O PAPEL DO COORDENADOR ESCOLAR DE GESTÃO COMO ORIENTADOR EDUCACIONAL NA ESCOLA DEMOCRÁTICA PARTICIPATIVA

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O Papel do Coordenador Escolar de Gestão como Orientador Educacional na Escola Democrática Participativa

RESUMO

A escola pública cearense atravessa um período áureo de sua história. Avanços na tecnologia, professores qualificados, laboratórios, políticas públicas voltadas para educação, eleição para diretores etc. Mesmo com tudo isso, um brilho opaco ainda não encanta quem está por dentro deste processo. Muita coisa precisa ser feita.

A maioria dos regimentos de nossas escolas de ensino médio falam da importância de um profissional que é essencial para formação extra classe do educando. Um profissional engajado em ajudar a descobrir a vocação de nossos alunos. Os regimentos falam de um Orientador Vocacional entretanto poucas escolas são contempladas com o serviço deste profissional.

Não será esta falta que tem gerado a imensa quantidade de profissionais insatisfeitos. Quando falo em insatisfação me refiro aos profissionais que exercem determinada profissão não por vocação e sim por conta das oscilações do mercado.

Diante desta problemática alguns educadores não ficam de braços cruzados, núcleos gestores se empenham em suprir esta carência. Coordenadores de Gestão se engajam com outros professores na busca de auxiliar os alunos nesta importante descoberta.

Com todo seu empenho e dedicação o Coordenador de Gestão tem enfrentado duras experiências por conta do aumento desgastante das condições de trabalho. Alguns sofrem com a síndrome de Burnout.

Este estudo pretende mostrar que a escola pública cearense tem conseguido largos avanços na qualidade da educação, entretanto ainda precisa ser feito alguns ajustes. Pretendemos revelar também a necessidade de definir o papel do Coordenador Escolar de Gestão dentro do Núcleo Gestor das escolas. Observamos ainda a necessidade de políticas educacionais consistentes e duradouras, distante de modismos, precisam ser fielmente cumpridas para que a “educação de qualidade” tenha realmente qualidade.

Há fatores de franca desorganização no trabalho do Coordenador Escolar de Gestão pois muitas de suas ações se confundem com a do Orientador Vocacional. Com isso podemos sentir uma situação de desperdício na qualidade de energia de trabalho que muitas vezes alem de mal pago não consegue assumir com êxito sua função.

O Coordenador Escolar de Gestão como qualquer outro educador é um orientador educacional. Todavia, com esta qualidade inata em sua profissão (vocação), temos de admitir o Coordenador Escolar de Gestão não é um Orientador Educacional e sim está um Orientador vocacional.


INTRODUÇÃO

A função do Orientador Vocacional é prestar assistência ao aluno durante o processo de aprendizado na escola que freqüenta, visando ao seu encaminhamento vocacional.

Subordinado ao Núcleo Gestor e supervisionado pelos coordenadores da escola, o Orientador Vocacional emprega métodos pedagógicos e de psicologia no seu dia-a-dia e deve ter formação superior em Pedagogia. Esse é o profissional que se preocupa com a formação pessoal de cada estudante.

Na atual conjuntura escolar cearense, por falta de profissionais habilitados nesta área, o Coordenador Escolar de Gestão está desenvolvendo o papel de Orientador Vocacional. Ele trabalha diretamente com os alunos, ajudando-os em seu desenvolvimento pessoal; em parceria com os professores e colegas do Núcleo Gestor, para compreender o comportamento dos estudantes e agir de maneira adequada em relação a eles; com a escola, na organização e realização das propostas pedagógicas; e com a comunidade, orientando, ouvindo e dialogando com pais e responsáveis.

Apesar da semelhança, orientadores vocacionais, professores e coordenadores possuem diferenças marcantes de atuação. O profissional de sala de aula está voltado para o processo de ensino-aprendizagem na especificidade de sua área de conhecimento, como geografia ou matemática. Já o Orientador Vocacional não tem currículo a seguir. Seu compromisso é com a formação permanente no que diz respeito a valores, atitudes, emoções e sentimentos, sempre discutindo, analisando e criticando. Nas escolas cearenses este papel de orientador vocacional é desenvolvido com afinco pelo Coordenador Escolar de Gestão.

A presença de um Orientador Vocacional e de suma importância para escola, entretanto, lamentavelmente, muitas das unidades de ensino não possuem este profissional na equipe, o que não significa que não exista alguém desempenhando as suas funções.

Qualquer educador pode ajudar o aluno em suas questões pessoais. O que não deve ser confundido com as funções do psicólogo escolar, que tem uma dimensão terapêutica de atendimento. O Coordenador Escolar de Gestão lida mais com assuntos que dizem respeito às escolhas, ao relacionamento com colegas e às vivências familiares.

Em poucas palavras, podemos dizer, que o Coordenador Escolar de Gestão tem ajudado o estudante a escolher o caminho que quer seguir e que os demais professores ensinam como o estudante deve fazer para trilhar este caminho.


I. A ESCOLA EM UMA ÉPOCA DE CRISE

Estamos vivendo uma época de crise. Mas, quando falamos em crise, não estamos apenas nos referindo a economia e ao mercado, mais sim, a uma crise que é silenciosa e que está refletindo na relação entre a família e a escola. Percebemos falhas na formação ética das pessoas. Os valores estão sendo dia-a-dia distorcidos e isto tem provocado um desconforto nas escolas que se sentem responsáveis com a formação dos seus alunos.

Isso faz com que o tema da ética ganhe relevância e a educação apareça para transmitir uma nova ordem moral. Neste cenário surge a necessidade de um profissional que tenha a responsabilidade de fazer brotar no coração a esperança na superação das crises.

1.1. A EDUCAÇÃO EM TEMPOS MODERNOS

A educação é uma exigência da vida em sociedade. O homem tem consciência dos seus instintos, porque este não repete uma programação hereditária, ele tem que inventar uma forma de viver.

Se a educação não existisse, seríamos como animais. A nossa cultura precisa ser transmitida, e isto é feito através da educação. A falta de educação é um desrespeito às normas de boa convivência.

Na escola, chamamos a falta de educação de atitudes indisciplinadas. Se na escola há falhas na informação e formação, é por causa da falta de educação ou indisciplina por parte dos educandos. Quem é responsável pela educação das crianças é a família. Depois a escola. Um problema na família repercute na escola. Em nossos dias a família está projetando suas responsabilidades sobre a escola, temos percebido que a escola não tem tido tanto êxito na formação coletiva. Os pais simplesmente encaminham seus filhos à escola no intuito que esta os programe.

Percebemos que à família projeta esta responsabilidade na escola porque não tem conseguido conciliar a busca de seu sustento com sua formação. Não é novidade falarmos que a maioria dos pais passam o dia fora de casa lutando pela sobrevivência e que a falta de tempo ou a falta de prioridade não tem dado tempo a formação das futuras gerações. Família e escola precisam caminhar juntas.

1.2. A ESCOLA COM FUNÇÕES AMPLIADAS

Nas leis brasileiras surge a tendência ao aumento do tempo e das responsabilidades da escola. Em meio às dificuldades os professores se dão conta de suas responsabilidades como educadores, percebem-se despreparados e coagidos a mostrarem resultados positivos para sociedade, bem como as escolas, para cumprirem as novas tarefas.

Manifesta-se aí a expectativa de que, além dos papéis convencionais, aspectos ligados a comportamento sexual, afetividade, padrões de convivência social e cidadania, conscientização política, parâmetros de higiene, saúde, familiarização com novas tecnologias, consciência ecológica, uso de drogas e suas respectivas implicações ético-morais e outros mais, sejam também sistematicamente tratados pela escola. O fenômeno não é exclusivo do setor público, mas pode ser observado até com mais intensidade nas escolas do setor privado.

Na vida familiar, a disseminação e a necessidade do trabalho feminino, as flutuações matrimoniais, a rapidez das mudanças nos costumes e nos valores trazem maiores dificuldades ao exercício do papel educativo; no caso de famílias de classes economicamente desfavorecidas, a justaposição das condições de miséria e desinformação às anteriormente citadas aumenta ainda mais as necessidades e expectativas dessas classes em relação às tarefas da escola.

Por tudo isso, além da instrução básica convencional, outros campos de atuação vão se fazendo presentes no universo das escolas brasileiras públicas e privadas.

1.3. UMA NOVA ESCOLA

Pensar um novo formato de escola é sempre um trabalho de imaginação pedagógica e sociológica. Mesmo que inspiradas em experiências concretas, tal reflexão é um exercício de criatividade e extrapolação.

Visto assim, tal exercício pode nos orientar politicamente, mas não tem um caráter prescritivo; pode contribuir para a elaboração histórica e coletiva de um modelo de escola estrategicamente favorável à educação para a democracia e para a emancipação. Ademais, se a escola é sempre fruto das políticas educacionais adotadas, tais políticas, por sua vez, não deixam de ser o fruto das concepções que se estabelecem através do diálogo entre teoria e prática e também entre imaginação e realidade.

