.

Narrador: No dia seguinte Juquinha foi à casa do senhor João de Barro conversar um pouco. Coelhinho: Agora, já sei ler avisos. Coelhinho: Já sei, não devo chegar perto da caixa, ela foi pintada de novo, aquele papel diz: tinta fresca. Vou passar bem longe.

Narrador: No dia seguinte, Juquinha notou um movimento diferente. Parecia que estava acontecendo alguma coisa fora do comum. Havia muitos animaizinhos passando na rua. Os animais estavam parando no meio da floresta. Eu vi o carteiro colocando o convite na caixa do correio de sua casa.

RELATÓRIO

9ª Aula: Narramos a história “O menino que não gostava de ir à escola” que é uma adaptação do texto “O coelhinho que não queria estudar”.

10ª AULA:

Título: “O menino que não gostava de ir à escola”

Autor: Joseane Massa Matos e Marta Maria Matos

Técnica: Álbum seriado

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula e salão nobre
  • Materiais: Livro, cópias do texto e outros objetos para a encenação

Desenvolvimento provável:

  • Ensaio dos alunos para dramatização;
  • Apresentação do teatro para outras turmas.

(História adaptada para o teatro: Versão original “O Coelhinho que não queria estudar”)


O MENINO QUE NÃO GOSTAVA DE IR À ESCOLA

Na Vila Morangueirinha, todos os meninos iam à escola.

– Carlinhos vai para escola meu filho!

– Eu não, eu vou à casa do tio João ouvir histórias.

Chegando à casa do tio João…

– Tio João…tio João. Voltando para casa, Carlinhos avista o tio.

Pois já sei, agora aprendi.

No dia seguinte Carlinhos foi à casa do senhor José, mas ele não estava.

Chegando em casa Carlinhos viu a caixa do correio aberta e dentro havia um papel.

– Mas Carlinhos, eu vi o carteiro colocando o convite na caixa do correio de sua casa.

Amanhã mesmo vou à escola, serei o primeiro a chegar.

No dia seguinte Carlinhos foi o primeiro a chegar na escola.

RELATÓRIO

10ª Aula: Começamos a aula fazendo o último ensaio da peça. Em seguida fomos ao salão nobre com os alunos, preparar o cenário. Neste dia distribuímos lembrancinhas aos alunos e a professora, que nos acolheu muito bem no decorrer do projeto.

RESUMO

Segundo Zilberman (1995), a leitura passa a ser valorizada a partir da ascensão da burguesia, nesta época a escola e a educação se desenvolveram, devido à organização da sociedade burguesa. À escola cabia transmitir os ideais da burguesia e promover a união familiar.

A literatura infantil, por muito tempo, foi vista sob um segundo plano dentro da literatura. Como coloca Coelho (2000), “a valorização da literatura infantil, como fenômeno significativo de amplo alcance na formação das mentes infantis e juvenis, bem como dentro da vida cultural das sociedades, é conquista recente”.(destaques da autora)

Para compreender as razões desse ponto de vista, precisamos voltar no tempo e resgatar a história do surgimento da literatura infantil .

A primeira função da literatura infantil foi pedagógica.

As crianças, na Idade Média, principalmente as da classe social mais pobre, participavam dos problemas da família tanto quanto um adulto.

Os contos de fadas nem sempre foram da maneira como nós os conhecemos hoje.

O conto de fadas tradicional tem sua origem na adaptação de contos folclóricos, reunidos junto à classe social oprimida na Europa feudal, a exemplo do que se conhece da coleta dos Irmãos Grimm.

A literatura infantil , sem dúvida, tem um papel importante no processo de formação da personalidade da criança.

É ao livro, à palavra escrita, que atribuímos a maior responsabilidade na formação da consciência de mundo das crianças e dos jovens. Apesar de todos os prognósticos pessimistas, e até apocalípticos, acerca do futuro do livro (ou melhor, da literatura), nesta nossa era da imagem e da comunicação instantânea, a verdade é que a palavra literária está mais viva do que nunca. (destaques das autoras)

De acordo com a autora acima citada, que coloca como uma das importantes funções atribuídas à literatura infantil, a de fazer a criança conseguir “ler o mundo”, nos deparamos com as controvérsias acerca da importância da literatura infantil.

