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CRÔNICA: FLOR DE MAIO DE ABRIL SUBIU AS MONTANHAS E INSTALOU-SE COMO POSSEIRA

A valsa vienense nem foi dançada. Salgados e doces sequer foram servidos. Os longos vestidos nem chegaram aos salões e as linhas não desfilaram. Damas e cavalheiros, brothers e sisters, mamas e papas, ladys, sir, vizinhos e vizinhas nem providenciaram as becas, e a Flor já subiu a montanha para clinicar. Encontrou a pensão, fez “metiê”, “mc”, aplicou o verbo e até tomou café da manhã, com todas a iguarias que tem direito da bela cozinha imigrante: broas, milho verde, batata doce, café preto, leite direto da vaca, caffè Valdostano, panquecas à Fiorentina. Acreditem, está namorando uma “ferida causada por geladura”, certamente,  na cabeça do Frederico, o simpático velhinho da pensão, que ela descobriu sabe-se lá como. Talvez aproveitou um momento de distração do descendente de italiano que foi caminhoneiro e hoje é dono de pousada para examiná-lo à distância. Pobre dono de pensão. Será vítima de uma experiência médica, quem   sabe científica, quiçá  alquimista, tudo  em prol do  crescimento da
comunidade do jaleco branco, que com certeza responderá a tal gentil consulta, sem marcar e sem pedir: gratzie dottore, sanitario. Ah, Flor, com certeza a verei desabrochar a alguns graus abaixo de zero e dar frutos cem por um.

Autor: Aurea Mendonça Coelho Gonçalves

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