O que a experiência brasileira tem exigido com relação à ampliação das funções da escola têm proposto uma maior participação da escola da vida de seus alunos, famílias e comunidades.

A escola não é mais aquele “grande elefante branco” que muitas vezes se passava despercebido pela comunidade. A escola para exercer a sua função social precisa ter uma participação ativa e constante na vida do bairro ou da cidade onde se encontra. A escola precisa estampar uma imagem positiva para justificar sua existência no lugar que se encontra.

Nesse modelo, tem-se reforçado sua função nas esferas social, cultural e comunitária, de forma que a instrução escolar aparece diretamente associada à formação da cidadania, à expansão do convívio social, aos esportes, às artes, ao lazer e à saúde.

Essa associação de instrução escolar com um conjunto mais amplo – ainda que relativamente programado – de experiências socioculturais traz inúmeras conseqüências e pode levar à modificações curriculares de grande profundidade e, em última instância, à reconceptualização da educação escolar.

Muitas regiões possuem um calendário e até mesmo uma grade curricular individual, de acordo com suas características. Suas ações são totalmente individuais e não podem servir de parâmetro a se seguir.

A primeira e mais evidente questão que emerge de um modelo de escola com funções ampliadas, diz respeito às possibilidades democráticas de sua gestão.

Uma instituição multidimensional que atue integradamente em aspectos da vida dos alunos relacionados ao seu bem estar físico – saúde, alimentação, higiene, – ao seu desenvolvimento como ser social e cultural e à sua capacitação como ser político, precisa ser organizada de tal forma que os aspectos reguladores e repressivos, inerentes à ordem institucional, sejam dirimidos pela riqueza das experiências democráticas ali vivenciadas. Na escola as coisas acontecem porque a comunidade decidiu que elas acontecessem.

Uma escola que esteja efetivamente aberta à participação da família e da comunidade. Mas, ainda assim, fica a pergunta: tal escola, mesmo que democraticamente organizada não concentraria excessivamente a experiência educativa em uma só instituição?

A formação das novas gerações é fruto de complexas ações, intencionais ou não, localizadas em práticas ou em instituições sociais, das mais fragilizadas; como hoje nos parecem a família e as organizações comunitárias, e, no caso brasileiro, a própria escola, às mais fortalecidas como os atuais meios de comunicação.

Entretanto, o reconhecimento de que sempre existem múltiplas fontes educacionais, e que isso é inevitável, necessário e enriquecedor, não impede que se distinga a educação escolar como sendo aquela, que entre todas, reúne hoje, as melhores condições de abrigar ações intencionais com vistas à formação de uma condição emancipada.

Mas o fato de que a escola, aqui também vista em sua dimensão de fenômeno histórico de longa duração, permanecer sendo, a despeito de tudo, uma experiência coletiva universal interpessoal, não mediática, e com razoável margem de ação autônoma, já lhe garante um lugar fundamental nos processos políticos contemporâneos que apontam para o desenvolvimento democrático.

A educação familiar, por exemplo, em sua profunda e primordial atuação, está sempre limitada às particularidades de cada família e às injunções afetivas em seu interior. Além disso, as transformações em curso nos padrões vigentes de organização familiar parecem enfraquecer sua capacidade de ação educativa.

A educação comunitária, não sistemática – que em alguns momentos da história foi tão eficaz – com a destruição dos espaços de convivência e o anonimato e individualismo das grandes cidades aparece em franca decadência; já a ação educativa dos meios de comunicação de massa, hoje tão fortalecida, não atendendo aos interesses da democracia e, muito menos, da emancipação humana, encontra-se em franco progresso.

1.4. A ESCOLA E A CRISE DOS IDEAIS DA MODERNIDADE

A generalização da escolarização no mundo ocidental liga-se aos pressupostos básicos do esclarecimento, liberdade, autonomia, maioridade, humanidade, progresso, emancipação, direitos humanos, razão universal e outros. Emerge desses pressupostos a concepção de que este mundo será aquilo o que dele decidirmos fazer.

Não há como negar ter sido até aqui a escola, simbolicamente, a depositária privilegiada desta visão que tem na ciência e no trabalho, ou seja, na dominação humana sobre a natureza, o referencial, por excelência da própria humanidade.

A educação escolar incorpora os elementos mais significativos do projeto da modernidade, tanto aqueles aparentemente cumpridos – como o conhecimento a serviço do bem estar humano, quanto os obsoletos – como a pretensão de homogeneização cultural a partir de uma visão etnocêntrica.

Por outro lado, a educação escolar oferece imensas possibilidades de uma atuação deliberada, pois é, em si mesma, um exemplo de planejamento e racionalização de ações.

Está ao nosso derredor e em nosso coração um dos maiores fracassos da modernidade; a igualdade de oportunidades. Além do mais, tem encarnado o desvinculamento entre o saber e o uso que dele se pode fazer, ou seja, entre conhecimento e vida.

Uma escola com funções ampliadas não deixa de carregar os elementos contraditórios constitutivos dessa tradição. Mas a nosso ver, pode ainda conter algo mais: esclarecidos os nossos objetivos, e as formas que assumirão suas práticas. Também pode conter elementos críticos a essa mesma tradição. Ou seja, também pode vir a compor um conjunto de ações sociais que levam à superação dos aspectos da experiência da modernidade hoje vulneráveis a uma teoria crítica radical.

Essa formulação, entretanto, só se torna possível na medida em que compartilhamos um tipo de crítica à tradição da modernidade que, mesmo quando reconhece rupturas, rejeita a negação radical dessa tradição.

As novas condições sociais revelam-se, como nunca, contraditórias mas surpreendentemente estáveis e monolíticas: a convivência entre miséria e desperdício; o aumento às possibilidades de escolha ao lado da diminuição na capacidade de escolher e discernir; a liberdade de interpretação ao lado da recusa em interpretar; o retorno do indivíduo no discurso ao lado do massacre do indivíduo na vida real.

A negação da razão universal e da competência imparcial, a recusa da possibilidade do uno e da exaltação exacerbada da diferença, embaçam o nexo dialético existente entre o particular e o universal e entre o uno e o múltiplo.

Na prática, levada às últimas conseqüências, essa posição conduziria ao desaparecimento da própria idéia de pedagogia – no sentido de teoria e ciência da educação – e colocaria a escola, especialmente a escola pública, em situação extremamente delicada; mas ainda há perspectiva da ampliação de suas tarefas e responsabilidades.

Entretanto, muitos autores desenvolvem argumentações críticas à modernidade e suas categorias, que caminham em direções mais complexas e menos céticas. Essas, ao invés de reduzirem, ampliam a possibilidade de se pensar uma educação escolar que contenha elementos críticos e emancipatórios.

FERREIRA (1993, p.23), por exemplo, afirma que é o status ontológico das categorias globais centrais do discurso da modernidade, e não seu conteúdo que está em questão e isso “[...] longe de ser um fenômeno negativo, representa uma enorme ampliação do conteúdo e da operacionalidade dos valores da modernidade, tornando possível estabelecê-los em bases mais sólidas do que aquelas do projeto do Iluminismo”.

Nesse caso a crítica à modernidade não implica um abandono dos valores iluministas, mas sim um enfraquecimento de seu caráter absolutista. Esse enfraquecimento levaria a uma maior consciência das operações estratégicas e discursivas ligada à adesão e à defesa desses mesmos valores. Neste sentido, portanto, os reforçaria.

A partir dessa visão, a escola precisaria reformular-se em profundidades, mas estaria mantida a possibilidade de permanecer cumprindo o papel de centro público e universal de formação das novas gerações.

Essa reformulação implicaria mudanças em sua rigidez institucional, criando caminhos rápidos e desimpedidos entre ela e a vida que corre fora dela; em sua maneira de lidar com o conhecimento, rejeitando uma abordagem unidimensional ou cientificista do saber; e em sua maneira de receber reformulações estaria justamente uma nova compreensão daquele que é o pressuposto fundamental de todos os valores da modernidade: a razão universal.

1.5. EXPERIÊNCIA ESCOLAR E RAZÃO COMUNITÁRIA

Segundo SCHMITZ (1984, p.34), a unidade da razão somente pode ser percebida na multiplicidade de suas vozes, como “uma possibilidade que se dá, um princípio, na forma de uma passagem ocasional, porém compreensível, de uma linguagem para outra”.

Portanto, contra as visões que entendem o uno como a integração forçada do múltiplo, ele apresenta a idéia de que a busca do acordo, do consenso, a unidade transitória que se produz na intersubjetividade mediada linguisticamente não somente garante como promove e acelera a pluralização e a individualização de formas e estilos de vida.

Assim, a expectativa de que a vida social, e destacadamente a escola venham a ter referências de validade universal não implica um necessário fechamento às diferenças culturais e individuais. Muito pelo contrário, segundo o conceito de racionalidade comunicativa são exatamente as diferenças e as multiplicidades que tornam possível e necessário às razões.

