A LETRA DA MÚSICA FOLCLÓRICA E A PARLENDA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

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Resumo - Este trabalho analisa a letra da música folclórica e a da parlenda no processo de alfabetização, no primeiro ano do Ensino Fundamental, no que se refere às mediações docentes e à construção do conhecimento discente de maneira prazerosa e contextualizada, por se tratarem de textos que circulam no universo da oralidade infantil. O estudo foi realizado em uma das escolas da rede particular de ensino de São José dos Campos, sendo sujeitos da pesquisa doze alunos do primeiro ano do Ensino Fundamental. Os resultados obtidos apontam a letra da música folclórica e a da parlenda tornaram proficiente a aquisição da leitura e da escrita pelas crianças desse segmento educacional.

Palavras-chave: Folclore, alfabetização, leitura, escrita, construção de conhecimentos.

Área do Conhecimento: Língua Materna


Introdução

De acordo com Baumgratz (2005,10), “folclore é o modo de agir, pensar e sentir de um povo ou grupo, com qualidades e atributos que lhe são próprios”.

Muitas são as obras literárias e artísticas de caráter erudito que têm inspiração no berço das tradições populares, inclusive, composições musicais que desenvolveram temas baseados nessas tradições, em todas as partes do mundo. Dentre alguns compositores, é possível citar: Zóltan Kodály e Bela Bartok na Hungria, Tchaikovsky na Rússia, Heitor Villa-Lobos, Guerra Peixe, Osvaldo Lacerda no Brasil, entre outros tantos. Nas artes plásticas, Portinari, Volpi, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, representativos de uma aliança entre a Cultura Erudita e o Popular.

A Cultura Popular não está a serviço do sucesso oferecido pela mídia, nem mesmo depende exclusivamente da veiculação de suas manifestações artísticas, uma vez que ela possui um propósito maior, e anterior, que a celebração.

Por intermédio da celebração, um povo pode incluir-se em um lugar, em um tempo e em uma história. A celebração legitima a identidade cultural de um povo.

O folclore brasileiro não deixa a desejar. Por possuir influência da miscigenação brasileira temos uma variedade cultural vasta.


Materiais e Métodos

O trabalho de campo, para a realização desta pesquisa, inicialmente aconteceu na Companhia “Bola de Meia”, instituição voltada, principalmente, às manifestações folclóricas do Vale do Paraíba, foram coletados dados relativos ao folclore dessa região.

Posteriormente, em um primeiro momento, no primeiro ano do Ensino Fundamental, de uma das escolas da rede particular de ensino de São José dos Campos, foi proposto a doze alunos um questionário composto por seis questões objetivas sobre o folclore; e, no segundo momento, foram propostas atividades relativas à letra da música folclórica Peneira, para abordagens lúdicas de alfabetização.


Resultados

Na primeira questão, “O que você entende por folclore?”, seis alunos responderam que são festas e tradições de um povo, dois alunos responderam que são festas e tradições internacionais e dois responderam que são festas e tradições transmitidas por políticos.

À questão de número dois, “Na sua comunidade há festas folclóricas?”, oito alunos afirmaram que sim, enquanto quatro alunos relataram que não.

Na terceira questão, “Quem traz conhecimentos folclóricos até você?”, cinco alunos responderam que são os seus pais, três afirmaram ser seus tios e avós, enquanto quatro relataram ser a escola.

Na quarta questão, “Em sua escola são cantadas músicas folclóricas?”, todos os alunos responderam que sim.

Na questão de número cinco, “Você costuma brincar de roda com seus amigos?”, onze alunos responderam que sim e apenas um relatou que não.

Na última questão, “Em suas atividades escritas você gosta mais de que tipo de textos?”, dois alunos responderam que preferem notícias, dois alunos relataram que preferem parlendas, quatro alunos responderam preferir histórias e quatro alunos responderam que preferem músicas folclóricas.

Na atividade com a canção folclórica Peneira, pôde-se constatar que os alunos se motivaram a participar da atividade lúdica proposta, e, também, das relacionadas ao processo de alfabetização.

As atividades voltadas à aquisição da escrita tornaram prazerosas e proficientes, uma vez que, por terem sido privilegiadas palavras contidas na letra da música folclórica e das parlendas, os alunos demonstraram tranqüilidade ao se depararem com os vocábulos propostos no processo de alfabetização.


Discussão

Em sala de aula, presenciou-se uma criança que não acreditava em seu potencial enquanto leitor, não se arriscava a ler, dizendo não ser bom em leitura. Depois da atividade prática e de descobrir o quanto era prazeroso estar em contato com as parlendas já conhecidas, percebeu que as tinha na memória e quis, no momento da leitura de sua sala, colocar-se em destaque e ler a parlenda para seus amigos. Essa criança foi muito aplaudida por seus colegas e relatou que ler era muito fácil.

Dessa forma, o processo de alfabetização que já se desenvolvia tacitamente, mas no qual essa criança não acreditava, passou a ser não apenas um desejo para ela, mas, sim, uma realidade..

No dia seguinte, a referida criança estava disposta a ler outras palavras além das que já conhecia das parlendas e o fez proficientemente.

Desse modo, pode-se afirmar que o trabalho foi além dos objetivos propostos, inicialmente nesta pesquisa, visto que foi possível presenciar, em sala de aula, além da participação efetiva de todos os sujeitos desta pesquisa, o processo de alfabetização sendo enriquecido com o folclore de nossa região, o que possibilitou a um aluno a descoberta da leitura e da escrita, uma vez que essa criança acreditava não ser capaz de aprender a ler e a escrever e, por meio da realização das atividades propostas, provou a si mesma que poderia fazê-lo de forma proficiente.

Esse aluno foi o de maior destaque, mas o resultado positivo de entusiasmo e sucesso pode ser verificado em todos os alunos dessa turma.


Conclusão

Pôde-se verificar que se o professor privilegiar os textos que contenham letras de músicas folclóricas e parlendas, no processo de alfabetização, no primeiro ano do Ensino Fundamental, esse processo se torna lúdico, prazeroso e eficiente, por se tratar de um gênero que já circula no cotidiano das crianças, uma vez que estas, quando desafiadas, demonstram interesse e entusiasmo pelas parlendas e músicas folclóricas e se motivam para vivenciar o processo de ensino e aprendizagem no que se refere à aquisição da escrita.


Referências

BAUMGRATZ. J. Cultura popular do Vale do Paraíba, São José dos Campos: Modelo (2005).

Autor: Martha Marcelino Romero

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