PROJETO VIDA: EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PROPOSTA METODOLÓGICA

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Considerações sobre o Projeto Vida – Educação Ambiental e proposta metodológica


O Projeto Vida – Educação Ambiental passou por fases distintas:

Primeira fase – Elaboração do livro e apresentação da proposta metodológica em cursos, oficinas, eventos educacionais, escolas (1993-1998).

Segunda fase – Criação do Website para maior abrangência e ampliação das propostas do projeto, acrescentando os objetivos: disponibilizar material informativo diversificado relacionado à EA; integrar práticas e projetos ligados à EA, publicados na Internet, através da disponibilização de hiperlinks (1999 – 2000).

Terceira fase – Manutenção e atualização do Website, moderação do Grupo de Discussão sobre Educação Ambiental (GEAI/Grupo de Educação Ambiental da Internet) via correio eletrônico, elaboração de  CD-Room contendo a proposta metodológica do Projeto Vida – Educação Ambiental, revisada e atualizada (2001 – …).

Descrição da proposta metodológica e das fases do projeto:

Primeira fase do Projeto Vida – Educação Ambiental

O livro Planejamento Ambiental para Professores da Pré-escola à Terceira Série do Primeiro Grau oferece aos/as professores/as um roteiro temático com sugestões de histórias e textos, para serem trabalhados com seus alunos e tem a intenção de auxiliar na inclusão da Educação Ambiental às práticas rotineiras da escola.

Este planejamento levou em conta o fator seriado, tendo em vista que a atual organização escolar está assim estruturada.

Proposta metodológica

A proposta metodológica baseia-se, fundamentalmente, em uma metodologia de alfabetização construtivista chamada de Método da Palavração. O método de alfabetização da palavração consiste em apresentar a “palavra-chave”, de forma a despertar o interesse da criança sobre o assunto implícito na palavra-chave, trabalhando de forma diversificada o amplo universo em torno do conceito apresentado.

Tendo em vista que todo processo de alfabetização antecede a série “alfabetizadora” propriamente dita, ou 1a. Série, pois já na Educação Infantil a criança começa a “ler o mundo”, o Planejamento Ambiental sugere a introdução dos temas abordados através de histórias. Uma característica marcante da criança desta faixa etária (5/6 anos) é o egocentrismo, ou seja, tudo o que existe a sua volta é dela, como se o mundo lhe pertencesse.

Na medida em que cresce e se socializa ocorre uma maturação no sentido da forma como vê e percebe o mundo que a cerca.

Na proposta metodológica do Planejamento Ambiental, esta “evolução” da estrutura emocional da criança é levada em conta, quando propõe que os mesmos assuntos sejam apresentados ampliando a abrangência que engloba o conceito que, pouco a pouco, vai sendo construído e elaborado.

Sendo um planejamento que pretende auxiliar no processo de alfabetização (processo este que antecede a 1a. Série e continua se desenvolvendo nas demais séries do Ensino Fundamental) e inserir o enfoque ambientalista a esta prática, é importante trazer a tona, ao menos a essência do Método da Palavração que se baseia nos princípios do construtivismo.

Dentre muitos métodos de alfabetização que existem, o que melhor se enquadra a uma abordagem interdisciplinar para as séries iniciais da educação básica, bem como a inclusão da Educação Ambiental nesta prática é o Método da Palavração. Basicamente este método consiste em apresentar a palavra-chave e a partir do estudo do conceito desta palavra é feita a conexão à vivência do educando. Este método nos permite apresentar às crianças palavras que sejam relacionadas ao ambiente e a vida de uma forma geral, bem como realizar atividades diversas que contribuam simultaneamente para o processo da alfabetização propriamente dita e a inclusão da Educação Ambiental dentro do contexto educacional do educando.

É importante destacar que o aprendizado ocorre de forma mais significativa quando vivenciado e quando o educando sente-se parte daquilo que está estudando.

Considero necessário salientar a diferença destes métodos para que se perceba o grande distanciamento que há entre um método e outro. Como exemplo utilizarei o Método Silábico, que consiste em estudar as “famílias” silábicas das palavras, fazendo, em seguida, a comparação com o Método da Palavração.

Ao apresentar a palavra VIDA, no Método Silábico, o próximo passo seria a separação da palavra em sílabas: VI – DA. Partindo destas sílabas, seriam estudadas as famílias silábicas de cada sílaba da palavra: VA-VE-VI-VO-VU e DA-DE-DI-DO-DU. Metodologicamente a seqüência seria o estudo das junções destas duas famílias para a formação de novas palavras: DAVI – VIVO – VIVA – DIVA, e assim sucessivamente. Creio que com este exemplo seja possível entender como ocorre o processo de alfabetização pelo Método Silábico, um dos métodos mais utilizados no Brasil.

