A EDUCAÇÃO COMEÇA EM CASA E A VIOLÊNCIA TAMBÉM

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Associamos a palavra “violência” aos episódios graves que temos presenciado no país e no mundo. Mas existe outro tipo de violência mais sutil, às vezes mais danosa e perigosa, que está presente no dia-a-dia de muitas famílias. A violência se manifesta também no lar e, mais precisamente, no modo como as pessoas desse ambiente familiar se relacionam e estabelecem seus vínculos.

As pessoas quando se relacionam, são capazes de gerar um grau de tensão em função de seus conflitos, frustrações e insatisfações, a ponto de promover gestos e situações violentas na conveniência. A violência existente num vínculo conjugal nos chama também a atenção devido aos casos de tortura mental, psicológica, sexual, física, financeira e da expressão dos afetos de forma agressiva e deturpada, estabelecida entre parâmetros de poder e força, como se houvesse a necessidade das figuras do superior e do inferior, do forte e do fraco.

Admitir que a violência começa em casa é considerar que os relacionamentos familiares são capazes não de só de influenciar a personalidade de alguém, como também de estabelecer um modo de se relacionar próprio desse vínculo, que pode vir a ser produtivo e rico, mas também pouco gratificante. A qualidade dos vínculos entre os familiares é de extrema importância para que uma pessoa adquira pleno equilíbrio de suas emoções e atitudes e pleno desenvolvimento de suas habilidades.

A violência oprime, instiga o medo, promove o abandono, tortura psicologicamente, controla a liberdade do comportamento e conduta. E tudo isso vem acontecendo dentro de casa… Ser mau educado não deixa de ser violência!

Porque, afinal, o fenômeno da violência nos assusta tanto se em nossa própria casa promovemos tensões suficientes para gerar um clima de hostilidade? Temos medo nas ruas, mas em casa controlamos, exigimos, odiamos, maltratamos, negligenciamos os filhos e o parceiro. Enfim, o fenômeno da violência nas ruas pode ser um reflexo do que vem ocorrendo no próprio seio familiar?

Muita coisa no lar deixou de ser suprida, e não estamos falando de bens materiais. O lar, que seria o local para a construção da matriz da família – favorecendo o desenvolvimento psicológico, emocional e social entre os membros – deixou de ser, para muitos, o ninho que deveria promover acolhimento, aconchego, conforto, confiança e afeto. É muitas vezes, nesse contexto familiar que o casal está inserido, construindo um padrão de relacionamento baseado na ameaça, na desqualificação, no ciúme, na competição, na traição: não há espaço para aceitar o outro como ele é. E essa intolerância torna-se uma dificuldade de entrosamento, pois não se respeitam as diferenças individuais, rejeitando-se e anulando-se. O lar se torna uma espécie de foro de julgamento quando algo não está bem. Quando se exige das pessoas que comportem como se estivesse numa empresa, é sinal de preocupação, pois uma empresa não é uma família. Algo está faltando e pessoas estão deixando de fazer o que deveria ser feito.

A violência pode ser física; com danos aparentes e conseqüências psicológicas para o desenvolvimento da história de vida do indivíduo e; emocional ou psicológica: com danos não aparentes, mas implícitos e subjetivos. Esse “tipo” de recurso, muitas vezes em nome do zelo e da preocupação com a formação moral, esconde autoritarismo, frustração e desamor. E resulta em feridas emocionais cujos efeitos costumam ser a baixa auto-estima e relacionamentos futuros inadequados.

Expressões de violência:

  1. Controles financeiros: servem para manipular o outro conforme seus próprios interesses. A relação é deturpada e posta como expressão de poder e controle.
  2. Críticas constantes: a crítica, seja ela de qualquer natureza, desqualifica o outro diante de si mesmo ou das demais pessoas. Coloca o outro em posição de desigualdade, ferindo e determinado-lhe a situação de inferioridade.
  3. Excesso de lógica e racionalidade: é uma forma de garantir a distância na relação evitando contato mais próximo. Há uma tentativa de enquadrar o outro e a si mesmo e ambos serão escravos dessa vigilância constante. Resulta na falta de liberdade, espontaneidade, criatividade, cerceando iniciativas. A lógica excessiva rechaça as emoções, sensações, desejos e sentimentos.
  4. Pouca afetividade: representa a baixa expressão de afetos.
  5. Jogos mentais: São torturas psicológicas, é como ter que responder a determinadas perguntas com uma expectativa e previsão de resposta. Fazem parte das chantagens emocionais e dos diversos tipos de controle.
  6. Jogos sexuais: é a manipulação através das práticas sexuais, uso do sexo como punição, forçar o parceiro(a) quando este (a) recusa também se caracteriza como violência.
  7. Disputa pelo poder: as brigas ocorrem para definir por quem manda, quem decide, quem dá a última palavra. A relação baseia-se na diferença, mantidas muitas vezes por interesses emocionais, deturpados e mal resolvidos.
  8. Agressividade e maus-tratos: brutalidade na interação com as pessoas. Incluem: falta de educação, grosserias, maneira ríspida de falar e tocar. Bater com a mão ou outro objeto, esbravejar, gritar, enxotar alguém.
  9. Negligência: displicência, descaso, abandono, falta de atenção, desamor, falta de apoio. Essas condutas favorecem a desconfiança e inseguranças afetivas. A negligência afetiva consiste numa falta de responsabilidade, de calor humano, de interesse pelas necessidades e manifestações do outro.
  10. Ambiguidade constante na comunicação ou dupla mensagem: deixa dúvida sobre o real sentimento que se tem para com o outro. Favorece a desconfiança, a dúvida e insegurança.
  11. Social: relações de poder revelam desigualdade social como: crianças são consideradas inferiores aos adultos, mulheres são socialmente inferiores aos homens, negros socialmente inferiores aos brancos, etc.

Fragmentos do livro: Quem grita perde a razãoa educação começa em casa e a violência também. Ricotta, Luíza. 2 ed. Editora Agora.

Fonte: http://psicologiaeeducacao.wordpress.com

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