EDUCAÇÃO E RESPEITO: UMA QUESTÃO SOCIAL

Custom Search

EDUCAÇÃO E RESPEITO: UMA QUESTÃO SOCIAL

A finalidade dessa pesquisa foi analisar a relação respeito e educação nos anos iniciais do Ensino Fundamental e na modalidade de Educação de Jovens e Adultos – EJA, conscientizando-os em relação aos direitos e deveres sociais como requisitos no desenvolvimento da cidadania. Realizado em uma Escola da região administrativa de Santa Maria-DF, esta trabalha com os Anos Iniciais do Ensino Fundamental e a EJA. A metodologia desse estudo foi de cunho qualitativo, fazendo do ambiente natural sua fonte direta de coleta de dados, ao qual foi aplicado o questionário de perguntas abertas. A família é fator importante na construção do cidadão participativo e a escola desenvolve e estimula essa participação de consciência e ações futuras.

Palavras – chave: Respeito na Escola; Comunidade Escolar; Processo de Ensino e Aprendizagem.

ABSTRACT

The purpose of this study was to analyze the relationship and education about the early years of elementary school and in the form of Youth and Adults – EJA, sensitizing them to the rights and duties as social requirements in the development of citizenship. Held in a School Administrative Region of Santa Maria-DF. this works with the early years of primary education and adult education. The methodology of this study was qualitative character, the natural environment by making your direct source of data collection, to which the questionnaire was applied to open questions. The family is an important factor in building the participative citizen and the school develops and encourages the participation of consciousness and future actions.

Keywords – Keywords: Respect in school; Citizenship, Community School, Teaching and Learning Process.

1. INTRODUÇÃO

A educação se inicia no lar, onde o indivíduo recebe os primeiros conhecimentos e contatos com o mundo externo. É no lar que são pronunciadas as primeiras palavras e, dentro de um senso comum, iniciam-se os projetos de vida alicerçados em uma visão de mundo. Mesmo a escola ocupando o papel fundamental na criação de um sujeito participativo, não se pode unicamente responsabilizá-la pela formação (educação) das futuras gerações.
Para formar um cidadão participativo, ciente de seus direitos e deveres, precisa-se abordar nas escolas temas como respeito ao próximo, consciência, cidadania, caráter, virtudes e vida social. Estes são valores humanos comuns e encontram-se na maioria das culturas.
A Constituição Federal (BRASIL, 1998) versa que os direitos são iguais para todos, acredita-se que os representantes eleitos pelo povo, não buscam uma formação nessa dimensão, pois um cidadão que questiona poderá por em risco anos de trabalho obscuro, e isso poderá ser muito perigoso, pois o cidadão com consciência critica, interpreta e transforma a sociedade (comunidade), a qual está inserida. Neste sentido, Wonsovicz afirma que:
O objetivo do processo educativo é o de ajudarmos a formar melhores julgamentos, a fim de que possamos modificar nossas vidas de maneira mais criteriosa. Julgamentos não são fins em si mesmos. Nós não experienciamos obras de arte, a fim de julgá-las; julgamos estas, a fim de termos experiências estéticas enriquecedoras. Fazer julgamentos morais não é um fim em si mesmo, é um meio de melhorar a qualidade de vida (2002, p. 14).