A riqueza deste processo na escola está no fato de que seres novos chegam a este mundo sob a condição específica e diferenciada da infância. A diferença entre adultos e crianças é, pois um elemento inseparável da estrutura escolar. Adultos cuidam, protegem, orientam e responsabilizam-se por crianças e adolescentes, ou seja, exercem a diferença de sua condição que é a de estarem integralmente postos e expostos no mundo, enquanto as crianças precisam ser relativamente preservadas até que possam enfrentá-lo.

A concepção de educação que assume o caráter político da relação pedagógica desvela a natureza ambígua da instituição escolar e não permite que a situemos exclusivamente na esfera da vida privada. Seus procedimentos devem ser o resultado do auto conhecimento dessa condição.

Contudo, nos resta atitude. Importante seria procurarmos responder a algumas questões que nos rodeiam: O que define as condições de aluno e de professor? Por que e para que a escola? Qual o saber a ser valorizado e por quê? Como lidar com a possibilidade do uno frente às diferenças?

Temos de nos vigiar, apesar da nossa experiência, nem sempre temos condições de responder aos anseios da comunidade. Às vezes pensamos que estamos ensinando e quando menos percebendo estamos é aprendendo.

Questões que parecem muito amplas, mas que, uma proposta de escola que faça da interlocução sua base pedagógica fundamental, terá que permanentemente se colocar, assim como delas retirar todas as conseqüências possíveis.

1.6. ESCOLA, UM AMBIÊNTE DE CONSTANTE MUDANÇA!

Se a escola da modernidade pautou sua atuação nas certezas e estabilidades de um projeto, precisará pautar sua atuação na construção de um ambiente capaz de possibilitar a permanente relativização das certezas – o que nada tem de irracional ou obscuro. A permanente relativização das certezas é a conseqüência natural de uma racionalidade fundada na comunicação e, portanto no fortalecimento da vida pública democrática.

Ao apontar em direção a essas soluções, a escola multidimensional não poderá ficar imune aos problemas individuais ou genéricos de origem sócio-afetivas e nem aos movimentos sociais localizados ou amplos.

Em sua prática cotidiana precisará ampliar a interface da atividade escolar com a casa, a família, os laços afetivos criados no lar. Ou seja, não se trata de a instituição pública arrogar-se melhor ou superior a casa e á família, mas sim de ser um espaço concreto de convergência entre vida privada/familiar e vida pública.

Nesse sentido a escola deve constituir-se como um centro cultural comunitário onde exista a oportunidade dos indivíduos situarem e expressarem as diferentes facetas de suas subjetividades.

A escola pública brasileira tem sido particularmente perversa neste aspecto, pois, como se organiza sobre uma realidade social com exorbitantes desigualdades, aprendeu a sobreviver mantendo-se cega as características e necessidades socio-culturais de sua comunidade, num arremedo grosseiro de padronização e homogeneidade.


II. UMA ESCOLA PARA UMA ÉPOCA DE CRISE

Ao longo dos tempos muitos foram os que se empenharam em compreender o papel da escola na sociedade. Aventurando-nos em uma tentativa de síntese dos resultados de algumas dessas investigações, verificamos que, segundo pensadores da educação como DURKHEIM e GADOTTI (1997, p.50), a escola desempenhou basicamente três papéis distintos.

Inicialmente fora concebido como redentora, responsável por grandes transformações individuais e sociais, nessa concepção representou, não mais que isso, a salvação da classe dominada das garras exploradoras da classe dominante; com o passar dos anos essa condição passou a ser vista enquanto reprodutora das desigualdades sociais e da aceitação delas como uma espécie de predestinação.

Por último, a escola de hoje, que ao ser concebida como tão contraditória quanto o meio social em que está inserida, é capaz tanto de reproduzir quanto de transformar ao mesmo tempo.

Na perspectiva transformadora, a escola que antes se limitava a refletir/discutir temas estritamente ligados às disciplinas do currículo: matemática, português, geografia, história… Vê-se agora obrigada a abrir as portas (salas de aula) para temas cada vez mais ligados aos interesses da comunidade, mais especificamente de crianças, adolescentes, jovens e, por que não, adultos, alunos de nossas escolas. “O ambiente escolar deixa de ser o lugar privilegiado, sacralizado de acesso à informação e ao conhecimento e passa a ser um espaço onde o aprendente desenvolve a capacidade de inter-relacionar informações construindo e reconstruindo conhecimentos”.

2.1. CIDADÃO E EDUCAÇÃO: ANÁLISE DE CONCEITOS

As palavras cidadão e cidadania trazem à lembrança, naturalmente, as famosas declarações dos Direitos do Homem e do Cidadão. Tais declarações, surgidas no processo da Revolução Francesa do século XVIII, quando a burguesia, ao desalojar a aristocracia, conquista o poder político. Mas, há hoje, no Brasil, cidadãos?

O Brasil, país capitalista, caracteriza-se em ter uma sociedade autoritária e hierarquizada em que os direitos do homem e do cidadão simplesmente não existem. A extrema liberdade com que é tratada a pequena elite corresponde a extrema repressão do povo.

Episódios de nossa história revelam que nem mesmo a vida humana é encarada com alguma seriedade. A realização do capitalismo, aqui, não se dá nos mesmos moldes em que ocorre na Europa. Aqui a realização do capital se faz às custas da marginalização da maioria dos brasileiros.

Quanto à educação, um dos direitos do cidadão, o que se oferece à maioria da população é uma rede escolar precária em todos os sentidos. Então fazemo-nos o seguinte questionamento: Como conseguir que os brasileiros se transformem em cidadãos? Talvez a escola tenha a varinha de condão.

Para reconhecermos a escola e a educação como transformadoras precisaremos estudar a fundo como ocorreram e quais os seus verdadeiros objetivos e função social.

Pensar em educação remete-nos a Grécia Antiga, dos sofistas, de Platão e Aristóteles… Uma educação voltada para formar cidadãos. Essa educação visava formar o homem em sua totalidade, preparando-lhe física e intelectualmente através das artes, da música, da educação física e do ensino de línguas, aritmética, filosofia, etc.

Com a Idade Média, esquece-se qualquer concepção de cidadania, e a educação é controlada exclusivamente pela Igreja, que visava manter seu monopólio.

Somente muito tempo depois, através da Revolução Francesa, já em pleno século XVIII, com a gestão do capitalismo, é que a burguesia, então emergente, defendendo ideais, propostas para todos, provoca uma mudança radical na sociedade. Para BUFFA (1995, p.19), no que diz respeito à educação e a cidadania. “A igualdade básica entre os homens, posta na manufatura, foi expressa em nível de organização do saber escolar por Comenius. Na sua Didática magna (1632, mesmo preservando a distinção das classes sociais, propõe para todos – pelo fato de todos serem homens – um mínimo comum universal de escolarização padronizada e pública)”.

Ensinar tudo não significa, como afirma Comenius, exigir o conhecimento de todas as ciências e de todas as artes, pois isso seria impossível e inútil. Ensinar tudo significa que se ensine a todos os fundamentos, as razões e os objetivos de todas as coisas, das que existem na natureza e das que se fabricam. Ensinar a todos por que o homem tem a necessidade de se educar para se tornar homem. Assim, para COMENIUS (1976, p.38) “Devem ser enviados às escolas não apenas os filhos dos ricos ou dos cidadãos principais, mas todos, por igual, nobre e plebeu, rico e pobre, rapazes e raparigas em todas as cidades e aldeias e casas isoladas”. Assim, “todos saberão para onde devem dirigir todos os atos de sua vida, por que caminhos devem andar, e de que modo cada um deve ocupar o seu lugar”. Pode-se ler e entender essa educação para todos de Comenius, como uma proposta derivada da igualdade básica entre os homens.

O discurso pedagógico burguês é, nessa época, claro: uma educação de base para todos porque há uma igualdade natural entre os homens, educação essa que forma o cidadão. A nova ordem econômica da manufatura não exige o trabalhador qualificado, mas sim o trabalhador disciplinado, disposto ao trabalho.

Segundo ARROYO (1995), vemos então que,

A educação moderna vai se configurando nos confrontos sociais e políticos, ora como um dos instrumentos de conquista da liberdade, da participação e da cidadania, ora como um dos mecanismos para controlar e dosar os graus de liberdade, de civilização, de racionalidade e de submissão suportáveis pelas novas formas de produção industrial e pelas novas relações sociais entre os homens. (…) O que importa ressaltar é que a relação entre educação e construção de uma nova ordem política não é invenção de educadores ou políticos, mas trata-se de uma relação que faz parte de um movimento maior de interpretação dos processos de constituição das sociedades modernas. (op. cit., p.36)

A educação então, percebe-se bem mais como um mecanismo de controle social do que como um condicionante para a liberdade do homem. Uma educação que se diz neutra, mas que é carregada de estigmas de opressão e poder.

2.2. RETOMADA HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Os historiadores costumam dividir em três períodos distintos a história da educação brasileira: A primeira vai do descobrimento até 1930: período em que predominou a educação tradicional, centrada no adulto e na autoridade do educador, marcadamente religiosa, e o ensino privado.