Pudemos perceber pelo histórico da literatura infantil feito no início deste capítulo, o fato de ser vista exclusivamente como um meio de educação da criança é o principal motivo que leva a literatura infantil a um segundo plano dentro da arte literária.

Segundo a visão de Zilberman e Magalhães (1984), entretanto, a respeito da função da literatura infantil na vida da criança e do espaço que ela ocupa dentro da produção literária, apesar dessa dificuldade de aceitação, a literatura infantil ainda tem um atributo assegurado, o de auxiliar na formação da criança.

Se à literatura infantil não cabe disputar uma fatia do mercado cultural, ela ainda justifica sua existência dentro do quadro social por ocupar uma função determinada na vida infantil: orientar sua formação.

A literatura infantil (…) O saber adquirido dá-se, assim, através do domínio da realidade empírica, isso é, aquela que lhe é negada em sua atividade escolar ou doméstica, desencadeando um “alargamento da dimensão de compreensão” e a aquisição de linguagem, produto da recepção da história enquanto audição ou leitura e da decodificação da mesma (Zilberman & Magalhães, 1984:14).

Ainda segundo as autoras, para entendermos a importância da literatura infantil na formação da criança, precisamos examiná-la enquanto obra literária, ou seja, devemos analisá-la quantos aos aspectos da sua construção.

Uma mudança na literatura infantil, e principalmente nos contos de fadas, foi realizada, entretanto, quando da introdução de personagens infantis como protagonistas das histórias. De um lado, através da determinação do lugar que a fantasia desempenha na vida da criança. E, de outro, através da representação do relacionamento com os adultos, sejam pais, professores ou governantes (Zilberman & Magalhães, 1984:132).

A partir da segunda metade do século XIX, os contos de fadas passaram a introduzir crianças como protagonistas e que procuravam soluções para os seus problemas ainda na infância.

A centralização da história na criança provocou outras mudanças: a ação tornou-se contemporânea, isto é, datada, e seu desdobramento apresenta confronto entre o mundo do herói e dos adultos. A deformação repercutirá na coerência interna da narrativa, mas não provirá da ocorrência de elementos de tipo maravilhoso, o que revela a índole pseudodicotômica da contraposição verismo X fantasia.

Segundo Zilberman ( 1995 ), a Literatura Infantil passa a ser valorizada a partir da acessão da burguesia. Entre essas mudanças: estão a implantação, no Rio de Janeiro, de um setor burocrático, provocando um inchaço do funcionalismo; a expansão administrativa do Império; a interrupção do tráfico negreiro, que permitiu a utilização do dinheiro nas indústrias; a presença do Barão de Mauá, fazendo a ligação ferroviária entre a capital e Petrópolis; o crescimento do Rio de Janeiro e São Paulo, graças à economia agrícola do café; a expansão do ensino universitário e a organização do exército.

Aponta Zilberman ( 1985 ) que a própria ascensão da escola e da educação ocorreu devido à organização da burguesia. À escola cabia transmitir os ideais da burguesia e promover a união familiar.

Jurandir Freire Costa, citado por Zilberman ( 1985 ), resgata o surgimento naquele momento de uma nova valorização da infância, a exemplo do que aconteceu nos demais países da Europa. Essa visão trouxe como personagem pessoas da classe média e os valores da burguesia.

No início do século XX , os estudos da pedagogia e da psicologia começaram a chamar a atenção para a necessidade de livros especiais para cada fase da infância. O primeiro refere-se ao plano lingüístico, à espontaneidade da criança ao discurso oral, aos neologismos e às onomatopéias. O segundo da ideologia refere-se à ampla acepção de idéias que constituem a base do texto.

Com uma visão crítica do Brasil, o autor coloca o leitor a par do que ocorria no Brasil.

