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CERTO E ERRADO: O EQUILÍBRIO DA VIDA

Por Patrícia Quaresma Ragone, psicóloga e pedagoga, especialista em Terapia Cognitiva.

Matéria da Revista Psique, número 49.

Família é a chave de tudo. O núcleo familiar consiste no pilar sobre o qual a criança e o adolescente irão desenvolver e edificar seus esquemas cognitivos, sejam estes funcionais ou não. As mudanças na sociedade contemporânea afetam a família, inclusive na sua prórpia concepção. O que definirá uma família como tal é a responsabilidade e o compromisso assumido perante a criança.

Se a família apresenta diversos arranjos, isso não exclui a preocupação com a sua funcionalidade. A questão central continua a ser: como auxiliar os pais na criação dos filhos. Para responder a essa questão busca-se apresentar aos pais uma nova forma de ver como as pessoas empregam o pensar para resolver os problemas ou, mesmo criá-los ou agravá-los. Tudo isso embasado na Terapia Cognitiva.

Sabemos que a forma como se educa um filho reflete-se no modo como ele se comportará e nos aspectos que valorizará em sua vida futura. Isso ocorre por meio de aprendizagem de idéias, crenças e valores que ditam as regras do pensar e do agir da criança nas diferentes situações de seu dia a dia. Por isso, os pais têm grande responsabilidade na criação dos filhos e uma forma de contribuir positivamente é analisar o estilo de educação que se transmite a eles.

A postura pessimista ou otimista dos pais terá uma relação direta diante das situações. A idéia não é mascarar o fracasso ou o erro, e sim propor uma nova maneira de refletir sobre a situação.

Diante de um momento ruim, os pais otimistas terão a capacidade de mostrar ao filho que os maus eventos são passageiros. São esses pais otimistas que ajudam os filhos a relativizar situações, a ganhar flexibilidade de pensamento e, assim, desenvolver esquemas mentais mais funcionais de autoestima, competência e adequação social.

Estimular atitudes positivas, definir limites e aplicar uma punição, enfim, ser pai comporta uma infinidade de ações que, muitas vezes, são realizadas sem que se percebam seus impactos na formação dos filhos. Tomar decisões no momento de educar a criança ou adolescente não é um processo fácil, principalmente quando se trata de recompensar ou punir os filhos.

Dúvidas sobre a maneira mais adequada de corrigir um comportamento ou, ao contrário, estimulá-lo são frequentes. Como fazer com que os filhos ajam de uma maneira ou de outra? Para a maioria, a resposta seria impor limites que, se ultrapassados, precisariam ser novamente impostos por meio de punição. O que se ignora, nesses casos, é o poder do reforço.

O reforço é uma estratégia comportamental básica que geralmente produz resultados rápidos para a obtenção de comportamentos-alvo desejavéis. Ele pode ser implementado de várias formas, como dar alguma coisa (elogio, abraço, atenção), o que seria um reforço positivo, ou tirar  ou proibir algo, o que constituiria assim um reforço negativo.

Ao elogiar, os pais precisam entender que os reforços verbais devem ser imediatos e isentos de críticas. Se a intenção é recompensar o filho, não tem sentido o reforço vir acompanhado de algum julgamento. O objetivo é incentivar a prática de um comportamento desejável, e não julgar a criança ou adolescente.

É importante que os pais entendam que, ao empregar com frequência esses esforços ao comportamento desejável, eles estarão contribuindo para a diminuição dos comportamentos indesejáveis e, portanto, aos poucos, deverão gastar menos tempo e esforço com a punição.

O envolvimento dos pais na formação dos filhos, inclusive no que se refere ao incentivo aos comportamentos desejavéis, requer, ainda, momentos de integração familiar. A criança e o adolescente precisam sentir que os pais gostam de sua presença, se interessam por eles e preocupam com seu bem-estar. Sentimentos assim ativam os esquemas funcionais de estima, adequação e competência. A presença dos pais em apresentação de danças, competições ou eventos promovidos pela escola é fundamental para despertar no filho tais esquemas.

Na atualidade, a falta de tempo constitui um problema para a realização das atividades que integram a família. Cada núcleo familiar deve criar os próprios momentos: um almoço no domingo, uma conversa na hora de dormir, um final de semana juntos.

No dia a dia, há momentos em que não cabe alternativa senão a de ordenar e se fazer obedecer. Mas, mesmo nesses momentos, é necessário saber a forma mais adequada de dar uma ordem, uma instrução ou até mesmo efetuar uma punição. Inicialmente, os pais devem ter certeza de que as regras expostas aos filhos estã claras e, portanto, não são arbitrárias.

