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A ESSÊNCIA DA INFÂNCIA

CRIANÇAS



1.0- INTRODUÇÃO

O que é uma criança? Quais seriam as características universais das crianças? Imaginemos que, sendo professores, entramos na sala de aula e encontramos as crianças rindo alto, correndo de um lado para outro, pulando sobre as mesas, se jogando no chão, pintando paredes… Possivelmente, a nossa reação será semelhante à de um velho ranzinza. Imaginemos, agora, a mesma situação na visão da criança. Como nos sentimos: bem ou mal? É divertido? Sim, mas talvez nos sintamos culpados…

Segundo o modo clássico de entender o ensino, a criança era “natureza a domesticar”, como um animal que devia ser domado, como um campo que devia ser cultivado. O jogo, por ativar espontaneidade, era considerado como algo a suprimir, pois estaria interferindo num aprendizado entendido como acumulação de conhecimentos. Tinha-se que encher a cabeça da criança de conhecimentos e, para isso, era necessário que ela prestasse atenção. Brincar atrapalhava a atenção da criança.

Muitos foram os autores que, no século XX, mudaram essa visão (Huizinga, Brougère, Chateau, Lebovici e Diatkine, Winnicott, Piaget, Vygotsky, Leontiev e Elkonin). O jogo continuava sendo, para eles, uma atividade natural e espontânea, mas deixava de pensar-se que interferia no aprendizado. Pelo contrário, demonstraram que é imprescindível para o desenvolvimento e desempenha um papel de importância capital na aprendizagem.

Porém, a leitura desses autores revela que a brincadeira continua sendo considerada como uma atividade própria da infância e contrária ao funcionamento psíquico do adulto. É natural que isso aconteça, dado que o trabalho deles se refere às crianças e não aos adultos. Acontece que, no caso do professor, essa atitude levada ao extremo pode interferir na comunicação com os alunos e ter um efeito contrário aos seus objetivos de ensinar.

“O mundo da criança difere qualitativamente do mundo adulto, nele há o encanto da fantasia, do faz-de-conta, do sonhar e do descobrir”*.

A psique humana não é uma unidade homogênea, ela está constituída por unidades estruturais chamadas complexos. A palavra complexo tem passado à linguagem ordinária com um sentido negativo, quase sinônimo de doença mental. Não é nesse sentido que a estamos usando. É completamente normal “ter complexos”, tão normal que não é possível não tê-los, pois fazem parte de nós.

Para nos conectar empaticamente com as crianças, antes devemos nos conectar com a nossa própria criança interior.

Ao estar o professor em contato com o seu puer interno, não cairá na tentação de querer impor um programa aos alunos como se eles fossem máquinas. Poderá entrar afetivamente em contato com eles, ter uma compreensão humana de suas atitudes e aptidões. Possibilitará o contato pessoal e o diálogo autêntico, além da pura transmissão de conhecimentos e valores. Abrirá também a possibilidade de que os alunos questionem os valores dominantes no diálogo com o professor e possam construir os seus próprios valores, não sobre uma base imposta, mas a partir de uma avaliação pessoal.

Relata-se neste trabalho a essência da infância. Seus problemas, comportamento, etc, afim de proporcionar ao final um conhecimento para aqueles que serão educadores e que participarão efetivamente na infância de muitas pessoas.


2.0- ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Toda criança e adolescente tem seus direitos garantidos por uma lei conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Há dez anos atrás aconteceram muitos encontros internacionais que discutiram sobre os Direitos Humanos. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente entrou para a história política e social do Brasil como exemplo de construção cidadã transformando o adolescente em uma pessoa que tem direitos.

O ECA abriu as portas de um caminho rumo à cidadania da infância e da adolescência. Antes do ECA, existia uma lei no Brasil que se chamava Código de Menores; essa lei só falava sobre os adolescentes e crianças infratores, e considerava esses jovens como problema.

O ECA, ao contrário do Código de Menores, preocupa-se com a proteção integral das crianças e dos adolescentes até 18 anos e, em alguns casos, com jovens até 21 anos, dando as condições de exigibilidade, ou seja, o poder de exigir através das leis. Garantir os direitos escritos no ECA tornou se dever da família, do Estado e da Sociedade.

O ECA garante que:

“Crianças e adolescentes são sujeitos de Direitos”. Sujeitos de Direitos são pessoas que têm os seus direitos garantidos por lei.

“Seus direitos devem ser tratados com prioridade absoluta”. Isso quer dizer que os direitos das crianças e dos/ das adolescentes estão em primeiro lugar.

“Para tudo deve ser levada em conta a condição peculiar de crianças e adolescentes serem pessoas em desenvolvimento”.

A criança e o adolescente têm os mesmos direitos que uma pessoa adulta e, além disso, têm alguns direitos especiais, por estarem em desenvolvimento físico, psicológico, moral e social. As crianças e os adolescentes não conhecem todos os seus direitos e por isso não têm condições de exigir, então é muito importante que todos conheçam o ECA para que se possa conseguir uma sociedade mais justa para todos. A lei do Estatuto da Criança e do Adolescente assegura às crianças e aos adolescentes todas as facilidades e oportunidades a fim de ajudar no seu desenvolvimento físico, mental, moral, social e espiritual com liberdade e dignidade. Na Constituição Brasileira existe um artigo, o 227, que exige a proteção integral à criança e ao adolescente.

“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Art.227

Constituição Brasileira. Parece que só se fala em DIREITOS, mas precisamos discutir também os nossos compromissos sociais e a importância deles. É muito importante exercermos o compromisso social perante aquele direito adquirido; mais do que um dever o compromisso social é uma forma de manifestação de respeito e solidariedade para com a comunidade. Um exemplo de compromisso social é: se a gente conquista o direito de ter escola e educação, é nosso compromisso social preservar a escola e, sem dúvida, estudar. Lembrando sempre que o compromisso social e o exercício da cidadania, é que garante, que o direito conquistado não seja perdido.


3.0- DEPRESSÃO INFANTIL

O Transtorno Depressivo Infantil é um transtorno do humor capaz de comprometer o desenvolvimento da criança ou do adolescente e interferir com seu processo de maturidade psicológica e social. São diferentes as manifestações da depressão infantil e dos adultos, possivelmente devido ao processo de desenvolvimento que existem na infância e adolescência.

A depressão foi considerada a principal doença psiquiátrica do século, afetando aproximadamente oito milhões de pessoas só na América do Norte (onde são feitas as principais pesquisas). A morbidade da depressão se reflete no fato de que os adultos deprimidos são 20 vezes mais propensos a morrer de acidentes ou de suicídio do que adultos sem transtorno psiquiátrico.