Ao falar de Lygia, Zilberman (1985 ) reforça o caráter emancipador da literatura infantil presente nos textos da autora, enfatizando que suas obras Angélica e A Bolsa Amarela, por exemplo, questionam o lugar da criança dentro do grupo familiar, fazendo com que ela busque sua emancipação diante dos preceitos estabelecidos pelos adultos. ( p. 109 )

Para Cademartori ( 1984 ), muitos autores do século XIX deveriam ser excluídos da literatura infantil brasileira, devido ao fato de exporem, em suas obras, práticas muito distantes da criança, ou ainda, por reforçarem idéias doutrinadoras e que em nada contribuem para o crescimento do público mirim. Nesses contos estão presentes a situação servil dos oprimidos e a emancipação do herói é efetivada através do elemento mágico. O desenvolvimento da narrativa se processa através da dinâmica: situação inicial, condição do oprimido – desenrolar da ação –interferência do elemento mágico – permissão da emancipação do herói.

Os contos tradicionais estavam ao alcance da criança burguesa, daí a indignação; ( … O conto clássico apresenta um mesmo desenvolvimento narrativo: a situação apresenta as dificuldades materiais do cotidiano do oprimido que, com o desenvolvimento da ação, é alterado pela interferência do elemento mágico, permitindo a emancipação do herói”. Na primeira, é ressaltada a importância de se contestar o autoritarismo da fada rainha, enfatizando a independência e postura crítica como fator de modificação da sociedade. O maniqueísmo também é desfeito e o texto mostra o elemento mágico como interpretação do real, indispensável para o entendimento da criança.

A adequação do texto infantil ao leitor mirim depende do interesse em lhe despertar uma identificação com as personagens, permitindo, através da leitura de mundo presente no texto, a compreensão de seu próprio pensamento.

Utiliza – se, ainda , do bom humor e do nom sense .

Caparelli consegue fazer com que suas personagens atinjam impressões da verdade existencial, sempre através da ótica infantil. Em Os Meninos da Rua da Praia, por exemplo, o autor concilia problemas ditos antagônicos por alguns autores .

Conforme vimos anteriormente, as transformações na sociedade demonstram a necessidade da construção de obras que privilegiem a emancipação do leitor.

Em Branca de Neve, conto central da coletânea dos Irmãos Grimm, ele faz uma análise enfocando a questão da vaidade como ponto chave da história.

Na história tudo começa com o nascimento da menina e a morte da mãe. Segundo Cashdan, essa característica mostra também um pouco da realidade da vida das pessoas em tempos remotos.

Paradoxalmente, a saída de cena da mãe é fortalecedora, na medida em que obriga as crianças da história a enfrentar, sozinhas, um mundo cruel e perigoso. Do contrário, o pecado da história pode ser interpretado como algo estranho à criança – como uma coisa que só a bruxa sofre (Cashdan, 2000:75).

A versão mais conhecida é a dos Irmãos Grimm, que tem um final feliz, terminando com a punição do lobo e a libertação da vovó e da menina.

Na casa da avó, que também é segura, a mesma menina se torna totalmente incapaz em conseqüência do encontro com o lobo (Bettelheim, 1980:206).

O caráter emancipador da literatura infantil que precisa ser preservado.


CONCLUSÃO

É responsabilidade do professor criar e incentivar o gosto pela leitura. Ler e manusear diariamente livros de histórias em sala de aula exercita a imaginação da criança, pois assim eles se sentem como se estivessem em contato com as próprias personagens e isso diminui muito a distância entre texto e aluno.

A psicanálise dos contos de fadas. Teatro: um instrumento pedagógico – contos de fadas.

A literatura infantil: teoria – análise – didática. O conto de fadas. O grande massacre de gatos – e outros episódios da história cultural francesa. Contos e lendas dos Irmãos Grimm – volume I. Trad.: Os contos de Grimm. O desenvolvimento da personalidade. Frei Valdemar do Amaral. Literatura infantil brasileira: história & histórias. São Paulo: Ática, 1991.

ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola.

Literatura infantil: autoritarismo e emancipação.


“O COELHINHO QUE NÃO QUERIA ESTUDAR”

Narrador: Na floresta, todos os filhotes de animais iam à escola. Narrador: Todos os animaizinhos tinham ido à escola, Juquinha resolveu distrair-se e pensou:

Coelhinho: Vou a casa do tio Coelho ouvir histórias.

