UMA ABORDAGEM SOBRE DIFICULDADE ESPECÍFICA DE LEITURA ( DISLEXIA)

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“Uma criança fará o que achar mais fácil. É o propósito do pedagogo criar uma sala de aula onde, com orientação, a criança acha os limites dela e se esforça para superá-los”. (Dewey )


INTRODUÇÃO

Nos dias de hoje, recebemos informações das mais variadas formas, mas é inegável que grande parte delas advém de textos escritos, o que se torna um limite para quem não sabe ler ou escrever.

Apesar de o mundo atual exigir a quase todo o momento que estejamos em situação de leitura e escrita nas mais diferentes concepções, vive-se diariamente a conseqüência do despreparo do nosso sistema de ensino, que trata os desiguais como iguais.

Neste trabalho buscou-se uma maior compreensão sobre as dificuldades de aprendizagem dos alunos, enfocando a dislexia, que pode ser entendida como uma dificuldade específica nos processamentos da linguagem para reconhecer, reproduzir, identificar, associar e ordenar os sons e as formas das letras, organizando-os corretamente. O importante é aceitá-la como uma dificuldade de linguagem que deve ser tratada por profissionais especializados, cabendo às escolas acolher os alunos com dislexia, sem modificar os seus projetos pedagógicos curriculares.

Até recentemente havia uma falta de conscientização por parte dos educadores sobre os distúrbios de aprendizagem. Hoje podemos e devemos identificar as causas desses problemas, pesquisar recursos para atender de maneira eficaz aos alunos, com isso diminuindo a evasão e a repetência escolar, evitando que pessoas (muitas vezes com grande potencial) deixem de seguir uma vida acadêmica e profissional. Vale lembrar que os disléxicos estão em boa companhia junto a Leonardo da Vinci, Tom Cruise, Einstein e Nelson Rockefeller, Hans Christian Andersen e Agatha Christie, entre muitos outros.

É importante que se diga que todos os envolvidos com as crianças devem criar um ambiente estimulador que ative os seus esquemas de pensamento. Portanto, foi feita uma abordagem qualitativa com pesquisa de campo com uma fonoaudióloga e uma psicóloga de Muriaé-MG, tendo sido o questionário utilizado como instrumento de coleta de dados, cujo objetivo foi esclarecer uma série de compreensões no sentido de diagnosticar com precisão as dificuldades de aprendizagem, em especial, a dislexia.

O objetivo geral deste trabalho foi pesquisar recursos para atender de maneira eficaz aos alunos disléxicos, com aulas mais criativas e interessantes; e como objetivos específicos, identificar distúrbios causados pela dislexia, analisar a melhor forma de se relacionar com o disléxico e descrever as atitudes e intervenções pedagógicas do professor para com o disléxico. Segundo Garcia (1998), “a dislexia é definida devido à presença de um déficit no desenvolvimento do raciocínio do reconhecimento e compreensão dos textos escritos.”

Justifica-se a escolha deste tema com o intuito de desenvolver as habilidades básicas necessárias à alfabetização, tendo em vista a grande dificuldade encontrada pela maioria dos professores. O desconhecimento do que seja dislexia, causas e formas de intervenção pedagógica junto ao disléxico, impede ou dificulta o atendimento adequado. Desta forma, ao optar por este tema e levantar as propostas acima descritas, conseguiremos ajudar pais e educadores a compreender, a lidar com crianças portadoras de dislexia, optando por uma pesquisa bibliográfica relevante, que nos orienta a respeito do assunto proposto. De acordo com Ianhez & Nico (2002), “seria muito importante que todos os professores soubessem o que é dislexia e as necessidades dos alunos disléxicos dentro e fora da sala de aula”.

Diante do exposto acima, ficam os seguintes questionamentos: Quais os sintomas mais comuns da dislexia? Como o professor deve intervir na construção do conhecimento deste aluno no processo de aprendizagem? Quais sugestões metodológicas contribuem na prática pedagógica com o disléxico?


1 O QUE É DISLEXIA?

Aos desmembrarmos a palavra, de imediato temos a primeira noção básica do que vem a ser dislexia. Dis = distúrbio, dificuldade; lexia = leitura (do latim) ou linguagem (do grego). Dislexia = distúrbio da linguagem.

Embora etimologicamente dislexia seja traduzida do latim e do grego como distúrbio de linguagem, esse termo foi adotado para denominar um distúrbio específico na aquisição da leitura e escrita. Isso não implica que, ao menor sinal de dificuldade nessa área, possamos identificar um indivíduo como disléxico. São várias as causas que podem intervir no processo da aquisição da linguagem, por isso se torna tão importante um diagnóstico preciso e multidisciplinar. Segundo Drouet (2003, p.137):

Dislexia é uma alteração nos neurotransmissores cerebrais que impede uma criança de ler e compreender com a mesma facilidade com que as crianças da mesma faixa etária. Todo desenvolvimento da criança é normal, trata-se de um problema de base cognitiva que afeta as habilidades lingüísticas associadas à leitura e à escrita.

A dislexia vai emergir nos momentos iniciais da aprendizagem da leitura e da escrita; é uma dificuldade específica nos processamentos da linguagem para reconhecer, reproduzir, identificar, associar e ordenar os sons e as formas das letras. As causas da dislexia são neurobiológicas e genéticas. A dislexia é herdada; portanto, uma criança disléxica tem um pai, tio ou primo que também é disléxico e a incidência difere de acordo com o sexo: para cada três homens disléxicos há apenas uma mulher.

