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A OCORRÊNCIA DA SÍNDROME DE BURNOUT EM PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO DA REDE PÚBLICA

A Ocorrência da Síndrome de Burnout em Professores do Ensino Médio da Rede Pública


 

 

Resumo. O presente trabalho buscará a partir de diversas revisões literárias, apresentar o Burnout expondo os seus principais modelos explicativos em professores e, fundamentado em estudos recentes, identificará suas principais causas e conseqüências para os docentes e para as instituições de ensino.

Ainda assim, pretende-se realizar uma pesquisa de campo com educadores, de ensino médio, de cinco escolas públicas da Zona Leste de São Paulo sendo que os resultados obtidos serão mencionados por dados gráficos e análises que avaliarão as perspectivas, o esgotamento emocional e suas dimensões cuja grande causadora é a “doença” que é considerada a síndrome do século XXI.

Palavras-chaves: Síndrome de Burnout, professores, educação, estresse.

Keywords: Burnout Syndrome, teachers, education, stress.


INTRODUÇÃO

O estudo do Burnout ou desgaste profissional começa a tomar corpo com os artigos de Freudenberger, 1974 (apud Jimenez et al, 2002).

Professores têm sido alvo de diversas investigações (Beck & Gargiulo, 1983; Byrne, 1991, 1993; Friensen & Sarros, 1989; Iwanicki & Schwab, 1981, Russel, Altmaier & Van Velzen, 1987, Schwab & Iwanicki, 1986, Carvalho, 1995; Moura, 1997), pois no exercício profissional da atividade docente encontram-se presentes diversos estressores psicossociais, alguns relacionados à natureza de suas funções, outros relacionados ao contexto institucional e social onde estas são exercidas. Estes estressores, se persistentes, podem levar à Síndrome de Burnout, considerada por Harrison (1999) como um tipo de estresse de caráter persistente vinculado a situações de trabalho, resultante da constante e repetitiva pressão emocional associada com intenso envolvimento com pessoas por longos períodos de tempo (apud Carlotto, 2002). Burnout em professores afeta o ambiente educacional e interfere na obtenção dos objetivos pedagógicos, levando estes profissionais a um processo de alienação, desumanização e apatia e ocasionando problemas de saúde e absenteísmo e intenção de abandonar a profissão (Guglielmi & Tatrow, 1998 apud Carlotto, 2002).

Vários autores (Byrne, 1991; Farber, 1991; Keltchtermans, 1999; Woods, 1999; Lens & Jesus, 1999; Moura, 1997) têm realizado estudos com professores primários, secundários, universitários e de escolas especiais, tendo proporcionado consistência com relação aos resultados obtidos e gerando modelos explicativos importantes sobre sua ocorrência (apud Carlotto, 2002).

A severidade de burnout entre os profissionais de ensino já é, atualmente, superior à dos profissionais de saúde, o que coloca o Magistério como uma das profissões de alto risco (Iwanicki & Schwab, 1981; Farber, 1991 apud Carlotto, 2002).

Esta conseqüência se agrava ainda mais quando referimo-nos, principalmente, a educadores do ensino público, isto porque, segundo o estudo realizado na Universidade de Brasília (UNB), a síndrome acomete nada menos do que 70% dos professores brasileiros da rede pública (Boletim CIPA, gestão 2003/2004).

Neste trabalho, aspectos históricos do trabalho docente serão apresentados, bem como os principais modelos explicativos de burnoutem professores e, fundamentado em estudos recentes, identifica suas principais causas e conseqüências para os profissionais e para as instituições de ensino públicas.

Síndrome de Burnout

A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional).

O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.

Essa síndrome se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (médicos, enfermeiros, professores).

De fato, esta síndrome foi observada, originalmente, em profissões predominantemente relacionadas a um contato interpessoal mais exigente, tais como médicos, psicanalistas, carcereiros, assistentes sociais, comerciários, professores, atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de departamento pessoal, telemarketing e bombeiros. Hoje, entretanto, as observações já se estendem a todos profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que cuidam e/ou solucionam problemas de outras pessoas, que obedecem a técnicas e métodos mais exigentes, fazendo parte de organizações de trabalho submetidas à avaliações.

Definida como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto, excessivo e estressante com o trabalho, essa doença faz com que a pessoa perca a maior parte do interesse em sua relação com o trabalho, de forma que as coisas deixam de ter importância e qualquer esforço pessoal passa a parecer inútil.

Entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe.

