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A CULTURA DAS IMAGENS

CULTURA DAS IMAGENS


Disse Descartes: é de prudência nunca confiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez. A afirmação do filósofo indica que uma nova concepção do mundo estava sendo definida e ela seria de fundamental importância para o pensamento da modernidade.

Ao longo do tempo, o desenvolvimento de novos meio de comunicação mudou a hierarquia dos sentidos e a forma de ver o mundo.

O manuscrito e depois a imprensa puseram fim ao problema do lapso da memória.

No caso de uma cultura oral, sem registros escritos, a fala deve preencher, além da função de comunicação a de conservação do conhecimento. Nas sociedades orais, os anciões são “livros vivos”, a linguagem escrita liberou o homem da dependência da memória do falante para a aquisição do conhecimento. Por meio de caracteres, a escrita conserva o conhecimento.

A tradição oral na organização do conhecimento, bem como a disputa verbal e a retórica, persistem desde a Antiguidade clássica até o Renascimento. O conhecimento da escrita era então monopólio de uma elite de escribas alheios às massas iletradas.

Em uma cultura oral, ouvir e não ver é crer.

Até o século XV, a literatura existia para ser narrada em publico e o manuscrito era apenas um instrumento, acessório dessa vasta e influente cultura oral, cujo, exemplo maior nos deram pensadores como Sócrates.

A cultura tipográfica finalmente rompeu com a supremacia auditiva determinada pela cultura oral e introduziu o primado da visão na hierarquia dos sentidos.

Séculos depois, os meios eletrônicos estenderam e extrapolaram os limites usuais da visão e da audição, alterando nossa realidade cotidiana.


A Imagem Televisiva

Aqueles que foram educados na era da tevê tem uma forma especifica de ver e apreender o mundo. Uma sensibilidade nova parece se instalar no individuo contemporâneo, cada vez mais incapaz de viver sem estímulos sonoros e visuais.


A Mensagem de Mcluhan

Uma abordagem teórica da televisão não pode ser feita sem uma analise profunda dos efeitos que ela gera no meio. Para o canadense Mcluhan, estudioso da comunicação, os meios de comunicação podem ser definidos como tudo aquilo que serve para vincular o homem ao homem, como jornal, rádio, televisão, trem, carro, roupa, moeda e etc…

São verdadeiras extensões do homem Mcluhan causou impacto ao afirmar que “o meio é a mensagem”.

Em resumo, Mcluham quer dizer que se os homens criam as ferramentas, estas recriam os homens.

O que interessa é percebemos como o meio modifica o ambiente e a partir desse momento suscita novas percepções sensoriais.

Cada meio e cada linguagem exercem sobre a mente efeitos distintos. Tudo isso tem reflexo na educação das novas gerações criadas agora sob o advento da internet.

O concorde atravessa o Atlântico em três horas e meia, mas será sempre preciso quinze dias para ler “guerra e paz”. Apesar de todos avanços tecnológicos, não se encurta o tempo de execução de uma sinfonia ou da leitura de um livro.

Essa é a forma nova pela qual sente, explica e descreve McLuhan a cultura humana. Nada é novo, senão o modo pelo qual ele aborda o problema. Por que digo que ele nos explica o óbvio? Porque é espantoso que não se tenha pensado antes em tudo que ele está a pensar. A cultura escrita teve sua forma de expressão na literatura. Que é literatura, senão letras? Logo toda civilização se exprimia por letras. Como explicar que nos tenhamos perdido em controvérsias e confusões de toda ordem a respeito de literatura, mas ninguém tenha pensado em estudar o que era esse meio de comunicação literária, ou seja, alfabético, e de alfabeto fonético, com o qual se criara a escrita, por conseguinte, a comunicação, não só pela falta, mas pela palavra escrita? Toda a estrutura da sociedade e o modo de pensar e sentir se alteraram com a introdução da escrita. Recebia-se o fato, sofria-se o fato, tudo mudava e se transformava, mas o homem, hipnotizado pelas formas que tomava a sua cultura, não relacionava tais mudanças com a nova tecnologia da comunicação.

McLuhan está procurando compreender o que todos devíamos ter compreendido há muito e muito tempo. Diz ele, em um dos seus escritos, que não sabemos quem criou a água, mas sabemos por certo que não foram os peixes. Vivemos em nossas culturas como os peixes na água. A cultura é o nosso meio, os problemas são os que nos suscita esse meio, mas o meio não é objeto de nossa indagação. Daí, o meio ser a mensagem, que nos faz e nos transforma, mas que ignoramos e do qual não temos consciência, porque estamos, como os peixes, mergulhados e hipnotizados por ele. A esperança de McLuhan é a de que se despertamos desse sono hipnótico e percebemos por que somos como somos, e por que nossa cultura é o que é, ganharemos possivelmente o poder de compreendê-la, e compreendendo-a de conhecê-la, e conhecendo-a de orientá-la e dirigi-la, como Claude Bernard pôde isso antecipar no estudo experimental da medicina. McLuhan é o Claude Bernard do estudo experimental da sociedade humana.