Ao apresentar a palavra VIDA, no Método da Palavração, que consiste em estudar a palavra e sua significação real, o próximo passo seria a conversação sobre o assunto ou tema que apresenta a palavra. Depois da conversação, as atividades propostas envolveriam dramatizações, vivências, atividades artísticas e físicas, pesquisas, entre outras, sobre o tema apresentado. A palavra, em todos os momentos, seria amplamente visualizada para a fixação da escrita às vivências realizadas. Após estas atividades o/a professor/a convida as crianças a formularem pequenas frases e com elas continua trabalhando o assunto, até perceber o momento certo para apresentar um novo conceito, e assim, sucessivamente.

Desta forma é fácil perceber a diferença entre um método e outro, através destes singelos exemplos. Da mesma forma que, pelo Método da Palavração a aprendizagem se processa de forma mais significativa e com compreensão, pois permite ler interpretando e não simplesmente decodificar símbolos como no Método Silábico, a inserção da Educação Ambiental pode ser realizada de forma espontânea e clara. É através das “palavras-chaves” que poderemos apresentar assuntos que normalmente não ultrapassam os muros das escolas, principalmente nas séries iniciais.

A proposta metodológica é dividida em quatro etapas distintas:

A metodologia continuísta do Planejamento Ambiental é baseada em quatro conceitos principais que são: ambiente, ecologia, preservação e reciclagem. Partindo destes conceitos principais são trabalhados sub-conceitos. Então, abre-se um leque de possibilidades para o/a professor/a desenvolver suas atividades de acordo com as características de sua realidade educacional e ambiental.

Os conceitos desenvolvidos são abordados de forma específica e interdisciplinar, para cada série, ou seja, na Educação Infantil as atividades sugeridas respeitam o nível de entendimento intelectual inserindo os assuntos ambientais de forma implícita através de pequenas histórias, cabendo ao professor/a trazer a tona os elementos ambientais que a história apresenta. Na 1a. Série, levando em conta o processo de alfabetização, são sugeridos pequenos textos que abordam os assuntos de forma mais específica. Na 2a. Série os textos apresentados tornam-se mais abrangentes, tendo em vista que o grau de compreensão desta faixa etária é maior. Por fim, na 3a. Série é possível utilizar nomenclaturas mais específicas onde os conceitos são desenvolvidos de forma mais aprofundada. Assim, a criança vai gradativamente construindo a sua conscientização em relação ao papel do ser humano no contexto do ambiente em que vive.

Temas geradores de cada etapa e as respectivas palavras-chaves:

1. Primeira Etapa: Ambiente

2. Segunda Etapa: Ecologia

3. Terceira Etapa: Preservação

4. Quarta Etapa: Reciclagem

Para cada etapa serão apresentadas palavras-chaves relacionadas com o “tema gerador”:

1. Ambiente:

Fazendo uma “costura*” com os temas abordados em AMBIENTE: O planeta TERRA é o corpo celeste que proporciona a possibilidade da vida. A NATUREZA é parte integrante do planeta Terra que é composta por componentes naturais: plantas, rios, animais, tudo o que não foi alterado pelo ser humano. As PLANTAS são importantes seres com os quais compartilhamos a vida e que garantem a sobrevivência, pois são fontes de ALIMENTOS, tanto para seres humanos como para as demais espécies animais. O AMBIENTE pode ser natural ou construído. O Ambiente construído é composto por CIDADES GRANDES e CIDADES PEQUENAS. São ambientes que foram estruturados ao longo da história da humanidade como forma de organização dos povos. As PESSOAS são espécies de animais e, dependendo do lugar onde vivem, possuem etnias ou raças diferentes. A TERRA é dividida, pelos seres humanos, em PAÍSES que são formados por diferentes povos. Assim como as pessoas têm diferentes raças, os animais têm diferentes categorias, alguns são ANIMAIS PEQUENOS, outros são ANIMAIS GRANDES.