O segundo de 1930 a 1964: depois de uma fase de confronto entre o ensino privado e o ensino público, predominaram as idéias liberais na educação com o surgimento da Escola Nova, centrada na criança e nos métodos renovados, em oposição à educação tradicional; E por fim, o período pós-64: iniciado por uma longa fase de educação autoritária dos governos militares, em que predominou o tecnicismo educacional.

Depois de 1985, tem início uma transição que dura até hoje, revelando o enorme atraso em que o país se encontra em matéria de educação para todos.

Com a redemocratização do país, esperava-se maior avanço na solução do atraso educacional. Mas isso não ocorreu. A Constituinte convocada no ano seguinte, e instalada em 1987, conseguiu reunir a maioria dos setores organizados da sociedade, quer públicos, quer privados, para debaterem os problemas educacionais e encaminharem os princípios básicos de um novo plano de educação para o país, que pudesse por fim ao analfabetismo e universalizar o ensino fundamental. Esses princípios estão na Constituição promulgada em 5 de outubro de 1988. A nova Lei de Diretrizes e Bases, também conhecida como Lei Darcy Ribeiro, foi promulgada em 20 de dezembro de 1996, complementando os princípios estabelecidos na Constituição de 1988.

As mudanças ocorridas no panorama social, político e econômico nos últimos cinqüenta anos – e, em especial, após a promulgação da Constituição de 1988 – fazem emergir um tema de ampla discussão e que diretamente irá afetar o ensino em nosso país: a Cidadania.

Encampar a preparação das futuras gerações para um mundo e mercado amplamente mutável, diversificado e exigente, preparar cidadãos para a convivência social e, ao mesmo tempo, construir, refletir e discutir novos conhecimentos, ao que tudo indica, passam a constituir, mais do que em qualquer outro período histórico, os desígnios reservados a escola e, mais especificamente, aos seus docentes.

2.3. UMA ESCOLA COMPROMETIDA COM A CIDADANIA

No Brasil, muitos avanços ocorreram nos últimos 15 anos, mas ainda há muito a ser feito para que a escola pública torne-se uma instituição-chave na construção de uma sociedade mais justa e integrada.

A cidadania só é exercida plenamente quando as pessoas possuem competências básicas que, na sociedade da informação em que vivemos, vão muito além da simples alfabetização. O próprio IBGE tem classificado como “analfabetos funcionais” todos os brasileiros com menos de quatro anos de estudo.

Nessa categoria, segundo a última pesquisa (1999), estão cerca de 30% dos brasileiros com 15 anos ou mais. Portanto, a universalização da educação básica, que inclui o ensino médio, deve tornar-se prioridade absoluta na agenda do País.

Essa meta só será alcançada por meio do desenvolvimento da escola pública, que atende 92% dos alunos do ensino fundamental e 86% do ensino médio. Nesses dois níveis, as redes estaduais e municipais atendem cerca de 40 milhões de alunos. Somando-se ainda as matrículas da educação infantil, de jovens e adultos, especial e outras modalidades, veremos que só na educação básica são cerca de 50 milhões de alunos em escolas públicas.

Uma das funções da escola pública é difundir valores cívicos e democráticos. A escola plural é a única capaz de formar cidadãos preparados para uma sociedade marcada pela diversidade. Outra função da escola pública democrática é a inclusão social. As inovações tecnológicas que marcaram o último quarto do século XX provocaram profundas mudanças no mercado de trabalho.

Na economia globalizada em que vivemos, a escolaridade tornou-se requisito fundamental para a empregabilidade. Portanto, a garantia de educação gratuita de qualidade para todos é um imperativo de eqüidade social. Em sociedades com profundas desigualdades, como no Brasil, a escola pública desempenha uma função equalizadora crucial. Qualquer proposta neste sentido deve eleger a educação como estratégia mais eficiente.

Ainda vale lembrar que à escola pública cabe proporcionar um espaço de vivência da democracia. Ao garantir a pluralidade, a escola pública cria um ambiente privilegiado para que os valores democráticos sejam compartilhados.

Portanto, a gestão participativa da escola pública deve ser parte do projeto pedagógico, propiciando aos atores envolvidos – alunos, pais, professores – oportunidade de exercer uma cidadania ativa e responsável. Para que a escola pública exerça essas funções, é preciso que ela se torne uma instituição cada vez mais democrática.

A escola é o grande espaço de socialização. É onde nos preparamos para viver civilizadamente, integrados a uma sociedade. Para isso, ela deve também ser um espaço lúdico e prazeroso, além de, certamente, dar competência técnica, o conhecimento, e também competência política, no sentido de formar cidadania.

A melhor maneira para seguir este caminho é a escola democrática, mais aberta às comunidades, inclusive dando-lhes voz nas decisões mais importantes no desenvolvimento de seus filhos. A escola tem que ter consciência crítica tem que estar preparada para os novos tempos. Essa interatividade pode ser as chaves para se obter melhores resultados em qualquer nível de ensino.

Uma escola democrática tem mais chance de acertar se está em sintonia com as demandas da população. Dar voz, ouvir, criticar e debater diante de um orçamento, são os pilares dessa convivência escola-comunidade e nossa grande esperança na formação de melhores e talentosos líderes políticos e comunitários.

Assim, a escola também tem que estar preparada, para formar consciência política, além do fundamental conhecimento e lazer lúdico. A escola é tão fundamental para uma criança, que seus valores são carregados pela vida inteira.

Nossa missão para as gerações futuras é dar à escola mais qualidade e sintonia com sua gente. É uma violência, mais uma forma em que ela se apresenta, não ouvir, não deixar sugerir, não deixar criticar. As grandes mudanças em educação vêm partindo das redes públicas de ensino do país, principalmente nessa última década.

Ao se pautar pela participação das comunidades, a escola reflete da população os seus anseios. Hoje não se pode pensar em escola voltada apenas para a competência técnica. É necessária uma consciência mais crítica sobre o mundo em que vivemos no início do Terceiro Milênio.

Uma Escola autônoma é aquela que se assume como um centro de direitos e de deveres. O que a caracteriza é a formação para a cidadania. É a escola que viabiliza a cidadania de quem está nela e de quem vem a ela. Ela não pode ser uma escola cidadã em si e para si. Ela é cidadã na medida em que a mesma se exercita na construção da cidadania de quem usa o seu espaço.

2.4. REFLETINDO SOBRE A NOVA PROPOSTA CURRICULAR

As discussões acerca do Estado, da vida em sociedade e dos caminhos para se chegar à democracia e à cidadania, conduziram os homens, sob a égide do pensamento filosófico e das ideologias, por uma multiplicidade de práticas políticas que influenciaram e foram influenciados pela prática educativa, fatos perceptíveis ainda hoje. Como afirma SAVIANI (1999, p.98) em suas onze teses sobre a educação: “Tese 1ª: Educação e política são fenômenos inseparáveis, porém efetivamente distintos entre si. Tese 2ª: Toda prática educativa contém inevitavelmente uma prática política. Tese 3ª: Toda prática política contém, por sua vez, inevitavelmente uma dimensão educativa”.

Mais ainda, as estruturas sociais são as grandes definidoras dos fenômenos educacionais e culturais, o que leva à conclusão que sua compreensão permite o entendimento de alguns problemas pedagógicos crônicos como o analfabetismo, a exclusão escolar, a prática docente e as diferentes possibilidades de profissionalização.

Daí é essencial rediscutir e redescobrir o “por que” e o “para que” educar. Isto se deve ao fato de que, mais do que outra área do conhecimento humano, a educação envolve uma gama de saberes e fazeres que deságuam na transformação do indivíduo, levando-o, ao longo de sua história, a construir, reconstruir e adequar-se a modelos e realidades sociais. De acordo com o pensamento de FERREIRA (1993),

A clássica questão do por que e para que educar admite sempre várias respostas. Concepções político-filosóficas, ligadas há tempos e espaços diferentes, aparecem nos discursos do ‘dever ser’ da educação. É sempre polêmico delinear os fins da educação, e não se trata de privilegiar o indivíduo ou a sociedade. O homem concreto, produto/produtor das múltiplas relações sociais, se efetiva em interações nem sempre harmoniosas com a natureza e os outros homens. (op. cit., p.35)

Desta forma, mesmo que não se queira admitir, esse “evento transformador” tem íntima ligação com a política, que segundo JOHNSON (1997, p.178), “é o processo social através do qual o poder coletivo é gerado, organizado, distribuído e usado nos sistemas sociais”.