Segundo Selikowitz (2001), para melhor entender a causa da dislexia, é necessário conhecer, de forma geral, como funciona o cérebro. Diferentes partes do cérebro exercem funções específicas. A área esquerda do cérebro, por exemplo, está mais diretamente relacionada à linguagem; nela foram identificadas três subáreas distintas: uma delas processa fonemas, outra analisa palavras e a última reconhece palavras. Essas três subdivisões trabalham em conjunto, permitindo que o ser humano aprenda a ler e escrever. Uma criança aprende a ler ao reconhecer e processar fonemas, memorizando as letras e seus sons. Ela passa, então, a analisar as palavras, dividindo-as em sílabas e fonemas e relacionando as letras a seus respectivos sons. À medida que a criança adquire a habilidade de ler com mais facilidade, outra parte de seu cérebro passa a se desenvolver; sua função é a de construir uma memória permanente que imediatamente reconheça palavras que lhe são familiares. Com o avanço desse aprendizado da leitura, esta parte do cérebro passa a dominar o processo e, conseqüentemente, a leitura passa a exigir menos esforço.

O cérebro de disléxicos, devido às falhas nas conexões cerebrais, não funciona desta forma. No processo de leitura, os disléxicos recorrem somente à área cerebral que processa fonemas. A conseqüência disso é que eles têm dificuldade em diferenciar fonemas de sílabas, pois sua região cerebral responsável pela análise de palavras permanece inativa. Suas ligações cerebrais não incluem a área responsável pela identificação de palavras e, portanto, a criança disléxica não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. A leitura se torna um grande esforço para ela, pois toda palavra que ela lê aparenta ser nova e desconhecida (SELIKOWITZ, 2001).

No disléxico a idade de leitura pode ser até dois anos inferior à idade cronológica e esse déficit se traduz em dificuldades e demora para ler; geralmente observa-se também grafia ruim e erros ortográficos ao escrever, assim como omissão de letras e espelhamento.

A dislexia não tem cura, mas existem tratamentos que permitem que as pessoas aprendam estratégias para ler e entender. A maioria dos tratamentos enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e fluência na leitura. Esses tratamentos ajudam os disléxicos a reconhecer sons, sílabas, palavras e, por fim, frases. Ajudar disléxicos a melhorar sua leitura é muito trabalhoso e exige muita atenção, mas toda criança disléxica necessita de apoio e paciência, pois essas crianças sofrem de falta de autoconfiança e baixa auto-estima, pois se sentem menos inteligentes que seus amigos (MARTINS, 2004).

1.1 Tipos de dislexia

Segundo Condemarin & Blomquist (1986), as dislexias podem ser divididas em dislexias adquiridas e dislexias do desenvolvimento. Nas dislexias adquiridas, a perda da habilidade de leitura é devida a uma lesão cerebral específica e ocorre após o domínio da leitura pelo indivíduo. Nas dislexias do desenvolvimento, ao contrário, não há uma lesão cerebral evidente, e a dificuldade já surge durante a aquisição da leitura pela criança. De acordo com o modelo, há basicamente duas rotas para a leitura – a fonológica e a lexical.

Na rota fonológica, a pronúncia da palavra é construída por meio da aplicação de regras de correspondência grafo-fonêmica, ou seja, entre letras e sons. O acesso ao significado é alcançado posteriormente, quando a pronúncia da palavra ativa o sistema semântico. Na rota fonológica a pronúncia é construída por meio da convenção de segmentos ortográficos em fonológicos, e o acesso ao significado, caso ocorra, é alcançado mais tarde pela mediação da forma auditiva da palavra. À medida que o leitor se torna mais competente, o processo de conversão de segmentos ortográficos em fonológicos torna-se progressivamente mais automático e usa maiores seqüências de letras como unidades de processamento.

A rota lexical faz uso de um processo visual direto para a leitura, mas somente pode ser empregada quando o item a ser lido tem sua representação ortográfica pré-armazenada no léxico mental ortográfico. Nesta rota a pronúncia é obtida a partir do reconhecimento visual do item escrito, e o leitor tem acesso ao significado daquilo que está sendo lido antes de emitir a pronúncia propriamente dita.

Com base nas etapas do processamento da informação escrita ao longo das rotas de leitura, foram delimitados os tipos de dislexia. Os principais quadros são:

  • Dislexia visual: há distúrbios na análise visual das palavras. Os erros de leitura mostram uma semelhança visual entre a escrita da palavra pronunciada e da palavra-alvo.
  • Dislexia de negligência: os distúrbios também estão no sistema de análise visual e o leitor consistentemente ignora partes das palavras, geralmente deixando de ler a parte inicial.
  • Leitura letra a letra: há distúrbios no reconhecimento global de palavras, ou seja, no processamento paralelo das letras. A leitura é feita corretamente somente após a soletração (em voz alta ou não) de cada letra. Há dificuldade com letras cursivas, pois a separação das letras é menos evidente, sendo mais fácil ler palavras escritas em letra de forma.
  • Dislexia atencional: há dificuldades na codificação das posições das letras nas palavras, mas a identificação paralela das letras está preservada. Assim, pode haver migrações de letras dentro de uma mesma palavra ou, principalmente, de uma palavra a outra durante a leitura de frases.
  • Dislexia fonológica: há dificuldades na leitura pela rota fonológica, que faz uso do processamento fonológico. Porém, a leitura visual direta pela rota lexical está preservada. Logo, há dificuldade na leitura de pseudopalavras e palavras desconhecidas, mas a leitura de palavras familiares é adequada. Representa cerca de 67% dos quadros disléxicos.
  • Dislexia morfêmica ou semântica: há dificuldades na leitura pela rota lexical, sendo a leitura feita principalmente pela rota fonológica. Logo, há dificuldades na leitura de palavras irregulares e longas, com regularizações. Representa cerca de 10% dos quadros disléxicos. (IANHEZ & NICO, 2002).

