PROJETO: A TERRA PEDE SOCORRO

A questão ambiental tem me preocupado muito nos últimos anos e, após ter visto uma pesquisa sobre o destino das águas no nosso planeta na revista Tópicos, publicação do CREA – ES, minha preocupação tornou-se insustentável.

A exploração irracional dos recursos hídricos, a falta de política de controle da poluição e os desmatamentos já produzem seus efeitos perversos no meio ambiente.

Você já se imaginou vivendo sem água potável? Pois isso pode acontecer.

Os números das pesquisas para assuntos do meio ambiente apontam para uma grande crise mundial no ano  2016. A situação do Espírito Santo é bastante crítica. A previsão é de que, dentro de dez anos, o nosso estado esteja enfrentando a escassez total de água.

As crianças têm um potencial imenso e anseiam por fazer algo pelo planeta, mas precisam de informações e encorajamento. Mais importante, ainda, é despertar-lhes a consciência sobre o poder de cada um para influir sobre os acontecimentos.

É indispensável, portanto, fazer algo pelo nosso planeta. A escola é, sem dúvida, um espaço e deve desempenhar o papel de conscientizar alunos e educadores na busca de uma qualidade de vida, de modo que todos possam mudar para transformar o meio ambiente.

Como educadora, senti que precisava de algo concreto para sensibilizar nossa comunidade escolar, acreditando que a questão ambiental centra-se principalmente no desenvolvimento de valores, atitudes, posturas éticas, bem como no domínio de procedimentos. Parti, então, para a busca dessa conscientização, desenvolvendo o projeto “A Terra pede socorro”, que foi trabalhado desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.

 Objetivos do projeto

- Compreender a visão de Educação Ambiental, baseada na transformação de valores e mudança de atitudes.

- Reconhecer a interferência incorreta do homem no equilíbrio ecológico.

- Identificar-se como parte integrante do meio ambiente.

-.Perceber a importância da participação individual e coletiva na preservação do meio ambiente.

- Reconhecer a importância da água em nossa vida.

- Conhecer a Declaração Universal dos Direitos da Água.

-.Conhecer o conjunto de leis na estruturação das organizações governamentais e não-governamentais, bem como na manifestação de ações de cidadania e defesa do meio ambiente.

- Informar e orientar sobre a importância do saneamento básico e da preservação das águas.

- Buscar novas maneiras de proteção ambiental, idéias vitais de como preservar a água e o verde.

- Conhecer a Lei n°5.818, de 29/12/98, que dispõe sobre a política estadual de recursos hídricos.

- Proteger o que há de mais importante no mundo _ o meio ambiente e as pessoas.

   Atividades

- Abertura oficial com momento cívico abordando o assunto. Contatos com autoridades e diretores de escolas

- Palestra pelo representante do Sindaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente) para pais e alunos da escola

- Pesquisas sobre reciclagem do lixo e como efetivá-la

- Realização de concurso de frases e produções

- Confecção de  faixas com frases elaboradas pelos alunos

- Confecção de camisa para o evento

- Produção e criação de uma peça de teatro sobre o tema proposto, elaborada pelos alunos e supervisionada pelos professores de Ciências, Biologia, Química e Redação, abordando: chuva ácida; desmatamento; animais em extinção; lixo em excesso e sua reciclagem; efeito estufa / aquecimento global; buraco na camada de ozônio; poluição das águas, do ar e do solo; desenvolvimento sustentado; que meio ambiente queremos?

- Apresentação desse trabalho para toda a comunidade escolar

- Produção de folders  sobre a importância do meio ambiente – integração entre Artes e Português

- Confecção de maquetes mostrando destruição e preservação do meio ambiente

- Preparação de um manifesto por melhores condições de vida, entregue ao Secretário  Estadual de Meio Ambiente

- Projeção de vídeos

- Leitura e trabalho com o livro O “boom” da poluição,  de Milson Henriques. Tarde de autógrafos com o autor

- Apresentação de peça teatral O “boom” da poluição, baseado no livro lido

- Interpretação de informativos, letras de músicas, poesias

- “O amigo verde” – cada aluno trouxe uma planta para ser trocada com seu amigo

- Confecção de brinquedos ecologicamente corretos pelos alunos de Educação Infantil

- Produção pelos alunos do Ensino Médio do “Jornal Ambiental” que foi distribuído a toda a escola e comunidade local.

- Apresentação de músicas de compositores/cantores: Bia Bedran, Milton Nascimento, Chitãozinho e Xororó, Guilherme Arantes

- Montagem de murais

- Excursão a uma estação de tratamento de água – Cesan (Companhia Espírito-Santense de Saneamento).

- Montagem de um mural da ecologia (com frases e figuras alusivas) elaborado pelos alunos

- Noite de socialização dos conhecimentos, quando todos os alunos da escola se propuseram a mostrar, de forma dramatizada, a parte específica que estudaram, uma vez que o projeto sobre meio ambiente foi dividido em partes para cada turma, havendo um professor coordenador para o assunto

- Panfletagem nas escolas da comunidade, convidando para o ato público

- Preparação   de   faixas,   cartazes,   maquetes,   e   slogan-chave   para a campanha

Algumas frases produzidas pelos alunos e usadas nas faixas da passeata:

  • · Os primeiros 500 anos foram para destruição, faremos outros 500 para reconstrução.
  • · Fui no Itororó beber água e não achei!
  • · Somos filhos da mãe natureza, ficamos órfãos a cada dia!
  • · Se o nosso verde acabar, a coisa vai ficar preta.
  • · Acabar com a camada de ozônio, vai ser a maior furada.
  • · Não sou meio, sou todo ambiente.
  • · Preserve o verde, o verde é vida.
  • · Vamos preservar. Pare de desmatar!