Busca-se uma educação libertadora, que retire o indivíduo desse estado omisso em que se encontra: manipulado, domesticado por ideias inculcadas pela mídia e por outras instituições ideologicamente constituídas. Ideias formadas sem reflexão e não se tem consciência disso, pois se julga que estas refletem uma realidade e é o que querem as classes detentoras do poder. Segundo Martín-Barbero, “A única coisa que parece importar decisivamente para os produtores e ‘programadores’ das tecnologias de vídeo é a inovação tecnológica, enquanto o uso social daquelas potencialidades técnicas parece estar fora de seu interesse” (2003, p. 304).
O homem contemporâneo se encontra agregado a uma cultura do silêncio, incapaz de manifestar seus pensamentos. Neste sentido, entende-se que a escola poderá implantar um processo de resistência a essa dominação, contribuindo para uma prática social que realmente seja transformadora “[…] para que as habilidades passem a fazer parte do comportamento do dia-a-dia, elas precisam ser cultivadas em um ambiente que valorize e sustente seu desenvolvimento” (WONSOVICZ, 2002, p. 17).
O mundo respira política e as engrenagens que o faz continuar esse processo de respiração é os votos do povo (analfabetos ou letrados) que elegem democraticamente representantes (legisladores). A Constituição Federal (BRASIL, 1988, p. 19) em seu art. 14º, cap.IV, cita que “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da Lei […]“. Então, por que não repensar essa conduta e lutar por uma educação que se balize no respeito, nos direitos e deveres do cidadão, bem como na ênfase aos valores sociais e morais?
O voto serve para eleger representantes do povo, defensores dos direitos de cidadão, ou seja, constitucionais, aqueles que por falta de conhecimentos, o povo não o faz valer. Tenta-se incentivar a criticidade do indivíduo, seja consciente de seus candidatos (autoridades eleitas pelo voto), que avalie e reavalie o legado deixado por seus partidos, acreditando que a educação que seus filhos terão, dependerá da responsabilidade social que tiverem hoje.
O conhecimento é fundamental para o desenvolvimento da espécie humana e é aí onde entra a escola, com a função competente de aperfeiçoar e ampliar a educação adquirida no lar, estendendo essa educação, do desenvolvimento da autonomia intelectual a pensamento critico dos educando “[…] de raciocínio, de investigação e de formação de conceitos”(WONSOVICZ, 2002, p. 16).
A escola irá fortalecer e despertar os valores morais adormecidos que existe no interior de cada ser humano, mesmo sabendo que essa marcha social está sujeita a contradições. Assim, “[…] a educação escolar, nesta perspectiva, assume o papel de mantenedora da ‘ordem social’ e do domínio imperialista dos países centrais em relação aos periféricos, por meio da inculcação ideológica” (LEÃO, 2004, p. 34).
Em uma sociedade programada para consumir, os valores morais (integridade, respeito, responsabilidade, cooperação, participação, justiça, democracia e excelência) foram se perdendo e aos poucos o respeito ao próximo deixa de existir. Com uma educação na dimensão proposta, busca-se o resgate cultural de condições morais que dão nobreza à sociedade. Assim, a educação/política consciente é capaz de superar os condicionamentos de modelo da cultura de dominação e torna-se questão social a ser refletida.
Busca-se o autodesenvolvimento do adolescente e da comunidade na qual esta inserido por intermédio da educação, do conhecimento adquirido na leitura de mundo, em que se descobre novos valores. Freire (1992), em sua Pedagogia da Esperança, ampliou o conhecimento dos educandos, trabalhando a reflexão crítica de cada um, aumentando a perspectiva de vida do sujeito e fortalecendo sua autoestima, passando de observado a observador. Segundo Freire,

Sonhamos com uma escola que, porque séria, se dedique ao ensino de forma competente, mas, dedicada, séria e competentemente ao ensino, seja uma escola geradora de alegria. O que há de sério, até penoso, de trabalhoso, nos processos de ensinar, de aprender, de conhecer não transforma este quefazer em algo triste. Pelo contrario, a alegria de ensinar-aprender deve acompanhar professores e alunos em suas buscas constantes. Precisamos é remover os obstáculos que dificultam que a alegria tome conta de nós e não aceitar que ensinar e aprender são praticas necessariamente enfadonhas e tristes (2001, p. 37).

