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DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

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Dificuldades de Aprendizagem


Nascemos com uma tendência nata para a aprendizagem, iniciamos nosso processo de aprendizagem bem cedo, aprendemos mamar, falar, pensar e muitas outras coisas. Por volta de três anos já somos seres curiosos, capazes de construir as primeiras hipóteses.

A aprendizagem é a construção do conhecimento são processos naturais e espontâneos na nossa espécie e se certamente não estão ocorrendo, é porque existe uma razão, pois uma lei da natureza está sendo contrariada.

A aprendizagem escolar deve ser natural, espontânea e até mesmo prazerosa.

Os problemas de aprendizagem referem-se a duas situações: a criança normal e a criança com desvio do quadro normal.

Segundo J. Paz podemos considerar o problema de aprendizagem como um sintoma, não aprender não é um quadro permanente, mas uma constelação de comportamentos, dos quais podemos destacar como sinal de descompensação.

Dificuldade de aprendizagem é um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de desordens, manifestadas por dificuldades na aquisição e no uso da audição, da fala, da leitura, da escrita, do raciocínio ou das habilidades matemáticas. Segundo Terezinha Nunes (2000), problemas de controle de comportamento, percepção e interação social podem coexistir.

“é importante não se confundir dificuldade de aprendizagem com fracasso escolar, que embora tenham semelhanças na forma de se manifestarem, pertencem a categorias diferentes”.

Existem inúmeros fatores que podem desencadear um problema ou distúrbio de aprendizagem:

  • Fatores orgânicos: saúde física deficiente, falta de integridade neurológica, alimentação inadequada.
  • Fatores psicológicos: inibição, ansiedade, angústia.
  • Fatores ambientais: educação familiar, grau de estimulação, influência dos meios.

“muitas crianças são identificadas quando não realizam o que se espera de uma programação de ensino. Seja porque ficam presas a mecanismos que tentam reproduzir sem êxito, seja porque faltam-lhes mecanismos para se expressarem.”

Correll e Schwarz relacionam as formas de dificuldades que podem ocorrer no processo de aprendizagem, de acordo com vários aspectos:

Dificuldades de aprendizagem condicionadas pela escola:

  • as condicionadas pelo professor;
  • as condicionadas pela relação professor-aluno;
  • as condicionadas pela relação entre os alunos;
  • as condicionadas pelos métodos didáticos.

Dificuldades de aprendizagem condicionadas pela situação familiar. Distúrbios de aprendizagem condicionados por características da personalidade da criança.

Dificuldades de aprendizagem condicionadas por dificuldades de educação.

As dificuldades de aprendizagem mais reconhecida, dizem respeito ao desempenho escolar e são representadas pelas dificuldades de indivíduos com inteligência normal ou acima da média, apresentam em reter ou expressar informações recebidas. São divididas em verbais e não-verbais.

As dificuldades de aprendizagem verbais são relacionadas à dificuldade para adquirir processos simbólicos de leitura, escrita e matemática. Em relação à leitura encontramos a dislexia e a hiperlexia.

A dislexia deve ser entendida como um transtorno especifico em processar as informações procedentes da linguagem escrita, embora a inteligência do individuo seja normal e o potencial de aprendizagem esteja adequado a sua idade cronológica. Segundo Nicásio Garcia (1997).

“a dislexia é definida devido à presença de um déficit no desenvolvimento do raciocínio do reconhecimento e compreensão dos textos escritos.”

A dislexia pode ser dividida em dislexia da linguagem interior, onde a função de significação não é atingida (“criança repetidora de palavras”), e dislexia auditiva, onde o que é afetado é a auditoração dos grafemas, os processos cognitivo que relaciona os grafemas às formas de dislexia visual, onde a dificuldade é a discriminação das letras: tamanhos, formas, ângulos, etc. Mas há controvérsias sobre suas causas, conforme Peter Bryant:

“as causas da dislexia ainda são controvertidas, mas já existem algumas direções claras para o atendimento das crianças com dificuldade de aprendizagem.”

Já a hiperlexia diz respeito às crianças que apresentam uma habilidade precoce para reconhecer palavras escritas embora não compreendam seu significado. Segundo Baurouski (1995) e Kupperman (1995).

“para melhor compreensão das características da criança hiperléxica, é a habilidade precoce de leitura”.

Existem ainda, a dificuldade de aprendizagem escrita, disgrafia e disortografia e a discalculia (matemática).

As dificuldades de aprendizagem não-verbais são as que a criança apresenta para autoperceber-se, perceber seu mundo e relacionar-se com outras pessoas, embora tenham inteligência normal ou superior à média e não apresentam nenhum transtorno emocional (Johnson C. Myklebust,1987).

Nowicki C Duki (1996),cunharam o termo dissemia para se referirem a este tipo de dificuldade, citando:

“dissemia: dificuldade para utilizar e entender sinais e sinalização não-verbais.”

Se há um problema na aprendizagem escolar deve-se identificar a causa, combatê-la e tratá-la com intervenção especializada.