1.2 Como identificar?

A dificuldade específica de leitura ou dislexia é a mais conhecida e mais estudada forma de dificuldade específica de aprendizagem, conforme afirmado anteriormente.

Segundo Selikowitz, (2001), para que o termo dislexia tenha algum significado, ele deve ser utilizado somente para crianças que tenham consideráveis dificuldades para aprender a ler, que estejam fora da média.

Para o autor, a dislexia, normalmente, é diagnosticada quando a criança está na escola; na maioria das vezes, ela não se torna evidente até que aumentem as exigências do trabalho acadêmico, a partir dos oito anos de idade.

As áreas de aprendizagem envolvidas nas dificuldades reúnem habilidades acadêmicas básicas: leitura, escrita, ortografia, matemática e linguagem (compreensão e expressão). Essas são habilidades fáceis de avaliar e são de importância fundamental para o sucesso escolar. Para Selikowitz (2001, p.4):

É muito normal que uma criança enfrente problemas em habilidades como leitura, escrita, ortografia e aritmética no primeiro ou segundo ano escolar, mas, após esse período, ela deve atingir um nível básico de competência. Deve-se suspeitar caso a criança pareça estar aquém de suas potencialidades e não esteja demonstrando sinais de tornar-se competente nas habilidades acadêmicas básicas. Se a criança continua a encontrar dificuldades em leitura depois deste período, ela pode ter uma dificuldade específica de aprendizagem. Deve ser observado que o diagnóstico da dificuldade específica de leitura é baseado no grau de atraso da leitura e não em tipos específicos de erros que a criança comete.

Embora pais e professores sejam os primeiros a suspeitar que uma criança tenha dislexia, uma avaliação global deve ser providenciada.

De acordo com referido autor, avaliação global é um processo em que a natureza exata da dificuldade de aprendizagem da criança é estabelecida. Nesta avaliação, as potencialidades e dificuldades são avaliadas especificamente; além disso, métodos apropriados de tratamento são planejados por uma equipe composta por pediatras, psicólogos, assistentes sociais e, às vezes, enfermeiras, terapeutas e professores.

Segundo Selikowitz (2001), uma avaliação global requer a experiência tanto de um psicólogo educacional como de um pediatra, trabalhando em estreita cooperação. Os papéis destes profissionais se complementam para estabelecer a natureza e a causa da dificuldade da criança.

1.3 Os sintomas mais comuns da dislexia

A característica mais importante do disléxico, seu sintoma mais notório é a acumulação e a persistência de seus erros ao ler e escrever. Podemos ainda suspeitar de um quadro de dislexia quando a pessoa apresentar alguns dos seguintes problemas:

  • Confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia;
  • Substituição de palavras por outras de estruturas mais ou menos similares ou criação de palavras, porém com diferente significado;
  • Contaminações de sons;
  • Adições ou omissões de sons, sílabas ou palavras;
  • Repetições de sílabas, palavras ou frases;
  • Pular uma linha, retroceder para a linha anterior e perder a linha ao ler;
  • Soletração defeituosa: reconhece letras isoladamente, porém sem poder organizar a palavra como um todo, ou então lê a palavra sílaba por sílaba, ou ainda lê o texto palavra por palavra;
  • Problemas de compreensão;
  • Lentidão nas tarefas de leitura e escrita, mas não nas orais;
  • Dificuldade com rimas (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras);
  • Dificuldade em associações, como, por exemplo, associar os rótulos aos seus produtos;
  • Dificuldade em memorizar números de telefone, mensagens, fazer anotações, ou efetuar alguma tarefa que sobrecarregue a memória imediata;
  • Dificuldade em organizar tarefas;
  • Dificuldade com cálculos mentais;
  • Persistência no mesmo erro, embora conte com ajuda profissional.

Segundo PAIN (1985, p.32), observa-se que:

O que provavelmente pode ser dito é que os conhecimentos de vários aspectos da dislexia podem ser enriquecidos se forem vistos por um enfoque biológico e sociológico. Temos de entender sua relação com o talento muito desenvolvido e também com as condições sociais que fazem dele um distúrbio. Temos de entender também as outras formas de distúrbio de aprendizagem, uma vez que estas podem nos ajudar a perceber aspectos da dislexia que, de outra forma, nos poderiam ter escapado. Quanto mais amplo o contexto em que observamos a dislexia, mais poderemos entender suas causas e isso, por sua vez, poderá contribuir para o refinamento do diagnóstico e também para o tratamento eficaz.”

1.4 Fatores relacionados à dislexia

Fatores genéticos – há forte evidência que um fator genético tenha participação na causa da dislexia. Vários estudos têm demonstrado que é comum que a criança disléxica tenha um parente próximo com o mesmo problema. Nenhum modelo consistente de hereditariedade foi descrito: às vezes, parece ser herdado da mãe, e outras vezes, do pai.