Acredita-se que as relações sociais, as quais o sujeito passa a fazer parte quando introduzido na escola, à afetividade não mais fica restrita a família, seus sentimentos morais se ampliam (evoluem) até alcançar o respeito mútuo em sociedade.
Uma criança que teve afeto no lar tem maiores chances de estar alicerçada ao respeito e a moral, pois segundo Goulart, para Piaget “[…] quando o desenvolvimento cognitivo da criança já lhe permite avaliar a relação entre a falta cometida e a sanção que ela deve merecer, tem-se uma nova oportunidade para desenvolver a autonomia” (1993, p. 65).
Conforme a teoria cognitiva (conhecimentos e habilidades intelectuais), o sujeito é epistêmico e cognoscente, sendo assim, não é visto como um ser que internaliza passivamente os valores ofertados por agentes sociais.
Este sujeito social é considerado participante ativo na elaboração, na construção que caracteriza todos os estágios de seu desenvolvimento, que ao longo do tempo será moldado por valores (educação e respeito) adquiridos na convivência familiar, comunidade (relacionamentos sociais) com exaltada expectativa que seja elevada por meio da própria escola.
Considerando a educação como indicador de mudanças e interventor direto na realidade de toda a sociedade, garantindo a evolução econômica e social representada nos valores sociais e morais.
Espera-se que este estudo desenvolva a autonomia intelectual, objetivo máximo da educação, afirmando que pessoas que tem o interesse por ideias e pensamentos, que se dedicam a atividades que envolvem estudo e raciocínio, e trabalhem o intelecto incentivando a mente a pensar, crescendo culturalmente e intelectualmente.
Assim, espera-se incentivar a criticidade do indivíduo, pois o homem somente é cidadão pleno quando questiona seus valores sociais e morais, buscando uma melhor qualidade de vida baseada no reconhecimento e respeito mútuo.

2. OBJETIVOS
2.1. OBJETIVO GERAL

Analisar a relação respeito e educação nos anos iniciais do Ensino Fundamental e modalidade Educação de Jovens e Adultos – EJA, tomando a conscientização do educando em relação aos direitos e deveres sociais como base de pesquisa.
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Identificar como os valores sociais são abordados em sala de aula pelos professores;
• Verificar a convivência aluno/aluno no sentido de identificar uma convivência respeitosa;
• Analisar as propostas do Projeto Político Pedagógico;
• Investigar a relação professor-aluno no dia-a-dia da sala de aula.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa é de caráter qualitativo, pois segundo Goldemberg (2009, p. 53), “Os dados qualitativos consistem em descrições detalhadas de situações com o objetivo de compreender os indivíduos em seus próprios termos”, o que leva a ressaltar a importância de educação baseada no respeito, constatação da falta de limites com que crianças/adolescentes são educados no lar.
A importância aqui postulada é que para se ter acesso a tais fenômenos, o pesquisador deverá estar inserido ao mundo em que deseja estudar (pesquisar). Assim, “[…] o pensamento fenomenológico traz para o campo de estudo da sociedade o mundo da vida cotidiana, onde o homem se situa com suas angustias e preocupações” (GOLDEMBERG, 2009, p. 31).
Esta pesquisa de abordagem qualitativa investigou de forma específica e profunda a falta de valores morais e sociais, e a necessidade de uma educação voltada para eles. Por isso também ter caráter exploratório. De acordo com Goldemberg,

Um dos principais problemas a ser enfrentado na pesquisa qualitativa diz respeito á possível contaminação dos seus resultados em função da personalidade do pesquisador e de seus valores. O pesquisador interfere nas respostas do grupo ou individuo que pesquisa. A melhor maneira de controlar essa interferência é tendo consciência de como sua presença afeta o grupo e até que ponto este fato pode ser minimizado ou, inclusive, analisado como dado de pesquisa (2009, p. 55).

Segundo Marconi e Lakatos “[…] é constituído por uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito sem a presença do entrevistador” (2009, p. 203), aqui escolhido como procedimento de coleta de dados por ser de fácil entendimento e aplicação.
A presente pesquisa teve como foco uma escola pública da cidade de Santa Maria (DF), onde foram interpelados, professores, alunos e um coordenador.
4. REFERENCIAL TEÓRICO

Vive-se no Brasil e no mundo uma era de transformações, tanto econômicas quanto sociais (educacional), o que faz com que mudanças sejam feitas para recebermos esse progresso nas escolas, e um trabalho de pesquisa nesse teor (dimensão), intenta proporcionar como beneficio, uma sociedade mais justa (equilibrada), unida no propósito social de melhor promover a cidadania sem divisões de etnias. Assim,

[…] a educação é um meio pelo qual o homem (a pessoa, o ser humano, o individuo, a criança, etc.) desenvolve potencialidades biopsíquicas inatas, mas que não atingiriam a sua perfeição (o seu amadurecimento, o seu desenvolvimento, etc.) sem a aprendizagem realizada através da educação (BRANDÃO, 1995, p. 61).