TERRA (planeta)

NATUREZA

PLANTAS

ALIMENTOS

CIDADE GRANDE

CIDADE PEQUENA

PESSOAS

PAÍSES

ANIMAIS PEQUENOS

ANIMAIS GRANDES

2. Ecologia:

Fazendo uma “costura” com os temas abordados em ECOLOGIA: A VIDA é um conjunto de propriedades e qualidades graças as quais animais e plantas se mantêm em contínua atividade (nesta etapa poderá ser feita a associação dos elementos trabalhados na etapa anterior: animais, plantas, pessoas). Sem vida não haveria existência na TERRA. Para que a vida possa ocorrer são necessários, portanto, elementos que proporcionem energia para os seres vivos como AR que se encontra na atmosfera que envolve a TERRA, a ÁGUA que é encontrada em diferentes lugares, podendo ser doce ou salgada, dependendo da sua origem (rio ou mar) e serve de ALIMENTO para que os organismos vivos prossigam seu ciclo. Outro fator importante para a existência da VIDA é a LUZ. A luz solar é importante fonte não só de claridade, mas também de calor e de energia. A CHUVA é essencial, pois é encarregada de distribuir água pelo planeta e sem ela os ambientes se transformariam em desertos. As FLORESTAS são ambientes naturais compostos por árvores e outras plantas. Nas FLORESTAS vivem muitas espécies animais e vegetais e ao transformarem gás carbônico em oxigênio, purificam o AR. Elas ocorrem em ambientes terrestres e normalmente são nutridas por RIOS. Os RIOS são fonte de água doce que proporcionam a vida aquática. O MAR é comporto por água salgada e também proporciona a vida aquática.

VIDA

AR

ÁGUA

ALIMENTO

LUZ

CHUVA

FLORESTA

RIO

MAR

3. Preservação:

Fazendo uma “costura” com os temas abordados em PRESERVAÇÃO: Como sabemos, as ações humanas provocaram problemas como a EXTINÇÃO (nesta etapa poderá ser feita a associação dos elementos trabalhados nas etapas anteriores: animais, plantas, pessoas, água, ar, luz, alimento). A EXTINÇÃO DE ANIMAIS já ocorreu de forma natural através de fenômenos que inviabilizaram a vida dos Dinossauros, por exemplo, além de diversas espécies de plantas também. Hoje, com o desequilíbrio ecológico, muitos ANIMAIS E PLANTAS estão correndo o risco de EXTINÇÃO. Além de muitos problemas, o principal que afeta a saúde do planeta, das plantas, dos animais, dos rios, dos mares, dos humanos é o problema da POLUIÇÃO. POLUIÇÃO é toda e qualquer sujeira que é despejada no ambiente. Existem diferentes tipos de poluição que ocorrem por diferentes causas ocasionando problemas distintos e/ou semelhantes: A POLUIÇÃO DO AR, DA ÁGUA, DA TERRA. Pesquisas apontam que se tudo continuar como está, haverá um colapso ambiental.

ANIMAIS EXTINTOS

ANIMAIS E PLANTAS EM EXTINÇÃO

POLUIÇÃO

POLUIÇÃO DO AR

POLUIÇÃO DA ÁGUA

POLUIÇÃO DA TERRA – LIXO

ALIMENTOS

4. Reciclagem:

Fazendo uma “costura” com os temas abordados em RECICLAGEM: Uma das primeiras soluções avistadas pelos seres humanos para frear e minimizar os problemas da poluição foi a RECICLAGEM, apesar de estar um tanto deturpado este conceito no sentido de subentender a perpetuação de um sistema de consumo desenfreado. O QUE É RECICLAR? Reciclar é dar um novo ciclo de vida, reutilizando materiais para reduzir a extração de matéria virgem. Para reciclar é importante SEPARAR O LIXO. Esta atitude é uma das primeiras ações individuais importantes para a tomada da consciência ambiental, pois ao realizar a separação do lixo, as pessoas começam a fazer uma “leitura” do tipo de materiais que consomem e começam uma reflexão interna a partir daí. Pouco a pouco, a partir da visão do seu próprio lixo, ampliam este olhar que os fazem perceber POR QUE RECICLAR é importante.

RECICLAR O LIXO

O QUE É RECICLAR?

SEPARAR O LIXO

POR QUE RECICLAR?

Convém esclarecer que os textos apresentados com as palavras-chaves, no CD-Rom, servirão como ponto de partida para trabalhar questões ambientais, e estão associados aos conteúdos programáticos da série a que se dirige, cabendo ao professor sair do contexto puramente informativo, dando continuidade ao assunto de acordo com os interesses e peculiaridades de sua turma e do ambiente onde vivem. É possível acrescentar ou excluir temas propostos se os mesmos não são referências ao contexto local da realidade do educando.