De acordo com Selikowitz (2001), em todos os tipos de dificuldade de aprendizagem, a incidência em meninos supera numericamente a incidência em meninas, numa proporção de três para um. Esta vulnerabilidade dos meninos sugere que genes transportados pelo cromossomo X podem inferir em muitos casos. Os meninos têm apenas um cromossomo X herdado da mãe e um cromossomo Y herdado do pai; as meninas têm dois cromossomos X, um de cada progenitor. Se um menino herda um cromossomo X com pequeno defeito que possa causar dificuldade específica de aprendizagem, ele não terá outro cromossomo X para neutralizar o seu efeito. Uma menina, por outro lado, seria protegida por ter o segundo cromossomo X normal. Embora os genes do cromossomo X sejam importantes, outros genes conduzidos por outros cromossomos, provavelmente, contribuem para a causa.

Existe uma outra razão para se suspeitar de que fatores genéticos têm participação: é que as dificuldades específicas de aprendizagem são mais comuns em crianças com certas síndromes genéticas. Nestes casos, os fatores genéticos explicariam a incidência maior de dificuldades específicas de aprendizagem em tais crianças.

Fatores ambientais – conforme Selikowitz (2001), foram realizados vários estudos para determinar se problemas durante a gestação e no parto, bem como nascimento prematuro, acontecem com maior freqüência em crianças com dificuldades específicas de aprendizagem. Os resultados destes testes foram inconsistentes: alguns revelam certa relação, enquanto outros não. Alguns estudos demonstraram que um conjunto de problemas está associado com mais freqüência à dificuldade de aprendizagem específica do que problemas isolados.

Uma criança que tenha um grave episódio de encefalite virótica pode apresentar dificuldades semelhantes àquelas com dislexia. Uma criança que lia bem antes da doença pode ficar incapaz de ler depois de curada, apesar de permanecer inalterada em qualquer outro aspecto.

1.5 O professor e o disléxico

De acordo com Giroto (1999), seria muito importante que todos os professores soubessem o que é dislexia. Havendo suspeita de que um aluno esteja apresentando algum distúrbio de aprendizagem, o melhor é não tentar adivinhar ou diagnosticar, mas entrar em contato com a orientação pedagógica da escola para mais informações sobre o aluno. Caso esse aluno já tenha passado por avaliações anteriores, é importante obter uma cópia dos resultados para uma melhor observação. Se o distúrbio não foi diagnosticado, ou os testes foram inconclusivos, o aluno deverá ser encaminhado para os testes necessários.

Com a devida orientação, o aluno conseguirá sem bem sucedido em classe. A compreensão e a assimilação da matéria são mais prováveis se houver clareza, repetição, variedade e flexibilidade no estilo de ensino. Veja como é possível ajudar:

- Avise no primeiro dia de aula sobre o desejo de conversar individualmente com os alunos que têm dificuldades de aprendizagem;

- Detalhe, no início do curso, todas as exigências, inclusive a matéria a ser dada, métodos de avaliação, datas de prova, etc.;

- Use vários materiais de apoio para apresentar a lição à classe como: lousa, projetores de slide, retro projetores, filmes educativos, demonstrações práticas e outros recursos multimídia;

- Introduza o vocabulário novo ou técnico, de forma contextualizada;

- Evite confusões, isto é, dando instruções orais e escritas ao mesmo tempo;

- Quanto a tarefas de leitura:

  • Anuncie o trabalho com bastante antecedência, a fim de o disléxico poder, se necessário, arranjar outras formas de realizá-las;
  • Considere, também, a possibilidade do trabalho em grupo;
  • Quando apropriado, proporcione alternativa fora da sala de aula para tarefas de leitura, como dramatização, entrevistas e trabalho de campo.

- Tenha centros de orientação pedagógica especializada nas escolas;

- Realize aulas de revisão que permitam o tempo adequado para perguntas e respostas;

- Quando necessário, avalie o conhecimento dos estudantes com deficiência de aprendizagem usando métodos alternativos, inclusive avaliações orais, provas gravadas, trabalhos feitos em casa e apresentações individuais;

- Autorize o uso de tabuadas, calculadoras simples, rascunhos e dicionários durante as provas;

- Aumente o limite de tempo para provas escritas;

- Leia a prova em voz alta e antes de iniciá-la verifique se todos entenderam e compreenderam o que foi pedido.

É indispensável que todos os professores entendam as necessidades dos alunos disléxicos dentro e fora da sala de aula. É vital que os professores leiam as pastas desses alunos, de tal maneira que eles não sejam superestimados nem subestimados nas suas habilidades. Cada professor deveria entender que as repostas orais dos alunos disléxicos são indicações melhores de suas habilidades do que seus trabalhos escritos.

Um dos pontos mais difíceis para um professor aceitar é a inconstância do trabalho do disléxico. Nem sempre é compreendido que a criança disléxica se esforça demasiadamente na realização de um trabalho, mas o resultado não reflete necessariamente seu esforço. A nota da criança disléxica deveria ser dada de acordo com o seu conhecimento, e não de acordo com as suas dificuldades e seus erros de ortografia. O reconhecimento das dificuldades da criança e um acompanhamento adequado permitirão que a criança acompanhe a classe, sem prejuízo do seu rendimento e evitarão prejudicar seu desenvolvimento emocional.

1.6 Das atitudes e intervenções pedagógicas

Há muitos componentes para uma instrução de linguagem de leitura e escrita bem designada e executada para indivíduos com dislexia. A fluência de leitura é especialmente imprecisa para pessoas com dislexia severa.

Treino diário de prática de influência com leitura oral repetida e guiada em conjunção com instrução dada por profissional é produtiva no desenvolvimento deste aspecto essencial da leitura. Estudantes com dislexia severa muito provavelmente se beneficiariam de instrução especializada e prática de fluência através de seus cuidadores escolares.