Narrador: Juquinha chegou a casa do tio Coelho, bateu… Tio Coelho tinha deixado um aviso na porta, mas Juquinha não sabia ler e pensou:

Coelhinho: Com certeza tio Coelho foi fazer alguma visita. Coelhinho: Estou vindo de sua casa, tio Coelho. Pois já sei, agora aprendi.

Narrador: No dia seguinte Juquinha foi à casa do senhor João de Barro conversar um pouco. Coelhinho: Agora, já sei ler avisos. Coelhinho: Já sei, não devo chegar perto da caixa, ela foi pintada de novo, aquele papel diz: tinta fresca. Vou passar bem longe.

Narrador: No dia seguinte, Juquinha notou um movimento diferente. Parecia que estava acontecendo alguma coisa fora do comum. Havia muitos animaizinhos passando na rua. Os animais estavam parando no meio da floresta. Eu vi o carteiro colocando o convite na caixa do correio de sua casa.

RELATÓRIO

9ª Aula: Narramos a história “O menino que não gostava de ir à escola” que é uma adaptação do texto “O coelhinho que não queria estudar”.

10ª AULA:

Título: “O menino que não gostava de ir à escola”

Autor: Joseane Massa Matos e Marta Maria Matos

Técnica: Álbum seriado

Recursos:

  • Humanos: Estagiárias e alunos
  • Físicos: Sala de aula e salão nobre
  • Materiais: Livro, cópias do texto e outros objetos para a encenação

Desenvolvimento provável:

  • Ensaio dos alunos para dramatização;
  • Apresentação do teatro para outras turmas.

(História adaptada para o teatro: Versão original “O Coelhinho que não queria estudar”)


O MENINO QUE NÃO GOSTAVA DE IR À ESCOLA

Na Vila Morangueirinha, todos os meninos iam à escola.

– Carlinhos vai para escola meu filho!

– Eu não, eu vou à casa do tio João ouvir histórias.

Chegando à casa do tio João…

– Tio João…tio João. Voltando para casa, Carlinhos avista o tio.

Pois já sei, agora aprendi.

No dia seguinte Carlinhos foi à casa do senhor José, mas ele não estava.

Chegando em casa Carlinhos viu a caixa do correio aberta e dentro havia um papel.

– Mas Carlinhos, eu vi o carteiro colocando o convite na caixa do correio de sua casa.

Amanhã mesmo vou à escola, serei o primeiro a chegar.

No dia seguinte Carlinhos foi o primeiro a chegar na escola.

RELATÓRIO

10ª Aula: Começamos a aula fazendo o último ensaio da peça. Em seguida fomos ao salão nobre com os alunos, preparar o cenário. Neste dia distribuímos lembrancinhas aos alunos e a professora, que nos acolheu muito bem no decorrer do projeto.

RESUMO

Segundo Zilberman (1995), a leitura passa a ser valorizada a partir da ascensão da burguesia, nesta época a escola e a educação se desenvolveram, devido à organização da sociedade burguesa. À escola cabia transmitir os ideais da burguesia e promover a união familiar.

A literatura infantil, por muito tempo, foi vista sob um segundo plano dentro da literatura. Como coloca Coelho (2000), “a valorização da literatura infantil, como fenômeno significativo de amplo alcance na formação das mentes infantis e juvenis, bem como dentro da vida cultural das sociedades, é conquista recente”.(destaques da autora)

Para compreender as razões desse ponto de vista, precisamos voltar no tempo e resgatar a história do surgimento da literatura infantil .

A primeira função da literatura infantil foi pedagógica.

As crianças, na Idade Média, principalmente as da classe social mais pobre, participavam dos problemas da família tanto quanto um adulto.

Os contos de fadas nem sempre foram da maneira como nós os conhecemos hoje.

O conto de fadas tradicional tem sua origem na adaptação de contos folclóricos, reunidos junto à classe social oprimida na Europa feudal, a exemplo do que se conhece da coleta dos Irmãos Grimm.

A literatura infantil , sem dúvida, tem um papel importante no processo de formação da personalidade da criança.