Enfoque interdisciplinar e sugestões adicionais

Os temas sugeridos podem ser desenvolvidos abrangendo todos os contextos onde podem estar inseridos. É importante globalizar a Educação Ambiental aos conteúdos curriculares e às atividades desenvolvidas rotineiramente na escola.

1 – Enfoque interdisciplinar na Educação Infantil:

Sugestões de atividades e confecções de materiais (confeccionados pelo/a professor/a ou pelas crianças), para desenvolver atividades que possibilitem trabalhar as áreas:

Afetiva: Conversações sobre: nosso relacionamento com a família, amigos, animais, plantas; valorização de todos os seres com os quais compartilhamos a vida; histórias infantis com animais em diferentes ambientes. Confecção de cartões para datas comemorativas utilizando caixas de leite ou de suco, papelão de caixas, enfeitando-os com cola e serragem, cola e palitinhos, colagem com papel de revista, colagem com retalhos de tecido etc.

Vivência em Grupo: Confecção de painéis sobre papel pardo utilizando colagens de gravuras, confecção de quebra-cabeças e jogos de memória, bolas de meia para brincadeiras de “ovo podre” ou “o limão entrou na roda”.

Comunicação: Confecção de microfones, confecção de fichas com gravuras grandes de pessoas realizando alguma tarefa, as quais as crianças deverão interpretar o que elas estão fazendo e imita-las…

Movimento: Confecção de paus com fitas de papel ou de tecido, confecção de bambolês com pedaços de mangueira velha, confecção de pesos com garrafas descartáveis cheias de areia para realizar diversas atividades de educação Física, confecção de chocalhos e tambores com latas…

Necessidades: Confecção de cartazes que apresentem as necessidades básicas dos seres vivos: alimentação, moradia, higiene.

Criatividade: Atividades artísticas utilizando sucata: forrar potes com materiais variados, colagens em painéis, recorte de embalagens e montagem de álbum.

Área Cognitiva: Atividades de observação de elementos naturais com registro após observação. Exemplo: observação de sementes germinando (utilizar sementes variadas que poderão ser plantadas em potes de embalagens); observação da vegetação da escola percebendo classificando quanto a grande/pequeno, alto/baixo, fino/grosso, liso/áspero – o registro oral ou gráfico destas observações é muito importante.

Área Sensorial: Confecção de saquinhos de pano contendo objetos diferentes para brincar de descobrir – pelo tato – o que está no saquinho, confecção do livrinho do tato (várias fichas de papelão com elementos colados), realizar atividades de mímicas (imitando animais, profissões, atividades de higiene), colocar em potes alguns elementos com cheiro para as crianças descobrirem o que está no pote (pote com café, com vinagre, com ervas cheirosas).

Área Espacial: Confecção de fitas com unidades de medidas (ex: 10 palmas da mão) e medir objetos diversos, medir crescimento de plantas com dedinhos, inventar mapas de tesouro (esconder algo no pátio do colégio e apresentar o mapa previamente preparado para as crianças procurarem o tesouro), contar quantos passos dados de um determinado lugar até outro, deitar no chão da sala e desenhar com giz o perfil da criança e da professora e medir…

Área Temporal: Atividades que utilizem ontem, hoje e amanhã – Confecção de cartazes de como estava o tempo ontem, como está o tempo hoje e como as crianças acham que estará o tempo amanhã. Confecção de um calendário mensal para ser apresentado a cada início do mês. Observar a hora do relógio (confeccionado) quando as crianças entram em sala de aula e como está o relógio na hora em que saem (a professora o modifica).

Área de Análise e de Síntese: Confecção de dobraduras simples e observar: “era assim e ficou assim”, confeccionar um cartaz de animais filhotes e outro de animais adultos observando como eram e como ficaram (pode ser com gravuras de crianças e de adultos) e fazer comparações. Confeccionar jogos com seqüência lógica classificando por tamanho, por fatos. Coletar sucata em geral e classificá-la quanto ao seu material: plástico, papel, papelão, etc.

Figura Fundo: Confecção de um painel contendo diversas gravuras e brincar de procurar um determinado elemento ou objeto.

Área Psico-Motora: Confeccionar jogos de memória, quebra-cabeças, realizar atividades de recorte, colagens, montagens em espaços predeterminados pela professora, confeccionar fichas com ordens esclarecidas às crianças e apresentá-las seqüencialmente para que as crianças executem (ex: fichas de bater palmas, bater o pé, piscar os olhos, emitir algum som pela boca, etc.).

Esquema Corporal: Confeccionar um boneco com roupas velhas preenchendo-as com jornal, confeccionar máscaras de papel para a cabeça, confeccionar um grande quebra-cabeça com as partes do corpo. Brincar, de dois a dois, de espelho (o que um faz o outro imita).

