RESENHA DO FILME: NELL

Resenha do filme: NELL – Educando com Necessidades Educ. Especiais

NELL . Direção: Michael Apted. Produção: Renee Missel e Jodie Foster.
Protagonistas: Jodie Foster, Liam Neeson e Natasha Richardson. FoxVideo, 1995.
115 min.

O filme se inicia com a morte de uma senhora idosa e seu corpo sendo preparado para a despedida final. A mulher morta era mãe da personagem-tema deste filme, uma eremita, vivia apenas com a filha Nell, mulher de, aproximadamente, 30 anos de idade, e que possuía problemas na fala, morava em uma casa no meio da floresta. A primeira impressão que ela passou foi a de uma pessoa selvagem com problemas mentais.

Os Drs. Jerry Lovell (Liam Neeson) e Paula Olsen (Natasha Richardson) interessam-se pelo caso, mas tiveram divergências de opinião sobre a situação de Nell. Surge à questão sobre quem poderia cuidar dela e o caso vai a júri, onde decide-se que é fundamental compreender a “paciente” para saber como ela vivia e se precisava de algum tipo de ajuda para poder sobreviver. É dado o prazo de três meses para que ambos “conheçam-na melhor”.

Paula instala câmeras na casa de Nell, com intuito de observá-la. Jerry procura estabelecer contato direto, encontra resistências, mas obtém bons resultados. Com o passar do tempo, conseguem ganhar a confiança de Nell, começam a compreender a fala, os hábitos e os medos dela, descobrem que a personagem é absolutamente capaz de viver só e de decidir sobre a própria vida.

Nell possuía dificuldades na fala devido ao convívio continuado com a mãe a qual tinha paralisação facial. A personagem era diferente das pessoas da cidade, pois adquiriu uma cultura própria do meio em que vivia e, por isso, sofreu discriminação. Os médicos da cidade queriam a internação, para que recebesse os cuidados necessários a uma deficiente mental. Deram a ela diagnósticos precipitados, dentre esses o de autismo.

Após passados os três meses estipulados pelo juiz, chega o dia da decisão sobre quem cuidaria de Nell, enquanto todos achavam que ela não seria capaz de se cuidar sozinha, ela se levanta e pede para Jerry “traduzir” a sua fala e começa a própria “defesa”. Demonstra todo o seu carinho, medo, angústia e vontade, mostra que está em pleno gozo de suas faculdades mentais e poderia se cuidar sozinha, era solitária sim e possuía suas individualidades, assim como todos nós.

O filme é um ótimo ensinamento sobre como devemos ou não agir em relação às pessoas diferentes de nós, com hábitos e costumes peculiares, enfim, pessoas que possuem uma cultura diferente da que conhecemos.

Vemos a todo tempo pessoas que possuem necessidades especiais e se deparam com as dificuldades do dia-a-dia, como os “cadeirantes” que não encontram calçadas facilitadoras de acesso às ruas, como os deficientes visuais que raramente encontram textos em Braille. Estas pessoas desenvolvem hábitos para se adequarem à realidade encontrada. Muitos não são compreendidos e são vistos com discriminação pelos membros da sociedade em geral, que não entendem as implicações e obstáculos enfrentados por um portador de necessidades especiais.

Esse filme nos ajuda a ver um pouco da realidade das pessoas que, além de conviver com uma necessidade especial, têm de enfrentar a indiferença de uma sociedade preconceituosa e etnocêntrica.

Autor:  Ana Paula

ANÁLISE:

A abordagem mais humana e menos científica de Jerome surte resultado, derrubando todas as teorias de Paula, ficando claro para a psicóloga que sua paciente não apresentava nenhum tipo de anormalidade, pelo contrário, demonstrava satisfação e exprimia uma humanidade sem igual, mesmo em meio a um estilo de vida completamente diferente do usual, contrapondo-se à grande maioria dos homens e mulheres criados ao conforto da eletricidade e das telecomunicações.

Trailer do filme.

O conhecimento, que permite o desenvolvimento mental, acontece na relação com os outros, é uma troca de mão dupla, no filme é possível observar que não é só Nell quem aprende, mas muito mais o médico e a psicóloga descobrem coisas novas com Nell.

A desilusão/depressão evidenciada em alguns personagens é sanada praticamente de imediato, como um milagre, em um simples contato com Nell, seja através de uma singela palavra, mesmo que incompreensível, ou na manifestação de um carinho oferecido pela moça.

Mais que uma lição de moral de que a felicidade não está atrelada ao conforto e às ambições contemporâneas, o filme mostra que não era Nell quem mais precisava de ajuda, mas sim as pessoas em sua volta. O papel de Jodie Foster não deve ser encarado como um mero contraste entre a modernidade e a simplicidade, mas sim como um aviso escancarado de que é possível conviver com as diferenças e aprender com elas, numa troca dialética em busca de um caminho melhor, de menos apego à valores efêmeros.