O presente trabalho refletiu sobre os valores que ao longo do tempo se perderam na sociedade atual, buscando o respeito ao próximo, a solidariedade embalada pela gratidão, a alegria de viver, a honestidade que caminha distante e a integridade que forma o caráter do ser humano, tende a escola como espaço para o resgate cultural destes.
Os principais valores (educação e respeito) se interligam a todos os outros dentro do desafio de propagá-los em meio à sociedade. Se for construída a ponte que une a integridade, o respeito, a responsabilidade, o amor ao próximo, à justiça e a democracia, fará de nossos jovens pessoas/sujeitos sociais mais confiáveis e honestos.
O cidadão (criança/adolescente) que respeita a si mesmo defenderá a diversidade social e respeitará opiniões diferentes e opostas as suas, assumindo assim, responsabilidades por seus atos individuais, comunitários, consigo mesmo, para com os outros e para com o meio ambiente. Essas ações os levarão a preocupar-se com seu bem estar, com o próximo, agindo com empatia e compaixão, comprometendo-se com os princípios de justiça social, opondo-se aos preconceitos, desonestidades e promovendo os direitos a liberdade e a responsabilidade.
Passar aos jovens educandos, que nem todos acreditam nesses valores, que para alguns é utopia sonhar com um mundo melhor onde o adulto reflete seu verdadeiro eu no jovem em formação, pois, os valores sociais são descobertos pelo aluno conforme suas experiências diárias na realidade em que convive. Mesmo assim,

O perigo maior para o jovem não são as drogas, é sim não crer no futuro e na sociedade. A falta de esperança, essa sim, é que pode levar a depressão, ao individualismo, ao consumismo, exacerbação, ao suicídio, a marginalidade e as drogas. Já a convicção num caminho produtivo a ser trilhado faz com que os jovens estudem e realizem. Para ter essa confiança, precisam conviver com pessoas que além de seguir esse modelo, não se deixam abalar pelas noticias negativas veiculadas pela mídia (CRISTOFOLINI, 2004, p. 32-33).

É importante salientar que a educação é de extrema importância na reformulação do homem em sociedade e um projeto nessa dimensão visa o bem estar social de toda uma comunidade. As gerações vindouras serão caracterizadas pelo desenvolvimento da cidadania. Todos serão aproveitados, devendo a escola selecioná-los e prepará-los para ocuparem lugares na sociedade.

É interessante observar, porém, como os que vivem bem tendem a considerar os que simplesmente sobrevivem como incapazes, incultos, invejosos, marginais perigosos e a considerar também como propriedade sua o que a cidade tem de bonito e bem-cuidado (FREIRE, 2001, p. 41).

Considerando que a educação é o fator primordial na regeneração da moral em uma sociedade, busca-se aqui defendê-la da concepção positivista que vai contra uma proposta de ensino autônomo e liberador, pois assim, identificam-se as tendências (vagabundos e mentirosos habituais, os pervertidos sexuais, os dominados por instintos destruidores e de perturbações motoras), o que evitaria a germinação de criminosos e desajustados de toda espécie (inadaptados moralmente).
Cabe citar que uma educação com valores não será uma educação sem a tecnologia, pois se sabe que não se fará educação sem estas. O uso de computadores já faz parte do processo de ensino-aprendizagem, ampliando por meios de informações gerais a capacidade crítica de crianças e adolescentes. Até porque, “O acesso ao conhecimento e, em especial, à rede informatizada desafia o docente a buscar nova metodologia para atender as exigências da sociedade” (BEHRENS Apud MORAN; MASSETO, BEHRENS, 2000, p. 71).
Muitas vezes busca-se longe o que pode estar dentro do próprio adolescente, em sua intimidade, em sua autoestima. Para iniciar esse processo de desenvolvimento pessoal, tem-se que, de certa forma, estar certo de que é isso o que realmente se deseja, se a resposta for afirmativa, trabalhar a autoestima do educando é a motivação necessária para esse autodesenvolvimento.
Muitos dos problemas que hoje a sociedade enfrenta têm como causa a baixa autoestima. Assim,

