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A ESCOLHA PROFISSIONAL

 

A escolha de uma profissão é o resultado de um longo processo que envolve, principalmente, um compromisso com o autoconhecimento. As profissões precisam ser pesquisadas e conhecidas, mas o essencial é nossa relação com elas – em que medida nos identificamos com as atividades, com os tipos de benefícios que prestam e como se relacionam com nossas necessidades e valores. Portanto, é importante refletirmos sobre o que queremos realizar de nossas vidas e como podemos contribuir , no contexto social, com o nosso trabalho.

Podemos desejar uma resposta mágica, que alguém de fora ou um teste vocacional nos diga o que fazer, mas a decisão só é valida quando a construímos por nós mesmos.

Muitos fatores podem dificultar esse processo.

Podemos ser tentados a escolher rápida e superficialmente para sairmos logo da angústia da dúvida e das pressões internas e externas.,temer que nossa opção implique em deixar todas as outras possibilidades.

A questão profissional coloca o jovem frente ao mundo adulto, e é difícil assumir as responsabilidades desse mundo, ao mesmo tempo em que querem fazer parte dele. Muitas vezes as profissões representam idealizações de pessoas que conhecemos ou compensações e reparações ( como por ex., fazer psicologia para resolver problemas pessoais), que influenciam nossa escolha, muitas vezes sem estarmos conscientes disso.

O Adolescente percebe as expectativas que os outros têm em relação a eles, em que medida querem que os satisfaçam e não  os decepcionem ou até realizar os projetos que não puderam cumprir.  As opções podem estar refletindo necessidades psicológicas e características pessoais atuais, portanto, é importante tentar visualizar-se no futuro em diferentes situações de vida e ter consciência de que algumas necessidades e interesses podem ser satisfeitos de outras maneiras além do trabalho.

Assim, é fundamental estar atento ao grande número de fatores que estão influenciando a escolha profissional. É muito comum focalizar a atenção na opção do curso a ser seguido, geralmente usando como referência as matérias escolares que temos mais facilidade e que mais gostamos. É claro que a análise dos interesses escolares é importante, mas é apenas um dos fatores a serem considerados. Não estamos apenas pensando no que vamos estudar e no que vamos fazer, mas também em quem vamos ser, o que envolve nossos sonhos, ideais e valores. Todas nossas vivências participam desse processo e precisamos observar, estabelecer relações e analisar a evolução de nossos interesses no tempo.

Ao estabelecermos relações entre nossas áreas de interesse e as profissões, partimos para conhecê-las mais objetivamente, não só através de leituras de material especializado e da participação em fóruns de informação, feiras e outros eventos, como entrevistando profissionais, visitando ambientes de trabalho e universidades. O mundo profissional muda constantemente com o surgimento de novas carreiras, especializações e campos de trabalho. Portanto, a escolha da faculdade é vista como uma base sobre a qual a carreira se edificará, um dos possíveis caminhos que levará à profissão desejada e não algo que se fecha sobre si mesma.

 Escolha Profissional

É muito comum que, no momento da escolha, ainda hajam dúvidas que permanecem por falta de informações a respeito de cada profissão, pela incerteza da pessoa que escolhe em saber em que profissão ela seria mais eficaz, ou muitas outras indefinições que podem ter motivos diversos. Mesmo quando já se tem idéia de algumas profissões de interesse, a dúvida pode persistir até porque escolher uma coisa significa abrir mão de outra, o que sempre gera conflito.

A urgência de uma decisão faz com que muitas pessoas procurem livros de auto-ajuda ou testes vocacionais que prometem a resolução deste problema da indefinição. Seria confortável se estes recursos resolvessem alguma coisa, mas a verdade é que as falhas destes métodos são cada vez maiores e evidentes e podem contribuir para confundir ainda mais quem já tem dúvidas suficientes. Além de tudo isto a escolha é uma coisa muito pessoal e deve ser feita pela própria pessoa – nenhum instrumento ou pessoa pode tomar a decisão pelo outro.

O ser humano nasce com vocação de aprender tudo que lhe é ensinado. Ninguém nasce com uma vocação profissional. Muitas coisas na vida de cada pessoa contribuem para que sejam desenvolvidas habilidades diferentes em cada um, e estas habilidades facilitam o exercício de algumas profissões.

Na verdade, a única forma de obter ajuda é procurando o máximo de informações possível a respeito de quantas profissões puder e fazendo exercícios de auto-conhecimento para que a escolha possa ser a mais adequada possível.

O ideal seria experimentar cada profissão para que a escolha fosse feita com a mais absoluta certeza mas esta é uma coisa impossível de ser feita, afinal são milhares de ocupações diferentes. Esta impossibilidade faz com que a escolha seja sempre de risco; os cuidados podem ser tomados para evitar ao máximo a possibilidade de frustração, mas nada garante que tudo seja um sucesso.

Uma escolha equivocada não significa um desastre na vida de quem a escolheu. É muito comum que os jovens se sintam absolutamente pressionados, porque a sociedade carrega a escolha profissional de características que determinam o resto da vida de uma pessoa. Na verdade é comum que pessoas mudem de curso ou até que transformem sua prática profissional em algo de que realmente gostam. Uma escolha equivocada não é o fim para ninguém.