No atendimento a qualquer criança com dificuldade de aprendizagem se faz necessário uma parceria envolvendo o psicopedagogo, pais e a escola. No caso da dislexia, essa parceria é vital no processo de aprender da criança.

Muitas vezes, na escola, são necessários esclarecimentos sobre a dislexia, e estratégias favoráveis ao desempenho acadêmico.

A dislexia é um distúrbio de aprendizagem que, por envolver áreas básicas da linguagem, pode tornar árduo esse processo; porém, com acompanhamento adequado, a criança pode redescobrir suas capacidades e o prazer de aprender.

O sucesso na reeducação de um disléxico está baseado numa terapia multissensorial (aprender pelo uso de todos os sentidos), combinando sempre a visão, a audição e o tato para ajudá-lo a ler e soletrar corretamente as palavras. O disléxico precisa olhar e ouvir atentamente, atentar aos movimentos da mão quando escreve e prestar atenção aos movimentos da boca quando fala.

Desta forma Scoz, (1994) confirma que “a criança disléxica associará a forma escrita de uma letra tanto com seu som quanto com os movimentos das mãos para escrevê-la”. Segundo ele, o aprendizado deve ser feito de forma sistemática e cumulativa, sendo ainda cada caso um caso específico, devem ser levadas em consideração as particularidades de cada um.

1.7 Procedimentos que podem ser adotados por professores e pais de crianças disléxicas

  • A criança disléxica deve sentar-se próxima à professora, de modo que a mesma possa observá-la e encorajá-la a solicitar ajuda;
  • Cada ponto de ensino deve ser revisto várias vezes. Mesmo que a criança esteja atenta à explicação, isso não garante que ela lembrará o que foi dito no dia seguinte;
  • Professores e pais devem evitar sugerir que a criança é lenta, preguiçosa ou pouco inteligente, bem como evitar comparar o seu trabalho escrito ao de seus colegas;
  • Não solicitar para que ela leia em voz alta na frente da classe;
  • Sua habilidade e conhecimentos devem ser julgados mais pelas respostas orais que escritas;
  • Não esperar que ela use corretamente um dicionário para verificar como é a escrita correta das palavras. Tais habilidades de uso de dicionário devem ser cuidadosamente ensinadas;
  • Evitar dar várias regras de escrita numa mesma semana. Por exemplo: os vários sons do C ou do G. Dar listas de palavras com uma mesma regra para a criança aprender;
  • Sempre que possível a criança deve repetir, com suas próprias palavras, o que a professora pediu para ela fazer, pois isso ajuda a memorização;
  • A apresentação do material escrito deve ser cuidadosa, com cabeçalhos destacados, letras claras, maior uso de diagramas e menos uso de palavras escritas;
  • O ambiente de trabalho deve ser quieto e sem distratores;
  • A escrita cursiva é mais fácil do que a forma, pois auxilia velocidade e a memorização da forma ortográfica da palavra;
  • Esforços devem ser feitos para auxiliar a autoconfiança da criança, mostrando suas habilidades em outras áreas (música, esporte, arte, tecnologia, etc.).

Dois métodos de alfabetização são especialmente indicados para os disléxicos: o método multissensorial e o método fônico. Enquanto o método multissensorial é mais indicado para crianças mais velhas que já possuem histórico de fracasso escolar, o método fônico é indicado para crianças mais jovens, e deve ser introduzido logo no início da alfabetização.

O método multissensorial busca combinar diferentes sensoriais no ensino da linguagem escrita às crianças. Ao unir as modalidades auditiva, visual, sinestésica e tátil, este método facilita a leitura e a escrita ao estabelecer a conexão entre aspectos visuais, auditivos e sinestésicos.

Maria Montessori foi uma das precursoras do método multissensorial. Ela defendia a participação ativa da criança durante a aprendizagem e o movimento era visto como um dos aspectos mais importantes da alfabetização. A criança devia, por exemplo, traçar a letra enquanto o professor dizia o som correspondente.

A principal técnica do método multissensorial é o soletrar oral simultâneo, em que a criança inicialmente vê a palavra escrita, repete a pronúncia da palavra fornecida pelo adulto, e escreve a palavra dizendo o nome de cada letra. Ao final, a criança lê novamente a palavra que escreveu. A vantagem desta técnica é fortalecer a conexão entre a leitura e a escrita.

O método fônico tem dois objetivos principais: desenvolver as habilidades metafonológicas e ensinar as correspondências grafo-fonêmicas. Este método baseia-se na constatação experimental de que as crianças disléxicas têm dificuldade em discriminar, segmentar e manipular, de forma consciente, os sons da fala. Esta dificuldade, porém, pode ser diminuída significativamente com a introdução de atividades explícitas e sistemáticas de consciência fonológica, durante ou mesmo antes da alfabetização. Além de ser um procedimento bastante eficaz para a alfabetização de crianças disléxicas, o método fônico também tem se mostrado o mais adequado ao ensino regular de crianças sem distúrbios de leitura e escrita (MONTESSORI, 1967)

No Brasil, diversos estudos foram conduzidos introduzindo procedimentos fônicos e metafonológicos em contexto clínico com crianças que apresentavam problemas de leitura e escrita (CAPOVILLA & CAPOVILLA, 2000), e em contexto educacional regular com classes de alfabetização (CAPOVILLA & CAPOVILLA, 2002). Em ambos os casos, as crianças que participaram da intervenção apresentaram ganhos significativos em leitura, escrita, conhecimento de letras e consciência fonológica, quando comparadas às crianças-controle, expostas ao currículo escolar regular que focalizava atividades globais baseadas em textos. Tais estudos trazem fortes evidências sobre a importância dos procedimentos fônicos e metafonológicos para a remediação de problemas de leitura e escrita em crianças. É essencial que os profissionais da área de reabilitação de leitura e escrita conheçam e usem este procedimento, e que os responsáveis governamentais incentivem seu uso pelos educadores.