Os autores que defendem a Síndrome de Burnout como sendo diferente do estresse, alegam que esta doença envolve atitudes e condutas negativas com relação aos usuários, clientes, organização e trabalho, enquanto o estresse apareceria mais como um esgotamento pessoal com interferência na vida do sujeito e não necessariamente na sua relação com o trabalho. Entretanto, pessoalmente, julgamos que essa Síndrome de Burnout seria a conseqüência mais depressiva do estresse desencadeado pelo trabalho.

Os sintomas básicos dessa síndrome seriam, inicialmente, uma exaustão emocional onde a pessoa sente que não pode mais dar nada de si mesma. Em seguida desenvolve sentimentos e atitudes muito negativas, como por exemplo, um certo cinismo na relação com as pessoas do seu trabalho e aparente insensibilidade afetiva.

Finalmente o paciente manifesta sentimentos de falta de realização pessoal no trabalho, afetando sobremaneira a eficiência e habilidade para realização de tarefas e de adequar-se à organização.

Esta síndrome é o resultado do estresse emocional incrementado na interação com outras pessoas. Algo diferente do estresse genérico, a Síndrome de Burnout geralmente incorpora sentimentos de fracasso. Seus principais indicadores são: cansaço emocional,despersonalização ou desumanizaçãofalta de realização pessoal.

Quadro Clínico

O quadro clínico da Síndrome de Burnout costuma obedecer a seguinte sintomatologia (incluso em 21/02/2005 no site:” www.psiqweb.med.br”) :

  • Esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos emocionais.
  • Despersonalização ou desumanização, que consiste no desenvolvimento de atitudes negativas, de insensibilidade ou de cinismo para com outras pessoas no trabalho ou no serviço prestado.
  • Sintomas físicos de estresse, tais como cansaço e mal estar geral.
  • Manifestações emocionais como: falta de realização pessoal, tendências a avaliar o próprio trabalho de forma negativa, vivências de insuficiência profissional, sentimentos de vazio, esgotamento, fracasso, impotência, baixa auto-estima.
  • É freqüente irritabilidade, inquietude, dificuldade para a concentração, baixa tolerância à frustração, comportamento paranóicos e/ou agressivos para com os clientes, companheiros e para com a própria família.
  • Manifestações físicas: Como qualquer tipo de estresse, a Síndrome de Burnout pode resultar em Transtornos Psicossomáticos. Estes, normalmente se referem à fadiga crônica, freqüentes dores de cabeça, problemas com o sono, úlceras digestivas, hipertensão arterial, taquiarritmias, e outras desordens gastrintestinais, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias, etc.
  • Manifestações comportamentais: probabilidade de condutas aditivas e evitativas, consumo aumentado de café, álcool, fármacos e drogas ilegais, absenteísmo, baixo rendimento pessoal, distanciamento afetivo dos clientes e companheiros como forma de proteção do ego, aborrecimento constante, atitude cínica, impaciência e irritabilidade, sentimento de onipotência, desorientação, incapacidade de concentração, sentimentos depressivos, freqüentes conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e dentro da própria família.

Principais Causas

Muitos estudos têm se preocupado em identificar as causas do burnout especificamente na população de professores. Farber 1991 (apud Carlotto, 2002) parte do pressuposto de que suas causas são uma combinação de fatores individuais, organizacionais e sociais, sendo que esta interação produziria uma percepção de baixa valorização profissional, tendo como resultado o burnout. O autor, ao se referir aos fatores de personalidade, diz que a literatura considera professores idealistas e entusiasmados com sua profissão mais vulneráveis, pois sentem que têm alguma coisa a perder. Estes professores são comprometidos com o trabalho e envolvem-se intensamente com suas atividades, sentindo-se desapontados quando não recompensados por seus esforços. Idealizações em relação ao trabalho e à organização propiciam o surgimento do burnout (Maslach & Jackson, 1984b, apud Carlotto, 2002).

Professores possuem expectativas de atingir metas um tanto ou quanto irrealistas, pois pretendem não somente ensinar seus alunos, mas também ajudá-los a resolverem seus problemas pessoais (Maslach & Goldberg, 1998, apud Carlotto, 2002). Maslach e Jackson (1984A, apud Carlotto, 2002) afirmam que a educação pode ser associada ao burnout, devido ao alto nível de expectativa destes profissionais, o qual não pode ser totalmente preenchido.