Existe hoje uma área do conhecimento que se dedica exclusivamente ao estudo dos distúrbios da aprendizagem e com os diversos elementos envolvidos nesse processo.Essa área é conhecida como psicopedagogia e busca na psicologia, na psicanalise, na psicolingüística, na pedagogia, na neurologia e outros os conhecimentos necessários para a compreensão do processo de aprendizagem.

Ao educador cabe detectar as dificuldades que aparecem na sala de aula e investigar as causas de forma ampla, que abranja os aspectos orgânicos, neurológicos, mentais, psicológicos, adicionados às problemáticas que a criança vive. Isso facilita o encaminhamento a um dos especialistas citados acima, que têm condições de orientar este professor a lidar com o aluno.

Na educação brasileira, a proposta é dar a oportunidade de aprender tanto quanto sua capacidade permitir, no entanto, os alunos que apresentam distúrbios ou problemas de aprendizagem não conseguem acompanhar o currículo, e porque fracassam, são classificados como retardados mentais ou como alunos fracos e multirrepetentes. São crianças que precisam de um atendimento especializado e o sistema brasileiro de educação não tem lugar para essas crianças.

As escolas deveriam ter um setor de orientação educacional, psicológica e pedagógica para atender os alunos com dificuldades provocadas pela própria escola ou professores. Os professores deveriam ser orientados na adequação do programa, na elaboração de métodos a serem aplicados e na forma de atender as crianças com problemas de aprendizagem.

“a educação especial ainda é uma utopia na realidade brasileira. Somente as classes sociais mais privilegiadas conseguem educar crianças com dificuldades de aprendizagem.”

Na escola pública, o professor deve contar com seus próprios conhecimentos, e ao perceber qualquer distúrbio, solicitar ajuda da família para que juntos possam ajudar a criança a superar suas dificuldades.

Em relação à integração desses alunos podemos dizer que existem muitos preconceitos em torno desta questão que impedem a compreensão de pais e professores, quanto os benefícios que a integração escolar de deficientes pode oferecer aos alunos em geral. A crença é de que o ensino decrescerá em qualidade e que tanto os alunos normais com os deficientes serão prejudicados com essa inovação escolar.

A intenção é substituir gradativamente um ensino especializado em alguns alunos “ensino especial”, por um ensino especializado “no aluno”, em outras palavras, possibilitar a integração de alunos com déficit intelectuais em salas de aula de o ensino regular.

Temos que ter condições favoráveis à integração escolar de pessoas com DGD no ensino regular, desde a concepção dos objetivos curriculares, à avaliação de desempenho dos alunos.

Precisamos capacitar professores para solicitar o desenvolvimento dos alunos deficientes e normais em todos os seus aspectos, o professor precisa atuar pedagogicamente num modo que beneficie todos os alunos. A adesão dos pais à causa.

Os conhecimentos e as modificações introduzidas na escola tem que ser no meio, considerando as dimensões locais da atividade cognitiva individual, (aprendizagem empírica – conhecimentos pragmáticos e particularizados).

Precisam oferecer aos professores condições de compreenderem a construção da inteligência, as situações particulares de aprendizagem.

Tem-se que exigir valorização do “saber fazer”.

É necessário se ter um compromisso com o desenvolvimento global de todos alunos, sejam normais e portadores de déficits intelectuais.

Temos que abrir novos caminhos para educação escolar, estimulando a capacidade criativa dos alunos, pois são importantes para novos conhecimentos.

Os professores têm que estarem mais atentos ao funcionamento psicológico dos alunos e ao desenvolvimento intelectual.

Precisa-se modernizar os instrumentos didáticos pedagógicos. É preciso quebrar a reprodução a repetição, sensibilizar a comunidade escolar para uma integração, pois os profissionais temem os desafios da integração. Tem que fazer um redimensionamento e redefinição da clientela das instituições especializadas no sentido de se dedicarem exclusivamente aos deficientes severos e não escolarizáveis. Segundo Clarice Nunes (1996)

“a integração deveria substituir gradativamente um ensino especial especializado em alguns alunos”, por um ensino especializado no geral, em outras palavras, possibilitar a integração de alunos com déficit intelectuais em salas de aula do ensino regular.”

Em qualquer um doa problemas acima citados é necessário que haja uma profunda integração entre a escola, professores e pais para que não se generalize as dificuldades em prender que os alunos possuem e para que se tenha a orientação e cuidado para cada caso.


Bibliografia

MANTOAN, Maria Tereza Egler; NUNES, Clarice. Educação em Questão. São Paulo, 1996.

GUERRA, Leila Boni. A criança com dificuldades de aprendizagem. São Paulo, 1998.

KUPFER, Maria Cristina. Educação para o Futuro. São Paulo, 1999.

MANTOAN, Maria Tereza Egler; NUNES, Clarice. Educação em Questão. São Paulo, 1996.

JOSÉ, Elisabete da Assunção; COELHO, Maria Tereza. Problemas de Aprendizagem. São Paulo, 1998.

NUNES, Terezinha; BUARQUE, Lair; BRYANT, Peter. Dificuldades na Aprendizagem de Leitura: Teoria e Pratica. São Paulo, 2000.

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