Poder-se-ia dizer que educar é estabelecer uma posição política e assim, teria como seu principal objetivo a manutenção ou a mudança da estrutura de poder. E mais: o ato de educar é uma luta pelo poder ou, ao menos pela igualdade. Logo, o educador está diretamente envolvido nestas questões, como coloca FERREIRA (1993) ao afirmar que,

Ao transformar o mundo social e natural, o homem transforma a si mesmo, e o objetivo último dessa transformação é a supressão de suas carências, quaisquer que sejam. O educador não pode deixar de envolver-se nessa questão. Sua atividade profissional envolve aspectos políticos, econômicos e sociais e, mais do que isso tem uma dimensão ética, cuja legitimidade está ligada a esses fins. A prática educativa sempre traz em si uma filosofia política, tenha o educador consciência disso ou não. ( op. cit., p. 54)

Diante destas considerações, vê-se que o currículo constitui fator primordial dentro da construção de um projeto educacional que conduza a uma sociedade democrática e justa, com equidade na distribuição dos bens sociais.

Entretanto, a realidade curricular brasileira atual, reveste-se de características que criam obstáculos a esse tipo de construção, como por exemplo, a supervalorização do que é teórico sobre a prática, a redução do que é científico aos seus formatos mais formalizáveis e a perda das visões globais e integradoras dos campos científicos.

O rearranjo curricular dentro de uma perspectiva crítico-reflexiva, que promova um alargamento e um aprofundamento científico, artístico e técnico, bem como, trate as questões epistemometodológicas, passa por um campo mais vasto de discussão, ou seja, por uma ampla mudança na política educacional brasileira.

Essa mudança envolve três aspectos ou processos elementares: Primeiro, um processo reflexivo  que compreende a análise e descrição do homem em si e seus fins existenciais, bem como, enquanto integrante de uma sociedade, parte de um grupo ou categoria.

Aborda, ainda, a dinâmica social a qual este homem está inserido, em seus múltiplos aspectos, suas causas, desenvolvimento e conseqüências, procurando observar no que tange à Educação quem, o quê, como e para que se ensina, ou seja, a essência e o desenrolar do processo pedagógico.

Segundo, um processo crítico que corresponda ao detalhamento da reflexão anteriormente realizada, aliado à definição de uma perspectiva filosófica, política e sociológica.

Como conseqüência, propõe-se a revisão dos fins, processos, recursos e métodos educacionais, apontando falhas e acertos, determinando objetivos, definindo posturas e delineando políticas visando o (re)direcionamento da prática pedagógica, no propósito de construir um conhecimento voltado à concretização de um projeto político democrático, progressista e que busque o crescimento social de forma geral. Nas palavras de SCHMITZ (1984, p.35), “a educação concreta do homem real está sujeita às influências das decisões políticas sobre este mesmo homem e sua educação”.

E por fim uma visão holística que permita a valorização e a utilização do conhecimento no todo, ou seja, em seu sentido amplo, compreendendo-o como a resultante de uma rede multipontual de conhecimentos (científico e de senso comum, teórico e prático, no campo do concreto e no campo do ideal, material e espiritual, etc).

Considera, ainda, os fenômenos da subjetividade e as relações de intercâmbio que integram a paisagem social dos indivíduos em sua dinâmica e historicidade, permitindo assim, uma variedade de conceitos, fórmulas, construções, sentidos e valores, através dos quais o conhecimento se define e redefine, num verdadeiro ciclo renovador. FREIRE (1999, p.33), observa que “ensinar exige respeito aos saberes dos educandos” e prossegue colocando que alguns desses saberes devem ser confrontados relativamente aos conteúdos a serem ministrados. Isto representa um entrelaçamento entre senso comum e ciência, prática e teoria.

Uma política educacional que atenda a estes três princípios elementares, isto é: Que conduza docentes e alunos a uma reflexão sobre o homem e a sociedade a sua volta; Que permita a adoção de uma postura crítica, abrindo espaços para a discussão filosófica, política e sociológica da Educação e seus fins, redirecionando, redefinindo e reavaliando de forma permanente a escola e a prática pedagógica, como elementos básicos que são na construção social e que encare o conhecimento como a resultante de uma complexa rede de conhecimentos e das interações entre o subjetivo e o geral, à parte e o todo, construindo-se e reconstruindo-se no contexto da dinâmica e historicidade do social; poderá satisfazer ao propósito de construir uma sociedade de homens e mulheres capazes de utilizar-se de antigas formulações para elaborar novos conhecimentos e trabalhadores que sejam não meros reprodutores de técnicas, simples máquinas que repetem quotidianamente as mesmas idéias desbotadas e desgastadas através dos anos.

Como afirma OLIVEIRA (1999, p.11): “de nada adianta o discurso competente se a ação pedagógica é impermeável a mudanças”.

A Escola Cidadã vem resgatar o verdadeiro sentido da escola pública. Uma escola viva, ativa, participativa, que defende, como princípios básicos, a universalização do atendimento escolar, a melhoria da qualidade de ensino – qualidade esta entendida como formação para a cidadania ativa e para o exercício pleno dos cidadãos – e pela gestão escolar como mecanismo de conquista da autonomia.

A Escola Cidadã é aquela que se assume como um centro de direitos e deveres. O que a caracteriza é a formação para a cidadania. A Escola Cidadã então, é a escola que viabiliza a cidadania de quem está nela, não apenas os alunos, mas todos os envolvidos.

Ela não pode ser uma Escola Cidadã em si e para si. Ela é cidadã na medida em que a mesma se exercita na construção da cidadania de quem usa o seu espaço. É uma escola coerente com a liberdade. É coerente com o seu discurso formador.

É toda escola que, brigando para ser ela mesma, luta para que os educandos-educadores também sejam eles mesmos. E como ninguém pode ser só, a Escola Cidadã é uma escola de comunidade, de companheirismo.

É uma escola de produção comum do saber e da liberdade. É uma escola que não pode ser jamais licenciosa nem jamais autoritária. É uma escola que vive a experiência tensa da democracia.
III. O ARTICULADOR COMO ORIENTADOR VOCACIONAL

O trabalho do Orientador Vocacional diz respeito ao cotidiano escolar que, por sua vez, deve estar relacionado com o movimento da sociedade local e mundial. O Orientador possui um comprometimento com a formação da cidadania dos alunos. Ele precisa estar atento ao trabalho coletivo da escola atuando harmoniosamente com os demais profissionais da educação, realizando um trabalho interdisciplinar. Precisa desenvolver através de um trabalho participativo e conjunto, onde todos estão comprometidos com o processo e os resultados.

Esta função deve ser exercida por um pedagogo devidamente habilitado em Orientação Educacional, com profundo conhecimento de suas atribuições na rotina diária de uma escola; procurando cumprir, dentro das normas legais, as determinações do Núcleo Gestor, sendo essa a autoridade máxima na unidade escolar.

Nas escolas cearenses, devido à falta de profissionais habilitados nesta área especifica, as atribuições do Orientador Educacional estão sendo desenvolvidas pelo Coordenador Escolar de Gestão, que nem sempre possui formação específica nesta área. Muitas vezes, suas atividades chegam a se confundir.

Este profissional além da formação em pedagogia deve possuir uma vivência com a comunidade, pois as suas ações vão influir na formação moral e profissional de cada escola. Seu papel é de suma importância para o Núcleo Gestor, pois ele vivência seu dia-a-dia um pouco mais distante da burocracia escolar e é a voz da comunidade dentro de suas atividades.

3.1. A ORIENTAÇÃO VOCACIONAL E A ESCOLA

A oportunidade que a sociedade contemporânea abriu para os jovens, de escolha da profissão num sem-número de atividades diversas, criou também uma nova necessidade: a de orientação para a descoberta da própria vocação, já que os pendores de cada um nem sempre se manifestam com nitidez.

Orientação vocacional é o processo por meio do qual o indivíduo é levado a descobrir suas aptidões profissionais, orientados pelo resultado de testes e entrevistas com psicólogos especialmente treinados.

Voltada para a escolha, mas não para a formação, a orientação vocacional procura determinar também as características de personalidade e as limitações do indivíduo, além de informá-lo sobre as profissões existentes, os estudos necessários para exercê-la e as condições do mercado de trabalho.

Foi nos Estados Unidos, no inicio do século XX, que a orientação vocacional nasceu, como atividade sistematizada e especializada. Em 1908, o professor Frank Parsons fundou um escritório e publicou o livro: A escolha de uma vocação.

Em 1913, fundou-se naquele país a Associação Nacional de Orientação Vocacional. A prática disseminou-se em muitos outros países, inclusive no Brasil, na segunda metade do século XX.

Após a segunda guerra mundial, a retomada do processo de industrialização interrompida pelo conflito em muitos países abriu oportunidade para uma ampla gama de profissões, cada vez mais especializada. Paralelamente, a evolução da psicologia experimental conferiu maior rigor e eficiência aos testes vocacionais.

Como ramo da psicologia aplicada, a orientação vocacional reúne conhecimentos de psicologia, sociologia, profissões, estrutura educacional e mercado de trabalho do país e da comunidade, bem como de métodos e técnicas psicológicas adequadas ao estudo e solução dos problemas referentes à vocação e à escolha das profissões.