Motricidade Ampla: Realizar atividades de corrida, competições, rodas cantadas, utilizando objetos confeccionados com sucata: corrida com garrafas de peso leve (dependendo o tamanho da criança por pouco peso na garrafa) – jogos com bolas de meia.

Motricidade Fina: Confeccionar contas com canudinhos e enfiar em cordões para fazer colares, rasgar e picar papel de revista colado-os em espaços pré-determinados, executar bordados com retalhos de lã em cartões perfurados pela professora.

Todas as atividades poderão ser realizadas com muita conversação, destacando sempre a interação que se tem com o ambiente, independente do tipo de atividade que estivermos fazendo.

2 – Enfoque interdisciplinar no Ensino Fundamental – séries iniciais:

Sugestões de atividades para desenvolver atividades que possibilitem trabalhar os mesmos temas em disciplinas distintas;

Disciplina de Estudos Sociais: Conteúdo – Bairro

Enquanto enfocamos os fatores essenciais do estudo sobre bairro poderemos estudar os aspectos ambientalistas (vegetação, limpeza, animais…).

Disciplina de Matemática: Conteúdo – Histórias Matemáticas / Bairro

Poderemos fazer uso das histórias matemáticas para se introduzir questões ambientais.

Por exemplo: Em nosso bairro existem diversos tipos de árvores. Na quadra da nossa escola tem 15 eucaliptos, 12 amoreiras, 5 bergamoteiras e 7 palmeiras. Quantas árvores têm ao todo? Quantas árvores são frutíferas? Quantas árvores não são frutíferas?

Disciplina de Português: Conteúdo – Composição / Bairro

Sugerir como temas de redação assuntos ligados à Educação Ambiental tais como: A natureza do nosso bairro / Um bairro modelo / Coleta de lixo do nosso bairro…

Utilizar textos informativos enfocando acontecimentos relacionados a Ambiente, Ecologia, Preservação e Reciclagem, criar textos, poesias, composições e criar histórias para peças de teatro.

Disciplina de Educação Artística: Conteúdo – Maquete / Bairro

Utilizar sucata para a construção de uma maquete do bairro da escola (A Educação Ambiental anda de “braços dados” com a Educação Artística pelo fato de podermos utilizar o recurso da reciclagem ao desenvolvermos trabalhos artísticos com sucata, salientando que utilizando a sucata estaremos poupando os recursos naturais).

Disciplina de Educação Física: Conteúdo – Competições / Jogos

Confeccionar objetos que poderão ser utilizados para brincadeiras e competições: Pesos com garrafas descartáveis cheias de areia ou água, jornais para delimitar espaços que deverão ser percorridos, bolas de meias de nylon, recheadas com jornais amassados.

Disciplina de Educação Musical:

Criar músicas com as crianças sobre questões ambientais, confeccionar instrumentos com sucata: chocalhos, tambores.

Sugestões de materiais para confecção do/a professor/a:

§     Fantoches com caixas, massa de papel jornal, bolas de jornal forradas com meia de nylon, pés de meia, velhos. Os fantoches podem ser confeccionados utilizando os materiais já citados para formar a cabeça do personagem. Utilizam-se retalhos de tecido para o corpo dos fantoches.

§     Fantoches com vara utilizando copinhos de iogurte, sacos de papel, caixinhas.

§     Livros com cartolina usada ou papelão de caixas contendo: gravuras, números e respectivas quantidades, materiais naturais para tato (areia, folhas, raízes…), linhas e formas geométricas.

§     Brinquedos com caixas, garrafas plásticas, embalagens em geral – bilboquês, carrinhos, chocalhos, caixas enfeitadas.

§     Cartazes com cola (ou grude) com pó de café passado seco, areia, serragem.

§     Quebra-cabeças com gravuras de jornais ou revista.

§     Mini-hortinhas com garrafas descartáveis.

§     Minhocário com garrafas descartáveis.

§     Jogo de boliche com bolas de meia e garrafas descartáveis.

§     Massinha de modelar caseira.

§     Maquetes de casas.

§     Pincéis com lã, corda, esponja, algodão, penas de galinha.

§     Televisão de papelão.

§     Quadrinhos negros para uso das crianças – é só pintar um retalho de chapa de “eucatex” com tinta preta ou verde.

§     Marionetes com a parte interna do rolo de papel higiênico.

§     Carimbos com madeira e cordão; e móbiles com elementos naturais.