Etzion (1987, apud Carlotto, 2002) associa as diferenças encontradas nos níveis do burnout às questões tradicionais do processo de socialização e organização social, as quais se colocam diferenciadamente para homens e mulheres. Professores com menos de 40 anos apresentam maior risco de incidência, provavelmente devido às expectativas irrealistas em relação à profissão. Jovens precisam aprender a lidar com as demandas do trabalho (Maslach, 1982, apud Carlotto, 2002) e, por esta razão, podem apresentar maiores níveis da síndrome. Professores com mais idade, segundo explicita Carlotto, parecem já ter desenvolvido a decisão de permanecer na carreira, demonstrando menos preocupação com os estressores ou com os sintomas pessoais relacionados ao estresse.

No que tange às variáveis profissionais, estudo realizado por Friedman (1991, apud Carlotto, 2002) identificou que, quanto maior a experiência profissional do professor, menores eram os níveis do burnout. Já para Schwab e Iwanicki (1982, apud Carlotto, 2002) e Woods (1999, apud Carlotto, 2002), mais significativo que os anos de prática de ensino é o nível de ensino em que o professor atua. Professores de ensino fundamental e médio apresentavam mais atitudes negativas em relação aos alunos e menor freqüência de sentimentos de desenvolvimento profissional do que os professores do ensino infantil.

O professor assume muitas funções, possui papéis muitas vezes contraditórios, isto é, a instrução acadêmica e a disciplina da classe. Também tem que lidar com aspectos sociais e emocionais de alunos, e ainda conflitos ocasionados pelas expectativas dos pais, estudantes, administradores e da comunidade. O excesso de tarefas burocráticas tem feito com que professores se sintam desrespeitados, principalmente quando devem executar tarefas desnecessárias e não relacionadas à essência de sua profissão (Carlotto, 2002).

Ao desempenhar trabalhos de secretaria, diminui sua carga horária para o atendimento ao aluno e para desenvolver-se na profissão. A falta de autonomia e participação nas definições das políticas de ensino tem mostrado ser um significativo antecedente do burnout.Estas questões, somadas à inadequação salarial e à falta de oportunidades de promoções, têm preocupado pesquisadores (Carlotto, 2002).

Outra questão relevante abordada pelos autores é o isolamento social e a falta de senso de comunidade que, geralmente, estão presentes no trabalho docente, tornando os professores mais vulneráveis ao burnout (Carlotto, 2002). Segundo os autores, o ensino é uma profissão solitária, uma vez que há uma tendência do professor a vincular suas atividades ao atendimento de alunos, ficando à parte de atividades de afiliação, grupos e engajamento social (Carlotto, 2002). Esse fato foi comprovado por Burke e Greenglass (1989, apud Carlotto, 2002), ao identificarem ser a falta de suporte social uma das causas significativas do burnout em professores. A inadequação da formação recebida para lidar com as atividades de ensino, escola e cultura institucional também tem sido apontada pelos professores como uma importante causa da síndrome (Farber, 1991; Wisniewski & Gargiulo, 1997, apud Carlotto, 2002). A formação do professor, explicam os autores, enfatiza conteúdos e tecnologia, sendo deficiente a abordagem nas questões de relacionamento interpessoal, relacionamento com alunos, administradores, pais e outras situações. A falta de condições físicas e materiais para implementar suas ações junto aos alunos também foi identificada como importante fonte de desgaste profissional (Carlotto, 2002).

A relação com familiares dos alunos, de acordo com Abel e Sewell (1999, apud Carlotto, 2002), também se mostra muitas vezes problemática e estressante, seja pela falta de envolvimento deles no processo educacional – acreditando serem a escola e o professor os únicos responsáveis pela educação dos filhos – seja pelo excesso – acreditando ser o professor incompetente e inexperiente e, muitas vezes, o causador dos problemas apresentados pelo aluno. Farber (1991, apud Carlotto, 2002) afirma que, do ponto de vista público, a categoria sofre muitas críticas, é extremamente cobrada em seus fracassos e raramente reconhecida por seu sucesso. Para o autor, mesmo que esta seja uma tendência de todas as profissões, nenhuma categoria tem sido tão severamente avaliada e cobrada pela população em geral nas últimas duas décadas como a dos professores (Carlotto, 2002).

Modelos Explicativos de Burnout em Professores

Burnout em professores é um fenômeno complexo e multidimensional resultante da interação entre aspectos individuais e o ambiente de trabalho. Este ambiente não diz respeito somente à sala de aula ou ao contexto institucional, mas sim a todos os fatores envolvidos nesta relação, incluindo os fatores macrossociais, como políticas educacionais e fatores socioistóricos (Carlotto, 2002).