Por meio de testes, questionários, provas, exames e entrevistas, o psicólogo ou especialista em orientação vocacional faz o levantamento dos vários atributos e dos dados pessoais do orientando, tais como inteligência, aptidões, habilidade, interesses, aspirações, personalidade, temperamento, histórico biográfico e educacional, planos educacionais e profissionais. Procura também lhe proporcionar informações referentes ao exercício das profissões e áreas de atividade correlatas.

Em nossas escolas, adota-se o sistema de convidar profissionais das diversas áreas – médicos, engenheiros, jornalistas, militares, economistas, administradores de empresas etc. – para conversar e dar palestras para os alunos, de forma a satisfazer-lhes a curiosidade sobre diversos aspectos de sua rotina de trabalho.

O processo de orientação vocacional e profissional começa normalmente no inicio da adolescência, com a tentativa de localizar afinidade do interessado com grandes áreas profissionais, como ciência biomédica, humana, exatas etc., para delinear assim uma tendência geral.

Normalmente, o jovem está em condições de iniciar a orientação vocacional por volta dos 14 anos. Muitos aspectos importantes para a boa escolha profissional, no entanto, só estarão suficientemente amadurecidos no fim da adolescência – aproximadamente entre os 18 e os 22 anos – razão pela qual, idealmente, as decisões vocacionais definitivas deveriam ser tomadas nessa faixa etária.

Na prática, porém, a competitividade do mercado pressiona pela escolha profissional precoce. A maior parte dos postulantes a profissional de nível superior ingressa na universidade aos 17 ou 18 anos. O grande número de jovens que abandona uma careira por outra depois de dois ou mais anos de curso, ou mesmo depois de concluída a graduação, é sintomática da precipitação ou da falta de elementos para a escolha.

3.2 ARTICULADOR: AGENTE DA FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

O homem desenvolveu uma série de mecanismos para suprir as suas necessidades de sobrevivência e convivência em grupo. Visto que as conquistas e o conhecimento adquirido não são transmitidos através da herança genética, os grupos humanos viram-se obrigados a colocar em práticos sistemas externos de transmissão do saber para as novas gerações.

Nas sociedades primitivas este processo realizava-se unicamente através da convivência, ou seja, as crianças participavam nas atividades cotidianas dos adultos. Entretanto, com a evolução da sociedade e o crescimento das comunidades humanas, este processo de socialização direta tornou-se incapaz de responder às demandas das novas gerações.

Como solução para esta lacuna surge o processo de educação ou socialização secundária (tutor, academia, escola). Nas sociedades industriais contemporâneas institui-se a escolaridade obrigatória como preparação das novas gerações para sua participação no mundo do trabalho e vida pública. A educação socializa e permite a humanização do homem.

O objetivo primário da socialização dos alunos na escola é a preparação para a sua incorporação no mundo de trabalho. Esta é a função primordial imposta pela sociedade à escola. Essa preparação exige não só o desenvolvimento de idéias e capacidades, mas também a formação de atitudes e comportamentos.

A função secundária da socialização na escola é a formação do cidadão. Preparar o aluno para a vida pública. Assim, a escola tem que satisfazer demandas antagônicas: por um lado promover o desenvolvimento de conhecimentos no âmbito da liberdade de consumo e de escolha, e por outro incutir características submissas e disciplinadas tão requeridas no mercado de trabalho.

Como conseqüência, algumas vezes, a escola acaba por fomentar valores como o individualismo, competitividade, a falta de solidariedade. Impõe-se a idéia de que as oportunidades são iguais para todos e que os resultados individuais obtidos são o mérito exclusivo da capacidade de cada um.

O papel da escola vai além da reprodução de idéias convencionadas e deve sim amenizar as desigualdades sociais, capacitar todos os indivíduos de conhecimento e senso crítico para que possam inserir-se na sociedade em igualdade com os demais.

A escola introduz idéias e conhecimentos que a sociedade adulta requer. Os alunos assimilam os conteúdos dos currículos escolares e das comunicações que se dão na sala de aula.

Além disso, os alunos formam suas opiniões não só através do programa oficial, mas também como conseqüência do intercâmbio social que ocorre na escola. Na maioria das vezes o programa oficial não satisfaz os interesses dos adolescentes e jovens e passa a ser uma aprendizagem mecânica apenas para passar nos exames e ser esquecida depois.

A função educativa deverá ir mais além do processo de reprodução conservador imposto pela cultura dominante. A função educativa da escola na sociedade pós-industrial contemporânea deve centrar-se em dois pontos descritos por SACRISTÁN & GÓMEZ (2000),

Organizar o desenvolvimento radical da função compensatória das desigualdades de origem, mediante a atenção e o respeito pela diversidade. Provocar e facilitar a reconstrução dos conhecimentos, das disposições e das pautas de conduta que a criança assimila em sua vida paralela e anterior à escola. Como diria Wood (1984, p. 239), preparar os alunos para pensar criticamente e agir democraticamente numa sociedade não-democrática. (op. cit., p.13)

A escola não pode anular discriminações, mas pode amenizar os seus efeitos e acabar com a idéia de que as desigualdades sociais fazem parte do cenário e de que nada se pode fazer. A sua contribuição é adotar um modelo flexível e plural que atenda as diferenças, ou seja, adotar um currículo escolar com igualdade de oportunidades, onde a organização da aula, escola e do profissional docente garantam o tratamento das diferenças com cada aluno e sua realidade, e não a nível homogêneo.

Outro objetivo da escola é a participação na formação do indivíduo, suas atitudes e formas de conduta. Hoje, por conta de um sem número de meios de comunicação, a criança chega à escola cheia de informações e concepções sobre a realidade, mas trata-se apenas de reprodução da cultura dominante.

Somente a escola, fornecendo conhecimento como ferramenta de análise, pode promover um debate aberto e racional, através de questões e comparações, que permita que o aluno forme as suas opções sobre qualquer aspecto da vida (econômica, política ou social).

Mais do que passar informação, a função educativa contemporânea deve provocar o encontro com situações vivenciáveis, pois esta é a melhor forma de aprendizagem permanente. A escola deve proporcionar a comparação aberta de idéias para estimular o pensamento crítico e a ação dos alunos, e cobrar a participação de todos de forma efetiva nas diferentes tarefas que se desenvolvem na aula e que constituem o modo de viver em comunidade. Para tanto se exige uma transformação das práticas pedagógicas e sociais assim como das funções e atribuições dos educadores.

3.3. O ARTICULADOR EM SEU MOMENTO

A vida escolar ganha sua alma e atratividade pela ação acolhedora, conciliadora e estimulante do Coordenador Escolar de Gestão, e por isso não se pode prescindir do seu parecer e da sua colaboração na implementação de um projeto como o que aqui proponho: uma atividade pedagógica com o objetivo de permitir aos alunos o auto-conhecimento e o bom relacionamento interpessoal, visando simplesmente a que se tornem pessoas no inteiro sentido do conceito de pessoa humana.

Não se trata de criar uma disciplina, mas de reconhecer uma atribuição particular desenvolvida pelo Coordenador Escolar de Gestão, a formação do comportamento do aluno. Para essa atribuição ele deveria ser constantemente preparado a partir de uma disciplina especial, em seu próprio currículo de formação, que seria a pedagogia comportamental.

O que chamo pedagogia comportamental seria uma disciplina que reuniria postulados de Psicologia e Psicofisiologia orientados à ética para valores humanos fundamentais, e que seria incluída no currículo universitário, de modo a habilitar o pedagogo a ministrar a formação do comportamento na escola.

Enquanto o comportamento seria analisado pela pedagogia ao ponto de ser uma disciplina de nível universitário, com seu currículo oficial, a formação do comportamento, para o Ensino Fundamental e Ensino Médio, não seria propriamente uma disciplina, mas um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos provindos da pedagogia, onde o Coordenador de Gestão encontraria meios de passar aos alunos, permeando-os em todas as atividades, valendo-se de todas as oportunidades, e eventualmente realizando palestras sobre itens específicos mais complexos.

É importante que os conhecimentos da formação do comportamento não constituam um corpo doutrinário nem sejam ministrados como disciplina, porque tal abordagem tenderia a criar antagonismos, contestações, e o argumento de ser limitadora da liberdade individual, representar essa ou aquela corrente de pensamento, reação semelhante à que despertou o ensino da disciplina “Moral e Cívica” no passado. O aluno não gostaria de ser avaliado e receber uma nota em uma matéria que ele entende que deve ser de sua livre aceitação. O procedimento também não deveria ser considerado apenas “aconselhamento” porque deve representar uma “orientação”, com fundamentos válidos, passados ao adolescente e ao jovem.

É um fato notório a necessidade de um profissional de psicologia em nossas Unidades de Ensino. Por não existir tal profissional nas escolas, o Coordenador Escolar de Gestão tem de se desdobrar para orientar os educandos nos relacionamentos com os colegas, em vencer a timidez na escolha da profissão, e no lidar com todo tipo dos problemas mais comuns da adolescência e juventude.

Esse conhecimento básico de psicologia, ainda que superficial, seria útil na compreensão de certos quadros muito comuns como o da ansiedade, depressão, hipocondria, irritabilidade, e outros que resultam de condições neurofisiológicas hoje melhores conhecidas e medicadas.