Se você não gosta de você mesmo, como vai convencer os outros a gostarem? Não adianta se cobrir de ouro, usar roupas lindas, se a auto estima estiver baixa. O problema é que, o modo como fomos criados nos leva a não gostarmos de nós mesmos. Nossa estrutura nos torna autocríticos demais (RIBEIRO, 1992, p. 30).

Cabe salientar que o lado crítico do aluno deverá passar por adaptações necessárias ao contexto no qual está inserido, repensando seus limites e aderindo a uma nova conduta, pois as más experiências do passado podem exercer grande influência na autoestima, contribuindo para gerar conflitos nos relacionamentos com outros educandos (adolescentes).
Segundo Murphy (2007), sem autoestima e sem autoconfiança o homem é constantemente assombrado pelos fantasmas da dúvida, da insegurança e da incerteza. Muitas vezes, é a opinião que outras pessoas têm acerca de nós que determina nossa autoestima, medimos nosso valor de acordo com aquilo que os outros pensam e as nossas decisões de acordo com aquilo que os outros vão achar. Mas, na verdade, é a opinião que tem de si mesmo, ou seja, a nossa autoestima, que vai verdadeiramente determinar o sucesso ou o fracasso dos atos humanos.

Tudo aquilo que o consciente julgar ser a verdade é logo aceito pelo subconsciente cuja Infinita inteligência começa a aceitar e executar o que foi sugerido pela presunção. Ela, falsa ou verdadeira, transforma-se em fato e é projetada na tela do espaço (MURPHY, 1980, p. 26).

Seguindo essa linha de pensamento, a criação de condições facilitadoras para a aprendizagem objetiva formar alunos com personalidade rica e solidaria. Sugerem-se salas agradáveis, que estimulem a necessidade de comunicação entre as crianças/alunos e alunos/professores, onde criança/adolescentes encontre um espaço acolhedor, livre e dinâmico que de vazão a sua criatividade e ao seu talento, fortalecendo a crença de suas capacidades.
Diante do exposto, cabe frisar que a capacidade de aprendizagem torna o estudante um ser receptível, com capacidade de aprender sobre si mesmo, assim como, de facilitar o aprendizado dos outros e dos conhecimentos necessários.
Espera-se uma escola que ensine a pensar, que se dedique de forma competente, comprometida com os valores morais/sociais, uma escola geradora de alegria, que atenda os interesses populares, esta sim, será o modelo ideal de escola. Por isso, “Sonhamos com uma escola realmente popular, que atenda, por isso mesmo, aos interesses das crianças populares e que, tão rapidamente quando possível, irá diminuindo as razões em seu seio para a “explosão” das crianças do povo” (FREIRE, 2001, p. 37).
Os projetos políticos pedagógicos (PPP), em seu contexto teórico são maravilhosos, mas na pratica não atende todas as necessidades exigidas pela comunidade onde as escolas estão inseridas.
Segundo Freire (2001), os adolescentes não se evadem da escola, é a escola que os expulsam. Quando o adolescente chega à escola e não encontra atrativos que estimule seu desejo de permanecer, simplesmente ele irá embora e o que motiva isso é a pura antipatia pessoal de alguns professores despreparados, sem capacidade de criar e recriar o ambiente no qual esta incluso. Assim,

O papel de um educador consciente progressista é testemunhar a seus alunos, constantemente, sua competência, amorosidade, sua clareza política, a coerência entre o que diz e o que faz, sua tolerância, isto é, sua capacidade de conviver com os diferentes para lutar com os antagônicos (FREIRE, 2001, p. 54).