Tanto os quadros de Distimia quanto de Transtorno Afetivo Bipolar, podem surgir pela primeira vez durante a adolescência e o reconhecimento precoce de um estado depressivo poderá ter profundos efeitos na futura evolução da doença.

Apesar da tamanha importância da Depressão da Infância e Adolescência em relação à qualidade de vida, ao suicídio, às dificuldades na escola, no trabalho e no ajuste pessoal, esse quadro não tem sido devidamente valorizado por familiares e pediatras e nem adequadamente diagnosticado.

Embora na maioria das crianças a sintomatologia da Depressão seja atípica, alguns podem apresentar sintomas clássicos de Depressão, tais como tristeza, ansiedade, expectativa pessimista, mudanças no hábito alimentar e no sono ou, por outro lado, problemas físicos, como dores inespecíficas, fraqueza, tonturas, mal estar geral que não respondem ao tratamento médico habitual.

Na criança e adolescente a Depressão, em sua forma atípica, esconde verdadeiros sentimentos depressivos sob uma máscara de irritabilidade, de agressividade, hiperatividade e rebeldia. As crianças mais novas, devido a falta de habilidade para uma comunicação que demonstre seu verdadeiro estado emocional, também manifestam a Depressão atípica, notadamente com hiperatividade.

A depressão na criança pode ter início com perda de interesse pelas atividades que habitualmente eram interessantes, manifestando-se como uma espécie de aborrecimento constante diante dos jogos, brincadeiras, esportes, sair com os amigos, etc, além de apatia, adinamia e redução significativa da atividade. Às vezes pode haver tristeza.

De forma complementar aparece diminuição da atenção e da concentração, perda de confiança em si mesmo, sentimentos de inferioridade e baixa autoestima, idéias de culpa e inutilidade, tendência ao pessimismo, transtornos do sono e da alimentação e, dependendo da gravidade, ideação suicida.

3.1.- Sintomas

A Depressão Infantil não se traduz, invariavelmente, por tristeza e outros sintomas típicos. A diferença entre os momentos nos quais as crianças podem estar tristes ou aborrecidas com quaisquer fatores vivenciais que as molestem e a Depressão verdadeira está, principalmente, no tempo e na motivação para esse sentimento. A Depressão Infantil tem sido cada vez mais observada devido, em parte, à atualização conceitual e atenção médica crescente sobre esta doença.

Apesar da Depressão, tanto no adulto quanto na criança, ter como modelo de diagnóstico a conhecida constelação de sintomas, decorrentes da tríade sofrimento moral, a inibição psíquica global e no estreitamento do campo vivencial, as diferentes características pessoais e as diferentes situações vivenciais entre o adulto e a criança, farão com que os sintomas secundários decorrentes dos sintomas básicos sejam bem diferentes. O sofrimento moral, por exemplo, responsável pela baixa auto-estima, no adulto pode se apresentar como um sentimento de culpa e, na criança, como ciúme patológico do irmão mais novo.

Nas crianças e adolescentes é comum a Depressão ser acompanhada também de sintomas físicos, tais como fatiga, perda de apetite, diminuição da atividade, queixas inespecíficas, tais como cefaléias, lombalgia, dor nas pernas, náuseas, vômitos, cólicas intestinais, vista escura, tonturas, etc. Na esfera do comportamento, a Depressão na Infância e Adolescência pode causar deterioração nas relações com os demais, familiares e colegas, perda de interesse por pessoas e isolamento. As alterações cognitivas da Depressão infantil, principalmente relacionadas à atenção, raciocínio e memória interferem sobremaneira no rendimento escolar.

Os sintomas mais freqüentes da Depressão na Infância e Adolescência costumam ser os seguintes: insônia, choro, baixa concentração, fatiga, irritabilidade, rebeldia, tiques, medos lentidão psicomotora, anorexia, problemas de memória, desesperança, ideações e tentativas de suicídio. A tristeza pode ou não estar presente.

Hoje em dia a ampliação da constelação sintomática atribuída à depressão infantil tem contribuído, sobremaneira, para a elaboração do diagnóstico e, por causa disso, cada vez mais os distúrbios do comportamento da criança estão sendo relacionados a uma maneira depressiva de viver.

A expressão clínica da depressão na infância é bastante variável. Baseando-se nas tabelas para diagnóstico, revistas por José Carlos Martins, podemos compor a seguinte listagem de critérios:

3.2.- Sinais E Sintomas Sugestivos De Depressão Infantil


1- Mudanças de humor significativa

2- Diminuição da atividade e do interesse

3- Queda no rendimento escolar, perda da atenção

4- Distúrbios do sono

5- Aparecimento de condutas agressivas

6- Auto-depreciação

7- Perda de energia física e mental

8- Queixas somáticas

9- Fobia escolar

10- Perda ou aumento de peso

11- Cansaço matinal

12- Aumento da sensibilidade (irritação ou choro fácil)

13- Negativismo e Pessimismo

14- Sentimento de rejeição

15- Idéias mórbidas sobre a vida

16- Enurese e encoprese (urina ou defeca na cama)

17- Condutas anti-sociais e destrutivas

18- Ansiedade e hipocondria

Não é obrigatório que a criança depressiva complete todos os itens da lista acima para se fazer o diagnóstico. Ela deve satisfazer um número suficientemente importante de itens para despertar a necessidade de atenção especializada. Dependendo da intensidade da depressão, pode haver substancial desinteresse pelas atividades rotineiras, queda no rendimento escolar, diminuição da atenção e hipersensibilidade emocional. Surgem ainda preocupações típicas de adultos, tais como, a respeito da saúde e estabilidade dos pais, medo da separação e da morte e grande ansiedade.

Além disso, tendo em vista a característica atípica da maioria das depressões na infância, alguns autores começam a pensar neste diagnóstico para outras patologias bem definidas, como é o caso do Déficit de Atenção por Hiperatividade, para certos casos de Distúrbios de Conduta (notadamente a rebeldia, oposição e agressividade) e para os Transtorno Fóbico-Ansioso. Supõe-se haver uma íntima relação entre todos esses quadros citados e, principalmente na ansiedade da infância, quer seja como co-morbidade ou como manifestações clínicas atípicas da Depressão Infantil.