Vários autores e modelos têm tentado explicar o burnout em professores a partir de diversas perspectivas. Woods (1999, apud Carlotto, 2002) aborda o burnout do professor partindo de um modelo sociológico e apontando fatores em níveis micro, meso e macro. Fatores micro são os que se situam dentro da biografia pessoal e profissional do professor (comprometimento, valores, carreira e papéis desenvolvidos). Os fatores meso ou intermediários são os institucionais (tipo de escola, aspectos éticos da escola, aspectos culturais do professor e dos alunos) e os macro são todas as forças derivadas das tendências globais e políticas governamentais. Estes níveis em interação desencadeiam o processo de “desprofissionalização” do trabalho do professor. Tal processo implica a proletarização do trabalho dos profissionais da educação.

Segundo este modelo, à medida que a economia capitalista avança, há uma preocupação em manter e promover a eficiência. Neste movimento há uma redução da amplitude de atuação do trabalho, as tarefas de alto nível são transformadas em rotinas, existindo uma maior subserviência a um conjunto de burocracia. Também há menos tempo para executar o trabalho, menos tempo para atualização profissional, lazer e convívio social e poucas oportunidades de trabalho criativo (Carlotto, 2002). Refere ainda Woods a existência de diversificação de responsabilidades com maior distanciamento entre a execução realizada pelos professores e o planejamento das políticas que norteiam seu trabalho, elaboradas por outras pessoas. Os professores, de acordo com esta visão, são mais técnicos do que profissionais (Carlotto, 2002). Kelchtermans (1999, apud Carlotto, 2002) acredita que este modelo está vinculado à concepção de escola como “empresa”, com critérios de avaliação e controle baseados nos valores de eficiência burocrática e medidas padronizadas de seus resultados.

Lampert (1999, apud Carlotto, 2002) diz que a educação hoje é vista e gerenciada como um negócio rentável. A comunidade, de uma forma geral, nota esta concepção de ensino, desenvolvendo uma percepção negativa em relação à mesma, com conseqüente desprestígio de todos os que dela fazem parte. Lens e Jesus (1999, apud Carlotto, 2002) complementam, afirmando que o status da profissão de professor e de outras vem declinando nos últimos anos e isto tem contribuído para o aumento do burnout nesta categoria profissional.

Farber (1999, apud Carlotto, 2002) partilha em muitos aspectos da visão sociológica de Woods (1999, apud Carlotto, 2002) para explicar burnout, mas acredita que a chave do entendimento deste fenômeno está na abordagem psicológica, mais especificamente no sentimento do professor de que seu trabalho é pouco significativo.

Sem se preocupar com a fonte de onde emanam os estressores, para o autor, burnout ocorre quando o professor sente que seus esforços não são proporcionais às recompensas obtidas e que futuros esforços não serão justificados ou suportados. O autor destaca também a ênfase negativa dada às questões ligadas ao ensino, tendo freqüentemente seu foco voltado para dificuldades, o que tacitamente reforma o senso de vitimização do professor, tornando-o mais vulnerável ao burnout (Carlotto, 2002). Outra questão abordada por Farber (1991, apud Carlotto, 2002) é que o sistema que define políticas muitas vezes exclui alguns professores das instâncias de poder, passando a sobrecarregar e a incrementar o estresse e o burnout nos que estão próximos a esta estrutura.

Os professores, afirma ainda, reagem de formas diferentes aos mais variados fatores de estresse, contudo está na relação aluno-professor a maior fonte de oportunidade de estresse e burnout, bem como de grandes oportunidades de recompensas e gratificações. Maslach e Leiter (1999, apud carlotto, 2002) também partilham desta opinião. Para eles, os prejuízos desta relação dizem respeito não só ao bem-estar do professor, mas também à carreira e à aprendizagem dos alunos.

Keltchtermans (1999, apud Carlotto, 2002) aborda o burnout de professores a partir de uma outra perspectiva, a biográfica. Neste modelo, as percepções e interpretações das situações dos estressores de trabalho dependem fortemente de características individuais e da história de vida profissional, ou seja, o burnout pode também ser entendido com base no desenvolvimento da carreira do professor.

A análise de carreira de professores, técnica utilizada pelo autor em seus estudos, mostra duas importantes questões: a primeira é uma gama de concepções sobre eles mesmos (professional self) e a segunda é o sistema de crenças pessoais sobre o ensino (subjective educational theory). O autor destaca a importância de contextualizar a perspectiva biográfica, uma vez que professores e ensino estão próximos em seu contexto, tanto na dimensão temporal como na espacial (Carlotto, 2002).