A escolha de uma profissão sempre está sujeita a provocar algum tipo de frustração. O ser humano passa por diferentes etapas em sua vida e é muito comum que mude de gosto e de interesse. Uma pessoa pode ter se dado muito bem com a profissão que escolheu até determinado período da vida e depois mudar totalmente de interesse. Pode acontecer com estudantes que, durante o curso, sentem-se absolutamente satisfeitos e que depois de formados descobrem outras coisas mais interessantes.

Até mesmo o mercado de trabalho atual exige muita flexibilidade dos profissionais, porque com o avanço tecnológico as necessidades de hoje podem se transformar completamente em muito pouco tempo.

Numa escolha profissional, além das profissões e das características do mercado, características pessoais também devem ser consideradas. Ninguém vive isolado do mundo e as influências são inevitáveis.

É muito importante que cada pessoa analise todos os seus valores, estabeleça o que considera importante para não realizar uma escolha que destoe do seu jeito de ser. Algumas pessoas escolhem uma profissão por causa do status que ela proporciona, ou porque dá mais possibilidades de uma boa posição financeira, ou ainda porque contribui com o social. Muitos outros aspectos como televisão, moda, amigos, família, namorado, namorada, alguém de quem se gosta muito, também influenciam as escolhas e mesmo que, até este momento, estas influências tenham sido negadas, é importante pensar muito bem no grau de importância que cada uma destas coisas pode ter e de que maneira elas podem estar influenciando.

Não é ruim que hajam influências, mas é fundamental identificá-las para que cada um possa fazer seu próprio julgamento a respeito de cada uma delas. Os preconceitos sociais também são determinantes e devem ser descobertos. Estes preconceitos dizem respeito a profissões consideradas para homens e outras para mulheres, vocações naturais, inferioridade de uma profissão em relação a outras e outros aspectos que podem ser descartados através da busca de informações precisas.

 A ESCOLHA PROFISSIONAL

O adolescente está vivenciando um período de transição do mundo infantil para o adulto, o que proporciona um sentimento de medo e insegurança ao escolher uma profissão. A escolha de um curso universitário é, para o jovem, uma decisão importante, onde ele se depara com a liberdade e a autonomia para fazer o seu futuro. É um momento de impasse, dúvida e insegurança, sentimentos bastante presentes no seu cotidiano. A todo instante o jovem necessita tomar decisões, tendo sempre que abdicar de algo. Há um intenso questionamento neste período. Valores familiares, as questões políticas, sociais, ecológicas são revistas e questionadas. É o período de reação ao que está estabelecido. Muitas vezes, a família e a escola não sabem como agir neste momento da vida do adolescente e podem perder a chance de estarem junto ao jovem e facilitar o processo de crescimento pessoal.

Escolher é, na verdade, um processo difícil, requer uma decisão segura do sujeito, num determinado momento, sofrendo as influências externas – sociais, familiares… – e internas – psicológicas, emocionais. Facilitar o processo de escolha profissional é, em primeiro lugar, compreender o que se passa com o jovem neste período. Compreender que outras questões estão em jogo – não só a escolha profissional – e auxiliar no entendimento deste momento específico da vida que envolve aspectos pessoais, sociais e familiares.

Grande parte das escolhas que fazemos estão relacionadas com nossa história de vida, nossa personalidade, nosso meio social e nossa cultura, mostrando que para escolher é preciso, primeiro, autoconhecimento. É importante lembrar que, nós psicólogos, bem como pais e professores, não sabemos qual é o melhor caminho, nós podemos, sim, passar nossa experiência de escolha e mostrar como foi o caminho que fizemos. Escolher uma profissão é ter este autoconhecimento, é descobrir o que gostamos de fazer, nossos desejos e ambições e nossas limitações. É preciso conhecer também, a profissão desejada, o campo de atuação profissional, procurar conhecer o mercado de trabalho, a universidade e o futuro desta profissão.

Deste modo então, torna-se emergente que possamos auxiliar o jovem neste processo de escolha profissional, dando-lhe subsídios para facilitar seu autoconhecimento, ou sejam propiciando momentos que facilitem, para o jovem, a demonstração de seus interesses, seus valores, descobrindo sua própria personalidade. Desta forma estaremos contribuindo para que a escola não seja apenas um meio de formação educacional, mas sim, parte importante na formação de seres humanos melhores e mais inteiros. Os professores e professoras de ensino, que convivem muito de perto com estas inquietações, podem e devem ser facilitadores deste processo, proporcionando os adolescentes momentos de debate sobre escolha profissional. Apresentar a sua escolha e a sua trajetória profissional e abrir espaço para que profissionais de diferentes áreas venham falar sobre sua experiência profissional tem se mostrado uma boa estratégia de abordagem só assunto em sala de aula. Sempre que sentir necessidade, recorrer a um serviço especializado, voltado para facilitar e acompanhar o processo de escolha profissional, levando para a escola, palestras sobre escolha e/ou encaminhando alunos para um trabalho individual ou grupal de facilitação da escolha profissional.

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