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A profecia começa a se realizar quando a auto-imagem é atacada


Na escola, o fenômeno segue as mesmas regras. Aos alunos que a professora considera capazes, ela dará mais atenção. Aos outros, caberão mais recriminações e menos estímulos. A prática é tão comum que as professoras as revelam com facilidade.

Às vezes o estímulo ou desestímulo a certos alunos é feito de maneira sutil: um tom de voz diferente, um olhar mais ou menos carinhoso,maior o menor atenção. Mas na maioria dos casos a sutileza dá lugar a métodos mais agressivos. Acontece muita arbitrariedade na sala de aula, principalmente na periferia, salvo exceções, o ambiente é extremamente agressivo e se observam comportamentos destrutivos, que atacam a auto-imagem da criança, que coloca uma visão negativa do aluno e de sua família.

Relegadas a segundo plano, francamente desestimuladas, essas crianças vão inevitavelmente participar cada vez menos das aulas, mostrando-se alheias ou passando a chamar a atenção por sua indisciplina ou falta de interesse. Dessa forma, com métodos sutis ou não, pouco a pouco a professora vai produzindo a realização da profecia, por meio de seu relacionamento com os alunos. Essa relação, é uma relação de dominação , de pode à medida que a professora aprisiona a criança e põe para servir a seus desejos. O aluno fica anulado, nada sabe sobre si mesmo, é um objeto do desejo da professora. Quem diz se ele e inteligente ou capaz é a professora. Se ela quiser que ele vá bem, ele irá. Se ela quiser que ele não aprenda, ele não aprenderá. O aluno passa a se comportar como um robozinho.

A Profecia Começa a se Realizar Quando a Auto-Imagem é Atacada

Os progressos, quando não esperados, são considerados perigosos

Marcado pelo preconceito, aprisionado pela relação de captura que a professora estabelece com ele, o aluno não tem outra saída senão se comportar como a professora espera que ele se comporte. Mas, mesmo que não faça isso, não terá muitas opções. Quando as crianças consideradas “incapazes” mostram alguns progressos, esses progressos ou não são vistos pelo professor ou são negados ou, pior, são considerados perigosos. O professor não suporta a incoerência que os progressos não previstos trazem  a seu diagnóstico.é atacada

A professora corrige de maneira completamente diferente as provas dos alunos que ela considera bons. E chega a pôr errado em questões que estavam certas nas provas dos “maus alunos”.

O professor não é o vilão dessa história

Qual a saída diante de um quadro tão fatalista? Em primeiro lugar, é preciso que o professor comece a reconhecer que, mesmo sem querer, adota esse tipo de prática. Que ela se baseia não em avaliações confiáveis, mas principalmente em seus preconceitos. E que o professor saiba que não é o vilão dessa história. Preconceitos têm raízes econômicas e sociais. Todos os temos, incluindo aí o sistema educacional que os alimenta e reproduz. É preciso, no entanto, começar a desenvolver um olhar crítico em relação a ele..


Um comentário em “A profecia começa a se realizar quando a auto-imagem é atacada

  1. ACHEI O TEXTO MARAVILHOSO. E REALMENTE ISSO ACONTECE MUITO. SOU PROFESSORA E PSICANALISTA EM FORMAÇÃO. SEI BEM DOS PREJUÍZOS QUE CAUSAM A UMA CRIANÇA, PROFESSORES QUE NÃO ESTIMULAM OU DEPOSITAM CONFIANÇA NA CRIANÇA, ASSIM COMO AFETO.

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