Estes foram apenas alguns exemplos e sugestões de atividades interdisciplinares associando os conteúdos programáticos à EA.

Avaliação:

A avaliação ocorrerá concomitantemente ao processo de avaliação utilizado pela escola, ressaltando a importância de o/a professor/a “avaliar” qualitativamente, através das atividades desenvolvidas, o envolvimento, a participação, a colaboração e a compreensão dos assuntos trabalhados, podendo realizar também uma auto-avaliação, conduzindo o educando a uma reflexão e a um posicionamento após cada etapa apresentada. Desta forma será possível perceber o que não ficou claro e a partir disto reforçar assuntos que mereçam maior atenção. A avaliação contará com um processo cumulativo/qualitativo no que diz respeito à aquisição de conhecimentos necessários e mudanças de atitudes  para atingir a meta da conscientização ambiental.

Segunda Fase:

Criação do Website do Projeto Vida – Educação Ambiental

Em 1999 foi criado o Website do Projeto Vida – Educação Ambiental para maior abrangência e ampliação das propostas do projeto, acrescentando os objetivos: disponibilizar material informativo diversificado relacionado à EA; integrar práticas e projetos ligados à EA, publicados na Internet, através da disponibilização de hiperlinks.

Desde o seu lançamento o Projeto Vida – Educação Ambiental tem servido de referencial de pesquisa devido à diversidade de materiais que disponibiliza aos internautas, através de hiperlinks e de materiais da própria autora. Muitos dos contatos tornaram-se freqüentes, partindo daí a idéia de formar um grupo com interesses comuns utilizando como principal ferramenta o correio eletrônico. Em maio de 2000 foi criada a Lista de Discussão do Projeto Vida – Educação Ambiental, um marco para o projeto em desenvolvimento.

Terceira fase (atual)

A atualização do Website é feita semanalmente, e a moderação do Grupo de Discussão sobre Educação Ambiental via correio eletrônico é realizada diariamente, exceto quando não há disponibilidade de tempo. A elaboração do CD Room contendo a proposta metodológica do Projeto Vida – Educação Ambiental revisada e atualizada.

Considerações finais:

Minha opinião sobre Educação Ambiental

A Educação Ambiental é a prática educacional que ocorre em sintonia com a vida em sociedade, que pode (e deveria) ser inserida sob diversos enfoques: social, econômico, político, cultural, artístico etc, não podendo ser considerada como uma prática estanque, uma vez que abrange diversas áreas. Desta forma também pode ser considerada como uma arte, no sentido de trabalhar com a criatividade no que tange procurar alternativas para envolver os indivíduos num processo de reeducação de valores, percepções e sentidos em relação a forma de ver e viver o mundo. Segundo Garrett Hardin (ecologista americano), a Educação Ambiental está diretamente ligada a nossa forma de vida como um todo: desde o que comemos, como moramos, o que vestimos até o que consumimos. Nossa postura frente ao cotidiano, nossas maneiras e até mesmo o nosso trabalho estão diretamente ligadas à Educação Ambiental. Partindo desta afirmação podemos perceber que a Educação Ambiental é um processo que deveria estar presente em todos os momentos de nossa vida, e não somente em ambientes escolares.

Educação Ambiental/EA trata-se de um processo transformador e conscientizador que vai interferir de forma direta com hábitos e atitudes dos cidadãos. Partindo do princípio que a EA abrange todas as áreas, a cidadania tem fator fundamental para uma conscientização deste contexto global de EA. Segundo Vilmar Berna (jornalista e ecologista gaúcho) não é por falta de conhecimento que o meio ambiente é destruído, mas devido ao atual estágio de desenvolvimento existente nas relações sociais de nossa espécie. O que podemos perceber é que a destruição da natureza não resulta da forma como nossa espécie se relaciona com ela, mas da maneira como se relaciona consigo mesma. Ao desmatar, queimar, poluir, utilizar ou desperdiçar recursos naturais ou energéticos, cada ser humano está reproduzindo o que aprendeu ao longo da história e cultura de seu povo, portanto, este não é um ato isolado de um ou outro indivíduo, mas reflete as relações sociais e tecnológicas de sua sociedade. Portanto, é impossível pretender que seres humanos explorados, injustiçados e desprovidos de seus direitos de cidadãos consigam compreender que não devam explorar outros seres vivos, como animais e plantas, considerados inferiores pelos humanos.