3.3.- Regressão E Competição Na Infância

De maneira geral, uma criança pode regredir seu comportamento para competir com outras da sua idade. Por exemplo, uma criança ao perceber sua mãe grávida ou recebendo um novo bebezinho no lar, pode regredir para tentar chamar a atenção e os mesmos cuidados que a mãe está dispensando ao “nenê” na barriga ou ao recém-nascido. Uma forma de se tentar lidar com a situação tem sido o de atribuir à criança algumas responsabilidades em relação àquele com quem está competindo, deixando com que ela de alguma forma ajude ao outro, quer segurando alguma coisa, buscando um copo de água, ou outro comportamento que demonstre sua capacidade e, até mesmo, superioridade. Também não se deve deixar de demonstrar o reconhecimento e o afeto para com a criança logo após ela ter auxiliado nos cuidados aos mais novos. Sentindo-se amada e reconhecida, provavelmente a criança não precisará ser ardilosa e manifestar regressão de comportamento.


4.0- TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE

Desde pequeno já é inquieto. Em casa, corre daqui para lá o dia todo, sem que nada o detenha, nem sequer o perigo. Tira brinquedos de seu lugar, esparrama todos eles pelo chão e, quase sem usá-los, pega outros e outros, sem deter-se em nenhum. Interrompe permanentemente os adultos e as outras crianças, respondendo impulsivamente e de forma exagerada àqueles que o molestam. Seus companheiros de escola o evitam, mesmo assim ele sempre termina chamando-os para pedir-lhes ajuda nas lições que não consegue copiar a tempo.

Essa criança sempre perde os objetos, é desordenado, tendo que cobrá-lo o tempo todo, não só para que complete as tarefas, mas também porque, distraído, se esquece de que é hora de almoçar, de jantar ou de banhar-se.

Quando começa fazer alguma coisa, se esquece de terminar, para na metade. Quando vai a algum lugar para no caminho, se detém para falar com alguém, para entreter-se numa brincadeira, com algum animal ou passarinho que passa voando.

Tal criança pode ser portadora de Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade (TDAH). Trata-se de um dos transtornos mentais mais freqüentes nas crianças em idade escolar, atingindo 3 a 5% delas. Apesar disto, o TDAH continua sendo um dos transtornos menos conhecidos por profissionais da área da educação e mesmo entre os profissionais de saúde. Há ainda muita desinformação sobre esse problema.

O desconhecimento desse quadro freqüentemente acaba levando à demora no diagnóstico e no tratamento dos portadores do TDAH, os quais acabam sofrendo por vários anos sem saber que a sua situação pode ser (facilmente) tratada.

Na realidade, determinar qual o nível de atividade normal de uma criança é um assunto polêmico. A maioria dos pais tem uma certa expectativa em relação ao comportamento de seus filhos e, normalmente, esta expectativa inclui um certo grau agitação, bagunça e desobediência, características que são aceitas como indicativos de saúde e vivacidade infantil.

Porém, algumas vezes podemos estar diante de um quadro de Hiperatividade Infantil, que foge da simples questão de comportamento. É um transtorno que vive a desafiar a teimosia dos avós, os quais continuam achando que “crianças são assim mesmo” (eles não vivem 24h por dia com essas crianças), ou que os pais delas também eram assim quando crianças, ou que essespais de hoje em dia não têm paciência.

Não. Decididamente não se trata de crianças que têm energia demais, como dizem alguns psicólogos mal informados, elas têm uma doença perfeitamente conhecida pela medicina. A Hiperatividade, mais precisamente ao Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), não é um problema neuropsiquiátrico que dá apenas nos filhos dos outros. O TDAH não tratado pode ser responsável por enorme frustração dos pai. Uma das angústias experimentadas por eles é que os pacientes diagnosticados com TDAH são freqüentemente rotulados de “problemáticos”, “desmotivados”, “avoados”, “malcriados”, “indisciplinados”, “irresponsáveis” ou, até mesmo, “pouco inteligentes”.

Devido à série de problemas psicológicos, sociais, educacionais e até mesmo criminais que pode ocorrer como conseqüência do não tratamento do TDAH, é muito importante que os profissionais da área de saúde mental e educação, além das famílias, estejam pelo menos informados sobre a existência do TDAH e os seus principais sintomas.

As crianças portadoras de TDAH ultrapassam a festiva barreira das travessuras engraçadinhas, deixam de ser adoráveis diabinhos e se transformam em um verdadeiro transtorno na vida dos pais, professores e todos que estiverem a sua volta. Elas parecem ignorar as regras de convívio social e, devido ao incômodo que causam, acabam sendo consideradas de má índole, caráter ou coisa parecida. No entanto, é preciso deixar claro que as crianças hiperativas não são, de forma nenhuma, más. Além disso, elas não se convencem facilmente e não conseguem se concentrar na argumentação lógica dos pais já que essas crianças têm extrema dificuldade em sentar e dialogar.

Por outro lado, ainda é comum encontrar entre leigos, a noção de que a criança hiperativa seja apenas malcriada, ou mal educada pelos pais. Este tipo de acusação freqüentemente resulta em sensação de fracasso pelos pais. Por isso, é muito importante que os profissionais estejam preparados para suportar e desfazer este mito.

4.1.- Diferença entre a inquietude habitual das crianças normais e hiperatividade

Todos as crianças são desatentos e impulsivos e exibem altos níveis de energia de vez em quando. No caso de TDAH, esta conduta se manifesta quase todo o tempo. Quando a criança exibe a conduta descrita hiperativa, típica do TDAH, ainda que o faça de forma consistente, não se deve chegar à conclusão errônea de que a criança tem esta desordem. Até que não se complete uma avaliação apropriada, só se pode supor que a criança tenha uma hipercinesia. Além disso os critérios diagnósticos necessários mudam com a idade.

4.2.- Como se realiza o diagnóstico

Muitas vezes os professores são os primeiros a detectar o problema, já que podem comparar a conduta entre crianças da mesma idade. Quando se suspeita que a criança possa estar sofrendo deste transtorno, deve-se realizar uma consulta com um profissional especializado. Existem escalas, como a Escala de Conners, amplamente utilizadas como escore de suspeita, com versões validadas em populações latinas.

4.3.- Tratamento

Sabe-se que só o tratamento que combine três aspectos pode ser efetivo em longo prazo. O plano terapêutico se baseia fundamentalmente em três premissas:

4.3.1.- Adequação das opções educativas

Existem varias técnicas para melhorar a aprendizagem, mas fundamentalmente mencionaremos as seguintes:

  • Um ambiente muito bem estruturado ajuda a criança a ordenar-se.
  • Favorecer ambientes onde tenha a menor distração possível.
  • Supervisionar pessoalmente as tarefas.
  • Estabelecer um tempo extra e fixo para que copie seu trabalho, lembrando que quando o tempo se esgotar deve parar e não deixar passar do limite.
  • Fracionar as tarefas em intervalos curtos de tempo, com descansos entre uma e outra.
  • Usar ajudas visuais como imagens em livros, em quadros, ou favorecer a aprendizagem por computador, para manter-lhe a atenção.
  • Ser positivo e gratificante com cada sucesso cotidiano por menor que seja, para estimular o esforço em manter a atenção e reduzir o estado de frustração e cansaço.
  • Usar métodos que permitam o autocontrole, como cronogramas, agendas, listas.