Mudanças no Leste Europeu

Para o filósofo francês Regis Debray, o que cortou as pernas do comunismo foi a absolescência de suas usinas de sonhos, não competitivas com Hollywood. A ilusão que chegava por via dos meios de comunicação de massa “ensinou-lhes”, que viver é mais do que sobreviver.

Numa linha de pensamento similar à de Debray, esta Frederie Jameson, para quem o analise marxista do capitalismo ainda permanece válida desde que certas estratégicas políticas sejam repensadas. Para ela, os comunistas de outrora, apegando-se em demasia ao econômico, esqueceram da especificidade da cultura.


Apocalípticos e Integrados

Conforme a conhecida dicotomia do intelectual, italiano Umberto Eco, as atitudes que se adotam diante do fenômeno social da televisão oscilam entre o catastrofismo apocalíptico ou a otimismo dos integrados.

Para Joan Ferrés, no âmbito escolar a tendência é adaptar é adotar atitudes maniqueístas diante do fenômeno da televisão. Talvez na escola predomina a visão “apocalíptica”, a televisão é considerada o principal causador de todos tipos de males: passividade e/ou incitação à violência, erotização precoce, incentivo ao consumo, cultura degradada e massificação alienadora.

No pólo oposto estão os integrados: a televisão é considerada uma incentivadora da democratização do conhecimento da informação, da cultura e do incremento da aprendizagem.

Os integrados acusam os críticos apocalípticos de serem elitista e de adotarem posições intelectuais igualmente elitistas.


A Escola de Frankfurt

Alguns filósofos da chamada Escola Frankfurt detiveram-se nos efeitos provocados pela cultura de massa.

Para construir uma teoria critica do capitalismo moderno, os pesquisadores dessa escola na década de 40, apontaram as contradições sociais subjacentes às avançadas sociedades capitalistas e sua estrutura, ideológica típica.

O termo industria cultural foi empregada à primeira vez em 47, quando a publicação do livro “Dialética do Esclarecimento de Adorno e Horkheimer”. Mais tarde, adorno em uma conferência radiofônica, pronunciada em 62, explica que a expressão “industria cultural” visa a substituir o termo mais visual “cultura de massa”. O motivo é o de que ao empregar a palavra cultura está induz ao engodo dando idéia de algo refinado e satisfaz os interesses dos detentores dos veículos de comunicação de massa.


A Industria Cultural

A industria cultural é um complexo produtivo de entretenimento que exerce um controle sobre as pessoas e proporciona um falso prazer. O individuo é levado o não meditar sobre si mesmo e sobre seu meio social.

A busca pelo supérfluo ocorre, porque as pessoas não se dão conta de suas necessidades real, tampouco aspira a ser criaturas independentes e autônomas.

A industria cultural impõe gostos e preferências às massas modelando suas consciência ao introduzir desejo de necessidades supérfluas. Elas são tão eficaz nessa tarefa que os indivíduos não percebem o que ocorre, impedindo assim, a formação de pessoas capazes de julgar e de decidir conscientemente.


Alienação para o Trabalho

A industria cultural está interessada nos indivíduos apenas enquanto consumidores ou conformados trabalhadores.

Assim, na concepção adorniana, essa indústria desconsidera o aspecto humano das massas, abusando de seu despreparo político e de sua autonomia.


Os Críticos dessa Escola

Se o caráter antidemocrático da relação consumidor versus cultura de massa, foi à preocupação central dos pensadores da escola, pode-se observar, no entanto o pessimismo com que seus pesquisadores especialmente Adorno, viam os efeitos da indústria cultural. A critico dirigido aos frankfurtianos incide no seu maniqueísmo: politização total da mensagem vinda de cima e despolitização completa do público receptor.


Ler e Ver

Embora existe uma diferença radical entre letras e imagens, a leitura e a televisão não deveriam ser consideradas aprendizados opostos, mas sim complementares. A televisão favorece a gratificação sensorial, visual e auditiva, enquanto a leitura favorece a reflexão. A leitura potencializa a capacidade de pensamentos lógicos, linear, seqüencial. A imagem potencializa o pensamento visual, intuitivo e global.

É próprio desse meio tecnológico que a televisão, tendo a provocar respostas em que o intuitivo e o emocional terão primazia sobre o intelectual e o racional. O tipo de linguagem fascinante e o ritmo rápido dos programas não dão tempo para a reflexão. A programação televisa aumenta ao mesmo tempo a maturidade nas crianças e a infantilidade nos adultos.