2 COMO A LEITURA É AVALIADA NO DISLÉXICO

Há uma série de testes de leitura disponíveis para psicólogos e professores. Segundo Selikowitz (2001), normalmente, é solicitado que a criança leia em voz alta partes do texto graduadas de acordo com a dificuldade. Os textos mais fáceis apresentam poucas palavras simples em letras grandes, comumente com ilustrações. A criança progredirá para níveis cada vez mais difíceis até que fique claro para o avaliador que ele alcançou seu limite máximo.

Os testes normalmente determinam a velocidade de leitura da criança comparada a outras crianças de sua idade. O número de erros que a criança comete é também observado para que se estabeleça a precisão de leitura, também comparada a padrões de idade. Após ter lido cada parte do texto, o avaliador pode fazer uma série de perguntas-padrão à criança sobre o que ela acabou de ler para determinar a compreensão de leitura da criança; isto ainda pode ser comparado a padrões de idade.

O avaliador observa os tipos específicos de erros que a criança comete. Ele pode também aplicar alguns testes específicos para tentar estabelecer a natureza exata do problema de leitura. Por exemplo, pode testar a percepção visual da criança: a capacidade do cérebro de formar um sentido das coisas que os olhos vêem. Pode comparar a capacidade da criança de ler palavras reais e palavras sem sentido para avaliar suas habilidades fonológicas (Selikowitz, 2001).

Linguagem e leitura são funções intimamente relacionadas. Dificuldades na linguagem estão freqüentemente presentes em crianças com dificuldade específica de leitura (dislexia), embora elas possam ser sutis e difíceis de detectar. Por esta razão, o ideal é que crianças com dificuldade de leitura fizessem uma avaliação de linguagem por um fonoaudiólogo. A terapia fonoaudiológica pode beneficiar alguns casos.

2.1 Dificuldades provocadas

São muitos os sinais que identificam a dislexia. Crianças disléxicas tendem a confundir letras com grande freqüência. Entretanto, esse indicativo não é totalmente confiável, pois muitas crianças, inclusive não disléxicas, freqüentemente confundem letras do alfabeto e as escrevem espelhadas. Na Educação Infantil, crianças disléxicas demonstram dificuldades ao tentar rimar palavras e reconhecer fonemas. Na primeira série, elas não conseguem ler palavras curtas e simples, têm dificuldade em identificar fonemas e reclamam que ler é muito difícil. Da segunda à quinta série, crianças disléxicas têm dificuldades em soletrar, ler em voz alta e memorizar palavras; elas também freqüentemente confundem palavras. Essas são apenas algumas das dificuldades provocadas em uma criança que sofre de dislexia. Conforme Selikowitz (2001, p.14):

A leitura do disléxico pode ser lenta e hesitante, com erros elementares. Ao ler, ele pode formar a história baseado nas ilustrações para dissimular dificuldades ou pode tentar adivinhar as palavras de forma desordenada. Pode ser incapaz de soletrar as palavras em sua ortografia, apesar de tentar arduamente. Sua letra pode permanecer muito imatura ou ilegível, apesar de grande esforço. Outro sinal é quando ela consegue escrever claramente apenas se o fizer extremamente devagar.

Suas habilidades aritméticas são afetadas, ela parece confusa quando lhe pedem para fazer cálculos que se espera de uma criança de seu nível de escolaridade. A criança tem grandes dificuldades para entender o significado das operações aritméticas, como adição, subtração e multiplicação.

Uma outra indicação de que a criança pode ter uma dificuldade específica de aprendizagem é a lentidão da fala. Ela pode encontrar dificuldade para se expressar ou sua fala pode ser imatura e confusa. É a dificuldade da criança entender a linguagem que é primeiramente percebida, ela pode ficar confusa diante de uma situação complexa e não entender histórias adequadas à sua idade.

A criança pode ser inquieta, impulsiva e incapaz de se concentrar em uma tarefa por um determinado período de tempo, pode ter grande dificuldade para colocar as coisas na ordem correta ou para aprender a diferenciar as noções de direita e esquerda. Aprender a dar laço no sapato ou dizer as horas, pode estar além de suas capacidades, mesmo com idade em que outras crianças dominam estas habilidades facilmente.

Uma dificuldade específica de aprendizagem apresenta-se inicialmente como um problema de comportamento ou como uma dificuldade de relacionamento com os colegas, isto pode ser uma armadilha para os menos atentos, já que o problema pode ser atribuído à indisciplina e, conseqüentemente, não surgir a suspeita de uma dificuldade de aprendizagem. A criança pode recusar-se a fazer as tarefas escolares ou ludibriar ao fazê-las, pode tornar-se arredia, agressiva ou hostil, ela pode ser rejeitada pelas outras crianças e tornar-se socialmente isolada. Estes comportamentos podem indicar auto-estima baixa como resultado das dificuldades com as tarefas escolares. Dificuldade de concentração que resulta em inquietação e impulsividade pode também se interpretada erroneamente como indisciplina (SELIKOWITZ, 2001). A dislexia está muitas vezes associada a outros termos e perturbações, como é o caso da disgrafia, discalculia, hiperatividade e hipoatividade. Segundo Martins (2004):