A preocupação crescente com a mente humana, que além de haver dado novos rumos à psicoterapia, é também bastante capaz de dar a uma pessoa a compreensão e até uma independência em relação a certas forças radicadas na química e nas estruturas cerebrais, que atuam sobre a vontade e podem levar o seu comportamento a contrariar suas aspirações e seus ideais.

Outro problema verificado no dia-a-dia escolar é a perda da noção dos valores básicos para viver em sociedade. Anos atrás, era um pressuposto que os valores morais seriam dados pela educação doméstica e religiosa.

Quando falo em formação religiosa não falo em formação doutrinaria mais sim em valores que são comuns em todas as religiões. Notamos esta preocupação em algumas escolas, entretanto percebemos que esta preocupação esta sendo solucionada de forma errada. Em algumas escolas sentimos a imposição de elementos de uma religião sobre as outras e isto tem causado um verdadeiro fracasso, pois não se educa impondo e nem pressionando a minoria. Lamentavelmente nossa educação religiosa ainda é preconceituosa.

Alguns educadores lamentavelmente ainda pensam que interferir nas noções de valores do estudante podem ser considerado uma intromissão indesejável. As formações individuais para o bom e o correto devem vir do lar e da igreja, e apenas precisaria ser complementada com os elementos de psicologia, na escola. A escola tem por objetivo educar o sujeito a conviver com o diferente.

Porém, as dificuldades dos estudantes são radicadas, na sua maior parte, em seu ambiente doméstico, onde a criança e o jovem estão sujeitos a toda sorte de problemas que podem proceder da condição de pobreza, da má alimentação, do despreparo dos pais, da necessidade de trabalhar ainda com pouca idade, da exploração que sofrem, da influência de companheiros de rua, etc.

Falhando a educação doméstica, é certo que dificilmente freqüentará uma igreja e receberá uma formação moral religiosa. Sua última esperança e derradeira oportunidade podem ser algum socorro que receba de sua escola.

Cabe ao Coordenador Escolar de Gestão, juntamente com professores e demais membro do Núcleo Gestor, como proposto acima, as atividades e o ensino consolidados sob o conceito de formação do comportamento, que tem por objeto a preparação do aluno para seu autoconhecimento e autocompreensão, e o desenvolvimento de sua capacidade para o relacionamento interpessoal.

3.4. ATIVIDADES DO COORDENADOR ESCOLAR DE GESTÃO

Na educação não se age por agir, não se faz algo por fazer. Toda ação educativa deve ser intencional. Tem por finalidade buscar alcançar determinados resultados referentes à aprendizagem ou mudanças de comportamentos.

O papel do Coordenador Escolar de Gestão semelhantemente ao do Orientador Educacional na dimensão contextualizada diz respeito, basicamente, ao estudo da realidade do aluno, trazendo-o para dentro da escola, no sentido da melhor promoção do seu desenvolvimento.

A práxis educativa do Coordenador Escolar de Gestão deverá valorizar a criatividade, respeitar o simbólico, permitir o sonho. O conhecimento não exclui o sentimento, o desejo e a paixão. Precisamos encontrar em cada um de nós esse espaço e, simplesmente, deixá-lo existir.

Como agente de ligação entre a escola e a família, o Coordenador Escolar de Gestão manterá uma comunicação constante com a mesma, respeitando os seus valores e procurando obter sua colaboração, já que ambos têm por objetivo o bem-estar, o desenvolvimento e a formação do educando.

O Articulador Escolar estará constantemente observando o rendimento dos alunos. É importante que os fatores, sócio-econômicos-culturais, ambiente escolar e familiar próprios; professores bem preparados e motivados; métodos de ensino e material didático (adequados) além de, por parte do aluno, assiduidade, adaptação à escola, disciplina, bons hábitos de estudo, condições físicas e psicológicas favoráveis e um bom relacionamento com professores e demais funcionários, bem como com os colegas, sejam levados em conta, pois favorecem o bom rendimento escolar.

O Coordenador Escolar busca constantemente a integração do aluno à escola e à sociedade. Pode-se dizer que, em grande parte, experiências positivas ou negativas vivenciadas na escola irá refletir-se pela vida toda do indivíduo. Gostos, traumas, aversões por determinadas matérias, opções profissionais, amizades e até apelidos, em geral, freqüentemente tiveram suas origens nos bancos escolares. Portanto, a adaptação do estudante à escola torna-se muito importante e deve ser preocupação de todos, inclusive do Coordenador Escolar de Gestão; desde o início da vida escolar, para que a escola represente um ambiente acolhedor e afetivo.

O Coordenador Escolar de Gestão estará sempre atento aos aspectos morais, cívicos e religiosos da educação do aluno. Todas as atividades programadas pela escola visam a formação integral do educando, isto é, uma formação que considere, de forma completa e harmônica, os diferentes aspectos do desenvolvimento do aluno, como o intelectual, o físico, o social, o emocional, o moral, o espiritual, o cívico, o vocacional, enfim, todos aqueles que dizem respeito ao pleno desenvolvimento do ser humano.

A escola tem assumido cada vez mais, a responsabilidade pela educação integral do aluno. Tal objetivo não deixa de ser legítimo, pois o indivíduo que aprende é um ser complexo que se desenvolve não só no aspecto intelectual como também, e concomitante, no afetivo-emocional, físico-motor, social, sexual, vocacional, enfim, em todos os aspectos de sua personalidade. Por esta razão e também porque dificuldades ou problemas nestas áreas poderão afetar o rendimento escolar do educando. O Articulador Escolar auxiliará ao desenvolvimento físico e emocional do aluno.

O Coordenador Escolar de Gestão facilitará a promoção de lazer para o aluno. Estudantes, com aparentemente boa saúde física e mental e que praticam princípios sadios de higiene corporal, poderiam ter o desenvolvimento comprometido a médio e longo prazo se não dedicassem nenhuma parte do seu tempo a atividades esportivas ou de lazer.

Por outro lado, tal comprometimento também poderá ocorrer se os alunos ou seus pais não souberem escolher atividades adequadas e equilibradas para as horas livres, consumindo, por exemplo, a maior parte do tempo em bares, casas de jogos, vídeogames, televisão, em detrimento de práticas mais saudáveis. Portanto, os pais devem se preocupar com os limites, adequação e qualidade das atividades esportivas, culturais ou de lazer de sues filhos.

Por fim, o Coordenador Escolar de Gestão auxiliará o aluno em relação à sua orientação vocacional. Há que se considerar, o que a profissão representa para o indivíduo como pessoa. É por meio dela que este satisfaz a necessidade de auto-realização, aplica suas capacidades e potencialidades e expressa sua personalidade.

Portanto, quando ele realiza uma atividade compatível com suas habilidades e demais características, num ambiente favorável, o trabalho exercido se constitui um fator de ajustamento e de satisfação pessoal.

A escolha é extremamente difícil e, como a mesma deve ser feita cedo, pelo jovem, este necessita, cada vez mais, de orientação especializada e eficiente para a tarefa tão relevante quanto complexa e que, na escola, é responsabilidade de um Orientador Educacional mas está sendo desenvolvida com dedicação e dentro das possibilidades pelo Coordenador Escolar de Gestão.

3.5. O COORDENADOR ESCOLAR E A SINDROME DE BURNOUT

O papel da orientação vocacional nas escolas está à mercê de políticas educacionais. A tendência educacional atual deixa de investir em capacitação específica. Inevitavelmente percebemos o rápido e catastrófico declínio da qualidade e envolvimento neste serviço.

A cada dia aumenta o número de pedagogos que trabalham, além de seus limites. Isso ocorre, geralmente, porque, em função da inexistência de quadro de Orientadores Educacionais, eles precisam trabalhar mais e, muitas vezes, são desviados da função.

Percebemos que o Coordenador Escolar de Gestão, apesar de seu esforço, está orientador educacional, mas não é um Orientador Educacional de fato. Por mais que se esmere, o Articulador Escolar não tem conseguido o êxito desejado dentro desta área de sua função.

Por sentir-se sobrecarregado, o Coordenador Escolar de Gestão, juntamente com outros colegas, tem sofrido com sua saúde devido ao excesso de trabalho. É digno de estudos a fadiga emocional que percebemos nos gestores das escolas.

Esta síndrome, chamada de “Burnout”, caracteriza-se por uma fadiga emocional, despersonalização e de uma auto-estima reduzida, que pode ocorrer entre indivíduos que trabalham em contato direto com pacientes ou alunos.

A literatura internacional indica que não existe uma definição única sobre Burnout, mas é considerada como, por exemplo, uma resposta do estresse laboral crônico, não devendo, contudo, ser confundido com estresse.

Burnout aparece como uma reação à tensão emocional crônica, gerada a partir do contato direto e excessivo com outros seres humanos, já que cuidar exige tensão emocional constante, atenção permanente e grande responsabilidade profissional.