Emoção e Sedução

Além de necessitar alimentar o seu corpo, o ser humano precisa também alimentar sua imaginação. Deve complementar a realidade com cera dose de fantasia.

Uma grande parte das mensagens televisivas exerce poder socializado ao utilizar mecanismos de sedução e emoção. Não pretendem convencer com argumentos racionais, e sim com a fascinação da magia sobre a lógica.

A televisão incita ao consumo, e o seu verdadeiro mantenedor é o anunciante que torna possível a existência da programação.


Violência Explícita

O aspecto da violência explícita na televisão é um dos mais polêmicos e controversos entre educadores e pesquisadores. Os estudiosos não chegam a um acordo sobre a interpretação desse complexo fenômeno.

Para alguns, a televisão é a provável direta pelos altos índices de violência e de delinqüência nos dias atuais.

Não se pode negar, entretanto, que a violência exerce um certo fascínio sobre os espectadores. Muitas crianças não só são atraídas por fantasias agressivas, mas também, precisam delas para aliviar os seus sonhos agressivos e de vingança.

Para alguns estudiosos, não há nenhuma dúvida sobre o fato de que a excessiva exposição a programas violentos aumenta; sob certas condições a agressividade das crianças.

Em resumo teses diferentes e até contraditórias são definidos, quando se tenta avaliar os efeitos da violência nos programas de televisão:

  • Tese da estimulação: Aprende-se a partir dos modelos sociais. Ex: Programas violentos.
  • Tese da habitação: Os programas violentos levam a habituação, a violência acaba sendo considerada como um meio normal para impor os próprios interesses e resolver seus conflitos.
  • Tese da inibição: A cena de violência apresentada na televisão tem efeitos intimidadores sobre os telespectadores, inibem a manifestação das emoções e de condutos agressivos, principalmente se elas forem reprovadas pelo próprio meio.
  • Tese da catarse: As imagens violentas permitem que o espectador descarregue as suas tensões e a sua agressividade.


Texto: Contra quem vou me rebelar

A violência tornou-se a única forma de liberar todo tédio dos jovens que já experimentam toda forma de diversão, mesmo antecipando as etapas naturais da idade, tendo todo tipo de liberdade antes reservada apenas para os adultos.

As autoridades vêm se preocupando com o crescimento de atos violentos praticados por gangues de jovens com treinamento em academias de artes marciais, contrariando assim a filosofia dessa arte de luta.

Rebeldes sem causa, música do grupo Ultraje a rigor, expressa bem este tipo de descontentamento.

Fala de um rapaz a quem os pais dão muito carinho, apoio moral, além de bens materiais como guitarra, carro e dinheiro para gastar com a mulherada, mas descontente, ele tem que desabafar.

A aparente rebeldia sem causa, expressa na música com humor e ironia, transforma-se em realidade nada cômica diante dos fatos ocorridos na atualidade.

Os desentendimentos entre alunos no interior da escola vem sendo resolvidos recorrendo-se à proteção de gangues ou ao uso de armas de fogo.

Para muitos jovens, mostrar-se capaz de enfrentar uma briga é motivo de auto-afirmação.

As gangues de extrema-direita, identificáveis pela exibição da virilidade na vestimenta e pelo culto ao corpo, são apontadas como as mais violentas. Seus integrantes se unem na ideologia racista e nacionalista, cujo reflexo mais perverso é a violência. Homossexuais, negros, judeus e nordestinos são os alvos dos ataques.

O inferno vivido nas grandes cidades encontra nos estádios de futebol o lugar-símbolo pra que torcidas organizadas pratiquem atos transgressivos e violentos.Seus maiores representantes são os hooligans, termo empregado para denominar um segmento da torcida inglesa que freqüenta os estádios de futebol.

Na atualidade, o termo designa torcedores que utilizam a rivalidade das torcidas no esporte como instrumento para extravasar desejos e frustrações mais primárias.

Bill Buford, jornalista norte-americano queria entender essa coisa complexa chamada de multidão, da violência de massa, praticada sob a proteção do anonimato, pode exercer um traiçoeiro e, por vezes, irresistível apelo sobre as pessoas mais esclarecidas.É difícil precisar as causas que levam as pessoas à violência. No entanto o autor deixa escapar algo sobre uma geração entediada, vazia e decadente uma cultura jovem que não tem mistério, muito apática que parece se utilizar da violência para despertar a si própria.

Existem alguns jovens que cultuam valores e imagens características da classe operária tradicional: aspereza, machismo e virilidade. Vestem-se como trabalhadores rústicos, com jeans surrados e dobrados para destacar o cano da bota, além de suspensórios, camisetas e cabelos à escovinha e buscam um toque de elegância viril.