5.0- SEXUALIDADE NA INFÂNCIA

A idéia de que sexo é sempre algo sujo e pecaminoso tem levado muitas pessoas a desenvolverem sérios problemas de personalidade, gerando comportamentos distorcidos, que a sociedade tende a rejeitar. A maioria dos problemas tem origem na infância, fato que atribui aos pais um papel fundamental na correta orientação dos filhos no campo da sexologia.Quando a sexualidade não é bem entendida, podem ser gerados vários problemas que têm afligido e angustiado, não somente as famílias, mas também o próprio indivíduo que luta com inúmeras dificuldades psíquicas e funcionais afetivas. Iremos abordar o assunto por etapas, o que será mais fácil para o leitor acompanhar e compreender esse tema, bem como sobre os distúrbios sexuais que afligem a milhares de pessoas. Após, iremos tratar de um assunto complexo: a homossexualidade dentro da visão psicanalítica, com o objetivo de oferecer às famílias (pais), e ao próprio indivíduo envolvido, algumas respostas a inúmeras perguntas e dúvidas sobre a problemática homossexual, além de oferecer também uma indicação terapêutica para o caso.

5.1.- Fases de desenvolvimento sexual

O ser humano, tanto no nível mental como no corporal, se desenvolve em etapas. Especificamente, em nível psicológico, o homem evolui nas seguintes fases:

  • Oral :0 – 1 ano de idade
  • Anal :1 – 3 anos de idade
  • Fálica: 3 – 5 anos de idade
  • Latente: 5 – 10 anos de idade
  • Adolescência
  • pré-adolescência: 10 –12 anos de idade
  • adolescência propriamente dita: 12 – 18 anos de idade
  • pós-adolescência: 18 – 23 anos de idade
  • Maturidade :25 – 50 anos de idade
  • Senilidade: 50 em diante

Cada fase tem uma correspondência muito íntima com a formação da árvore neurológica (estrutura cerebral) e sua funcionalidade (psicodinâmica) comportamental. Vamos trabalhar inicialmente com os estudos das cinco primeiras nas quais ocorre, de maneira fundamental, uma troca muito intensa de sentimentos e percepções entre o indivíduo e o ambiente.

Na criança de alguns meses de idade, que ainda esteja sendo amamentada ao seio da mãe, ou mesmo na mamadeira, sua boca, esôfago e estômago são órgãos sensoriais para os estímulos agradáveis e desagradáveis (sentimentos bons ou maus); os quais põem a criança em relação com o meio interno dela e o meio ambiente, o que já é determinante para a formação de sua psique.

Na criança de um a três anos, época em que ela já começa a ter maior relacionamento com o seu meio (pessoas), e a sofrer influências das primeiras regras sociais, (quando a mãe solicita que ela peça para evacuar, e não o faça na fralda), ela te o ânus e a ampola retal como órgãos sensoriais para os mesmos sentimentos de prazer ou desprazer, ou seja – podendo ela evacuar por prazer ou desprazer, ou seja, podendo ela evacuar por prazer de ganho afetivo ou reter as fezes pelo mesmo motivo. Ou do modo inverso, reter as fezes ou evacuar, como sentimento de desprazer para com o meio.

Alcançada a idade de três a cinco anos, a criança está vivenciando a fase fálica. Nesse momento, a zona dos órgãos genitais é que passa a ser acionada para a relação de meio interno da criança e meio externo (ambiente). Na realidade, é um período muito significativo para ela, já que tendo uma evolução neurológica e psicológica mais desenvolvida, pode, com toques na zona genital, descobrir o prazer sexual anorgásmico (sem orgasmo), pois ainda não possui o circuito hormonal funcionante; apenas fazem suas primeiras descobertas corporais com prazer. Portanto, a sexualidade bem definida é que dará ao indivíduo a capacitação plena para as suas realizações na vida. É a espinha dorsal do comportamento humano.

5.2.- As primeiras descobertas sexuais

Está bem claro que durante toda a nossa vida, desde o nascimento até a morte, todo pensamento, sentimento ou ação comportam em si uma pulsão libidinal (força). Não há vida sem uma identidade sexual sadia. A sexualidade sadia estrutura-se com base na atividade fisiológica bem como no conteúdo afetivo em relação ao objeto amoroso.

Isso é comprovado em cada etapa do desenvolvimento, desde a oral passiva (época da amamentação do bebê) – a busca do prazer através da sucção – até a oral ativa (época em que o bebê já possui alguns dentinhos) na qual o morder tem papel fundamental.

Na fase genital prévia, na segunda metade do primeiro ano de vida (seis meses), aparece a necessidade do terceiro (pai), e se estrutura o complexo de Édipo primário. É quando ocorre o descobrimento e a manipulação dos órgãos genitais. As fantasias de um indivíduo em nível genital adquirem predomínio sobre o que significa a sexualidade no indivíduo. Essas fantasias de vínculo genital (ligações entre o bebê, mãe e pai), se dão com as características do penetrante para o masculino e do penetrado para o feminino. As fantasias de penetrar e ser penetrado são o modelo do vínculo que vai ser mantido durante a vida posterior do sujeito como expressão do masculino e do feminino, para o qual as figuras da mãe e do pai são essenciais.

Bem, com a criança na fase anal (dois a três anos) a capacidade de “empurrar” e “reter” suas evacuações proporciona ao indivíduo, além do prazer, a possibilidade de dar prazer também ao adulto amado, e implica na noção de poder controlar seus excrementos. Pelo fato de ser muito atuante, a tensão libidinal da criança nem sempre encontra como deslocar-se para os substitutos que lhes são oferecidos. Além do mais, a atitude dos pais em relação aos hábitos de higiene, vai influenciar o desenvolvimento sadio, bem como a adaptação à vida social.

Agora a criança já se encontra na fase três, a fálica. Com o desinteresse pelas matérias fecais, ela transfere sua atenção e interesse para os genitais, o que passa a ter muito significado para ela. É preciso ressaltar que o que aqui ocorre é uma descarga genital geral, pois os genitais em fase remotas já funcionavam como zonas erógenas, só que de força primária.

