RESENHA DO LIVRO: AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR


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Em sua 20ª edição, o livro Avaliação da Aprendizagem Escolar: Estudos e Proposições (184 págs, Ed. Cortez, tel. 11/3611-9616, 29 reais), do educador Cipriano Carlos Luckesi, pode ser considerado um clássico brasileiro da Pedagogia. A obra reúne nove artigos escritos pelo autor, professor do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), entre os anos de 1976 e 1994, que abordam a questão da avaliação da aprendizagem escolar de forma crítica. Para tanto, Luckesi utiliza como ferramentas de análise diferentes áreas do conhecimento, cruzando referências da Filosofia, da Sociologia, da Política e da Psicologia.

É interessante observar como algumas das questões propostas pelo autor continuam atuais 15 anos depois do lançamento – a primeira edição é de 1995. Embora muito já tenha sido pesquisado, discutido e publicado sobre o tema, ainda é verdade que, na realidade de muitas escolas, a avaliação é entendida como um fim em si mesma, que existe de forma autônoma e não tem vínculos com o projeto político pedagógico. O resultado dessa concepção também é bastante conhecido: a criação de um campo fértil para a proliferação do autoritarismo e da exclusão. Uma leitura atenta do livro é fundamental. O capítulo introdutório concentra boa parte da visão do autor, pois é ali que são apresentados os contextos de produção de cada um dos artigos, vinculados ao próprio percurso de investigação dele sobre o tema.

Parceiro na tarefa permanente de estabelecer um diálogo entre o ensino e a aprendizagem, Luckesi nos apresenta a avaliação como um “juízo de qualidade sobre dados relevantes para uma tomada de decisão”, e não como um julgamento definitivo sobre algo.

Dessa forma, o educador posiciona a avaliação como um ato seletivo e inclusivo, que possibilita questionar ações passadas e gerar ações futuras. Também a classifica como um instrumento valioso para que escolas, professores e alunos possam voltar o olhar para si mesmos em busca de transformações qualitativas que só os processos de autoconhecimento podem gerar.

Autora: MARIANA BREIM

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Trecho do livro

O modo de trabalhar com os resultados da aprendizagem escolar – sob a modalidade da verificação – reifica a aprendizagem, fazendo dela uma ‘coisa’ e não um processo. O momento da aferição do aproveitamento escolar não é o
ponto definitivo de chegada, mas um momento de parar para observar se a caminhada está correndo com a qualidade que deveria ter. Neste sentido, a verificação transforma o processo dinâmico da aprendizagem em passos estáticos e definitivos. A avaliação, ao contrário, manifesta-se como um ato dinâmico que qualifica e subsidia o reencaminhamento da ação, possibilitando consequências no sentido da construção dos resultados que se desejam.

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