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A METÁFORA PATERNA E A METONÍMIA DO DESEJO

A Metáfora Paterna e a Metonímia do Desejo


Objetivos :
O trabalho visa fazer um estudo sobre a questão da Metáfora paterna e da Metonímia do Desejo, aludindo à questão principal do Édipo e sua implicação na formação do sujeito.

Ao se trabalhar as primeiras vivências do sujeito na sua inserção ao simbólico, deve-se recordar os primórdios desse processo. O bebê em seu início de vida, não distingue sua identidade com a da mãe, trata-se de um processo simbiótico onde a mãe é responsável pelos cuidados e sobrevivência dessa criança, como diz Rappaport ” A criança, assim, acopla-se à pessoa que desempenha a função maternal, constituindo com ela uma unidade que, do ponto de vista infantil, é auto-suficiente….” pág. 37

Segundo Freud, aos três anos de idade aproximadamente, a criança entra no Complexo de Édipo e permanece neste até aproximadamente os cinco anos de idade, onde há o desfecho do Édipo. Em primeiro lugar, o período Edípico, seria um período onde a criança tem de haver com questões sobre sua sexualidade, sobre seu desligamento simbiótico da mãe , sua entrada no simbólico, a introjeção da lei e sua atividade frente ao mundo que agora surge no horizonte infantil. Tal complexo tem grande importância na orientação do desejo humano e na formação da personalidade do sujeito.

O processo narcísico em que a criança se encontra, onde há a perspectiva de que o mundo gira em torno dela, coincide com essa forte ligação com a figura materna (qualquer pessoa pode fazer a função materna ou paterna, não necessariamente havendo necessidade de ser mãe ou pai biológicos da criança),que a criança possui. Ao chegar à fase fálica a criança transfere o interesse do seu Eu para o falo (significante do poder). A mãe passa a ser vista como um objeto de satisfação global, a libido da criança é dirigida em relação à mãe, no entanto, como cita Rappaport, “no momento maior do desenvolvimento das relações libidinais, que unem a criança e a mãe traz consigo o germe da desilusão….” pág. 38

Nesse desejo pela mãe, a criança é então interpelada por uma proibição em relação à essa mãe. Essa, busca em um outro, a satisfação de um amor genital, tornando para a criança uma barreira para seu acesso à posição de único desejo da mãe. Freud Chamou essa barreira de proibição do incesto. Na época de Freud esse incesto se referia, oportunamente, ao fato de que o filho não pode desejar sexualmente a mãe (norma social, cultural ou religiosa?) , atribuindo à figura paterna, a função de barrar a relação de cunho sexual mãe-filho. É importante ressaltar que tal recusa como cita Rappaport “não pode vir da mãe, englobada que é no Ego da criança, mas sim de um alguém.”pág. 38

O jogo do Fort-da citado por Freud esclarece a forma da criança lida com o desaparecimento dessa mãe. Ela passa a controlar o desejo pela mãe, que antes tinha o controle de quando ou não aparecer. Essa criança inverte o jogo com a presença da mãe, trata-se da renúncia pulsional que permite ausências.

O Recalque originário é o processo que introduz no simbólico dessa criança uma metáfora da lei, o nome do pai. A criança passa da dimensão do ser para a dimensão de ter o falo e com isso, dá início a uma operação de linguagem onde ela tenta designar a renúncia ao objeto perdido

O passo então, já que a figura materna é inacessível no campo sexual, é trabalhar o controle simbólico do objeto perdido e entramos então nas definições de metáfora do pai e metonímia do desejo.

Gramaticalmente temos as definições de Metáfora sendo ” Tropo que consiste na transferência de uma palavra para um âmbito semântico que não é o do objeto que ela designa, e que se fundamenta numa relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado.. ” e metonímia “tropo que consiste em designar um objeto por palavras designativas de outro objeto que tem com o primeiro uma relação de causa e efeitoDicionário Aurélio

Psicanaliticamente, os termos acima têm conotações similares apesar de tratarem de aspectos mais profundos. Após a explanação sobre o circuito percorrido pela criança em seus primeiros anos de vida, podemos destacar até aqui, o conceito de Metáfora paterna, como sendo justamente essa troca de significados entre a lei do incesto imposta à criança vinculada com o papel do pai. Este então, é um significante da lei, da castração da criança que vai vincular por meio da proibição sexual em relação à mãe por parte da criança o acesso desta última ao campo da linguagem e da simbolização. Assim, pode-se definir que Metáfora paterna = introjeção da lei no simbolismo infantil.

Ao entrar no campo da linguagem, o desejo dessa criança não tem como cita Joel Dor, “não tem outra saída senão tornar-se palavra”, pág. 89. Desenrola-se então, a metonímia do desejo, ou seja, a partir da substituição do desejo de ser pelo desejo de ter, tal desejo original irá se desdobrar em desejos substitutos nunca satisfeitos, que se apresentam em forma de demanda. A partir daí muitos desejos substitutos vêm em busca do desejo real do sujeito, tornando o sujeito desejante e como cita Joel Dor “….algo que aliena o desejo do sujeito na dimensão da linguagem ao instituir uma estrutura de divisão subjetiva que separa o sujeito irreversivelmente de uma parte de si mesmo, fazendo advir o inconsciente…..”pág. 95

Contudo, percebe-se que um conceito é diretamente relacionado ao outro. Fica claro que a questão da estruturação da personalidade do sujeito iniciada com o nascimento deste, tem seu apogeu nesse período do Édipo, relativo à castração e estabelece para o sujeito entre outros pontos, a questão da sexualidade e dos limites através da imposição da lei do incesto metaforizado na figura do pai e da metonímia do desejo substituído nos objetos da demanda.


Bibliografia:

Laplanche e Pontalis, Vocabulário de Psicanálise ,São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2001.

Rappaport, Regina Clara, Temas Básicos de Psicologia, São Paulo: Ed. E.P.U Volume VII 1984.

DOR, Joel, Introdução à Leitura de Lacan, Tradução de Carlos Eduardo Reis, Porto alegre: Artes Médicas, 1989. Cap. 12. Pag. 77-94.

Dicionário Aurélio, Ed. Nova Fronteira, 1986.

Autor: Ana Karla Mello

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