É ao livro, à palavra escrita, que atribuímos a maior responsabilidade na formação da consciência de mundo das crianças e dos jovens. Apesar de todos os prognósticos pessimistas, e até apocalípticos, acerca do futuro do livro (ou melhor, da literatura), nesta nossa era da imagem e da comunicação instantânea, a verdade é que a palavra literária está mais viva do que nunca. (destaques das autoras)

De acordo com a autora acima citada, que coloca como uma das importantes funções atribuídas à literatura infantil, a de fazer a criança conseguir “ler o mundo”, nos deparamos com as controvérsias acerca da importância da literatura infantil.

Pudemos perceber pelo histórico da literatura infantil feito no início deste capítulo, o fato de ser vista exclusivamente como um meio de educação da criança é o principal motivo que leva a literatura infantil a um segundo plano dentro da arte literária.

Segundo a visão de Zilberman e Magalhães (1984), entretanto, a respeito da função da literatura infantil na vida da criança e do espaço que ela ocupa dentro da produção literária, apesar dessa dificuldade de aceitação, a literatura infantil ainda tem um atributo assegurado, o de auxiliar na formação da criança.

Se à literatura infantil não cabe disputar uma fatia do mercado cultural, ela ainda justifica sua existência dentro do quadro social por ocupar uma função determinada na vida infantil: orientar sua formação.

A literatura infantil (…) O saber adquirido dá-se, assim, através do domínio da realidade empírica, isso é, aquela que lhe é negada em sua atividade escolar ou doméstica, desencadeando um “alargamento da dimensão de compreensão” e a aquisição de linguagem, produto da recepção da história enquanto audição ou leitura e da decodificação da mesma (Zilberman & Magalhães, 1984:14).

Ainda segundo as autoras, para entendermos a importância da literatura infantil na formação da criança, precisamos examiná-la enquanto obra literária, ou seja, devemos analisá-la quantos aos aspectos da sua construção.

Uma mudança na literatura infantil, e principalmente nos contos de fadas, foi realizada, entretanto, quando da introdução de personagens infantis como protagonistas das histórias. De um lado, através da determinação do lugar que a fantasia desempenha na vida da criança. E, de outro, através da representação do relacionamento com os adultos, sejam pais, professores ou governantes (Zilberman & Magalhães, 1984:132).

A partir da segunda metade do século XIX, os contos de fadas passaram a introduzir crianças como protagonistas e que procuravam soluções para os seus problemas ainda na infância.

A centralização da história na criança provocou outras mudanças: a ação tornou-se contemporânea, isto é, datada, e seu desdobramento apresenta confronto entre o mundo do herói e dos adultos. A deformação repercutirá na coerência interna da narrativa, mas não provirá da ocorrência de elementos de tipo maravilhoso, o que revela a índole pseudodicotômica da contraposição verismo X fantasia.

Segundo Zilberman ( 1995 ), a Literatura Infantil passa a ser valorizada a partir da acessão da burguesia. Entre essas mudanças: estão a implantação, no Rio de Janeiro, de um setor burocrático, provocando um inchaço do funcionalismo; a expansão administrativa do Império; a interrupção do tráfico negreiro, que permitiu a utilização do dinheiro nas indústrias; a presença do Barão de Mauá, fazendo a ligação ferroviária entre a capital e Petrópolis; o crescimento do Rio de Janeiro e São Paulo, graças à economia agrícola do café; a expansão do ensino universitário e a organização do exército.

Aponta Zilberman ( 1985 ) que a própria ascensão da escola e da educação ocorreu devido à organização da burguesia. À escola cabia transmitir os ideais da burguesia e promover a união familiar.

Jurandir Freire Costa, citado por Zilberman ( 1985 ), resgata o surgimento naquele momento de uma nova valorização da infância, a exemplo do que aconteceu nos demais países da Europa. Essa visão trouxe como personagem pessoas da classe média e os valores da burguesia.

No início do século XX , os estudos da pedagogia e da psicologia começaram a chamar a atenção para a necessidade de livros especiais para cada fase da infância. O primeiro refere-se ao plano lingüístico, à espontaneidade da criança ao discurso oral, aos neologismos e às onomatopéias. O segundo da ideologia refere-se à ampla acepção de idéias que constituem a base do texto.

Com uma visão crítica do Brasil, o autor coloca o leitor a par do que ocorria no Brasil.