5.3.- As descobertas do sexo masculino

O menino passa a identificar-se com o seu pênis, de forma narcisista (amor profundo a si). Além disso, há a descoberta da diferença entre os sexos. E assim ele experimenta, pela primeira vez, o que se chama de “angústia de castração”, ou seja, medo de que alguma coisa possa acontecer a esse pênis valorizado. É muito comum observarmos mães que se preocupam ao ver a criança tocando o pênis, e fazem ameaças de, por exemplo, cortá-lo e dar para o gato, ou aplicar castigo, criando a angústia terrível de castração.

A intensidade dessa angústia depende do valor atribuído ao pênis durante o período fálico, que vai influir na questão com que se defronta o menino, em relação à sexualidade: ou renuncia a ela, ou põe em risco seu pênis. Como nessa fase estão presentes os fatores narcisistas (amor profundo a si próprio), a posse do pênis passa a ser objetivo principal. É interessante lembrar que nessa fase da criança, o complexo de Édipo se desenvolve intensamente (é o amor da criança pela mãe, e a repulsa pelo pai). É um período curioso, em que se nota grande interesse do menino pela mãe, oferecendo a ela todo o seu carinho, tornando-se mais exigente para com ela, cobrando sua atenção e afeto, beijando-a constantemente. Quer dormir com ela, fica manhoso, e tenta afastar o pai das relações afetivas, para com a mãe. Trata-se de uma disputa verdadeira de dois sexos iguais (masculinos) em relação a um sexo diferente (feminino) mãe.

O objeto de amor afetivo sendo a mãe, e o menino faz tudo para conquistar sua atenção, seu interesse. E quanto mais se desenvolve com esse objetivo declarado de agradar a mãe (feminino) e de se identificar com o pai (masculino), mais os fantasmas edípicos se evidenciam. Notamos isso pelos sonhos ameaçadores na criança, os pavores noturnos que a atacam, ficando ela apavorada e recorrendo ao quarto dos pais, não conseguindo ficar sozinha em sua cama, tentando insistentemente acomodar-se no meio dos pais. Lembramos aos pais que suas atitudes de compreensão para com a criança nesse período, são de fundamental importância para uma elaboração (realização) satisfatória do Complexo de Édipo.

5.4.- As descobertas do sexo feminino

A menina também está experimentando a fase fálica (três a cinco anos). Ela vê o pênis como um objeto muito valorizado e que ela não possui. Sente-se com isso, desfavorecida, imaginando ter sido castrada por seus jogos sexuais – manipulação que a criança faz dos órgãos genitais.

Ela inveja o pênis, desejando-o para si, ao mesmo tempo em que deprecia seu próprio genital. É isso que faz com que ela se ligue mais intensamente ao pai (Complexo de Édipo), relacionando-se com ele da mesma forma que o menino e a mãe, afastando o máximo possível a mãe da relação.

Esse contato desenvolve entre ela e o pai o seu primeiro encontro amoroso heterossexual (deseja o pai). Ela precisa introjetar (colocar dentro de si) a figura paterna com sua virilidade masculina para poder aprender a desenvolver um relacionamento de trocas com o sexo oposto.

5.5.- A formação da identidade sexual

Freud salienta um aspecto muito importante, que diferencia a vivência da moça e a do rapaz, nesse período. A menina deve passar por alterações essenciais para a formação de sua identidade sexual:

  • Desligar-se de sua mãe, objeto de amor homossexual.
  • Transferir seus impulsos amorosos (libidinais) para o pai (eleição heterossexual).

A excitabilidade centralizada no clitóris (resquício do pênis embriológico), deve ser dirigida para a vagina, transformando assim seus fins sexuais ativos em passivos, na identificação com a figura materna.

Dentro do conceito psicanalítico da identidade sexual, o que leva a menina a separar-se da mãe como objeto amoroso homossexual inclui entre outros, o fato principal de reprovar-lhe a falta do pênis, como uma herança da mãe, de um genital insuficiente, que nunca lhe servirá para conquistá-la. Sendo assim, a menina volta-se para o pai, já que pode ser amada por ele, e aí recupera sua mãe, através da identificação com ela.

Vale lembrar que, em ambos os sexos, o Complexo de Édipo é o ponto culminante da sexualidade infantil, no qual os desejos são geralmente expressos na masturbação com sentimentos de culpa. Para que o indivíduo alcance um desenvolvimento satisfatório, é necessário ele supere estes desejos.

A facilidade com que o adolescente (12 a 23 anos), conseguirá atingir um sentido claro de identidade, dependerá de vários fatores, dentre os quais constam os tipos de identificações com sua maturidade sexual, suas aptidões e capacidades derivadas de sua destreza e experiências, bem como das oportunidades apresentadas pelos papéis sociais em mudança. Creio que o ponto mais crítico seja a espécie de relacionamento que o menino e amenina tenham tido e continuem a ter com seus pais. São os processos de identificações iniciais, que facilitam ou dificultam a aquisição de uma identidade sexual “normal”. Muitas vezes, esse processo de identificação facilita a experiência do tipo homossexual, sem negar que o espírito de grupo, o contato intenso, a comunidade de aspirações e as fantasias sexuais inconscientes determinam aproximações homossexuais cada vez mais intensas.

Pais neuróticos criam filhos neuróticos e, no Complexo de Édipo destes, os pais vão reviver os seus próprios complexos, provavelmente não elaborados. Além disso, a “ausência” de um dos pais ou, por outro lado, a imagem empobrecida e fraca ou ainda demasiado forte de um deles, são de fundamental importância para a elaboração do Complexo de Édipo. Nesse processo de identificação, a falta de uma figura paterna com características e papéis bem definidos propicia ao rapaz ou à moça se fixarem na figura da mãe, passando a ser o ponto chave para o desenvolvimento da homossexualidade.


6.0- OBESIDADE INFANTIL

A incidência de obesidade na infância está aumentando em todo o mundo. No Brasil também está ocorrendo um aumento marcante da obesidade infantil e, além das possíveis complicações clínicas da obesidade, com o crescente apelo estético de um padrão de beleza sempre magro, a implicação da obesidade na auto-estima infantil também tem sido um fator muito importante.

A obesidade infantil prepondera no primeiro ano e após o oitavo ano de vida, é maior nas famílias de renda maior (11,3 %) do que naquelas de menor renda (5,3 %). Mas, em qualquer faixa sócio-econômica, a vida moderna tem criado condições para o desenvolvimento de obesidade em crianças, na medida em que são impedidas de saírem de casa (por causa da violência) e, desta forma, deixam de correr nas praças, andar de bicicleta e participar de outras brincadeiras de boa atividade física.

