A CONSTRUÇÃO DE CONCEITOS MATEMÁTICOS POR ALUNOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

O papel da Educação Infantil hoje é de cunho pedagógico. As crianças até 6 anos não frequentam a escola apenas para brincar ou se socializar. Elas estão nesta faixa etária construindo conceitos. No início são pré-conceitos, indícios. Gradativamente vão sendo construídos conceitos lógico-matemáticos.

A construção do conceito de número, por exemplo, começa muito antes da entrada na escola. Desde que em sua casa, nas relações cotidianas, a criança tem oportunidade de lidar com situações que envolvam ordenação, seriação, classificação, já estará se iniciando a construção deste conceito.

Caberá, desde a Educação Infantil, organizar experiências que privilegiem a formação de diferentes conceitos. Através de jogos e brincadeiras vão se estruturando experiências que levarão à construção dos conceitos de tempo, espaço, distância, limites, entre outros.

Auxiliando os alunos na formação de conceitos matemáticos e na construção do conceito de número

O professor não ensina conceitos aos alunos. Ele os ajuda a construí-los.

Um bom exemplo disto é o da construção do conceito de número, que envolve a conservação de quantidades.

Uma criança pode ser auxiliada até chegar à construção do conceito de conservação de quantidades, porém não se pode ensinar esta conservação.

Para que a criança construa o conceito de número, que é um conceito complexo, é preciso que o professor lhe ofereça inúmeras atividades de classificação, seriação, ordenação de quantidades.

Só a partir de experiências relevantes e dosadas para a criança é que ela poderá abstrair características comuns que a levem a formar determinados conceitos.

Deve-se respeitar o rítmo da criança sem, contudo, ficar apenas esperando que ela construa os conceitos.

Para ajudar a construir o conceito de número, por exemplo, que é um conceito lógico-matemático, deve-se propiciar experiências em diferentes graus de complexidade, isto porque, este é um conceito cuja construção demanda tempo e envolve várias gradações: números naturais, racionais, negativos, reais, complexos.

As fases porque passam a construção e compreensão de um conceito matemático

A construção e compreensão de um conceito matemático passa por duas fases. Em primeiro lugar, ele deveria ser utilizado como ferramenta em um contexto bem definido, ou seja deveria ser abordado como algo que ajuda a resolver um problema.

Em segundo lugar, após ter sido utilizado como ferramenta contextualizada, o conceito precisa ser descontextualizado, adquirindo status de saber matemático abstrato e independente.

Paradoxalmente, esta abstração é que faz com que ele possa ser utilizado em outros contextos, voltando a ser uma ferramenta.

Compete ao professor orientar o aluno nesta passagem do concreto contextualizado para o abstrato descontextualizado.

Orientando os alunos na passagem do concreto para o abstrato

O ensino da Matemática deve partir sempre de problemas que fazem sentido para o aluno, nos quais ele possa perceber o funcionamento de ferramentas matemáticas e o efeito que elas têm sobre a resolução destes problemas.

Inicialmente devem ser vivenciadas experiências concretas para que, gradativamente, o aluno possa chegar às abstrações. Material concreto como bolas, palitos, fichas, chapinhas devem estar à disposição dos alunos para serem manipulados.

Uma abstração crescente, até chegar-se ao conceito matemático puro, sem ligações com a aplicação ou a realidade, deve ser cuidadosamente dosada, de acordo com o nível de compreensão dos alunos. Em seguida, deve-se realizar uma volta a situações “concretas” em que o conceito possa ser explorado.

A capacidade de reconhecer, em situações novas, conceitos descontextualizados é o teste real da compreensão de um conceito matemático.

Desta forma deve-se lidar com situações do cotidiano, utilizar material concreto, caminhar em direção aos conceitos matemáticos de forma abstrata, voltar a situações concretas onde os mesmos possam ser aplicados, reconhecendo em novas situações conceitos descontextualizados.

O uso da linguagem matemática pelos alunos

Deve-se entender o uso da linguagem matemática fazendo-se uma analogia desta com a Língua Portuguesa.Quando as crianças começam a se expressar usando sua própria língua fazem construções aparentemente ilógicas como “eu faz, eu di“.

Ao procurar uma relação lógica no uso dos verbos, tentanto regularizar os verbos irregulares, a criança comete erros já que a língua possui sua própria organização, nem sempre muito lógica.

Gradativamente, as crianças passam a dominar a organização da língua materna, sem necessidade de correção. O próprio contato com a língua favorece seu uso adequado.

Da mesma forma o uso correta da Gramática da Matemática será adquirido pelo aluno a partir do contato com esta linguagem.

Não se deve exigir muito cedo que a criança domine a simbologia e a linguagem específica da Matemática. Tanto quanto no domínio da língua materna será preciso que se deixem as crianças utilizarem seu modo de expressão inicial oferecendo-se oportunidades para que mantenham contato com a linguagem correta.

O papel dos livros didáticos no ensino da Matemática

No Brasil, há muito tempo os livros didáticos vêm sendo questionados.

Normalmente, em sua maioria, os livros didáticos, na área de Matemática, vêem o aluno passivamente, como simples repetidor de modelos.

Muitas vezes, determinados capítulos destes livros discutem conceitos desnecessários, sem relação uns com os outros.

Um bom exemplo disto é o capítulo dedicado à Teoria dos Conjuntos, presente em todos os livros iniciais de Matemática, como um capítulo estanque da chamada “Matemática Moderna” . Todos os livros didáticos incorporaram este tema sem, no entanto, relacioná-lo a outros conceitos.

Há uma enorme necessidade de renovação dos livros didáticos em Matemática, modificando-se a organização deles e até revendo-se conceitos ensinados de forma errônea.

O papel da TV, dos vídeos e dos computadores no auxílio ao professor de Matemática e vice-versa.

A escola precisa incorporar as novas tecnologias que estão surgindo. A televisão e o vídeo, hoje, são muito importantes na vida de crianças e adolescentes. É necessário, para que a escola entre em sintonia com seu tempo, que estes recursos sejam melhor aproveitados já que podem contribuir, e muito, para o ensino da Matemática.

A imagem tem um grande poder de sedução sobre os jovens e as crianças e pode ser usada, sob diferentes formas, inclusive, em movimentos de computação gráfica. A televisão, os vídeos e o computador podem apresentar de forma integrada um trabalho de imagens que venha facilitar a construção de conceitos matemáticos.

Problemas do cotidiano, desafios matemáticos que precisam ser vencidos, podem ser apresentados sob a forma de imagens em movimento.

O mundo mágico das imagens de TV, vídeo e computador podem ser instrumentos valiosos para auxiliar os professores em seu trabalho com os alunos.

Funções, relações, gráficos podem ser melhor compreendidos com o uso da computação.

A própria Geometria, (os movimentos das figuras, a comparação entre elas), se torna mais clara com o uso de imagens.

Este trabalho, quando bem realizado, leva os alunos à descoberta de regras sem necessidade de memorização.

Embora, sem dúvida, o trabalho com as novas tecnologias facilite o trabalho do professor não há possibilidade de substituí-lo.

Ao contrário, quanto mais as máquinas se desenvolvem mais necessária se torna a figura do professor que cada dia mais terá que se preocupar com o desafios que deve lançar aos alunos para que estes se apropriem dos conceitos matemáticos. É preciso ensinar a pensar, analisar, já que as máquinas podem rapidamente realizar diferentes operações.

Fonte: multieducação.com