Em comum acordo com esse processo de desenvolvimento do educando, o educador precisa ser inserido em projetos de qualificação como gestor de pessoas, buscando se aperfeiçoar, crescer como profissional de qualidade para ministrar um ensino também de qualidade, onde criança e adolescentes terão a formação necessária para serem os cidadãos críticos, participativos, dentro de suas comunidades.
Bagno (2008) explica que “Falar é construir um texto, num dado momento, num determinado lugar, dentro de um contexto de fala definido, visando um determinado efeito de sentido” (p. 122).
Todo e qualquer relacionamento se inicia com o diálogo, com a fala. É na fala, no ato de conversar que se desperta o calor humano, que resgatamos sentimentos, que criamos horizontes, que geramos algo, que ensinamos algo, dentro da necessidade de se obter formação moral.

Ou seja, de conseguir que, após um determinado período, seu filho e sua filha sejam capazes de pensar com a própria cabeça e, entendendo o significado das normas, estejam aptos a segui-las sem que alguém precise controlá-los. No entanto, só após questionar e colocar em dúvida os valores recebidos dos pais é que os jovens estarão prontos assumi-los, ou não, como seus. Isso faz parte do processo de aquisição da autonomia, essencial para a maioridade e o amadurecimento (GAUDENCIO, 2007, p. 28).

Formando jovens que irão fazer a diferença ao opinarem em defesa de seus interesses sociais. Assim, “Não se pode pensar em mudar a cara da escola, não se pode pensar em ajudar a escola a ir ficando séria, rigorosa, competente e alegre sem pensar na formação permanente da educadora” (FREIRE, 2001, p. 38).
Em virtude das modificações desejadas (uma escola séria, competente, alegre e rigorosa), será necessário um investimento continuado no treinamento (capacitação) de professores, pois, pessoas preparadas produzem satisfatoriamente bem se sentindo autoconfiante.
O professor tem que ter o domínio científico relacionado com a realidade educacional, domínio político para desenvolver sua consciência social e uma formação filosófica, ou seja, sensibilidade para dar sentido ao ato de ensinar/aprender.
Por outro lado, profissionais despreparados estão mais propensos a falhar, tomando decisões e criando situações incorretas dentro da escola (instituição) e fora dela. Segundo França,

O treinamento não pode ser visto pela empresa como uma serie de cursos e eventos. A expectativa da empresa é que o treinamento possa, identificado com seus objetivos, contribuir para melhor capacitação dos empregados, visando a um aumento de moral, de eficiência, de eficácia, de produtividade e melhoria do ambiente de trabalho e da própria empresa (2007, p. 88).

Uma escola nesses moldes, onde educador (professor) /educando, esteja dia após dia, em construção (formação), seria a escola dos sonhos de grandes pensadores da história. Uma escola onde não só ensina se Matemática, Língua Portuguesa, mas uma escola dotada de valores morais tanto quanto sociais.

É preciso deixar claro, porém, que a escola que queremos não pretende, de um lado, fazer injustiça ás crianças das classes chamadas favorecidas, nem, de outro, em nome da defesa das populares, negar a elas o direito de conhecer, de estudar o que as outras estudam por ser “burguês”. A criação, contudo, de uma escola assim, impõe a reformulação do seu currículo, tomando esse conceito na sua compreensão mais ampla. Sem esta reformulação curricular não poderemos ter a escola pública municipal que queremos: séria, competente, justa, alegre, curiosa. Escola que vai viando o espaço em que a criança, popular ou não, tenha condições de aprender e de criar, de arriscar-se, de perguntar, de crescer (FREIRE, 2001, p. 42)

Toda essa aprendizagem será a mudança no comportamento de professores pela incorporação de novos hábitos, atitudes, domínio de conhecimentos e habilidades.

Aliás, essa é à base de todo o sistema educacional, que tem como objetivo -- pelo menos teoricamente -- formar um individuo que entende, aceita e respeita as regras da cidadania. Não há como duvidar da importância desse objetivo, principalmente, em nosso país, e neste momento, tão marcado pela impunidade, violência e queda dos valores sociais básicos (GAUDENCIO, 2007, p. 38).