Ao falar de Lygia, Zilberman (1985 ) reforça o caráter emancipador da literatura infantil presente nos textos da autora, enfatizando que suas obras Angélica e A Bolsa Amarela, por exemplo, questionam o lugar da criança dentro do grupo familiar, fazendo com que ela busque sua emancipação diante dos preceitos estabelecidos pelos adultos. ( p. 109 )

Para Cademartori ( 1984 ), muitos autores do século XIX deveriam ser excluídos da literatura infantil brasileira, devido ao fato de exporem, em suas obras, práticas muito distantes da criança, ou ainda, por reforçarem idéias doutrinadoras e que em nada contribuem para o crescimento do público mirim. Nesses contos estão presentes a situação servil dos oprimidos e a emancipação do herói é efetivada através do elemento mágico. O desenvolvimento da narrativa se processa através da dinâmica: situação inicial, condição do oprimido – desenrolar da ação –interferência do elemento mágico – permissão da emancipação do herói.

Os contos tradicionais estavam ao alcance da criança burguesa, daí a indignação; ( … O conto clássico apresenta um mesmo desenvolvimento narrativo: a situação apresenta as dificuldades materiais do cotidiano do oprimido que, com o desenvolvimento da ação, é alterado pela interferência do elemento mágico, permitindo a emancipação do herói”. Na primeira, é ressaltada a importância de se contestar o autoritarismo da fada rainha, enfatizando a independência e postura crítica como fator de modificação da sociedade. O maniqueísmo também é desfeito e o texto mostra o elemento mágico como interpretação do real, indispensável para o entendimento da criança.

A adequação do texto infantil ao leitor mirim depende do interesse em lhe despertar uma identificação com as personagens, permitindo, através da leitura de mundo presente no texto, a compreensão de seu próprio pensamento.

Utiliza – se, ainda , do bom humor e do nom sense .

Caparelli consegue fazer com que suas personagens atinjam impressões da verdade existencial, sempre através da ótica infantil. Em Os Meninos da Rua da Praia, por exemplo, o autor concilia problemas ditos antagônicos por alguns autores .

Conforme vimos anteriormente, as transformações na sociedade demonstram a necessidade da construção de obras que privilegiem a emancipação do leitor.

Em Branca de Neve, conto central da coletânea dos Irmãos Grimm, ele faz uma análise enfocando a questão da vaidade como ponto chave da história.

Na história tudo começa com o nascimento da menina e a morte da mãe. Segundo Cashdan, essa característica mostra também um pouco da realidade da vida das pessoas em tempos remotos.

Paradoxalmente, a saída de cena da mãe é fortalecedora, na medida em que obriga as crianças da história a enfrentar, sozinhas, um mundo cruel e perigoso. Do contrário, o pecado da história pode ser interpretado como algo estranho à criança – como uma coisa que só a bruxa sofre (Cashdan, 2000:75).

A versão mais conhecida é a dos Irmãos Grimm, que tem um final feliz, terminando com a punição do lobo e a libertação da vovó e da menina.

Na casa da avó, que também é segura, a mesma menina se torna totalmente incapaz em conseqüência do encontro com o lobo (Bettelheim, 1980:206).

O caráter emancipador da literatura infantil que precisa ser preservado.


CONCLUSÃO

É responsabilidade do professor criar e incentivar o gosto pela leitura. Ler e manusear diariamente livros de histórias em sala de aula exercita a imaginação da criança, pois assim eles se sentem como se estivessem em contato com as próprias personagens e isso diminui muito a distância entre texto e aluno.

A psicanálise dos contos de fadas. Teatro: um instrumento pedagógico – contos de fadas.

A literatura infantil: teoria – análise – didática. O conto de fadas. O grande massacre de gatos – e outros episódios da história cultural francesa. Contos e lendas dos Irmãos Grimm – volume I. Trad.: Os contos de Grimm. O desenvolvimento da personalidade. Frei Valdemar do Amaral. Literatura infantil brasileira: história & histórias. São Paulo: Ática, 1991.

ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola.

Literatura infantil: autoritarismo e emancipação.

Autor: Gislaine Refundini

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