Atualmente as crianças ficam muito em casa, dentro de seus quartos, sentadas ou deitadas na cama, jogam video-game, navegam pela internet, assistem vídeos ou estão ligadas na TV. Pesquisas têm revelado que 26% das crianças americanas, entre 8 e 16 anos, passam 4 ou mais horas em frente à televisão diariamente. Esses estudos procuram relacionar o hábito de ver TV com a obesidade infantil.

O ganho de peso acima do normal é, geralmente estimulado já nos primeiros anos de vida, pois a família, principalmente mães e avós têm, a idéia de que nenê gordinho é sinal de saúde. A obesidade deve ser prevenida tão logo a criança nasça, pois, o ganho de peso acima do esperado, aumenta o número de células gordurosas e favorece o aparecimento de obesidade no futuro. Como se viu acima, da Obesidade Hipercelular.

É preciso alertar para o fato de ser em torno dos dois anos e meio que se definem o número de células gordurosas de uma pessoa adulta e, normalmente, uma criança com excesso de peso possa a ter maior número de células gordurosas que uma criança com peso normal. Na fase adulta, tendo maior número de células gordurosas, essa pessoa terá maior dificuldade em se manter magro. O contrário é verdadeiro, ou seja, as pessoas que possuem menor número de células gordurosas, mesmo venham a ganhar algum peso, não serão obesas, já que possuem poucas células que armazenam gordura.

É freqüente pais desejarem que o filho seja cheio de dobrinhas e bem gordinho. É freqüente também que essas crianças gordinhas percam o excesso de peso ao começarem a engatinhar e a andar. O problema começa a ficar sério quando a criança continua a ganhar peso excessivamente depois de 1 ano de idade. Aos dois ou três anos de idade, o excesso de peso antes elogiado pelos avós, ao invés de agradar, passa a incomodar pais, familiares e a própria criança. Nessa fase, as mesmas pessoas que achavam linda a criança gordinha, passam a dizer que um regimezinho agora até que seria bom.

A melhor maneira de evitar a obesidade infantil é tomar alguns cuidados antes mesmo do nascimento. Pais obesos e com padrões alimentares ricos em gorduras, calorias, sal e açúcar, são fortes candidatos a ter filhos obesos.

Neste caso, o bebê deve ter uma alimentação inicial baseada exclusivamente no leite materno durante os seis primeiros meses de vida, tendo em mente que quanto mais tempo durar a amamentação, melhor. A partir do primeiro ano de vida, fase em que a criança começa a ingerir alimentos sólidos, as frutas, legumes e carnes magras devem entrar no seu cardápio diário. A primeira lição que a criança deve aprender é que o açúcar deve ser consumido em pequenas quantidades e após as refeições.

Dessa forma, o aleitamento materno no primeiro ano de vida é uma das mais eficientes e principais medidas de prevenção da obesidade infantil. O aleitamento materno é tão fisiológico, no que diz respeito à compleição da criança, que o bebê que recebe leite materno e se encontra acima na curva ponderal normal, nem é considerado obeso, mas como tendo uma compleição corporal diferente e, normalmente, este excesso de peso não permanecerá.

Se a criança é alimentada com fórmulas infantis e apresenta alterações para mais na curva de peso, é preciso avaliar, a quantidade de leite, a concentração de farinhas ou açúcares, a diluição, os horários e etc… Os hábitos alimentares são precocemente condicionados nas crianças por seus pais e, como atualmente há uma tendência para alimentos mais gordurosos ou calóricos, essas crianças podem desenvolver obesidade desde cedo.

Como vimos acima, crianças obesas podem fazer parte dos grupos de riscos com maiores probabilidades de virem a sofrer, na idade adulta, de distúrbios tais como a hipertensão, diabetes, doenças respiratórias, transtornos coronarianos e problemas ortopédicos.

Com modernos aparelhos e métodos mais sofisticados, o médico pode diagnosticar o grau de obesidade e a quantidade de tecido gorduroso da criança. Detectado o problema, deve ser recomendado um tratamento completo para a obesidade, incluindo a dieta alimentar, cardápio específico, horário fixos para as refeições, atividades físicas e, principalmente, avaliação e eventual tratamento de problemas emocionais.

Crianças em idade pré-escolar (de 1 a 6 anos) que apresentam apetite exagerado ou uma preocupação acentuada com alimentos merecem atenção especial pois, nesta idade, normalmente as crianças não dão muita importância à comida. O apetite começa a melhorar entre os escolares (7 anos) e, aos 8, já é possível encontrarmos a obesidade.
Na adolescência, um dos motivos para que o peso seja negligenciado é a falsa crença de que o crescimento do adolescente, por si, já resolve o problema da obesidade. De fato, o crescimento pode ser um aliado mas, algumas vezes, apesar de estar crescendo, pode haver ganho excessivo de peso.

É muito importante os pais terem em mente que mais de 99 % das crianças gordinhas não apresentam nenhum distúrbio hormonal. Essa importância está no fato de todos os pais serem ávidos por um exame endocrinológico. Apesar do fator genético ser sumamente importante, em geral a maior causa da obesidade infantil ainda é o erro alimentar.


7.0- BENEFÍCIOS DO TREINAMENTO DE FORÇA PARA CRIANÇAS

Nos últimos 10 anos o treinamento de força para crianças esta tendo grande aceitação entre os profissionais da Educação Física, Médicos e Cientistas.

As preocupações sérias dos pais, professores, treinadores e profissionais científicos, são obscuras, por muitos conceitos falsos e por profissionais desinformados a respeito do treinamento de força, seus perigos e como ele pode ser adaptado para os jovens. ( Hamil, 1994, Kraemer e Fleck, 1993). A literatura experimental fala sobre o treinamento e indica comprimento reduzido de ossos em ratos e camundongos expostos à natação ou corridas forçadas.” Não há dados humanos disponíveis”.

7.1.- Crescimento E Desenvolvimento Da Criança E Do Adolescente

Faixas Etárias

  • Criança = 7 aos 11 anos.
  • Pré-adolescência = 11 aos 13 anos .
  • Fase da puberdade para adolescência = 14 aos 15 anos .
  • Adolescência = 13 aos 17 anos.
  • Adulto = 17 aos 25 anos.

O crescimento acentuado do músculo no treinamento de força pode ocorrer depois da adolescência, quando os perfis hormonais de homens e mulheres ( adultos ) começam a surgir.