Os seres humanos sofrem as conseqüências de suas próprias “descobertas” mal planejadas, portanto, mal aplicadas. Muitos vivem em condições miseráveis. O sofrimento maior encontra-se nas favelas rodeadas de lixo, situadas em lugares perigosos (em morros e às margens de rios e arroios poluídos…). Todo esse sofrimento é decorrência da má gestão das cidades, da poluição, do descaso, da falta de conscientização de nossos governantes e da população em geral, interferindo de forma direta na qualidade de vida dos indivíduos. Um meio poluído e devastado não pode proporcionar condições de vida favoráveis. A melhoria da qualidade de vida, principalmente da população de baixa renda, depende da EA para reverter o processo de caos e sofrimento em que se encontra. Na verdade, a EA tem um papel muito mais abrangente do que se pensa.

Quando a EA não é percebida em seu todo, muitas vezes é aplicada como uma matéria estanque. Tenho conhecimento de inúmeros projetos de EA em escolas, empresas (e isso é muito bom), porém, sua forma estanque desvincula-a do seu todo, ou seja, é trabalhada com um enfoque de uma determinada questão e é só. Existe uma preocupação por parte dos educadores em desenvolver um projeto pedagógico (matérias que devem ser trabalhadas) durante o ano letivo e muitos deles não conseguem globalizar a EA aos conteúdos curriculares. Por incrível que pareça, dar maior ênfase à EA pode parecer “perda de tempo”, e isto ocorre por que o conceito de EA não está bem definido, seja por parte dos educadores, orientadores e ou coordenadores. A  EA deve ser trabalhada de forma interdisciplinar.

Se tudo continuar como está, o prognóstico para um futuro próximo é desolador. Para se ter uma idéia, segundo o Programa Ambiental da ONU cerca de 1,5 quilômetros de floresta tropical é destruída a cada 6 minutos. Uma área do tamanho da Áustria é desmatada a cada ano. Uma árvore é plantada para cada dez que são derrubadas. Neste ritmo, toda floresta tropical será destruída até o ano 2035. Outro dado alarmante é que atualmente existem cerca de 500 milhões de automóveis em todo o mundo. Cada um destes automóveis consome, em média, 8 litros de combustível por dia e estima-se que por volta do ano 2025 haverá quatro vezes mais automóveis do que hoje. Sem falar da questão dos produtos descartáveis e embalagens não recicláveis que vêm aumentando assustadoramente abarrotando aterros sanitários. Portanto, a EA não é somente uma questão educacional e sim questão de VIDA, para que a vida sobreviva.

A EA nas empresas é importantíssima e vai depender muito dos próprios empresários e do tipo de produtos que suas indústrias oferecem. Seria importante fazer uma análise do impacto ambiental ocasionado pela empresa e o que ela deveria efetivamente fazer para sanar os danos ambientais por ela causados. Partindo desta análise seria fundamental a instalação de um programa de EA que estivesse diretamente relacionado ao produto (como forma de ação imediata para sanar o dano causado e evitar novos danos) e a partir daí desenvolver a EA em seu todo.

Segundo Vilmar Berna, na década de 70, governos internacionais preocupados com a rápida destruição dos recursos naturais e a poluição do planeta, defenderam a tese do crescimento zero, ou seja, congelar os níveis de progresso à época. Ora, por diversas vezes durante nossa história econômica, o Brasil teve crescimento abaixo de zero, portanto negativo, e nem por isso viu diminuindo seus problemas ambientais, muito pelo contrário. Devido à crise econômica, as empresas investiram menos em controle de poluição. A questão tecnológica também tem sido apontada como uma das responsáveis pela destruição ambiental, uma vez que polui, degrada o meio ambiente e desperdiça recursos naturais. Ora, a tecnologia e a ciência não são neutras. Elas podem estar submetidas aos interesses dos detentores do poder naquele momento. Por outro lado, a adoção de tecnologia mais brandas e menos poluentes não asseguram uma relação menos predatória nas relações humanas.

É no dia a dia que a prática da EA faz-se mais necessária. São pequenos atos que dão início a grandes transformações. Uma vez que o indivíduo percebe com clareza a importância de hábitos e atitudes saudáveis tanto para si quanto para o meio, vai ser um exemplo para que mais pessoas tornem-se ambientalistas, o que todos somos por natureza, pois somos parte dela, porém, devido a inúmeros fatores, esquecemos disto. Aí entra também a questão da espiritualidade. Desenvolvendo valores espirituais, de valorização à vida, espontaneamente voltaremos a nos integrar com a natureza e conseqüentemente procuraremos preservar o meio ambiente, pois teremos uma noção clara de que tudo é integrado, tudo é interligado.