 · O que acontece quando você destrói uma árvore?

   Transforma-se o AR

                           que VO

                                             REspira.

- Realização de passeata e de ato público na pracinha do bairro envolvendo escolas da comunidade.

A passeata realizou-se no dia 5 de junho de 2000, Dia Internacional do Meio Ambiente, encerrando-se com um ato público “A Terra pede socorro”, na praça principal de Vila Velha.

A passeata contou com a participação de todos os alunos, coordenadores e educadores da instituição, incluindo a  Univila (Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Vila Velha) e outras escolas, num total de 1.500 participantes.

A saída do Centro Educacional Michelangelo, Glória, foi às 9 horas, em direção à Praça Duque de Caxias, no centro de Vila Velha, onde foi montado um palanque.

Durante a passeata, estiveram presentes policiais, carro de som, grupo de capoeira, imprensa, com o apoio da prefeitura municipal, de comerciantes, moradores e motoristas que contribuíram para o sucesso do evento.

Durante o percurso, foram observadas dificuldades que batiam de frente com as propostas do projeto, divulgadas durante o movimento. Enquanto os participantes expunham idéias de preservação ambiental, os próprios panfletos da campanha eram jogados no chão ou em bueiros devido à falta de lixeiras em grande parte do caminho. Isso demonstra o descaso em relação à higiene e conseqüentemente, à preservação ambiental.

Na chegada à praça, aconteceram várias apresentações e todas as escolas tiveram oportunidade de expor suas concepções em relação aos problemas ambientais.

Foi apresentada a peça “O “boom “ da poluição”:

Uma cidade, quase morta, recebe uma proposta de casamento do Progresso, porém, junto com ele vem a irmã Poluição. O dilema da proposta é: ou a cidade casa com o Progresso e torna-se poluída, ou a cidade morre de velhice. O desfecho da peça mostra que pode haver progresso com controle da poluição.

Aconteceu também a apresentação da montagem teatral “Resgatando a natureza”, dos professores da Educação Infantil, que trouxe como mensagem  “A criação do mundo e o homem destruindo”. Esta montagem apresentava um carcará, uma espécie de ave de rapina, que afronta a existência divina e a criação de Deus. Outras escolas participaram da manifestação com faixas.

 Divisão dos temas por série

- Educação Infantil, 1ª e 2ª séries – Meio ambiente (em geral).

- 3ª e 4ª séries – Poluição das águas: tratamento da água; uso/desperdício; água potável; abastecimento; lixo industrial; aquecimento em geleiras; esgoto/tratamento do esgoto; consumo.

- 5ª série – Poluição do ar:  fumaça, minério, problema da Grande Vitória.

- 6ª série – Preservação da fauna e da flora: animais em extinção; destruição/ preservação; desmatamento; reflorestamento; preservação das espécies; ecossistemas; instituições que trabalham na preservação: Projeto Tamar; que visa a pesquisa e preservação das tartarugas marinhas;  Avidepa (Associação Vila – Velhense de Proteção Ambienal).

- 7ª série –  As Ongs; interferências causadas pelo homem  sobre a  natureza;  as conseqüências sofridas pelo homem em decorrência da transformação inadequada do meio ambiente.

- 8ª série – Poluição do solo,  uso indiscriminado dos agrotóxicos, conseqüências e alternativas; lixo, reciclagem, utilização, coleta seletiva.

- 1° ano do Ensino Médio – Efeito estufa; aquecimento global.

- 2° ano – Camada de ozônio; chuva ácida; poluição sonora.

Auto-avaliação

A auto-avaliação foi  feita pelos alunos como verificação de seu próprio desempenho. Analisar seu progresso,  reconhecer  pontos fracos e fortes e  resolver o que precisa ser feito,  tudo isso fez com que os alunos se envolvessem e tivessem uma participação mais ampla no processo de aprendizagem. Do ponto de vista pedagógico, todo esse processo torna os alunos mais interessados e responsáveis por seus atos.

Avalie-se

Você vai avaliar seu desempenho nas atividades realizadas dentro do projeto “A Terra pede socorro”. Vai pensar nas suas atitudes durante os trabalhos e responder às perguntas abaixo:

a)     Você colaborou com a professora e com os colegas? Como?

b)     Participou de todas as atividades? Explique.

c)      Você leu o livro O” boom” da poluição com atenção? Em casa ou na escola? Qual  a sua opinião?

d)     Participou da passeata? Faça um comentário sobre ela.

e)     Você se envolveu no projeto “A Terra pede socorro”? Como?

f)        Que nota você merece?

Realmente, este foi um momento muito rico de troca de conhecimentos e, certamente, toda a comunidade saiu lucrando com o trabalho. É compensador ouvir um pai falar que seu filho de cinco anos cuida para que a água não seja desperdiçada e para que o lixo em casa seja colhido seletivamente.

O ideal é estimular a cidadania planetária, de maneira que os destruidores passem a ser os defensores, tanto na fala, quanto nos atos.

E você, profissional da educação? Você nem imagina a força que tem em sala de aula com seu aluno. Que tal se incomodar e transformar-se e a seus alunos  em grandes defensores do planeta?

A Terra pede socorro!

Sensibilize-se, faça algo por ela!

Fonte:  Neuza Maria Marinho Gomes é pedagoga com especialização em Educação, Supervisão e Administração Escolar