Nos homens da puberdade para adolescência há influência da testosterona. E após a puberdade com o treinamento de força pode ocorrer o aumento da massa muscular além do crescimento normal.

Sabe-se que não são possíveis em crianças pequenas o crescimento além do normal da massa muscular ( Imaturidade do Sistema Hormonal ). É importante que não seja prescrito hipertrofia muscular como objetivos.

Alguns meninos pequenos ( 7 aos 13 anos ) como fisicamente eles não desenvolvem seus músculos além do normal, por verem os mais velhos ( 14 a 17 anos ) querem também ter mais músculos e definições. Só que eles precisam ter paciência e à medida que crescem e passam pela puberdade, os aumentos musculares, especialmente nos homens, são biologicamente plausíveis.

Quando uma criança entra na adolescência (em torno dos 14 ou mais anos), ocorrem ganhos em tamanho muscular, tendo que avaliar o objetivo individual, especialmente para os rapazes e moças entre 14 e 15 anos (fase da puberdade para a adolescência) devido às diferenças típicas de amadurecimento.

O crescimento ósseo cessa variando de cada osso, mas geralmente ele termina em torno dos 18, 20 anos de idade. Pois ao término do crescimento as placas se ossificam (endurecem com o cálcio) e desaparecem.

7.2.- Desenvolvimento Da Força Muscular Da Criança: Hipertrofia, Força E RML

No final da década de 1970 os opositores ao treinamento de força para criança, deduziram que não havia ganho de força ou aumento da massa muscular além do normal nos pré-púberes ( pré-adolescência ).

Nos primeiros estudos realizados em crianças não ocorreu ganhos de força ( Vrijens, 1978 ).Diligências mais recentes fundamentadas em estudos científicos, tornaram evidentes que é possível o treinamento de força para crianças, incluindo os pré-púberes ( Blimkie, 1989; Freedson, Ward e Rippe, 1990, Sale, 1989 ).

Força: É a capacidade de exercer tensão contra uma resistência que ocorre por meio de diferentes ações musculares. ( Valdir J. Barbanti )

Hipertrofia: É quando o músculo aumenta de tamanho após um treinamento de musculação contra resistência. ( Valdir J. Barbanti ). É quando o músculo aumenta de tamanho em resposta ao treinamento de força. ( Steven J. Fleck )

RML: Resistência Muscular Localizada )É a capacidade do músculo de exercer tensão durante período de tempo, que pode ser constante ou variável, tentando manter o movimento por tempo prolongado ou fazendo muitas repetições ( Susan J. Male ).

Aumento da força muscular e resistência muscular localizada ( RML ) é a capacidade de um músculo ou mais de um músculo de realizar repetições múltiplas contra uma dada resistência.

Força, resistência e RML são qualidades de aptidão, inseparáveis para o aumento em volume dos músculos esqueléticos.

7.3.- Os Benefícios Do Treinamento De Força Para Crianças E Adolescentes

Os programas de treinamento de força nas crianças e nos praticantes em geral, auxilia na profilaxia das lesões articulares.

Na musculação, todos os técnicos e professores bem formados sabem que o excesso de treinamento deve ser evitado, pois um programa bem elaborado de exercícios consiste em ( séries, repetições, cargas e intervalos ) nutrição e repouso, para que assim possa ocorrer o anabolismo ( aumento da massa muscular ).

7.3.1.- Desenvolvimento Ósseo

O treinamento de força pode ser um dos fatores principais, que junto com o conhecimento teórico e prático, a um considerável aumento da densidade óssea e prevenção de lesões em jovens e atletas ( Hejna et al, 1982 ).

Na diminuição de lesões, ocorre aumento da capacidade de desempenho nos esportes e atividades recreativas.

A maioria das crianças se beneficiam na musculação com os programas de treinamento de força, pois o mesmo ajuda a melhorar o condicionamento físico, o desempenho no esporte e redução de possíveis lesões durante as atividades esportivas e recreativas.
Dentro dos benefícios do treinamento de força na musculação, este, deve ser bem planejado e orientado por profissionais qualificados ( Hamil, 1994 ).


8.0- ARTIGOS E REPORTAGENS SOBRE A INFÂNCIA

8.1- Esportistas Mirins

Fonte: Revista Cláudia (Editora Abril)

Começar a praticar um esporte antes do tempo pode resultar em frustração: o objetivo parece muito distante e a criança logo perde o interesse. Existe ainda o risco de comprometimento físico causado pela sobrecarga

Professores e médicos concordam: até os 12 anos, o ideal é que a criança experimente todas as modalidades de esportes sem se fixar em apenas um. Era assim, naturalmente, quando meninos e meninas brincavam na rua, jogavam bola o quanto e como queriam, criando regras e mudando de atividade o tempo todo. Com o crescimento das metrópoles e a diminuição do espaço, a atividade de rua foi transferida para as escolinhas. Esporte é vital para o desenvolvimento corporal e psicológico de qualquer criança e, além de tudo, é uma ótima maneira de queimar a incessante energia delas. Pois na hora de matricular seu filho numa escola, leve em conta o rodízio e o lado lúdico atribuído ao esporte. Natação, vôlei, basquete e ginástica olímpica, entre outros, devem ser alternados para que o corpo e a consciência corporal se desenvolvam de forma equilibrada e a criança conheça tudo antes de escolher apenas um. “Nada de cobrança de perfeição, incentivo a competição e excesso de esforço até os 12 anos”, afirma Turíbio Leite, do Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte) da Universidade Federal de São Paulo. Só depois dessa idade, a criança terá os movimentos desenvolvidos para praticar bem qualquer esporte que escolher como preferido e quem sabe então começar a treinar para ser um Gustavo Kuerten ou uma Janete e chegar nas Olimpíadas.

E mais. Crianças podem passar uma tarde inteira numa única atividade esportiva. Cuidado. O recomendável é que ela se dedique em média uma hora por dia a uma mesma modalidade. “A prática de um esporte por muito tempo seguido antes da puberdade aumenta o risco de lesões e de problemas nas articulações”, alerta o médico Victor Matsudo, presidente do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul, o Celafiscs.

Aproveite esse especial para garantir que seu filho cresça gostando de praticar esportes. Qualquer frustração e estresse desnecessário na infância pode comprometer esse gosto para o resto da vida dele. “Crianças que são muito cobradas quase sempre perdem a motivação”, afirma Roberto Rodrigues Paes, professor da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas. “A maioria acaba abandonando o esporte antes dos 15 anos.”

