Homens de siso

Esta crônica fala sobre a tragédia de Brumadinho / MG.
Que Deus conforte o coração das famílias.

Não conheci o tal verde,
nem de foto nem de fita. 
Ninguém resolveu mostrar. 
Só posso me lamentar. Agora, sim, eu conheço, de lama, uma parede.

Uma história sem contar, de frente, de cima, de lado.  
Agora todos conhecem.           
Barragem de “barro” atolado. 

Quem foi campos, flores, montanhas, parece até ironia, 
A lama de morro “abaixo”, Barragem de barro, hoje em dia.

Personagens desse mistério,      
homens, sonhos, vida, não voltarão.       
A natureza sepulta seus mortos,                  
Querendo famílias ou não.

Na fúria de Brumadinho,           
Se ouviu sirene, apito, tambor?      
Ou foi calma e traiçoeira,             
Ou violenta e com terror?

Gente, bichos, flores, certamente nascerão                 
Adubados pelo barro, soterrado.    
E certamente, cada raiz desse povo,                 
Será como um campo minado.

E, chegarão mais minas,               
mais meninos,              
Mais meninas,               
Mais mineiros           
Mais minérios.           

E, nada de homens  sérios e de siso                  
Para cuidar que tragédias não aconteçam sem aviso.

Autora: Áurea Mendonça Coelho Gonçalves

1 comentário em “Homens de siso”

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