O movimento skinhead surgiu pouco a pouco do pessoal enturmado na rua, da torcida na arquibancada do futebol e do rude boy na pista de dança sob o ritmo jamaicano, eles julgam-se a nata da classe operária e uma minoria se juntava a estudantes e hippies para depor os porcos capitalistas.

Mas os skins se queixam de ser alvo preferidos da manipulação da mídia quando se trata de arrumar bodes expiatórios para a violência e o racismo. Se não se preocupam em construir a imagem de bons rapazes, também não querem carregar a acusação de racistas e arruaceiros contumazes.

No Brasil, segundo o poeta Glauco Mattoso, os carecas se identificaram com os ingleses no estilo comportamental, na vestimenta, como também na consciência de que, para ganhar um salário de fome e um endereço no subúrbio, os únicos valores correspondentes são o esporte de massa, o rock rústico, a bronca e a porrada.Em três palavras, a subsistência, a resistência e a persistência.

O gesto de não aceitar o outro caracteriza a forte intolerância: o estranho e o estrangeiro devem ser negados, expulsos.Não se admite que o outro possa ser diferente.Caminhando com a intolerância está o preconceito, resultante da ignorância que de tanto ser repetida, adquire o estatuto de verdade indiscutível.


Texto : As duas caras do crime

A violência é típica do ser humano. Ela se originou da necessidade de interesses antagônicos geradores de um clima de disputa, de medição de forças. Porém jamais atingiu limites tão desumanos quanto agora.

O crime pode ter várias causas, pode ocorrer por meros distúrbios orgânicos, como uma disfunção da glândula tireóide que transforma o cidadão mais pacato em um agressor de alta periculosidade; ou como uma doença mental que até hoje não se sabe a com segurança como começa e se desenvolve, mas é terrível.

As estatísticas mundiais mostram que a maior parte dos crimes resulta da opressão das injustiças sociais, da miséria financeira ou afetiva.Descontados os distúrbios orgânicos e as doenças mentais, todos os demais crimes são políticos.Se é verdade que assaltos, latrocínios e homicídios não existem somente nos grandes centros urbanos, é verdade também que em nenhum outro lugar se teme essas coisas com maior intensidade.

É que algumas modalidades de violência, ainda que não sejam propriamente razoáveis obedecem nas cidades pequenas e até no meio rural, a uma certa lógica para que aconteçam.

Mata-se por determinadas razões que o grupo local pode compreender com certa facilidade; ladrões, assassinos parecem proceder de forma mais coerente com uma relação de causa-efeito, com certa margem de previsibilidade quanto aos momentos perigosos, lugares mal freqüentados e as precauções que devem ser tomadas para defesa dos cidadãos.Inúmeras violências vêm não somente do fundo do poço da miséria financeira, mas às vezes brotam de outra cisterna igualmente perigosa: a do vazio existencial, muitas vezes até mais característico da abastança. A Unesco, depois de apurada pesquisa mundial, apontou a baixada fluminense como lugar mais violento do mundo. São Paulo conseguiu ter uma mini-baixada em seu próprio centro comercial, muitos andares registraram uma média de seis assaltos por dia.

As manifestações de brutal agressividade multiplicam-se nos centros urbanos desenvolvidos, e tudo resulta da fome. A brutalidade vem ser a violência dos fracos.

Um primeiro modo de opressão se encontra nas formas de habitação do povo metropolitano. As dificuldades causadas por uma especulação imobiliária selvagem podem perfeitamente configurar um segundo modo de opressão urbana.

UM terceiro modo de opressão é a sociedade organizacional, nascemos, estudamos, trabalhamos em organizações e muitas vezes voltamos ao atendimento hospitalar para morrer, depois outra organização nos declara legalmente mortos: o estado.

Se a burocracia se torna, eficiente, não temos sossego, nos invadem até privacidade.

Devemos parar para pensar o quanto estamos anestesiados, insensibilizados para nossa qualidade de vida.

A tendência do homem metropolitano e de se enclausurar no interior do seu grupo social, de ir resumindo as amizades mais próximas, porque quem gostaria de participar na produção de um espaço amigo, vê logo que esta vontade não importa neste verdadeiro festival de imposições que são as grandes cidades.Aceitando a colocação de Lopez Rey, somos todos marginais na metrópole. de um lado estão os marginais propriamente ditos, de outro nós, auto-iludidos, afundados em nossas omissões ou aceitando facilmente ás discriminações conseqüentes à deformação sócio-política reinante. As cidades não são mais que materializações palpáveis de erros políticos escamoteados.

Autor: Juliana Rufino

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