  • A disgrafia é uma inabilidade ou atraso no desenvolvimento da linguagem escrita, especialmente em escrita cursiva.
  • Discalculia é a dificuldade de calcular, porque a criança encontra dificuldades de compreender o enunciado das questões.
  • Hiperatividade – o jovem ou criança hiperativa tem um comportamento impulsivo, é aquela criança que fala sem parar e nunca espera por nada, não consegue esperar por sua vez, interrompendo e atropelando tudo e todos, não consegue focar a atenção em um único tópico.
  • A hipoatividade se caracteriza por um nível baixo de atividade psicomotora, com reação lenta a qualquer estímulo, trata-se daquela criança chamada “boazinha”, que parece estar sempre “sonhando acordada”. Comumente, o hipoativo tem memória pobre e comportamento vago, pouca interação social e quase não se envolve com seus colegas.

2.2 Dificuldades ao aprender a ler

De acordo com Selikowitz (2001), a leitura é um processo complexo. A criança deve ver claramente as formas das letras para que elas possam ser transmitidas para o cérebro. As formas das letras devem ser transmitidas em seqüência para o cérebro, e sua posição exata no espaço deve ser mantida. Em um leitor competente, o processo que desenvolve em seu cérebro quando lê é automático; a criança tem um depósito de palavras armazenadas em seu cérebro, área conhecida como léxico, que reconhece palavras familiares.

Outro aspecto importante da leitura: a compreensão. O léxico é conectado a uma espécie de dicionário no cérebro, conhecido como sistema semântico; este armazena os significados de todas as palavras que conhece e permite que todas as palavras conhecidas sejam enquadradas em seus respectivos significados (Selikowitz, 2001).

A leitura competente se sustenta em um léxico registrado interno que pode reconhecer palavras familiares. Quando um indivíduo tem um léxico bem equipado e pode usá-lo para o reconhecimento de palavras, ele está no estágio automático (ou ortográfico) da leitura. A maioria das crianças normais não alcança este estágio até os 8/10 anos de idade, e uma criança disléxica terá dificuldade de alcançar mesmo depois desta idade.

Conforme Selikowitz (2001), as crianças precisam passar por estágios preparatórios antes que possam alcançar o estágio automático de leitura; o disléxico tem dificuldades para alcançar estes estágios.

O primeiro estágio é o da memória visual ou logográfico. Este não envolve um sistema léxico (o léxico está vazio). Em vez disso, as palavras são conhecidas como se fossem pessoas ou objetos familiares (Selikowitz, 2001).

De acordo com Selikowitz (2001), o próximo estágio é o fonológico (ou alfabético) e é muito importante. Crianças normais entram neste estágio aos 6/7 anos de idade. Neste estágio, as crianças trazem um sistema especial para leitura, que é essencial, quando elas tiverem que equipar seu léxico para que possam progredir para o estágio automático. O sistema utilizado é um caminho alternativo para o sistema léxico, é chamado de sistema fonológico porque as palavras são quebradas (segmentadas) em sons competentes.

Conforme as crianças adquirem maior capacidade de traduzir os grafemas, elas começam a preencher o léxico do seu cérebro com palavras. Quando isso acontece, elas podem começar a superar o sistema fonológico e ter acesso ao léxico sempre que elas lêem uma palavra familiar, isso não acontece com um disléxico, pois as palavras não conseguem ser identificadas pelo léxico (Selikowitz, 2001).

2.2.1 O déficit na dificuldade específica de leitura

As crianças precisam de habilidades fonológicas para equipar seu léxico durante o segundo estágio de aprendizagem de leitura. Se elas não tiverem estas habilidades, a leitura automática não pode ser desenvolvida; é o que acontece com os disléxicos, eles não têm habilidades fonológicas que equipam o seu léxico.

Segundo Selikowitz (2001), a área mais comum de dificuldade é a segmentação de fonemas, o processo pelo qual uma palavra não familiar é quebrada pelo cérebro em seus sons competentes. Crianças disléxicas têm problemas ao desvendar os códigos, para converter os grafemas nos fonemas correspondentes no cérebro. É difícil para as crianças disléxicas progredirem através do estágio fonológico de leitura e eventualmente tornarem-se leitoras automáticas. Elas podem compensar sua dificuldade fonológica tentando desenvolver técnicas de reconhecimento visual, mas estas não são geralmente suficientes para uma leitura eficiente. Freqüentemente, tais crianças têm também um déficit na memória verbal, uma dificuldade de lembrar palavras que acabam de ler, isto pode aumentar mais o seu problema.

Embora a maioria dos estudos recentes mostre que o déficit do processamento fonológico é a causa mais comum de dificuldades específicas de leitura, nem todas as crianças com esta condição têm este problema específico. Algumas crianças têm dificuldade na maneira como o cérebro percebe as formas das letras, um déficit de percepção visual. Os cérebros destas crianças “não são bons” em reconhecer ou interpretar as formas das letras, isto pode acontecer porque as crianças com dificuldade específica de leitura confundem letras com “b” e “d”. Algumas crianças agregaram a dificuldade fonológica à dificuldade da percepção visual. Crianças com déficits fonológicos têm maiores probabilidades a erros fonéticos na ortografia, enquanto crianças com problemas de percepção visual são mais prováveis de cometerem erros visuais (Selikowitz, 2001).