Algumas atividades realizadas pelo Projeto Vida – Educação Ambiental trouxeram grande satisfação por seus resultados positivos. Certa vez realizei uma “Oficina de Brinquedos de Sucata” com crianças da periferia. Deixei à disposição diversos tipos de lixo “seco” e materiais para a confecção de brinquedos. Surgiram os mais diversos tipos. Como eram crianças maiores, era previsto que não haveria o interesse de brincar com estes brinquedos então foram dados de presente às crianças da pré-escola. Foi aquela festa. Cada criança pode escolher alguns brinquedos e o brilho dos olhos evidenciou a mesma alegria de estarem recebendo um brinquedo novo “convencional”.

Outra maravilhosa experiência foi quando o Projeto Vida – Educação Ambiental esteve no Clube da Criança do Novo Shopping a fim de divulgar e difundir a Educação Ambiental às pessoas que freqüentam o local, recebendo turmas de pré-escola e primeira série de algumas escolas, em horários pré -determinados. Durante duas semanas no período entre os dias 5 a 18 de abril atendeu a aproximadamente 500 crianças e centenas de adultos. Houve uma rotina estabelecida para horários de visitação e horários para o atendimento às escolas. Os trabalhos apresentados foram confeccionados com o seguinte lixo “seco”: garrafas descartáveis, caixas e outras embalagens, tocos de madeira, tampinhas, discos de vinil, potes de sorvete, canudinhos, jornal, revistas, retalhos de tecido, roupas velhas. As crianças demonstraram bastante interesse pelos brinquedos e pelos demais materiais apresentados. Ficavam vibrando com a apresentação dos fantoches e ouviam atentamente as histórias participando ativamente, ora conversando com os fantoches, ora interpretando a história contada. Os adultos observaram a exposição e demonstraram bastante interesse pelos materiais apresentados. Também as professoras que acompanharam seus alunos demonstraram satisfação, entusiasmo e interesse pelas atividades. Foram, portanto, atendidas 365 crianças (16 turmas) de escolas, além daquelas que circulavam no local e entravam para brincar espontaneamente, nos horários de visitação, chegando a um total aproximado de 500 crianças. Com certeza a semente que foi lançada no coração de cada criança e de cada adulto germinará e seus frutos espalharão novas sementes para um amanhã melhor. Esta foi uma das mais gratificantes experiências do Projeto Vida – Educação Ambiental.

Experiências negativas? Bem, elas também acontecem como por exemplo a falta de apoio, a desvalorização da educação como um todo, a falta de interesse de nossos governantes, a resistência que a população tem de separar o seu lixo (ouve-se muito crianças relatarem: “minha mãe disse que isso é besteira” ou “separar o lixo não resolve nada pois no caminhão misturam tudo”).

Falar em EA é falar de hábitos e atitudes. Mudar isso não é uma coisa fácil, uma vez que a mudança deve ser espontânea e vir de dentro para que ela possa, de fato, ocorrer. Muitos discursos de ambientalistas acabam por assustar as pessoas com palavras duras e autoritárias ao invés de as sensibilizarem. Não acho que seja por aí. EA é um assunto muito mais sério do que pensamos e tendo consciência disto jamais nos tornaremos piegas. Se um projeto for bem elaborado, bem estruturado e com objetivos claros ele sempre será uma semente. Brotar ou não, depende de cada um. Daí a importância dos pequenos atos. São eles que na verdade farão a diferença. É claro que as dificuldades aparecem mas o importante é procurarmos alternativas para que o projeto siga seu rumo. Existem diversas experiências brasileiras bem sucedidas como o Projeto Tamar, o SOS Mata Atlântica, Projeto Baleia Jubarte e espero que tão logo o Projeto Vida – EA esteja dentre os projetos bem sucedidos de nosso país.

Para finalizar, na minha opinião, a Educação Ambiental é muito mais do que conscientizar sobre o lixo, reciclagem e datas comemorativas. Ela será o elo entre todas as disciplinas e preencherá uma lacuna na área da educação que é a valorização da vida e, portanto, do meio ambiente.

Berenice Gehlen Adams

Informações sobre a autora:

Professora com especialização em Alfabetização e Informática Educativa – Linguagem LOGO; Autora do livro Planejamento Ambiental para Professores da Pré-Escola à Terceira Série do Primeiro Grau; Acadêmica do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Feevale/NH-RS; Produtora independente do Projeto Vida – Educação Ambiental, desenvolvido pela internet: http://sites.uol.com.br/projetovida

E-mail:  projetovida@uol.com.br

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