As crianças e adolescentes precisam identificar os limites: o que se pode ou não fazer e quais as sanções no caso da infração dessas regras. A figura de autoridade fundamental para fazer com que as regras e limites sejam incorporados, especialmente entre os seis e dez anos de idade, período em que as crianças desenvolvem a moral, incluindo noções de valores ligados à ética, a ideia de certo e errado, de verdadeiro e do falso.

Ao dar uma ordem, deve-se evitar palavras que possam ser confundidas com pedidos ou súplicas. Isso reduz a possibilidade da criança acreditar que pode escolher entre seguir ou não a ordem dada. Uma vez estabelecidos os limites, os pais não podem ficar passivos diante da transgressão. Ignorá-los seria passar uma mensagem ao filho de que ele não precisa obedecer a ninguém. Alguns passos podem ajudar, são eles:

Dar comandos específicos incluindo espaço de tempo para o cumprimento do que foi mandado.

Uma vez cumprida a ordem, para que tal comportamento se repita é necessário recorrer aos reforços. Se a criança ou adolescente não obedecer, caberá aos pais utilizar técnicas de punição com vistas a corrigir ou evitar o comportamento indesejável. O que os pais devem lembrar é que, para cada idade há uma estrutura cognitiva correspondente, e isso deve ser levado em conta ao se exigir determinado comportamento, estabelecer regras e dar ordens.

Não se deve ensinar às crianças que bater nas pessoas é um método aceitável de resolver os problemas da vida, por isso o castigo físico é totalmente desaconselhado, assim como as agressões verbais. Ao se dirigirem aos filhos de forma agressiva, além de minar a qualidade da relação entre eles, desviam o conteúdo da mensagem para a forma como ela está sendo transmitida. As crianças aprendem muito mais com o comportamento dos pais.

É preciso frisar que algumas regras são absolutas – não roubar, não fazer o mal, não destruir – portanto, devem ser respeitadas por todos. Os comportamentos estão muitas vezes associados aos estágios de desenvolvimento da criança e do adolescente. Identificando cada etapa, os pais poderão contribuir para o aprendizado do filho.

FILHOS ADOLESCENTES

 A comunicação entre pais e adolescentes pode se tornar mais problemática. Para comunicar com o mundo suas ideais e valores, os adolescentes mudam seu jeito de se vestir, de se pentear, colocam piercings, brincos, tatuagens. Cabe aos pais tentar entender o que eles estào querendo dizer sem ficarem presos necessariamente à questão da aparência.

Outro ponto que os pais devem ficar atentos é a relação àquela disposição de isolamento da família. Essa indisposição não é de caráter pessoal e permanente. A postura típica do adolescente não necessariamente significa que este queira desacatar os pais, mas que aquilo faz parte do silêncio de que ele necessita, e deve ser tomada em caráter transitório.

Os adolescentes precisam se distanciar temporariamente dos vínculos primários para ver o quão estão prontos para alçar voo próprio. O problema é justamente a interpretação que os pais fazem desse comportamento. Se estes entendessem que essa fase não é de caráter definitivo, que a postura do filho não constitui um ataque pessoal, mas tem, inclusive, causas hormonais e psicológicas, ficariam menos incomodados, e os conflitos nas famílias ocorreriam em menor escala e por menos tempo.

Ser pai não é ser 100% responsável pelo sucesso ou fracasso dos filhos. Assim, deve-se definir quais são as preocupações produtivas, eliminando as improdutivas. As preocupações produtivas são aquelas que o pai define como meta para o filho. É tudo aquilo que se consegue transformar em alternativas e em soluções que geram crescimento.

Já as angústias surgem com as preocupações improdutivas. Preocupar-se se o filho será uma pessoa feliz, se será aceito pelos colegas é algo desnecessário naquele momento de vida.

Os pais não devem ter medo de serem pais, esse comportamento está trazendo enormes prejuízos para a família. Criar filhos não deve ser encarado como algo muito complexo, mas de forma simples. Deve-se trabalhar com a perspectiva do erro e do acerto, de ter sempre o dia seguinte para recomeçar. Além de perderem o medo de errar, porque isso faz parte da vida.

Aceitar-se como ser humano implica, que ser pai não é anular-se. Para serem pais funcionais é necessário não esquecer seus sonhos pessoais, manter interesses próprios e, em nenhum caso, se comportar como escravo dos filhos. Acreditar no seu poder como pai ou não mãe não significa ter completa segurança que seu filho seguirá uma ordem totalmente estabelecida. Na verdade é acreditar que você forneceu a ele a base psicológica para que ele consiga ter discernimento e siga o caminho certo.

Fonte: http://psicologiaeeducacao.wordpress.com

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