Em resumo: o Coordenador envolve-se afetivamente com seus alunos, desgasta-se, não agüenta mais, desiste, entra em Burnout. Para alguns pesquisadores, o mal afeta com maior freqüência profissional da área da educação e saúde.

Pesquisas demonstram que o Burnout ocorre em trabalhadores altamente motivados que reagem ao estresse laboral, trabalhando além dos seus limites até que entram em colapso.
Burnout é o sentimento de discrepância entre o que o trabalhador dá (o que ele investe no trabalho) e aquilo que ele recebe (reconhecimento de superiores e colegas e, no caso dos Coordenadores Escolares de Gestão, dos resultados no comportamento geral do aluno).

As características da síndrome são entendidas como um conceito multidimensional que envolve três componentes:

a) exaustão emocional – situação em que os trabalhadores sentem que não podem dar mais de si mesmos em nível afetivo.

Percebem esgotada a energia, os recursos emocionais próprios, em razão do contato diário com os problemas;

A exaustão emocional ocorre quando a pessoa percebe nela mesma a impressão de que não dispõe de recursos suficientes para dar aos outros. Surgem sintomas de cansaço, irritabilidade, propensão a acidentes, sinais de depressão, sinais de ansiedade, uso abusivo de álcool, surgimento de doenças psicossomáticas;

b) despersonalização – desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas e de cinismo às pessoas destinatárias do trabalho (alunos/colegas) – endurecimento afetivo, “coisificação” da relação; corresponde ao desenvolvimento por parte do profissional de atitudes negativas e insensíveis em relação às pessoas com as quais trabalha, tratando-as como objetos;

c) falta de envolvimento pessoal no trabalho – tendência de uma evolução negativa no trabalho, afetando a habilidade para realização do trabalho e do atendimento ou contato com as pessoas usuárias do trabalho, bem como com a organização, diminuição da realização e produtividade profissional – geralmente, conduz a uma avaliação negativa e baixa de si mesmo;

d) depressão – sensação de ausência de prazer de viver, de tristeza que afeta os pensamentos, sentimentos e o comportamento social, podendo ser breve, moderada ou grave.

Esta carga mental é característica do trabalho fragmentado, alienado, incapaz de ser portador de prazer para quem o realiza, trabalho que parece vão, que esvanece o trabalhador, aquele que o trabalhador dificilmente consegue perceber a importância ou mesmo o seu lugar, a sua marca no produto. Isso desgasta, cansa, esgota, torna o trabalho pesado, custoso, difícil, mesmo que esta dificuldade não corresponda ao nível de complexidade ou de exigências reais.

Para exercer a função de educador a relação afetiva é obrigatória, sendo um pré-requisito para a aprendizagem efetivar-se. Quem trabalha com a educação utiliza o jogo da sedução, conquista a atenção para despertar o interesse do aluno para o conhecimento que pretende abordar.

Esta conquista envolve um enorme investimento de energia afetiva e é mediante o estabelecimento de vínculos afetivos que ocorre o processo ensino aprendizagem. O esforço empreendido no caso dos profissionais que se dividem no exercício de suas atividades, atuando em funções diversificadas, turmas diferentes, períodos distintos, alunos com problemas diversos, pode vir a ser, muitas vezes, maior do que ele pode suportar.

A impossibilidade de cumprir as exigências impostas no trabalho pode impedir o Coordenador Escolar de Gestão em fazer o que deveria, de realizar seu trabalho e realizar-se nele.

O acúmulo de afazeres na atividade docente mais a responsabilidade de um serviço de orientação educacional podem, com o tempo, exceder as condições físicas e psicológicas de alguns profissionais.

Segundo CODO (1999, p.56), a pioneira da orientação educacional no Brasil, Aracy Muniz Freire, sugere que “[...] cada orientador educacional deveria ter, sob sua responsabilidade, no máximo 300 educandos. Número maior prejudicará a eficiência dos trabalhos, que terão de ser corridos e superficiais, sem possibilidade de aprofundamento adequado nos trabalhos de assistência e de aconselhamento”.

O Articulador Escolar desenvolvendo sua função como orientador educacional, ao deparar-se com a impossibilidade de cumprir as exigências da função, vive um conflito estrutural entre fazer um trabalho perfeito e as possibilidades reais de sua execução.

Como este trabalhador pode ter domínio sobre sua própria atividade, quando precisam mudar de enfoque e de questionamentos todos os dias de sua vida profissional? Como pode estar por inteiro nas relações que exigem cuidados especiais? Como pode convencer um aluno de que ele precisa de hábitos de estudos, de que o mergulho no mundo das drogas o leva a becos sem saída, de não querer morrer porque o primeiro amor não deu certo, ou ainda, de que o desemprego do seu pai pode ser passageiro? Isto demanda investimento de tempo e afeto. Não é possível sair correndo, deixar os argumentos pela metade.

Este profissional lida com mudanças em si mesmo e mudanças no outro. O conflito entre o que há por ser feito e o pouco tempo, com um grande número de alunos, levam o Articulador Escolar a exceder a sua condição física e psicológica. A forma como avaliam seus desempenhos denuncia o quanto não detêm o conhecimento de suas funções dentro da escola e a obscuridade de seu papel como profissional de orientação educacional.

A não oferta, pelo Governo do Estado, de cursos de requalificação específica para estes profissionais pode ser mais um dos fatores que os impede de analisar com lucidez o resultado de seu trabalho.

Apesar disso, os mecanismos de defesa do ego, segundo a Teoria Psicanalítica, parecem estar sendo utilizados largamente para amenizar a consciência culpada pelo trabalho que deveria ser melhor e, também, como forma de proteger-se da exaustão emocional, um dos fatores geradores de Burnout.
CONCLUSÃO

O Orientador Educacional representa a tomada de consciência em relação aos aspectos sociais no cotidiano do educando. A escola tem como função, entre outras, formar pessoas competentes, solidárias, responsáveis e que sonhem.

Ajudar o estudante nessa dialética e na realização do seu sonho é uma das tarefas mais importantes para à escola. Manter o foco no ser humano, não só nos alunos como principais clientes e público, mas também professores, coordenadores, famílias e toda a comunidade educativa.

Prestar especial atenção à cultura organizacional como elemento compartilhado por todos os integrantes da instituição. É imprescindível a procura de uma filosofia de trabalho e valores com os quais todos se sintam comprometidos.

Renovar e inovar buscando estratégias atuais que conduzam ao desenvolvimento e crescimento do estudante como pessoa responsável, ética e moral. Desenvolver atividades que propiciem a vivência dos objetivos específicos do Projeto Político Pedagógico da Escola.

A responsabilidade do Coordenador Escolar de Gestão como orientador educacional é tão complexa, pois ele precisa estar sempre atento as mudanças, inovações, pois precisa constantemente ver e rever seus conceitos, tendo uma forte consciência em relação aos aspectos sociais, emocionais, tanto do educando como num todo a sua volta. Sua principal função é formar pessoas/indivíduos competentes, criativos e críticos de uma maneira que englobe adquirir conhecimento e conquistar a harmonia.

A presente pesquisa revelou a necessidade urgente de se organizar o trabalho do Coordenador Escolar de Gestão como orientador educacional que, muitas vezes, seja por incoerência ou descontinuidade das políticas educacionais, seja pelo próprio desconhecimento de suas reais funções, encontra-se subaproveitado, desorientado e incapacitado. A necessidade de políticas educacionais consistentes e duradouras, e de recapacitação profissional parece evidente.

Há fatores de franca desorganização no trabalho do Coordenador Escolar de Gestão como orientador educacional que revelam uma situação de desperdício na qualidade da energia de trabalho deste profissional, pois, além de mal pago – alguns recebem apenas uma pequena gratificação pelo Estado -, o orientador educacional não cumpre sua função.

Futuros estudos poderão levantar as causas da não contratação de orientadores educacionais especializados por parte do Governo do Estado para suprir o grande déficit de profissionais dessa área nas escolas da Rede Estadual de Ensino.

Isto ocorre ao arrepio da lei que determina a contratação de um orientador vocacional, no mínimo, para autorização do funcionamento de escolas particulares ou públicas. Poderão investigar, também, o que ocorre com o Programa Curricular dos cursos de Pedagogia que não contemplam as reais funções do profissional dentro das instituições escolares. Todo pedagogo, sobretudo aqueles que atuam nas Instituições de Ensino, seja ela qual for, deveriam estar cumprindo com competência seu papel profissional.

Pode-se atribuir ao Coordenador Escolar de Gestão em seu papel de orientador vocacional um papel preponderante como profissional de ajuda. Sua ação desenvolve-se por meio de um conjunto específico de atividades, tais como: incentivar o aluno à pesquisa, ajudá-lo na sua definição vocacional, auxiliando o processo de aprendizagem. Mas, essas atividades sempre se realizam com o apoio ou a parceria de diversas fontes, a saber: a própria estrutura educacional, os professores, os pais e até mesmo os próprios alunos.
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  • Tema: Gestão Escolar
  • Autor: Eliel Rafael da Silva Junior

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