Pensa-se uma escola aberta para todos, uma escola que vivencie o processo de construção de seus valores morais e sociais, uma escola crítica ideológica, sobretudo positiva e libertadora, democrática, capaz de aflorar a consciência critica do aluno, de formá-lo enquanto sujeito histórico.

5. ANÁLISE DE DADOS

Essa pesquisa tem por objetivo resgatar os valores sociais e morais, abordando o tema Educação e Respeito dentro e fora da sala de aula, cabendo frisar a constatação da falta de limites com que crianças/adolescentes são educadas no lar. Um questionário de caráter qualitativo com 10 (dez) perguntas foi apresentado a 2 (dois) professores (M. A e D.O), 1 (um) coordenador (J) e à 17 (dezessete) alunos dos anos inicias do ensino fundamental e modalidade EJA, com o objetivo de coletar as informações sobre a temática proposta.
Por isso, foi imprescindível questionar conceitos de educação, respeito e valores morais e sociais, como também a relação professor/professor, professor/aluno, aluno/aluno e a relação entre vizinhos.
No que se refere ao conceito de educação, a coordenadora J respondeu: “è um processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral inerente ao ser humano”. Já o professor M. A afirmou que: “educação é o meio pelo qual o individuo será inserido na sociedade, através das ferramentas do conhecimento essa inserção se torna mais fácil ou acessível. A educação possibilitará a interação da pessoa como processo contido em todos os segmentos desta sociedade de modo geral” (sic). Enquanto o professor D. O disse que: “educação é a forma de transmissão de saberes, que abrange a família, escolas, amigos, etc…” (sic).
Para a aluna G. F: “o conceito de educação que eu dou para a educação é que ela é muito importante, porque pra demonstrar respeito nois tem que ter pelos outros educação, porque as coisas só resolve com ela” (sic). Para a aluna K. N, “o principal conceito de educação é o respeito, e cinceridade”(sic).
Diante disso, foi perguntada qual a relação entre professores, o que D. O, respondeu: “O relacionamento é amigável”. J: boa. Através dos diálogos, das conversas, das discussões “das fofocas” do dia a dia aprendemos muito é uma boa e importante troca de figurinhas”(sic). M. A: “ de cordialidade, contato estudantil e colegas para algumas conversas paralelas”(sic).
Para formar um cidadão participativo, ciente de seus direitos e deveres, é preciso abordar nas escolas temas como respeito ao próximo, consciência, cidadania, caráter, virtudes e vida social, por serem valores comuns encontrados na maioria das culturas. Assim, o objetivo dessa pesquisa, foi analisar as formas como são trabalhadas pela escola diante do problema da falta de respeito, objetivando verificar as medidas de contenção que a escola adota em seu dia-a-dia. De acordo com as informações coletadas, a escola possui um projeto político pedagógico, porém não é desenvolvida nenhuma atividade interdisciplinar específica que aborde a questão dos valores sociais e morais.
Analisando a resposta dos professores e alunos foi possível perceber, que a escola, apesar de não adotar nenhuma forma de orientação específica, sempre que possível trabalha a questão de maneira interdisciplinar e transdisciplinar (Bullying e Mobbing), afirmando ser a educação a melhor forma de demonstração de respeito ao próximo. Porém, alerta que o objetivo da escola é implantar uma educação libertadora, retirando alunos e comunidade desse estado omisso em que se encontram, manipulados, domesticados, agregados a cultura do silêncio, incapazes de manifestarem seus pensamentos. Dessa forma entende-se que a escola é o lugar apropriado para a manifestação desse processo de resistência.
Segundo Freire (1992), uma escola geradora de alegria, seria uma escola transformadora, dedicada e competente. Buscam-se o autodesenvolvimento através da escola, por intermédio dos valores sociais e morais, do conhecimento de mundo, agregados à educação e ao respeito. Foi citada por professores e coordenadora da escola, a falta de recursos, aparelhos e profissionais com experiência para lidar com esse tipo de educação, deixando a situação mais complicada e quase impossível de se realizar um trabalho mais direcionado a transformação de valores.
Diante dos dados expostos com o resultado da pesquisa, ficou evidente a falta de participação familiar na formação dos valores morais e sociais de seus filhos, sendo isso um fato que deturpa a construção da cidadania, cabendo a escola desenvolver um projeto de aconselhamento que tenha como foco a família, mostrando-lhe sua importância no processo de crescimento e amadurecimento na vida do aluno (seus filhos), estimulando-a a participar mais ativamente das questões sociais, morais e escolares, sabendo que isso poderá refletir nesses jovens a consciência de suas ações futuras.
Diante deste tema tão complexo, educação e respeito: uma questão social importa repensar a formação dos professores, o posicionamento da escola, direcionando suas formas de atuação, tanto no ambiente de trabalho, como no ambiente externo à sala de aula, aos alunos e a toda a comunidade escolar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa foi relevante, por meio dela verificou-se a falta de conhecimentos relacionada aos valores sociais e morais que são à base da educação e respeito que, respectivamente, formam o alicerce da cidadania como cultura em uma sociedade.
Sabe-se que mesmo a escola ocupando um papel fundamental na criação do cidadão participativo, é no lar que a criança recebe os primeiros conhecimentos e contatos relacionados aos valores sociais e morais.
Constatou-se assim, que a família e a escola, são pólos de saberes relacionados ao desenvolvimento da consciência social, com maior ênfase, nos direitos e deveres, como respeito ao próximo, caráter, virtudes e vida social.

