fbpx

CÓDIGOS E REPRODUÇÃO CULTURAL: BASIL BERNSTEIN

Bernstein desenvolveu uma sociologia da educação, voltada para alguns conceitos que ele considerava fundamentais, tornando assim seus conceitos mais refinados e sua teoria mais complexa e sofisticada.

Para Basil, o conhecimento educacional formal se realizava por meio de três sistemas de mensagens: o currículo, a pedagogia e a avaliação.

O currículo define o que conta como conhecimento válido, a pedagogia define o que conta como transmissão válida do conhecimento (caminho, maneira) e a avaliação são as realizações válidas do conhecimento de quem ensina e quem é ensinado (verdade).

Tinha como foco não o currículo,não se preocupando com seu conteúdo propriamente dito, embora  o mesmo estivesse implícito em várias fases de sua teoria de “códigos”.

Bernstein, não questionava porque ensinar, ou qual currículo era melhor, preocupava-se com as relações estruturais entre os diferentes tipos de conhecimento contidos no currículo, apenas preocupava-se em como estava estruturado e organizado o currículo.

Questionava como os diferentes  tipos de organização curricular se ligavam a princípios diferentes de poder e controle.Nos seus ensaios, Bernstein reconhece que existem dois tipos de organização estrutural de currículo: currículo tipo coleção e o integrado.

No currículo tipo coleção,  as áreas conhecidas (de conhecimento) são separadas, isoladas e no  integrado há distinção onde as diferentes áreas de conhecimento, apesar de menos nítidas, contribuiu para diversas áreas da ciência.

A organização de um currículo obedece a princípios abrangentes, subordinando todas as áreas que o compõem. Para se referir ao menor ou maior grau de isolamento e separação entre as diversas áreas constituídas pelo currículo, Bernstein usou o termo “classificação”.

Classificação maior: currículo coleção (o nosso – seriado, fragmentado…); Classificação menor: currículo integrado (trabalho).Quanto maior a classificação, maior e é a relação de poder e a desintegração do currículo.

Basil dá uma atenção especial (ou melhor, particular) a questões da transmissão, da forma independente como o conhecimento é organizado, havendo variações de como ele é transmitido.

Os objetivos podem ser mais ou menos explícitos, a divisão do espaço mais ou menos rígido e os critérios mais ou menos explícitos.

Numa aula tradicional o professor é quem decide o que ensina, quando ensinar, em que ritmo, sendo o espaço limitado.

Comparada com uma aula construtivista, a organização do espaço é mais livre, tendo o aluno controle sobre o tempo e seu ritmo de aprendizagem, porém os critérios para saber se os objetivos foram alcançados são muito menos explícitos.Bernstein faz distinção entre poder e controle. O poder está ligado a classificação , o controle associa-se ao ritmo, espaço de transmissão e tempo. Essa decisão cabe ao professor. Na  sala de aula construtivista a organização do espaço é muito mais livre. Os estudantes tem um grau  maior de controle sobre o tempo e p ritmo da aprendizagem.

Para o sociólogo o poder não é algo que distorce o currículo ou a pedagogia, em sua concepção, trata-se de diferentes princípios de poder e controle.

Um currículo com fraca classificação, as divisão entre os diferentes campos são pouco nítidas, isso não significa ausência de poder, mas sim que está organizado de acordo com os diferentes tipos de poder.

Uma questão muito importante para o sociólogo são as classes (origem social), código (apreensão, cultura), e precisamente a gramática da classe (como  se expressa cada classe social)

O conceito de classes sociais para Basil está ligado ao conceito de divisão social do trabalho de Durkheim, onde a classe social é simplesmente a posição que as pessoas ocupam na divisão do trabalho. Quem tem poder manda quem não o tem, obedece.

Sendo assim a posição social é que vai determinar assim a consciência da pessoa, o que pensa, o significado que ela realiza ou produz na interação social.

Basil Bernstein distingue dois tipos de códigos: o elaborado onde os significados utilizados pela pessoa são relativamente independentes do contexto social . Ao contrário do código restrito, o que é produzido,  que na interação social é fortemente dependente do contexto, pode ser aprendidos na família, escola e outras instituições sociais .

Na educação as estruturas se expressam através do currículo, da pedagogia e da avaliação. Bernstein se preocupava com o fracasso educacional das crianças e jovens de classe operária.No contexto dos anos 60 (o mesmo pensamento de Michel Young), ele queria compreender as razões daquele fracasso, e das diferentes pedagogias no processo de reprodução cultural (pedagogia invisível).

Através do desenvolvimento dos conceitos de códigos, queria chamar atenção para a enorme contradição entre código elaborado posto pela escola e o código restrito das crianças operárias, o que poderia ser a origem do seu fracasso escolar.

A teorização de Bernstein não ia de encontro a educação “progressista’.

colocando em dúvida o papel  das pedagogias -centradas -na criança pobre.  Pensava que tal pedagogia apenas mudava os princípios de poder e o controle do currículo, deixando inalterados os princípios da divisão social.

Sua teorização, não surtiu tanto efeito como merecia, por ter uma linguagem muito complexa, tornando-se cada vez mais formal, porém ela permanece nos mostrando, como é difícil compreender o currículo (a pedagogia)   sem um embasamento sociológico., que pode nos ajudar a compreender melhor de que consiste esse papel, levando em consideração que uma teorização crítica da educação, a escola não pode ficar fora no processo de reprodução.

Independente de como o currículo é organizado , o importante é a transmissão.Assim depende da forma como é transmitido esse conhecimento para que o resultado possa ser o enquadramento ou a consciência crítica.

Fonte: Documento de Identidade de Tomaz Tadeu da Silva

Autora: Soraya M. marques

Deixe um comentário

Deseja receber nosso conteúdo direto no seu email?