Desenvolvendo algumas reflexões sobre este fenômeno em professores, Sleegers (1999, apud Carlotto, 2002) acredita que burnoutdeve ser analisado a partir das perspectivas sociológica, psicológica e organizacional.

É importante considerar as características de trabalho do professor e as especificidades de suas instituições de ensino. “Diferenças entre professores e diferenças entre as escolas devem ser incluídas em qualquer modelo explicativo do burnout em professores” (p.225, apud Carlotto, 2002).

Objetivo. Este trabalho tem como objetivo expor os principais modelos explicativos de Burnout em professores, identificando (através da mensuração embasada num questionário) suas principais causas e conseqüências aos docentes da rede de ensino público.


MÉTODO

Amostra

A amostra deste estudo será composta, exclusivamente por docentes que lecionam, apenas, no ensino médio de cinco escolas públicas situadas na Grande São Paulo, Zona Leste. Espera-se que a quantidade de sujeitos, de ambos os gêneros, seja igual ou superior a 150, considerando-se, em média, 30 professores para cada instituição.

Procedimentos

A coleta de dados realizar-se-á estabelecendo previamente um contato com todas as escolas sendo um dia para cada instituição, totalizando ao todo cinco dias consecutivos.

Na primeira etapa será realizada uma entrevista com a direção escolar de cada instituição onde serão expostos os objetivos do estudo.

À direção informar-se-á que a colaboração do educador é opcional e que este poderá abdicar-se quando quiser, mas assinala-se, como única condição, que sejam somente professores do ensino médio.

Não serão estipulados tipos de contrato (efetivo ou temporário), tempo em que lecionam na respectiva escola ou outras categorias similares. Nome e/ou idade ficará a critério de cada sujeito.

Todas as informações acima serão explicadas aos docentes.

Na segunda etapa, já com o número de participantes definido, entregar-se-á um questionário para que seja respondido com calma e individualmente estipulando-se o prazo, máximo, de uma hora à devolução daquele.

Por fim, na terceira e última etapa, serão recolhidos os questionários de cada instituição não se esquecendo de agradecer a colaboração dos funcionários e docentes.

Instrumentos

Nesta pesquisa de iniciação científica será aplicado a cada professor um questionário contendo, no total 9 questões sendo que: 3 destas questões avaliarão a exaustão emocional, outras 3 avaliarão a despersonalização ou desumanização e as demais a baixa realização profissional.

Àquelas cujas respostas serão de caráter pessoal apresentarão 5 alternativas sendo: freqüentemente, sempre, nunca, raramente e outros; devendo todos optar apenas por uma delas.


ANÁLISE

As questões 1, 2 e 3 avaliarão a exaustão emocional dos sujeitos referentes ao esgotamento, frustração e cansaço no trabalho.

Segundo Célia Regina D. Ogeda et al (2002), o Burnout vem após a fase da exaustão, quando a pessoa se considera totalmente derrotada pelas demandas do dia-a-a (…).

Já as questões 4, 5 e 6 aferirão a despersonalização ou desumanização dos sujeitos que é caracterizada por tratos aos alunos, colegas e a organização como objetos.

Nesta fase, os trabalhadores podem mostrar uma insensibilidade emocional cujo vínculo afetivo é substituído por um racional acarretando diversas alterações no estado psíquico. (Célia Regina D. Ogeda et al, 2002).

Com relação às três últimas questões (7, 8 e 9) tratar-se-ão de avaliar, aos profissionais atingidos pelo Burnout, a diminuição da relação pessoal no trabalho. Isto indica uma tendência do trabalhador à auto avaliar-se de forma negativa sentindo-se infeliz consigo e insatisfeito com seu desenvolvimento profissional, experimentando um declínio no sentimento de competência e êxito no seu trabalho e de sua capacidade em interagir com as pessoas. (Célia Regina D. Ogeda et al, 2002).

Por fim, ao término da análise individual de cada dimensão, haverá uma junção das mesmas com o intuito de serem verificados os sintomas gerados por elas sob as seguintes manifestações: (Célia Regina D. Ogeda et al, 2002. apud Lara, 1999, p.20).