De acordo com Martins (2004), no plano da linguagem, os disléxicos fazem confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia, como “a–o”, “e-d”, “h-n” e “e-d”, por exemplo. As crianças disléxicas apresentam uma caligrafia muito defeituosa, verificando-se irregularidade do desenho das letras, denotando, assim, perda de concentração e de fluidez de raciocínio.

As crianças disléxicas apresentam confusão com letras com grafia similar, mas com diferentes orientações no espaço, como: “b-d”, “d-p”, “b-q”, “d-b”, “d-p”, “d-q”, “n-u” e “a-e”. A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: “d-t” e “c-q”, por exemplo. Pais e educadores precisam ficar atentos para inversões de sílabas e palavras como “som-mos”, “sol-los” bem como a adição ou omissão de sons como “casa-casaco”, repetição de sílabas, salto de linhas e soletração defeituosa de palavras. Ainda pode-se caracterizar a criança disléxica da seguinte forma: inventa palavras ao ler o texto, utiliza estratégias e truques para não ler, distrai-se com bastante facilidade perante qualquer estímulo, parecendo que está sonhando acordada, tem melhores resultados nas avaliações orais do que nas escritas, não se interessa por livros e apresentam dificuldade de copiar textos da lousa ou de livros.

Numa primeira etapa da aprendizagem, algumas crianças podem apresentar estas características, e esses são considerados erros normais dentro do processo de aprendizagem. Segundo Martins (2004), “crianças com expressivas dificuldades de leitura não são necessariamente disléxicas, mas todas as crianças disléxicas têm um sério distúrbio de leitura”.


CONCLUSÃO

Segundo o questionário realizado com a fonoaudióloga e com a psicóloga, pode-se concluir que as dificuldades na leitura e na escrita causam nas crianças analisadas sentimento de fracasso, pois é através da leitura que elas vêem outdoors, embalagens, mas não conseguem entender aqueles sinais. Elas não conseguem fazer a transferência do sinal gráfico para o significado.

A fonoaudióloga e a psicóloga concluíram que a melhor maneira de superar as dificuldades de aprendizagem é identificar com exatidão em que áreas incide tal dificuldade, cabendo não só ao educador, mas aos pais e profissionais da área de saúde, o papel de providenciar ajuda, pois o diagnóstico precoce e o ensino específico são fundamentais, pois visam o desenvolvimento e o crescimento da criança.

O trabalho realizado deixou clara a necessidade tanto de um conhecimento maior sobre o processo pedagógico, quanto de suas relações com o todo social por parte da equipe escolar.

Detectou-se com este trabalho ser importante que a escola construa práticas pedagógicas que considerem as necessidades dos alunos, assim como todas as suas possibilidades de aprendizagem, criando condições e dando-lhes autonomia suficiente, para que aprendam umas com as outras, e também com seus próprios erros, sem medos, preconceitos ou discriminações. Caso contrário, a escola será sempre um lugar sem os atrativos que proporcionam o prazer e, fatalmente, logo será rejeitada; reprimindo seus sentimentos, o aluno apresentará comportamentos que poderão explodir sob as formas mais “inexplicáveis” possíveis.

Vale lembrar que se uma criança passa grande parte de sua vida na instituição escolar, é justo que seja, no mínimo, um espaço de prazer, e não de insatisfação. A escola não deve conter a significação de campo de concentração. Condemarim, & Blomquist (1986) sugerem que um tratamento adequado administrado ainda cedo na vida escolar de uma criança, pode corrigir as falhas nas conexões cerebrais, ao ponto que elas desapareçam por completo.

Que este trabalho possa dar suporte aos educadores para enfrentarem um dos obstáculos encontrados em seu cotidiano escolar: a dislexia.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAPOVILLA, A. G. S. & CAPOVILLA, F. C. Problemas de leitura e escrita: como identificar, prevenir e remediar numa abordagem fônica. 2. ed. São Paulo: Memnon, 2000.

______. Alfabetização: método fônico. São Paulo: Memnon. 2002.

CONDEMARIM, Mabel; BLOMQUIST, Marlys. Dislexia manual de leitura corretiva. Trad. Ana Maria Netto Machado. 3.ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.

DROUET, Ruth Caribe da Rocha. Distúrbios da aprendizagem. São Paulo: Ática, 2003.

GARCIA, J. W. Manual de dificuldade de aprendizagem: linguagem, leitura, escrita e Matemática. Trad. Jussara H. Rodrigues. Porto Alegre: Artmed, 1998.

GIROTO, C.R.M. (Org.). Perspectivas atuais da fonoaudiologia na escola. São Paulo: Plexus, 1999.

IANHEZ, Maria Eugênia; NICO, Maria Ângela. Nem sempre é o que parece: como enfrentar a dislexia e os fracassos escolares. São Paulo: Alegro, 2002.

MARTINS, Vicente. Quem necessita de educação especial?

MONTESSORI, M. O método da pedagogia científica. Barcelona: Analuce, 1967.

PAIN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 4.ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.

SCOZ, B. Psicopedagogia e realidade escolar, o problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1994.

SELIKOWITZ, Mark. Dislexia e outras dificuldades de aprendizagem. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.


ANEXO

QUESTIONÁRIO REALIZADO COM UMA FONOAUDIÓLOGA E UMA PSICÓLOGA

A dislexia dificulta a aprendizagem?

Este distúrbio de aprendizagem atinge mais aos meninos ou meninas?

Quais os processos utilizados para diagnosticar estes alunos?

Qual o método mais adequado para trabalhar com este aluno?

Essas metodologias são utilizadas pelos professores? Como eles as utilizam?

Autor: Ralf Maciel

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