REFERÊNCIAS

BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico, o que é, como se faz. 50ª Edição, São Paulo: Loyola, 1999.
BEHRENS, Marilda Aparecida. Projetos de Aprendizagem colaborativa num paradigma emergente. In:MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos T. e BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. São Paulo: Papirus, 2000.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação. 33ª. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1995.
BRASIL. Senado Federal. Constituição Federal. 2ª Ed. São Paulo: Manole, 2003.
CRISTOFOLINI, Glória Maria Alves Ferreira. Educando para o Pensar sobre Valores: Um Desafio Para o Ensino Fundamental. Revista do Centro de Filosofia Educação para o Pensar, Ano 11, nº 21, 2004.
FRANÇA, Ana Cristina Limongi. Práticas de Recursos Humanos: conceitos, ferramentas e procedimentos. São Paulo: Atlas, 2007.
FREIRE, Paulo. A educação na cidade. 5ª. Ed. São Paulo: Cortez, 2001.
___________. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
GAUDENCIO, Paulo. Mudar e vencer: como as mudanças podem mudar pessoas e empresas. 7ª Edição, São Paulo: Palavras e gestos, 2007.
GOLDEMBERG, Miriam. A Arte de Pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 11ª. Ed. Rio de Janeiro: Record, 2009.
GOULART, Iris Barbosa. Piaget – Experiências Básicas para utilização pelo Professor. Petrópolis: Vozes, 1993.
LEÃO, Silse Teixeira de Freitas Lemos. Políticas Educacionais e a Formação Ética: Elementos para Iniciar a Discussão. Revista do Centro de Filosofia Educação para o Pensar, Florianópolis, Ano 9, nº 17, 2002.
LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E.D.A. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 6ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009.
MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos Meios às Mediações: comunicação, cultura, hegemonia. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 2003.
MURPHY, Joseph. Como Desenvolver a Autoconfiança e a Autoestima. Rio de Janeiro: Ed. Pergaminho, 2007.
______________.Como Usar as Leis da Mente. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 1980.
RIBEIRO, Lair. O Sucesso não ocorre por acaso. 26ª Ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1992.
WONSOVICZ, Silvio. A Educação em Valores e os Valores na Educação. Revista do Centro de Filosofia Educação para o Pensar, Florianópolis, Ano 9, nº 17, 2002.


Luiz Carlos de Oliveira
Graduando em Pedagogia pela Faculdade Anhanguera de Brasília (2º/2011).

[email protected]

Joeanne Neves Fraz
Faculdade Anahguera de Brasília
Curso de Pedagogia
[email protected]

SALVE ESTA MATÉRIA!

Deixe uma resposta