Queixas Mais Freqüentes

Pela Organização Mundial da Saúde, a adolescência vai dos 10 aos 19 anos e 11 meses. Há situações em que a puberdade ocorre antes disso, aos 8 ou 9, por exemplo. Nesse caso, o hebiatra também pode ser procurado, por sua formação em pediatria.

Confira os principais problemas dessa juventude relatados em uma consulta, de acordo com o Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Unifesp:

Meninos

  • Baixa estatura
  • Desenvolvimento físico (relacionado aos músculos e aumento das mamas).
  • Aconselhamento esportivo
  • Doenças uro genitais (associadas ao pênis, especialmente).

Meninas

  • Obesidade.
  • Transtornos alimentares
  • Vulvovaginites (corrimentos e infecções vaginais).
  • Problemas relacionados à menstruação

8.2.- Natação

Assunto: Os Benefícios da Natação Infantil no Processo de Alfabetização

Autora: Professora Linda Moreira

Fonte:  http://cdof.com.br/escola.htm

O desenvolvimento da personalidade da criança , que compreende as mudanças ocorridas no organismo durante o processo de crescimento e desenvolvimento (comportamento motor, percepção, construção da inteligência, afetividade, aprendizagem) tem merecido ultimamente uma atenção cada vez maior por parte dos investigadores, como assinala Cirigliano (1981).

A cada dia novas escolas de natação são abertas oferecendo a prática dessa atividade a todas as faixas etárias, incluindo-se aí desde os recém-nascidos (3 meses) até idosos.
Os pais matriculam seus filhos ainda bebês em programas de adaptação ao meio líquido esperando que com isso os mesmos aprendam a nadar. Mas o que muitos não têm em mente é que os benefícios de um programa de natação infantil vão muito além do saber nadar.

Sem via de dúvida, a natação infantil é o primeiro e mais eficaz instrumento de aplicação da Educação Física no ser humano, assim como excelente elemento para iniciar a criança na aprendizagem organizada. Similarmente, é possível afirmar ,no que diz respeito, por exemplo, ao desenvolvimento psicomotor, sua decisiva participação na construção do esquema corporal e seu papel integrador no processo de maturação, como assinala Franco (1985) e Damasceno (1992-c).

Dessa forma, o fim que persegue um método de natação não deve ser unicamente que o aluno chegue a converter-se em um bom nadador. Como salienta Navarro (1978), o aluno deve também receber um acúmulo de experiências que, através das suas vivências lhe enriqueçam e contribuam à sua melhor educação integral.

Nesse sentido, a natação infantil não se detém somente ao fato de que a criança aprenda a nadar, como afirmam Navarro e Tagarro (1980), mas sim, que contribua para ativar o processo evolutivo psicomorfológico da criança, auxiliando o desenvolvimento de sua psicomotricidade e reforçando o início de sua personalidade.

O raio de ação da natação infantil, continuam os especialistas, envolve desde a ativação das células cerebrais da criança, até um melhor e mais precoce desenvolvimento de sua psicomotricidade, sociabilidade e reforço do sistema cardiovascular morfológico da criança, auxiliando o desenvolvimento de sua psicomotricidade e reforçando o início de sua personalidade.

O raio de ação da natação infantil, continuam os especialistas, envolve desde a ativação das células cerebrais da criança, até um melhor e mais precoce desenvolvimento de sua psicomotricidade, sociabilidade e reforço do sistema cardiovascular morfológico.
A natação como agente educativo quando aplicada a crianças em idade pré-escolar assumirá um papel formativo e totalizador, levando as mesmas crianças que participaram de um programa de adaptação ao meio líquido a se desenvolverem melhor e mais rapidamente, o que fará do posterior processo de alfabetização algo simples e bem sucedido.

Podemos inferir, assim como Cirigliano (1981) que um programa de natação para a primeira infância, quando elaborado e conduzido por um profissional competente, assume o importante papel de educar integralmente a criança permitindo:

  • A aquisição do sentimento de “confiança básico”, eixo da personalidade e matriz da confiança social;
  • A seleção e gradação dos estímulos sensoriomotores para obtenção de respostas adaptativas mais adequadas e hierarquicamente úteis para a transferência da aprendizagem;
  • A adequação aos estímulos perceptivomotores no preciso momento evolutivo, tornando irreprodutível se oferecido mais tarde com as mesmas características naturais e nas mesmas condições;
  • A utilização da base reflexa antes de sua extinção, para a construção de sistemas funcionais econômicos através de propostas sistemáticas de aprendizagem;
  • O conhecimento e domínio progressivo do corpo, que facilitam a formação de uma imagem corporal integrada e rica através da sensório – percepção;
  • A formação de base (constructos) da inteligência, à partir das oportunidades oferecidas, em quantidade e qualidade adequadas , de exercitar sua vontade em realizar experiências;
  • A comunicação entre a criança e o professor (adulto) através do gesto e da ação, canais onto e filogeneticamente mais antigos, como medida prévia para uma comunicação simbólica e integrada em seus três níveis de expressão:preverbal, paraverbal e verbal.
  • A instauração de um vínculo pedagógico personalizado e cooperativo , aberto a mutualidade família – escola de natação, a fim de formar um arquétipo educativo social prospectivamente válido.

Assim, a importância da natação não apenas para o desenvolvimento físico da criança mas também para a formação de sua personalidade e inteligência, é algo que não se pode negar. Crianças iniciadas em um programa de adaptação ao meio líquido em idade pré-escolar têm um rendimento mais satisfatório em seu processo de alfabetização


9.0- CONCLUSÃO

Enfim, como pode-se ver a infância não é tão simples como parece. Nesta fase a criança passa por uma fase de adaptação, aprendizado constante. A criança não si conhece bem ,mas está sempre a observar seu corpo e as coisas que estão em volta de si, podendo ou não levar para si conceitos errôneos ou não.

Cabe não somente aos pais, mas também aos educadores de modo geral, compreenderem essa fase, para poder influenciar de forma positiva na formação, e promover posteriormente para a formação de cidadãos conscientes, idôneos, confiantes e com valores morais e éticos.


10.0- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

http://www.psicopedagogia.com.br

http://gballone.sites.uol.com.br

MINISTÉRIO da Saúde. Boletim Epidemiológico – Aids. Brasília, dezembro de 1997 a novembro de 1998.

LOPES, SÔNIA. Bio 1.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002

FREIRE, Paulo. Política e Educação. 6 ed. São Paulo, Cortez, 2001.

LIBÂNEO, José Carlos. Adeus Professor, Adeus Professora?: novas exigências educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 1998.

http://www.abcdasaude.com.br

Autor: Anônima

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