  • Psicossomáticos: freqüentes dores de cabeça / fadiga crônica / úlceras / dores musculares nas costas e pescoço / hipertensão e, nas mulheres, alterações de ciclos menstruais.
  • Comportamentais: absenteísmo laboral / aumento do comportamento violento / abuso de drogas / incapacidade de relaxar e comportamentos de altos riscos (jogos de azar).
  • Emocionais: distanciamento afetivo / impaciência / desejos de abandonar o trabalho / irritabilidade / dificuldade para concentrar-se / diminuição do rendimento no trabalho / dúvidas acerca de sua competência e baixa auto-estima.
  • Defensivos: negação das emoções / ironia e atenção seletiva.

*Observação: Todos resultados serão expostos em gráficos através de taxas percentuais (%).


CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

Ética da pesquisa

Por se tratar de uma pesquisa acadêmica, para sua realização emitir-se-à todos os sujeitos participantes um termo de consentimento garantindo-se a preservação de suas identidades, a desistência desta entre outros fatores a fim de se obter a idoneidade dos resultados bem como exercer a ética profissional.

Por outro lado, avaliando-se a questão da prejudicialidade a todos os contribuintes, conclui-se que os dados coletados a partir do questionário não causarão males alguns aos mesmos, pois abordarão perguntas concisas que percorrem nosso cotidiano e, ainda assim, não serão objurgatórias causando influências internas e/ou externas.

Termo de consentimento

Eu, Idelmar de Lima Pereira, graduando do 8° semestre em Psicologia na Universidade Cruzeiro do Sul, venho desenvolver, sob a orientação do Prof. Ms. Roberto Mac Fadden, um projeto de Iniciação científica o qual contribuirá para a elaboração de minha monografia cujos propósitos serão exclusivamente acadêmicos.

O mesmo visará identificar a ocorrência da Síndrome de Burnout em profissionais da educação da rede pública.

Assim, eu _____________________________________ aceito participar deste que encarregar-se-á em preservar e manter em sigilo minha identidade; outros fatores como idade, instituição onde trabalho etc. também não serão divulgados caso eu não os autorize.

Do mesmo modo, sentirei-me em pleno direito à desistência quando bem desejar e, estando ciente de que este sendo um projeto baseado em pesquisas preponderantemente quantitativas, a análise dos dados obtidos de acordo com as respostas de cada questionário será descrita por métodos de mensuração e “generalização” onde fará jus a replicabilidade a todo e qualquer momento em que tais resultados sejam considerados inválidos e fajutos.

Por isso, estou consciente das informações aqui descritas.

__________________________

(Assinatura)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOLETIM CIPA: “http://<www.fflch.usp.br/cipa/tela.htm>

CARLOTTO, Mary Sandra (In) “A Síndrome de Burnout e o trabalho docente”. Psicologia em Estudo, Maringá, v.07, n°1, p.21-29, jan./jun. 2002.

JIMENEZ, Bernardo M. et al (In) “Avaliação do Burnout em professores”. Psicologia em Estudo, Maringá, v.07. n°1, p.11-19, jan./jun. 2002.

OGEDA, Célia R. D. et al (In) “Burnout em professores: a síndrome do século XXI”. Revista Eletrônica de Ciências da Educação(RECE), Campo Largo/Pr, edição 2, v.01 , n°02, nov. 2003;

PORTAL DE PSIQUIATRIA MÉDICA

ANEXOS

QUESTIONÁRIO

Informações opcionais _______________________________________________

(nome / gênero / idade /

disciplina em que leciona etc.)

Assinale apenas uma alternativa

1) Sinto-me esgotado (a) emocionalmente devido ao meu trabalho.

freqüentemente sempre nunca raramente outros

2) Sinto-me frustrado (a) em meu trabalho.

freqüentemente sempre nunca raramente outros

3) Meu trabalho me deixa exausto (a).

freqüentemente sempre nunca raramente outros

4) Tenho me tornado mais insensível com as pessoas.

freqüentemente sempre nunca raramente outros

5) Perco o sono ou só consigo dormir poucas horas.

freqüentemente sempre nunca raramente outros

6) Tenho dificuldades para concentrar-me.

freqüentemente sempre nunca raramente outros

7) Trabalhar com pessoas o dia todo me exige um grande esforço.

freqüentemente sempre nunca raramente outros

8) Sinto-me competente na realização de meu trabalho.

freqüentemente sempre nunca raramente outros

9) Sinto-me irritado (a), impaciente, com desejo de abandonar o trabalho.

freqüentemente sempre nunca raramente outros

Autor: Idelmar de Lima


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