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DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: UM DESAFIO PARA O EDUCADOR

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Indagar, questionar, problematizar… São palavras sempre presentes na vida        do educador. Estamos sempre indagando e questionando sobre as coisas que        acontecem no cotidiano escolar. E, na Escola Pública, muitas dessas indagações        parecem que ficam no ar: Por que o aluno não aprende apesar de todo esforço        do professor? Como explicar o fracasso escolar? Como ajudar aquele aluno        que já repetiu a 1ª série várias vezes e ainda não aprendeu a ler?

Se por um lado temos alunos e suas possíveis dificuldades, por outro temos        um contexto escolar que precisa ser alterado, ou seja, a escola precisa        oferecer uma proposta mais estimulante para que a aprendizagem aconteça,        favorecendo o avanço desses alunos.

Mas, como transformar esses alunos ditos fracassados em alunos motivados,        ativos, produtivos, com um bom rendimento escolar? É um desafio para a escola        e de modo especial para os educadores.

O aluno precisa ver sentido no que aprende na escola. Os conteúdos devem        fazer parte da sua vivência, do seu cotidiano, da sua realidade. Deve haver        uma ligação entre o que a escola “dita” e a realidade do aluno, caso contrário        não terá significado algum.

Segundo Paulo Freire (1990, p.8) “aprender a ler e escrever é, antes de        mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa        manipulação mecânica de palavras mas numa relação dinâmica que vincula linguagem        e realidade.

Como uma criança pode ser alfabetizada num contexto escolar que exclui        a realidade que ela vive? Da mesma forma: como aprender a matemática da        escola sem que ela seja contextualizada, de modo que faça sentido para o        aluno ou que ele entenda que é a mesma matemática que ele usa no seu cotidiano?

Terezinha Carraher, no seu livro “Na vida dez, na escola zero”(2001), destaca        que, muitas vezes, os alunos não aprendem matemática na escola mas usam        a matemática no seu dia-a-dia com sucesso. O livro analisa situações em        que feirantes, cambistas, mestres-de-obras, entre outros, que pouco ou nunca        freqüentaram a escola, conseguem desenvolver estratégias que os ajudem a        resolver problemas matemáticos. Daí vem a conclusão de que existe um contraste        entre a matemática de rua e a da escola, cabendo ao professor aproximar        as duas, ou seja, sistematizar seus conteúdos de forma que o aluno compreenda,        que ele perceba que a matemática não é um “bicho de sete cabeças”, mas faz        parte do seu cotidiano, deixando de ser memorização de coisas sem sentido.

Não só na matemática mas em todas as outras disciplinas, o professor deve        está preocupado em oferecer condições para que o aluno possa fazer um paralelo        entre o que está aprendendo e a sua realidade e tal qual Rubem Alves(1981,        p.89), desejar “criar condições para que cada indivíduo atualize todas as        suas potencialidades”. E nosso aluno da Escola Pública tem um potencial        muito grande. O que está faltando é que o educador acredite nas possibilidades        de avanço desse aluno, estimulando, desenvolvendo o espírito de persistência,        os sentimentos de confiança e auto-estima, respeitando as diferenças individuais        de cada aluno, oferecendo ferramentas para que o aluno possa ampliar sua        visão do mundo e, conseqüentemente, possa participar da vida social e da        construção de uma realidade que garanta uma melhoria de vida. Que desafio!        E que responsabilidade a de fazer diferença na história de vida dos alunos.

Segundo Cláudia Davis(1991), no ambiente escolar a criança sofre uma transformação        radical em sua forma de pensar. Antes de chegar à escola, os conhecimentos        são assimilados de modo espontâneo, a partir da experiência direta da criança.        Quando ela chega à escola, existe uma intenção prévia de organizar situações        que propiciem o aprimoramento dos processos de pensamento e da própria capacidade        de aprender. O papel do educador nesse processo é fundamental. Por isso        é importante que ele conheça as teorias de aprendizagem e tenha uma posição        clara e definida sobre sua prática pedagógica. No dia-a-dia de sala de aula        ele planeja, direciona e avalia a sua ação. Comete alguns erros, reflete        sobre eles e enfrenta a possibilidade de corrigi-los. E ao longo desse processo        não só o aluno aprende e avança mas o próprio professor tem a oportunidade        de melhorar sua prática pedagógica.

Não existem fórmulas prontas para vencermos as dificuldades de aprendizagem        dos nossos alunos. Até porque essas dificuldades muitas vezes são um sintoma        de que algo não vai bem e é tarefa do educador identificar o que não vai        bem e ajudar o aluno a superar o problema. Mas, quando o educador pára no        tempo, não se prepara, não busca uma melhor formação, quando ano após ano        usa o mesmo planejamento para todas as suas turmas, não se envolve com o        aluno e só se preocupa em “jogar” os conteúdos da sua disciplina, ele está        empurrando seus alunos para o fracasso escolar. Mesmo o educador mais experiente        precisa planejar e avaliar constantemente o seu trabalho, mas acima de tudo,        ele deve ter consciência do seu papel, da sua importância como formador        de opiniões e que seu trabalho não é somente um “ganha pão”, mas é uma verdadeira        vocação. E ele estará no caminho para descobrir suas próprias estratégias        para vencer as dificuldades de aprendizagem de seus alunos. Mas quando todas        as estratégias falham, ele pode contar com o apoio do psicopedagogo que        vai investigar as causas dessas dificuldades e trabalhar com o aluno com        o objetivo de vencê-las.

Referências bibliográficas:

  • FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo, Ed. Cortez, 1990.
  • ALVES, Rubem. Conversas com quem gosta de ensinar. São Paulo. Ed. Cortez,          1981.
  • CARRAHER, Terezinha. Na vida dez, na escola zero. São Paulo. Ed. Cortez,          2001.
  • DAVIS, Cláudia. Psicologia na Educação. São Paulo, Ed. Cortez, 1991.

* Arleide Santana Vieira é aluna        do Curso de Especialização em Psicopedagogia da Universidade Salgado de        Oliveira, Recife/PE.

Autor: Arleide Santana Vieira

 

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